No próximo dia 31, serão impedidas coletas de encomendas em estabelecimentos dos três municípios Os entregadores por aplicativo que fazem entrega pelo Ifood vão aderir à paralisação nacional marcada para o próximo dia 31. Das 12h às 18h, os trabalhadores vão impedir as coletas de encomendas nos municípios de Cariacica, Serra e Vitória, na região metropolitana. Além do Espírito Santo, até o momento outros cinco estados aderiram ao movimento: São Paulo, Rio de Janeiro, Paraíba, Goiás, Santa Catarina, além do Distrito Federal. Em Cariacica, os entregadores impossibilitarão as coletas no Shopping Moxuara, em São Francisco, e no Number One Chicken, em Vila Capixaba. Na Serra, no Shopping Mestre Álvaro, em Eurico Salles, Number One Chicken, em Hélio Ferraz, e Gringo Burger, em Parque Residencial Laranjeiras. Na Capital, no Rock Burger e no Tobayo Asian Food, em Jardim Camburi, Shopping Vitória, na Enseada do Suá, McDonalds, no Centro, e Minuano, em Jardim da Penha. Ao contrário da paralisação ocorrida em 1º de março, a do dia 31 não contará com uma motociata. Novamente a manifestação é organizada de forma independente. Uma das lideranças, Paulo Henrique França, informa que a pauta é a mesma do protesto feito no início do mês, mas agora acrescentaram mais uma, que é o diálogo com os trabalhadores para um possível projeto de regulamentação dos entregadores por aplicativo em veículos de duas rodas. A categoria acredita que, com o envio para o Congresso Nacional do projeto de lei que trata da regulamentação do trabalho dos motoristas por aplicativo, em 4 de março, o mesmo será feito com os trabalhadores de veículos de duas rodas. Por isso, eles querem participar da construção da proposta. Quanto às reivindicações com foco no Ifood, uma delas é a construção de um ponto de apoio com local para o motoboy esquentar a comida e utilizar o banheiro. De acordo com Paulo, algumas sugestões de local para isso são André Carloni, na Serra, e Camburi, na Capital, por serem lugares acessíveis aos motoboys que moram em ambos municípios. Outra reivindicação é o aumento da taxa mínima de recebimento de R$ 6,48 para R$ 10,00. Além disso, os trabalhadores pleiteiam shoppings com hub, ou seja, um espaço com funcionários que possam pegar as encomendas nos estabelecimentos para entregar aos motoboys. Paulo afirma que, hoje, os trabalhadores têm que deixar a moto sozinha, sem nenhuma vigilância, do lado de fora do estacionamento, e ir até o estabelecimento pegar a encomenda, o que é um trajeto longo. Eles temem que, nesse intervalo de tempo, a moto seja roubada. Os motoboys também querem mudanças no que diz respeito ao pagamento da rota de devolução, que é o trajeto de retorno ao estabelecimento comercial para devolver o produto no caso de não encontrar o cliente. A reivindicação é que o valor seja o mesmo pago para o trajeto feito na tentativa de entrega. Contudo, segundo Carlos, o montante pago remonta a cerca de 50% desse valor. Em caso de cancelamento do pedido caso o motoboy já esteja a caminho da entrega, o trabalhador não recebe nada, mas os entregadores defendem o direito de receber o valor estipulado. Paulo aponta, ainda, que outra reivindicação é o fim da punição por rejeição de corrida, já que, dependendo do horário e do local onde o cliente está situado, o motoboy algumas vezes recusa a corrida por questão de segurança. Se isso se repetir por quatro vezes, o trabalhador fica 15 minutos sem receber nenhuma chamada para entrega. Outra reivindicação que tem como preocupação a questão da segurança é a redução do tempo de espera para falar com o suporte do Ifood. Paulo explica que quando o cliente não aparece para buscar o produto, o motoboy entra em contato com o suporte para que o cliente seja acionado pela empresa. O trabalhador pode contatar o suporte somente após sete minutos de espera, período que almejam que seja reduzido para três, já que, em alguns lugares, consideram perigoso esperar por muito tempo. Uma das empresas que mais atendem pedidos por meio do Ifood no Espírito Santo é o McDonalds, como informa Paulo. A reivindicação dos trabalhadores é que, nas entregas em que há pedido de refrigerante, a bebida seja em lata, não no copo, pois o líquido derrama, gerando insatisfação aos clientes, que acabam, muitas vezes, avaliando de forma negativa o entregador. Com avaliações ruins, o trabalhador tem menos corridas direcionadas para ele. Não é a primeira vez que os motoristas de aplicativo realizam manifestações no Espírito Santo. Em fevereiro de 2022, trabalhadores que fazem entrega pelo Ifood realizaram uma paralisação, durante um final de semana. Eles não fizeram entregas de delivery e realizaram protestos pelas ruas da Capital para reivindicar melhores condições de trabalho. A concentração foi em frente à Academia Ponto 1, na Praia do Canto, com paradas no Shopping Vitória, Mc Donald’s, Burger King e Master Place, esses três últimos, situados na avenida Reta da Penha. Esses locais foram escolhidos por serem os que mais recebem pedidos por meio da plataforma digital. Em cada ponto, os trabalhadores mobilizaram colegas para a adesão ao movimento. Em 2020, houve uma paralisação nacional da categoria no mês de julho, que teve adesão no Espírito Santo. Na ocasião foi realizado um ato em Vitória com concentração na Praça dos Namorados, de onde seguiram até a Assembleia Legislativa. Entregadores por aplicativo impedem coleta de encomendas em shoppings Encomendas feitas via Ifood não puderam ser retiradas nos shoppings Mestre Álvaro, Vitória e Moxuara https://www.seculodiario.com.br/direitos/entregadores-por-aplicativo-impedem-coleta-de-encomendas-em-shoppings Motoristas por aplicativo do Estado querem debate sobre regulamentação Projeto encaminhado por Lula ao Congresso cria o trabalhador autônomo por plataforma https://www.seculodiario.com.br/direitos/motoristas-por-aplicativo-querem-audiencia-publica-sobre-regulamentacao Entregadores de aplicativo de entrega fazem manifestação em Vitória Grupo aderiu à paralisação nacional com ato que saiu da Praça dos Namorados até a Assembleia Legislativa https://www.seculodiario.com.br/direitos/entregadores-de-aplicativo-de-entrega-fazem-manifestacao-em-vitoria Motoristas do Ifood fazem paralisação em Vitória neste final de semana Também serão feitos protestos nos estabelecimentos que recebem mais pedidos por meio da plataforma digital https://www.seculodiario.com.br/direitos/trabalhadores-que-fazem-entrega-pelo-ifood-farao-paralisacao-neste-final-de-semana
Servidores do Ifes sinalizam greve para o início de abril
Indicativo foi aprovado em plenária nacional. No Espírito Santo, uma assembleia vai discutir a decisão Os técnico-administrativos e docentes dos institutos federais (Ifes) aprovaram indicativo de greve para o dia 3 de abril. A deliberação foi feita em plenária realizada nesse final de semana (16 e 17), organizada pelo Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) e da qual participaram servidores de todo o Brasil, inclusive representantes da categoria no Espírito Santo. A base do Sinasefe Ifes, sindicato que representa os técnicos e docentes no Estado, já havia aprovado o indicativo de greve para a Campanha Salarial 2024. Agora, com a aprovação na plenária nacional, os servidores se reunirão em assembleia, cuja data ainda não está marcada, para ratificar ou não a decisão. A expectativa, segundo o diretor do Sinasefe Ifes, Marcus Podestá, é de que a decisão da plenária nacional seja aprovada pelos servidores no Estado, que em 7 de março, também em assembleia, defenderam a realização da greve. As reivindicações dos trabalhadores são recomposição salarial, reestruturação de carreira para os técnico-administrativos e recomposição orçamentária e de pessoal. Marcus informa que a defasagem dos técnicos é de 34% e a dos docentes é de 22%. Os servidores reivindicam reajuste salarial equivalente a essas porcentagens. Ele destaca que os trabalhadores estão abertos à negociação, mas não aceitam é 0% de reajuste em 2024 e 2,5% em 2025 mais 2,5% em 2026, que é a proposta do Governo Federal. A reestruturação da carreira dos técnicos tem como um dos objetivos pôr fim a distorções e sugere a unificação dos níveis. Marcus exemplifica com os níveis B, referente aos servidores com ensino fundamental, e C, que abarca os de nível médio. Ele explica que as funções a serem exercidas são as mesmas, mas os salários, diferentes. Nesse caso, a sugestão é unificar os níveis e manter, para todos, o salário de nível médio. A recomposição orçamentária e de pessoal leva em consideração o lançamento do plano de expansão da Rede Federal de Educação, com a criação de 100 novos campi de Institutos Federais no Brasil, sendo um em Muniz Freire, sul do Espírito Santo. Marcus destaca que no plano não há o número de vagas para técnico-administrativos a serem criadas. Caso os trabalhadores do Ifes iniciem de fato uma greve em abril, será mais um passo para fortalecer, no Espírito Santo, o que os trabalhadores dos institutos e universidades federais têm chamado de greve nacional da educação, que é a paralisação das atividades nessas instituições de ensino em todo o país. Os técnico-administrativos das universidades federais já paralisaram. Na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), a greve deles teve início na última quarta-feira (13). Demandas Os técnico-administrativos da Ufes reivindicam reajuste salarial de 34,32%, divididos em cerca de 10% nos anos de 2024, 2025 e 2026. Contudo, o Governo Federal não sinalizou possibilidade de reajuste para o ano de 2024 e acenou para um reajuste de 4,5% nos anos de 2025 e 2026. Os servidores também reivindicam reestruturação da carreira, já que vários cargos foram extintos, o que impossibilita a realização de concurso público. Nesta quinta-feira (21), a possibilidade de entrar em estado de greve será votada pelos professores da Ufes em assembleia às 16h, na sede da Associação dos Docentes (Adufes). A categoria pleiteia, em todo o país, 22,71% de reajuste salarial em três parcelas iguais de 7,06%, nos meses de maio de 2024, 2025 e 2026. Outra reivindicação não atendida foi a realização do “revogaço” das medidas do Governo Bolsonaro, como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 32, que trata da reforma administrativa, que ainda tramita no Congresso Nacional. Os docentes também reivindicam a reestruturação de suas carreiras. Soma-se a esse cenário, segundo a Adufes, a precarização das condições de trabalho e o subfinanciamento das universidades federais, institutos federais e centros federais de educação tecnológica, já que estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), aponta que 100% das universidades federais receberam, entre 2010 e 2022, valores inferiores ao necessário para manter o patamar de despesas por matrículas. O indicativo de greve será votado por professores de universidades federais de todo o Brasil. O posicionamento das bases será encaminhado para a plenária do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), na próxima sexta-feira (22), na qual a discussão sobre a realização da greve será feita. Técnico-administrativos da Ufes iniciam greve nesta quarta-feira Comando de greve ainda vai discutir quais são as atividades essenciais da universidade federal https://www.seculodiario.com.br/educacao/tecnico-administrativos-da-ufes-iniciam-greve-nesta-quarta Professores da Ufes discutem indicativo de greve na próxima semana Categoria cobra reajuste de 22,7%; revogação de medidas do Governo Bolsonaro; e fim da precarização https://www.seculodiario.com.br/educacao/professores-da-ufes-discutem-indicativo-de-greve-na-proxima-semana
Enredo às avessas
Acenos de Vidigal e Weverson a Audifax criam um cenário intrigante na Serra. Vai explicar… Redes Sociais O ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos (PP) há meses colocou o bloco na rua para tentar voltar ao cargo após vitória em outubro deste ano. Como ocorre em todo pleito, mirou logo de cara no seu principal adversário político, o atual prefeito Sergio Vidigal (PDT), e assim vem disparando críticas à gestão municipal, em diversas áreas, incrementadas com um comparativo aos seus períodos de mandato. O enredo, já conhecido do eleitorado e mercado político, devido aos 20 anos de alternância de poder entre os dois grupos, ganhou um elemento inusitado nesse sábado (16), durante o aguardado anúncio do pupilo de Vidigal, Weverson Meireles (PDT), como seu sucessor. Os dois acenaram para a possibilidade de firmar aliança com Audifax, para derrotar o deputado estadual Pablo Muribeca (Republicanos), oposição ferrenha a Vidigal e que já protagoniza duros embates contra ele, inclusive no campo judicial. A considerar somente esse ponto, a aliança poderia ser lucrativa, caso conseguisse, de fato, somar os votos de ambos os eleitorados. Mas, se fosse imediata, quem abriria mão da cabeça de chapa? Se não, caberia uma união no segundo turno? Só sei que, depois de tanta guerra, não seria nada simples explicar a esses mesmos eleitores a impensável convergência. E como deletar, também, a estratégia defendida com unhas e dentes até agora? Tudo bem que as nuvens da política são, muitas vezes, surpreendentes, mas como se diz no linguajar popular: “papo esquisito”… Fora do circuito O evento desse sábado confirmou o que já circulava nos bastidores, de que a decisão de Vidigal tem motivação familiar. A ex-deputada federal Sueli Vidigal, sua mulher, está com câncer no rosto e submetida a tratamento, como ambos explicaram durante o anúncio, que contou ainda com filhos e netos do prefeito. Fora do circuito IISendo assim, afasta-se de vez a possibilidade de Vidigal assumir o palanque lá na frente, como era ventilado nas rodas políticas, caso Weverson não conseguisse ganhar tamanho até as definições de candidaturas. Mudanças de plano, agora, somente se vingarem as próximas negociações eleitorais. MarcasO pupilo de Vidigal, que dirige o PDT no Estado, vem com a aposta de “sangue novo” e “juventude” – ele acaba de fazer 33 anos, assim como Muribeca –, além de profundo conhecedor da gestão municipal e da Serra. Ele ainda não foi testado nas urnas, enquanto Muribeca foi vereador e saltou para a Assembleia Legislativa. Alvo centralA considerar o quadro atual, sem os acenos de Vidigal para Audifax, o tabuleiro se desenha “todos contra a atual gestão”, embora o ex-prefeito também volte sua mira para o deputado, devido às ações midiáticas e uso no mesmo tom das redes sociais – ponto em comum com a dupla Vidigal/Weverson. ‘Cri, cri, cri’…As declarações do evento do PDT, que repercutem nos meios político, não obtiveram, por ora, sinais trocados de Audifax. As redes sociais do ex-prefeito ficaram em silêncio absoluto nesse final de semana e nesta segunda-feira (18). De olho nas próximas cenas! Atualização: horas depois de publicada esta coluna, Audifax reproduziu matéria do jornal local Tempo Novo, no Instagram, em que prestou solidariedade a Sueli e se disse disposto ao diálogo. OficialJá no terreno eleitoral de Vila Velha, o ex-secretário de estado de Segurança, coronel Alexandre Ramalho, partiu para Brasília nesta segunda-feira. A expectativa é de que sacramente sua filiação ao PL, contando com a presença do ex-presidente Jair Bolsonaro. Mais candidaturasA propósito, já está por lá e posou para foto com o ex-presidente, a candidata à Prefeitura de Vila Pavão, Mônica Ziviani. Ela é servidora pública e se declara “cristã” nas redes sociais. O anúncio do palanque foi feito pelo senador Magno Malta, que também marcou a filiação do prefeito de São Gabriel da Palha, Thiago Rocha, eleito pelo PSL, que se fundiu ao DEM e virou União Brasil. Passa nadaO presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (Podemos), explora as redes sociais para tentar colher o bônus, na área da direita e bolsonarista, do processo que decidiu pela liberdade da prisão do deputado Capitão Assumção (PL), candidato à Prefeitura de Vitória. Ele não perde uma oportunidade! Nas redes“Minha solidariedade à ex-deputada Sueli Vidigal. É importante reconhecer que as diferenças políticas devem ficar de lado diante de questões de saúde. Que Deus acompanhe Sueli e sua família neste momento”. Muribeca, deputado pelo Republicanos, em mensagem nesta segunda, dois dias após evento do PDT que informou sobre câncer da mulher de Vidigal. FALE COM A COLUNA: medeirosmanaira@gmail.com Contra a parede Enquanto Vidigal segura decisão, principais adversários oficializam palanques e estratégias na Serra https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/contra-a-parede-1-1 Campo de batalha – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/campo-de-batalha Munição recarregada – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/municao-recarregada
Comunidade escolar quer diagnóstico da realidade dos estudantes de Tabuazeiro
José Carlos acionou o MPES para obter informações sobre demanda e busca por matrículas O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) foi demandado pela comunidade escolar do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Jacy Alves Fraga, em Tabuazeiro, Vitória, para solicitar à gestão de Lorenzo Pazolini (Republicanos) informações sobre o número de estudantes que aguardam vagas para o tempo integral e a quantidade daqueles que não puderam estudar no tempo integral e precisaram serem transferidas de unidade de ensino. Também são solicitadas informações sobre o que a prefeitura tem feito para garantir a locomoção das famílias de baixa renda que tiveram que matricular seus filhos em unidades de ensino de outros bairros quando foi anunciado o fim do tempo parcial no CMEI, pois não queriam ou não podiam colocar no integral. O pedido, afirma José Carlos Durans, representante da comunidade escolar, foi feito como forma de obter números que possam auxiliar na mobilização em prol da criação de um CMEI parcial ou híbrido, já que muitos responsáveis não conseguiram matricular seus filhos no Jacy em 2024, pois ele se tornaria integral e não queriam ou não podiam inserir as crianças nessa modalidade de ensino. Leonardo Sá A solicitação das informações foi feita após o MPES pedir que José Carlos se manifestasse a respeito das informações apresentadas pela Secretaria Municipal de Educação (Seme) sobre a unidade de ensino. Essas informações foram encaminhadas pela pasta devido à instauração de inquérito civil depois da realização do abaixo-assinado feito pela comunidade escolar reivindicando a criação de um CMEI em tempo parcial e/ou híbrido em Tabuazeiro. As informações dadas pela prefeitura, aponta José Carlos, são insuficientes. No documento encaminhado ao MPES no início de janeiro, a Seme aponta, por exemplo, que “o CMEI possui crianças provenientes de cinco bairros do município. Porém, das 169 crianças que poderão dar continuidade ao seu processo de escolarização em 2024, 139 (82,24%) são moradores de Tabuazeiro, bairro de localização da unidade de ensino”. Diz, ainda, que “a fim de garantir um espaço amplo e que atenda todas as necessidades do CMEI, está sendo construída uma nova sede e a entrega está prevista para a partir do 2º semestre do ano de 2024, com a oferta do ensino em tempo integral. Ademais, vale dizer que o percentual de rematrícula no referido CMEI foi de 97,62% e a adesão ao Tempo Integral de 79,32%”. Obras A prefeitura anunciou, recentemente, que 75% das obras foram realizadas e que a previsão de conclusão é para o primeiro semestre deste ano, possibilitando que o número de alunos passe de 231 para 540. Ainda de acordo com a gestão de Pazolini, o novo CMEI terá duas salas para grupos 1, 2 e 3, com banheiro próprio, refeitório, pátio coberto, solário para os bebês, salas de Artes, recursos multifuncionais e leitura e três salas-ambiente, recepção de pais, secretaria, área administrativa e pedagógica e duas salas de maternal. Marcos Salles/PMV HistóricoEm 2023, a Seme anunciou que no ano seguinte o CMEI passaria a ser de tempo integral. Contudo, a comunidade foi pega de surpresa, na semana do retorno às aulas, com um comunicado de que a unidade de ensino não mais ofertaria o tempo integral no primeiro semestre. O período parcial foi mantido neste semestre, pois as obras da nova escola não foram concluídas, portanto, o integral será implementado somente em julho. A oferta de aulas em período integral foi questionada pela comunidade escolar no final de 2023, que apontou falta de diálogo quanto à decisão e reivindicou a possibilidade de manutenção do parcial nos turnos matutino e vespertino. Diante da mobilização, a Seme anunciou que os estudantes teriam a opção de se matricular no modelo parcial, somente no horário da manhã, que seria oferecido junto com o integral no novo prédio construído para abrigar a unidade de ensino. Conforme divulgado pela pasta na ocasião, seria adotada uma transição, ou seja, novos alunos não poderiam se matricular no parcial, somente os que já estudam no CMEI. Assim, com o passar do tempo, as turmas iriam diminuindo, restando somente a opção pelo período integral. Aulas em período integral no CMEI de Tabuazeiro não começam neste mês Comunicado aos pais informa que o início será somente no segundo semestre, pois o prédio novo não está pronto https://www.seculodiario.com.br/educacao/aulas-em-periodo-integral-no-cmei-de-tabuazeiro-nao-comecam-neste-mes Turmas parciais serão mantidas no CMEI de Tabuazeiro no turno matutino Anúncio foi feito por Anderson Goggi e Juliana Roshner. Comunidade queria o parcial também no vespertino https://www.seculodiario.com.br/educacao/modelo-parcial-sera-mantido-no-cmei-de-tabuazeiro-no-horario-matutino
Índice de Interesse aponta tendência de queda de casos de dengue no Estado
Laboratório da Ufes prevê possível incidência da doença a partir de buscas pelo assunto na internet O número de buscas na internet relacionadas ao termo “dengue” por moradores do Espírito Santo teve uma queda nas últimas semanas, e isso deverá se refletir nos próximos boletins de notificações da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Essa é a conclusão firmada a partir das informações do Painel de Monitoramento do Índice de Interesse por Dengue do Escritório de Dados, projeto de extensão ligado ao Laboratório das Cidades da Universidade Federal do Espírito Santo (LabCidades). Pesquisas científicas apontam que há uma correlação direta entre o aumento nas buscas na internet por um determinado tipo de doença e o crescimento das notificações dessa mesma enfermidade. Com isso, o painel de monitoramento consegue indicar tendências de queda ou crescimento, com cerca de 15 dias de antecedência. O trabalho é realizado em parceria com o governo do Estado, por meio da Secretaria da Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional (Secti). A ferramenta coleta informações dos 49 municípios atualmente abarcados pelo aplicativo Google Trends, reconstrói séries históricas e desenvolve algoritmos para atualizar as informações de forma automática. No site do painel, além dos dados do conjunto de municípios, é possível ver as informações específicas de cada cidade. De acordo com os dados, na primeira semana de janeiro deste ano, o índice de interesse em dengue no Espírito Santo foi de 13,49. Já nos sete dias entre 25 de fevereiro e 2 de março, esse mesmo índice chegou à média de 127,33, um aumento de 943%. Nesse mesmo período, as notificações de casos da doença cresceram 1.167%, levando o governo estadual a decretar Situação de Emergência em Saúde Pública. Reprodução/LabCidades Em uma mudança de tendência, na semana de 3 a 9 de março, o índice de interesse foi de 115,94 (-8,94%), e na semana passada (10 a 17), o índice chegou a 92,26 (-20,43%). No décimo Boletim Epidemiológico de 2024 da Secretaria de Estado de Saúde (Sesa), o último publicado até agora, o número de notificações de casos de dengue no Espírito Santo foi de 16,3 mil, um crescimento de 1,82% em relação aos sete dias anteriores. Apesar do aumento, o número representa uma estabilização na propagação da doença, tendo em vista que essa elevação já passou de 200% em semanas anteriores. Professor do Departamento de Economia (DE) da Ufes e coordenador do estudo, Everlam Montibeler explica que é mais rápido saber identificar as tendências de queda por meio do interesse na doença, uma vez que as notificações demoram mais tempo até serem computadas. “Uma pessoa que começa sentir sintomas da doença hoje, já faz uma pesquisa na internet logo em seguida. Mas, até ela ir ao posto de saúde, demora de três a cinco dias, e a notificação leva mais uma semana até ser incluída. Portanto, a gente consegue monitorar as tendências com antecedência, e isso serve como um alerta para as autoridades, facilitando na adoção de políticas públicas”, afirma o professor. Apesar desse monitoramento, Montileber ressalta que é cedo para apontar cenários futuros da doença no Espírito Santo. “Se essa queda que nós identificamos no índice de interesse é definitiva, ainda não sabemos. Mas há uma correlação clara entre o aumento da propagação e as buscas por informações. Quando começaram a aumentar os casos, nós identificamos a tendência no painel”, relata. O trabalho no painel de monitoramento começou a ser realizado no ano passado, mas só se tornou público em 2024. O objetivo do LabCidades é utilizar a tecnologia para identificação do interesse também em outras doenças como zika e chikungunya. Aumento dos casos de Dengue faz governo decretar emergência no Estado – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/saude/centro-ira-integrar-diversos-setores-no-combate-a-dengue-no-espirito-santo
Com nova gestão, salários em hospital de Itapemirim continuam atrasados
Rafaela Abdon, secretária municipal de Saúde, atribui situação à empresa que saiu da administração No início deste mês de março, a Prefeitura de Itapemirim, no litoral sul do Estado, decidiu trocar a administração do Hospital Materno Infantil Menino Jesus: saiu o Instituto Vida Salus, entrou o Marfran Instituto e Gestão em Saúde. Entretanto, permanece uma situação que se tornou recorrente na unidade: o constante atraso no pagamento dos salários dos funcionários. Segundo pessoas que atuam no hospital, ainda não foi pago o salário referente ao mês de fevereiro. Há um boato de que uma greve se iniciaria a partir desta terça-feira (19), mas pessoas próximas aos trabalhadores do hospital ouvidas por Século Diário, disseram desconhecer tal movimento. Divulgação/CMI O não pagamento da remuneração dos funcionários referente ao mês de fevereiro se deve ao não repasse da verba referente ao contrato ao Instituto Vida Salus, que ainda terá que dar baixa na carteira dos funcionários. A secretária municipal de Saúde, Rafaela Abdon, atribui a situação ao próprio Instituto Vida Salus. “O prestador que saiu precisa encaminhar a folha de pagamento tanto de CLT [Consolidação das Leis do Trabalho] quando de Pessoa Jurídica [PJ], e eles não encaminharam ainda. Ficaram de encaminhar ainda hoje [segunda, 18], estamos aguardando. Como vou pagar uma coisa que eu não sei, ainda mais indenização?”, afirma Rafaela Abdon. Questionada sobre o fato de os atrasos terem se tornado uma rotina no hospital, a secretária, mais uma vez, culpou a gestão anterior da unidade. “O Vida Salus alegava que tinha um acordo de pagamento para receber sem executar. E a gente sempre pagou no quinto dia útil, ou seja, você executa o serviço e recebe no quinto dia útil. Então, eles falavam que não tinha esse acerto de valores. O que dá a entender é que eles não tinham capital de giro, e aí aguardavam o repasse da prefeitura para pagar os funcionários”, comenta. Sobre a troca na gestão, ela afirma que foi feita por conta de irregularidades apontadas pelo Ministério Público do Estado (MPES). “O pagamento do valor referente ao piso da enfermagem não era no mês correto. A gente fazia o repasse e eles não pagavam os funcionários”, afirma. O contrato com a Marfran é de R$ 16,2 milhões, válido por seis meses ou até que o chamamento público para uma nova empresa seja feito. De acordo com Rafaela Abdon, os procedimentos jurídicos para a realização do chamamento estão em andamento na administração municipal. Ela foi convocada pela Câmara de Vereadores para explicar a mudança repentina de gestão no Hospital Menino Jesus, o que está marcado para ocorrer no próximo dia 27. Antes disso, ela havia sido convidada, mas não apareceu. Cabo de guerra A troca na gestão é resultado de um cabo de guerra entre o Instituto Vida Salus e a prefeitura iniciado no fim do ano passado, que envolve denúncias de supostas irregularidades, de um lado, e cobranças dos valores acordados em contrato, do outro. Em de 13 de novembro passado, o Instituto Vida Salus foi notificado pela administração municipal de um processo de investigação de supostas irregularidades no fornecimento do serviço, que poderia resultar na rescisão do contrato antes mesmo do encerramento. Naquela época, Rafaela Abdon havia acabado de assumir a pasta – de acordo com os bastidores políticos, indicada ao cargo pelo deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (Podemos). Em sessão na Câmara de Itapemirim no ano passado, Abdon alegou que as irregularidades incluíam número de atendimentos de exames e da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) abaixo da meta do plano de trabalho; atraso nas compras de medicações; relatórios de prestação de contas atrasados; e problemas em questões sanitárias no setor de hemodiálise, apontados pela Vigilância Sanitária estadual. Em 24 de novembro, o diretor do hospital, Jefferson Guisso Neves, enviou um ofício à Câmara de Vereadores apontando atrasos constantes nos repasses por parte da gestão do prefeito Doutor Antônio, que durariam, em média, 40 dias. O contrato previa 12 parcelas mensais de cerca de R$ 2 milhões, num total de pouco mais de R$ 25 milhões. Algumas semanas depois, em prestação de contas na Câmara, Jefferson não mencionou nem foi questionado sobre o ofício. Na ocasião, ele apenas afirmou que os questionamentos sobre supostas irregularidades tinham sido respondidos e que os pagamentos do hospital estavam em dia. No início de janeiro, a gestão municipal repassou as últimas parcelas do contrato com o Instituto Vida Salus, possibilitando quitar as pendências com os médicos, relativas aos salários de novembro e dezembro de 2023. Havia a possibilidade de paralisação nos serviços, caso os pagamentos não fossem feitos. Em fevereiro, com o instituto já sem contrato, mas ainda atuando, houve novo atraso nos pagamentos, que só se regularizaram em 23 de fevereiro. Hospital Menino Jesus, em Itapemirim, terá troca na gestão Novo contrato pegou de surpresa o instituto que administra a unidade desde o ano passado https://www.seculodiario.com.br/saude/hospital-menino-jesus-em-itapemirim-tera-troca-na-gestao Salários de profissionais de hospital em Itapemirim voltam a atrasar Pagamentos previstos para quinto dia útil de fevereiro começaram a ser feitos apenas nessa sexta-feira https://www.seculodiario.com.br/saude/salarios-de-profissionais-de-hospital-de-itapemirim-voltam-a-atrasar-1 Hospital de Itapemirim inicia o ano com incertezas sobre gestão e salários Contrato com instituto ainda não foi estendido; médicos se organizam para cobrar pagamentos atrasados https://www.seculodiario.com.br/saude/hospital-de-itapemirim-inicia-o-ano-com-incertezas-sobre-gestao-e-salarios
Estado hipocritamente inerte
Os prejuízos em nome do preconceito Uma boa análise quanto ao perfil dos encarcerados e encarceradas no Brasil é suficiente para revelar a hipocrisia social e a consequência desastrosa, tanto para milhares de famílias afetadas diretamente quanto para a sociedade, mas piora muito quando se percebe, além da condição social dos encarcerados, os motivos principais do encarceramento.Pelas estatísticas oficiais, o maior motivo de encarceramento no Brasil é o tráfico de drogas, com 28%. Isto significa que temos hoje perto de 280 mil pessoas encarceradas por esse crime. Se analisarmos pela ótica do estado kantiano, onde o cidadão é o próprio autor da lei, fica muito fácil perceber a hipocrisia. Crimes de maior prejuízo ao Estado, principalmente como a corrupção da coisa pública, o estelionato, a fraude eleitoral, as fobias criminosas, dentre outros, que trazem prejuízos enormes à população, estão sempre justificados, mascarados e com réus absolvidos mais cedo ou mais tarde. Enquanto isso, são fartas as histórias de pessoas encarceradas pelo porte de pequenas quantidades de drogas, que após passarem muito tempo em prisão provisória, são condenadas a longos anos de prisão. Essas pessoas têm pouquíssima chance de retornar ao convívio social com sucesso. Primeiro pelo preconceito da sociedade com o histórico de encarceramento, depois pela convivência no presídio, que resulta numa afinação com os regulamentos do mundo do crime e aproximação às suas conexões, o que se torna a única coisa concreta que lhe resta quando sua liberdade “canta”. Assistindo ao debate estabelecido entre o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF) e, tendo a clareza de entender que um cria as leis e o outro administra suas consequências na execução; apurando um pouco mais a análise, pode-se enxergar que é na execução das leis e reflexão de suas consequências na sociedade que se pode ir aperfeiçoando-as e ajustando-as melhor à vida cotidiana. Me parece ser a própria função do Judiciário na organização da vida numa sociedade democrática, afinal, é lá que chega a necessidade de julgar os cidadãos e cidadãs “infratores” da lei, bem ou mal redigida e aprovada. Com as estatísticas apresentadas, está mais do que claro que alguma coisa está desajustada na lei com relação ao crime de tráfico. Enquanto o Judiciário se encontra imprensado pela cegueira da lei e tenta abrir espaço para o bom senso e a justiça ao indivíduo, o Congresso “joga para a galera”. Populista, ele se utiliza do discurso fácil, sensibilizando o fundamentalismo, despertado utilitária e raivosamente nos últimos anos, e posa de moralista. Naturalmente, o problema se agrava tendo em vista que o discurso fácil é fértil à multidão insensata, privada das oportunidades, da educação e da cultura, que vive em um mundo fechado pelo preconceito e “valores sociais”, sem uma compreensão e crítica de suas origens e da hierarquia de poder estabelecida. Por fim, tenho abordado constantemente por aqui o conflito entre o cidadão e o indivíduo. Um, agrilhoado aos regulamentos da vida em sociedade, e o outro, todo potência, necessitado de se atualizar (se tornar ato). Nesse arranjo, cabe ao Estado administrar a vida em sociedade, do ser social – o cidadão e cidadã – sem ferir a autonomia do indivíduo. O que ele come, bebe, fuma, cheira, a forma com que se satisfaz sem incomodar “de qualquer forma” o outro, não diz respeito ao Estado. A humanidade passou por tanta mudança radical no convívio social – só para não esquecer: o medievo, o fim da escravização, a queda do sutiã, a posse da própria identidade de gênero, os modelos civilizatórios, a política, a religiosidade, o antirracismo, etc., etc. –, que se encontra apta à compreensão da urgente necessidade de enfrentar o preconceito e mudar a compreensão da sociedade em relação ao existente trânsito abundante das drogas na sociedade e a tipificação disto como “crime de tráfico” sem resultados concretos, com esse nível de encarceramento (e suas consequências), e altíssimo custo para as famílias e a sociedade. Everaldo Barreto é professor de Filosofia
‘A solução para a educação especial é cumprir a lei’, afirma mãe de PCD
Hilde Helene Jordão acionou o MPES, mais uma vez, para ter os direitos da filha assegurados em Afonso Cláudio Leonardo Sá Depois de vencer, junto com sua comunidade, uma enorme batalha contra o êxodo rural e conseguir manter o ensino médio noturno na comunidade rural onde vive, no interior de Afonso Claudio, na região serrana do Estado, Hilde Helene Christiansen Jordão, mãe de duas pessoas com deficiência (PCDs), trava agora uma luta ainda mais longa para garantir minimamente os direitos educacionais de sua filha mais velha. Com 32 anos, a jovem Silvana está no quinto ano e ainda não foi alfabetizada. A prefeitura, afirma Hilde, envida esforços sistemáticos para tirá-la da escola regular, seja forçando sua aprovação para que ela conclua o ensino fundamental mesmo sem condições, seja para que ela vá para uma instituição especializada em PCDs, na sede do município. “A dificuldade de criar duas crianças especiais, eu só tive ideia quando adotei as duas. Parece que as pessoas querem pisar cada vez mais em você. Não fossem já as dificuldades e lutas que a gente tem no dia a dia para criar essas crianças, a prefeitura vem e coloca cargas tão pesadas! Em vez de ajudar, parece que quer tornar a vida da gente cada vez mais pesada. A gente como mãe também sofre bullying, mas logicamente a gente nunca tem razão. A gente que é ‘burro’, ‘não sabe nada’, tem que ‘baixar a cabeça’ e ‘murchar as orelhas”, lamenta. Hilde afirma que a prefeitura trata as mães, principalmente as mais humildes, muito mal. “Massacram”, denuncia. “Vocês não têm que dar opinião sobre o que nós fazemos com os seus filhos”; “nós somos formados e sabemos o que fazer”, afirma, são frases ouvidas com frequência. Ela conta que testemunha muitos casos de estudantes sem deficiência cujas mães reclamam que estão no sétimo, oitavo ou até nono ano e não sabem ler direito, nem fazer conta, mas que chegam a receber certificado de conclusão do ensino fundamental. “Quando ele recebe o certificado, nunca mais poderá entrar no ensino fundamental de novo e aprender o que ele nunca teve a chance de aprender. Esses estudantes são descartados”, repudia. No seu caso, mesmo sendo mais conhecedora das leis e direitos, as violações também acontecem. “Eu também já sofri essa pressão, a ponto de chegarem para mim e dizer ‘você não sabe nada, nós sabemos o que é bom para ela. Com as suas falas você está prejudicando a sua filha, está negando a ela o direito de participar do sexto, sétimo, oitavo ano’”. A negativa em dialogar com as famílias, alerta, é muito mais do que falta de consideração, é violação de direito. “A lei afirma que as famílias devem ser consultadas sobre qualquer decisão importante que seja tomada sobre os estudantes. Mas isso nunca acontece”. O cumprimento da lei, sublinha, é pelo que ela mais tem lutado. “A solução é cumprir a lei. A lei é maravilhosa. Se a legislação for cumprida, vai ser uma maravilha para as crianças”. Esse cenário, no entanto, está muito distante da realidade. “A Silvana nunca teve plenamente acessados os direitos dela. Até amarradas minhas filhas foram por uma professora, anos atrás. Colocaram fita crepe na boca delas. Hoje essas coisas não acontecem, mas os direitos continuam não sendo garantidos”. Basicamente, resume Hilde, a Silvana tem tido negado o direito de continuar na escola até ser alfabetizada e estar em um espaço, na escola, onde ela entenda o que está sendo ensinado pelos professores. O motivo, explica, é que sua filha é mantida na sala regular sem que haja qualquer adaptação real do conteúdo, fazendo com que ela não compreenda nada, continue sem alfabetização e, mesmo assim, seja aprovada e passe para os anos seguintes do ensino fundamental. “Discriminação é crime, dá cadeia. Estão doidos para tirar minha filha da escola, mas eu não vou deixar”, afirma. A real adaptação não acontece, avalia, porque não há professores especializados em número suficiente para dar a atenção necessária a cada um dos estudantes com deficiência, havendo muitos cuidadores e estagiários que não estão suficientemente preparados para esse trabalho. E o Atendimento Escolar Especializado (AEE) acontece também de maneira imprópria. Uma experiência de sucesso de Educação Especial, que se assemelha ao que Hilde reivindica para sua filha, a reportagem de Século Diário encontrou em Santa Maria de Jetibá, também na região serrana. Ela conta que o cenário só se agrava. “A situação aqui na escola está cada vez pior. Se fosse falar mesmo tudo o que está errado, teria que fazer muitas reportagens. Infelizmente não é só em Afonso Cláudio, é em grande parte dos municípios do Brasil. Eles [os gestores] fazem o que é bom para eles, independente do que a lei diz e do que é bom para as crianças”. Um dos exemplos mais dramáticos é o AEE. “Querem que a gente aceite que a sala de recursos funcione no turno. A lei é clara de que tem que ser no contraturno. Eu não posso assinar um papel aceitando que seja no turno. Quem fica no turno é a professor regular, não é o pessoal do AEE. Os estudantes especiais estão perdendo aula porque estão sendo tirados da aula para ter esse reforço, que eu nem sei se resolve alguma coisa”, descreve. Em sua última solicitação ao Ministério Público Estadual (MPES), na figura do promotor de Justiça Valtair Lemos Loureiro – “que já fez tanto pela gente, conseguiu manter o ensino médio aqui, conseguiu que Silvana voltasse para a escola, depois de seis anos que não deixaram ela estudar” –, ela faz seis pedidos. Primeiro, que possa participar das reuniões pedagógicas e outras que envolvam decisões importantes sobre a vida escolar da Silvana. “Quero contribuir com minha experiência”, argumenta, com base em muitos anos dedicados à alfabetização de jovens e adultos e também de crianças e adolescentes, seja como voluntária ou como professora, quando foi aprovada no concurso público municipal. O segundo, “que seja feita uma avaliação da Silvana para ver o nível real do seu aprendizado e que
Espécies em extinção
Os que ainda não sumiram das listas de compras, estão na das espécies em perigo de extinção Embora a sentença de morte súbita e inapelável já tenha sido decretada, temos essa tendência de nos agarrarmos ao que amamos, e as perdas, mesmo antecipadas, são sempre dolorosas. Afinal, foi um relacionamento constante e duradouro: mais de 50 anos juntos. Ai dos vencidos!, disse o general que perdeu a guerra. Difícil imaginar que, no final da sanguinolenta batalha, houvesse alguém preocupado em criar uma frase de efeito para os futuros colecionadores de frases de efeito. * Mas quem não gosta? Ao conquistar o Egito, Napoleão Bonaparte disse: Do alto dessas pirâmides, quatrocentos séculos nos contemplam. As pirâmides ainda estão lá, mas cadê o Napoleão? Virou dinamite. Na cabeceira da minha cama morava um relógio despertador. Imprescindível, irremovível, tinha a nobre função de me acordar na melhor hora do meu sono. Mesmo assim, eu não dormia sem ele. A peça, antes primordial, não me serve mais, obsoleta como as canetas de pena de ganso. * Levei pro GoodWill e me barraram na porta: Não aceitamos mais relógios despertadores e fitas de vídeo. E o que faremos com essas coisas das quais antes não abríamos mão? Culpa do celular, que virou coringa e faz tudo. Quem ainda tem em casa máquina fotográfica, relógio de pulso, relógio despertador, calculadora, telefone fixo, ou papel de carta, que atire a primeira pedra. Os que ainda não sumiram das listas de compras, estão na lista das espécies em perigo de extinção. * Antigamente a gente abria a janela e esticava o braço para saber como estava o tempo. O celular substituiu essa técnica antiga, feito bola de cristal que registra o presente e revela o futuro. Não nos desligamos de um celular ligado mesmo com os especialistas informando que nosso novo companheiro de cama faz mal para a saúde e interfere na qualidade do sono. Mas quem ouve os especialistas? Onde outrora repousava meu relógio despertador tic-taqueando a noite toda, hoje repousa um telefone celular – nunca se sabe se acontece alguma emergência. * Em 2004, mais de 90% dos americanos tinham em casa pelo menos um telefone fixo. Em 2023, apenas 29% dos americanos ainda mantinham o trambolho, a maioria em fazendas onde os celulares nem sempre funcionavam bem. Muitas empresas também preferem continuar com o serviço para atendimento ao cliente: mais barato. Mas o telefone condenado a viver eternamente agarrado a uma tomada na parede também está condenado a desaparecer, segundo nos previu a Pitoniza de Delfos, que sempre acertava mas também desapareceu. * Outra que sofreu abalos foi a escrita cursiva. Você ainda deve estar anotando um recado para a faxineira usando uma técnica obsoleta – a dobradinha papel-caneta. Nas escolas americanas, a escrita cursiva saiu do currículo mas está voltando. Pesquisas recentes revelam que a antiquada técnica de escrever à mão ativa áreas do cérebro que a digitação em um teclado não alcança.. E tem papel crucial no desenvolvimento da leitura e da personalidade. Então fico pensando, será que o celular vai viver 400 séculos, como as pirâmides, ou as coisas antigas vão voltar? Quem viver verá.
Família constrói casa ecológica em ocupação em Vila Velha
Bioconstrução, tratamento biológico do esgoto e plantio de alimentos fazem parte das ações em Vila Esperança Localizada nas proximidades do bairro Jabaeté, em Vila Velha, a ocupação Vila Esperança hoje é local de moradia de milhares de famílias. Uma delas, formada por Ione Duarte, Simba Laeber e a pequena Dandara, decidiu criar sua casa de forma ecológica. Com bioconstrução em bambu a pique, saneamento básico com vermifiltro, e plantio de alimentos saudáveis no quintal produtivo, eles adotam um modo de vida de baixo impacto ambiental em meio à luta por garantia ao direito básico de moradia, e buscam compartilhar os conhecimentos com outros moradores e apoiadores. —- * Inscreva-se no canal do Século Diário no YouTube e ative o sininho para acompanhar as novidades.