Já circulam nos bastidores do ninho tucano comentários de que uma propaganda partidária tendo como protagonista o ex-presidente do Bandes Guerino Balestrassi está pronta para sair do forno. E a intenção é disparar única e exclusivamente na direção do governo Renato Casagrande. No mínimo questionável, considerando o momento político registrado no Estado, quando o partido precisa se aproximar do socialista para, assim, tentar fazer frente às articulações conduzidas pelo ex-presidente Lula que pretendem fechar uma chapa formada pelo ex-governador Paulo Hartung (PMDB) candidato ao governo; João Coser (PT) ao Senado; e Sérgio Vidigal (PDT) como vice. Caso a missão se concretize, será mais uma comprovação de que Guerino sempre advogou em favor dos interesses de Hartung. O que também geraria desconfianças em relação à candidatura ao governo tão anunciada pelo ex-prefeito de Colatina. Aliás, pelo histórico de Guerino, é capaz dele ser mais aliado de Hartung do que candidato ou até mesmo tucano. Um olho no peixe e outro no gato! De cima A recente decisão do PT de Pernambuco de apoiar a pré-candidatura do senador Armando Monteiro Neto (PTB) ao governo daquele estado lembra o caso do Espírito Santo. Lula conseguiu fazer por lá o que tenta consolidar aqui, com o “chapão” puxado por Hartung. Herança Toda terça-feira é dia do professor e especialista em políticas públicas Roberto Garcia Simões: o Estado tem o menor número de docentes concursados, ao todo 33%. Já de temporários 67%, mais do que o dobro da média nacional. Explica a péssima qualidade de ensino. Herança II Os números desmontam o discurso adotado pelo ex-governador nos últimos tempos, em suas palestras e artigos. Hartung escolheu as bandeiras da educação e da economia como pontos preferidos para levantar a bola de seu governo. Este é o lema: fala o que eu falo, mas não faça o que eu faço. Devagar O começo dos trabalhos no Estado para coordenar a campanha do presidenciável Eduardo Campos (PSB) foi fraco, fraco. Dois vereadores de Vitória, um da Serra e outro de Cariacica. O caminho é longo. Vale tudo O secretário de Estado de Turismo, Alexandre Passos (PT), conseguiu reunir um bocado de gente na prestação de contas que realizou nessa segunda-feira (24). O que uma eleição não faz, hein? Até secretário prestando contas… Vale tudo II Passos é candidato a deputado estadual e precisa se desincompatibilizar do cargo. Tentou mostrar serviço antes da despedida. Olha, tem que fazer esforço mesmo, porque até hoje não disse a que veio. Poucos amigos O PT tenta amenizar o clima entre a senadora Ana Rita e o prefeito João Coser, mas um registro do evento do partido realizado nesse sábado (22), em Venda Nova do Imigrante, indica o contrário. Foi publicado no próprio Face da senadora. É aquilo, uma imagem vale mais do que mil palavras. Baixaria completa A confusão registrada na Câmara da Serra nessa segunda-feira (24) também teve a participação de assessores de vereadores, na troca de chutes e etc. Isso que é vestir a camisa do patrão, o resto é brincadeira. 140 toques “O PPS-ES reafirmou o apoio a Casagrande e Campos, além de definir suas metas: fazer três deputados estaduais e um federal”. (Fabrício Gandini – PPS – no Twitter). PENSAMENTO: “Se eu sou um grande homem, então uma porção de grandes homens devem ter sido fraudes”. Bonar Law
Mais do que greve
Em meio à paralisação dos profissionais da educação ocorrida na semana passada, a coluna ouviu um discurso de uma educadora que trouxe preocupação. Ela dizia ter raiva do PT, porque encheu os aeroportos de pobres. O discurso que parece apenas um posicionamento de escolha partidária traz preocupação por causa de seu conteúdo. Não se ataca a discussão partidária, ideológica e sim uma linha preconceituosa e desconexa. Isso vindo de quem deveria garantir educação da população. Neste sentido, a coluna vem chamar a atenção do movimento sindical sobre sua função social. Mais do que organizar as greves, fazer a negociação salarial, discutir melhorias das condições de trabalho, o sindicato deve trabalhar pela formação política não só dos sindicalizados, mas de todos os trabalhadores. Quando um trabalhador entende que a população de baixa renda não deve ter direito aos privilégios que antes eram restritos à elite, é porque tem alguma coisa errada. O trabalhador deve ter direito não só ao aeroporto, mas acesso ao transporte como um todo, salário digno, comida à mesa, atendimento médico de qualidade e muito mais. Cabe ao movimento sindical promover a mobilização popular para a garantia destes do direito a ter direito. Afinal, não estamos falando de um acesso à determinados bens de consumo por bondade, mas uma estratégia econômica para garantir o drible na crise que se avizinhava do País. Mas hoje, o movimento sindical enveredou para um lado político perigoso, utiliza massa como forma de pressão às instituições políticas da qual é derivado. Independentemente da denominação partidária, o trabalhador deve ter a consciência de classe. Não há como defender o direito da elite em detrimento dos ganhos que a baixa renda conquistou nos últimos anos. Até porque, quando vem um líder de outro partido e defende a ampliação do “Bolsa Família” é porque a discussão já não cabe a uma só legenda. Trata-se de uma nova forma de se discutir a economia do País e aliviar a pressão nas bases. Acorda trabalhador!
Conveniências
Ao chegar ao governo do Estado em 2002, pelo PSB, o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) adotou um discurso de união pela “reconstrução ética do Estado”. Com essa ideia, Hartung reuniu em torno de seu governo todas as lideranças políticas do Estado e segmentos da sociedade civil, como a Igreja Católica e a OAB, que ajudaram a fortalecer o discurso maniqueísta que permeou seus dois mandatos. Mais do que um sistema de coalizão que foi implantado em nível federal pelo então presidente Lula, no Estado o que valia era a unanimidade. Um sistema que calou a oposição e enfraqueceu os partidos, fazendo florescer uma forte política de grupo. Também nesse sistema foi eleito o sucessor de Hartung, Renato Casagrande, que nos últimos quatro anos conseguiu manter e ampliar a base que sustenta essa unanimidade. Mas o sistema apresenta sérios indícios de falência e essa falência é decretada justamente por quem a construiu. O governador Renato Casagrande vem a público dizer que está cansado de cascas de banana que são jogadas em seu caminho. Ele deveria saber, porém, que ao se guindar a um sistema que privilegia um grupo político, estaria sujeito a esse tipo de manobras. Casagrande não era o do grupo, virou candidato palaciano a contragosto, graças a uma manobra nacional. A unanimidade era uma conveniência para Hartung e seus aliados, hoje ela não é mais. Talvez amanhã, se ele retornar ao Palácio Anchieta, volte a ser interessante. Quanto às fofocas, boatos e intrigas nos bastidores da política capixaba, não há também nenhuma novidade aí. O governador estabeleceu um sistema de blindagem do governo de seu antecessor, conviveu todo esse período com os aliados de Hartung dentro de sua equipe, assumiu contas que não eram suas. Nada disso foi capaz de manter Hartung em seu palanque. Agora não adianta irritação com as movimentações de bastidores, o que resta a Casagrande é ir para a disputa eleitoral, sabendo que ela será difícil. Insinuações ao vento não vão adiantar. Fragmentos: 1 – A aposentadoria de Claudio Vereza (PT) não significa transferência automática de votos para a senadora Ana Rita. A corrente Articulação de Esquerda sabe disso. 2 – A parlamentar vai apostar no trabalho desenvolvido no Senado para conquistar o voto dos eleitores de Vereza. Como seu trabalho vai ao encontro das premissas da Igreja Católica, onde está parte do eleitorado do grupo, tem chances. 3 – O fato de ter sido preterida na disputa ao Senado também pode trazer um discurso de vitimização que sensibilize a militância. Pela divisão da votação no encontro de delegados, Ana Rita terá a solidariedade do partido.
Viajou, liberou
Em períodos de férias escolares, do trabalho e/ou quando há oportunidade de passeios turísticos, é natural a adoção de posturas e práticas que promovam os sentimentos de liberdade, de compensação, de empolgação, regados ao bom e velho – “eu mereço”! Essas posturas e práticas são geralmente acompanhadas de gastos extras e, às vezes, acima da capacidade de endividamento, gerando o risco de posterior descontrole financeiro. Sobre os gastos com viagens, o Banco Central divulgou que em 2013 os brasileiros gastaram mais em viagens internacionais do que os estrangeiros em nosso país. Enquanto os brasileiros deixaram mais de US$25 bilhões no exterior, os estrangeiros deixaram por aqui um pouco mais de US$ 6 bilhões. Vale ressaltar que entre os anos de 2012 e 2013 houve um aumento no consumo dos brasileiros no exterior de aproximadamente 13%, enquanto os estrangeiros, praticamente mantiveram os gastos com o consumo em nosso país. Essa comparação, além de outros pontos, também reforça que a educação financeira está presente na formação dos cidadãos de vários países, principalmente nos europeus, e continua escassa por aqui. A expectativa para 2014 é de um aumento nos gastos de estrangeiros no Brasil, em função da realização da Copa do Mundo aqui. Mas também há a expectativa de novo aumento nos gastos dos brasileiros no exterior. Assistindo a um programa na televisão que aborda sobre o comportamento de consumo de brasileiros no exterior, encontrei algumas falas e justificativas interessantes para a nossa reflexão, do tipo: – “eu compro o que preciso. O problema é que preciso de muito”. Em relação às justificativas utilizadas para as compras excessivas no exterior estão o maior acesso a produtos de marcas famosas e aos preços menores lá, do que os praticados no Brasil. O que chama a atenção é que vários consumidores entrevistados responderam que nem tudo o que compram é utilizado efetivamente, reforçando a compra por impulso e não por necessidade, e com isso, gerando desperdício. Compartilho algumas dicas interessantes de pessoas acostumadas às viagens, a fim de trabalharmos pela redução dos gastos, com o foco na realização do sonho de viajar: utilizar os pontos do cartão de crédito para a compra das passagens, estabelecer no planejamento um valor para gastar na viagem, compatível com a sua capacidade de endividamento e fazer o controle por essa margem, formar reserva para destinar a esta realização. A ideia central aqui é estimularmos a qualificação das despesas com as viagens, trabalhando para evitar as compras por impulso e, consequentemente, o desperdício de tempo e de dinheiro, possibilitando a realização de outros sonhos. Fato é que das viagens e passeios, o que principalmente deve voltar na bagagem são os registros mentais, visuais e sensoriais apreendidos. Considerando que o dinheiro é o meio para realizar todos os sonhos, cuidemos muito bem dele. Ivana Medeiros Zon, Assistente Social, especialista em Saúde da Família e em Saúde Pública,Educadora Financeira, membro da ABEF – Associação Brasileira de Educação Financeira, palestrante, consultora, colunista do Portal EduFin www.edufin.com.br https://sites.google.com/site/saudefinanceiraivanamzon/
Tanques em Paul: desmontagem deve começar em abril e terminar em julho
A desmontagem dos enormes tanques de armazenamento de combustíveis instalados no alto do Morro do Atalaia, em Paul (Vila Velha), deve começar em abril e terminar em julho. É o que prevê o cronograma executivo das etapas de desmontagem apresentadas pela Liquiport ao Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema). Em fevereiro, o órgão notificou a empresa responsável pelo terminal para realizar a desmobilização dos tanques instalados em Paul. A comunidade do Atalaia manifesta receio em função da proximidade dos toneis com as residências. Além do cronograma executivo das etapas de desmontagem dos tanques, a notificação determinou que a Liquiport apresentasse local de acomodação, no interior do empreendimento, das partes desmontadas e componentes dos tanques; e medidas de controle ambiental a serem adotadas durante e posteriormente à desmontagem. O local de acomodação é uma área dentro da empresa. A Liquiport também apresentou medidas de controle ambiental, que ainda dependem de análise do Iema para se definir se são suficientes ou se haverá necessidade de a empresa apresentar novas propostas. Tais medidas apresentadas incluem cuidados com o descarte de resíduos sólidos e contaminação de águas pluviais, entre outras. A Liquiport até apresentou novo projeto para construção de tanques de estocagem de combustíveis, desta vez atrás da Paróquia Santa Terezinha do Menino Jesus, a apenas 60 metros da praça pública do bairro. Mas em pronunciamento no dia 11, na tribuna popular da Assembleia Legislativa, o presidente da Associação de Moradores do bairro Paul, Paulo César Fróes, disse que os moradores de Paul rejeitaram a nova proposta.
Justiça determina que estacionamentos adotem sistema de cobrança fracionada
Depois de mais de cinco anos de impasse, a Justiça estadual bateu o martelo sobre a obrigatoriedade da adoção da cobrança fracionada pelos estabelecimentos com estacionamento pago. A decisão é da 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), que acolheu nesta terça-feira (25) o recurso do Ministério Público Estadual (MPES) e do Instituto Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon), em uma ação civil pública contra administradoras de estacionamento e estabelecimentos comerciais, bancários e hospitalares. Apesar de a maioria dos estabelecimentos comerciais já adotar o sistema, o revisor do caso, desembargador Telêmaco Antunes de Abreu Filho, entendeu pela cobrança fracionada com o cálculo “proporcional a 15 minutos de permanência além do limite mínimo de gratuidade”. Para ele, “a cobrança [por hora integral] realizada pelos recorridos revela-se contrária às normas protetivas do direito do consumidor”, uma vez que o valor cobrado pode ser superior ao serviço correspondente utilizado. Sobre o mérito da discussão, o desembargador Telêmaco Antunes avaliou “ser plenamente possível a intervenção do Judiciário para verificar possível cobrança abusiva de estacionamento”. Na decisão de 1º grau, prolatada em novembro de 2011, o juízo da 10ª Vara Cível de Vitória avaliou que o Ministério Público e o Procon não tinham competência para pleitear a revisão dos valores cobrados em estacionamentos da região Metropolitana da Grande Vitória. A decisão atinge os estacionamentos dos shoppings, hospitais, bancos e centros comerciais. Entre os empreendimentos que figuram na ação civil pública, estão: Shopping Vitória; Shopping Praia da Costa; Norte Sul Shopping; Shopping Laranjeiras; Shopping Jardins; Shopping Day by Day;Vitória Apart Hospital; Centro Integrado de Atenção a Saúde (Cias), da Unimed; Hospital Meridional; Hospital Metropolitano Ltda; bem como dos bancos HSBC Bank e Bradesco. Figuram ainda no processo: Associação Nacional de Estacionamentos Urbanos (Abrapark); Novapark Locação e Serviços Ltda; Maxipark Estacionamentos Ltda; Novamax Estacionamentos Ltda; Awal Administradora de Shopping Centers Ltda; Fibra Negócios e Serviços Ltda; Estapar Rio Park Estacionamentos; Friburgão Park de Friburgo Ltda ME; LPN Participações Ltda; além da Vertente Administração e Participações Ltda. A decisão da 2ª Câmara do tribunal ainda cabe recurso às instâncias superiores.
TJES mantém tarifa do pedágio da Terceira Ponte em R$ 0,80
A 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) manteve, na sessão desta terça-feira (25), a decisão liminar do juízo da 2ª Vara da Fazenda Pública Estadual que reduziu o valor do pedágio da Terceira Ponte. Durante o julgamento, o colegiado negou o recurso da Concessionária Rodovia do Sol S/A (Rodosol), que pedia o retorno à tarifa anterior. A tarifa de R$ 0,80 para veículos de passeio é válida até a conclusão da auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TJES) sobre o contrato de concessão do sistema. Em seu voto, o relator do caso, desembargador substituto Délio José Rocha Sobrinho, destacou que a decisão de 1º grau foi embasada na suposta irregularidade na utilização do pedágio da Terceira Ponte como forma de custeamento das obras a serem realizadas no trecho da Rodovia do Sol (ES-060). Ele destacou que a cobrança violaria em tese as regras de regência das tarifas. “A inclusão da Terceira Ponte na concessão como forma de viabilizar as obras em outro trecho da rodovia acaba por onerar indevidamente os usuários exclusivos daquela, que, em sua esmagadora maioria, não prosseguem com seus veículos até o município de Guarapari. Como se sabe, uma das principais diferenças entre a taxa e a tarifa é que esta não admite incidência em razão da utilização apenas potencial do serviço, devendo compreender a remuneração decorrente do que efetivamente é usufruído pelo cidadão”, afirmou. No mês passado, o plenário do Tribunal de Contas confirmou a prorrogação dos trabalhos até o próximo dia 24 de abril, atendendo ao pedido da área técnica. O novo relator da auditoria estima que mais de 85% dos trabalhos, iniciados em julho do ano passado, já foram concluídos. Ao longo da apuração, a equipe do TCE produziu mais de 1.300 páginas de texto para responder aos quesitos levantados para a auditoria. O resultado deve servir como perícia técnica no julgamento de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Estadual (MPES) contra o Estado por supostas irregularidades no contrato, firmado em 1998.
Índios recusam proposta da Vale e seguem com ocupação à ferrovia
A Vale propôs, nesta terça-feira (25), que os índios das aldeias de Comboios e Córrego do Ouro, em Aracruz, norte do Estado, que estão em mobilização há uma semana, desocupem a estrada de ferro por oito dias, para que os trilhos possam ser reparados e os trens carregados de minério voltem a circular pela ferrovia. No final desse prazo, a empresa marcaria uma reunião com a comunidade, para acertar a indenização devida às aldeias. A proposta, no entanto, foi recusada pelos índios, que cogitam liberar os trilhos para reparos, mas não autorizam a passagem dos trens da mineradora. Para o coordenador da Comissão dos Caciques Tupinikim e Guarani, José Sezenando, a Vale está impondo muitas regras à comunidade indígena. “Se a mineradora quiser promover um acordo, terá que abdicar de diversos privilégios e não impor condições ao funcionamento de sua estrutura, situada dentro das terras definidas de posse dos indígenas por lei”, ressaltou. Os índios também denunciam que a Vale tem intimidado as aldeias com o sobrevoo de helicópteros e a ameaça de uso de força policial para liberar a ferrovia. Segundo o cacique Antônio Carlos, de Comboios, a senadora Ana Rita (PT) está ciente da situação e garantiu intervir para evitar que a situação se agrave, em conversa com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Após um fim de semana sem protestos, diante de uma aparente abertura de diálogo com a Vale, os índios voltaram a ocupar a ferrovia que corta as aldeias na manhã dessa segunda-feira (24). A mineradora já adiou dois encontros para discutir a questão da indenização, o primeiro por telefone, e o outro por meio do procurador da República responsável pelo caso, Almir Sanches. O primeiro deles, marcado para a última segunda-feira (17), era para definir a forma de pagamento, pela empresa, de R$ 19 milhões como compensação por explorar há mais de 30 anos as terras indígenas. Os índios exigem o dinheiro para que seja utilizado na principal demanda dos índios hoje, que é o desenvolvimento de projetos de agricultura que garantam a subsistência das aldeias. Sem apoio do poder público e com os impactos gerados por décadas pelos plantios de eucalipto da Aracruz Celulose (Fibria), as famílias indígenas enfrentam dificuldades. Os índios garantem que continuarão em protesto, até que a Vale esteja, de fato, disposta ao diálogo. Eles reforçam que as terras por onde passam os trilhos pertencem aos povos indígenas por direito, inclusive definido em demarcações. Diante do descaso da Vale, exigem que a estrada de ferro seja retirada de dentro do território tradicional.
Sete milhões de pessoas morreram devido à poluição do ar em 2012
Dados divulgados nesta terça-feira (25) pela Organização Mundial da Saúde (OMS) traçam estatísticas alarmantes sobre a influência da poluição do ar na saúde humana. Somente no ano de 2012, cerca de 7 milhões de pessoas morreram devido à exposição à poluição do ar que, como divulgou a própria organização, se transformou no maior fator de risco ambiental para a saúde no mundo. Entre eles, estão vítimas da poluição que se chama de interior, responsável pela morte de 4,3 milhões de moradores de lares com fogões a carvão, lenha ou biomassa, e a poluição exterior, que está na origem de 3,7 milhões de mortes em todo o mundo, sem contar aqueles que estão expostos a ambos. De acordo com a Agência Brasil, as novas estimativas baseiam-se em avaliações mais rigorosas da exposição humana aos poluentes, por meio de melhores medições e tecnologias, que permitiram aos cientistas analisarem detalhadamente os riscos para a saúde em uma cobertura geográfica mais ampla. Os países de baixo e médio rendimento nas regiões do Sudeste Asiático e do Pacífico Ocidental registraram maior número de mortes associadas à poluição do ar, com um total de 3,3 milhões de mortes ligadas à poluição do ar interior e 2,6 milhões de mortes associadas à poluição do ar exterior. Segundo a diretora adjunta da OMS para a Saúde da Família, Mulheres e Crianças citada no comunicado da OMS, Flavia Bustreo, tornar o ar limpo previne doenças não transmissíveis e reduz as doenças entre mulheres e grupos vulneráveis, como crianças e idosos. Reduzir a poluição do ar poderia salvar milhões de vidas, como ressalta a OMS. A Organização Mundial de Saúde revela, com os novos dados, que há uma ligação ainda mais forte entre a exposição à poluição do ar interior e exterior e as doenças cardiovasculares, como o AVC e a cardiopatia isquêmica, bem como o câncer. Mas não só: a poluição do ar também é grande responsável pelo desenvolvimento de doenças respiratórias, incluindo infecções agudas e doenças pulmonares obstrutivas crônicas. Os dados também apontam ainda que uma em cada oito mortes no ano foi causada pela exposição à poluição do ar. A Agência Brasil afirma que este dado duplica números anteriores e confirma que a poluição do ar é agora o maior fator de risco ambiental para a saúde humana. A diretora do Departamento da OMS para a Saúde Pública, Ambiente e Determinantes Sociais da Saúde, Maria Neira, alertou que os riscos da poluição do ar são muito maiores do que se pensava, principalmente no que diz respeito a doenças coronárias e Acidente Vascular Cerebral (AVC). “Poucos fatores de risco têm hoje maior impacto na saúde global do que a poluição do ar; as evidências alertam-nos que é preciso uma ação concertada para limpar o ar que respiramos”, acrescentou. Segundo os dados da OMS, 80% das mortes associadas à poluição do ar interior devem-se a doenças cardiovasculares, como a cardiopatia isquêmica (40%) e o acidente vascular cerebral (40%). A poluição do ar exterior é responsável por 34% das mortes por AVC, 26% por cardiopatia isquêmica, 22% por Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (Dpoc), 12% por infeções respiratórias agudas em crianças e 6% devido ao câncer de pulmão, todas doenças provocadas por essa especificidade de poluição. Estado Na Grande Vitória, onde a poluição do ar está acima do recomendado pela OMS, as usinas da ArcelorMittal e da Vale afetam a saúde da maioria dos moradores da região. Dados apresentados no ano passado pelo deputado estadual Hércules Silveira (PMDB) denunciaram que os gastos com internações no Sistema Único de Saúde (SUS) por doenças respiratórias no Espírito Santo somaram um montante de R$ 21,18 milhões no ano de 2012. Só de internações em decorrência de insuficiência respiratória foram 713 atendimentos que demandaram R$ 2,7 milhões; de asma foram gastos pouco mais de R$ 1 milhão em 1.904 atendimentos; e por outras doenças pulmonares obstrutivas crônicas foram 1.180 atendimentos, com um gasto de quase R$ 974 mil. Essas doenças são, respectivamente, a terceira, quarta e quinta que geram mais gastos à saúde pública do Estado.
Decisão da Justiça Federal de MG pode abrir precedente no Estado
Uma decisão da Justiça Federal em Belo Horizonte, Minas Gerais, pode refletir no Espírito Santo, que registra situação semelhante. O juízo da 14ª Vara da Justiça Federal condenou o Tribunal Regional do Trabalho naquele estado (TRT-MG) a devolver imediatamente os servidores irregularmente requisitados de prefeituras mineiras. A sentença foi proferida em ação pública ajuizada pelo Ministério Público Federal em Minas Gerais (MPF-MG) em outubro de 2013. As denúncias chegaram ao MPF-MG por meio de representações enviadas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT-MG) que versavam sobre a existência de 343 servidores, entre filhos, irmãos e cônjuges requisitados de prefeituras mineiras pelo TRT. Em alguns casos, o requisitado até prestava concurso em prefeituras do interior, mas antes mesmo da posse, já era colocado à disposição do TRT-MG. A decisão do juízo de Minas Gerais pode motivar o pedido de investigação também no Estado, já que também é prática comum a requisição de servidores de prefeituras, tanto da Grande Vitória quanto do interior do Estado, para atuação no TRT-ES. O órgão tem pelo menos 54 servidores cedidos por prefeituras do Estado, sem contar com aqueles requisitados de outras secretarias e órgãos. O concurso mais recente para o órgão no Estado teve resultado final homologado em 12 de março deste ano. No entanto, para que os aprovados tomem posse, deve haver a criação de mais cargos no TRT, o que só acontece a partir de projeto de lei a ser votado no Congresso Nacional. Isso acontece porque existem servidores cedidos por outros órgãos e prefeituras do Estado ocupando cargos que deveriam ser destinados a servidores com vínculo permanente com o TRT-ES. Caso estes funcionários não sejam removidos dos cargos, os concursados só poderiam assumir em eventos como a aposentadoria, exoneração, demissão ou falecimento. O TRT-ES, por outro lado, justifica que a dispensa dos servidores cedidos não ocupam cargos pertencentes ao órgão acarretaria maior necessidade de servidores sem, contudo, implicar automaticamente em abertura de vagar a serem preenchidas pelos candidatos aprovados no último concurso público.