Na segunda audiência pública da série sobre o pó preto na Assembleia Legislativa que, como jura o deputado Claudio Vereza (PT) é o melhor instrumento para tal problema – embora essa versão tenha sido contestada várias vezes pelas organizações da sociedade civil –, o que se viu foram os mesmos shows da audiência anterior: o poder público pregando uma integração perfeita entre órgãos ambientais; a Samarco justificando a eficácia de suas ações de “sustentabilidade” e “responsabilidade social” com as cifras empregadas em tecnologias; e a sociedade civil com reivindicações coesas, questionamentos pertinentes e fôlego para enfrentar o corporativismo imperante na Casa. “Vimos aqui o mesmo tipo de discurso, os mesmos tipos de apresentações”, retratou Eraylton Moreschi Junior, coordenador do grupo SOS Espírito Santo Ambiental. Desde o começo da semana, o grupo vem divulgando em sua página no Facebook fotos do enclausuramento à cadeia de produção da siderúrgica sul-coreana Hyundai Steel. Segundo os ambientalistas, a eficácia do método para a contenção do material particulado é de praticamente 100% e, por isso, essa seria a forma ideal de manter o funcionamento das poluidoras na Ponta de Tubarão, sem que a qualidade do ar na Grande Vitória fosse alterada. “Não queremos fechar a Vale ou a Arcelor”, reiterou Paulo Pedrosa, da Associação dos Amigos da Praia de Camburi (AAPC), “mas precisamos pensar em outros paradigmas e modelos”, completou. As considerações de Paulo, aliás, foram antecedidas de um relato emocionado. “Estamos nesse planeta, presumo eu, para servir à humanidade”, declarou, referindo-se à militância ambientalista, após o relato do sofrimento de seus próprios familiares com alergias constantes. Pedrosa também exigiu a adoção de medidas efetivas durante as audiências públicas que possibilitem a tomada de ações concretas, e pediu ainda mais firmeza e criticidade aos companheiros militantes da sociedade civil. A atuação da sociedade civil foi, inclusive, elogiada pelo secretário de Meio Ambiente de Vitória, Cleber Guerra. Ele compôs a mesa dessa quarta-feira (2), junto com os secretários de meio ambiente de Guarapari, Afonso Rodrigues Pereira Filho; da Serra, João Ismael Nardoto; de Cariacica, Renan De Nardi; de Vila Velha, Jader Mutzig e de Anchieta, Marcelo Dalbom; além do deputado Vereza. Também participaram o gerente geral de Meio Ambiente e Licenciamentos da Samarco, Márcio Perdigão, e o SOS Ambiental. Muitos porquês “Por que a Samarco não investe na saúde pública?”, questionou Moreschi, após o representante da mineradora discursar a favor do patrocínio às pesquisas de qualidade do ar que monitoram a própria atividade da empresa. Os slides apresentados pela Samarco ilustravam uma empresa limpa, verde e em conformidade com a legislação ambiental, que gastava cifras altíssimas na contenção de seus danos ambientais. Não havia nem sombra da poluição por metais pesados, por mais de uma vez, causada à lagoa de Mãe-Bá; do inchaço populacional na região de Anchieta, provocado pelo “desenvolvimento a qualquer custo”, e muito menos da captura desenfreada de água do Rio Benevente para uso na escala produtiva. “A região da Grande Vitória tem sérios problemas de abastecimento de água. Quanto se gasta de água diariamente na limpeza da sujeira gerada pelo pó preto?”, lembrou Moreschi, a respeito da contradição entre o uso abusivo da água pelas poluidoras, que nunca cessa, e as campanhas para que o cidadão “poupe água”, realizadas periodicamente pelo poder público. “Por que não se fala em reduções nos padrões ao invés de falar sobre o dinheiro?”, prosseguiu, alegando que a Vale, uma das acionistas da Samarco, fala em reduções de emissões em suas instalações no Canadá, enquanto no Brasil somente se fala nas cifras gastas. Os representantes desta, aliás, estavam presentes em peso no plenário. Difícil determinar quantos, já que não trajavam a já conhecida camisa verde de uniforme, que em nada se assemelha às ações da companhia. O inchaço populacional provocado pela chegada da Samarco também foi abordado pelo secretário de Meio Ambiente de Anchieta, que não deu detalhes claros sobre as consequências desse adensamento, mas apontou o trânsito como o responsável pela maioria da poeira na pequena cidade. Marcelo chegou a mostrar as mesmas ações já apresentadas pela Samarco. “Não foi nada combinado”, disse, justificando-se. “É até bom para mostrarmos como estamos alinhados”. Bem se vê. Cumpriu Guilherme Abreu, gerente de Meio Ambiente da ArcelorMittal entregou a Moreschi e a Vereza um documento contendo as respostas aos questionamentos enviados pela SOS Ambiental na audiência do último dia 11. O representante da siderúrgica também disse que a negativa da Arcelor em assinar um Termo de Compromisso Ambiental (TCA), situação retratada pela SOS na mesma ocasião, foi uma atitude primária, que não significou que a empresa está “fechada a fechar” acordos desse tipo. Mas a assinatura do termo continua em negociação junto ao Ministério Público Estadual e Tribunal de Justiça. Leis A mais extensa das explanações no período do debate foi a de Neilson Guimarães, membro do SOS Ambiental e do Conselho Regional de Meio Ambiente (Conrema III). Igualmente extenso foi o silêncio constrangedor que tomou conta do plenário, somente interrompido pelas rápidas manifestações de apoio de colegas ambientalistas, quando foram lidas as legislações ambientais vigentes e comprovou-se a prática de diversos crimes ambientais, além das inconformidades, inaplicabilidades e ineficácias das leis. Os instrumentos legais, sejam esses componentes da Constituição Federal, Estadual, das Leis Orgânicas ou de outras leis e decretos, têm servido costumeiramente de respaldo para as defesas dos ambientalistas atuantes na região metropolitana. A principal luta deles, não à toa, é para que se cumpram as leis estabelecidas. A crença é de que, se a legislação fosse inteiramente cumprida e respeitada, não existiriam os entraves ambientais e sociais enfrentados atualmente. Como bem retratou Neilson, “embora não tenhamos estruturas técnicas, não faltam leis”. Dentre vários artigos citados, um dos mais destacados foi o Artigo 77 do Código Municipal de Meio Ambiente (Lei Municipal nº 4.438/97), que atribui ao poder público a promoção e o suporte às atividades de educação ambiental, podendo esse aliar-se ou não a entidades jurídicas e não governamentais com esse objetivo. “Precisamos de
Certo e duvidoso
As investidas do governador Renato Casagrande para atrair o delegado Fabiano Contarato ao PSB dificilmente terão êxito. Embora continue se encontrando com o governador, como mais uma vez ocorreu na manhã desta quarta-feira (2), Contarato já teria acertado seu “passe” com o senador Magno Malta, para filiação ao PR. Circula nos bastidores que pesou na decisão do delegado o fato de, assim, ter segurança para garantir seu projeto ao Senado em 2014. O mesmo não encontraria no PSB, já que a intenção do governador é utilizar tal candidatura na sua negociação com Paulo Hartung (PMDB). Suscetível, portanto, ao risco de a história acabar no velho sistema da unanimidade, com Casagrande reeleito e Hartung no Senado. O acerto com Magno, não, fica consolidado com ou sem uma candidatura do senador ao governo do Estado. De preferência, com. Se não for o caso, Magno fará palanque para Contarato de todo jeito. Contra Hartung, principalmente. Estratégico A proposta do Orçamento 2014 mostra que Casagrande tentou tapar alguns buracos persistentes que desgastam sua gestão. Promete resolver os “elefantes brancos” deixados por Hartung – Cais das Artes no topo -; focou na mobilidade urbana para ver se consegue sossegar o clamor das ruas; e atendeu – mesmo que em parte – o desejo dos deputados estaduais, medida necessária em ano eleitoral. O resultado, veremos. Teoria e prática Por falar em mobilidade, Casagrande afirma que o sistema BRT (Bus Rapid Transit) não é prioridade. Pois veja só. O DER-ES já gastou R$ 140 milhões apenas em projetos para os corredores exclusivos para ônibus. Imagina se fosse… Estratégico Ah, um detalhe interessante. Os investimentos previstos para a área de cultura praticamente dobraram. Seria um sinal de que o governo pretende assumir, finalmente, a titularidade da gestão cultural capixaba? A fase pós Instituto Sindicades? Reação Já a redução dos investimentos na segurança, como esperado, virou motivo de tiroteio para cima do governo. Magno Malta (PR) fez pronunciamento nesta quarta-feira (2) no plenário do Senado. Entre um berro e outro, disparou: “não tem dinheiro para segurança, mas tem orçamento para Rodosol”. Reação II Nessa terça-feira (1), o assunto também repercutiu na Câmara de Vila Velha. O vereador Osvaldo Maturano (PMDB) protestou e chamou o governo de negligente. O socialista João Artem logo apareceu para colocar panos quentes e sair em defesa de Casagrande. É só o começo. Ainda vai render. De olho A atenção do mercado político de Cachoeiro de Itapemirim se volta para o presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço (DEM), que hesita em se candidatar a deputado federal. Se encarar a disputa, sinal de que não pretende voltar à prefeitura em 2016. Agora se optar pela reeleição, será candidatíssimo. Ainda mais diante do insucesso do prefeito Carlos Casteglione (PT). Chororô A gestão de Casteglione, aliás, vive a mesma situação do que os demais municípios capixabas, mas o petista chora as pitangas como se fosse o único. Esta semana, declara praticamente que o município quebrou e diz que vai acumular mais duas secretárias. Bom, se ele fizer nas pastas o mesmo que faz no comando da prefeitura, “ferrou”. Sede ao pote Se bem me lembro, Casteglione sancionou lei em novembro do ano passado, reajustando o seu próprio salário e dos 19 secretários da cidade. Naquela época, o prefeito já sabia muito bem o que viria pela frente. Tanto que, ao mesmo tempo, anunciou ações para cortar gastos. Deu um tiro no próprio pé. Projeto ousado O ex-presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado (Crea-ES), Luís Fiorotti, toma posse como presidente do PV de Vitória nesta quinta-feira (3). Desde quando estava no cargo, ele tinha aspirações de disputar eleição a deputado estadual. Vai encarar 2014? 140 toques “Que as fachadas dos prédios públicos iluminem o caminho para superar o problema do câncer de mama”. (Deputada federal Iriny Lopes – PT – no Twitter). PENSAMENTO: “Devemos ter a chave da nossa casa”. Nicolau I
Começa o jogo
Daqui a três dias a situação política do Estado vai mudar. Terminado o prazo de filiações partidárias, com o surgimento de duas siglas novas aos 45 minutos do segundo tempo; estabelecido o número de vagas a serem disputadas na Câmara e na Assembleia; e deflagrado o prazo de um ano exato para a eleição, as lideranças vão ter mais clareza sobre 2014. Evidentemente, as velhas dúvidas vão continuar até mais perto do início do processo. A maior delas é sobre qual será o papel do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) na eleição do próximo ano. Afeito ao mistério e a postergação de uma tomada de posição para observar as movimentações das outras peças do tabuleiro eleitoral, não vai ser agora que ele vai cravar um posicionamento. Hartung vem se movimentando intensamente no Estado. Com o pretexto de fazer palestras na área de economia e gestão, tem reunido lideranças e lustrando sua imagem. Ao mesmo tempo, uma “Central de Boatos” tenta desestabilizar o mercado. A utilização de emissários é recorrente na política de Hartung. Mas dizer que ele vai ser candidato ao Senado ou ao governo ainda é muito cedo. As movimentações do senador Ricardo Ferraço (PMDB) ajudam a confundir ainda mais o mercado político. A partir de sábado, quem mudou de partido, mudou. As movimentações deverão ser focadas nos agrupamentos das coligações. Não adianta mudar de partido, se ele vai entrar em uma aliança que não seja favorável. Por isso, nesses três dias que restam, as lideranças devem fazer muitos cálculos antes de escolher a sigla em que vão se abrigar no ano que vem. Fragmentos: 1 – Será que a Patrulha da Comunidade vai dar a alavancada que o governo Renato Casagrande precisa na área da Segurança para garantir seu crescimento para 2014? 2 – O PMDB busca até sábado (5) novas filiações para a disputa do próximo ano. O problema é saber quem vai querer se filiar a um partido que tem sete deputados estaduais. 3 – O Diário Oficial do Estado traz a nomeação da ex-prefeita de Montanha, no norte do Estado, Iracy Baltar, no cargo de subsecretária de Educação de Vila Velha
MPES ajuíza ação civil pública contra município de Vila Velha
A Promotoria de Justiça Cível de Vila Velha ajuizou, nesta quarta-feira (2), ação civil pública contra o município de Vila Velha em decorrência da sanção, pelo prefeito Rodney Miranda (DEM), da Lei nº. 5.441/2013 que altera o Plano Diretor Municipal (PDM). O processo, segundo o Ministério Público Estadual (MPES), foi conduzido de forma ilegítima e sem o devido debate com a população, como determina a legislação. Para o MPES, a nova lei não passa de “encomenda e mais uma maquiagem”. A ação, com pedido de liminar, ressalta ainda que a lei afronta as decisões do Tribunal de Justiça (TJES) ao reeditar regras já declaradas inconstitucionais em Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) ajuizada pelo Ministério Público no ano passado. “Ao se permitir tal afronta, será muito fácil burlar as decisões de inconstitucionalidades do Tribunal de Justiça. Com efeito, basta, como fez o município de Vila Velha – revelando, no mínimo, possível desprezo pela autoridade das decisões do TJES – ‘represtinar’ as regras declaradas inconstitucionais por meio de uma nova lei. Assim, com uma ‘canetada’, resta absolutamente inútil toda discussão travada pelos ilustres desembargadores”. A Promotoria rebate o argumento utilizado pelo prefeito para justificar a aprovação da lei na Câmara de Vereadores em regime de urgência e logo em seguida sua sanção, com base na tese do “vácuo legislativo” para regulamentar o licenciamento de obras na cidade após a declaração dos 13 artigos inconstitucionais do PDM. O MPES considera tal discurso uma “verdadeira falácia argumentativa”, à medida que os efeitos da Adin não inviabilizavam o licenciamento de novas obras, já que consideraram inconstitucionais apenas as regras que permitiam o licenciamento de construções “parede com parede”, por impedirem o fluxo de ar; que dispensavam o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) de empreendimentos horizontais, e que permitiam o aumento da área edificante no Morro do Moreno e na Reserva de Jacarenema. “O que, evidentemente, não representa obstáculo ao licenciamento de novas obras, mas apenas obstaculiza empreendimentos aprovados em consonância com as regras declaradas inconstitucionais pelo Egrégio Tribunal de Justiça do ES, o que reclamava uma solução pela municipalidade, obviamente observando os princípios e regras ambientais e urbanísticas”, pontuou. O MPES detalha cinco reuniões realizadas com a Prefeitura e representantes da sociedade civil organizada em busca de uma solução consensual em relação aos licenciamentos, o que originou a Lei Municipal nº. 5.430, de 28 de junho deste ano. Esta já representava uma solução transitória para o impasse. No entanto, afirma ter sido surpreendido por comunicado do Fórum Popular em Defesa de Vila Velha sobre o envio à Câmara do Projeto de Lei (PL) n.º 035/2013, indicando índices construtivos e outros elementos ao PDM, com a clara intenção de amparar empreendimentos com processos parados na prefeitura, “trazendo grandes riscos para o meio ambiente natural e urbano, com reflexos nefastos na qualidade de vida da população de Vila Velha, já sufocada pela irresponsabilidade administrativa e pela ganância e egoísmo empresarial no setor imobiliário”. Os promotores alertam que a permissão de apreciar os projetos arquitetônicos com base na nova lei, que afirma ser inconstitucional, poderá causar impactos irreversíveis, tornando o município cada vez mais “esquizofrênico do ponto de vista ambiental e urbanístico”. Segundo eles, existem aproximadamente 359 projetos aprovados com protocolo até 28 de meio a serem apreciados pela prefeitura. Na ação, o MPES determina ao município que, nos processos de aprovação de projetos arquitetônicos protocolados até esta data, sejam observados os parâmetros urbanísticos, índices construtivos e todos os demais elementos de acordo, apenas, com a Lei 5.430/2013 e a Lei nº 4.575/07 (PDM de Vila Velha), considerando as regras declaradas inconstitucionais. Requer, ainda, que seja realizada audiência pública para que a comunidade possa se manifestar em relação à nova lei. Nos dois casos, sob pena de aplicação de multa diária de R$ 10 mil no caso de descumprimento. Da mesma maneira, deve o prefeito Rodney Miranda se abster de encaminhar projetos de lei para a Câmara que representem alterações ao PDM, sem a necessária prévia participação popular. O Ministério Público enfatiza que tais fatos podem caracterizar ato de improbidade administrativa. “Jamais o Executivo deveria proceder como procedeu. Agiu, contraditoriamente ao que tem propalado, da mesma forma que a gestão passada”.
Poder Judiciário e MPES vão embolsar R$ 1,36 bilhão do orçamento em 2014
O texto da Lei Orçamentária Anual (LOA) para o exercício de 2014, anunciado nessa terça-feira (1º), prevê o repasse de R$ 1,36 bilhão para o Tribunal de Justiça do Estado (TJES) e o Ministério Público Estadual (MPE). Esse valor é superior, por exemplo, aos gastos previstos no orçamento para a área de Segurança Pública (R$ 1,27 bilhão). Pela primeira vez na história, o órgão ministerial deve contar também com verbas oriundas de fundo especial – como ocorre com o Poder Judiciário –, criado em 2006, mas que recebeu a previsão de receitas em março deste ano, além dos recursos que já saem do Tesouro Estadual. De acordo com a mensagem enviada pelo governador Renato Casagrande ao Legislativo, o principal orçamento será do Tribunal de Justiça, que contará com pouco mais de R$ 1 bilhão (R$ 1.009.534.578,00), sendo que R$ 882 milhões sairão diretamente dos cofres do Estado. O restante das verbas (R$ 127,38 milhões) vai sair do Fundo Especial do Poder Judiciário (Funepj), que fica com 10% sobre o valor dos emolumentos pagos pelos usuários de cartórios, a título de taxa de fiscalização. No orçamento de 2013, o TJES contou inicialmente com R$ 920,23 milhões, sem as suplementações (inclusão de novos recursos) feitas ao longo do ano. Estavam previstos o repasse de R$ 823 milhões do Tesouro Estadual e de R$ 96,65 milhões em receitas do Funepj. Por conta dos novos recursos, o índice de reajuste no orçamento do Poder Judiciário capixaba deve ficar próximo aos 10%. No caso do Ministério Público, o texto do orçamento de 2014 garante, pela primeira vez, a incorporação de recursos do Fundo Especial do Ministério Público (Funemp), que segue a mesma fórmula do Funepj, com a arrecadação de 5% da taxa de fiscalização. O órgão ministerial deve contar com R$ 350,5 milhões, sendo que, deste total, R$ 16,38 milhões devem sair do fundo. Para este ano, o MPE contava com R$ 311,6 milhões de recursos do Estado, valor que deve subir em 2014 para R$ 333,7 milhões. Somados as receitas, o índice de reajuste deve ser de 12,5%. Além das entidades ligadas à área da Justiça, o orçamento do Estado também prevê repasses para os órgãos do Poder Legislativo no próximo ano, que tiveram um reajuste linear de 7,1%. A Assembleia Legislativa deve contar com o orçamento de R$ 185,63 milhões – cerca de R$ 12 milhões a mais do que no exercício anterior. Esses recursos devem cobrir as despesas com gastos com os salários dos deputados, funcionários, além de despesas de custeio da Casa. O valor não inclui as verbas destinadas para as emendas parlamentares, que saltou de R$ 30 milhões para R$ 45 milhões. Já o Tribunal de Contas do Estado (TCE), órgão auxiliar da Assembleia, deverá contar com orçamento de R$ 134,6 milhões para o próximo exercício. Para este ano, o governo havia reservado R$ 125,72 milhões, sem contar com a inclusão de suplementações – tipo de medida que foi comum a todos os órgãos ao longo deste ano Orçamento Ao todo, o orçamento do governo do Estado para o próximo ano estima receitas na ordem de R$ 15,5 bilhões, com a garantia para a meta de R$ 2 bilhões em investimentos. As áreas de Educação Básica e Profissional, Segurança Pública e Justiça, Mobilidade Urbana e Infraestrutura, Saúde e Proteção Social foram definidas como áreas prioritárias. O texto da LOA deve ser lido na próxima semana e a expectativa é de que o projeto de Lei (PL 307/2013) seja votado até dezembro. Durante a apresentação do orçamento à imprensa, o secretário de Estado de Economia, Robson Leite, destacou os investimentos de R$ 149 milhões na área de segurança, R$ 156 milhões para reestruturação de cargos e carreiras, concursos e reajuste salarial, além de R$ 225 milhões para pagamento de precatórios, R$ 20 milhões para o Programa Nossa Bolsa e R$ 79 milhões para o Transcol Social.
??rgãos tentam mediar conflito de terras em Presidente Kennedy
O conflito de terras instalado em Presidente Kennedy, extremo sul do Estado, na Fazenda Santa Maria, ocupada por 75 famílias de trabalhadores rurais sem-terras, tem mediação nestas quarta e quinta-feiras (2 e 3). A tentativa de acordo é intermediada pelo ouvidor agrário nacional, desembargador Gercino José da Silva Filho, pelo superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), José Cândido Costa Rezende, e pelo Ministério Público Federal no Estado (MPF/ES). Segundo o MPF/ES, que representado pelos procuradores da República Fábio de Oliveira e Elisandra de Oliveira Olímpio, serão realizadas três reuniões: a primeira com famílias de assentados, que brigam na Justiça pela posse do local, e em seguida com os proprietários da fazenda, que reivindicam a reintegração de posse das terras. A terceira reunião será na quinta-feira, quando o MPF e os representantes do Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA) vão conversar com os juízes federais que atuam no caso, para informar sobre o andamento das negociações e tentar uma medida consensual. Os trabalhadores que ocupam a área contam com o respaldo jurídico de um advogado do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A Fazenda Santa Maria está localizada a 16 quilômetros da sede do município de Presidente Kennedy, em uma área de 1,3 hectares que já foi considerada improdutiva pelo Incra. Em 2009, o órgão chegou a anunciar a emissão da posse da área, que logo foi ocupada por 50 famílias. O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) proferiu uma decisão pelo retorno dos trabalhadores a uma área de 14 hectares dentro da fazenda. Entretanto, o antigo proprietário entrou com uma ação judicial para permanecer no local. A desapropriação da parte ocupada pelos assentados na fazenda será decidida no Supremo Tribunal Federal (STF). No ano passado, as 75 famílias assentadas foram vítimas de uma pulverização de agrotóxicos, que teria sido ordenada pelo proprietário fazenda, identificado como Martinho Adalmo Venturin. Na ocasião, laudos apontando a ligação do uso do químico com a intoxicação de 19 assentados – entre eles Sonia Lima, que abortou seu bebê de quatro meses de gestação – foram enviados ao Incra e à Polícia Civil da região. Na época, os assentados denunciaram que um dos princípios ativos do agrotóxico já foi utilizado na Guerra do Vietnã e que o proprietário vinha promovendo a coação das famílias, além de atacar vários dos assentados com um automóvel. Os trabalhadores que ocupam a área querem que o Incra promova a reforma agrária na região e puna o fazendeiro pelo aborto e os casos de intoxicação.
Prefeitura de Vitória inicia estudos para criar plano de mobilidade urbana
Técnicos da Prefeitura de Vitória iniciaram nesta semana os estudos que deverão subsidiar o Plano Municipal Diretor de Mobilidade Urbana (PDMob), que prevê a organização da circulação de pessoas e cargas pela cidade, além de incentivo aos modais sustentáveis. Para isso, segundo a prefeitura, técnicos das secretarias de Transportes, Trânsito e Infraestrutura Urbana (Setran) e de Desenvolvimento da Cidade (Sedec) estão nas ruas para realizar os estudos. Um edital de licitação também será lançado para contratação da empresa que irá conduzir os trabalhos. O secretário de Transportes, Max da Mata, prometeu discutir com os moradores, organizações sociais e representantes de todos os segmentos da sociedade o modelo de transporte e a infraestrutura viária. “Os moradores vão discutir soluções para a circulação na cidade e isso inclui desde a acessibilidade das calçadas, até a ampliação da malha cicloviária e criação de infraestrutura para o uso da bicicleta, como a instalação de paraciclos e o sistema de compartilhamento”, pontuou. Segundo a Lei Federal 12.587, publicada em janeiro deste ano e que exige o plano às cidades brasileiras com mais de 20 mil habitantes, o PDMob deverá ser concluído até 2015 e priorizar o incentivo ao transporte público coletivo e aos meios de transporte não motorizados; a integração entre os diferentes modais, e o incentivo a modelos sustentáveis. De acordo com a prefeitura de Vitória, a implantação dos corredores exclusivos para ônibus, conhecido como BRT (Bus Rapid Transit), e do aquaviário deverão colaborar com o plano municipal de mobilidade. Max da Mata afirmou que a elaboração do Plano Diretor vai promover novas discussões para a cidade, como restrição a veículos motorizados em locais ou horários pré-determinados; o estabelecimento de padrões de emissão de poluentes, e a dedicação de espaço exclusivo nas vias públicas ao transporte público coletivo e a veículos não motorizados.
Greve dos Correios: ECT não aceita contraproposta da categoria
Após assembleia realizada no início da tarde desta quarta-feira (2), em Vitória, os trabalhadores dos Correios decidiram prosseguir com a greve até, pelo menos, a próxima terça-feira (8), dia do julgamento do dissídio coletivo da categoria no Tribunal Superior do Trabalho (TST). O movimento foi iniciado no dia 19 de setembro, com base em uma extensa pauta de reivindicações, que inclue reajuste de 15% e reposição da inflação. Durante o período da greve, após negociações com a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT), a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e similares (Fentect) elaborou uma contraproposta, que foi recusada pelos Correios. Na contraproposta, a Fentect pleiteou a manutenção da assistência médica (Correios Saúde) nos moldes atuais e extensivos aos novos empregados, mantendo a ECT como gestora direta do Correios Saúde, sem a possibilidade de gestão por qualquer outra entidade; reajuste salarial de 8% extensivo a todos os benefícios; aumento linear de R$ 100; e pagamento de Auxílio-Creche a todos os funcionários, sem discriminação, dentre outras reivindicações. Em resposta, a ECT afirmou que o reajuste de 8% sobre o salário e 6,27% sobre os benefícios é o limite do que pode conceder e que vai esperar o julgamento do dissídio no TST. Os trabalhadores dos Correios pleiteiam ainda a redução da jornada de trabalho dos atendentes para seis horas; segurança nas agência, e entregas de correspondências pela manhã, além da realização de concurso público. Bancários A greve dos bancários completou 14 dias nesta quarta-feira (2), com 248 agências fechadas no Estado. Desse total, 150 são da Grande Vitória e 98 do interior do Estado. Entre as agências da região metropolitana fechadas, estão 34 da Caixa Econômica Federal, 46 do Banestes e 37 do Banco do Brasil, além do Banco de Desenvolvimento do Estado (Bandes), do Centro de Processamento de Dados do Banestes e do Banco do Brasil da Praça Pio XII. No interior, estão fechadas 32 agências da Caixa Econômica, 11 do Banestes, 44 do Banco do Brasil e quatro do Banco do Nordeste. Em todo o Estado, 40 agências privadas estão fechadas, sendo 15 do Santander, três do Bradesco, 16 do Itaú, quatro do HSBC, uma do Banco Mercantil do Brasil e uma do Safra. A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) ainda não apresentou nenhuma contraproposta para os trabalhadores. Por isso, para avaliar a greve nacional e seus possíveis desdobramentos, o Comando Nacional dos Bancários se reunirá nesta quinta-feira (3) em São Paulo.
PF vai fazer devassa nas contas da Delta em busca de ???laranjas???
A Polícia Federal deve estender por mais 30 dias as investigações da Operação Saqueador, que apura o esquema de lavagem de dinheiro da Delta Construções por meio de empresas de fachada. De acordo com informações da PF, uma equipe de peritos vai ficar instalada na sede da construtora para buscar “furos” na contabilidade. O objetivo é demonstrar a origem e o destino de pelo menos R$ 300 milhões, segundo os primeiros levantamentos, que teriam saído do caixa da Delta para alimentar o esquema. O superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, delegado Roberto Cordeiro, e o coordenador da operação, delegado Tácio Muzzi, informaram que os peritos devem trabalhar no controle de custos da empreiteira, cujas planilhas servem para controle do fluxo de caixa da empresa – até mesmo do eventual “dinheiro sujo”. Muzzi explicou que a Delta fazia a transferência dos recursos para a conta das empresas de fachada e os valores eram sacados em espécie, na boca do caixa. “Com relação a essas empresas de fachada, o que já se materializou na investigação: a sede social não é compatível com o montante de recurso movimentado em suas contas-correntes; os sócios também não ostentam capacidade econômico-financeira relativa ao volume de recurso transitado nessas contas; e a maior parte nunca teve funcionário registrado. Então, seriam esses os indícios que denotam que essas empresas são empresas de papel”, informou o delegado. Nessa terça-feira (1º), os policiais federais cumpriram mandados de busca e apreensão na residência e escritórios do dono da Delta, Fernando Cavendish, e do empresário paulista Adir Assad, que seria o operador do esquema. Durante os trabalhos da CPI do Cachoeira, que deu origem à operação policial, o empresário teve o nome ligado ao conjunto de empresas identificadas como fantasmas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). No mesmo relatório, o nome da empresa Garra Transportadora e Locação, Logística de Veículos Ltda – registrada no dia 25 de outubro de 2010, no município de Viana – surgiu como uma das principais empresas de fachadas utilizadas pelo esquema. Entre janeiro de 2010 e julho de 2011, a Garra teria “lavado” R$ 23,507 milhões dos R$ 173 milhões registrados em transações feitas pela empreiteira carioca. A reportagem de Século Diário esteve no local onde funcionaria a Garra Transportadora e não encontrou qualquer indício da empresa. Pelo contrário, os vizinhos alegam que o endereço no qual a companhia foi registrada seria, na verdade, de uma residência. TCE investiga contratos Apontada como a principal empresa contratada pelo governo federal, a Delta Construções também tem uma presença significativa em contratos públicos no Espírito Santo, a partir do governo Paulo Hartung (PMDB). O Tribunal de Contas do Estado (TCE) investiga, desde maio do ano passado, os contratos da empreiteira carioca no Departamento de Estradas de Rodagem do Estado (DER-ES). O pedido de auditoria partiu do governador Renato Casagrande, logo após as primeiras denúncias contra a Delta na CPI do Cachoeira. Segundo informações da assessoria de comunicação do TCE, os trabalhos de auditoria (processo TC 2290/2012) estão em fase de conclusão pela área técnica. Os autos do processo estão no Núcleo de Estudos Conclusivos (NEC), última fase dentro da área técnica do tribunal. Não foi informado o resultado preliminar da investigação, bem como uma possível data de julgamento. Antes de ser levado para apreciação do plenário, a auditoria especial deve ser submetida ao Ministério Público Especial de Contas (MPC), que vai se manifestar sobre o caso e encaminhar os autos para a elaboração do voto do conselheiro-relator. Entretanto, é possível antecipar que os trabalhos não devem alcançar os contratos mantidos pela Delta com a Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan), hoje comandada por aliados do ex-governador. Todas as relações da companhia de Fernando Cavendish com o poder público estadual remetem ao governo passado, onde a Delta foi a principal beneficiária dos primeiros contratos para obras do programa de pavimentação de estradas vicinais, batizado como Caminhos do Campo. No período entre os anos de 2006 e 2010, a Delta faturou lucrativos acordos no DER-ES e na Cesan, que acabaram sendo incluídos no rol de contratos públicos citados nos trabalhos da CPI. Nesses dois órgãos, a empreiteira carioca faturou cerca de R$ 200 milhões. Em abril do ano passado, no auge da crise da Delta, o diretor-presidente da Cesan, Neivaldo Bragato – que foi secretário de Governo na gestão passada –, assinou um novo aditivo com a empreiteira carioca, ignorando o desenrolar das investigações em Brasília.
PEC do voto facultativo coloca senadores capixabas em lados opostos
A Comissão de Constituição e Justiça do Senado rejeitou por 16 votos a seis, nesta quarta-feira (2), a PEC 55/12 que tornaria o voto facultativo para as próximas eleições. A discussão dividiu os senadores, inclusive os parlamentares capixabas. A senadora Ana Rita (PT) é contrária ao voto facultativo. “A democracia brasileira está em processo de construção. Os cidadãos brasileiros não tem a plena consciência do que significa o voto na hora de escolher os seus representantes. O voto facultativo precisa ser pensado, mais à frente. É uma questão cultural, até porque nós temos uma democracia muito jovem”, justificou. Já o senador Ricardo Ferraço (PMDB) disse em sua página no Twitter que vai recorrer ao Plenário do Senado para levar o debate adiante, numa discussão mais ampla entre todos os senadores. Para o peemedebista, o voto é direito, não obrigação. “Voto obrigatório é herança do tempo em que o Estado funcionava como tutor das pessoas, do coronelismo”, disse. O relator da PEC, senador Pedro Taques (PDT-MT), lembrou que o voto facultativo é mais um direito subjetivo do cidadão do que um dever cívico e, para ser pleno, esse direito inclui a liberdade de que ele possa se abster de votar, sem sofrer qualquer sanção do Estado. Segundo a Agência Senado, Taques não desistiu do projeto. Vai tentar reunir um décimo, ou seja, nove assinaturas de senadores, para que a discussão seja levada ao Plenário. As assinaturas estão sendo recolhidas.