Faltam poucos dias para a Copa do Mundo, quando milhões pelo mundo afora poderão ver a nossa “Pátria de chuteiras”. Aqui dentro temos divergências e isso é democrático, pois os movimentos sociais são bem vindos, quando organizados sobre legítimos interesses populares, defendendo um projeto de sociedade pautado na busca de mais direitos, melhor qualidade de vida e condições dignas de trabalho e sobrevivência. O movimento sindical, principalmente o cutista, aprendeu e ensinou em suas lutas, que o povo deve estar organizado e mobilizado para a luta por melhores condições de vida e bem estar, com direito a 8 horas de trabalho, 8 horas de lazer e 8 horas de descanso. Estar organizado, é pertencer a alguma organização com propostas definidas dentro de um projeto de sociedade que atenda os interesses de quem produz a riqueza do país, é ter direção e sentido para seguir. Aprendemos também que é mais fácil mobilizar quem pertence a alguma organização, que segue sua direção e seus propósitos, sem isso é um modelo anárquico de enfrentamento e resistência, que já usamos no passado e não funcionou para os nossos propósitos de construir uma sociedade com justiça social distribuição de renda, com o trabalhador participando das decisões nos espaços de poder. Entre a copa, as reivindicações, as lutas e manifestações, no mínimo dois projetos de sociedade estão em disputa, um que contempla alguns interesses da classe trabalhadora, gerando empregos, controlando a inflação, valorizando o salário mínimo, distribuindo renda, atendendo um pouco mais o povo com políticas públicas para os mais necessitados e outro que busca concentrar a riqueza na mão de poucos, reduzindo políticas sociais atendendo os interesses da elite política e econômica no país que resiste há séculos no poder. O movimento sindical é chamado a se posicionar, qual projeto defende? De que lado está? Qual a direção da sua organização? Que sentido tem a sua luta? A orientação do movimento sindical sempre foi “trabalhadores de todo o mundo uni-vos”, mas em torno de projetos, defendendo interesses da classe trabalhadora, não a manifestação pela manifestação. Toda luta deve ter objetivo definido, estratégia, tática e operacionalidade com definição de responsáveis para seu início, seu meio e também de como terminar. Não chegamos ainda ao paraíso, mas também aprendemos na luta que, o ser humano não realiza aquilo que deseja, e sim consegue realizar aquilo que as condições objetivas da realidade permitem. A copa e os movimentos virão, os projetos continuarão em disputa, e serão as eleições que definirão quais interesses serão defendidos no próximo mandato do novo governo. As condições da realidade brasileira são as que estão aí, agora cabe a cada cidadão em suas organizações defenderem seus projetos de sociedade e defenderem os interesses daqueles que trabalham e constroem este país. Queremos torcer muito pelo Brasil para conquistar o hexa e a vida digna para todos. Vamos Brasilll!
Senado aprova a PEC do Trabalho Escravo
O Plenário do Senado aprovou, por unanimidade, em sessão nesta terça-feira (27) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 57A/1999, conhecida como PEC do Trabalho Escravo, que assegura a expropriação de terras urbanas e rurais em que for constatada a exploração de trabalho análogo ao escravo para fins de reforma agrária ou de programas habitacionais. A PEC tramitou por 14 anos no Congresso Nacional, mas, por pressões daqueles que não querem a regulamentação, foi protelada até ser levada a Plenário nesta terça-feira. Na próxima semana, deve ser votado um projeto de lei que regulamenta o que é considerado trabalho escravo. Durante a sessão, a senadora Ana Rita (PT-ES) disse que a aprovação da PEC é um ato histórico. “É uma conquista de todos os brasileiros que buscam trabalho digno. Não poderemos aceitar mais que as pessoas tenham a dignidade ameaçada”. O senador Randolphe Rodrigues (Psol-AP) lembrou que a PEC não deve ser concretizada como lei, mas também nos campos e na cidade. “Que esta lei se torne uma norma não dominada por outra norma constitucional”, salientou ele. Também foi votada na sessão uma sub-emenda, fruto de um acordo feito na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que acrescenta a expressão “definido em lei” antes da menção de exploração de trabalho escravo. A mudança foi feita depois de pedido do senador Romero Jucá, que justificou que a emenda de Plenário serviria para “clarificar a legislação”. Por isso, a matéria deve retornar à Câmara dos Deputados para ser regulamentada. A promulgação da PEC vai ser feita no 5 de junho, em sessão do Congresso Nacional. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), fez o pedido à Câmara para que vote a regulamentação o mais rápido possível. Da forma como vem sendo explorado na atualidade, o trabalho escravo se torna ainda mais cruel do que quando era legalizado. Até 1888, os escravos eram tratados como bens, passados entre parentes, como herança. O trabalho escravo contemporâneo é baseado na humilhação; no cerceamento de liberdade física, moral ou psicológica; na servidão por dívida, que se caracteriza pelo endividamento do trabalhador pelo empregador com cobrança de despesas indevidas; e por condições degradantes de trabalho e jornada exaustiva. O Espírito Santo tem seis empregadores incluídos no Cadastro de Empregadores do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) flagrados explorando mão de obra análoga à escrava, conhecida como Lista Suja, atualizada em janeiro deste ano. Entraram para a lista a Fazenda Nova Fronteira, em São Mateus; o Complexo Agroindustrial Pindobas Ltda, em Conceição do Castelo, sul do Estado de propriedade do deputado federal Camilo Cola (PMDB); Infinity Itaúnas Agrícolas S/A (Infisa), em Conceição da Barra, no norte; a Fazenda Jurema, em Linhares, também no norte do Estado; Fazenda Córrego dos Cavalos, também em São Mateus, no norte; e a Fazenda Jerusalém, em Alegre, no sul do Estado.
Em Brasília, índios protestam por demarcação e contra discriminação
Cerca de 500 índios reunidos em Brasília para a Mobilização Nacional Indígena, que começou nessa segunda-feira (28), para denunciar as investidas da bancada ruralista contra os territórios tradicionais, protocolaram nesta terça-feira (27) uma queixa-crime contra os deputados Luíz Carlos Heinze (PP-RS) e Alceu Moreira (PMDB-RS), que discriminaram abertamente a população indígena, além de afirmarem que índios, gays, lésbicas e quilombolas são “tudo que não presta no Brasil”, como retrata a denúncia. Os ataques aconteceram durante audiência pública da Comissão de Agricultura, em novembro do ano passado, no Rio Grande do Sul. Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), durante a audiência, financiada com dinheiro público, Heinze incentivou agricultores a formar milícias e Moreira pediu que eles impedissem as retomadas indígenas com violência. O documento entregue pelos índios ao Supremo Tribunal Federal (STF) pede que os ministros apurem as declarações racistas e homofóbicas desses parlamentares contra povos indígenas, quilombolas e movimento LGBT e solicita, ainda, a apuração dos crimes de incitação ao ódio e à violência contra as comunidades que reivindicam seus territórios tradicionais. Depois de apresentar a denúncia ao Supremo, os indígenas fizeram uma pajelança na Praça dos Três Poderes. Em seguida, foram até a parte superior do Congresso, próximo às cúpulas onde ficam os plenários da Câmara e do Senado, onde entoaram cantos antes de se dirigirem ao Ministério da Justiça, onde também se manifestaram. Encerrando, eles saíram em caminhada pelo Eixo Monumental. A Mobilização Nacional Indígena deste ano luta pelos mesmos pontos de protestos levantados na mesma mobilização do ano passado. Enquanto diversas propostas apresentadas no Congresso Nacional limitam e impõem restrições aos direitos territoriais indígenas, a tramitação de projetos importantes para consolidar seus direitos e que são bandeiras do movimento indígena permanecem paralisadas há anos nos corredores do Congresso, sem qualquer avanço. A Mobilização Nacional Indígena também defende a aprovação de demandas como a aprovação do Estatuto dos Povos Indígenas e a criação do Conselho Nacional de Política Indigenista (CNPI). Estão no alvo dos protestos indígenas a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215/2000, que pretende transferir do executivo ao Congresso Nacional a atribuição de aprovar a demarcação das Terras Indígenas, apontada como uma das maiores afrontas aos direitos constitucionais indígenas; o Projeto de Lei (PLP) 227/2012, que permite o estabelecimento de empreendimentos desenvolvimentistas, latifúndios, linhas de transmissão e bases militares em áreas demarcadas, sem autorização das comunidades tradicionais; e o PL 1.610/1996, que regulamenta a mineração nos territórios indígenas demarcados. Os índios também permanecem em demonstração contínua de insatisfação com relação à proposta de alteração do procedimento de demarcação dos territórios indígenas, de autoria do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e com relação também à Portaria 303, da Advocacia-Geral da União (AGU), que objetiva estender a todos os territórios indígenas as condições impostas para a demarcação do território Raposa Serra do Sol, o que contraria a decisão do STF, que já restringia as regras a apenas este território. Da mesma forma como ocorreu no ano passado, os protestos indígenas continuam ocorrendo em meio a ataques generalizados aos direitos constitucionais desses povos ao território tradicional, partidos sobretudo da bancada ruralista do Congresso Nacional. Todas as propostas têm em comum a ofensiva aos territórios demarcados e à soberania dos povos que os ocupam. Para esta quarta-feira (28), está confirmado um ato público de apoio à agenda legislativa dos povos indígenas no Congresso Nacional , no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados. Como movimentação da Mobilização Nacional, também acontece o relançamento do site A República dos Ruralistas, que mapeia os principais integrantes da bancada que representa os grandes proprietários do agronegócio no Congresso. Já no final da tarde desta terça-feira, os índios estiveram em meio a uma manifestação contra a realização da Copa do Mundo. Os manifestantes entraram em confronto com a Polícia Militar (PM) do Distrito Federal ao tentar se aproximar do Estádio Nacional de Brasília, o Mané Garrincha, que está recebendo a Taça do Mundo. Os manifestantes foram agredidos com gás lacrimogênio. A Mobilização Nacional Indígena é promovida pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), com apoio do Centro de Trabalho Indigenista (CTI), Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Instituto Socioambiental (ISA), Greenpeace, Instituto de Educação do Brasil (IIEB), entre outras organizações indígenas e indigenistas.
Parlamentares e profissionais da saúde discutem ampliação do parto humanizado
A humanização do parto foi tema de audiência pública conjunta realizada nesta terça-feira (27) pelas Comissões de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) e de Assuntos Sociais (CAS). Desatenção, agressões físicas e emocionais na hora do parto e a preferência dos obstetras por cesarianas são citados como exemplos da chamada violência obstétrica em hospitais públicos e privados. A ministra Ideli Salvatti, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, lamentou o alto índice de cesarianas, que chega a 40% no Sistema Único de Saúde (SUS) e a 84% nos hospitais privados, contra um índice de 15% referido como aceitável pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo ela, o número mais elevado na rede privada revela um “viés econômico”, devido ao custo mais alto do parto cirúrgico. Para Ideli, o problema decorre ainda de comodismo, pois marcar cesárea dispensa o profissional de ficar de plantão à espera da hora certa: a cirurgia pode ser feita fora dos finais de semana, feriados ou qualquer data inconveniente para a equipe clínica. No entanto, observou que a mulher termina induzida a fazer um procedimento mais arriscado, que só indicado para situações específicas. “É algo invasivo, agressivo e que trás consequências para a mãe e criança”, afirmou. Ideli falou ainda sobre a lei que garante às mulheres o direito de contar com acompanhante na hora do parto, um projeto que ela apresentou quando senadora. A ministra reconheceu que a lei sancionada em 2005 ainda não vem sendo rigorosamente cumprida. Observou que muitos hospitais alegam falta de condições para assegurar a privacidade das demais parturientes. Para ela, no entanto, falta ainda sensibilizar os profissionais para a importância do acompanhamento. “Muitas vezes a solução é fácil e barata, bastando um simples cortinado para garantir a privacidade”, disse. Saúde da Mulher O debate foi sugerido pelas senadoras Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) e Ana Rita (PT-RS), que preside a CDH e dirigiu a audiência. A iniciativa foi motivada pela proximidade do Dia Internacional de Ação pela Saúde das Mulheres e do Dia Nacional pela Redução da Mortalidade Materna e Infantil, em 28 de maio. Vanessa destacou ainda denúncias de violência obstétrica recebidas durante o funcionamento da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Violência Contra as Mulheres, em 2012 e 2013. A senadora destacou medidas que o Ministério da Saúde vem promovendo em favor do parto humanizado. Uma portaria recente agora determina que a equipe médica assegure contato imediato do recém-nascido com a mãe, sem que o bebê seja levado imediatamente para exames complementares, a menos que haja necessidade efetiva. “As medidas visam beneficiar a saúde materna e infantil, com diretrizes que agradaram aos setores que defendem o parto humanizado e a amamentação”, comentou. Rede Cegonha Dário Frederico Pasche, que representou o Ministério da Saúde, destacou que as medidas se enquadram dentro de programa mais amplo de atenção à saúde da mulher, o Rede Cegonha. Disse que as medidas são pactuadas com estados e municípios, para que as mulheres possam contar com orientação sobre direitos reprodutivos e o acompanhamento pré-natal, além do parto seguro. A humanização do parto, ainda conforme Pasche, hoje é uma questão central para o Rede Cegonha e também um desafio, pois envolve mudar a organização e a cultura vigentes nas estruturas de saúde. Segundo ele, historicamente a cultura produzida pelo campo médico avançou para a “medicalização da vida”. Assim, a gestação, o parto e nascimento acabaram se transformando antes de tudo num “ato médico”. “A humanidade criou o hospital para lidar com situações muito graves e severas, onde o cuidado intensivo e com a intervenção tecnológica se fazem absolutamente necessário. Mas fomentar que os hospitais façam cada vez mais atos que são da fisiologia é um contrasenso”, afirmou. Para que o sistema público possa avançar mais rapidamente, Pesche assinalou que uma das estratégias é favorecer o parto natural, em centros de natureza não-hospitalar, com acompanhamento de profissionais de enfermagem qualificados em obstetrícia. Segundo ele, o modelo é o sistema inglês, em que 85% dos partos são “absolutamente fisiológicos”. Ainda de acordo com Pesche, em 30% dos partos feitos na Inglaterra não há mesmo qualquer tipo de intervenção da equipe que acompanha. As mulheres não recebem soro, não são submetidas a lavagem intestinal prévia nem ao procedimento chamado de episiotomia, o corte entre o ânus e a vagina para facilitar a saída do bebê, uma pratica que vem sendo feita de forma indiscriminada no país, segundo as denúncias. Formação médica Vera Soares, da Secretaria de Políticas para Mulheres, também apontou a necessidade de debater a formação dos médicos. Ela disse que esses profissionais saem das faculdades aptos a lidar com “tecnologias sofisticadas”, mas incapazes de entender e acompanhar uma mulher que faz a opção por ter um parto natural. Vera Soares concordou que outro desafio é fazer valer a lei que garante o direito a um acompanhante na hora do parto. Em seguida, anunciou que a secretaria, junto ao Ministério da Saúde, prepara uma cartilha para as mulheres grávidas. A intenção é que elas cheguem na hora do parto sabendo todos os seus direitos, para ter condições de exigir.
ES: redução do desmatamento registrado em Atlas da Mata Atlântica não é indicativo positivo
O Atlas de Remanescentes Florestais da Mata Atlântica 2012-2013, divulgado nesta terça-feira (27), apontou como “destaques positivos” os resultados dos estados do Espírito Santo, São Paulo, Alagoas e Rio de Janeiro que, pela avaliação das imagens de satélite durante o período, tiveram redução no desmatamento dentro de seus territórios. No Estado, a redução foi de 43%, resultado da diferença entre a extensão de terras desmatadas entre os anos de 2011-2012 (25 hectares) e 2012-2013 (14 hectares). Entretanto, hoje, há apenas 10,5% da área total do bioma no Estado, o que impossibilita realizar desmates de grandes proporções. Nos últimos levantamentos, publicanos anualmente, há diferença nas áreas de desmatamento identificadas no Espírito Santo. Em 2013, 88% da área do Estado foi avaliada. No ano anterior, porém, apenas 45% da área total do Estado, menos da metade, esteve passível de avaliação a partir das imagens de satélites em 2012 – muitas das fotografias sofrem interferências de nuvens. Segundo Márcia Hirota, diretora executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, mesmo que as áreas passíveis de análise tenham essa discrepância em sua extensão total, o diagnóstico é seguro, porque as áreas que não puderam ser analisadas são comparadas àquelas que puderam ser identificadas em outras avaliações de anos anteriores. Em 2011, 62% da área do Estado pôde ser analisada. Márcia ainda destacou que acontece no Espírito Santo o mesmo fenômeno que acomete os estados do Rio de Janeiro e São Paulo, chamado de Efeito Formiga. Nesses estados, se torna cada vez mais difícil realizar desmate de grandes extensões de terra, o que dá a falsa impressão de que o Estado está próximo da marca de desmatamento zero. Entretanto, ao invés disso, o Efeito Formiga indica que extensões de terra menores que três hectares são desmatadas, mas por não serem detectadas pelo satélite, apenas podem ser observadas quando atingem uma extensão igual ou superior. Ou seja: desmatamentos que acometem áreas menores são detectados somente anos depois. Para a diretora, é importante avaliar as ações que estão sendo desenvolvidas a nível estadual e municipal para preservar o bioma e, mais do que isso, a eficácia dos projetos que são desenvolvidos nesse sentido. As áreas mais críticas para a Mata Atlântica, indicadas no levantamento, são justamente nos estados que concentram grandes proporções do bioma, o que acaba resultando em desmatamentos de grande extensão. Em primeiro lugar, pela quinta vez consecutiva, aparece o estado de Minas Gerais que, comparado ao período de 2005 a 2008, teve um aumento de 15% na taxa anual de desmate. Na segunda posição aparece o Paraná e, o estado de Santa Catarina, apesar de ter reduzido seu desmatamento em 75% em relação ao período anterior (2005-2008), foi o terceiro estado listado pelo atlas entre os que mais desmataram o bioma. Como explica o próprio levantamento, 80% do desmatamento identificado no Espírito Santo e em outros nove estados da federação é, realmente, do período 2012-2013. Entretanto, em alguns casos, o desmatamento foi identificado em 2012, mas não foi possível confirmar se ele ocorreu neste período ou em período anterior, casos que correspondem a 20% do desmatamento identificado nesses mesmos estados. Isso se deve a imagens cobertas por nuvens, que são substituídas na avaliação por imagens dos territórios do ano anterior, e quando os desmatamentos são contabilizados após apresentarem alteração no ano anterior, mas na ocasião tais alterações não foram suficientes para caracterizar o desmatamento – o que ocorre quando estes têm menos de três hectares de extensão. O estudo é uma iniciativa da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e foi realizado nos 17 estados abrangidos pelo bioma, um dos mais ameaçados do mundo. Entre os anos abrangidos por este novo levantamento, o Atlas registrou que o aumento do desmatamento na Mata Atlântica em todo o país foi de 9%. São 235 quilômetros quadrados, o equivalente a 24 mil campos de futebol, em todo o Brasil. Diferentemente do que havia sido detectado no ano passado, neste levantamento não foram registrados desmatamentos em mangues, tampouco em restingas. No Estado, onde já não havia sido detectada tal realidade, a situação foi mantida.
Comissão da Sesa define OS para gestão do Hospital São Lucas
A comissão julgadora estabelecida no âmbito da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) divulgou parecer técnico, publicado no Diário Oficial dessa segunda-feira (26), acerca da convocação pública para definir Organização Social (OS) que vai gerir o Hospital São Lucas. A melhor proposta considerada pela comissão foi a do Instituto Americano de Pesquisa, Medicina e Saúde Pública (Iapmesmp), com 85 pontos. Não muito distante, em segundo lugar, ficou a Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar (Pró-Saúde), que teve 78 pontos. O São Lucas está fechado para reformas há mais de quatro anos, funcionando provisoriamente na estrutura do Hospital da Polícia Militar (HPM). Após a reabertura, prevista para até o fim deste semestre, serão disponibilizados à população cerca de 300 leitos para atendimento clínico e médico, além da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulto. O hospital continuará sendo referência nas áreas de ortopedia, vascular e neurologia. Apesar da adoção do modelo de parceria com organizações sociais na gestão de hospitais públicos, como nos casos do Hospital Central e do Jayme dos Santos Neves (novo Dório Silva), será a primeira vez que o expediente será aplicado em um hospital de atendimento portas abertas, ou seja, que atende a demanda que chega à porta. Com isso, a entidade vai ficar responsável pelo conjunto de atendimentos oferecidos ao paciente desde a admissão até a alta hospitalar pela patologia atendida. Já os profissionais médicos serão fornecidos pela Sesa. Entre as obrigações e responsabilidades da organização contratada, está a manutenção, durante toda execução do contrato, das mesmas condições de habilitação exigidas quando do processo seletivo; o atendimento exclusivo e indiferenciado aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) na unidade; e a responsabilização pela indenização de dano decorrente em eventuais ações judiciais movidas por ação, omissão voluntária, negligência, imperícia ou imprudência, causados a pacientes e terceiros.
Tribunais vão ter que garantir celeridades nas comarcas dos municípios
O plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou, na última semana, a criação de uma política nacional de valorização da Justiça de 1º grau. Foram aprovadas duas resoluções para combater o mau funcionamento da primeira instância do Judiciário, que possui o maior acervo de processos em tramitação. No texto, o órgão de controle exige que os tribunais apresentem um plano de ação, no prazo de até 120 dias. Além disso, as cortes vão indicar representantes para a formação de uma rede que vai gerir a política nacional. De acordo com informações do CNJ, a política nacional de atenção ao juízo de 1º grau estabelece nove linhas de atuação que visam melhorar a qualidade, a celeridade e a efetividade nos processos. A resolução determina a adequação do orçamento, a equalização da força de trabalho entre a 1ª e 2ª instância, além da garantia de infraestrutura e tecnologias apropriadas ao funcionamento das unidades judiciárias. Pela norma, também será necessário fomentar a participação de magistrados e servidores na governança da instituição, além de incentivar o diálogo com a sociedade e instituições públicas e privadas. Outra meta é a prevenção e racionalização de litígios. A resolução também determina uma formação contínua de juízes e servidores, além da elaboração de estudos e pesquisas sobre causas e consequências do mau funcionamento da Justiça de 1º grau. Para o coordenador do grupo de trabalho e relator da proposta de resolução, conselheiro Rubens Curado, cabe ao CNJ fomentar mudanças na porta de entrada do cidadão ao Judiciário. “O problema estrutural do 1º grau de jurisdição, visto como a causa principal da baixa qualidade dos serviços judiciários prestados, deve ser enfrentado com iniciativas e projetos de longo e médio prazos, inaugurados a partir da mudança do ‘olhar’ dos gestores dos tribunais”, afirmou, em seu voto. A política nacional será gerida pela Rede de Priorização do Primeiro Grau. Criada por meio da resolução, o grupo será formado por representantes de todos os tribunais e coordenado pela presidência do CNJ em conjunto com a Corregedoria Nacional de Justiça e a Comissão Permanente de Estatística, Gestão Estratégica e Orçamento. Os tribunais terão 30 dias, após a publicação da resolução, para indicar seus representantes ao CNJ. Também foi aprovada a proposta de resolução que define parâmetros para a alocação do orçamento na Justiça de 1º e de 2º grau. Segundo a proposta, uma das diretrizes para alocação proporcionais dos recursos financeiros será a média de processos novos que cada instância recebeu nos três anos anteriores. A proposta também prevê a criação de comitês orçamentários, um para cada grau de jurisdição. No último dia 12, o presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), desembargador Sérgio Bizzotto, anunciou a criação de uma comissão que vai identificar as unidades com menor carga de novos processos. Essas comarcas e varas poderão sofrer uma redução no número de servidores e até mesmo serem extintas pela administração do tribunal. O grupo de trabalho vai analisar ainda a manutenção de 26 varas em 11 municípios dentro da estrutura da justiça estadual, sendo dez apenas no juízo da Capital. Segundo dados do CNJ, com base em dados de 2012 (mesmo período do estudo Justiça em Números), o tribunal capixaba tinha 841 servidores lotados na 2ª instância contra 2.642 servidores distribuídos pelas comarcas do Estado. Já o estoque de processos em tramitação no tribunal era de 8.445 (pouco mais de 10 ações por cada servidor), enquanto na 1º instância era de 701.035 (265 ações por servidor). Pelo mesmo estudo, a produtividade dos servidores de 1º grau foi quase cinco vezes maior do que os funcionários do TJES (102 processos nas comarcas contra 23 no tribunal).
Produtores rurais de Mimoso do Sul sofrem impactos da cobrança de pedágio na BR-101
A cobrança de pedágio pela Eco 101, concessionária que administra a BR-101, tem provocado transtornos, talvez irreversíveis, para pequenos produtores rurais de Mimoso do Sul, no sul do Estado. Apesar de inúmeras reuniões e pedidos, os produtores não tiveram isenção no pedágio. De acordo com o secretário de Políticas Agrárias do Sindicato Rural de Mimoso do Sul, Carlos Roberto Abreu da Silva, os produtores rurais do assentamento Rancho Alegre, no mesmo município, estão tendo prejuízos incalculáveis com a cobrança de pedágio. A distância entre as propriedades rurais e as residências dos agricultores é de cerca de 500 metros, mas há uma praça de pedágio no meio do caminho, com cobrança de R$ 1,60 em cada sentido. Os pequenos agricultores não tiveram isenção de pedágio concedida pela concessionária e passam diversas vezes por dia pelo local, tendo de arcar com os gastos. Segundo Carlos, há produtores rurais que passam pelo pedágio de quatro a cinco vezes por dia. Na região há quatro assentamentos, que reúnem mais de 350 famílias que vivem da agricultura e dependem do escoamento das produções das pequenas propriedades. Além de pagarem o pedágio de Mimoso do Sul, os produtores ainda pagam os de outras praças quando escoam a produção. Apesar de já ter sido feita reuniões entre os produtores rurais e representantes da Eco101, nenhuma isenção foi concedida aos agricultores. Eles podem ter que repassar aos consumidores o aumento nos gastos da produção dos produtos agrícolas. Na região sul, além da praça de pedágio em Mimoso do Sul, há a praça de Itapemirim, com tarifa de R$ 3 em cada sentido. Esta cobrança também está sendo contestada por moradores de Rio Novo do Sul. Com aproximadamente 12 mil habitantes, o município está a 24 quilômetros de Cachoeiro de Itapemirim, que faz parte do dia a dia da maioria dos moradores de Rio Novo do Sul, que estudam e trabalham na cidade polo. Duplicação Mesmo antes do início da duplicação do trecho da BR-101 no Estado, o pedágio começou a ser cobrado. O início da duplicação acontece somente no início de 2015 e a concessionária alega que, em até cinco anos, metade do trecho esteja duplicado. No entanto, veículos pesados que trafegam pela via constituem um desafio à manutenção da rodovia. Enquanto no norte do Estado, as carretas carregadas com eucaliptos são responsáveis pelas mais graves tragédias que ocorrem na BR-101, no sul, são as carretas com blocos de granito que colocam em risco as vidas dos motoristas que utilizam a rodovia. Além do transporte legalizado das pedras extraídas no sul do Estado, também há o transporte ilegal de pedras, ou com peso acima do permitido na legislação. A duplicação da via, extremamente sinuosa no sul do Estado, pode reduzir o número de acidente provocado por carretas. Já no norte, as carretas carregadas de toras de eucalipto, que fazem o caminho entre a fábrica da Aracruz (atual Fibria) e o sul da Bahia são grandes responsáveis pela tensão na BR-101. Cada carreta mede 30 metros, o equivalente a um prédio de 12 andares, e pesa entre 110 e 120 toneladas. Além disso, os veículos trafegam em alta velocidade em pista simples e, em determinado ponto da rodovia, se encontram. É comum para quem trafega pela BR-101 se deparar com três carretas de 30 metros trafegando em um mesmo sentido, umas atrás as outras, sendo quase impossível para motoristas de outros veículos realizar a ultrapassagem.
MPE começa a receber dados para alimentar cadastro de fichas-sujas
Até esta sexta-feira (30), o Ministério Público Eleitoral (MPE) vai receber a lista de possíveis candidatos inelegíveis para a elaboração de um banco de dados de registros de condenações na esfera cível ou criminal. O cadastro tem o objetivo de dar mais celeridade aos pedidos de impugnação de candidatos fichas-sujas. A Lei Complementar n° 135/2010 torna inelegível por oito anos, entre outros, aquele que tiver o mandato cassado, renunciar para evitar a cassação ou for condenado por decisão de órgão colegiado (formado por mais de um juiz), mesmo que ainda exista a possibilidade de recursos. Foram encaminhados ofícios para a Assembleia Legislativa, Tribunais de Justiça e de Contas do Estado, Procuradoria-Geral de Justiça, câmaras municipais, Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos, Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo, Ministério Público de Contas, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES), e para os Conselhos Regionais de Medicina, Odontologia, Enfermagem, Engenharia e Agronomia, Administração, Contabilidade, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Farmácia e Psicologia. Na última eleição estadual, em 2010, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) informou ter recebido 21 pedidos de impugnação de candidaturas. Do total, 14 foram feitos pela Procuradoria Regional Eleitoral contra candidatos a senador, deputado federal e deputado estadual, com base na Lei da Ficha Limpa. Dois candidatos a deputado estadual conseguiram reverter, depois da eleição, a impugnação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Luiz Carlos Moreira (PMDB) teve o recurso aceito e os votos validados, o que provocou mudança no plenário da Assembleia, com a saída de Nilton Baiano (PP) e a entrada de Solange Lube (PMDB). Ao fim do primeiro ano de mandato na Assembleia, o ex-deputado Gilson Gomes, que disputou a eleição pelo PSDC, também conseguiu a contagem de votos, obrigando novos cálculos na coligação, o que beneficiou o PDT, que ganhou a quarta cadeira na Casa, com a posse da deputada Aparecida Denadai. Demora Enquanto o MPE colhe dados com o objetivo de tirar do páreo os fichas-sujas da eleição deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está em fase conclusão dos julgamentos referentes aos 3.370 processos relacionados à Lei da Ficha Limpa, referentes às eleições de 2012. Sancionada no dia 4 de junho de 2010, a Lei da Ficha Limpa será aplicada pela primeira vez em uma eleição geral neste ano. A lei dispõe de 14 hipóteses de inelegibilidades que sujeitam aqueles que nelas se enquadram a oito anos de afastamento das urnas como candidatos. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Dias Toffoli, afirmou que os processos que têm como base a Lei da Ficha Limpa deverão ser julgados de forma mais célere nas eleições de 2014. O ministro explicou que uma eleição municipal é muito mais complexa por causa da grande quantidade de candidatos e pelo fato de o processo ter início no juízo eleitoral e percorrer diversas instâncias da Justiça Eleitoral, até chegar ao TSE. Ele ressaltou que, nestas eleições, haverá menos candidatos e os processos começarão nos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), portanto, a tendência é que haja maior celeridade.
Suzano requer licenças prévia e de operação para expansão de eucaliptais em Montanha
A Suzano Papel e Celulose requereu ao Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf) as licenças prévia (LP) e de operação (LO) para o plantio de eucalipto nas fazendoas dos blocos II, III e IV, localizadas em Montanha (extremo norte capixaba). Os comunicados foram publicados na edição do Diário Oficial desta terça-feira (27), nos quais consta que “os interessados na realização de audiência pública” devem formalizar o requerimento no Idaf em até 45 dias após a data de publicação. O Bloco II compreende as fazendas Juazeiro, Luziane, Balão, Oriental, Esplanada, Alvorada, Luiz Siqueira e São Jorge, com área total de plantio de 2.533 hectares. Já no Bloco III estão as fazendas Santa Fé I, Santa Fé II e Santo Antônio, com área de plantio de 630 hectares. E, por último, no Bloco IV, as fazendas Eldorado II, Colina e Estrela do Oriental, onde será plantado eucalipto em 1.805 hectares. As fazendas integram a Bacia do Rio Itaúnas. Os Relatórios de Impacto Ambiental (Rimas) apenas do bloco II e da Fazenda Eldorado estão disponíveis no site do Idaf e foram preparados pela empresa Aqua Ambiental. Também consta que as audiências destas duas expansões já foram realizadas, respectivamente em novembro e outubro do ano passado. A audiência do dia 16 de outubro de 2013 gerou revolta a diversos militantes de movimentos sociais do campo, que realizaram uma ocupação popular no local do evento, um cerimonial de posse privada. Os militantes prepararam, na ocasião, uma nota na qual destacaram o “caráter privado” da audiência e se posicionam contra os monocultivos em todo o território capixaba, evidenciando o insatisfatório índice de empregabilidade de tal atividade, além de ser evidente que nos municípios onde os eucaliptais existem estão as maiores taxas de pobreza. Junto com a Aracruz Celulose, a Suzano responde pelo modelo de desenvolvimento representado pelas monoculturas de eucalipto no Estado. Nos municípios do extremo norte do Estado, a empresa repetirá os impactos sociais e ambientais já conhecidos das comunidades tradicionais da região, principalmente quilombolas do antigo território do Sapê do Norte, formado pelos municípios de São Mateus e Conceição da Barra. Entidades como o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e a Rede Alerta Contra o Deserto Verde denunciam há décadas a contaminação do solo e da água gerados pelos plantios de eucalipto, além da mecanização, que gera desemprego em larga escala. A Suzano também é responsável por promover o êxodo rural e os conflitos instalados no campo. A concentração de terras em poder das multinacionais impede ainda a realização da reforma agrária e o desenvolvimento de projetos da agricultura familiar. A consolidação dos projetos da Aracruz e Suzano só foi possível graças a financiamentos públicos do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES).