Após alguns meses de negociação e persistência, o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) teve uma de suas demandas atendida. O governo do Estado assinou, nessa quarta-feira (14), o Decreto nº 3353-R, o “Mulher Agricultora”, que dá à trabalhadora rural o direito de assinar o bloco de notas das propriedades com o marido. Valmir Noventa, coordenador regional do MPA, considera a medida um grande avanço e contextualiza o histórico da luta do movimento. Há dois anos as políticas públicas do governo federal exigem uma participação mínima das mulheres agricultoras, não só no campo, mas também em programas como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida, nos quais a preferência da posse do benefício é da mulher. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) também passaram a exigir que, para a aprovação de um projeto destinado ao abastecimento alimentício, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), os grupos devem ter uma participação feminina de 40%. Ou seja: os produtos oferecidos precisam ter registros de produção em fazendas sob posse de mulheres. Do contrário, o projeto é recusado. “Concordamos com essa meta, mas achamos que o governo, primeiramente, deveria ter preparado as famílias e as mulheres para essa mudança, o que não aconteceu na época”, relatou Valmir. No Espírito Santo, a maioria das propriedades rurais está em nome do homem e a mulher somente é incluída como esposa, muitas vezes mesmo por uma imposição do cartório, segundo o agricultor. Dessa forma, no bloco de notas, somente o nome do produtor, o homem, é registrado. Sem a participação feminina registrada no bloco de notas, Valmir estima que 90% dos projetos capixabas seriam recusados por não atingir o percentual mínimo de participação das mulheres. Então, o MPA se mobilizou em suas instâncias estaduais e nacionais. No Espírito Santo, Valmir e seus companheiros se reuniram com Maurício Duque, secretário de Estado da Fazenda, que disse que a medida era difícil. “Mas nós sabíamos que era simples de ser feito”, disse o militante. Em Brasília, agricultores familiares de todo o país ouviram da presidenta Dilma Rousseff que a solução para a inclusão feminina é estadual. Chegaram a se reunir com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e com a Secretaria de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Enfim, o pedido dos agricultores foi atendido. Valmir estima que, com a inclusão da trabalhadora rural na posse da propriedade e com o reconhecimento do trabalho da mesma, raras exceções ficarão de fora de programas de abastecimento. Mas ele lembra que ainda há um caminho para regularizar outro ponto da medida: as terras que incluem o nome da mulher no bloco de notas são somente as que foram adquiridas após o casamento. Ou seja, se o homem comprou uma propriedade antes de se casar, a mulher continua sendo somente sua esposa no papel, e não compartilha dos mesmos direitos legais. O MPA quer que a mulher seja reconhecida, agora, pelo trabalho que teve pelo desenvolvimento da produção, independentemente da oficialização da união. “Reconhecemos a conquista, mas vamos continuar com a nossa principal luta: pela reforma agrária, a mais importante, e pela qualidade do alimento que é servido às populações, sobretudo às urbanas. Uma política só não basta”, finalizou.
Relatos de familiares marcam o encerramento da Comissão Nacional da Verdade em Vitória
Rubinho Gomes Especial para Século Diário Em depoimento na manhã desta sexta-feira (16), no auditório do hotel Golden Tulip, em Vitória, na sessão da Comissão Nacional da Verdade (CNV), o cineasta Orlando Bonfim Neto pediu que todas as comissões da verdade e entidades governamentais se unam e mantenham o foco na busca dos corpos dos desaparecidos políticos – seu pai, o jornalista capixaba Orlando Bonfim Júnior, ex-dirigente do Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB), está desaparecido desde 1975, quando foi preso pelo DOI-Codi do Exército. “Na minha família estamos cansados de receber comendas e nunca mais tivemos notícias de meu pai”, desabafou. “O grande foco da CNV deve ser a busca pelos corpos dos mortos e desaparecidos e digo isso em causa própria mesmo. Minha família é vítima muito antes da prisão do meu pai. Desde criança sou vítima da ditadura. Chegamos a ficar três meses sem poder sair de casa”, relatou o cineasta. Orlando Bonfim considerou inaceitável que nenhum membro da Comissão Estadual da Verdade, instalada em maio pelo governo estadual, tenha comparecido ao encontro promovido pela CNV para ouvir depoimentos das vítimas da ditadura no Espírito Santo, iniciados na manhã de quinta-feira (15), e concluídos na tarde desta sexta-feira com a realização de audiências sigilosas onde, separadamente, índios guaranis e quilombolas apresentaram suas questões específicas, como a demarcação de suas terras e expulsões de áreas tradicionalmente ocupadas por aldeias e comunidades. A psicanalista Maria Rita Kehl, integrante efetiva da CNV, destacou o massacre dos índios durante a ditadura militar brasileira. Ela disse que os índios foram considerados obstáculos aos caminhos do desenvolvimento, e por isso foram exterminados, não só para abertura de estradas e construção de hidrelétricas, mas também na Amazônia para transformar áreas indígenas em grandes latifúndios de empresas multinacionais. Um dos caciques guaranis presente ao encontro desabafou: “Estamos aqui para contar a verdade sobre o roubo de nossas terras pela Aracruz Celulose [Fibria], pois na época da ditadura não podíamos nem falar que éramos indígenas. Onde estiver, o povo guarani será sempre um só. Onde houver humanidade tem que ter amor”, disse o índio. “A Esquerda Armada” O subsecretário de Direitos Humanos do Estado, Perly Cipriano, entregou à CNV um exemplar do livro inédito do falecido jornalista Luzimar Nogueira Dias “A Esquerda Armada”, com entrevistas de presos políticos nos anos 70, inclusive do próprio Perly. Segundo ele, “a sociedade civil tem uma enorme contribuição a dar para que busquemos um futuro melhor, pois o país pela primeira vez começa a olhar para ele mesmo”. Perly defendeu que os serviços de inteligência (P2) que ainda funcionam nos governos federal e estaduais sejam normatizados “pois nada impede hoje que eles extrapolem suas atribuições e violem os direitos de muitos cidadãos”. Para o subsecretário, “o sonho é fazer uma rede de comissões da verdade” e defendeu o mapeamento de locais onde ocorreram torturas e prisões no Espírito Santo. Troca de informações Depois de admitir que chegou a pensar em propor o encerramento das atividades da Comissão da Verdade da Assembleia Legislativa, o deputado estadual Claudio Vereza (PT), garantiu, na manhã desta sexta-feira (16), que se propõe a realizar na sede do Legislativo capixaba uma reunião de todas as comissões da verdade do Estado para troca de informações e unificação de procedimentos, evitando duplicidade de ações. “Também vamos ouvir os cassados, a quem pretendemos devolver os mandatos, principalmente Benjamin Campos, cassado em 1947 por integrar o Partido Comunista Brasileiro (PCB). E vamos também apurar momentos difíceis da Assembleia como a renúncia do ex-governador Chiquinho em 1966. E vamos dar nossa contribuição para que todas as comissões cumpram seu trabalho da melhor forma possível”, garantiu. Vídeo de Claudio Guerra O professor Pedro Ernesto Fagundes, da Comissão da Verdade da Ufes exibiu um vídeo onde mostra que o trabalho dos professores está concentrado nas atividades da extinta Assessoria de Segurança e Informação da Ufes, então chefiada pelo professor Alberto Monteiro dentre outros membros da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (Adesg) que produziram enquadramentos de estudantes e professores nos decretos 477 e na Lei de Segurança Nacional. Ele informou que a Comissão da Ufes pretende disponibilizar para acesso público todos os documentos encontrados. A Comissão da Verdade do Sindicato dos Jornalistas do ES entregou à CNV cópia do vídeo do depoimento prestado pelo ex-delegado da Polícia Civil capixaba Claudio Guerra. No vídeo Guerra acusa o empresário e deputado federal Camilo Cola (PMDB) pela morte do dono do jornal popular “Povão”, em 1981, e assume atentados a bomba praticados contra diversos jornais, inclusive Jornal da Cidade e A Tribuna, em Vitória. Além disso, a Comissão dos Jornalistas informou ter documentado o empastelamento do jornal Folha Capixaba, ocorrido poucos dias depois do golpe de 1964, além de ter ouvido depoimentos de jornalistas perseguidos pela ditadura e sobre a censura imposta em todas as publicações logo depois do AI-5. Também fizeram relatos de suas atividades a Comissão da Verdade do Ministério Público e da Associação dos Magistrados do ES, além da coordenação do Fórum Direito à Memória e à Verdade do ES, que desde o ano passado tem se mobilizado pela criação de comissões da verdade em diferentes segmentos da sociedade civil.
Parceria entre prefeitura e universidade quer acelerar regularização fundiária em Vitória
A Prefeitura de Vitória firmou convênio nesta sexta-feira (16) com a Faculdade Multivix para solucionar os entraves que impedem a regularização fundiária na Capital. A iniciativa contará com o apoio dos alunos do curso de Direito da instituição. “Essas parcerias são muito importantes, pois nos ajudam a resolver os entraves jurídicos que encontramos, principalmente na etapa de titulação, além de ser uma oportunidade para os estudantes atuarem nesta área. Com isso, poderemos entregar um número ainda maior de escrituras”, explicou o secretário Municipal de Habitação, Sérgio Sá. Com a parceria, acrescentou o secretário, os munícipes que quiserem obter ajuda terão todo o atendimento jurídico gratuito, por meio do Núcleo de Práticas Jurídicas da Multivix. O secretário garantiu que tudo será feito baseado no direito constitucional à moradia digna e auxiliado pelo Núcleo de Práticas Jurídicas. Serão atendidas pelo convênio as pessoas que não tem condições de arcar com a regularização de seus terrenos e já possuem processos em andamento na Gerência de Regularização Fundiária (GRF). O beneficiário do serviço, que é gratuito, tem de ter renda de até três salários mínimos. “Os agendamentos irão acontecer conforme a necessidade e serão realizados pelas assistentes sociais da GRF. Elas irão entrar em contato com o munícipe e agendar o dia e o horário com o Núcleo de Práticas Jurídicas da faculdade. Não há necessidade de o morador ir até a secretaria ou à faculdade”, explicou a gerente de Mapeamento e Informações Habitacionais, Denise Locatelle. Os atendimentos serão agendados pela equipe da Secretaria Municipal de Habitação (Sehab). A iniciativa segue a recomendação feita durante a Conferência das Cidades, em maio deste ano, em Vitória, quando o o presidente da Federação Nacional dos Arquitetos Urbanistas (FNA), Jeferson Roselo Mota Salazar, apontou que apesar de ser reconhecida por ter uma regularização fundiária avançada, Vitória precisava garantir o direito à assistência técnica pública para toda a população. Na ocasião, Salazar, chegou a propor que o município criasse um fundo de assistência técnica, em parceria com entidades profissionais e universidades para trabalhar a questão de habitação na cidade. A Conferência das Cidades foi realizada nos âmbitos municipal, estadual e federal com o objetivo de fomentar a reflexão e participação popular sobre os programas e projetos de política urbana. A conferência foi criada pelo Ministério das Cidades em 2003 e realizada no Estado em maio deste ano.
Agentes penitenciários aceitam proposta do governo e suspendem paralisação
Os agentes penitenciários do Estado suspenderam na tarde desta sexta-feira (16) o movimento de greve iniciado na segunda-feira (12). Na ocasião, o governo pediu um prazo até as 14 horas de hoje (16) para entregar as respostas para as demandas da categoria. Momentos antes do prazo vencer o Sindicato dos Agentes do Sistema Penitenciário do Estado (Sindaspes) recebeu a resposta do governo. Após a notícia, a diretoria da entidade se reuniu em assembleia com os agentes no Complexo de Penitenciário de Viana para avaliar a proposta. De acordo com o presidente do Sindaspes, Antônio Carlos Vilela, a categoria decidiu por suspender o movimento grevista e aceitar a proposta do governo. Uma das demandas foi a reenquadramento da carreira dos agentes, que nunca foi feito. O governo garantiu que até a próxima sexta-feira (23) a proposta vai ser formulada pela Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (Seger) e até o dia 15 de setembro segue para a Assembleia Legislativa. Os agentes também cobraram mais vagas de agentes penitenciários efetivos. Como há um concurso em andamento e os aprovados só iniciam o curso de formação em janeiro de 2014, o governo propôs a realização de um processo seletivo simplificado para preencher as vagas enquanto os efetivos não se formam. De acordo com Vilela, o concurso deve formar cerca de mil agentes. Caso o processo ocorra no prazo, até meados de 2014 o número de agentes penitenciários pode passar de 900 para cerca de 1,9 mil profissionais. O sindicalista salienta que a categoria vai continuar cobrando a realização de novo concurso público para o preenchimento de todas as vagas disponíveis. Ele ressaltou que, caso os prazos dados pelo Estado para o cumprimento das propostas não sejam cumpridos, a categoria não descarta nova paralisação. Os agentes também cobram mais segurança nos estabelecimentos prisionais e funcionamento dos presídios dentro da capacidade.
Justiça Federal recebe denúncia contra três pessoas por tentativa de fraude contra o INSS
O juiz da 2ª Vara Federal em Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado), André Luiz Martins da Silva, recebeu uma ação penal contra três pessoas pela tentativa de fraude na obtenção de benefício previdenciário indevido. O Ministério Público Federal no Estado (MPF/ES) denunciou Luceia Rodrigues, Cirlene de Alencar Soares e Maurino Soares pelos crimes de falsidade ideológica e tentativa de estelionato, em três ocasiões diferentes entre maio de 2012 e junho deste ano – todas sem sucesso. De acordo com informações do MPF/ES, os denunciados utilizaram, no total, dez documentos públicos falsos, entre certidões de nascimento, CPF e carteiras de identidade e de trabalho. A denúncia narra que os três réus conseguiram os documentos a partir de declarações falsas em cartório, que renderam três certidões de nascimento com nomes diferentes para Luceia. Essas certidões acabaram sendo utilizadas para a expedição de outros documentos aos órgãos competentes. Na ação, o órgão ministerial narra três tentativas dos réus de obterem o Benefício de Prestação continuada da Assistência Social, porém, os funcionários do INSS acabaram negaram todos os pedidos após suspeita de fraude. A primeira tentativa de estelionato teria ocorrido em maio de 2012, na Agência da Previdência Social de Guaçuí (região Caparaó). Luceia, passando-se por Francisca Nogueira, apresentou certidão de nascimento, CPF e carteira de trabalho falsas. A segunda tentativa aconteceu quatro meses depois com a repetição do procedimento anterior, só que desta vez na agência em Mimoso do Sul. Na ocasião, Luceia se passou como Maria Candal de Oliveira, mas o benefício foi novamente negada após suspeita de irregularidade. Em junho de 2013, os denunciados fizeram uma terceira tentativa, agora na agência de Iúna. A denúncia relata que, na tentativa de “aumentar a credibilidade da farsa”, eles teriam apresentado uma carteira de identidade e mais três documentos particulares falsos, onde Luceia se passava como Isaura Fontes. De acordo com a ação, os acusados Contaram com a ajuda no terceiro golpe do irmão de Cirlene, Roberto de Alencar; do filho de Cirlene e Maurino, André Soares de Alencar; e de Clodoaldo Tarciso da Costa, que forneceu os documentos particulares falsificados. Eles também acabaram sendo denunciados pela suposta colaboração no esquema, relata o site do MPF/ES. Segundo informações extraídas do site da Previdência Social, o Benefício de Prestação continuada da Assistência Social (BPC) é um benefício individual, não vitalício e intransferível, que assegura a transferência mensal de um salário mínimo ao idoso, com 65 anos ou mais, e à pessoa com deficiência, de qualquer idade, com impedimentos de longo prazo. Em ambos os casos, deve ser comprovada a impossibilidade da garantia do próprio sustento.
Helder evita confrontar Juninho, mas sai fortalecido para 2014
O futuro político do prefeito de Cariacica Geraldo Luzia, o Juninho (PPS), depende apenas dele próprio, já que seu antecessor, Helder Salomão (PT), não parece estar disposto a antecipar qualquer disputa no município pela atenção do eleitorado. Mesmo com o atual prefeito tentando colar na gestão passada os problemas do início se sua administração, Salomão não revida e nem tenta barrar benefícios do governo para o município. Desde que chegou à prefeitura de Cariacica, Juninho vem alegando não ter recursos para colocar em prática suas promessas de campanha. Mas a realidade financeira do município é bem diferente. Cariacica triplicou sua receita durante os dois mandatos de Helder Salomão e, dos prefeitos da Grande Vitória, a situação do popular-socialista é apontada nos meios políticos como a melhor da região. Mesmo assim, Juninho passou todo o primeiro semestre culpando seu antecessor por dívidas. O problema estaria na verdade na escolha da equipe de governo e do planejamento estratégico. O atual prefeito, porém, tem um trunfo muito forte, que também é conhecido de seu antecessor, a simpatia do eleitor, o que pode dar a Juninho o tempo necessário para se organizar e mostrar algum resultado. Quanto a Helder, o ex-prefeito tem um caminho aberto para sua candidatura de deputado federal em 2014. As outras lideranças com votos no município, como os deputados estaduais Marcelo Santos (PMDB), José Esmeraldo (sem partido), Sandro Locutor (PV), Gilsinho Lopes (PR) e Lúcia Dornellas (PT), são candidatos a deputado estadual e, a princípio, o petista corre livre para disputa à Câmara dos Deputados. Essa disputa vantajosa para Helder pode fortalecê-lo para a disputa pela prefeitura em 2016. À frente da Secretaria de Ação Social, Helder até poderia tentar dificultar a vida do sucessor, mas em vez disso, vem tentando garantir recursos para a prefeitura, o que pode trazer mais benefícios para o ex-prefeito.
Prefeitura de Colatina terá que licitar concessão de ônibus do município
A Prefeitura de Colatina (norte do Estado) terá seis meses para concluir uma nova concorrência pública para a concessão do serviço de transporte coletivo do município. A decisão é do juiz Getter Lopes de Faria Júnior, da Vara da Fazenda Pública Municipal, que acolheu o pedido de liminar em ação civil pública movida pelo Ministério Público Estadual (MPE). No processo, o órgão ministerial apontou falhas na atual prestação dos serviços, que é feito por duas empresas, Viação Joana D’Arc e Viação São Roque. Na decisão prolatada no último dia 26, o magistrado apontou a nulidade da Lei Municipal nº 4.554/1999, que autorizou ao prefeito delegar, sem licitação, pelo prazo de 15 anos, a prestação do serviço de transporte coletivo em Colatina. Para o juiz, a legislação do município é contrária ao disposto na Constituição Federal, que obriga as concessões e permissões de serviços públicos sejam precedidas de procedimento licitatório. “Portanto, além da aparente – ou evidente – inconstitucionalidade perante a Carta Federal, estamos diante da nulidade do instrumento normativo local pela utilização de Lei Orgânica para regular prestação de serviço público sob o regime de permissão ou concessão, e essa mesma Lei ainda ignora, por completo, os demais critérios básicos ou fundamentais (licitação; excepcionalidade de contrato; direito dos usuários; política tarifária, etc.) impostos para a delegação desses serviços, gerando, também aí, nulidade intransponível dos atos em referência”, diz a decisão. No texto, o juiz Getter Lopes afirma que, mesmo com a proximidade do término das concessões (outubro de 2014), a administração municipal não demonstrou a intenção do restabelecimento da legalidade. Desta forma, o magistrado concedeu o prazo de seis meses para a promoção – e conclusão – do procedimento licitatório ou que a prefeitura reassuma a prestação direta do serviço, sob pena de multa de R$ 2 mil por dia de atraso. Seguindo o entendimento judicial nos casos das concessões do Sistema Transcol, linhas intermunicipais e do município de Vitória, o juiz Getter Lopes manteve a prestação dos serviços pelas atuais empresas: “O interesse público da continuidade ou da não interrupção abrupta dos serviços, não autoriza um provimento (decisão) de imediata cassação dos serviços pelas rés, que poderão continuar até a contratação da vencedora [da licitação], sob pena de prejuízos incalculáveis à população”. Nos autos do processo, o Ministério Público questiona a legalidade das atuais concessões de ônibus em Colatina. Os representantes do parquet alegam que o serviço de transporte coletivo está sendo prestado de forma ineficiente pelas empresas que atuam no município. As investigações tiveram origem em reclamações dos moradores dos Bairros São Pedro e Morada do Sol, que são atendidos pela empresa Joana D’Arc. A decisão ainda cabe recurso ao Tribunal de Justiça.
Incra assegura que terra reivindicada por empresa pertence a ribeirinhos
A empresa União Engenharia Fabricação e Montagem está mesmo pressionando as famílias de ribeirinhos que vivem as margens do Rio Doce, no distrito de Regência, no litoral de Linhares. A afirmação é do superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), João Cândido Rezende. Segundo ele, a área almejada pela empresa de metalurgia é ocupada por famílias de ribeirinhos, cuja origem pode chegar até o aclamado Caboclo Bernardo. “Realmente está havendo uma pressão da empresa sob esta comunidade. A empresa comprou a fazenda ao lado, mas há um conflito porque me parece que a área dos posseiros está cadastrada como posse da fazenda, mas na prática, são áreas diferentes”, explicou. A afirmação do superintendente confirma a denúncia feita pelo Movimento de Pequenos Agricultores (MPA) a respeito da pressão feita pela empresa para que as famílias deixem a região. Mas, de acordo com o superintendente, apesar da compra de uma fazenda na região ser legítima, a área comprada pela empresa União Engenharia tem pouco mais de 200 hectares, mas não abrange a área ocupada pelos ribeirinhos. “A área dos ribeirinhos é vizinha, é separada da área comprada. Ali vive um pessoal muito simples, possivelmente de origem indígena”, contou. O superintendente, que se reúne nesta tarde com um representante do Conselho de Direitos Humanos, informou que vai propor a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) um estudo antropológico para atestar a tradicionalidade das famílias que, segundo ele, pode chegar até o herói Caboclo Bernardo, homenageado anualmente na região. Durante o conflito, que começou em fevereiro deste ano e se acirrou na segunda (12) desta semana, os ribeirinhos afirmam que sofrem coação de funcionários da empresa União. Até esta sexta-feira (16), eles denunciam o cercamento da área, a instalação de uma porteira de ferro com cadeado na entrada da área, a soltura de 150 cabeças de gado que estão destruindo os alimentos plantados e o trânsito de pessoas armadas pela região. Para o Movimento de Pequenos Agricultores (MPA) que acompanha o caso, a postura da União Engenharia remonta o cenário coronelista de coação e desrespeito à dignidade humana, humilhação, constrangimentos e prejuízo. Após reunião realizada nessa quarta-feira (14), os ribeirinhos alertaram que não irão ceder às pressões. “Considerando que os senhores agem como os assassinos de nosso antepassado, e nos encurralam com ameaças, nós afirmamos: não estamos dispostos a entregar a outra face! Não nos resta outra saída! De hoje em diante, lutaremos pela paz, pela vida e por nosso território, ainda que seja a última batalha dos últimos botocudos sobreviventes nas margens do Rio Doce”. Caboclo Bernardo O ato heróico de Bernardo José dos Santos, o Caboclo Bernardo, ocorreu em setembro de 1887, quando o Cruzador Imperial Marinheiro navegava em águas próximas ao território de Regência. A embarcação naufragou ao se chocar contra o pontal sul da barra do Rio Doce e o pescador foi o grande responsável pelo salvamento de 128 pessoas – todos tripulantes do navio, que contava com 142 tripulantes. Na vila de Regência o ato é lembrado todos os anos através de um encontro sempre realizado próximo à data da morte de Caboclo Bernardo, que faleceu, em junho. A Festa do Caboclo Bernardo tem espaço também para homenagear Elpídio Angelo de Macedo, popularmente conhecido como Seu Miúdo. Natural de Colatina, ele foi uma figura fundamental para o resgate da memória do pescador: ao lutar para conseguir um túmulo digno para o herói e ficar conhecido como guardião do Túmulo de Caboclo. Apesar de não ter sido reconhecido como tal pela história, conta-se que Caboclo Bernardo era descendente de índios botocudos que habitavam a região no passado. .
Justiça vai apurar legalidade da venda de área para EDP Escelsa no governo Hartung
A transação de alienação de uma área em Vila Velha, com cinco mil metros quadrados no bairro Boa Vista, entre o Estado do Espírito Santo e a estatal EDP Escelsa, durante o governo Paulo Hartung (PMDB), está na mira da Justiça. Uma ação popular movida por três cidadãos, que tramita há quase três anos na Justiça, discute o processo de licenciamento ambiental para a construção da Subestação de Itapoã e da passagem de linhas de alta tensão sobre sete bairros do município. A área foi repassada à empresa no final de 2008 por R$ 1,9 milhão, cinco vezes menor do que o valor de mercado. Desde fevereiro do ano passado, o processo está sob apreciação da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual, criada justamente para dar celeridade às ações populares e de improbidade. No último dia 28 de maio, o juiz Manoel Cruz Doval determinou a realização de uma perícia no imóvel para levantar a ocorrência de eventual prejuízo aos cofres públicos em decorrência da transação, feita pelo ex-governador com o intermédio da Assembleia Legislativa após a manifestação contrária da Procuradoria-Geral do Estado (PGE). Na ocasião, o juiz rejeitou todas as questões preliminares (tipo de defesa processual prévia) levantadas pelas defesas da EDP Escelsa, do governo do Estado, do município de Vila Velha e do Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) – que figuram como réus na ação popular. Manoel Doval também fixou como os pontos controvertidos, isto é, os questionamentos que deverão ser respondido ao final do processo, o exame da legalidade da venda da área, bem como se o preço praticado foi condizente com o valor de mercado. Além da discussão sobre o processo de negociação e de venda do imóvel sem a realização de licitação pública, a Justiça estadual também deve se posicionar em relação às obras da subestação – neste caso, se a construção respeita as diretrizes e os parâmetros legais. A construção é alvo de protesto de moradores de sete bairros de Vila Velha, que criaram até uma entidade – Moradores Unidos Contra a Rede de Alta Tensão (Mucrat) – na luta contra a obra. Eles alegam desde a existência de riscos à população na passagem das linhas de alta tensão à desvalorização dos imóveis afetados pelas linhas. Esses mesmo questionamentos foram levantados nos autos da ação popular pelos cidadãos Enito Molinari, Vicente José Machado e Patrícia de Aquino. Nos autos do processo, eles afirmam que os moradores dos bairros Novo México, Guaranhuns, Jockey Club, Parque das Gaivotas, Coqueiral de Itaparica, Santa Mônica e Boa Vista estão sendo prejudicados pela realização das obras. Os cidadãos denunciam que os moradores não foram ouvidos durante o processo de licenciamento ambiental e da concessão do alvará da obra. Na ação popular, eles alegam que a população já teria se manifestado “inúmeras vezes” de forma contrária às obras durante protestos realizados na região e até mesmo em uma audiência pública na Assembleia. No texto, os cidadãos sugerem que a ligação da subestação com os fios de alta tensão seja feita através de cabos diretamente enterrados no solo, técnica considerada por eles como “mais segura e benéfica em longo prazo”. Entre os pedidos da ação, os três cidadãos pleiteiam a paralisação das obras para construção da subestação. Em janeiro de 2011, o juiz Gustavo Zago Rabelo negou um pedido de liminar para suspender a empreitada. Naquela oportunidade, o magistrado considerou que a ausência da provas pré-constituídas (que já existem antes do processo) aptas para formar o juízo de “convicção razoável” sobre a legalidade das obras. “Embora este magistrado não questione a urgência da medida, ainda mais sendo esta de natureza ambiental, é cedido que para concessão da tutela antecipada, se faz estar presente a prova inequívoca da verossimilhança do alegado, a qual resta ausente nestes autos”, indicou Nos autos do processo, os autores da ação popular listam reportagens jornalísticas e um trabalho acadêmico sobre o risco à população que vive próxima às redes de alta tensão. Já a defesa da EDP Escelsa trouxe um parecer técnico, encomendado pela própria empresa a uma consultoria independente, que minimizou os riscos à população vizinha às torres com fios de alta tensão. Entretanto, o juiz Gustavo Rabelo entendeu que nenhum dos laudos poderia ser admitido como a verdade absoluta: “Cada uma das partes trouxe sua versão para os efeitos das redes de transmissão eletromagnéticas, sem que nenhuma destas, possa subsidiar de maneira imparcial este magistrado”. Além dessa ação popular, a Justiça estadual também examina uma ação civil pública, movida pelo Ministério Público Estadual (MPE), contra as obras da subestação da EDP Escelsa. Em ambos os casos, o Judiciário vai analisar a transação feita durante o governo Paulo Hartung, que hoje é conselheiro do grupo EDP – Energias do Brasil SA (dono da ex-estatal, que é responsável pelo serviço de distribuição de energia no Estado). Em reportagens publicadas ao longo dessa semana, o jornal Século Diário revelou que o ex-governador foi nomeado como membro do Conselho de Administração do grupo após episódios de favorecimento à empresa em seu governo. Além da alienação do terreno para a construção da subestação sem o aval da PGE no final de dezembro de 2008, o peemedebista também concedeu R$ 290 milhões em incentivos fiscais à Escelsa há menos de um mês do final de seu mandato, em 2010. Antes disso, em março de 2008, o então secretário estadual da Fazenda, José Teófilo de Oliveira – que hoje é sócio do ex-governador no escritório de consultoria Éconos – garantiu a renúncia fiscal de R$ 127,8 milhões para a empresa Santa Fé Energia SA, que também é do grupo EDP. Os incentivos foram destinados a construção de uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH) no município de Alegre (região Caparaó). Somados, o total de deferimentos chega a R$ 420 milhões, o que os coloca no rol dos maiores contemplados pelo Programa de Incentivo ao Investimento no Estado (Invest-ES) na chamada Era Hartung.
Prefeito garante que em oito meses já tirou as primeiras promessas de mudança do papel
O prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), afirmou com convicção que nesses primeiros oito meses de governo já conseguiu tirar algumas promessas de mudança do papel. Essa foi uma das avaliações do prefeito sobre o balanço de sua gestão, em entrevista a Século Diário que será publicada neste sábado (17). Ele afirmou que, ao se eleger com a plataforma da mudança, assumiu uma responsabilidade ainda maior com a população, que agora vai cobrá-lo. “Eu durmo e acordo pensando nesse sentimento de mudança. Em 2016 a cidade vai perguntar se houve mudança. Se ela disser que não houve, todos os adversários que nos enfrentaram em 2012 usarão isso contra nós. Agora, se a cidade disser que houve mudança, nós entramos no processo sucessório de 2016 com muita força”, avaliou. O prefeito disse que no balanço desses primeiros oito meses já é possível notar que as mudanças já estão saindo do papel. Ele destaca a mudança na gestão. Luciano Rezende disse que seu governo está sendo forjado numa gestão compartilhada e horizontal. Como prova de abertura da gestão, ele deu como exemplo os gabinetes itinerantes. A gestão compartilhada, frisou Luciano, não é só uma iniciativa democrática, mas também uma ferramenta de trabalho. “Quando ouço a população, sei que vou errar menos. Vou evitar crises. A reclamação de um único morador hoje, é um problema daqui a dois três meses”. Educação, saúde e segurança são outras áreas consideradas prioritárias para o prefeito. Luciano também destacou que muitos problemas da Capital precisam ser solucionados em conjunto com os prefeitos da Grande Vitória. E disse que está procurando esse diálogo com os prefeitos. Ele citou como exemplo, na área de saúde, a compra de medicamentos em consórcio. Luciano disse que vai a Porto Alegre (RS) nos próximos dias para conhecer de perto a ideia que foi implantada, com sucesso, na região metropolitana da capital gaúcha. O prefeito de Vitória acrescentou que esse modelo pode ser expandido para outras áreas, diminuindo e racionalizando custos das prefeituras. Sucessão O prefeito Luciano Rezende também comentou sobre o processo sucessório de 2014. Ele afirmou com convicção que seu candidato é o governador Renato Casagrande (PSB). Teceu elogios ao governador, enfatizando que ele é um homem leal, cumpridor da palavra e amigo. “Este homem [Casagrande] está fazendo um governo num momento dificílimo do país e do mundo. E está liderando o Espírito Santo com muita capacidade. Estarei junto com o governador Renato Casagrande na campanha dele. Acho que o Espírito Santo estará em boas mãos”. Luciano também lembrou que há adversários poderosos. Saiba na íntegra da entrevista deste sábado (16) por que o prefeito chamou esses adversários de “pistoleiros de sonhos”.