Advogada Litza Aoni conta como pacientes conseguiram permissão. OAB já possui comissão sobre cânhamo e cannabis Por conta de seu uso terapêutico e medicinal, pessoas têm obtido na Justiça o direito de uso e plantio de cannabis (maconha) no Brasil. Para saber mais sobe o tema, a TV Século entrevistou a advogada Litza Aoni, especialista no tema, que explica o caminho para alcançar esse direito, as principais doenças para o qual a planta costuma ser usada, e a possibilidade de cultivo coletivo por meio de associações. Ela comenta ainda a legislação que permite o fornecimento de cannabis via Sistema Único de Saúde (SUS) no Espírito Santo e a relação dos modos de produção com a soberania nacional. No próximo dia 26 de abril, será realizado na Casa OAB, em Vitória, o congresso intitulado “O outro lado da cannabis: desmistificando o proibicionismo”, promovido pela Comissão de Cânhamo e Cannabis da Ordem dos Advogados do Brasil no Espírito Santo. —- * Inscreva-se no canal do Século Diário no YouTube e ative o sininho para acompanhar as novidades. ** Se quiser ouvir este e outros programas em podcast, siga os canais do Século Diário no Spotify e Google Podcasts.
Grupo evangélico faz encontro para debater ‘fé, justiça e sociedade’
Vinicius Querzone diz que a Frente pelo Estado de Direito é um contraponto à visão de grupos religiosos Ana Salles/Ales “Fé, justiça e sociedade, o que a teologia da libertação tem com isso?” é o tema do encontro que a Frente Evangélica pelo Estado de Direito no Espírito Santo realiza no próximo dia 13, às 18h30, na Igreja Metodista Wesleyana da Praia de Itaparica, em Vila Velha. O mediador será Emerson Sbardelotti, doutor em Teologia, com base no livro Teologia da Libertação para Nossos Dias, de Marcelo Barros. “Nosso movimento nasce como um contraponto ao teor ideológico do movimento evangélico brasileiro, que está impregnado com os valores da ideologia neoliberal; e as teologias atuais – do Domínio, da Prosperidade e da Batalha Espiritual – referendam o injusto sistema capitalista”, ressalta Vinícius Querzone, cabo da Polícia Militar, divulgador do encontro e integrante do Movimento Policiais Antifascistas. Ele acrescenta que é necessário “romper com isso e nos voltarmos aos valores de Jesus, que defendeu a paz, a Justiça e o amor. Mas não um amor em abstrato, um amor que se compromete com os mais pobres, os desfavorecidos e os injustiçados desse mundo”. O evento é ecumênico, gratuito e aberto ao público, seguindo o modelo de outros eventos da Frente Evangélica pelo Estado de Direito. O movimento, nascido no meio cristão evangélico, tem como objetivos promover a justiça social, a defesa de todos os direitos garantidos pela Constituição Brasileira (civis, políticos, sociais, econômicos, culturais) e pela legislação internacional de direitos humanos, lutando pela garantia do Estado Democrático de Direito. A Frente surgiu nos anos 2015 e 2016, em protesto contra o impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), considerado pelo grupo, liderado pelo pastor Ariovaldo Ramos, como um golpe de Estado. O grupo mantém o nome “evangélico”, segundo o pastor Ariovaldo, para marcar a posição contrária à ação da chamada bancada evangélica no Congresso Nacional e de políticos que atuam pela desinformação. Teve intensa atuação no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em “momento de grande crise, aflição, angústia e incitação ao ódio vividos pela nação brasileira, com ataques frontais ao pleno exercício da democracia”. Para seus integrantes, “a ausência de serenidade e cautela nestes momentos críticos tem despertado muita preocupação e teme-se que o acirramento provocado pela ruptura democrática venha custar mais vidas humanas”.
Congueiros celebram padroeira do ES no Carnaval de Congo de Roda d’Água
Evento terá participação da Banda Casaca, o tradicional cortejo à padroeira, missa e apresentação das bandas de congo A padroeira do Espírito Santo, Nossa Senhora da Penha, será celebrada no Carnaval de Congo de Roda D’Água, em Cariacica, nesta segunda-feira (8), data em que se homenageia a santa. Este ano, a atração musical será a Banda Casaca, que se apresenta às 13h no palco principal. A programação, totalmente gratuita, tem início às 8h, com a concentração das bandas de congo na Bica de Luiz, de onde sairão em cortejo até o Campo do América, lugar onde ocorrerão as demais atividades culturais e haverá a praça de alimentação, barracas para venda de artesanato e oficina de mini máscara. Claudio Postay A saída do cortejo está prevista para as 10h. A realização da missa campal, com participação das bandas de congo, começa às 10h30, já no Campo do América. O ritual é realizado pela Paróquia Bom Jesus, de Novo Horizonte, e a comunidade Sagrada Família. A missa será celebrada pelo Frei Evanir Martins. Após a apresentação da Banda Casaca, haverá o encontro das bandas de congo, com bandas da região de Roda D’Água e de outras localidades. As de Roda D’Água são a São Benedito de Piranema, Unidos de Boa Vista, São Benedito de Boa Vista, São Sebastião de Taquaruçu, Santa Izabel e Mestre Tagibe. As demais são as da APAE de Campo Grande, em Cariacica; a banda Jovem de Manguinhos e Bicanga, da Serra; Amores da Lua, de Vitória; Mestre Honório e o Grupo de Congo Madalenas do Jucu, de Vila Velha. “Dar visibilidade a essa tradição centenária que faz parte do contexto histórico-cultural do povo cariaciquense, ao mesmo tempo que promove o sentimento de pertencimento da comunidade congueira, é o maior legado da festividade”, diz o presidente da Associação de Bandas de Congo de Cariacica (ABCC), Jefferson de Azevedo. Às 16h, as bandas de congo também se apresentam no palco principal, onde, às 17h30, acontecerá a tradicional cantata “Iá Iá Você Vai à Penha”, realizada pelos mestres de congo. O encerramento do evento será às 18h, com a Ave Maria acompanhada de tambores de congo, seguida de show pirotécnico. Claudio Postay A coordenadora do Carnaval de Congo, Maria Zalem, informa que não será possível entrar no Campo do América com garrafas de vidro. Além disso, este ano, afirma, irão aumentar os pontos de internet para que todos barraqueiros sejam contemplados. A medida se faz necessária por ser uma região com difícil acesso à internet. Por causa disso, em 2022, muitas pessoas não conseguiram utilizar cartão para consumir. No ano passado, os pontos de internet, embora tenham sido instalados, não conseguiram atender todos barraqueiros. A tradição popular diz que o congo na região remonta há mais de 100 anos. De acordo com Maria Zalem, o Carnaval de Congo começou com uma caminhada concentrada na comunidade, como um cortejo em homenagem a Nossa Senhora da Penha, já que muitas pessoas não podiam participar das festividades no Convento da Penha, seja por serem escravizadas ou por não haver meios de transporte para ir até o templo religioso, situado em Vila Velha. Com o tempo, o Carnaval de Congo perdeu essa característica de cortejo, sendo realizado de maneira concentrada em um único lugar, pois o número de participantes cresceu demais, carecendo de maior organização. Contudo, muitas pessoas, entre elas os escravizados, não queriam e não podiam ser vistas no evento de Roda D’água, surgindo, assim, um personagem característico do Carnaval de Congo, o João Bananeira, que cobre o rosto com uma máscara e o corpo com folhas de bananeira. Maria Zalem relata, ainda, que havia também a figura do mascarado, que usava a máscara, mas não as folhas de bananeira no corpo. Carnaval de Congo de Roda d’Água Data: 8 de abril 8h: concentração na Bica do Luiz 10h: saída do cortejo em homenagem a Nossa Senhora da Penha. 10h30: missa 13h: apresentação da Banda Casaca, seguida do encontro das bandas de congo 16h: apresentação das bandas de congo no palco principal 17h30: Cantata “Iá Iá Você vai a Penha” 18h: Ave Maria e show pirotécnico Evento no domingo de Páscoa antecede o Carnaval de Congo de Roda d’Água Mais na coluna: perda da tradição; ataques a João Bananeira; Congo Aleluia na Barra do Jucu; e Festival da Torta Capixaba https://www.seculodiario.com.br/cultura/evento-no-domingo-de-pascoa-antecede-o-carnaval-de-congo-de-roda-d-agua
Empresário Vinícius Viana é pré-candidato a prefeito do PL em Itapemirim
Liderança bolsonarista no Estado, deputado estadual Callegari gravou vídeo de apoio a Viana O empresário Vinícius Viana (PL) é mais um pré-candidato a prefeito de Itapemirim, no litoral sul do Estado. Ele é um dos administradores da empresa Caprini Material de Construção, localizada no balneário de Itaipava, e ligado ao grupo bolsonarista “Itapemirim um novo começo”. Redes Sociais Nessa sexta-feira (5), o empresário postou, em suas páginas nas redes sociais, um vídeo de apoio do deputado estadual Callegari (PL), uma das principais lideranças bolsonaristas do Estado. O deputado se refere a Vinícius Viana como “nosso único pré-candidato oficial à Prefeitura de Itapemirim pelo PL [Partido Liberal]”. “Queria te mandar um abraço, meu amigo, e dizer que as lideranças do PL – Pastor Carlos Salvador [secretário-geral da sigla no Estado], Gilvan da Federal [deputado federal], a bancada estadual do partido, senador Magno Malta – estão com você, assim como os nossos queridos pré-candidatos a vereador. Fiquem tranquilos, o PL está firme e forte, e vai firme para a disputa municipal”, afirmou Callegari. Em suas redes sociais, o empresário se apresenta como um homem casado, que nasceu e cresceu em Itapemirim, e que trabalha “desde os 13 anos de idade”, sendo formado em Administração e pós-graduado em Direito Tributário e Contabilidade. Caso siga na disputa, Vinícius Viana, que não tem experiência em cargos políticos, deverá representar os comerciantes de Itapaiva e Itaoca (outro distrito de Itapemirim). Segundo uma fonte que acompanha a política local, houve articulações para um acordo com o partido Movimento Democrático Brasileiro (MDB), mas não avançaram. Além de Vinicius, a disputa eleitoral em Itapemirim terá a tentativa de reeleição do atual prefeito, Doutor Antônio, que vai migrar do Progressistas (PP) para o União Brasil. O governador Renato Casagrande (PSB) deverá apoiá-lo, apesar de Thiago Peçanha ter se filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). Mesmo com os problemas judiciais que levaram à cassação de seu mandato como prefeito em 2022, Peçanha tem trabalhado fortemente para tentar retornar ao Poder Executivo de Itapemirim. Uma de suas articulações é com a Rede Sustentabilidade, partido que passou a abrigar diversas figuras de seu campo político. Esse movimento de Peçanha tem desagradado ao Partido Socialismo e Liberdade (Psol), com quem a Rede forma uma federação, e tem como pré-candidato a prefeito o Professor Jésus. O temor dos militantes psolistas é de que essas articulações possam prejudicar tanto o candidato da disputa majoritária quanto a chapa de vereadores. Alex Wingler (Podemos), secretário de Saúde de Cachoeiro de Itapemirim, também é pré-candidato a prefeito em Itapemirim. Até o início do ano, Wingler tentava se articular com PSB e Rede Sustentabilidade, mas agora vê as duas siglas tomadas pelo grupo de Peçanha. Outro pré-candidato a prefeito em Itapemirim é o dentista Geninho Bechara, que teve seu nome referendado em um evento do Partido Democrático Trabalhista (PDT) realizado no último dia 23 de janeiro. Novato na política, apesar de ser sobrinho do ex-prefeito Jorge Bechara, já falecido, Geninho filiou-se ao PDT em dezembro de 2023, ganhando de imediato o apoio do Solidariedade. Ele já visita comunidades e mantém contatos com outras lideranças, a fim de garantir apoios. Os vereadores João Bechara (PSB) e Paulinho da Graúna (a caminho do Republicanos) – esse último, presidente da Câmara de Itapemirim – também têm se colocado como pré-candidatos a prefeito, mas dialogam com Alex Wingler. Em 2022, o vice-prefeito da chapa cassada de Thiago Peçanha, Niltinho (PSDB), disputou as eleições suplementares, obtendo cerca de 460 votos. Concorreu ainda o então prefeito interino, Zé Lima (PDT), que ficou em segundo lugar na votação, com 48,11% dos votos (12.539). Em 2020, Zé Lima havia sido eleito vereador e presidente da Câmara de Itapemirim, mas, com a cassação do prefeito e do vice, assumiu as funções. Psol e Rede entram em rota de colisão em Itapemirim Conflito da federação partidária se deve às movimentações eleitorais do ex-prefeito Thiago Peçanha https://www.seculodiario.com.br/politica/psol-e-rede-entram-em-rota-de-colisao-em-itapemirim
Cotado à Prefeitura de Santa Maria de Jetibá, Adilson Espíndula se filia ao PSD
Deputado estadual entrou no partido junto com o filho, que vai tentar a Câmara Municipal O deputado estadual Adilson Espíndula definiu seu destino partidário: se filiou ao PSD nessa sexta-feira (5) e forma bancada agora com Fabrício Gandini na Assembleia Legislativa. Ele é cotado para disputar a Prefeitura de Santa Maria de Jetibá, na região serrana do Estado, onde tem reduto eleitoral. Adilson estava no PDT, mas buscava uma sigla de direita e centro-direita, campos que considera representar seu perfil político e ideológico. A filiação de Adílson ocorreu junto com do seu filho, Carlos Espíndula, que vai disputar a Câmara de Vereadores, e foi exaltada pelo presidente estadual do PSD, Renzo Vasconcelos, como uma “grande vitória partidária”. O partido é alinhado no Estado à base do governador Renato Casagrande (PSB), partido do atual prefeito, Hilário Roepke, o Gatinha, que já está em segundo mandato. PSD “Nossas bases estão firmes e prontas para as eleições deste ano. Temos uma equipe dedicada e comprometida, pronta para continuar fazendo um trabalho excepcional. Estamos confiantes de que vamos atrair ainda mais pessoas interessadas em contribuir para o progresso do Espírito Santo, tornando-o um Estado cada vez mais próspero e influente em nível nacional”, exaltou Renzo Vasconcelos, ex-deputado estadual. A chegada de Adilson amplia os projetos previstos pelo partido para 2026, apontados por Renzo em entrevista ao programa Política ES, da TV Século. Segundo ele, o PSD já trabalha as chapas proporcionais à Assembleia e Câmara dos Deputados, além de ter conversas adiantadas com outros parlamentares, para atingir a meta de fazer um deputado federal e três estaduais. No pleito municipal de outubro deste ano, a legenda vai apresentar mais de 20 candidatos majoritários. Adilson se filiou ao PDT para disputar o último pleito proporcional, após intervenção na Nacional do PTB na executiva estadual, que o tirou do cargo de presidente. Para sair da legenda comandada pelo prefeito da Serra, Sergio Vidigal, sem o risco de perder o mandato, ele recebeu uma carta de anuência e acionou depois o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES). O deputado cumpriu cinco mandatos consecutivos como vereador em Santa Maria de Jetibá. Na última eleição municipal, em 2016, alcançou a maior votação, com 2 mil votos. Em 2018, resolveu disputar a Assembleia, pelo PTB, e obteve 11,6 mil votos. A reeleição veio em 2022, já no PDT, quando chegou a 22,2 mil.
Ação sobre condomínio no Morro de Guaibura é remetida à Justiça Federal
Funai pediu para entrar no processo; desmatamento e terraplanagem avançam no local, protegido por lei A ação civil pública que visa impedir a instalação do condomínio de luxo Manami Ocean Living no Morro de Guaibura, em Guarapari, na região metropolitana do Estado, será remetida da Justiça Estadual para a Federal. A decisão foi proferida pelo juiz Gustavo Marçal da Silva e Silva nessa quarta-feira (3), em resposta ao pedido da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para ingressar como assistente do povo Borum M’nhag Uipe, comunidade autodeclarada indígena de Guaibura. Entretanto, sem uma liminar contra as ações da empresa Design 16, responsável pelo empreendimento, as intervenções continuam no espaço localizado na região da Enseada Azul, com avanço do desmatamento. Na semana passada, foi iniciada o a terraplanagem no morro, conforme registros em vídeo feitos por moradores. A Organização Não Governamental (ONG) Gaya Religare acusa o empreendimento de ultrapassar os limites estabelecidos no licenciamento. Reprodução A Funai, que enviou uma equipe técnica à Vila de Guaibura no mês passado, havia tentado entrar como amicus curiae (“amigo da corte”, um terceiro que fornece elementos ao julgador) no processo, mas o pedido foi negado pelo juiz, que considerou não haver competência da esfera estadual para julgar direitos indígenas. A autarquia, então, reformulou a solicitação, pedindo para entrar como assistente e para que os autos fossem remetidos à Justiça Federal. “Ainda vai levar 15 dias para a Justiça Federal analisar. Na verdade, a ação, neste momento, está numa espécie de ‘limbo’. Enquanto isso, a terraplanagem segue ‘comendo solta”, lamenta Juliana Souza, da Gaya Religare. Na avaliação de Juliana, faltou sensibilidade ao juiz para entender que a questão é urgente, com risco de dano ambiental irreversível. Apesar disso, ela avalia que existe mais possibilidades de apresentar o dano causado pelo empreendimento e mais chance de efetividade na Justiça Federal. Não é primeira vez que ocorre alteração na esfera julgadora da ação judicial. A Gaya Religare ingressou com a ação civil pública em 29 de novembro de 2023 na Justiça Estadual. Logo depois, o juiz sinalizou que a competência seria federal, e a ONG desistiu da ação para ingressar novamente nessa esfera. Entretanto, o processo acabou retornando para a esfera estadual. Mobilização Desde o segundo semestre do ano passado, a ONG Gaya Religare já realizou dezenas de denúncias sobre a situação do Morro de Guaibura. A comunidade alerta que a construção do condomínio de luxo provoca destruição em uma área de preservação ambiental e provoca cerceamento às suas práticas culturais. Mesmo assim, a Prefeitura de Guarapari e o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf-ES) emitiram licenças de instalação para o Manami Ocean Living, contrariando parecer do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema). Em janeiro deste ano, a comunidade também encaminhou um pedido à Funai, para o reconhecimento da existência do povo Borum M’nhag Uipe na Vila de Guaibura. O pedido teve como base uma pesquisa realizada ao longo do ano de 2023 por Potira de Almeida, moradora e integrante da Gaya Religare, para resgatar as origens indígenas da comunidade. Governo ES Atualmente, o Morro de Guaibura está cercado, impedindo o livre trânsito de moradores. Até mesmo o pedido para que uma equipe da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) fizesse uma vistoria no local foi negado pelo juiz. Segundo Juliana Souza, 90% de suas práticas culturais ficaram inviabilizadas. Também se tornou comum encontrar espécies de animais mortas no entorno e pássaros que antes utilizavam as árvores empoleirados em fios de alta-tensão. No último dia 20 de março, a ONG encaminhou uma denúncia ao Ministério Público Federal (MPF), na qual argumenta que foi descumprido o Termo de Adesão da Prefeitura de Guarapari com a União, para a transferência da gestão das praias marítimas urbanas. “Tal denúncia expõe claro desrespeito por parte da Prefeitura de Guarapari a tal Termo de Adesão, além de descumprimento da legislação ambiental com a severa e iminente retirada de um ecossistema de extrema fragilidade, sem possibilidade de reversão do dano (manguezal). Para além disso, a prefeitura, em proveito da confiança transferida pela União, em seus atos administrativos ultrapassa a omissão, promovendo e encorajando a ocupação desordenada, ignorando e agredindo nosso povo, que em uma longa luta para sobrevivência manteve o Morro da Guaibura”, diz a denúncia. “Os efeitos deletérios aos aspectos paisagísticos, ambientais e urbanísticos por um condomínio em construção sobre um costão rochoso podem ser tratados como uma aberração na gestão pública, se não um ato criminoso”, continua o texto. No mês passado, houve também uma agenda na Assembleia Legislativa com assessores dos parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT), incluindo o senador Fabiano Contarato; os deputados federais Jack Rocha e Helder Salomão; e os deputados estaduais João Coser e Iriny Lopes. Um dos pontos abordados foi o questionamento da constitucionalidade da Portaria 011-R de 2016, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama) e do Iema, que derrubou o tombamento da Mata Atlântica que havia sido feito pelo Conselho Estadual de Cultura (CEC). ONG denuncia intervenção em área não autorizada no Morro de Guaibura Gaya Religare afirma que condomínio Manami realiza desmatamento além do permitido por licenças https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/ong-denuncia-intervencao-em-area-nao-autorizada-no-morro-de-guaibura Pesquisa resgata origens indígenas da Vila de Guaibura, em Guarapari Potira de Almeida, moradora da comunidade, enviou carta de autodeclaração à Funai https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/pesquisa-resgata-origens-indigenas-da-vila-de-guaibura-em-guarapari Condomínio realiza cercamento no Morro de Guaibura ONG tenta cassação judicial de licença para instalação de empreendimento em Guarapari https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/condominio-realiza-cercamento-no-morro-de-guaibura
Novo álbum de Sandrera está disponível nas plataformas digitais
Mais na coluna: homenagem a Suely Bispo; teatro gratuito; ônibus para Roda d’água; Dona Onete na Grande Vitória Está disponível nas plataformas digitais Quase Hippie, o novo álbum do cantor e compositor capixaba Sandrera. Paz, amor, sonhos, empatia, respeito aos semelhantes e às suas filosofias de vida, independentemente de crenças religiosas e orientações sexuais, são alguns dos temas interpretados pelo artista nas oito faixas, todas de sua autoria e que podem ser escutadas em plataformas digitais como o Spotify e YouTube. Vagna Ganen Entre os destaques está a participação do trovador mineiro Zé Geraldo, uma das principais influências de Sandrera, na faixa Lugar ao Som, que ganhou videoclipe dirigido por Philipe Grillo, disponível no canal do cantor no YouTube. Outro convidado é Maurício Baia, compositor baiano radicado no Rio de Janeiro, que que faz um dueto com o músico capixaba na canção Vende-se um Coração, Emplacado, Seminovo, Único Dono. Shows Vagna Ganen Sandrera irá apresentar as canções de Quase Hippie no show “Poemas Engarrafados”, em 18 de abril, no Auditório CEU das Artes, em Anchieta, sul do Estado, às 19h30. O artista fará outro show, no dia seguinte, no Palácio da Cultura Sônia Cabral, em Vitória, às 20h. Ambas as apresentações serão abertas ao público. Suas principais influências em Quase Hippie, segundo Sandrera, são Bob Dylan, Joan Baez, Neil Young, Belchior, Raul Seixas e Zé Geraldo. O artista utiliza, em suas canções, violões, violinos, guitarra, steel guitar, órgão, piano e backing vocals, além da base de baixo e bateria. Homenageada Luara Monteiro A atriz e poeta Suely Bispo será a homenageada capixaba na 31ª edição do Festival de Cinema de Vitória, que acontece de 20 a 25 de julho, no Sesc Glória. Ela receberá o Troféu Vitória e o Caderno da Homenageada, publicação biográfica, assinada pelos jornalistas Leonardo Vais e Paulo Gois Bastos, que aborda sua trajetória profissional. À coluna, a artista afirmou estar surpresa. “Adorável surpresa esse reconhecimento do maior evento audiovisual do Estado, um festival importante. Uma alegria!”. Homenageada II Embora a escolha não tenha ligação com o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, comemorado em 25 de julho, último dia do evento, Suely aponta ser bastante simbólico que a homenagem seja nesse período. “Importante chamar a atenção para a presença de mulheres atrizes negras nesse espaço do cinema brasileiro. Estamos aí desde as saudosas Ruth de Souza e Léa Garcia, pioneiras, passando por Zezé Motta e a capixaba Elisa Lucinda, entre outros nomes”, afirma. A artista destaca que no Espírito Santo há muitas “mulheres potentes”, como a Edileuza Penha de Souza, capixaba erradicada em Brasília, que tem se destacado no cinema negro nacional. Corpus em Vida GTEC Por falar em Suely Bispo, uma oportunidade de vê-la em cena será nos dias 24 e 25 de abril, às 20h, no Palácio da Cultura Sônia Cabral, no Centro de Vitória. Ela faz parte do elenco da peça Corpus em Vida, do Grupo de Teatro Experimental Capixaba (GTEC). O espetáculo combina teatro-instalação, candomblé, cinema-vídeo, dança e práticas performativas. Sua proposta é debater as complexidades da memória e dos traumas causados pela escravidão no Brasil. A entrada é gratuita. Quarto de Despejo Divulgação Outra opção de peça teatral gratuita é Quarto de Despejo, que será apresentada na próxima quarta-feira (10), às 19h30, na Biblioteca Municipal Adelpho Poli Monjardim, no Centro de Vitória. A peça traz a história de Carolina Maria de Jesus, autora do livro que dá nome à peça e no qual relata sua experiência de mãe solo na criação dos filhos na Favela do Canindé, em Minas Gerais, e a convivência com os demais moradores em um cotidiano marcado pela luta pela sobrevivência. Quem assina a adaptação do livro para a exibição cênica é o ator, diretor e produtor teatral, Euclides Franco, que reuniu o material em um monólogo, de aproximadamente 1h30, com sonoplastia para garantir uma experiência imersiva na obra. Ônibus Como todo ano há insuficiência de ônibus para o Carnaval de Congo de Roda d’água, em Cariacica, a coluna questionou a Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros do Estado do Espírito Santo (Ceturb) sobre a possibilidade de aumento da oferta de transporte coletivo para o dia do evento, nesta segunda-feira (8). A resposta obtida foi de que haverá 12 ônibus extras para a linha 753, que faz o trajeto até Roda d’água, operando no horário das 8h às 20h. Tomara que seja suficiente e não se repita a mesma dificuldade de todos os anos para pegar ônibus depois do carnaval. Dança das Cadeiras A dança das cadeiras continua na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Cariacica. Com três anos e meio de gestão, o prefeito Euclério Sampaio (MDB) nomeou o quarto secretário. O novo gestor é Denilson José de Oliveira, que se perguntarem para a classe artística do município, ninguém vai saber falar quem é, pois ninguém conhece. Ele ficou no lugar de Paulo Roberto de Oliveira, cuja saída da pasta já era esperada, pois é vereador licenciado e muito provavelmente irá tentar reeleição. Antes de Paulo, os secretários foram Nina Santos e Alvarito Mendes Filho. Movimento Cidade O Movimento Cidade abriu Edital de Obras Audiovisuais para selecionar filmes de todas as regiões do Brasil que serão exibidos dentro da programação da 6ª edição do Festival Movimento Cidade, nos dias 17 e 18 de agosto, na Grande Vitória. O município onde acontecerá o evento não foi divulgado. O Festival contemplará duas categorias: abrangência nacional e Mostra Cena Capixaba, composta exclusivamente por filmes capixabas. As inscrições podem ser feitas gratuitamente neste link. Dona Onete Adriano Fagundes O Festival Movimento Cidade também terá atrações musicais e uma delas é a cantora paraense Dona Onete, conhecida como a rainha do Carimbó, e também artista, compositora, poeta e sindicalista. É, ainda, uma prova de que muitos sonhos não envelhecem, pois foi depois que se aposentou como professora que iniciou sua carreira artística. Além disso, Aos 73 anos, no ano de 2012, lançou seu primeiro CD. Até logo! A coluna ficará um tempo ausente para usufruir de merecidas férias e volta daqui a um mês. Até logo! E-mail: elainerdalgobbo@gmail.com
Desistência de Vidigal na Serra reforça palanque a prefeito pelo PSB
Bruno Lamas já assinou ficha de pré-candidato, mas aguarda as articulações até a convenção A decisão do prefeito Sergio Vidigal de não concorrer à reeleição na Serra pode alterar a correlação de forças políticas no maior colégio eleitoral do Espírito Santo e colocar em xeque a aliança do partido do governador Renato Casagrande, o PSB, com o PDT, liderado no Estado por Vidigal, que indicou seu chefe de gabinete, Weverson Meireles, para entrar na disputa. Esse gesto, para o mercado político, quebra a obrigatoriedade de aliança entre os dois grupos e reforça a pretensão do PSB municipal de ter candidato majoritário na eleição de outubro. Até agora, o nome cogitado é do secretário estadual de Ciência e Tecnologia do governo, Bruno Lamas, ex-vereador e ex-deputado estadual, que em 2020 concorreu para prefeito, mas ficou em quinto lugar, com 5,1% dos votos. Ele já assinou no livro de pré-candidaturas e aguarda o avanço das articulações. Bruno tem um novo pretendente ao mesmo cargo, o procurador federal aposentado e ex-vereador pelo PT, Bento Deodato. Nesta sexta-feira (5), ele assina a ficha de filiação ao PSB, depois de manter contatos com lideranças do partido, incluindo Márcia Lamas, presidente da direção municipal e mãe de Bruno. “Conversei com Márcia Lamas e foi muito boa a conversa sobre a conjuntura da Serra. Ela reforçou o convite para eu me filiar ao PSB”, informa Bento. Acrescenta que já se reuniu com Bruno, apontando o contato como “excelente”. “Ele manifestou sua satisfação em meu interesse e reforçou o convite para eu me filiar ao partido e me franqueou a candidato a qualquer cargo seja no executivo ou na Câmara Municipal, dependendo essa definição do desenrolar do processo de pré-campanha”, garante Deodato. No mercado local, a análise é de que o PDT tratava o apoio do PSB como incondicional, em retribuição à aliança com Casagrande em 2022. Com o recuo do prefeito, porém, faz surgir uma dúvida: o compromisso do governador é com Vidigal ou com o PDT? Para lideranças políticas, o PSB tem a chance de demarcar território no maior município do Estado, e esse movimento teria agora o aval da executiva estadual, que com o palanque de Vidigal, pretendia reivindicar a vice na Serra. Seja com Bruno Lamas, Bento Adeodato ou outro nome que possa aparecer, a defesa é que o partido não fique muito tempo sem protagonismo, sob risco de encolher, como registrado com outras legendas. Procurado por Século Diário, Bruno Lamas não retornou ao contato. Ex-vereador e procurador aposentado quer disputar na Serra pelo PSB – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/politica/ex-vereador-e-procurador-aposentado-quer-disputar-na-serra-pelo-psb
Grupos de Trabalho vão mobilizar comunidade escolar contra mudanças no Comev
Lei de Pazolini enfraquece Conselho Municipal de Educação de Vitória, que passa a ser consultivo A criação dos Grupos de Trabalho (GTs) Jurídico, Comunicação e Organização foi deliberada na audiência pública “Os ataques à gestão democrática do ensino no município de Vitória“, realizada nessa quinta-feira (4), na Câmara de Vereadores. A medida é apontada como necessária para ampliar as mobilizações que tentam reverter as alterações impostas ao Conselho Municipal de Educação de Vitória (Comev), com a sanção da Lei 10.048/2024, pela gestão do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), que é alvo de questionamentos e críticas da comunidade escolar. O GT Jurídico terá como finalidade pensar ações judiciais para reversão da nova lei; o de Comunicação, desenvolver campanhas para dar visibilidade às ações de mobilização pela reversão; e o de Organização, preparar e viabilizar atos políticos de enfrentamento à gestão. A audiência foi convocada pelos vereadores Karla Coser (PT), Vinícius Simões (PSB) e André Moreira (Psol). O diretor-executivo do Grupo Professores Associados pela Democracia de Vitória (Pad-Vix), Aguinaldo Rocha de Souza, ressalta a profundidade dos debates e das denúncias feitas na audiência, e informa que podem participar dos GTs “pessoas que queiram contribuir com a pauta da educação pública em Vitória e que valorizam o Estado Democrático de Direito”. Durante a audiência, Karla Coser (PT) afirmou que o prefeito vem fazendo ataques à educação desde o primeiro dia de seu mandato, mas aponta a lei que altera o Comev como o maior deles, pois o colegiado sempre foi “de muita articulação”, com “muita resistência aos ataques desses últimos três anos”, e composto por “pessoas muito entendidas de educação”. André Moreira destacou que a audiência deveria ser transformada em “uma assembleia de movimento para definir as medidas que vamos tomar contra os ataques à educação de Vitória”, enquanto Vinícius Simões falou que a gestão municipal “é um inacabável pacote de maldades, irresponsabilidades, descompromisso e desrespeito com a os profissionais de educação de Vitória”. Com base nisso, Simões recordou ações como o aumento da carga horária em sala de aula e “a transformação do tempo integral em algo prejudicial por falta de diálogo”. “Vitória não pode ser usada para ter recurso e uma placa dizendo que a escola é integral, sendo que a escola não tem condições para isso”, criticou. Ele destacou, ainda, a criação do Bônus Desempenho, ressaltando que, para ter direito ao benefício, o professor não pode ter falta, nem em casos de falecimento de familiar e adoecimento. “Vou te dar um bônus, mas se você adoecer, não pode, mas eu vou te adoecer”, afirma, acusando a gestão municipal de adoecer os trabalhadores, por exemplo, com reformas de escola que se estendem muito, submetendo os profissionais à exposição à poeira. Estiveram presentes na audiência, compondo a mesa, representantes do Pad-Vix, do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Vitória (Sindismuvi), da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, do Sindicato dos Trabalhadores da Educação no Espírito Santo (Sindiupes), da União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação (Uncme/ES) e do Laboratório de Gestão da Educação Básica do Estado, que integra o Centro de Educação da Ufes. O que diz a lei A lei muda a forma de funcionamento do Comev, seu caráter e sua composição. Exclui do colegiado a representação dos estudantes; do Conselho Tutelar; da Central Popular de Vitória, que agrega associações de moradores; e dos trabalhadores da educação que não fazem parte do magistério, como os do setor administrativo, suporte pedagógico e bibliotecários. Os representantes desse último grupo eram indicados pelo Sindismuvi, portanto, o sindicato perde sua participação no Conselho. A redução de membros, de acordo com a lei, cai de 19 para 12, sendo dois representantes do magistério, dois dos pais de alunos e dois da rede privada de ensino. Os outros seis serão da gestão pública, indicados por Lorenzo Pazolini. A proposta também cria o jetom, ou seja, uma remuneração aos conselheiros. Cada um receberá, por sessão, o valor de R$ 280,00, desde que tenha participação integral. No caso do presidente, o valor será de R$ 300,00. O projeto fixa em no máximo seis as reuniões mensais, incluindo sessões plenárias e comissões. Na lei consta, ainda, que o Comev deixará de ser deliberativo para ser consultivo, portanto, não mais terá o poder de tomar decisões, apenas sugerir. Na justificativa do PL, a gestão municipal afirmou que “a iniciativa é fruto de um amplo diálogo com os diversos setores envolvidos na educação municipal, refletindo nosso compromisso com a promoção de uma gestão educacional participativa, transparente e inovadora”. Contudo, a comunidade escolar afirma que esse diálogo não ocorreu, tendo tomado ciência da existência do projeto somente quando foi aprovado na Câmara. Alterações no Comev serão discutidas em audiência na Câmara de Vitória Comunidade escolar se mobiliza contra as mudanças impostas pela gestão de Lorenzo Pazolini https://www.seculodiario.com.br/educacao/alteracoes-no-comev-serao-discutidas-em-audiencia-publica-na-camara-de-vitoria Câmara de Vitória aprova projeto que altera Conselho de Educação Projeto é apontado como antidemocrático, por excluir representações e o caráter deliberativo do Comev https://www.seculodiario.com.br/educacao/camara-de-vitoria-aprova-projeto-que-altera-conselho-de-educacao
Uma Secretaria Estadual da Pesca é solução para as demandas da categoria?
Ulysses Raposo levantou o debate na Assembleia Legislativa sobre a pauta, que é antiga entre os pescadores Uma Secretaria Estadual da Pesca é solução para atender as necessidades da pesca artesanal capixaba? O debate foi retomado na Assembleia Legislativa, pela fala do presidente da Associação dos Pescadores e Amadores de Pesca de Itaipava (Apedi), Ulysses Vieira Raposo. “O Estado do Espírito Santo, infelizmente, não tem uma Secretaria da Pesca. Em nome dos pescadores, quero aqui pedir ao nosso governador Renato Casagrande (PSB), precisamos de uma secretaria que dê atenção, que dê a importância que a pesca precisa no Espírito Santo. A pesca não pode ser lembrada só na época de eleição”, disse na Tribuna Popular da Casa, nessa quarta-feira (3). Atualmente, a pesca está alocada dentro da Subsecretaria de Agricultura Familiar, que faz parte da Secretaria de Estado de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag). Porém, sem estrutura que dê conta das demandas da categoria. “Está dentro da Agricultura Familiar, mas não tem gerência nem diretoria. O Estado deveria seguir o Governo Federal, que criou o Ministério da Pesca”, opina. “Tem barco nosso que sai com despesa de R$ 100 mil a R$ 140 mil para o alto-mar, para passar de 18 a 25 dias. Essas embarcações geram riquezas em nossas cidades, recursos, empregos. Nossa frota de Itaipava, da qual faço parte, é espalhada pelo Brasil inteiro. Têm pescadores nossos de Norte a Sul do país. Inclusive foram muitos pra África, para ensinar lá como pescar. Olha a importância da nossa pesca!”, disse, em referência à importância econômica da atividade, para além da importância cultural. “Nós precisamos entender a importância do alimento, da cultura, da nossa famosa moqueca capixaba. Nós precisamos entender que isso é importante para o nosso Estado. As milhares de famílias, de empresas, a quantidade de pessoas que vivem direta e indiretamente da pesca. Os que comem, os que compram, os que vendem, os empregos que são gerados. Cadê o valor que a pesca tem no Espírito Santo?”, questionou. Concordando com a pauta, o pescador Braz Clarindo Clarindo, integrante da Colônia Z-5 e ex-diretor do Sindicato dos Pescadores do Espírito Santo, afirma que a secretaria estadual pode ser uma solução se for gerida por uma pessoa capacitada para a função, com experiência na área, e recursos financeiros para trabalhar. “O secretário de Pesca [federal] nosso é um ex-vereador, um advogado, que não sabe o que é pesca. Se criar a secretaria estadual e colocar pessoas sem competência, não vai resolver, vai continuar como está. Tem que colocar pessoas competentes, que conheçam a pesca e tenham condições de trabalho. Se colocar alguém que não ganhou eleição, só por indicação política, não adianta”, afirma. É preciso também, acrescenta, saber dialogar com todas as esferas do Executivo e trabalhar pela simplificação das leis, portarias, resolução e instruções normativas. “A legislação da pesca é a coisa mais complicada que existe. Um barco para ir para o mar tem oito documentos. A secretaria tem que ter gente da área”, reforça. “O Ibama [Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis] quando vem, a gente perde tudo: camarão, barco, rede, é multado …e quando vai lá para tentar resolver o problema, não consegue”. A capacitação do atendimento, sublinha, precisa acontecer em todos os órgãos. “Eu queria ir no Ibama, na Seap [Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca, vinculada ao Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA)], na Capitania, chegar lá e pegar os documentos tudo certinho. Mas tá tudo parado, não tem funcionário capacitado para atender a gerente, renovar a carteira, as licenças. Daí a gente é multado. O clandestino consegue trabalhar, porque não tem documento de nada, não tem como ser localizado. Eu cansei, tô vendendo meu barco. Tenho cinco filhos, não deixei nenhum deles tomar gosto pela pesca. Não quero isso para eles”, lamenta”. A desistência da profissão que ele vive na família é disseminada entre muitos colegas de todo o Estado, avalia Braz. Em 2020, durante manifestações na Prefeitura de Vitória contra a criminalização da pesca artesanal iniciada pela gestão de Luciano Rezende (Cidadania) com a sanção da Lei nº 9077/2017, o sindicato estadual, do qual ele era vice-presidente, tinha uma estimativa de 16,5 mil pescadores em atividade, que contribuíam com cerca de 7% do Produto Interno Bruno (PIB) capixaba. “Esse é um dado de 2011. De lá para cá não foi feito levantamento outro levantamento, mas tem muita gente desistindo. O governo federal, o estadual e o municipal só prejudicam a gente”. Especificamente na baía de Vitória, local tradicional da pesca artesanal, elemento fundamental da identidade cultural capixaba, ele salienta a gravidade da criminalização iniciada pela Lei 9077/2017, cuja fiscalização foi intensificada na atual gestão de Lorenzo Pazolini (Republicanos). “Falam que pescador que degrada. Mas olha lá: é óleo diesel, é óleo queimado, é minério de ferro no mar, na praia. É o pescador que faz isso? Claro que não! É o porto, a Vale! Agora, vai fechar a Vale! Não fecha. Mais fácil jogar a culpa no pescador e prejudicar a gente“. A angústia é compartilhada pelo pescador Valquírio Sampaio Loureiro, que tem o episódio da perseguição protagonizada por Pazolini como emblemático do abandono generalizado que os pescadores artesanais sofrem nas políticas públicas em todas as esferas. “A prefeitura de Vitória, a Polícia Ambiental, o Ibama, a Capitania dos Portos…estavam tudo recriminando os pescadores porque morria tartaruga. Agora que pararam de recriminar, não morre mais? Era o pescador mesmo que estava errado? Os ambientalistas viam no começo os pescadores como bandidos, mas quando começaram a ter entendimento de quem é o pescador, entenderam que a culpa não é nossa. A Capitania dos Portos saía de madrugada para procurar pescador de canoa. Nunca vi isso em lugar nenhum no Brasil. Duas horas da manhã, a capitania se enfiando nos mangues procurando gente pescando. A Prefeitura de Vitória tomou minha canoa, colocaram arma em cima de mim, me multaram dizendo que minha carteira estava vencida. Eu fui na prefeitura, mostrei que nunca fiquei com a carteira vencida. A multa continua”, relata. Após meses