A terceira, irmã da motorista que atropelou Luisa, não compareceu. Família da vítima espera decisão sobre júri popular A audiência de instrução do caso da modelo Luisa da Silva Lopes, realizada nessa segunda (1º), na 1ª Vara Criminal de Vitória, no Centro, foi considerada positiva pela professora Adriani Luiza da Silva, mãe da jovem, que agora aguarda a decisão da Justiça se a corretora de imóveis Adriana Felisberto, que matou Luisa atropelada em Camburi, irá a júri popular. Ao contrário do que aconteceu na primeira audiência, em outubro de 2023, quando nenhuma das três testemunhas apareceram, duas delas, ambas policiais, prestaram depoimento. A terceira, irmã da motorista, não compareceu. Facebook Adriana dirigia embriagada, acima da velocidade permitida, e vitimou Luisa fatalmente em frente ao Clube dos Oficiais, onde chegou a arrastar seu corpo por cerca de 40 metros. O crime aconteceu em abril de 2022. Sua irmã estava com ela no carro. Antes as duas tinham ido a dois bares, um em Jardim Camburi e outro no Triângulo, na Praia do Canto. “Acreditamos ser o júri popular a decisão mais justa para fazer a assassina pagar pelo crime cometido”, diz a professora, que aponta que a espera não é fácil. “A morosidade da Justiça é que nos deixa também em sofrimento, além da perda da Luisa”, lamenta. Em dezembro de 2022, oito meses depois do crime, Adriana Felisberto foi denunciada à Justiça pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES). Entretanto, não foi pedida sua prisão, o que foi contestado pela mãe da vítima. “Diante de tantas provas, meu sentimento é de indignação”, desabafou na ocasião. Além das provas de que a corretora foi responsável pelo atropelamento, Adriani recordou as palavras ditas pela mulher que atropelou sua filha, que se preocupou muito mais com o estado em que se encontrava seu carro do que com a vítima, inclusive, referindo-se a Luisa com frieza e discriminação, ao proferir frases como “ela provavelmente era uma empregada doméstica sem importância” e “não quero saber dela, não”. A promotoria ratificou os argumentos levantados na investigação policial, quando a Polícia Civil (PC) chegou à conclusão de homicídio doloso duplamente qualificado, levando em consideração questões como o estado de embriaguez da motorista, o fato de dirigir em alta velocidade, a frieza em torno da morte causada, e o clamor social diante da morte da vítima, uma vez que houve protestos, sinalizando, entre outros pontos, que ela era uma “pessoa de bem”. A PC representou pela prisão preventiva da indiciada e suspensão de seu direito de dirigir. A conclusão do inquérito e a representação foram enviadas para o MPES. A motorista, pela investigação, pode pegar de 12 a 30 anos de prisão. A Promotoria alega que não pediu a prisão “porque a liberdade dela não oferece riscos, além de levar em consideração que a mulher que cometeu o crime tem residência, emprego, é ré primária, genitora de criança em tenra idade, e faltam evidências de que não esteja cumprindo as medidas cautelares definidas em audiência de custódia no dia seguinte ao crime”. O crime Segundo a Polícia Civil, Adriana saiu da Serra rumo a um bar em Jardim Camburi. A pessoa que a acompanhava e que era sua carona no carro afirmou, durante as oitivas, que elas beberam água e comeram caranguejo. O estabelecimento não conta com câmeras de videomonitoramento, mas esse relato pôde ser desmentido por meio de imagens postadas nas redes sociais e da comanda. No Instagram, Adriana postou uma foto no local onde é possível ver caranguejos e um copo de cerveja. Na comanda, consta a consumação de cerveja, e não de água. Em seguida, elas foram para um bar no Triângulo, na Praia do Canto. Novamente, a pessoa que a acompanhava conta uma versão inverídica, afirmando durante as investigações que Adriana tomou somente dois goles de cerveja e parou, por não estar se sentindo bem. Entretanto, as câmeras de videomonitoramento mostram que ela levou o copo de cerveja à boca 23 vezes em cerca de 30 minutos. O consumo da cerveja é comprovado também por meio da comanda. Ainda é possível verificar, por meio das imagens fornecidas pelo estabelecimento, que Adriana e a pessoa que a acompanhava começaram a interagir com a mesa ao lado. Em um certo momento, um homem que estava nessa mesa levanta e oferece vodka para a corretora de imóveis. Ela não somente toma quando ele a oferece pela primeira vez, mas também em outras ocasiões, pois ele ofereceu mais de uma vez, e ela também solicitou a bebida algumas vezes. Ao todo, segundo a PC, ela levou o copo de vodka à boca 24 vezes durante o período em que esteve no bar. Inclusive, o último gole foi cerca de 10 minutos antes do atropelamento. Na cena do crime, a Avenida Dante Michelini, constatou-se, de acordo com a PC, que a motorista estava em alta velocidade, dirigindo a 72 km/h em um local cuja velocidade máxima é de 60 km/h. Luisa foi projetada a uma distância de 40m, e sua bicicleta, a 51m. Foi constatado, ainda, que a vítima, no início da travessia na faixa de pedestre, tentou desviar do veículo, mas não obteve êxito. Quando o crime aconteceu, foi ventilada a possibilidade de um terceiro veículo envolvido, que teria atropelado Luisa e, depois, colidido no carro de Adriana, uma vez que a lateral do automóvel da corretora estava amassada. Entretanto, foi descartada essa hipótese, sendo o amassado na lateral resultado de algum outro acidente. A causadora do atropelamento estava com sua capacidade psicomotora alterada não somente por causa das bebidas alcoólicas que havia ingerido, mas também por ter tomado alguns remédios controlados, como Prebictal, cuja bula alerta para o fato de que pode ocasionar alteração na capacidade de dirigir, e Zolpidem, que pode causar sonolência e insônia. Embora o sinal estivesse aberto para a motorista e fechado para a ciclista, diante dos fatores como embriaguez e alta velocidade, a responsabilidade da motorista não pode ser eximida, como apontaram as investigações. Comoção A morte da modelo causou grande comoção. Uma manifestação em frente ao Clube dos Oficiais foi feita cinco dias
Coser diz que irá ao segundo turno ao citar pesquisa que favorece Pazolini
Prefeito de Vitória lidera o levantamento, com números bem acima de João Coser e Camila Valadão “Estamos muito animados. O cenário aponta o segundo turno com a nossa presença e ainda temos uma longa jornada pela frente para mostrar à população que Vitória merece uma gestão experiente e que tem amor pela cidade”. Assim se manifesta o deputado estadual e ex-prefeito de Vitória João Coser, pré-candidato do PT nas eleições deste ano, sobre pesquisa da Futura encomendada pela Folha Vitória, divulgada nesta segunda-feira (1º), que o coloca em segundo lugar. Pelo levantamento, o atual ocupante do cargo, Lorenzo Pazolini (Republicanos), teria a maioria dos votos. Para a deputada Camila Valadão (Psol), que aparece em terceiro lugar, “a pesquisa mantém um pouco a tendência das anteriores, mas para nós, demonstra um cenário em que a gente tem um potencial grande de crescimento”. Ela acrescenta que “aparece em terceiro lugar em todos os cenários, sendo que eu nunca disputei a prefeitura. A cidade ainda tem muito a conhecer do nosso perfil e das nossas propostas”. João Coser apontou que, “mesmo sem a máquina nas mãos, os números revelam não só competitividade, mas a real possibilidade de mudarmos o cenário e, então, desempenharmos uma gestão que devolva o protagonismo à Capital do Espírito Santo”. E enfatizou: “Recebo a pesquisa com alegria, firmeza e disposto a me dedicar às pessoas da cidade, com muito diálogo, atenção e empatia”. A pré-candidata do Psol aponta como importante o baixo índice de rejeição considerando os principais colocados na pesquisa. “Isso demonstra que a gente tem um potencial de crescimento importante; outro dado também é que essa eleição em Vitória deve ser definida provavelmente em segundo turno, o que torna nossa pré-candidatura ainda mais importante nessa disputa”, avalia. Na pesquisa espontânea, quando não são indicados os nomes dos pré-candidatos, 40,2% disseram que votariam em Pazolini. João Coser aparece em segundo lugar, com 10,6%. Em seguida, empatados na margem de erro, vêm Luiz Paulo (PSDB), com 2,2%; Camila Valadão (Psol), com 2,1%; Capitão Assumção (PL), com 1,1%; e a vice-prefeita, Capitã Estéfane (Podemos), com 0,7%. O número de indecisos é de 39,3%. Já na estimulada, no primeiro cenário referente ao primeiro turno, foram apresentados sete possíveis candidatos. Sobre em quem os entrevistados votariam se a eleição fosse hoje, Lorenzo Pazolini aparece com 47,6%, seguido por João Coser, com 20,0%. Camila Valadão (Psol) alcança 9,1%; Assumção, 6,9%; e Luiz Paulo (PSDB), 5,4%, que também está empatado na margem de erro com Capitã Estéfane, citada por 2,4%. O empresário Du Kawasaki (Avante), anunciado recentemente, obteve 0,5% da intenção de voto. No segundo cenário, sem a Capitã Estéfane e Du Kawasaki, o atual prefeito tem 42,3% da intenção de votos; e João Coser 19,6%; seguido por Camila Valadão, com 11,6%; Luiz Paulo, com 9,9%; e Capitão Assumção, com 8,7%, tecnicamente empatados na margem de erro. Quando é apresentada a relação dos sete pré-candidatos do primeiro cenário com a pergunta sobre quem não votariam, os eleitores entrevistados apontaram o ex-prefeito João Coser, com 39,3%; seguido do Capitão Assumção, com 37,5%. Pazolini vem em terceiro lugar, com 18% dos eleitores entrevistados; e 17,8% disseram não a Camila Valadão; 17,2% a Capitã Estéfane; 12,7% a Du Kawasaki; e 12,2% a Luiz Paulo. A Futura/Folha Vitória ouviu 600 eleitores, entre 20 e 22 de junho. Segundo turno Para o segundo turno foram apresentados seis possíveis cenários. Na disputa João Coser contra Pazolini, o prefeito foi citado por 59,4% dos entrevistados, enquanto João por 31,1%. No segundo, contra Luiz Paulo, Pazolini foi citado por 61,4%, enquanto o tucano obteve 27% das intenções de voto. No terceiro cenário, contra Camila Valadão, o atual prefeito foi citado por 66,8% dos entrevistados, enquanto a deputada por 21,6%. Na disputa com a atual vice-prefeita, 69,8% dos entrevistados disseram que votariam em Pazolini, enquanto Capitã Estéfane foi citada por 12,3%. No quinto cenário, contra Capitão Assumção, Lorenzo Pazolini foi citado por 67,9% dos entrevistados, enquanto o deputado foi citado por 12,5%. O atual prefeito alcançou 72,7% da intenção de votos dos entrevistados no último cenário apresentado, contra o empresário Du Kawasaki, que aparece com 4,5%.
‘Flashes’ eleitorais
Poses para fotos e sola de sapato: personagens do pleito de outubro marcam terreno nas ruas e nas mesas de articulação Redes Sociais O final de semana foi de sorrisos, apertos de mão e muita sola de sapato gasta pelos personagens que se movimentam na direção do pleito de outubro. A Corrida dos Bombeiros, realizada nesse domingo (30), rendeu pose para fotos de pré-candidatos a prefeito com Renato Casagrande (PSB). Em Vitória, início e fim do trajeto, o governador apareceu ao lado do deputado estadual João Coser (PT). Em Vila Velha, com o atual gestor, Arnaldinho Borgo (Podemos). Arnaldinho, não é novidade, sempre teve o apoio declarado de Casagrande, inclusive, com reboque de investimentos. Na Capital, o cenário não é o mesmo. Embora o PT pleiteie essa parceria pública, o governador tende a ficar neutro no primeiro turno, devido à presença de outro palanque aliado, do ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), que também circulou nesse domingo, só que na Procissão Marítima de São Pedro, para onde Coser foi depois, pegar o final da festa. O tucano apareceu em foto com a vice-prefeita, Capitã Estéfane (Podemos), que tem feito movimentos próprios para erguer a pré-candidatura, em articulação paralela ao “grupo dos seis” que orbita em torno do governador. Em outra frente, ela se reuniu com o ex-deputado estadual Sergio Majeski (sem partido), que retirou a pré-candidatura anunciada pelo PDT, alegando falta de apoio, e passou a ser um nome cobiçado para subir em palanque majoritário, já que soma um capital político que não se pode desprezar em Vitória. A conferir, as amarrações e cenas dos próximos capítulos! Mais umaCamila Valadão, pré-candidata à prefeitura pelo Psol, também circulou nesse domingo e correu entre Vitória e Vila Velha. Futuro em jogoEm Vitória, como se sabe, a meta do governador é derrotar seu opositor, Lorenzo Pazolini (Republicanos), Mas a depender nos números de pesquisas até aqui, não será tarefa fácil! O resultado envolve a segunda principal vitrine política do Estado, com reflexos na disputa ao Palácio Anchieta de 2026. DiálogosSobre Majeski, vale lembrar que, em 2022, ele bateu 40 mil votos à Câmara Federal, mas acabou ficando de fora pela regra da coligação. Ele manifestou nas redes “prazer em conhecer pessoalmente a vice-prefeita” e “sua história e suas ideias políticas e planos para nossa Capital”. Vem…não vem?Em Vila Velha, a festa bolsonarista em torno do Coronel Ramalho (PL) rendeu aceno de visita do ex-presidente ao Espírito Santo. A fala foi do filho de Jair, deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-RJ). 2026Como tem ocorrido em todos os eventos do partido, o deputado federal Gilvan da Federal foi novamente lançado como candidato ao Senado em 2026. Nos discursos, ataques aos atuais donos da cadeira junto com o correligionário Magno Malta: Fabiano Contarato (PT), que os bolsonaristas chamam de “estelionato eleitoral”, e Marcos do Val (Podemos), o “Swat da Shopee”. Um atrás do outroA campanha de Ramalho realiza outro evento na noite desta segunda-feira (1º), com o nome de “Endireita Vila Velha”. Desta vez, com presenças reduzidas do “time PL”: somente o deputado estadual Callegari. Nem ‘tchum’Em Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Estado, o deputado estadual Allan Ferreira (Podemos) já aparece em propaganda de campanha do pré-candidato Diego Libardi (Republicanos). Ignora a “desautorização” do presidente do seu partido, Gilson Daniel, ou algo mudou que o mercado ainda não sabe? Nem ‘tchum’ IIEm maio, diante da formação da dupla acima junto ainda com o deputado Dr. Bruno Resende (União), todos com base no município, Gilson Daniel publicou nota pública contrária à movimentação, já que o Podemos vai apoiar o nome do PSB, Lorena Vasques, sucessora do prefeito, Victor Coelho. Allan, pelo visto, “chutou o balde”. Nas redes“É com imensa tristeza que recebi a notícia do assassinato do presidente municipal do PSDB de Pancas, Wellington Carlos Treichel. Pessoa simples e trabalhadora, Wellington era pré-candidato a vice-prefeito na chapa PSB-PSDB. Acionei as forças de segurança do Estado, para que esse crime bárbaro seja esclarecido o mais rápido possível e os culpados punidos no rigor da lei”. Vandinho Leite, presidente estadual do PSDB. FALE COM A COLUNA: medeirosmanaira@gmail.com
Coronel Fabrício se mantém no jogo eleitoral em Cachoeiro
Representante da Polícia Militar quer se candidatar a prefeito, mas é cotado como vice de algumas chapas Redes Sociais O coronel Fabrício da Silva Martins, da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES), quer se candidatar a prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Estado. À frente do 3º Comando de Polícia Ostensiva Regional (3º CPOR) até o início de junho, deixou o posto justamente visando as eleições de outubro deste ano. Entretanto, ele também é cotado para entrar como vice na chapa de algum dos pré-candidatos já colocados na disputa. Entre os pré-candidatos com os quais têm mais possibilidade de compor estão Lorena Vasques (PSB), Diego Libardi (Republicanos) e Léo Camargo (PL). Theodorico Ferraço (PP), ao que tudo indica, terá Júnior Corrêa (Novo) como vice. Carlos Casteglione (PT), por sua vez, se distancia por falta de afinidade ideológica. Atualmente, Martins está sem partido. Por ser militar da ativa, sua filiação só deverá ocorrer às vésperas do registro da candidatura, se as suas pretensões eleitorais vingarem. O fato de não ser vinculado a nenhuma sigla facilita a negociação com os demais pré-candidatos. Ter um militar na chapa é avaliado por muita gente da política local como um trunfo para aumentar a votação, numa cidade em que quase 70% dos eleitores apostaram na reeleição do presidente de extrema direita Jair Bolsonaro (PL), em 2022. O atual vice-prefeito, Ruy Guedes (PSDB), também é coronel da PMES. Entretanto, segundo informações do mercado eleitoral, Fabrício Martins já tentou se articular com vários partidos, mas não conseguiu avançar com nenhum deles. Isso se deve, de acordo fontes dos meios políticos locais, à preferência em ser o candidato a prefeito, em vez de compor a chapa de algum outro concorrente. Fabrício Martins foi candidato a deputado estadual em 2006, pelo extinto Partido Republicano Progressista (PRP) – seu nome de urna era Capitão Fabrício. Obteve 8,1 mil votos e ficou como suplente. Também foi secretário municipal de Segurança de 2006 a 2008, na última gestão do então prefeito Roberto Valadão (MDB), que morreu em maio deste ano. Depois disso, dedicou-se à carreira na Polícia Militar, iniciada nos anos 1990, tendo exercido diversos postos de comando na Grande Vitória, em Barra de São Francisco, no noroeste do Estado, e Cachoeiro, cidade para a qual retornou em 2016. Tornou-se comandante do 9º Batalhão da PMES em 2019 e, em 2023, após ser promovido a coronel, passou a chefiar a área de policiamento ostensivo na região sul do Estado. Desde o ano passado, o nome de Fabrício tem sido especulado como possível candidato na disputa majoritária em Cachoeiro. Caso se mantenha no páreo, a tendência é que reproduza o discurso de apelo à repressão policial que tem marcado as candidaturas ligadas aos militares. Articulações eleitorais Atualmente, os pré-candidatos de Cachoeiro têm se concentrado em tentar ampliar as alianças eleitorais. Por enquanto, Lorena Vasques tem apoio do Partido Socialista Brasileiro (no qual está filiado), do Partido Democrático Trabalhista (PDT) e do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). O trabalho, segundo informações de bastidores, está focado em articulações com outros partidos que compõem a base do governador Renato Casagrande (PSB). Entretanto, o advogado Diego Libardi (Republicanos), que lançou oficialmente sua pré-candidatura a prefeito no último dia 24, tem tido mais sucesso em levar para o seu lado legendas ligadas ao governo do Estado. Isso inclui o Podemos, do deputado estadual Allan Ferreira, e o União Brasil, do também deputado estadual Dr. Bruno Resende – o presidente estadual do União, o secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos Felipe Rigoni, mandou vídeo de saudação para o evento de Libardi. Agir, Partido Renovação Democrática (PRD) e Partido Social Democrático (PSD) são as demais siglas que deverão apoiar Diego Libardi. Além do Coronel Fabrício, a ex-secretária de Desenvolvimento Social Márcia Bezerra (PRD) e a esposa de Dr. Bruno Resende, Rafaela Donadelli (União), são cotadas para compor a chapa do advogado. Já o deputado estadual e ex-prefeito em quatro mandatos Theodorico Ferraço lançará oficialmente sua pré-candidatura a prefeito no próximo dia 11 – provavelmente, com Júnior Corrêa ao seu lado. A coligação em torno de Ferraço inclui, além de sua legenda, o Progressistas (PP), o Novo e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Também há conversas com o PSDB, que poderá mudar de lado. O ex-prefeito Carlos Casteglione também tem tentado ampliar o raio de alianças eleitorais. Por ora, ele conta com uma frente de esquerda em seu apoio, que inclui a Federação Brasil da Esperança – Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e Partido Verde (PV) – e a federação formada por Partido Socialismo e Liberdade (Psol) e Rede Sustentabilidade. O vereador Léo Camargo (PL), por sua vez, vive o dilema entre se arriscar em uma disputa majoritária difícil ou buscar garantir um segundo mandato na Câmara Municipal. Apesar dos rumores de uma possível desistência, ele tem dito que se mantém firme no páreo. Governador tende a manter distanciamento das eleições em Cachoeiro Apesar do apoio oficial a Lorena Vasques, Casagrande tem Ferraço como trunfo e Casteglione como aliado https://www.seculodiario.com.br/politica/governador-tende-a-manter-distanciamento-das-eleicoes-em-cachoeiro Chapa com Theodorico Ferraço e Júnior Corrêa em Cachoeiro está encaminhada Apesar do mistério, tudo indica que os dois estarão juntos na disputa majoritária da cidade sul-capixaba https://www.seculodiario.com.br/politica/chapa-com-theodorico-ferraco-e-junior-correa-em-cachoeiro-esta-encaminhada Carlos Casteglione inicia preparativos para plano de governo em Cachoeiro Pré-candidato este ano, ex-prefeito petista deixou subsecretaria estadual na semana passada para se dedicar à campanha https://www.seculodiario.com.br/politica/carlos-casteglione-inicia-preparativos-para-plano-de-governo-em-cachoeiro
Claudia Carvalho é a indicada do Psol para disputar Prefeitura de Itapemirim
Diretório municipal da sigla muda de planos e anuncia chapa completa com Jésus Gomes como vice Demétrius Julice O diretório do Partido Socialismo e Liberdade (Psol) de Itapemirim, no litoral sul do Estado, anunciou, nesta segunda-feira (1º), que a sua presidente, Claudia Carvalho, é a pessoa indicada como pré-candidata a prefeita do município. O professor Jésus Gomes completará a chapa a chapa como vice. Inicialmente, Gomes era apontado como pré-candidato a prefeito, e Claudia tentaria uma vaga na Câmara de Vereadores. Entretanto, o Psol de Itapemirim decidiu priorizar a disputa majoritária. “A princípio, serei a única mulher a concorrer. A nosso ver, não poderíamos mais uma vez permitir que nenhuma mulher tivesse representatividade na disputa ao cargo”, explica Claudia. “Desde sua fundação, o Psol defende uma pré-candidatura majoritária que possa discutir esse projeto com a sociedade nas eleições de 2024. Por isso, apoiamos a pré-candidatura do professor Jesus para representar este projeto. Contudo, para o Psol, ter apenas um bom nome não é suficiente. Acreditamos na representatividade na política e defendemos a participação das mulheres”, diz o manifesto do diretório publicado nesta segunda. “O Psol está comprometido em debater temas como um município que promova uma matriz energética limpa e sustentável; a criação de uma agência pública de transporte que ofereça serviços de qualidade e gratuitos; e uma gestão democrática que assegure eleições diretas para os gestores das escolas públicas municipais e outros órgãos da administração pública, incluindo o nosso SAAE [Serviço Autônomo de Água e Esgoto]”, defende o manifesto. “Queremos que associações e entidades públicas, junto com a comunidade, contribuam com suas propostas e colaborem com o poder público na formulação de um orçamento participativo e inclusivo”, continua. Claudia Carvalho é artesã e militante do coletivo União das Esquerdas Sul Capixaba (Uesc). Em 2022, foi candidata a deputada estadual pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), obtendo 253 votos, sendo quase 70% do total da votação oriunda de Itapemirim. Jésus Gomes também é integrante da Uesc e foi candidato a vice-prefeito pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em 2020. No fim do ano passado, houve uma debandada de diversos filiados da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) rumo ao recém-criado diretório municipal do Psol. Nas eleições deste ano, o Psol de Itapemirim tem tido dificuldade de diálogo com a Rede Sustentabilidade, partido com quem forma uma federação a nível nacional. Parte do grupo do ex-prefeito Thiago Peçanha (PSB) se filiou à Rede no início do ano e vinha se articulando diretamente com Laís Garcia e Macaciel Breda, porta-vozes da sigla a nível estadual. O movimento poderia inviabilizar as pretensões do Psol de lançar candidatura própria em Itapemirim, mas os psolistas reagiram. Segundo informações de bastidores, conseguiu-se chegar a um acordo: a Rede deixou de interferir nas eleições em Itapemirim, ao mesmo tempo em que o Psol liberou a sigla para seguir o seu caminho como desejar em Marataízes, município vizinho no qual o psolista Guilherme Nascimento abriu mão de sua candidatura a prefeito após alegar ataques recebidos nas redes sociais e compromissos profissionais. Por conta da mudança de planos em relação à candidatura majoritária, o Psol de Itapemirim agora reorganiza sua chapa de candidatos a vereador. Cenário eleitoral Nesse sábado (29), Alex Wingler (Podemos) lançou oficialmente sua pré-candidatura a prefeito de Itapemirim, e deixará seu cargo como secretário de Saúde de Cachoeiro de Itapemirim nos próximos dias. Wingler também chegou a manter diálogos com a Rede Sustentabilidade no fim do ano passado. Mais recentemente, se articulou com o também pré-candidato a prefeito Paulinho da Graúna (Republicanos) e Thiago Peçanha, mas sem avançarem em um acordo. Presidente da Câmara de Vereadores de Itapemirim, Paulinho da Graúna é considerado um forte concorrente este ano. Peçanha, por sua vez, tem se colocado como pré-candidato, mas foi cassado do cargo em 2022 e está inelegível. O atual prefeito de Itapemirim, Doutor Antônio (União), também tentará a reeleição em outubro deste ano. Outros pré-candidatos a prefeito do município incluem o vereador João Bechara (PSDB), o dentista Geninho Bechara (PDT) e o empresário bolsonarista Vinícius Viana (PL). Nome do Psol denuncia ataques e retira pré-candidatura em Marataízes Guilherme Nascimento, que é produtor cultural, também alega compromissos profissionais https://www.seculodiario.com.br/politica/guilherme-nascimento-denuncia-ataques-e-retira-pre-candidatura-em-marataizes Alex Wingler vai lançar pré-candidatura a prefeito de Itapemirim no fim do mês Pré-candidato está de férias, mas ainda não se licenciou do cargo de secretário de Saúde de Cachoeiro https://www.seculodiario.com.br/politica/alex-wingler-lancara-pre-candidatura-a-prefeito-de-itapemirim-no-fim-do-mes Psol e Rede entram em rota de colisão em Itapemirim Conflito da federação partidária se deve às movimentações eleitorais do ex-prefeito Thiago Peçanha https://www.seculodiario.com.br/politica/psol-e-rede-entram-em-rota-de-colisao-em-itapemirim
Ato dos servidores para pressionar governo estadual será no dia 10
Sindicato vai mobilizar trabalhadores do interior e garantir a liberação dos que atuam na Grande Vitória A Comissão de Mobilização dos servidores públicos estaduais decidiu, em reunião nesta segunda-feira (1º), marcar o ato público aprovado em assembleia para o próximo dia 10. O objetivo é chamar atenção da sociedade para a importância da valorização dos servidores e cobrar da gestão de Renato Casagrande (PSB) uma proposta de atendimento das reivindicações das diversas categorias do funcionalismo. O local do protesto ainda não foi divulgado. O Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos do Estado do Espírito Santo (Sindipúblicos) vai mobilizar servidores do interior e garantir a liberação dos que trabalham na Grande Vitória. Além disso, a entidade não descarta a realização de atos fora da região metropolitana. As pautas apresentadas ao governo incluem reposição das perdas salariais, que chegam a 14,3%; reajuste nos valores da diária e do auxílio-alimentação; reestruturação das carreiras, inclusive das extintas e em vacância; e o pagamento dos precatórios da trimestralidade. Outras demandas são a reestruturação das carreiras técnicas do Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases), sem a unificação de cargos aprovada recentemente; e revogação da modificação da Lei do Teletrabalho e da lei do novo licenciamento ambiental. Em reunião no dia 17 de junho, o secretário da Casa Civil, Junior Abreu, informou que já havia solicitado à Secretaria Estadual de Gestão e Recursos Humanos (Seger) um estudo dos impactos das demandas no orçamento do Estado para avaliar junto ao governador quais seriam as possibilidades do atendimento ao pleito da categoria. No entanto, os servidores afirmam que, até o momento, não houve nenhum avanço. A diretora de Assuntos Jurídicos do Sindipúblicos, Renata Setúbal, diz que a Casa Civil alega que ainda não conseguiu fechar a proposta com o governador por conflito de agenda. Embora tenham conseguido reajuste de 4,5%, aprovado no início de maio por unanimidade e em regime de urgência, o percentual é considerado insuficiente diante das perdas salariais. A aprovação se deu sob protesto dos servidores, que demandavam diálogo e a suspensão da tramitação, além de uma reunião com Renato Casagrande para tratar do tema, sem êxito. O deputado Capitão Assumção (PL) chegou a apresentar emenda ao projeto, com o objetivo de fixar o índice em 14,38%, mas foi recusada pelo relator, Mazinho dos Anjos (PSDB), pelo fato de o Legislativo não ter competência para criar despesas para o Executivo. João Coser (PT) também fez uma indicação ao governo para que o valor fosse revisto, que não foi acatada. O projeto foi aprovado por unanimidade. Para as entidades representativas dos trabalhadores, há condições de oferecer um valor mais alto, tendo em vista que o Estado está em boas condições financeiras. Além disso, foi aprovado, no fim do ano passado, um reajuste bem maior para o governador e vice-governador (12%, somando 2024 e 2025); secretários (22%) e chefes de autarquias (quase 70%).
Conselho de Cultura de Vila Velha divulga nota de repúdio contra vereador
Devanir Ferreira anunciou que vai apresentar projeto para proibir blocos de Carnaval na cidade O Conselho Municipal de Políticas Culturais de Vila Velha divulgou uma nota de repúdio contra as declarações do vereador Devanir Ferreira (Republicanos). Em vídeo que circula nas redes sociais, ele anuncia que, em parceria com o vereador Heliosandro Mattos (PP), vai apresentar um projeto de lei (PL) para proibir a realização de blocos de rua na cidade. A fala foi feita durante uma sessão na qual Heliosandro, com o apoio de Devanir, apresentou uma proposta para proibir funk nas escolas e que ainda não foi votada. A defesa da proibição de blocos de rua foi classificada pelo Conselho como “um ataque direto à cultura popular e ao patrimônio imaterial de nossa comunidade”. A nota destaca que um dos papéis do colegiado enquanto sociedade civil e agentes da cultura é “defender as políticas públicas que pretendem contribuir para o acesso à cultura”. Aponta que isso é direito de todo cidadão, assegurado pelo artigo 215 da Constituição Federal, que diz: “compete ao Estado garantir a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, apoiando e incentivando a valorização e a difusão das manifestações culturais, através da democratização do acesso aos bens de cultura”. O Conselho destaca que “os blocos e escolas de samba são mais do que simples manifestações artísticas; são a expressão da identidade cultural de nosso povo, um símbolo de resistência, alegria e inclusão social. Esses grupos desempenham um papel fundamental na preservação de nossas tradições, no engajamento comunitário e na formação de cidadãos conscientes e participativos”. Alerta, ainda, para os prejuízos que podem acontecer com a proibição do Carnaval. “Pensar na retirada de investimentos nos blocos e escolas de samba não só prejudica artistas, músicos, artesãos, costureiras, marceneiros, serralheiros, escultores, mas também afeta negativamente a economia local, que se beneficia do turismo e da movimentação gerada pelos eventos carnavalescos. Além disso, pensar essa medida ignora a importância social desses grupos, que muitas vezes desenvolvem projetos educacionais e sociais em suas comunidades”. No vídeo, Devanir, para defender seu posicionamento, afirma que “é descabido o que aconteceu no último Carnaval de Vila Velha, Vitória, em todas do Estado”, alegando que na festa popular houve “uso de droga, gente usando maconha, cocaína, sexo explícito, uma baderna com o dinheiro público, com recurso do tesouro, com limpeza do poder público, e ainda com segurança armada, que é a Polícia Militar [PM]”. O vereador disse, ainda, “ah, mas é uma festa cultural? Faça no meio do mato, num lugar cercado de arame farpado, põe a sua própria segurança, põe o seu próprio banheiro químico, paga com o dinheiro dos foliões, cobra entrada, cobra ingresso, organiza”. Devanir também fez o seguinte questionamento, dando ele mesmo as respostas: “você quer cavalaria para participar de bloquinho de samba? Contrata com o seu dinheiro, contrata a ambulância, contrata empresa para fazer limpeza”. E finalizou dizendo que uma igreja evangélica na qual cerca de 400 pessoas se reúnem teve que cancelar um culto no domingo porque tinha foliões na porta. “Isso é coisa de Deus não, é de Satanás”, finalizou. O presidente do Conselho de Cultura, Patrick Rocha, afirma que o vereador Devanir será contatado para dialogar o tema, assim como Heliosandro, diante da proposta de proibir o funk nas escolas. Blocos convocam resistência e irão às ruas neste final de semana Em ato realizado nesta sexta-feira, no Centro de Vitória, foi exaltada a urgência de protestar contra a decisão da gestão de Pazolini https://www.seculodiario.com.br/cultura/blocos-convocam-resistencia-e-irao-as-ruas-neste-final-de-semana Decreto impõe restrições aos blocos de rua do Carnaval de Vitória Limite de blocos por dia, horário máximo até às 19h e proibição de blocos parados estão entre as mudanças https://www.seculodiario.com.br/cultura/decreto-impoe-restricoes-aos-blocos-de-rua-do-carnaval-de-vitoria
Goiabeiras Velha: reduto de cultura e natureza em Vitória
Jamilda Bento, uma verdadeira griô do bairro, fala de manifestações culturais e ameaças ao território por empreendimentos O programa Raiz Capixaba recebe Jamilda Bento, uma verdadeira griô de Goiabeiras, bairro de Vitória às margens do manguezal, que é um berço natural e cultural. Coordenadora e cantadeira da Banda de Congo Panela de Barro, integrante da Folia de Reis, descendente e conhecedora do ofício tradicional das Paneleiras e pesquisadora da cultura popular, ela conta sobre a história e tradições da região, portadora do primeiro patrimônio imaterial reconhecido oficialmente no Brasil. Jamilda comenta também sobre a especulação imobiliária e outras transformações e empreendimentos que ameaçam a manutenção da cultura do local. —- * Inscreva-se no canal do Século Diário no YouTube e ative o sininho para acompanhar as novidades. ** Se quiser ouvir este e outros programas em podcast, siga os canais do Século Diário no Spotify e Google Podcasts.
Militantes LGBTI+ cobram mais segurança em aplicativos de relacionamento
Geovane Roberto e Deborah Sabará defendem criação de mecanismos para verificar identidade de usuários Redes Sociais Aplicativos de relacionamentos precisam aprimorar seus mecanismos de segurança para evitar a ocorrência de crimes. É o que defendem os militantes do movimento LGBTQIAPN+ do Estado, Geovane Roberto, do Núcleo Pedra, de Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Estado, e Deborah Sabará, coordenadora da Associação Grupo Orgulho, Liberdade e Dignidade (Gold), de Vitória. Geovane fez postagens sobre o assunto nas redes sociais nessa semana, e Deborah reforça a reivindicação. O tema veio à tona com maior intensidade após a ocorrência de outro crime envolvendo esse tipo de aplicativo no Espírito Santo. No domingo passado (23), o corpo do profissional de saúde Luciano Martins, de 46 anos, foi encontrado em um lixão da Serra, na Grande Vitória – o suspeito do assassinato, de 23 anos, foi preso na quarta (26). Martins estava desaparecido desde o dia anterior, quando teria marcado um encontro homossexual. O caso não foi isolado, e a deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) fez requerimento de audiência pública no último dia 16 para apurar as responsabilidades dos aplicativos Grindr e Hornet, voltados ao público LGBTQIAPN+. O requerimento menciona diversas situações ocorridas no Brasil nos últimos anos, incluindo fatos noticiados em Vitória e Vila Velha, em março de 2022, relacionados à utilização do Grindr por golpistas para extorquir e agredir moradores. Para Geovane, é importante a adoção de reconhecimento facial, mecanismo já utilizado em outros tipos de aplicativo. “Em casos envolvendo crimes, ficaria mais fácil de a polícia investigar. Ali no aplicativo, quando você faz sua inscrição, só coloca nome, data de nascimento e local. Não te pedem RG, CPF, nenhuma identificação. Muitas pessoas criam várias contas diferentes, não dá nem pra saber quem é quem”, comenta. Deborah Sabará, que conhecia o homem assassinado na Serra, também considera que é preciso adotar mais procedimentos de identificação dos usuários, incluindo cadastro de número de documentos e a obrigação de manter links diretos com outras redes sociais. Ela alerta, porém, para o risco de propagação de uma visão preconceituosa, segundo a qual o público LGBTQIAPN+ deve abandonar os aplicativos de relacionamento. “Eu tenho visto um posicionamento de algumas pessoas dizendo que o aplicativo de relacionamento não é um lugar para se frequentar, o que eu discordo. Atualmente, a gente usa aplicativos para diversas coisas, como para comprar um lanche, fazer transações bancárias, e podem acontecer golpes em todo tipo de aplicativo. Estão usando novamente a população LGBT e os aplicativos de encontros casuais para culpabilizar as pessoas que foram vítimas”, critica. Cultura do anonimato Um desafio adicional para os aplicativos de relacionamento LGBTQIAPN+ é a existência de uma cultura do anonimato bastante enraizada. É comum que usuários não coloquem fotos em seus perfis, por medo de exposição. Há, inclusive, numerosos casos de pessoas com relacionamentos heterossexuais duradouros que procuram os aplicativos para marcar encontros “no sigilo”, expressão frequentemente usada nesses espaços. Entretanto, na visão de Deborah Sabará, é necessário que os aplicativos obriguem os usuários a exibir suas fotos. A alteração dessa realidade também depende do combate à LGBTfobia e de uma maior conscientização do próprio público, tornando esses espaços mais acolhedores. “Esses dias, recebi uma mensagem que dizia: ‘Deborah Sabará é uma pessoa pública no aplicativo. É você mesma? Abre a câmera para eu ver.’ As pessoas querem que eu fique no anonimato, mas eu não tenho motivo pra isso. A gente precisa trabalhar a autoestima da população LGBT, defendendo que estar no aplicativo não é crime. Aquele ambiente também não pode ser tóxico, discriminatório, racista, misógino. Tem cada coisa absurda que as pessoas colocam no aplicativo”, relata. Dicas de segurança Também há dicas de segurança importantes para serem seguidas pelos usuários dos aplicativos. “Quando sair, é importante avisar a alguém próximo que está indo a tal lugar encontrar com uma pessoa. No primeiro encontro, uma indicação é marcar o encontro em algum local público, com mais visibilidade. Também nunca se deve passar dados pessoais, como CPF e localização em tempo real”, ressalta Geovane Roberto. Segundo Geovane, o Núcleo Pedra, associação ligada à causa LGBTQIAPN+, preparan um material educativo sobre o assunto, que deverá ser lançado em agosto. “A única segurança hoje com os aplicativos é essa, de deixar outras pessoas cientes de onde você vai e com quem”, ressalta. A coordenadora da Associação Gold acrescenta que não é preciso ter vergonha de demonstrar preocupação para a pessoa com quem marcou o encontro. “Quando chegar no encontro, já pode falar pra pessoa que avisou a amigos que está ali. E, acontecendo qualquer coisa estranha, não pode ter receio de sair logo. É como no transporte por aplicativo: se a placa do carro e a foto do motorista não correspondem à descrição do aplicativo, é melhor desistir da corrida”, compara. “A gente tem que ter coragem de fazer questionamentos, e a pessoa não pode ficar chateada. Às vezes as pessoas mandam foto de visualização única, e eu recuso o encontro. Uma frase que eu sempre uso é: se você não tem confiança em mim, não tenho como ter confiança em você”, argumenta. Denúncias também podem ser feitas dentro do próprio aplicativo, conforme Deborah Sabará lembra. Gold aponta falta de diálogo da prefeitura para organizar evento LGBTQIAPN+ – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/direitos/gold-aponta-falta-de-dialogo-da-prefeitura-para-organizacao-de-evento-lgbtqiapn Gold lança Centro Psicossocial LGBTI+ nesta segunda-feira – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/direitos/gold-lanca-centro-psicossocial-lgbti-nesta-segunda
No meio-fio
O meio justifica o fim, disse o dono da funerária, mas o fim justifica os meios, disse o politico calejado Chegamos sãos e salvos ao meio do ano – junho apaga as luzes e sai de fininho. O meio do ano não ganha festa comemorativa mas abre alas e dá passagem aos meses mais nobres, honrados pelos grandes de Roma – Julho para Júlo César, agosto para Augusto – e nesta guerra de egos, o resto do ano ficou embaralhado, setembro que deveria ser o sétimo, é o nono, e por aí vamos. E nem podemos reclamar: na guerra do sol com a lagoa, quem sofre são os peixes. O meio justifica o fim, disse o dono da funerária, mas o fim justifica os meios, disse o politico calejado * O meio, mesmo incompleto, tem suas peculiaridades. No meio da novela o autor perde a inspiração e fica naquela lengua-lengua, enchendo linguiça, como diz o vulgo. No meio do filme tem que acontecer alguma coisa para empurrar o enredo até o final feliz. Geralmente inventam uma festa de aniversário. No meio do caminho tinha uma pedra, disse o poeta mineiro. Sorte dele, porque nosoutros tropeçamos em muitas pedras na correria de todo dia. Mas tudo depende do tamanho dessas pedras. * José amou Maria, mas a garota não se acostumou com salário mínimo e aluguéis atrasados, e pôs o cara pra correr. Pois não é que no meio do caminho, José tropeçou numa baita pedra? Diamante de 8 quilates, pureza absoluta, brilho intenso e inigualável. Voltou correndo pra Maria? Pois sim! No meio que ele agora frequenta tem muita mulher mais bonita e carinhosa. Não é bem um final feliz para uma história de amor, mas um meio de compensar o José pela destruição do meio ambiente: José era hortifruti, quer dizer, trabalhava na seção de verduras em um supermercado. * O meio do ano é uma boa chance para renovar as intenções do começo do ano, já que nenhuma foi cumprida – Maria, sozinha e triste, prometeu fazer dieta, mudar de emprego e reduzir o tempo na Internet. De julho em diante, prometeu reduzir o tempo na Internet, mudar de emprego e fazer dieta. Definitivamente! O meio para chegar ao meio é mais curto do que o fim que não acaba mais – o meio do nada é lugar nenhum. * Apesar de sermos cinco, sou a irmã do meio, embora não seja a terceira por ordem de chegada – mas éramos apenas três, e antes de chegarem mais dois, eu já estava tão acostumada a ser a do meio que não abri mão do honroso título – não deu mais para deixar de ser. A irmã do meio tem algumas regalias: não sendo a mais velha, não leva a culpa de tudo que sai errado, e não sendo a mais nova, já pode ir ao cinema sozinha. Se tem tarefa difícil pra fazer, mandam a mais velha – afinal, chegou primeiro. Na hora de dormir, a mais nova vai primeiro, com a novela ainda no meio. * Existe toda uma literatura sobre as irmãs do meio – mas qual assunto ainda não foi dissecado pelos meios literários? No meio do bosque mora um anjo, no meio da rua tinha uma roseira, que dava flores na primavera. Rodei meio mundo e não te encontrei. Claro, eu estava no meio do nada. No meio do labirinto morava o minotauro, mas como saber onde fica esse meio, se o labirinto não tem começo nem fim? Um meio eficaz de não ouvir mentiras é nunca perguntar. Disse o filósofo cansado, o meio é um fim sem ponto final. * O primeiro meio do ano passou; adeus, não te amo mais. O segundo meio do ano promete durar seis meses, espero que para todos. Nesses seis futuros meses, temos que achar um meio de passar o tempo, antes que o tempo passe, ou ficaremos no meio do mato e sem cachorro…De Machado de Assis, que voltou à moda: Crê em ti, mas nem sempre duvides dos outros. No tempo dele não havia fake news. Citar as ideias alheias é um meio de dizer adeus, até a próxima!