O juiz da comarca de Pinheiros (extremo norte do Estado), Marcos Pereira Sanches, determinou o recebimento de uma ação de improbidade contra o procurador-geral do município, Hermes Antônio Sussai. Na decisão publicada nesta terça-feira (27), o magistrado observou a existência de verossimilhança na denúncia feita pelo Ministério Público Estadual (MPES). O servidor é acusado de exercer advocacia particular no período de exercício do cargo, prática que é vedada pela legislação. “Compulsando minuciosamente os autos, verifico não ser o caso de manifesta improcedência da ação de improbidade administrativa. Muito pelo contrário, na realidade, observo que há verossimilhança nas argumentações do autor, demonstrando estarem presentes grandes indícios da prática das supostas condutas ímprobas imputadas ao réu”, afirmou o magistrado. Na denúncia inicial (0000125-58.2014.8.08.0040), o Ministério Público afirma que o procurador chegou a ser advertido no ano de 2011 para que cessasse imediatamente as atividades advocatícias em paralelo ao exercício do cargo público. A notificação deixava claro que ele poderia responder por improbidade, caso desacatasse tal recomendação. No entanto, Hermes Sussai teria continuado a figurar em casos particulares nos anos de 2012 e 2013. “Verificou-se que o réu deliberadamente optou por permanecer exercendo seu labor particular, sem qualquer preocupação com os valores públicos subjacentes, como comprovam as provas, destacando-se os registros junto ao Tribunal de Justiça do Estado”, narra um dos trechos da denúncia. Na ação, a promotoria pede a condenação do procurador à perda do cargo público, suspensão dos direitos políticos em até dez anos, bem como da proibição de contratar com o poder público.
Candidatura tucana ao Senado facilita aliança do PSDB com o PSB no Estado
O lançamento da pré-candidatura ao Senado do ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas nessa segunda-feira (26), com a presença de lideranças socialistas, causou nos meios políticos a impressão de que a aliança entre PSB e PSDB está cada vez mais próxima, apesar da resistência do presidente do ninho tucano, César Colnago. Nos bastidores, os comentários são de que Colnago estaria buscando uma melhor acomodação para a própria candidatura à reeleição de deputado federal, para isso, vinha resistindo em consolidar no Estado uma articulação feita entre os presidenciáveis Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) no início deste mês. Neste sentido, Colnago vinha insistindo em manter a candidatura própria ao governo do ex-prefeito de Colatina Guerino Balestrassi, enquanto estaria conversando com o PMDB do ex-governador Paulo Hartung, com a possibilidade de o PSDB e o DEM disputar a eleição pelo palanque do peemedebista. Para as lideranças políticas, sem conseguir passar o “guizo” no presidente do partido, Luiz Paulo lançou a candidatura garantindo o espaço no palanque de Casagrande para o ninho tucano. Isso faria com que o ex-prefeito de Vila Velha Neucimar Fraga (PV) recuasse da candidatura ao Senado, voltando para a disputa proporcional. A proposta do PSB para o PSDB de composição de chapa proporcional é vantajosa para os dois partidos, sozinho, o PSDB corria o risco de ficar sem representação na bancada capixaba na Câmara dos Deputados. Com o PSB, o partido não vai poder eleger até dois deputados federais, mas a preocupação de Colnago seria a de não conseguir a própria reeleição, já que o ex-prefeito de Vila Velha Max Filho estaria fortalecido na disputa.
TRF2 mantém rejeição de créditos de incentivos fiscais para siderúrgica
O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) manteve a rejeição do pedido da ArcelorMittal Aços Longos (antiga Belgo Mineira) para receber créditos fiscais do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A empresa cobrava à União, em valores corrigidos, o crédito-prêmio pelo IPI recolhido entre abril de 1998 e setembro de 2002. O pedido apresentada há oito anos já havia sido rejeitado pelo juízo de 1º grau e agora foi sepultado de vez pelo colegiado. De acordo com informações do Ministério Público Federal (MPF), os desembargadores corroboraram a opinião da Procuradoria Regional da República da 2ª Região de que o direito à restituição desse crédito-prêmio ficaria extinto a partir de 5 de outubro de 1990 – dois anos após a promulgação da Constituição, conforme o fixado pelos constituintes. O crédito-prêmio do IPI era um incentivo fiscal que favoreceu empresas que exportavam manufaturados e, por isso, poderiam abater o imposto sobre produtos vendidos ao mercado interno. No parecer, o então procurador regional Mário Pimentel (hoje subprocurador-geral da República) frisou que os tribunais adotaram a interpretação da lei de que o crédito-prêmio seria aplicável como contrapartida a exportações feitas de junho de 1983 a outubro de 1990. A empresa ainda pode recorrer às instâncias superiores, porém, as chances de sucesso são consideradas como diminutas. O processo inicial foi movido no ano de 2006 pela companhia. Na Justiça Federal, o mandado de segurança (20055001005231-2) já havia sido rejeitado pelo juízo de piso.
Prefeituras terão que individualizar contas do FGTS dos servidores
Em audiência realizada na manhã dessa segunda-feira (26), na sede do Ministério Público do Trabalho (MPT), em Vitória, representantes de 18 municípios capixabas participaram da segunda audiência coletiva sobre a individualização das contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Ao todo, 26 municípios do Estado devem promover, até o dia 21 de junho, a correta individualização das contas vinculadas dos respectivos servidores ou ex-servidores titulares de valores do FGTS, relativo a diferentes períodos. De acordo com a Caixa Econômica Federal, são mais de R$ 15 milhões que estão depositados numa conta global do Fundo aguardando a individualização. A procuradora do Trabalho Daniele Corrêa Santa Catarina, que presidiu a audiência, alertou para as possíveis consequências da não individualização das contas dentro do prazo concedido. “Os municípios que não apresentarem os dados da individualização vão ter suspenso o Certificado de Regularidade Fiscal (CRF). Se não houver justificativa coerente para a não obediência aos prazos, o MPT vai adotar as medidas judiciais cabíveis, inclusive com responsabilização solidária do prefeito”. Sem o CRF, o município não vai mais conseguir empréstimos, financiamentos ou qualquer tipo de auxílio concedido por qualquer órgão da administração pública. Durante a audiência, as funcionárias da Caixa Econômica Federal (CEF) Daniele de Oliveira Gomes e Nesti Dupret Leite tiraram dúvidas e atenderam os representantes dos municípios verificando documentos e sugerindo meios de acelerar o processo de individualização das contas. O município de Alto do Rio Novo foi o único a informar que havia cumprido a tarefa. “O trabalho foi tranquilo. Em 45 dias conseguimos fazer todo o processo de ajustar os 14 meses que estavam com problemas, mandar para a Caixa e receber a resposta”, disse José Luiz Grisotto Ribeiro, advogado do município. Ausentes Mesmo sendo notificados pelo MPT, sete municípios não enviaram representantes. São eles: Vila Velha, Barra de São Francisco, Apiacá, Itapemirim, Conceição do Castelo, Irupi e Ponto Belo. Como perderam a oportunidade de tirar dúvidas pessoalmente com os representantes da CEF, eles deverão buscar com a instituição as informações de como fazer o procedimento de individualização o mais rápido possível.
Presidente do TJES lança disputa para sete vagas de desembargador
O presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), desembargador Sérgio Bizzotto, lançou, nesta terça-feira (27), o edital para o preenchimento de sete vagas de desembargador. A medida se deve à nomeação de 20 novos juízes substitutos, aprovados em concurso público. Das sete cadeiras no Tribunal Pleno, quatro serão ocupadas pelo critério de merecimento. No entanto, as principais dificuldades estão relacionadas às três vagas destinadas aos juízes mais antigos. De acordo com o Edital nº 11/2014, publicado no Diário da Justiça, os magistrados interessados têm até cinco dias para requerer a promoção à administração do tribunal. A disputa vai seguir a resolução nº 106, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que estabelece critérios objetivos para aferição da produtividade e desempenho dos magistrados. A votação por merecimento deve levar em consideração esses critérios e não apenas a predileção dos desembargadores. Entretanto, os meios jurídicos apontam os favoritos para a disputa. Figuram nessa lista, os nomes das juízas Elisabeth Lordes, Janete Vargas Simões e Heloísa Cariello. Todas elas figuraram nas últimas eleições internas, além de já terem ocupado uma cadeira no Pleno em substituição a desembargadores. A relação dos cotados a uma das vagas por merecimento também inclui os juízes Walace Pandolpho Kiffer, Ewerton Schwab Pinto Junior, Raimundo Siqueira Ribeiro e Jorge Henrique Valle dos Santos, que gravitam em torno dos grupos de desembargadores. Diferentemente da escolha por merecimento, a promoção por antiguidade – que deveria apenas referendar a promoção dos togados mais antigos – tem sido maior alvo de disputa. A última eleição por esse critério – do desembargador Roberto da Fonseca Araujo, já aposentado compulsoriamente por ter atingido a idade limite de 70 anos – só foi decidida após intervenção do Conselho. Nos bastidores jurídicos, a expectativa é de que essa nova disputa também seja definida pelo órgão de controle. Atualmente, dois dos três candidatos naturais às vagas respondem a processos administrativos. Os juízes Robson Luiz Albanez e Arthur José Neiva de Almeida, respectivamente, primeiro e segundo na lista de antiguidade, já tiveram as indicações rejeitadas pelo Pleno em disputas anteriores. Albanez, que já chegou a abrir mão de participar da última disputa para se dedicar à sua defesa, é apontado como o mais próximo da vaga. Ele foi um das 26 pessoas denunciadas na Operação Naufrágio pela suposta tentativa de “acelerar” a fila de promoção de desembargadores. No caso de Arthur Neiva, o mercado vê ainda muitas dificuldades para o juiz que está recorrendo ao CNJ para derrubar qualquer óbice à sua participação na disputa. Ele responde a um processo administrativo disciplinar (PAD) na corte pela suposta morosidade na condução de processo, favoritismo em relação a partes, parcialidade em entrevistas à imprensa, além de ter sido alvo de diversas reclamações encaminhadas à Corregedoria. A defesa do magistrado nega todas as acusações e sustenta que “a progressão da carreira não é um projeto de poder, mas um direito subjetivo assegurado pela Constituição, conquistado ao longo de 23 anos de exercício da profissão”. Já o tribunal defende que a promoção não constitui um “direito líquido e certo”, tese que também já foi encampada pelo órgão de controle em julgamentos semelhantes. Na sequência da lista de antiguidade, aparecem os nomes dos juízes Jorge do Nascimento Viana, Paulo Roberto Luppi, Elisabeth Lordes, Cristóvão de Souza Pimenta e Rachel Durão Correia Lima. Caso um dos juízes do topo não seja promovido, a vaga será reservada a indicação do magistrado subsequente. Apesar da publicação do edital, o tribunal não definiu a data da realização da sessão de eleição. Antes disso, os desembargadores terão que analisar a documentação de todos os participantes. Todos os votos deverão ser fundamentados, além de atender a uma pontuação pré-definida (com base no desempenho, produtividade, presteza, aperfeiçoamento técnico e adequação da conduta ao Código de Ética da Magistratura). Novos juízes são nomeados Também nessa terça-feira, o presidente do TJES, Sérgio Bizzotto, oficializou a nomeação de 20 novos juízes substitutos, aprovados no último concurso público. No início da tarde, o tribunal deu posse a 17 dos novos togados. Ao todo, 85 candidatos foram aprovados no certame. A meta de Bizzotto é a nomeação de todos os aprovados até o final da atual gestão, que se encerra em dezembro de 2015. A lista dos novos juízes substitutos é formada por: Thiago Xavier Bento, Fernando Cardoso Freitas, Paula Moscon Lordes, Gustavo Mattedi Regiani, André Guasti Motta, Ralfh Rocha de Souza, Fabio Pretti, Rafael Fracalossi Menezes, Thiago Albani Oliveira, Marcelo Feres Bressan, Milena de Jesus Sousa, Ewerton Nicoli, Gideon Drescher, Diego Ramirez Grigio Silva, Bruno Silveira de Oliveira, Vinicius Dona de Souza, Geraldo Augusto Arruda Neto, José Borges Teixeira Junior, Ivo Nascimento Barbosa, Leandro Duarte.
Prévia do Mapa da Violência 2014 deixa Estado em segundo lugar no ranking nacional de homicídios
A Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) divulgou, nesta terça-feira (27), a prévia do Mapa da Violência 2014 – os Jovens do Brasil, elaborado pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz. A publicação da prévia foi possível a partir da divulgação das bases de dados do Sistema de informações de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, correspondentes ao ano de 2012. O estudo, primeira visão sintética, delineia o retrato da situação e evolução da mortalidade violenta no país de 1980 a 2012. A visão preliminar do Mapa coloca o Estado, novamente, em segundo lugar no ranking nacional de homicídios. De acordo com o estudo, em 2012 o Estado registrou 1.693 homicídios, o que corresponde a taxa de 47,3 mortes violentas por grupo de 100 mil habitantes. O próprio Mapa considera a queda nas taxas de homicídios no Espírito Santo insignificante, assim como a do Rio de Janeiro. Em contrapartida, as quedas de Pernambuco, Paraíba e Alagoas são consideradas moderadas. Ainda assim, Alagoas permanece como o estado mais violento do País, com taxa de 64,6 mortes por 100 mil. Apesar de estar registrando queda nas taxas de homicídios ano a ano, os índices do Estado ainda estão mais de duas vezes maiores do que a média nacional, que é de 29 mortes por 100 mil. Além disso, as reduções ano a ano ainda são irrisórias para se falar em consolidação de queda. Enquanto a taxa de homicídios de 2012 foi de 47,3, em 2011 ficou em 47,4, o que representa variação negativa de 0,2% entre os anos. A variação negativa em uma década ficou em 7,9%. Para efeito de comparação, Pernambuco, que era o quinto estado mais violento do País, de acordo com o Mapa da Violência 2013 – Homicídios e Juventude no Brasil, ocupa agora a décima posição, de acordo com a prévia do Mapa da Violência 2014. Em uma década, Pernambuco reduziu os homicídios em 32,3%, sendo que a variação negativa entre os anos de 2011 e 2012 ficou em 5,1%.
Markus konká apresenta recital poético Afrodiziam nesta quinta-feira
Para Markus Konká, a palavra escrita é a forma de arte mais importante para a valorização da cultura. “A poesia tem poder”, diz. Baseado nisso, o ator e bailarino realiza mais um recital poético, desta vez, os homenageados serão os poetas negros. A princípio, o recital seria apresentado em abril, mas foi adiado para maio. Nesta quinta-feira (29), às 20h, ele fará a estreia da apresentação performática Afrodiziam, no Museu Capixaba do Negro (Mucane), no Centro de Vitória. O conceito do espetáculo é todo baseado na literatura produzida por autores negros e em textos que fazem referência à luta histórica dos negros no Brasil. Haverá poemas de Gonçalves Dias, Solano Trindade, Cruz e Souza, Luiz Gama, Castro Alves, Oliveira Silveira, Abdias Nascimento, Elé Semog, Ària Cantilena, Tobias Barreto e da capixaba Suely Bispo. O espetáculo terá duração de 40 minutos e será acompanhado pelo músico percursionista Ronaldo Rossman, que fará a ambientação sonora do Recital. A ideia do espetáculo surgiu ainda ano passado, quando Markus participou de uma série de festivais nacionais e internacionais com o recital Meus Poetas, Minha Ilha. “O conceito dos espetáculos é parecido, mas em Meus Poetas, Minha Ilha eu recitava apenas autores capixabas. Já em Afrodiziam meu foco é nos poetas negros”, explica. A única capixaba da lista é a poetisa Suely Bispo, que teve o poema Oxum, do livro Desnudalmas, como o escolhido. “Meu objetivo é difundir a poesia pelo exercício da palavra e pela expressão corporal. É um espetáculo teatral com um fundo musical, mas é bastante orgânico também”, conta o ator. Carioca radicado no Espírito Santo, Markus Konká, além de carreira na dança e no teatro, também já participou de filmes dirigidos por cineastas consagrados, como Arnaldo Jabour e Amilton de Almeida. Recentemente atuou em longas e curtas metragens de diretores capixabas, como O Mangue Negro e A Noite do Chupa Cabra, de Rodrigo Aragão. Conhecido pela irreverência e bom humor, Markus diz que o espetáculo será uma provocação e que em breve entrará em circuito nacional. “Quero aguçar a inteligência do povo brasileiro e mostrar o valor e a qualidade dos literatos negros”. Mas, para ele, o mais importante é a valorização da literatura para educar um povo, por se tratar de uma forma lúdica e prazerosa de aprendizado. “Acredito que a poesia é uma das formas de expressão mais importantes para se provocar a reflexão”, afirma. Serviço O espetáculo Afrodiziam acontece nesta quinta-feira (29), às 20h, no Museu Capixaba do Negro (Mucane). Av. República, n. 121, Centro de Vitória. Entrada Gratuita.
Outro sertão será exibido nesta quarta na Biblioteca Pública Estadual
Guimarães Rosa é reconhecido pelas suas obras literárias, mas poucos sabem da sua carreira profissional como diplomata, principalmente o período em que viveu na Alemanha e trabalhou como vice-cônsul em Hamburgo. A falta de registros e relatos sobre esse momento da vida do escritor foi o que motivou as pesquisadoras Adriana Jacobsen e Soraia Vilela a produzirem um documentário para resgatar essa história. Intitulado Outro Sertão, o filme demorou mais de dez anos para ficar pronto e apresenta um recorte da vida do autor mineiro entre 1938 e 1942, quando ele morou e trabalhou na Alemanha nazista. Para apresentar essa história, Adriana e Soraia reuniram documentos inéditos, imagens raras, análises de especialistas e depoimentos de judeus que fugiram da Alemanha com o auxílio de Rosa. O documentário será exibido nesta quarta-feira (28), às 19h, na Biblioteca Pública Estadual. Adriana Jacobsen conta que as histórias sobre o período em que Guimarães Rosa morou na Alemanha surgiram quando ela e Soraia moravam e trabalhavam juntas no país. “Nós estávamos na Alemanha na mesma condição de estrangeiro que ele, e a experiência que ele teve com o país nos despertou interesse curiosidade”, diz a diretora. Além de realizadora audiovisual, Adriana também é graduada em Letras pela Ufes e mestre em Ciência da Comunicação pela Universidade Livre de Berlim. Hoje ela se divide entre o Brasil e Alemanha. Quando Adriana e Soraia decidiram fazer o documentário, elas começaram as pesquisas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que é responsável pelo acervo dos diários de Guimarães Rosa. Mas foi só na Alemanha que elas encontram um material vasto e desconhecido no Brasil. “Descobrimos que devido as ajudas que o escritor prestava aos judeus, ele chegou a ser espionado pela Gestapo. Outro material inédito que encontramos foi uma entrevista de 11 minutos que ele deu para a televisão Alemã, em 1962”, conta. O segundo passo nas pesquisas foi encontrar os judeus que o escritor ajudou na guerra dando vistos para virem para o Rio de Janeiro ou São Paulo. “Nosso objetivo era encontrar essas pessoas e perguntar o que elas se lembravam do Guimarães e se sabiam que o homem que lhes ajudou era o escritor”, explica Adriana. O resultado são relatos emocionantes que revelam a personalidade sensível e honesta do vice-cônsul. Adriana também conta que a edição foi o momento mais doloroso da produção, porque elas tinham 100 horas de material gravado e precisavam decidir o que deixariam de fora do filme. “Apesar das escolhas difíceis, a montagem também é muito gratificante porque é quando você vê o documentário se construindo e ganhando forma”, lembra. Foram seis meses de edição e Adriana só tem a agradecer pela paciência e generosidade da editora Isabela Monteiro de Castro. “A verdade é que o nome de Guimarães atrai pessoas muito interessantes e por isso toda a equipe que participou do documentário foi incrível”, revela. O filme foi dividido em capítulos – a chegada, o amigo, o diário, o escritor, o diplomata, o alarme e a partida -, mas o que costura todas essas passagens é o narrador que vai lendo e interpretando relatos em primeira pessoa escritos por Guimarães, são trechos de livros, diários e cartas. “A narração é essencial para se entender a história, além de dar um caráter mais literário ao documentário. Guimarães Rosa foi escritor então o seu melhor esta na palavra por isso não podia faltar esses trechos em primeira pessoa”, explica Adriana. Por meio desses relatos é possível notar que a guerra foi um momento de grande decepção para o escritor, que sempre admirou a cultura alemã e estava realizando um sonho morando no país. “Deve ter sido muito difícil para Rosa ver o país que ele sempre amou se desintegrando daquela maneira. Mas apesar dessa grande admiração pela Alemanha, em nenhum momento ele se mostra seduzido pela propaganda nazista, vemos o escritor sempre resistente e defensor da igualdade”, comenta Adriana. Para a diretora, o grande momento de Outro Sertão é a entrevista inédita de Guimarães, um registro bem incomum, já que ele não costumava dar entrevista e aparecer na TV. “Ela foi gravada em 35 mm e é super bonita. Nós a encontramos num arquivo-morto, estava perdida na Alemanha. Sua maior importância é que as pessoas nunca viram o Guimarães Rosa falando. Quem gosta do escritor deve vir vê-lo porque é uma oportunidade única”, garante. Outro Sertão recebeu o prêmio especial do júri no 46º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e foi selecionado para 32º Festival internacional cinematográfico do Uruguai, para o FEStin Lisboa e para o 18º Florianópolis Audiovisual Mercosul. Serviço O documentário Outro Sertão será exibido nesta quarta-feira (28), às 19h, na Biblioteca Pública Estadual. Av. Joao Batista Parra, 165 – Praia do Suá, Vitória
Quem não tem telhado de vidro…
É função do Tribunal de Contas do Estado (TCE) a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial do Estado e dos municípios, bem como dos órgãos da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas. Esse conjunto de atividade é chamado controle externo. O trabalho de fiscalização dos conselheiros povoa o sonho (na verdade, o pesadelo) de boa parte dos agentes públicos, mesmo daqueles que já deixaram há anos a administração pública, mas vivem assombrados pelo fantasma das contas. Nunca se sabe quando um deslize, pequeno que seja, virá à tona, complicando as pretensões políticas do alvo das investigação, principalmente se as “pendengas” aparecerem em ano eleitoral. Não custa nada lembrar que a Lei Eleitoral 9.504/97 determina que os tribunais de contas estaduais informem, até o dia 5 de julho, a relação dos candidatos que tiveram suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções públicas rejeitadas por irregularidade insanável e por decisão irrecorrível do órgão competente. A Justiça Eleitoral, a partir da provocação do Ministério Público Eleitoral, pode declarar o candidato inelegível. Só isso. Agora dá para entender porque as contas que tramitam no TCE deixam a classe política quase paranoica. Fica mais fácil perceber também a força estratégica da corte de contas e por que o ex-governador Paulo Hartung sempre cuidou da escolha dos conselheiros como um ourives de uma joia rara. Por essas e outras, é ingenuidade acreditar que a corte de contas, embora teoricamente independente dos outros poderes, não tenha viés político. Como diz o bordão do Compadre Washington: “Sabe de nada, inocente! Registramos recentemente neste espaço o caso de Neucimar Fraga (PV). Coincidentemente, no momento em que o ex-prefeito de Vila Velha está sendo cotado para para o Senado, o TCE detectou uma escabrosa pendência nas contas de Neucimar quando esteve à frente da prefeitura (2008 – 2012). Segundo a representação, há indícios de violação aos princípios da razoabilidade e economicidade na contratação de bandas musicais. A relatoria do caso de Neucimar está nas mãos do conselheiro Rodrigo Chamoum, que pode selar as pretensões do ex-prefeito nas eleições deste ano. Curiosamente, o mesmo homem que pode decidir a sorte política de Neucimar também está sendo denunciado pelo Ministério Público Estadual (MPES) por improbidade. O órgão ministerial pediu a condenação do conselheiro. Chamoum responde juntamente com outras 12 pessoas pela contratação de uma empresa de segurança privada sem licitação pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Estado (DER-ES), no ano de 2007. Na época, o então deputado estadual ocupava o cargo de secretário estadual de Transportes e presidia o Conselho de Administração da autarquia, que homologou a dispensa de licitação. Nos dois casos, o ex-gestores, quando forem questionados, provavelmente dirão que são alheios às irregularidades, que não tinham conhecimento dos gastos ou algo que o valha. Neucimar pode alegar que a lei de desconcentração administrativa, que responsabiliza os secretários pela contratação na Prefeitura de Vila Velha, o isenta de culpa. Chamoum já se defendeu. Disse que a contratação teria sido embasada pelo parecer da assessoria jurídica do DER-ES. Em outras palavras, já adiantou que não tem culpa no cartório, está “limpinho da Silva”. A intenção aqui não é entrar no mérito das denúncias contra Neucimar ou Chamoum. O que importa registrar é que boa parte dos gestores e ex-gestores públicos têm telhado de vidro. Até quem hoje está do outro lado do balcão fazendo o papel de julgador, caso de Chamoum, também já deu suas “escorregadas”. Na verdade, a escolha das contas que serão ou não devassadas pelo Tribunal, certamente, não se baseia somente em critérios técnicos. Há muito mais em jogo.
Tal qual
Em sua coluna desta segunda-feira (26), no Valor Econômico, o professor de filosofia da USP, Renato Janine Ribeiro, fala da problemática na disputa presidencial deste ano em relação às movimentações dos postulantes ao Palácio do Planalto. Ao analisar os cenários colocados no campo nacional, o professor aponta a dificuldade que a oposição poderá enfrentar diante do discurso social. Isso porque, se há um trunfo para o governo Dilma, é mostrar o que fez em seu mandato nesta área, mas falta essa identidade à oposição para enfrentar esse discurso. “Os oposicionistas têm preferido falar a empresários – o que mereceu a crítica desse agudo observador da cena política que é Cesar Maia, lembrando que o capital não dá votos e até gera antipatia no povo”. Para Renato, falta diálogo aos presidenciáveis Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) com o eleitor. Nada diferente do que vem acontecendo no Espírito Santo em relação à disputa ao Palácio Anchieta. Os dois nomes colocados estão afastados do eleitorado, e isso faz muito tempo. Hartung, desde 2002, vem lidando com o rótulo de político de gabinete, que articula as eleições bem antes de o período eleitoral começar. Foi assim, inclusive, que se articulou a eleição de Renato Casagrande em 2010. E é assim que está Casagrande articulando sua reeleição este ano. Os movimentos de ambos no cenário social também revelam esse afastamento com o eleitor. Hartung faz palestras voltadas para públicos fechados, universitários e empresários. Casagrande se une a lideranças políticas fechando por cima a captação de votos. Nem mesmo a discussão sobre as chuvas no fim de 2013 mostrou uma aproximação com a população comum. O governador socorreu os prefeitos para evitar desgaste nos captadores de votos, mas o prejuízo com os gestores já estava adiantado bem antes da chuva. Aí ganharia espaço uma candidatura mais popular como a de Magno Malta (PR), que tem identidade com o eleitorado e afastamento da elite política do Estado. Mas como a possibilidade de entrada na disputa ao governo do senador é uma realidade cada vez mais distante, a eleição promete mais do mesmo. Fragmentos: 1 – O colunista do O Globo, Ricardo Noblat, afirma que esta não será a eleição das redes sociais. Ele falava da disputa nacional. Novamente, qualquer semelhança com o cenário local não será mera coincidência. 2 – Mudar o nome do município de Presidente Kennedy para João Goulart não vai resolver as enormes diferenças sociais que atingem o local. Os moradores do bairro João Goulart, em Vila Velha, que o digam. 3 – A historiadora Anita Prestes, filha dos militantes comunistas Olga Benário Prestes e Luís Carlos Prestes, estará em Vitória nesta quarta-feira (28), para uma palestra na Ufes sobre os 90 da Coluna Prestes.