Fotos: Gustavo Louzada/Porã

A dona de casa Gilda Ribeiro, 41, ainda não sabia quais os candidatos a prefeito em Vitória. “Quem são os candidatos? Ainda não sei”. Mas uma vez apresentados, se entrega sem titubeios: Amaro Neto (SD). “Ele parece mais verdadeiro. Conhece o povo. Prefiro ele”, disse. 
 
Nascida em Barra de São Francisco, Gilda mora há 30 anos em Resistência, região da Grande São Pedro. Ainda era uma criança quando os pais deixaram o município do extremo norte capixaba. Morou dois anos no Rio de Janeiro, mas, depois, com a avó e os dois irmãos, mudaram para Vitória. Ficaram 10 anos em Itararé, antes da mudança para Resistência. 
 
“Quando cheguei não tinha nada aqui. Nem assalto”, lembra a mãe de três filhos. Hoje, sente falta apenas de área de lazer no bairro, como uma praça ou uma academia popular. “Tem uma porcaria de pracinha no ponto final  [do ônibus]”, diz, com sinceridade.
 
Gilda concluiu o ensino médio há apenas dois anos. Estudou até os 17 anos, interrompeu e retomou os estudos em uma unidade da Educação de Jovens e Adultos (EJA), em Joana D’Arc. O apelo midiático do atual deputado estadual e apresentador licenciado do programa Balanço Geral, na TV Vitória, se confirma na declaração da dona de casa: Gilda se confessa telespectadora fiel do Amaro-apresentador. 
 
A pesquisa Brand/Século Diário indica preferência pelo candidato do Solidariedade nas regiões de baixa renda da cidade, com destaque para as de Goiabeiras, Jucutuquara, Maruípe e São Pedro, e especialmente entre eleitores do sexo feminino. No entanto, como a pesquisa também indicou, Amaro não encontra a mesma acolhida nas regiões com maior faixa de renda.
 
O publicitário Divaldi Neves, 52, por exemplo. O morador de Jardim Camburi só mostra convicção para mostrar em quem não vota: Amaro Neto. “Um brincalhão”, critica. Ele também não sabia quais os candidatos a prefeito em Vitória. Quando apresentados, não bateu o martelo, mas declarou certa tendência a votar no deputado federal Lelo Coimbra (PMDB). 
 
“Não é voto por convicção, mas pela experiência dele em administrações passadas”, explica, confirmando um indício apontado pela pesquisa Brand/Século Diário o peemedebista é bem acolhido principalmente nas regiões de São Pedro, Praia do Canto e Jardim Camburi, entre eleitores de etária de 45 a 59 anos das classes B e C. 
 
Divaldi é uma testumunha ocular da explosão imobiliária de Jardim Camburi, onde mora há 23 anos. Recém-casado e com uma filha pequena, buscava qualidade de vida quando deixou Cariacica e escolheu o hoje mais populoso bairro do Espírito Santo. Como grande parte dos moradores, vê no trânsito o principal problema do bairro. “A construção civil fez prédio com uma vaga de garagem e hoje as famílias tem declaradamente dois carros e acabam deixando um na rua, causando uma poluição visual”, critica, Divaldi, que tem superior completo.
 
O atual prefeito Luciano Rezende (PPS) é a oposição simétrica a Amaro Neto. Segundo a pesquisa, o candidato à reeleição é tem destaque especialmente nas classes A, B e C, nas regiões de Jardim da Penha e Jardim Camburi, nas faixas etárias de 16 a 24 anos e 35 a 44 anos.
 
O único que usou a expressão “pré-candidato” foi o arquiteto Bernardo Dias, 26. Ele também não manifesta um voto convicto, mas declara tendência a votar pela reeleição do prefeito Luciano Rezende (PPS). “Tenho muitas críticas ao prefeito, mas ele me passa a sensação de pessoa que trabalha. Ainda estou analisando, mas se ficar na dúvida, voto no Luciano”, diz o arquiteto, que tem mestrado em Engenharia Civil. 
 
Morador de Jardim Camburi, evoca a condição de arquiteto para criticar o quadro de mobilidade para o pedestre no bairro, especialmente após a implantação dos projetos de mão única em algumas vias. Em um bairro de ruas estreitas, condição já adversa para a mobilidade a pé, a implantação dos projetos de mão única em algumas vias piorou a situação. “Com mão única, o fluxo fica mais rápido”, explica.
 
Ele também critica a dependência econômica de Vitória em relação aos grandes projetos industriais. “Se elas vão mal, a cidade vai mal”, diz, razão pela qual sugere a diversificação econômica, como o investimento em atividades turísticas, por exemplo. 
 
A oposição frontal entre Amaro e Luciano coloca desafios igualmente opostos para ambos, segundo o consultor associado da Brand, o historiador Darlan Campos. “Amaro terá desafios: demonstrar para o eleitorado de classe A/B sua capacidade de governar uma capital. A desconfiança dessa parcela do eleitorado coloca um teto importante ao seu crescimento”, analisa.
 
Sobre Luciano, ele tem desafios tanto em relação ao eleitorado de maior escolaridade, quanto o de menor. “Primeiro, será mobilizar o eleitorado com mais escolaridade a votar. Atualmente, é a parcela do eleitorado que se apresenta mais propenso a não votar (branco/nulo/ninguém). Segundo, apresentar uma comunicação de campanha capaz de alcançar as classes D/E”, pondera.
 
A oposição entre os dois abre uma brecha para a emergência de Lelo Coimbra. “Lelo está na disputa. Existe espaço para uma terceira via. Sua participação tira a possibilidade de polarização nessa eleição. Como aconteceu nas eleições de 2012, quando Luciano surpreendeu indo ao segundo turno, quando poucos acreditavam nele no início do pleito”, analisa Darlan.
 
Confira os dados comparativos da pesquisa Brand/Século Diário para entender o voto dos três candidatos mais bem colocados
 
 
 
 
 
A pesquisa Brand/Século Diário entrevistou 400 eleitores residentes em Vitória, maiores de 16 anos, entre os dias 2 e 3 de agosto. Os bairros que compõem as 9 regiões de coleta foram agrupados observando-se a divisão administrativa do município. A amostra considerou as ponderações de sexo x idade x região de moradia, segundo estatísticas do TSE e IBGE. A margem de erro estimada é de 4,9% sobre um intervalo de confiança de 95%. A responsabilidade técnica pela amostra coube à estatística Miriam Ignácio de Almeida. A pesquisa encontra-se registrada na Justiça Eleitoral sob nr. ES-00315/2016.