A reunião ampliada do PSB da semana passada, quando se tomou uma posição de voltar com a unanimidade, que representa juntar a dupla Renato Casagrande e Paulo Hartung (PMDB) na disputa para o governo e Senado, produziu as mais diferentes reações nos meios políticos. Sobretudo pela sua intempestividade, pois a fórmula reúne no mesmo palanque PSB, PMDB e PT. Além de ser impossível a essa altura do processo eleitoral, a não ser que Hartung renuncie sua candidatura ao governo. É admitir que o ex-governador se encontra fora do seu juízo político perfeito. Se os socialistas buscavam uma saída para evitar o racha das forças políticas e empresarias, hóspedes do governo desde dos períodos de PH, cometeram um atentado à candidatura de Casagrande, passando a impressão da sua fragilidade. O que, a rigor, não é real. Real será se ele continuar apanhando calado. Fórmula Para não dizer que não falamos de exceção neste caso, ela existe em função do temperamento do ex-governador, que não gosta de disputa eleitoral. Ainda mais quando é jogo duro. A dele sempre foi a de preparar a vitória com antecedência. Não é o caso atual. Reação Nos meios políticos, há expectativa de que o governador Renato Casagrande defina um prazo para alinhar-se na disputa. Diante dos avanços de PH, a reação deve ocorrer nos próximos 15 dias. Não há mais tempo para fazer o enfrentamento com o ex-governador. Obstáculo O PSDB está de malas prontas para ir para o lado do governador Renato Casagrande, disposto a ceder ao ninho tucano a vaga para o Senado. A ser ocupada pelo ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas. Mas, antes, Casagrande terá que encontrar uma fórmula que garanta a reeleição do presidente regional do partido César Colnago à Câmara dos Deputados. Obstáculo II Consciente da sua debilidade eleitoral, Colnago não quer qualquer coligação. Recusou a do PSB, que tem dois fortíssimos candidatos: Vandinho Leite e Paulo Foletto. Ele é, portanto, o nó da coligação, já que a proposta de Casagrande para o presidenciável Aécio Neves satisfaz. Que seria apoiá-lo no segundo turno numa disputa com Dilma Rousseff. Aceita O ex-prefeito de Vila Velha Neucimar Fraga (PV), que estava próximo a ser escalado para disputar o Senado junto com Casagrande, não é obstáculo para o acordo com o PSDB, muito embora ache que tenha reais condições de eleger-se. Para ele, o importante é a vitória de Casagrande. Vai ser candidato a deputado federal. Mutismo Enquanto tudo isso ocorre, o ex-governador Paulo Hartung encolheu-se e só saiu dessa posição para prometer apoio a Aécio Neves no segundo turno, como já fez Casagrande. PENSAMENTO: “O coração do homem é imprevisível”. Reinaldo Santos Neves
Assembleia aprova gratuidade no Serviço Especial Mão na Roda
Assembleia Legislativa (Ales) aprovou na sessão ordinária desta segunda-feira (26), em regime de urgência, o Projeto de Lei Complementar (PLC) 24/2014, que assegura a gratuidade a todos os usuários do Serviço Especial Mão na Roda e a seus acompanhantes. De acordo com o Executivo, a medida trará economia para o Estado, pois os custos do serviço aumentaram em razão do reajuste dos valores dos insumos. A mensagem do Governo cita que o item mão de obra, por exemplo, gera em torno de 44% do custo total do serviço, pois os motoristas que exercem a função de cobrador, como é o caso em questão, recebem um adicional de 10%, além dos 10% que receberam de reajuste sobre seus salários. Dessa forma, o Executivo alega que entre manter os motoristas cobrando tarifa e isentar os usuários do transporte, a segunda opção apresenta melhor relação custo x benefício. Lembrando que, em solenidade no último dia 19, o governo estadual apresentou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) a ser encaminhada à Assembleia Legislativa, instituindo a política de gratuidade no transporte rodoviário intermunicipal aos cidadãos maiores de 65 anos e às pessoas com deficiência.
Frente Parlamentar não debaterá mais o problema do pó preto na Grande Vitória
A Frente Parlamentar Ambientalista da Assembleia Legislativa (Ales) informou que, ao contrário do que havia sido comunicado pelo site da Casa, não acontecerá a audiência pública sobre o pó preto anunciada para esta quarta-feira (22). Ofícios enviados pela Frente e assinados por seu presidente, o deputado estadual Cláudio Verza (PT), comunicavam às partes envolvidas que a realização das audiências, que seriam realizadas atendendo a uma solicitação do grupo SOS Espírito Santo Ambiental, são de responsabilidade da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Seama), do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) e do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), de acordo com o previsto no Decreto Estadual da Qualidade do Ar (Decreto nº 3463-R de 16 de dezembro de 2013). Os ofícios ainda comunicaram a cada um desses órgãos o envio do relatório final das audiências públicas sobre o pó preto na Grande Vitória que aconteceram no ano passado. Os ofícios foram encaminhados a Eraylton Moreschi Junior, coordenador do grupo SOS Espírito Santo Ambiental; à secretária de Estado de Meio Ambiente, Diane Rangel; ao diretor presidente do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), Tarcísio Föeger; e ao promotor de justiça do Ministério Público Estadual (MPES), Marcelo Lemos. No ofício encaminhado a Lemos, a Frente destaca, inclusive, que é de seu entendimento que “o pleito sugere um Termo de Ajustamento de Conduta com as mencionadas companhias [Vale e ArcelorMittal], sendo este de competência e apreciação deste órgão”. A série de audiências públicas sobre a qualidade do ar na Grande Vitória começou no mês de setembro do ano passado. Desde o início dos debates, os representantes da sociedade civil, em maioria reunidos no grupo SOS Espírito Santo Ambiental, clamavam pelo enclausuramento dos pátios de estocagem e das esteiras existentes no Complexo de Tubarão, das empresas Vale e ArcelorMittal, e também pela abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a poluição do pó preto na região. O pedido de abertura da CPI fora, pouco antes, arquivado por conta da falta das assinaturas mínimas necessárias para iniciar a investigação. A bancada do PT, com cinco deputados, que seria decisiva no processo, foi omissa e optou por não assinar o pedido, protocolado pelo deputado estadual Gilsinho Lopes (PR). O relatório final das audiências exaltou as “façanhas” das poluidoras, ao invés das críticas realizadas pela sociedade civil. O Decreto Estadual 3463-R, que estabelece os padrões da qualidade do ar em todo o Estado, foi preparado nesse meio tempo, entre as reuniões na Ales e as plenárias do GTI Respira Vitória. A legislação, porém, não estabelece prazos para que as metas de reduções dos poluentes sejam alcançadas, prevendo apenas uma revisão no Plano Estratégico da Qualidade do Ar (PEQAr) a cada quatro anos. Além disso, o decreto estadual também estabelece para as Partículas Sedimentáveis (PS), mais conhecidas como pó preto, o padrão de 14g/m² por mês, que é quase o dobro da média por metro quadrado mensal já registrada na estação de monitoramento da qualidade do ar da Ilha do Boi (Hotel Senac) nos últimos quatro anos de medições, e chega a ser 62% maior do que a atual média da estação do Centro de Vila Velha.
PEC estende prerrogativa de propor leis aos membros do Tribunal de Contas
A Assembleia Legislativa vai analisar uma proposta de emenda constitucional (PEC 7/2014), de autoria do deputado José Carlos Elias (PTB), que garante a iniciativa de leis aos membros do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Hoje, somente os parlamentares e os chefes do Poder Executivo, Tribunal de Justiça e Ministério Público podem apresentar projetos ao Legislativo. Na justificativa da PEC, o petebista cita decisões dos tribunais superiores para defendes a isonomia entre os órgãos do Estado. A matéria foi lida no expediente da sessão desta segunda-feira (26) e passará a tramitar pelas comissões da Casa. Antes de chegar ao plenário, o texto deve ser apreciado nas comissões de Justiça, Cidadania e Finanças. Caso receba o parecer favorável em todos os colegiados, a proposta tem que ser aprovado, por maioria absoluta de votos (três quintos do plenário, ou seja, 18 votos), em dois turnos para entrar em vigor. De acordo com o texto da PEC 7/2014, o artigo 63 da Constituição Estadual passaria a prever a competência do TCE para propor a criação de leis. Atualmente, a norma prevê até que os cidadãos possam apresentar projetos de leis, caso das matérias de iniciativa popular que precisam atender a uma série de requisitos, como a apresentação de um número mínimo de assinaturas. Um exemplo foi a aprovação da Lei da Ficha Limpa a partir de demanda popular. Na justificativa do projeto, o deputado José Carlos Elias sustenta que a iniciativa legislativa dos tribunais de Contas foi alvo de ações no Tribunal de Justiça de São Paulo e no Supremo Tribunal Federal (STF). Nos dois casos, os magistrados reconheceram a “independência funcional e capacidade de iniciativa legislativa” dos TCs. “Os questionamentos levados aos tribunais pretendiam acabar com a usurpação de algumas competências dos Tribunais de Contas, que estavam sendo praticadas pelo Poder Legislativo e confirmar a legitimação deste órgão auxiliar, para iniciar o processo legislativo nos moldes descritos na Constituição Federal. Diante da provocação do órgão jurisdicional, o Poder Judiciário prolatou decisões confirmando a autonomia do Tribunal de Contas para iniciar o processo legislativo”, afirmou o parlamentar. Segundo Elias, a corte de Contas já exerce esta capacidade, porém, ela acaba não sendo reconhecida em lei. Isso porque os projetos de interesse do TCE acabam sendo dirigidos à Mesa Diretora da Assembleia, que formaliza ela própria o simples “protocolo” da iniciativa.
Vereza quer indicação de uso de agrotóxicos em rótulos de alimentos
O deputado Cláudio Vereza (PT) protocolou nesta segunda-feira (26), na Assembleia Legislativa, o Projeto de Lei (PL) nº 133/2014, que estabelece a obrigatoriedade de indicação expressa sobre o uso de agrotóxicos nos produtos alimentares comercializados no Espírito Santo. O texto do PL define que os produtos processados parcialmente ou industrializados deverão ter a inscrição “produzido com agrotóxico” no rótulo de sua embalagem e os produtos comercializados em sua forma natural deverão ter a mesma inscrição nas caixas de acondicionamento ou exposição. A indicação somente é válida para o varejo, atacado e indústria, dispensando restaurantes e estabelecimentos similares. Na justificativa do projeto, o autor defende, primeiramente, a nova legislação como uma ação de proteção ao consumidor, uma vez que, como destaca, a população está sendo incluída “à cidadania e ao mercado” devido às novas oportunidades de trabalho, o que aumenta a renda e o acesso ao consumo de bens e serviços. Posteriormente, aponta que a informação sobre a presença ou não de agrotóxicos no alimento é essencial para o consumidor, da mesma forma que a informação sobre o teor de sal e açúcar e se contém glúten ou não, além de destacar que é comprovado por pesquisas epidemiológicas que a ocorrência de câncer, problemas hormonais, anomalias genéticas e doenças crônicas do sistema nervoso estão diretamente relacionadas à exposição a agrotóxicos. O Espírito Santo, que já foi campeão brasileiro, é o terceiro estado da federação que mais faz uso de agrotóxicos. Relatório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgado no ano passado apontou índices elevados de agrotóxicos em seis alimentos no Estado, sendo eles o pepino, a alface, o arroz, o tomate, a uva e o abacaxi. Ao todo, no Estado, a Anvisa analisou 67 amostras de alimentos em 2011, das quais 22 foram insatisfatórias. Em 2012, foram 77 amostras coletadas de alimentos – diversos e não necessariamente os mesmos do ano anterior –, dos quais 18 amostras foram consideradas insatisfatórias. Um dossiê de 2012, da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), apontou que, dos 50 produtos mais utilizados nas lavouras brasileiras, 22 são proibidos na União Europeia, o que faz com que o país seja o maior consumidor de agrotóxicos já banidos em outros locais do mundo, de acordo com a entidade. O País é campeão global no uso de agrotóxicos desde 2008 e atualmente concentra cerca de 20% do uso mundial.
Porta-vozes de ocasião ajudam a confundir articulações poliíticas
Tem chamado a atenção da classe política as muitas vozes vindas de todos os partidos sobre as movimentações eleitorais. No encontro do PT, nesse sábado (24), por exemplo, estavam à Mesa o secretário Geral do PMDB, Chico Donato e o vereador Namy Chequer, PCdoB. A presença de Donato, por exemplo, não representa a posição de seu partidos sobre uma possível aliança com o PT, mas cria uma impressão, o que ajuda a confundir o já bastante confuso mercado político. Pelo PMDB, além de Donato, o presidente do partido Lelo Coimbra tem feito as vezes de porta-voz do possível candidato do partido ao governo, o ex-governador Paulo Hartung. O PT, que tem como característica a pluralidade de opiniões expressas nas correntes que compõem o partido, também tem mostrado desencontro nas opiniões de seus integrantes. Tanto que foi necessário um encontro em São Paulo com o ex-presidente Lula para frear as especulações que multiplicavam dentro do partido sobre a candidatura própria, que já tinha lista de candidatos ao governo pronta. No ninho tucano, o partido vive momento de confusão com os dois grupos internos querendo caminhos diferentes. Enquanto os tucanos ligados ao ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas articulam a ida para o palanque do governador Renato Casagrande, o grupo de César Colnago, embora em minoria, insiste em manter candidatura própria com Guerino Balestrassi. A intenção de levar o partido para o grupo do ex-governador Paulo Hartung. A guerra de informação no ninho tucano continua grande e deve se intensificar na medida em que se aproximam o período de convenções. No bloco renova Espírito Santo a situação é ainda mais complicada. Se com um partido o conflito de informações é grande, em um bloco com mais de 10 partidos, o que não falta é gente para se colocar como porta-voz. Enquanto todos falam ninguém se compromete e o cenário eleitoral segue indefinido tanto na proporcional quanto na majoritária.
Ministério Público pede condenação de Rodrigo Chamoun por improbidade
O Ministério Público Estadual (MPES) pediu a condenação do conselheiro do Tribunal de Contas Rodrigo Chamoun por improbidade. Ele responde juntamente a outras 12 pessoas pela contratação de uma empresa de segurança privada sem licitação pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Estado (DER-ES), no ano de 2007. Na época, o então deputado estadual ocupava o cargo de secretário estadual de Transportes e presidia o Conselho de Administração da autarquia, que homologou a dispensa de licitação. No último dia 24 de abril, a promotora de Justiça, Moema Ferreira Giuberti Coradini, voltou a pedir a condenação de todos os denunciados às penas previstas na Lei de Improbidade Administrativa (Lei Federal nº 8.429/1192). Entre as sanções constam a perda da função pública, suspensão dos direitos políticos por até dez anos, pagamento de multa civil, além do ressarcimento do dano ao erário. O caso está na fase de alegações finais, que antecede ao julgamento de mérito. Na denúncia inicial (0030632-94.2007.8.08.0024), a promotoria narra a existência de irregularidades na contratação da empresa VSG Vigilância e Segurança em Geral Ltda para o fornecimento de dois vigilantes para a sede do DER-ES. O Ministério Público aponta a dispensa irregular de licitação, além de superfaturamento no valor pago pelo serviço. Na ocasião, o ex-diretor-geral da autarquia, Eduardo Antônio Mannato Gimenes, justificou a urgência na contratação após a ocorrência de um roubo nas instalações do departamento. Entretanto, o representante do MPES criticou a decisão pela contratação por desconsiderar os preços praticados pelo mercado, no que classificou como uma “emergência fabricada”. Pelas contas da promotoria, o contrato teria causado um prejuízo de R$ 21,79 mil aos cofres públicos na comparação ao preço do serviço em outras empresas de segurança – equivalente a 13,6% do valor total do acordo (estimado em R$ 160,32 mil anuais). A promotoria também afirma que um furto teria sido registrado três meses antes, período que viabilizaria a realização de uma licitação. “O superfaturamento do contrato, nessa linha, é mais que suficiente para demonstrar que a empresa se locupletou a partir dos atos praticados pelos agentes públicos. […] Aqui se enquadra perfeitamente a conduta do diretor-geral do DER-ES, bem como dos demais integrantes do Conselho de Administração, que referendaram a dispensa de licitação a partir de equivocado e desarrazoado argumento de ‘emergência’, levando à contratação da empresa por valor superior ao praticado no mercado”, narra um dos trechos da ação protocolada em setembro de 2007. Durante a última audiência do caso, realizada no último dia 9, o conselheiro Rodrigo Chamoun e o ex-diretor-geral do DER-ES, Eduardo Mannato, alegaram que a contratação teria sido embasada pelo parecer de assessoria jurídica da autarquia. No entanto, a justificativa não convenceu à promotoria, sobretudo após o ex-chefe da autarquia ter admitido que não houve qualquer tipo de coleta de preço e a empresa assumiu o contrato no dia seguinte ao roubo. Já o conselheiro admitiu que o Conselho só tinha duas opções: referendar ou não o contrato – que já estava sendo executado. Também figuram no processo, os demais membros do Conselho, José de Paulo Viana, Júlio Cesar Barbosa Mota, Jaime Carlos De Angeli, Wania Nassif Marx, José Carlos Chamon, Ermison Motta, Roger Tristão Pádua Frizzera, bem representantes da empresa VSG (Ladislau Paulino Campos, Kátia Maria Filadelfo Leôncio Telles e Moreno Leôncio Telles). O ex-prefeito de Linhares, Guerino Zanon (PMDB), também consta como parte na ação de improbidade, de acordo com o sistema processual do TJES. No entanto, a defesa do peemedebista alega erro no registro do Tribunal de Justiça e afasta qualquer participação do ex-prefeito no episódio. Na denúncia original, de 2007, o nome de Guerino Zanon não aparece em qualquer trecho do texto e ao longo do processo.
AGU obtem decisão favorável pela reintegração de posse de prédios da Ufes
A Advocacia-Geral da União (AGU) obteve decisão judicial favorável que assegura a reintegração de posse da Universidade Federal do Estado (Ufes). A Biblioteca Central (BC) chegou a ser ocupada pelos servidores técnico-administrativos da instituição que estão em greve há mais de dois meses, mas foram desocupados. A AGU, por meio da Procuradoria Regional Federal da 2ª Região (PRF2) e da Procuradoria Federal junto à Ufes (PF/UFES), acionou a Justiça esclarecendo que, embora o direito à greve seja legítimo e assegurado pela Constituição Federal, o que aconteceu com o bloqueio foi abuso deste direito por parte do Sindicato dos Trabalhadores das UFES (Sintufes). De acordo com as procuradorias, a Universidade tentou conciliar com os grevistas, mas sem sucesso, para manter a biblioteca funcionando em alguns dias da semana, bem como para que o restaurante funcionasse diariamente, pois atende, especialmente, estudantes de baixa renda. A reintegração de posse foi relatada pelo Sintufes, que mostrou que os prédios já estavam desocupados. Além disso, o prédio do RU não foi ocupado pelos grevistas em mais de 60 dias de greve e eles alegam que apenas se concentraram em frente ao local nos dias de movimento. No entanto, o restaurante estava trancado com um cadeado, que deveria ser de posse da universidade, mas não foi encontrada. O cadeado, então, teve de ser arrombado por um segurança da Ufes a pedido do oficial de Justiça que cumpria a reintegração de posse. Já na biblioteca, tanto o oficial de Justiça quanto os representantes da reitoria foram barrados. No local, estavam sendo executados alguns serviços, como a emissão de nada consta. A entidade ressalta que a partir da liminar, a responsabilidade do funcionamento da biblioteca fica a cargo da diretora do setor, que fecha a porta para sua própria chefia. O Sintufes lembra, ainda, que a ação não judicializa o movimento, que deve continuar por tempo indeterminado.
População local desconhece projeto do porto da Nisibra
Conforme divulgou o jornal A Tribuna nesse sábado (24), será construído ainda neste ano o porto da Nisibra em Jaburuna, Vila Velha. O projeto, quer vem sendo anunciado há quatro anos e já foi licenciado, é um complexo que dará apoio à atividade petrolífera em alto-mar e ainda contará com um estaleiro que realizará reparos em embarcações. No entanto, a população ainda desconhece o projeto do porto. Segundo Brás Galina, da Associação dos Amigos do Parque da Mantegueira, não houve audiência pública para apresentar o projeto à comunidade, que se preocupa com a geração de empregos, mas está apreensiva diante da falta de transparência sobre a chegada do novo porto ao município. Como é informado em A Tribuna, apenas 150 vagas de emprego serão criadas na primeira fase de operação, quando um cais em formado de L invertido será construído, medindo 308 metros acostáveis em uma área de 54 mil metros quadrados. A situação reflete o cenário da ocupação do litoral capixaba com a pretensão de que mais de 30 projetos portuários sejam instalados no Estado. Em Vila Velha, também causa preocupação aos moradores o projeto do superporto que está planejado para a Ponta da Fruta, em uma área ambientalmente diversa e com ocupação restrita. Documento anexado ao estudo da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa) sobre o superporto e apresentado por Irene Léia em audiência pública sobre o empreendimento, em março deste ano, registra que a Vale, a ArcelorMittal, a Gerdau e a Usiminas declaram que se tal empreendimento fosse instalado em Praia Mole, na Serra, haveria um desalinhamento com planejamento elaborado pela ONG Espírito Santo Em Ação, que representa os interesses do empresariado no Estado. Em outras palavras, causaria “severas interferências nos planos de expansão das empresas já instaladas no local”, justamente a Vale e a Arcelor. O projeto do porto foi, então, transferido para a Ponta da Fruta, onde causará inúmeros prejuízos a moradores e pescadores tradicionais, intensa degradação ambiental e usurpação do espaço da praia. O estudo da Codesa não ignora que a região da Ponta da Fruta, atualmente a mais cotada para a instalação do porto de águas profundas, tem condições de mobilidade urbana e de logística portuária totalmente desfavoráveis à instalação do empreendimento. Também detalha que a construção do superporto no balneário de Vila Velha sairá muito mais cara do que em Praia Mole. Entretanto, a escolha da região é apontada no estudo como um “refinamento técnico” dos resultados obtidos. Em fevereiro deste ano, os deputados Roberto Carlos (PT), Luzia Toledo (PMDB), Theodorico Ferraço (DEM), Janete de Sá (PMN), Nilton Baiano (PP), Hércules Silveira (PMDB), Atayde Armani (DEM), Elcio Alvares (DEM) e Aparecida Denadai (PDT), além do prefeito Rodney Miranda (DEM), entregaram um manifesto ao governador Renato Casagrande com o objetivo de garantir a construção do superporto em Vila Velha. Os deputados sugeriram que fosse feito um decreto de desapropriação da área em Ponta da Fruta como reserva técnica, o que impediria a instalação de outros empreendimentos no local. O pedido foi acatado pelo governador.
Senado debate a humanização do parto em audiência nesta terça
As comissões de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) e Assuntos Sociais (CAS) do Senado realizam, nesta terça-feira (27), uma audiência pública para discutir a humanização do parto no País. Para a presidente da CDH, senadora Ana Rita (PT), as violações aos direitos reprodutivos representam um grave problema de saúde pública no mundo. Foram convidados para debater o assunto a ministra da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH-PR), Ideli Salvatti, representantes do Ministério da Saúde, da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), da Rede Feminista de Saúde, da Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia e da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). A SPM será representada pela secretária de Articulação Institucional e Ações Temáticas, Vera Soares. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 800 mulheres morrem diariamente em todo o mundo por complicações associadas à gravidez. Um quarto das mortes maternas na América Latina ocorre no Brasil e 90% delas poderiam ser evitadas pela atenção pré-natal. Uma das iniciativas do governo brasileiro nesse sentido foi a implantação da Rede Cegonha. A estratégia, lançada em 2011, tem o propósito de ampliar a assistência integral à saúde de mães e bebês desde o pré-natal até os dois primeiros anos de vida. “Ainda que o Brasil tenha melhorado muito o atendimento e reduzido sua taxa na última década, a mortalidade materna persiste como a maior causa de mortes entre mulheres em idade reprodutiva, afetando de maneira desproporcional as mulheres com recursos escassos, negras, indígenas e aquelas que vivem em áreas rurais nas regiões Norte e Nordeste do Brasil”, afirmou a senadora. Portaria Desde 8 de maio, as maternidades do Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o País, também, passaram a contar com novas diretrizes para o atendimento humanizado ao recém-nascido. Seguindo recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Ministério da Saúde publicou portaria que atualiza normas para procedimentos durante o parto. As medidas visam a beneficiar a saúde materna e infantil. A atualização das diretrizes agradou a setores que defendem o parto humanizado e a amamentação. Entre as ações previstas durante o pré-natal estão os exames de pré-natal de risco habitual e de alto risco, acolhimento às intercorrências na gestação, acesso ao pré-natal de alto risco e aos resultados, vinculação da gestante (desde o pré-natal) ao local em que será realizado o parto, implementação de ações relacionadas à saúde sexual e reprodutiva, além de prevenção e tratamento das DST/HIV/Aids e hepatites. Em 25 de março deste ano, em decorrência das recomendações do Comitê sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW/ONU), o governo brasileiro indenizou a família de Alyne da Silva Pimentel Teixeira. A jovem, moradora de Belford Roxo, no Rio de Janeiro, negra, pobre e grávida, faleceu em 28 de junho 2002, em decorrência de complicações em sua gestação, após atendimento precário prestado pela rede de saúde.