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Século Diário

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Arthur Gerhardt: o lobista de prestígio das transnacionais

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Novos documentos revelados pelo ex-gerente de Inteligência da Vale, André Almeida, denunciam lobby da empresa para obtenção de licenças ambientais de projetos estratégicos da mineradora no governo Paulo Hartung (PMDB). A contratação direta e ad hoc da Sereng Engenharia e Consultoria Ltda., que tem em seu quadro societário a empresa do ex-governador biônico Arthur Gerhardt Santos (1971 – 1975), teria como objetivo facilitar o processo, já que “o proprietário da Sereng teve e continua tendo influência no governo e lideranças políticas e empresariais no Estado”.    As informações estão no Relatório de Homologação do Departamento de Suprimentos da Vale, de julho de 2010. O contrato tinha como objeto os “serviços de engenharia de projeto, gerenciamento e fiscalização, para adequação a NR10 [Normas Regulamentadores do Ministério do Trabalho e Emprego] nas usinas (I, II, III, V, VI e VII) e da Hispanobrás (usina IV), no Complexo Portuário de Tubarão – ES”. O prazo de conclusão era de dois anos e meio, com valor recomendado de R$ 19,4 mlhões.   “Questionamos o usuário sobre os motivos da contratação direta da Sereng e recebemos a seguinte justificativa: atendendo a necessidades (sic) de bom relacionamento com o governo do Estado e lideranças políticas, é indispensável que a Sereng seja a empresa escolhida para prestar os serviços de engenharia na Pelotização. Obviamente sendo contratada pelo preço justo e consistente com o praticado no mercado e nos demais contratos Vale”, diz o documento, validado pelo analista de Suprimentos Armando Gonçalves Nascimento.   Os documentos apresentados apontam que o teor do texto incluído no processo de contratação direta da Sereng foi uma recomendação feita por e-mail, no dia 12 de julho de 2010, encaminhada primeiro por Arnaldo Silva a Giovanni Eustáquio – cópia para Eugênio Esposito e Guilherme Reinisch – com a mesma justificativa que aparece no documento, acrescentando “por solicitação do Dipe [Diretoria de Pelotização e Metálicos] e pedindo “esforço nesse sentido” . Em seguida, é enviado por Giovanni a Armando e Rômulo Silva, assinado também por Arnaldo: “favor acrescentar essa justificativa no processo de contratação direta da Sereng da Dipe”.    A emissão do Relatório (última revisão) ocorreria no dia 30 do mesmo mês, data do início dos cinco contratos que terminaram em 14 de janeiro deste ano, totalizando R$ 19,4 milhões. A Sereng já tinha um contrato anterior com a Vale, de abril de 2009, que venceu em outubro de 2011, no valor de R$ 3,2 milhões. Ao todo, R$ 22,6 milhões.   O Departamento de Suprimentos justificou ainda no documento que “devido, no momento, a Vale depender da liberação do governo de algumas licenças ambientais de projetos estratégicos como a CSU – Companhia Siderúrgica de Tubarão -, usina termelétrica de Tubarão e TAC – Termo de Ajustes de Conduta, junto à promotoria (implementação do Wind Fence), entendemos como procedente a contratação direta da Sereng”.   Segundo o denunciante, as contratações direta e ad hoc, respectivamente uma exceção à regra e uma aceleração no procedimento burocrático, foram realizadas mesmo sendo demandado um serviço comum, com várias concorrentes no mercado. Esses tipos de procedimentos, acrescenta Almeida, precisa da aprovação de um diretor.    Além da empresa Gerhardt Santos Assessoria e Planejamento Ldta, com 29,7% das ações, o quadro societário da Sereng é composto pela FG Engenharia e Participações Ldta (29,7%), de propriedade de Fernando Guéron, diretor do Grupo Sereng e presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva no Estado (Sinaenco-ES). Guéron já integrou os quadros da Aracruz Celulose (Fibria) e da Cepemar, empresa de consultoria ambiental fundada por Nelson Saldanha Filho, que se consolidou como um dos instrumentos de poder do governo Paulo Hartung.    Com 39,6% das ações, a Datamil Engenharia e Consultoria Ldta, do diretor de Obras do Iate Clube, Alfredo Carlos Chaves Brandão, completa o quadro societário. A Sereng Consulting Ldta detém 0,1% das ações.   Embora o Relatório de Homologação tenha recomendado “preço justo e consistente”, não foi isso que apontou o Departamento de Suprimentos, durante o processo de homologação do contrato. No item “negociação”, o setor informa não ter contrato com o mesmo objeto e escopo da coleta, impedindo o cálculo do “baseline” e completa que, “numa análise preliminar, identificamos as diferenças a maior dos preços unitários propostos, em relação ao orçamento e as preços atualizados de outros contratos Vale”. Diz ainda: “proposta Sereng aprox. 18% superior as ‘Referências’ e aprox. 37% superior ao orçamento”.   Após uma série de ponderações sobre distorções e cálculos, o documento justifica a “grande urgência e importância deste assunto para o Dipe, e informa que o mesmo “Dipe autorizou, em 21/07/2010, prosseguir com a contratação”.    O ex-gerente também indica uma diferença de mais de R$ 60 mil nas medições dos serviços realizados pela Sereng. O assunto foi pauta de reunião realizada no dia 22 de junho de 2011, entre representantes da Vale e da Sereng, quando foi recomendado: “o contrato da Sereng é muito amplo, atendendo várias áreas, e necessitando de maior controle tanto da Vale quanto Sereng (sic). Sugerido maior e melhor conferência dos boletins, antes de serem encaminhados para o Gagip”. E segue: “comentado os erros mais comuns, como PA’s errados ou sem saldo; evidências não condizentes com o boletim, duplicidade ou falta de evidências”.    Nos documentos, chama atenção ainda a diferença de valores de dois contratos, com o mesmo objeto, “prestação de serviço de engenharia de projeto, gerenciamento e fiscalização para adequação da NR10, nas usinas de pelotização I”. Um deles, de número 1569280 (Vale), tem valor total de R$ 11,9 milhões.968.760,51, e o outro, de número 43821 (Kobrasco), de R$ 2.100.735,85.    Os outros contratos são de números 1160131 (Vale), 43358 (Itabrasco), 43755 (Hispanobras) e 45773 (Nibrasco). As “brascos” são do Grupo Vale, mas de CNPJ diferentes, o que gera contratos em separado.    O erro foi identificado e corrigido somente nove meses depois do início do contrato, como ressalta o ex-gerente de Inteligência. Segundo ele, o mesmo serviço era prestado no mesmo local, “isto é, recebendo duas vezes”.    Como responsável pelas

18/08/2013 / 0 Comments
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Empresa requer licenças ambientais para instalação de porto em Presidente Kennedy

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A empresa ZMM Empreendimentos e Participações Ltda, criada para dar vazão à negociata para compra de terrenos para a Ferrous Resources em 2008, formalizou o pedido de licenças ambientais para a implantação do Porto Central, em Presidente Kennedy (litoral sul do Estado). O aviso do requerimento da Licença Prévia (LP) – primeira de três fases do processo de licenciamento – foi publicado na edição dessa sexta-feira (16) do Diário Oficial do Estado. No comunicado, a empresa responsável pelo empreendimento – apesar do projeto ter sido anunciado pela mineradora e tratada como uma nova empresa, a TPK Logística – afirma que o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) determinou a elaboração do Estudos de Impacto Ambiental com o respectivo Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA). Pelos ritos do órgão federal, a ZMM deverá realizar uma audiência pública na região, antes da emissão do parecer técnico e da decisão pelo deferimento ou indeferimento do pedido. De acordo com as normas do Ibama, a licença prévia não autoriza a realização do empreendimento. Somente na fase seguinte – Licença de Instalação (LI) – que o órgão autoriza o início das obras desde que observadas as condicionantes descritas na licença ambiental. A terceira e última fase é a Licença de Operação (LO), quando se avalia a implantação dos programas ambientais e se autoriza – ou não – o início da operação do empreendimento. Apesar do início do processo de licenciamento, os representantes da empresa projetam o início das obras para o segundo semestre de 2014. A previsão é de que o porto de águas profundas entre em operação em 2017. No mês de maio último, os representantes do governo do Estado, do empreendimento e da prefeitura do município assinaram uma atualização ao Memorando de Entendimento. O documento garante ações do poder público na melhoria da infraestrutura da área do porto. Chama atenção que o processo foi deflagrado após a descida dos autos da ação penal da Operação Lee Oswald, deflagrada pela Polícia Federal no município, que tornou públicas as denúncias feitas com exclusividade por Século Diário sobre as polêmicas na compra de áreas pela mineradora Ferrous. Em decisão de 17 de abril do ano passado, o presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), desembargador Pedro Valls Feu Rosa, transcreveu a denúncia que envolve o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) e seus parceiros, como o atual sócio do peemedebista no escritório de consultoria Éconos, o ex-secretário da Fazenda, José Teófilo de Oliveira, que participaram ativamente das negociações – seja no assessoramento ou na intermediação das transações. Entre fevereiro e agosto de 2008, a ZMM Empreendimentos negociou um total de 379,44 alqueires na região. As operações movimentaram cerca de R$ 121,16 milhões neste curto espaço de tempo. Todas essas transações – a compra das áreas de terceiros pela ZMM e, posteriormente, revendidas para a mineradora – aconteceram poucos dias antes do anúncio oficial do empreendimento, que teve direito à cerimônia no palácio Anchieta, tendo Hartung como anfitrião no dia 31 de julho de 2008. O mapa das negociações – revelado na reportagem publicada em outubro de 2011 – registra casos como a negociação de 36 alqueires (lote 08), que era de propriedade de Adalto Pereira. O terreno foi comprado pela ZMM pelo valor de R$ 2,17 milhões no dia 29 de julho de 2008. No dia 04 de agosto, seis dias depois, a empresa revendeu a área para a Ferrous por R$ 7,90 milhões. Ao todo, a operação de compra e venda dos terrenos em Kennedy rendeu um lucro superior a R$ 50 milhões para os parceiros de Hartung, que incluiu ainda a empresa BK Investimentos e Participações Ltda (também criada para a ocasião), constituída por José Teófilo, o advogado Rodrigo Cardoso Freitas e o corretor imobiliário Paulo Sardenberg. Já a ZMM efoi registrada no nome dos irmãos José Maria e Marco Antônio Vieira de Novaes. Pouco depois da conclusão das transações das áreas, o governo Paulo Hartung garantiu a concessão de incentivos fiscais para a Ferrous Resources. Na época da decisão do presidente do TJES, o magistrado solicitou a vinda de uma força-tarefa da Polícia Federal para investigar a operação. No entanto, o pedido de “federalização” do caso acabou sendo frustrado após uma forte movimentação nos bastidores políticos. Tanto que o sócio de Hartung chegou a recorrer, naquela oportunidade, ao Ministério Público Estadual (MPE) para que encampasse as investigações. Desta forma, a ação de José Teófilo acabou esvaziando o pleito do desembargador Pedro Valls, que chegou a negar a denúncia criminal assinado pelo então procurador-geral de Justiça, Fernando Zardini, quando cobrou a inclusão dos eventuais nomes que estavam no “topo da pirâmide do crime organizado no Espírito Santo”. Atualmente, a ação penal do caso tramita na comarca de Presidente Kennedy após a perda do foro privilegiado dos denunciados – entre eles, o ex-prefeito cassado do município Reginaldo Quinta (PTB), que é tio da atual prefeita Amanda Quinta (PTB).

18/08/2013 / 0 Comments
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Primeira audiência para Plano da Bacia do Benevente acontecerá na próxima quinta

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Na próxima quinta-feira (22) será realizada a 1ª Reunião Pública do Plano de Recursos Hídricos da Bacia do Rio Benevente, onde serão apresentados estudos sobre a qualidade e quantidade das águas do rio, que integra a importante bacia que banha as cidades de Alfredo Chaves e Anchieta, no sul do Estado.   Após essa etapa, será elaborado o enquadramento, que define os principais usos das águas do rio e determina os níveis de quantidade e qualidade a serem alcançados ou mantidos na bacia para que as necessidades básicas de seus dependentes sejam mantidas. Com a finalização do Plano, serão apresentados os resultados dos estudos em reuniões públicas.   Na fase de diagnóstico, o analista de meio ambiente do Iema, Alessandro e Souza Arantes relatou que foram feitos vários estudos, dentre eles a análise da água, o mapeamento dos principais usuários e sistemas de captação e distribuição, o levantamento socioeconômico dos municípios da bacia, das principais atividades desenvolvidas na região e da infraestrutura sanitária disponível.   O plano é uma iniciativa da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Seama), Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) e Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Benevente (CBH Benevente), do qual, aliás, faz parte a Samarco – uma das principais poluidoras do sul do Estado, que opera em Anchieta com quatro usinas de pelotização. Além da poluição do ar, a empresa inviabilizou a pesca artesanal na região com a instalação de seu porto em Ubu.   A reunião, que é aberta ao público, começa às 8 horas, no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) de Alfredo Chaves. O Iema divulgou que as sugestões dos participantes serão consideradas durante a elaboração do Plano de Recursos Hídricos da Bacia do Rio Benevente.

18/08/2013 / 0 Comments
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Casagrande e Hartung podem se unir novamente em 2014

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Renata Oliveira e Nerter Samora Depois da onda de protestos populares do mês de junho, a classe política volta novamente suas atenções para as movimentações eleitorais para 2014. Apesar do “novo” componente trazido pelas demandas da sociedade, o tabuleiro político começa a ser armado.  O Papo de Repórter dessa semana vai analisar o atual cenário local com a reaproximação entre PSB, PMDB e PT na tentativa de reconstruir a unanimidade, com cada ator com seu espaço garantido. Mas será que essa união prospera até outubro do ano que vem? Nerter – O primeiro semestre fechou com o governador Renato Casagrande na corda bamba para a eleição do próximo ano. Com a falta de entendimento com os deputados estaduais, com as lideranças políticas que estão de olho no pleito do próximo ano e com o cenário nacional cada vez mais confuso, sem falar no desgaste trazido pelos protestos populares, a reeleição de Casagrande parecia cada vez mais distante. As declarações do governador também não ajudaram muito, deixaram transparecer o quanto sua administração estava perdido com tudo que vinha acontecendo. O semestre acabou, houve o recesso parlamentar e agora, faltando menos de dois meses para o fim das migrações partidárias, o cenário começa a ganhar uma forma diferente e Casagrande começa a respirar mais aliviado, não é? Renata – Sim. Politicamente falando, alguns fatos ocorridos esta semana ajudam Casagrande em seu projeto de remontar a unanimidade, sistema que garantiu sem problemas sua candidatura em 2010. Ele tirou Macaciel Breda da presidência do PSB, o que para os aliados vai facilitar a construção de alianças proporcionais. Os candidatos acreditavam que Macaciel com o partido na mão costurava em favor de sua campanha à Assembleia no próximo ano. Com a saída dele, Casagrande, aparentemente terá mais facilidade para alinhavar as coligações proporcionais que vão dar sustentação à sua base. Nerter – Essa coisa da possibilidade de Magno Malta não vir a disputar a eleição ao governo do Estado também ajuda muito. Se o senador deixar mesmo o PR, o que muita gente nos meios políticos não acredita, vai ter dificuldade em consolidar sua candidatura ao governo. Isso tiraria uma mochila de pedras das costas de Casagrande. O governador sabe muito bem o que significa ter um palanque de oposição puxado por Magno Malta. Sem ligação política com o grupo que comanda a política no Estado, ele não teria problemas em atacar quem quer que seja. Quem também ficaria aliviado com a saída de Malta do páreo é o ex-governador Paulo Hartung, desafeto do senador. Renata – Caso isso se confirme – e acho difícil – Casagrande e Hartung ficariam mais livres para negociar o processo eleitoral do próximo ano. Até porque ficaria mais fácil atrair o terceiro elemento fundamental para essa discussão: João Coser. Sem Malta oferecendo um palanque exclusivo para Dilma, Casagrande pode oferecer seu palanque neutro para o PT fazer a campanha de Dilma, com a vice garantida para Coser e a vaga do Senado para o ex-governador. Nerter – Neste sentido esse ensaio de aproximação de Eduardo Campos do governo federal é outro movimento que enche de esperanças Casagrande. O grande empecilho para que Casagrande mantenha unida sua base é esse chove-não-molha de Campos. Ele tem como trunfo o fato de não ter se saído bem do desgaste dos protestos e com a dificuldade que Marina Silva está encontrando para viabilizar a Rede. Mas quer pelo menos cinco minutos de TV para se tornar conhecido para além do Nordeste e aí está a dificuldade dele. Renata – Eduardo Campos continua fazendo suas articulações em busca de apoio partidário para sua campanha, mas também não quer mais o confronto com o Palácio do Planalto. A ideia de fazer uma parceria velada com Aécio Neves (PSDB-MG) pode não ser uma boa ideia, dado o desgaste do tucano. O momento é delicado para o socialista e ele sabe disso. Nerter – Até porque essa aproximação com o governo, coloca Eduardo Campos e o PSB no caminho de uma possível sucessão presidencial em 2018. Mas voltando à política capixaba, Casagrande também tomou algumas medidas pontuais, no campo administrativo, para tentar arrumar a casa. É que assim como no campo político, internamente, o governo Casagrande precisa de um rumo, pois parece estar andando em círculos. Para isso, observa-se a tentativa de dar ao governo uma cara jovem e profissional, com destaque para os secretários elencados para gerir crises. Tyago Hoffmann (Governo); André Garcia (Segurança) e Fábio Damasceno (Transportes).  O primeiro para ser o representante do governador nas discussões com a sociedade para evitar desempenhos catastróficos como os do início do governo ao lidar com manifestações populares; o segundo para tentar colocar uma pedra na questão da segurança e o terceiro para discutir a nova agenda do Estado: a mobilidade urbana. Renata – Verdade. O problema é que apesar de trazer uma roupa nova, o discurso trazido pelos porta-vozes é fraco diante da necessidade de uma resposta mais parruda para a crise. Sem uma marca Casagrande para apresentar e defender, os interlocutores do governo ficam sem ter muito o quê dizer, vide Damasceno nas audiências públicas sobre mobilidade urbana. Acho que falta uma estratégia mais apurada de fortalecimento da imagem do próprio Renato. Uma movimentação de chamar para si a responsabilidade, de eliminar os interlocutores, mostrando interesse pela nova agenda política do Estado e do País. Mas, com a diminuição dos protestos, talvez Casagrande consiga recompor sua imagem sem precisar se expor. Embora, eu, particularmente, ache que um governador não pode se omitir diante de demandas populares, o que algumas vezes dá espaço para oportunistas de plantão, doidos para capitalizar com a situação. Nerter – Agora, Casagrande precisa aparar algumas arestas que ainda surgem na classe política. A Assembleia tem um clamor por atenção que se estende desde a chegada do governador ao Palácio Anchieta em 2011. Verbalizada por alguns parlamentares, reflete a insatisfação geral da Casa com o tratamento dado, não só no que diz respeito à procura por secretários, mas também às movimentações políticas,

18/08/2013 / 0 Comments
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Conselho Tutelar de Cariacica recebe equipamentos como cumprimento de TAC entre empresa e MPT

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O Conselho Tutelar de Cariacica recebeu da empresa Aterra Terraplanagem e Construções duas impressoras a laser, para uso exclusivo do órgão, cumprimento de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público do Trabalho do Estado (MPT-ES).    O Conselho Tutelar de Cariacica já recebeu a doação de outros 11 equipamentos eletrônicos em março deste ano.    Os equipamentos foram adquiridos como parte da multa imposta pelo MPT como forma de reparar o dano moral sofrido pela coletividade devido a um acidente fatal ocorrido com um trabalhador da empresa em agosto de 2010.    O acidente que vitimou o trabalhador foi decorrente da falta de análise de risco da tarefa exercida pelo empregado, que trabalhava sozinho, em desconformidade com o que determina a legislação. O MPT instaurou inquérito baseado no Relatório de Análise de Acidente de Trabalho elaborado pelos fiscais da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE-ES).   O MPT designou audiência e propôs o TAC à empresa, que aceitou o acordo e se comprometeu a implementar procedimento de análise prévia dos riscos e as medidas de prevenção de acidentes em todos os serviços que desenvolver.   Como dano moral coletivo, o MPT requereu pagamento de multa, no valor de R$ 20 mil revertido em bens ou serviços a entidades públicas ou privadas, sem fins lucrativos, que tenham entre seus objetivos a prevenção e a reparação de lesões aos direitos dos trabalhadores.

18/08/2013 / 0 Comments
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??nibus deverão parar fora do ponto para aumentar a segurança de mulheres e idosos

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A Câmara de Vila Velha aprovou o Projeto de Lei nº 1614/13, de autoria do vereador Valter Rocon (PDT), que estabelece normas para o desembarque de mulheres e idosos, em período noturno, no transporte coletivo do município.   Segundo o projeto, os motoristas de ônibus de Vila Velha deverão,depois das 21 horas, realizar o desembarque de mulheres e idosos em qualquer local onde seja permitido parar ou estacionar, ao longo do trajeto regular da respectiva linha, mesmo que nele não haja ponto de ônibus regulamentado.   Com a lei, mulheres e idosos poderão descer no local mais próximo de seu destino. O objetivo da proposta é garantir mais segurança a esse dois segmentos mais vulneráveis da população.   Se aprovado, a nova lei deverá ser fixada nos ônibus municipais para informar os usuários sobre o novo direito. Caso a medida seja descumprida, a multa é de 100 salários mínimos à empresa infratora.   A lei foi enviada para a sanção nesta semana. O autor da proposta disse que a lei deverá garantir o bem-estar e a comodidade de idosos e mulheresdurante a noite, quando as ruas se tornam mais perigosas.    Segundo o líder do prefeito na Câmara,  Joel Rangel (PSB), esse projeto já foi aprovado pela população. “A medida é para o bem comum e não representa dificuldade alguma para a empresa que opera o sistema de transporte coletivo. Aliás, os micro-ônibus (aqueles com ar condicionado), que circulam entre Vila Velha e Vitória, já fazem isso. Eles param no local que o passageiro solicita, independente da existência ou não de ponto de ônibus”.   

18/08/2013 / 0 Comments
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Lideranças sem mandato cobiçam cadeira na Assembleia e Câmara

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Como se não bastasse a diminuição de vagas, que vai aumentar o cociente eleitoral para o próximo ano, os deputados federais e estaduais também observam as movimentações de lideranças políticas sem mandato que querem uma recolocação no mercado e que têm um capital eleitoral ameaçador.    Para deputado federal, o PSDB apresentará dois ex-prefeitos: o de Vitória, Luiz Paulo Vellozo Lucas; e o de Vila Velha, Max Filho. Somados a outros nomes que vão disputar a eleição pelo partido ou com os aliados, os tucanos buscam duas vagas, o que pode complicar a vida, inclusive do deputado federal do Partido, Cesar Colnago.    Caso se repita a trinca PMDB, PSB e PT, que levou metade da bancada em 2010, a disputa será acirrada. O PT teria dois nomes fortes: o vice-governador Givaldo Vieira, que vem se movimentando bastante no Estado para conseguir a vaga, e o ex-prefeito de Cariacica Helder Salomão, além da deputada federal Iriny Lopes, que pretende disputar a reeleição.    O PSB perdeu o grande puxador de votos da eleição passada. Audifax Barcelos, que assumiu a prefeitura de Serra. O partido apostará na ampliação da base do deputado federal Paulo Foletto. Mas a novidade para a eleição será a candidatura do secretário de Esportes Vandinho Leite, que também vem tirando o sono de muita gente na bancada.   O PDT tem hoje três federais, mas a coisa deve mudar para o próximo ano, já que o deputado Manato não deverá disputar a eleição pelo partido. Sérgio Vidigal deve ser candidato, o que muda as pretensões eleitorais da mulher dele, a deputada Sueli Vidigal. O deputado Jorge Silva deve ter muita dificuldade em se reeleger.    No PMDB pode haver um desmonte da bancada. Camilo Cola não deve disputar a eleição, a deputada Rose de Freitas almeja o Senado e Lelo Coimbra seria regra três para a vice na chapa majoritária de Renato Casagrande. Outro nome de fora que aposta nos meios políticos é o ex-prefeito de Vila Velha, Neucimar Fraga (PV).    A grande questão é como ficarão as coligações proporcionais a partir da definição das majoritárias. Por isso, os partidos que não têm candidato a governador terão mais facilidade para se movimentar, buscando a melhor acomodação em 2014. Com a diminuição de uma vaga na bancada na Câmara dos Deputados, o cociente eleitoral deve superar os 220 mil votos. Lembrando que o recordista de votos na eleição à Câmara em 2010 foi Audifax com 161.856. A marca retumbante bateu o recorde que pertencia ao deputado federal Lelo Coimbra (PMDB) nas eleições de 2006, quando o peemedebista, puxado pelo padrinho Paulo Hartung, obteve 120.821 votos.

18/08/2013 / 0 Comments
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Incidente no aeroporto

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Se viram no aeroporto, essa ilha isolada no tempo, estação de lugar nenhum,  tanto se vai como se chega, tanto se ri como se chora,  o que não é culpa de ninguém. O destino tramou o enredo certo na hora errada, pois iam para lugares opostos, e nenhum dos dois sabia a data de retorno. Um breve encontro, uma rápida troca de emails, sabendo ambos que não mandariam a primeira mensagem. Nenhum dos dois deu o número do celular, o que evitaria os transtornos futuros. Mas coincidência e dor de barriga não acontecem uma vez só.     Foram, voltaram, quase se esqueceram. Até a próxima outra viagem, para destinos opostos e  distantes. Desta vez tiveram tempo para um cafezinho no bar da esquina, se é que aeroporto tem esquina. Ela comprou chicletes para a dor de ouvido que sempre tem nas aterrissagens, ele comprou uma revista para ler na viagem. Chamada para embarque. Riem-se ambos, disfarçando a tristeza. Breve troca de beijinhos, e nenhum dos dois repassou o endereço do email.  E tudo acabaria aqui, pois um raio não cai três vezes no mesmo lugar.     Mas o destino resolveu ser mais explícito, ata ou desata essa história de uma vez.  E provoca um tumulto no aeroporto – terra de ninguém. Conhece alguém que nasceu, morreu ou casou num aeroporto? Já ouvi contar histórias, mas ver nunca vi. O tumulto foi ocasionado por um estranho pacote abandonado  na área de check-in, na hora de maior  movimento, véspera de feriadão. A polícia é acionada e os voos suspensos.  Foram para outro bar, onde conseguem uma mesa e duas cadeiras disponíveis. Ele pediu cerveja, ela pediu refrigerante diet, não dou o nome porque não me pagam a propaganda.       O mistério do estranho pacote levou duas horas para ser esclarecido, e a rotina anônima de um aeroporto movimentado em vésperas de feriadão volta a se agitar como uma colmeia invadida pelo ladrão de mel. Duas horas não são nada, convenhamos, duas voltas rápidas dos ponteiros do tempo, que nem sabem quantas voltas dão eternidade a fora. Mas tempo suficiente para Murilo e Magda se conhecerem. Em volta de um  prato intocado de pão de queijo, descobriram com tristeza que, desta vez, as viagens eram sem volta.      Acabou meu estágio na empresa, ela disse. Acabou meu relacionamento sem deixar saudades, ele disse.  Na mesa ao lado, uma jovem chora copiosas lágrimas – fosse para onde fosse, não queria ir. Coincidência 1, ia para a mesma cidade de Murilo; coincidência 2, queria ir para qualquer lugar do planeta, menos para onde a passagem deixava ir.  Por que vai, então? Volto para um marido que odeio. Por que não fica, então? O irmão dele, que também odeio, mora aqui e me mata se eu não for. São dois trogloditas.     Num instante a vida volta ao normal em um aeroporto onde tudo é transitório. As chamadas para os voos soam apressadas nos alto-falantes. Murilo e Magda embarcam no mesmo avião,  ela com a passagem da outra passageira, cujo nome não será revelado por questão  de segurança. Até hoje o marido e o irmão a procuram.  Ah, o pacote suspeito que provocou grandes reviravoltas nessas vidas pequenas foi apenas um amontoado de fraldas sujas que a mãe esqueceu de jogar na lixeira.

17/08/2013 / 0 Comments
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Movimentos no escuro

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Ainda sob o efeito de muita fumaça no campo nacional, os partidos do Estado procuram uma acomodação principalmente para as disputas proporcionais. PP e PPS devem mesmo permanecer na base do governador Renato Casagrande.    A ida de Neucimar Fraga para o PV também favorece essa discussão. Como o governador prega a neutralidade na disputa presidencial, pode favorecer a aproximação com legendas das mais diferentes colorações.    O desafio na proporcional é encontrar uma coligação ou perna que permita a ocupação de um espaço político que ficará reduzido com as mudanças nas composições da Assembleia e da Câmara dos Deputados, um elemento ainda em discussão no Supremo, mas que tende a se confirmar para o próximo ano.    Essa modificação aumentará o cociente ao mesmo tempo em que diminuirá o número de vagas. Quem vai disputar as eleições presidenciais; se o partido de Marina Silva vai se viabilizar até outubro; se Magno Malta vai permanecer no PR e na disputa do próximo ano, e se Paulo Hartung e Renato Casagrande estarão juntos novamente em 2014 são as perguntas que circulam nos meios políticos, dificultando as escolhas.    Os partidos conversam neste momento com um enorme “SE” em suas cabeças. Costuram, fecham até blocos, mas não definem para onde vão caminhar. Tudo depende de muita coisa e uma escolha errada poderá complicar a vida de muita gente, até porque o número de lideranças flutuando sem mandato e com capital eleitoral é grande.    Outro senão a ser considerado é que a revolta popular que tomou o país nos últimos meses pode fazer com que as urnas sofram uma grande influência no próximo ano dos ecos das manifestações. A rejeição à política institucional em vigência no País é grande e a demonização da classe política ganhou proporções nunca vistas.    Quem tentou pegar carona na onda de protestos, como o PSDB, por exemplo, se queimou, basta ver o desempenho do partido na última pesquisa.    A classe política que ficou perdida no período das manifestações, agora também não sabe o que fazer em relação às articulações eleitorais, porque não sabe o que a espera em 2014. Uma coisa todos sabem: não será igual àquela eleição que passou. 

17/08/2013 / 0 Comments
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Mestre Capixaba enfrenta uma velha sina capixaba

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Quem esteve no Sítio Histórico Porto de São Mateus em 2007 se emocionou com uma histórica roda de capoeira. Dentro jogavam dois monumentos: João Grande e João Pequeno. Este faleceu em 2011. João Grande, que em fevereiro fez 80 anos, há muito vive em Nova Iorque, ensinando a luta brasileira na multicultural Manhattan.    Essa bela página da história da capoeira foi escrita durante a primeira edição do Encontro Internacional e Jogos Abertos Acapoeira, organizado pelo Mestre Capixaba. Apesar disso, seis anos depois, o encontro chega à quinta edição tropegamente.    O evento deste ano, que acontece em Itaúnas (Conceição da Barra) entre os dias 21 e 25 de agosto, recebeu um único apoio oficial, oriundo da Secretaria de Estado da Cultura. Mesmo assim, via emenda parlamentar (do deputado estadual Sérgio Borges, do PMDB).   Realizado desde 2007, o encontro reflete uma interessante característica de seu organizador: o trânsito que ele tem por mais de 30 grupos. Por uma questão, digamos, cultural, grupos de capoeira são como que organizações que tendem a não estabelecer laços entre si. Os integrantes de um grupo só jogam com seus pares.   Mas aí, para Capixaba, não há vivência. Desde aluno, em meados dos anos 70, ele se movimentava entre os grupos rivais de Vitória. Hoje ele trabalha para a aproximação entre os grupos, processo que o encontro catalisa. Sua filosofia sustenta que laços mais estreitos significam intercâmbio cultural e, portanto, enriquecimento da capoeira.   Por isso o Encontro Internacional e Jogos Abertos atrai praticantes do Brasil e do mundo inteiro, de vários grupos, sem discriminar graduação. Já veio gente da EUA, Canadá, Alemanha, Áustria, Suécia, Espanha, Suíça, França, Hungria, República Techa, Colômbia.    Para esta edição estão previstas as participações de mestres e professores dos EUA, Áustria, Suíça, Espanha, Alemanha, Colômbia e Hungria: Mestre Preguiça (EUA), Professor Tapioca (Áustria), Professor João de Barro e Professora Bela (Suíça), Professor Bala (Espanha), Professor Pit Bull e Professora Pérola (Alemanha), Instrutor Tigrinho (Colômbia), Mestre Paulão (Hungria).    A principal atração será a formatura dos professores Rafael (Rio de Janeiro) e Sururu (Minas Gerais). É sempre comovente o solene momento em que as portas da capoeira se abrem para novos mestres. Rafael e Sururu acompanham Mestre Capixaba há quase três décadas. A ideia, agora, é viajar com os dois para alguns países e aprimorar com eles o ensino da capoeira.   Entre o final de maio e o final de junho deste ano Mestre Capixaba iniciou pela Espanha sua peregrinação de 30 viagens anuais. Grécia, Holanda e Alemanha vieram a seguir. De volta ao Brasil, mais avião: Rio Grande do Sul, São Paulo, Piauí, Roraima e Fortaleza. No final de setembro, já há compromisso agendado nos Estados Unidos.   Mestre Capixaba é um dos capoeiristas mais requisitados do mundo. Ao lado dos mestres João Grande (EUA), Camisa (RJ), Preguiça (EUA), Itapoã (BA), Tabosa (DF), Di Mola (Suécia) e Sabiá (BA), é um dos principais difusores dessa arte marcial genuinamente brasileira.    São 35 anos enfrentando viagens longas e rotinas exaustivas para levar um patrimônio imaterial brasileiro aos quatro cantos do globo – ele não sabe quantos países já visitou – e a incontáveis cantos e recantos do Brasil. Mas se diz cansado. Tanto que planeja um 2014 diferente: programou apenas duas viagens ao exterior, Austrália e Inglaterra, dois países ainda não visitados.   Fosse apenas as viagens que lhe provocassem os achaques do cansaço, ok, ótimo. Mas não. O mestre é mais uma ilustre vítima de um mal genuinamente capixaba. Fora das fronteiras estaduais, banham-lhe em honras, láureas, reconhecimento e respeito. Cá dentro, paira o silêncio.    O mestre é ao mesmo tempo causa e efeito do fenômeno internacional em que se transformou a capoeira: hoje são cerca de 10 milhões de praticantes no mundo e um dos mais praticados no Brasil. É um dos muitos capoeiristas que deixaram a terra natal para semear as sementes da capoeira mundo afora. E, aí, cada lugar o levou a outro e mais outro e mais outro.   Ano que vem Mestre Capixaba celebra 40 anos de devoção à capoeira. Aprendeu os primeiros golpes com o irmão mais velho, numa época em que Vitória era dividida em grupos (Praia do Canto, Centro, Jucutuquara, agregando ainda Vila Velha), de capoeiristas ou não, que não podiam se cruzar. Do contrário, era briga.    Quem amainou as disputas e de certa forma aproximou os grupos chama-se Diabo-Louro, mestre baiano que chegou ao estado no início dos anos 70. Diabo-Louro transitava entre os grupos, dando aula em Jucutuquara e no Praia Tênis Clube. Outra iniciativa que quebrou o gelo foi a organização do 1° Campeonato de Capoeira.     Foi embora pouco depois, em meados da década, e deixou alunos para Mestre Binho, seu aluno mais graduado. Binho foi o primeiro mestre de Capixaba.   Quase 40 anos depois, Mestre Capixaba ainda insiste para que o santo de casa faça milagre. Mesmo experimentando o gosto da glória que o gênero conheceu de algumas décadas para cá, como expressão cultural legitimamente brasileira (algo que o mundo globalizado adora, como o samba, o choro, o carnaval), ele ainda não conseguiu.   Mestre Capixaba conhece os dois lados da capoeira: a marginalização e a celebração. No Espírito Santo, parece viver os séculos em que cada meia-lua escrevia no ar a história animalesca da escravidão colonial-imperial ou do preconceito republicano, quando em 1890 um decreto federal proibiu a capoeira, situação que só teve bom termo em 1935.    Demorou bastante para essa arte-marcial nascida nas senzalas e quilombos cativar os milhões pelo mundo que hoje a praticam. Esse é o lado bom da história, que Mestre Capixaba felizmente conhece bem. A ponto de ter vivido episódios marcantes no exterior.   Em Israel, a capoeira só perde para o Krav Magá em número de praticantes. Há alguns anos, uma universidade de Israel precisava da assinatura de um mestre de brasileiro para autenticar a cadeira de capoeira. Mestre Capixaba foi o responsável. O país não lhe era estranho: o

17/08/2013 / 0 Comments
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