Na coluna que escreve às sextas no jornal A Gazeta, o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) pegou uma carona tardia na visita do Papa Francisco ao Brasil para exaltar a capacidade de liderança do pontífice. O ex-governador destacou que, mesmo diante dos questionamentos que põem em xeque O Vaticano, o Papa demonstrou que reúne as características de um verdadeiro líder para enfrentar com desenvoltura este momento de adversidade. O exemplo do Papa, na verdade, foi pretexto para Hartung traçar, nas entrelinhas, um paralelo com o atual momento de turbulência que desestabiliza a gestão do governador Renato Casagrande. Ele deixou patente que só os verdadeiros líderes têm capacidade para superar grandes crises com equilíbrio e sabedoria. “O líder, mesmo em momentos críticos, não usa sua autoridade como bengala”, ensina. Os momentos críticos sugeridos por Hartung foram causados pelos protestos que tomaram as ruas do Estado e do país. As manifestações redesenharam o cenário político que se projetava para 2014, tirando o favoritismo daqueles que já se consideravam praticamente reeleitos. Caso da presidente Dilma e do governador Renato Casagrande, só para ficar em dois exemplos. De camarote, fica fácil para o ex-governador apontar o dedo para os erros do seu sucessor e mostrar que, se fosse com ele – que se considera um líder nato -, as coisas seriam diferentes. “Apesar de muitas vezes ocupar os postos mais elevados de uma hierarquia” – como o de governador, poderia ter completado – [o líder] “…coloca-se na mesma posição dos seus liderados, como parte do time”. Será que essa deixa queria ilustrar a crise entre governo e Assembleia? O “sermão” continua mandando recados cifrados para Casagrande. “Ele [o líder] pode até dar ordens, mas não se esconde atrás desse que lhe parece o último recurso para colocar uma organização em movimento”. E continua: “Assim, não aposta no mando, mas no diálogo e no compartilhamento responsável das missões que lidera”, profetiza. No decorrer do artigo, Hartung continua ensinando, sempre em tom professoral, quais são os atributos desejados para se tornar um grande líder. Só faltou ele escrever que o Espírito Santo teve na sua história recente um verdadeiro líder, que já deixa saudades. Para suscitar ainda mais a comparação na cabeça dos leitores, Hartung completa o artigo com um alerta: […a verdadeira liderança], “num mundo órfão de líderes, faz toda a diferença”. O recado está dado. Mais direto impossível.
Os nós da economia
Numa entrevista coletiva “improvisada” no saguão do edifício em que se hospeda em Porto Alegre, nesta sexta-feira dia 9, a presidenta Dilma Rousseff retomou as rédeas do seu governo, abalado recentemente pelas manifestações populares que varreram o país de norte a sul. Falante e otimista, a presidenta garantiu que o dragão da inflação finalmente caiu e que a queda de 0,1% do nível do emprego não é nada nesse momento de maré baixa da economia mundial. Aos repórteres que tentaram extrair-lhe uma declaração típica de quem está em campanha pela reeleição, Dilma disse estar com todo o gás para trabalhar “até o dia 31 de dezembro de 2014”. Pois bem, retomando o fio da meada econômica – sem a emergência marqueteira que ronda os passos da presidenta –, devemos reconhecer que ainda estamos longe de um bom diagnóstico da situação, pois os dados são contraditórios. Primeiro, onde a coisa vai mal? Como sempre, o nó aparece no front externo: dólar em alta, exportações em queda, importações crescendo, dívida governamental realimentando os juros básicos da economia. No front interno, marcado pela estagnação do consumo e o aumento do endividamento das pessoas, a pressão inflacionária recolocou no horizonte o risco do desemprego, mas nesse campo o jogo se encaminha para o empate. Mesmo com a supersafra, o aquecimento do mercado da construção civil e a desoneração fiscal de vários setores, a indústria brasileira viu cair o volume de encomendas. É uma situação desconexa. Até parece que e nada valeu o refresco da redução das tarifas de energia em fevereiro. Não funcionou ou a situação teria ficado muito pior sem essas medidas? Isso só vamos saber depois que baixarem totalmente as águas do tsunami de junho/julho. O que sabemos é que, combinando descontentamento político com insegurança econômica, as manifestações populares comandadas pelas redes sociais levaram 30 pontos percentuais da credibilidade de Dilma Rousseff, que já vinha disparando os primeiros tiros eleitorais contra Aecio Neves, Eduardo Campos e Marina Silva. Até José Serra saiu da cova para dizer que não morreu, como havia ficado mais ou menos claro em 2010. Aí veio o Papa pra dar uma folga ao bumba-meu-boi petista. E agora a presidenta tenta recomeçar tudo em Porto Alegre, seu ponto de origem. A primavera ainda está longe. Um dos diagnósticos da crise diz que o governo federal errou ao apostar no consumo fácil. Esses críticos vinculados à ortodoxia acadêmica acham que na economia não pode haver rédea frouxa. Mas qual seria a alternativa? Os manuais da economia não têm receita para situações anômalas. Fala-se em aumentar os investimentos em infraestrutura, como se à obrigação de ter uma política econômica austera o governo devesse somar o encargo de orientar e financiar os empreendedores privados. Aos empresários bastaria entrar com a gestão e, depois, desfrutar dos lucros, numa repetição de outros ciclos de crescimento da economia brasileira – lembremos apenas os governos militares, o tempo de JK e a longa época de Vargas. E acabamos na velha lenga-lenga: se o governo comanda, é estatizante; se deixa rolar, é liberal demais. O Programa de Aceleração do Crescimento está devagar não apenas porque faltam recursos, mas porque não há projetos executivos e demoram as licenças ambientais. Recursos, projetos e licenças: o tripé de ouro do desenvolvimentismo roussefiano funciona precariamente, mas a culpa não é só do governo federal. Aí entramos numa discussão político-econômico: qual o modelo que queremos? Uma economia comandada por grandes investimentos em usinas, aeroportos, pontes, estradas, ferrovias – mas sem controle ambiental? Uma economia ecologicamente sustentável centrada nos pequenos negócios? Os grandes empresários, os professores de economia e os políticos acham graça dessa hipótese, mesmo sabendo que o capitalismo predatório não tem futuro. Mais 50, 100, 200 anos e o planeta estará na última lona. Quem vive preso no trânsito das grandes cidades sabe intuitivamente que a coisa tende a piorar. Em outras palavras, o certo seria parar de enxugar gelo, mas ninguém tem coragem de levantar as mãos e dizer: “Minha gente, está na hora de pormos a mão na consciência e iniciar um programa de desaceleração do crescimento.” Sendo ela a inventora do PAC, não será Dilma que proporá esse pacto pela sustentabilidade. Tendemos, pois, a continuar atados aos costumeiros nós da economia brasileira. LEMBRETE DE OCASIÃO Em artigo recente, o jornalista (formado também em economia) Luis Nassif atribuiu ao ministro Guido Mantega a culpa pela atual “crise” econômica brasileira. É muita crise para uma só pessoa. Mantega cometeu lá seus pecados, mas não agiu sozinho, embora pareça bastante isolado na Fazenda. No fundo, no fundo, ele vem sendo fritado em pouca gordura, mas o PT não dispõe de nenhum economista realmente equipado para exercer o cargo mais pesado do Planalto, depois da Presidência. O veterano Paul Singer, por exemplo, é muito respeitado, mas não se sujeita a usar gravata.
Pronto parao bote
As recentes interferências no Judiciário em favor do grupo do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) mostram que nem de longe ele está “morto”. Na verdade, ele nunca esteve, apenas saiu um pouco de cena, ou melhor, fez um mergulho estratégico, por força da ocasião. Refiro-me à chegada do desembargador Pedro Valls Feu Rosa à presidência do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), após anos de manutenção do arranjo institucional de Hartung. Ministério Público do Estado (MPES) e Tribunal de Contas continuaram ali, os mesmos “parceiros” de sempre. Mas a terceira perna havia sofrido um abalo. Para quem não se lembra, Pedro Valls chegou ao posto como um novo poder no Estado e com “muita sede ao pote”. Nesse meio tempo, vieram os casos Ferrous, Lee Oswald, Pixote, Derrama, os “jabás de Hartung”…e o ex-governador foi levando na “manha”. Agora, próximo do fim do comando de Pedro Valls no Judiciário, Hartung começa a dar sinais de que pretende retomar, logo, o controle do jogo. É ai que mora o perigo. A propósito… Fala dos desembargadores contra os acusados – Neivaldo Bragatto no meio – de cometerem irregularidades em homologação de contrato pelo DER-ES. Sérgio Gama: “Há ausência de justa causa”; José Paulo Calmon Nogueira da Gama: “Os elementos subjetivos que dariam margem à persecução penal não se mostram presentes”, e Adalto Dias Tristão: “Nem mesmo na ação de improbidade os pacientes foram incluídos”. Não é todo mundo que tem essa sorte. Prioridade Muito inteligente a “sacada” do movimento “Não é por 20 centavos, é por direitos”, de realizar o protesto dessa quinta-feira (8) durante o evento de entrega do Prêmio Líder Empresarial, da Rede Vitória. Embora a lista consiga reunir o que tem pior no Espírito Santo, são esses empresários que ditam as regras por aqui, naquele velho esquema de favorecimentos, pra lá de manjado. É tudo deles, nada nosso. Piada Só vou dar um exemplo, para o leitor ter noção. Na categoria líder de empresa sustentável, os campeões: Ricardo Vescovi, da Samarco Mineração; Maurício Max, da Vale, e Marcelo Castelli, da Aracruz Celulose (Fibria). Não, você não está enganado, é isso mesmo. Agora pode rir. ‘Bom trabalho’ E a polícia, desorganizada como sempre – só pode ser proposital –, bloqueou a Leitão da Silva e os acessos a outras vias. Os motoristas que pediam informação aos policiais de trânsito, sequer recebiam orientação. Pior, no geral, as respostas eram do tipo: “não sei, não sei, vai se virando”. Teve um que perguntou sobre alguma alternativa, pois precisava ir ao hospital. De novo: “não sei, não sei, se vira”. E assim, repetidamente. ‘Bom trabalho II’ Até que apareceu um carro oficial, querendo passagem. Era o motorista de algum “poderoso”. Ouviu do policial, primeiro o terrorismo, após insistir em entrar na rua: os manifestantes vão quebrar seu carro inteiro. A resposta veio junto com a arrancada: “ah, não estou nem ai, não é meu mesmo, é do Estado”. E lá se foi. É comigo? Mais impressionante nisso tudo é que a cobertura da Rede Vitória não teve um “a” sobre o protesto. Como se estivessem todos em uma redoma, inatingíveis. Fraco Já Casagrande, no momento de receber a homenagem, resolveu repetir o velho discurso sobre as mobilizações populares. Resumindo: a população de bem se afastou das ruas; grupo autoritário e radical, e atos de vandalismo. O governador, sim, deveria ter fingido que nada estava acontecendo do lado de fora. Pingos nos is Depois do ato dessa quinta, agora sim as placas sobre a mobilidade urbana ganharam um caráter educativo. Está explicado. Causa própria Comentários nos meios econômicos: a tal exploração de manganês em Guaçui de que a deputada federal Rose de Freitas (PMDB) fala em A Tribuna, está em poder do empresário Otto Andrade. Ele espera, ainda, contar com a ajuda da peemedebista para “outras coisitas mais”, como estender da área pública para a privada a dragagem da baía de Vitória. Assim, ele consegue exportar o manganês pelo porto que controla, junto com seus sócios. Tudo é motivo Em ano pré-eleitoral, vale tudo para rodar o interior do Estado. Na manhã desta sexta-feira (9), em Itapemirim, sul do Estado, veja só: Casagrande, inaugurou a reconstrução da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Leopoldino Rocha. Inauguração da reconstrução…interessante, não? Berros Alguns militantes do PP procuraram a coluna para manifestar que estão “loucos” para receber, de braços abertos, o deputado federal Carlos Manato, já na presidência regional. Trata-se do grupo do deputado estadual Cacau Lorenzoni, que tem Geraldo Magela e Mazinho Fraga – presidente do diretório de Cariacica. Berros II Eles garantem que Manato foi convidado a entrar no PP, nessas condições, pelo presidente nacional da sigla, senador Ciro Nogueira. São as controvérsias da política. Nas redes “O povo capixaba também quer entregar um troféu à Casagrande: o troféu Líder do Não Diálogo com o Povo; o troféu Líder da Barbárie Social Capixaba; o troféu Líder da Repressão e da Criminalização dos Movimentos Sociais!”. (Não é por 20 centavos, é por direitos – no Facebook). PENSAMENTO: “Quero dizer aos meus adversários que não me esquecerei de morrer”. Ulysses Guimarães
Mais difícil
A eleição do próximo ano está cada vez mais complicada. Faltando menos de dois meses para o fim do prazo para filiações partidárias, é difícil escolher a melhor acomodação, até porque também é preciso observar a movimentação fora do Estado. Mas não é apenas a configuração do palanque majoritário que está tirando o sono dos possíveis candidatos para o próximo ano. São tantos problemas para acomodar, que fica difícil até elencar os obstáculos. O primeiro e mais importante é a nova configuração política. A fragmentação da base de Renato Casagrande é um cenário inevitável para a disputa de 2014. Nesse sentido, as lideranças e os partidos precisam esperar a fumaça baixar, para depois buscar sua acomodação. Mas o tempo urge quanto ao prazo para as filiações e as definições majoritárias estão longe de estarem claras seja no Estado, seja em nível nacional. Esta mudança de partido é fundamental para a disputa do próximo ano, já que a eleição provavelmente terá menos vaga. Com o parecer da Advocacia Geral da União (AGU) e da Procuradoria Geral da República (PGR) contrários à Adin do governador contra a redução de vagas proporcionais, a probabilidade de os espaços diminuírem complica a disputa. Outro problema é o número de candidatos. Para deputado federal, por exemplo, temos algumas lideranças que vão contribuir para o congestionamento da eleição. A movimentação dessas lideranças pode resultar em uma renovação da bancada como nunca se viu. Na Assembleia, as 27 vagas já colocam uma dúvida muito grande sobre quem serão os três excedentes. Isso sem falar nos que estão fora, de olho em uma vaga. As mudanças na Casa também podem ser muitas e o êxito dos atuais deputados ou dos postulantes a uma cadeira vai depender da escolha da coligação. Para completar, o clima entre os deputados não é o melhor do mundo, o que aumenta o desgaste e enfraquece o plenário. Para quem vai buscar votos na Grande Vitória, o episódio “pedágio” é mais um ponto desfavorável na hora de encarar o eleitor. Será que dá tempo de reverter tanto problema? Fragmentos 1 – A primeira semana de trabalho na Assembleia Legislativa foi marcada pela tranquilidade para fora da Casa e de tensão dentro do plenário. É crise atrás de crise. 2 – O PCdoB do Espírito Santo discute as teses que vai defender no processo eleitoral. O encontro será na noite desta sexta-feira (9), na Assembleia Legislativa. 3 – Parece que a ex-deputada Rita Camata (PSDB) não vai mesmo disputar eleição de deputada federal no próximo ano. Vai se dedicar à coordenação da campanha do presidenciável Aécio Neves. Uma pena.
A lógica de Malafaia
O vídeo postado no Youtube pelo pastor fundamentalista Silas Malafaia demonstra claramente as más intensões que falsos religiosos, como ele, têm quando usam as igrejas como lavanderias de dinheiro e escudo para o crime. O grande número de pastores estelionatários, ladrões e estupradores mostra bem a urgente necessidade de o poder público intervir cada vez mais nessas igrejas, limitando sua proliferação, promovendo constantes auditorias em suas contas e policiando de perto seus lideres. Malafaia se tornou nocivo à sociedade por promover o ódio, o preconceito e a descriminação, mas com o apoio de políticos, como o senador Magno Malta (PR/ES), e a inconstitucional bancada evangélica, garante as suas costas quentes, a ponto dele desafiar a legislação coagindo claramente as pessoas a não denunciarem as falcatruas desses pastores escroques a quem ele chamou de ungidos de Deus. Mentirosos e farsantes, fica difícil entender a religiosidades desses indivíduos, pois se acreditassem em um terço do que pregam, teriam vergonha de suas atitudes e temeriam a ira de seu Deus. Mas como se aproveitam da credulidade de seus despreparados fiéis, ficam impunes no enriquecimento ilícito, inventando cada vez mais maneiras de extorquir e lesar a economia popular. Como políticos nada fazem pelo país, usam seus mandatos para aprimorarem os métodos de promoção de sua religião e de autoproteção contra a justiça. Com seus projetos de leis agridem o judiciário tentando impedir o STF de atrapalhar seus planos de golpes a democracia – como a PEC 99/11. Perseguem as outras religiões tentando quebrar a laicidade constitucional, mantem privilégios como o não pagamento de impostos, chegando mesmo a terem passaportes diplomáticos, coisa inaceitável pelo estado de direito. Organizações protetoras dos direitos humanos e defensoras da democracia como a OAB, denunciam constantemente essas tramas, mas infelizmente o decoro parlamentar não existe mais. Políticos se vendem claramente ficando coniventes com corrupção, partidos se tornam antros de bandidagem, e o desrespeito anda de braços dados com a opressão principalmente de minorias esquecendo os verdadeiros interesses nacionais. Mais do que uma reforma politica, temos urgentemente de reformar o eleitor. Temos de impedir que igrejas se tornem massa de manobra eleitoreira, manter cada vez mais separados Estado e religião, garantir o direito de todos e a proteção das minorias. Podemos começar já ano que vem, não votando em nenhum desses políticos que fazem parte desse teatro de horrores. Vá as ruas, clame por um Brasil melhor, mas não esqueça que é o seu voto que vai mudar tudo isso. Luiz Felipe Rocha da Palma (Phil Palma) é publicitário. Nas “horas vagas” (às quartas) comanda o programa “Praia do Phil” pela rádio Universitária FM, onde defende os LGBTs e denuncia a homofobia. Fale com o autor: philpublicitario@gmail.com
Parlamentares acionam STF contra PEC que ameaça terras indígenas
Após as investidas da bancada ruralista para a aprovação das matérias que ameaçam os direitos indígenas, entre elas a PEC 215/2000, os integrantes das frentes de Defesa dos Direitos Humanos e de Apoio aos Povos Indígenas da Câmara dos Deputados entraram, nessa quinta-feira (8), com um mandado de segurança e um pedido de liminar para sustar a tramitação da PEC no Supremo Tribunal Federal (STF). A PEC 215/2000 transfere do Executivo para o Congresso Nacional as decisões sobre as demarcações de terras indígenas. Mas essa não é a única proposta que afronta a soberania dos povos indígenas no território nacional e, inclusive, a reivindicação desses povos por sua revogação já motivou ocupação do Congresso Nacional, em abril deste ano. Soma-se na lista a inconstitucionalidade da PLP 227/2012, que altera a Constituição Federal no capítulo “Dos Índios”, apontando exceções ao direito de uso exclusivo dos povos indígenas das terras tradicionais. A matéria quer definir projetos de interesse econômico e desenvolvimentistas como de relevante interesse público, sem consulta aos índios. Segundo informações da Agência Brasil, no mandado de segurança emitido nessa quinta-feira, os deputados apontaram mais uma inconstitucionalidade nas propostas da bancada ruralista. Eles ressaltam que a PEC 215 viola a cláusula pétrea que rege sobre os direitos e garantias individuais dos povos indígenas e define que a proposta objetiva “restringir, minorar, retirar, condicionar direitos seculares e originários da população indígena brasileira”. Os representantes das frentes também evidenciam os interesses econômicos presentes por trás da revisão das demarcações, que estão “longe de proteger os interesses da população indígena” e, em detrimento desta, promovem “interesses econômicos dos estados-membros e dos particulares interessados na exploração ou que já estão na exploração das referidas terras”, como divulgado também pela Agência. Os deputados que saíram em defesa dos indígenas querem impedir a instalação da comissão especial da Câmara que analisará o mérito da proposta. A instalação já foi suspensa temporariamente uma vez, num acordo entre deputados e lideranças indígenas, após a ocupação do plenário da Câmara, do plenário de comissões e na montagem de um acampamento no Salão Verde. Caso aprovada, a PEC 215 permitirá a ratificação dos territórios já homologados – caso das aldeias indígenas Guarani e Tupinquim de Aracruz -, abrindo precedente para a titulação de terras quilombolas e criação de unidades de conservação ambiental.
Sindirodoviários: Justiça do Trabalho confirma vitória da Chapa 1 nas eleições
O juiz titular da 2ª Vara do Trabalho de Vitória Roberto José Ferreira Almada proferiu sentença nesta sexta-feira (9) sobre a legalidade da eleição do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Estado (Sindirodoviários-ES). O magistrado decidiu pela homologação do pleito que teve como vencedora a chapa 1, de continuidade. Em audiência realizada na última sexta-feira (2), o juiz decidiu por dar a sentença em uma semana, depois das manifestações do Ministério Público do Trabalho (MPT) e das chapas 2 e 3, que questionavam a legalidade do pleito. Enquanto não proferia sentença, o juiz determinou que a atual diretoria – formada também pelos candidatos da chapa 1 – continuasse à frente da entidade. Antes da realização da audiência de conciliação, o Tribunal Regional do Trabalho no Estado (TRT-ES) esclareceu – depois de questionamentos sobre o processo de votação – que a administração da eleição foi realizada por perita de confiança do juízo nos moldes das determinações conduzidas pelo juiz titular. A eleição, segundo consta no processo, ocorreu da forma determinada pela Justiça, tendo as partes assinado a ata de apuração de votos sem qualquer impugnação. No último dia 31, os trabalhadores contrários à eleição da atual diretoria, fizeram uma manifestação na porta do sindicato, na avenida Vitória, na Capital .Durante o protesto dos cerca de 60 manifestantes, dois motoristas de ônibus foram baleados. Os feridos, que teriam sido atingidos nas pernas e braços, mas sobreviveram. A pessoa que efetuou os disparos foi detida com uma pistola 765 e encaminhada à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Um outro motorista sofreu uma queimadura na perna, vítima de um coquetel molotov. Ainda em protesto a eleição da atual diretoria, os motoristas que apoiam a Chapa 2 fizeram uma paralisação surpresa no último dia 25. A greve pegou a população e as autoridades desprevenidas, e causou um cais no trânsito da cidade.
Rodney (DEM) lança Planejamento Estratégico de Vila Velha com apoio da Asevila
O Prefeito Rodney Miranda lançou, na manhã desta sexta-feira (09), o documento final do Plano Estratégico da cidade para o período de 2013 a 2016. O documento, apoiado pela Associação dos Empresários de Vila Velha (Asevila), foi elaborado a partir de um inventário sobre os projetos da cidade de 2009 a 2012, dados socieconômicos e uma pesquisa com a população prevê 20 projetos estruturantes para a cidade divididos em 190 ações. Com apoio da Asevila, entidade que é uma extensão do ES em Ação organização não-governamental criada no governo Paulo Hartung para dar um verniz social às ações do governo, o planejamento, aponta preocupação especial com o desenvolvimento econômico da região, motivo suficiente para desagradar a sociedade civil organizada que ultimamente tem enfrentados duros embates para impedir o desenvolvimento desordenado da cidade. Além das alterações do Plano Diretor Municipal (PDM) que garantiu o adensamento em bairros já abastados da cidade, a briga da sociedade é contra a construção de pólos industriais em áreas ambientais, da construção de edifícios altos nos balneários turísticos, entre outros pontos importantes para garantir a qualidade de vida e o equilíbrio ambiental e urbanístico da cidade. Ainda sim, a promessa de Rodney durante a apresentação, é de Vila Velha será em 2016, uma cidade sustentável, ordenada, dinâmica e segura, sob a liderança de uma gestão pública profissionalizada e eficiente, com foco no bem-estar da população. Segundo ele, serão gastos R$ 660 milhões com saúde, educação, segurança e meio ambiente, turismo, mobilidade urbana, entre outros. O prefeito afirmou ainda que o planejamento não é algo engessado e prometeu que estará em constante diálogo com a população de Vila Velha. O ex-governador Paulo Hartung que palestrou durante a cerimônia de apresentação do planejamento afirmou a importância do planejamento para que o dinheiro do contribuinte ser bem investido e traga retorno para a sociedade. O planejamento apresentado afirma que apesar dos planos futuros, há uma evidente defasagem estrutural da Administração Pública Municipal. “Ou seja, a cidade se tornou grande e complexa e o poder público não se reestruturou para atender às demandas de obras de infraestrutura, de serviços e de ações de regulação, que se fazem necessárias para o seu desenvolvimento e a sua ordenação”. O estudo reafirma ainda a intenção do Executivo de ocupar o sul do município onde é predominante a presença de áreas de relevante importância ambiental que são foco da luta de ambientalistas e urbanistas da região. “O cenário que se apresenta é de continuidade do crescimento da cidade em função da posição que ocupa no ambiente metropolitano. Tanto pela verticalização das construções em áreas já edificadas, como pela ocupação de áreas ainda não edificadas, sobretudo ao longo do eixo da Rodovia do Sol na direção sul”, diz o planejamento. Prefeitura x sociedade civil Durante a reunião prévia para debater e consolidar estratégias para o desenvolvimento d da Grande Vitória, em Vila Velha, realizada em maio deste ano pela ONG Espírito Santo em Ação, a sociedade afirmou se sentir “penetra” no debate. Mal divulgado e com poucas pessoas no debate, o Fórum Popular em Defesa de Vila Velha, que discute amplamente o desenvolvimento da cidade, esteve presente na ocasião e alertou que as oportunidades alertadas pelos empresários como chances de desenvolvimento para a região, podem ser vistas muitas vezes como ameaças, já que os mesmos projetos também são responsáveis pela forte pressão sob áreas naturais e de patrimônio cultural, como é o caso de Jacarenema e Barra do Jucu, respectivamente. No contramão da militante, os empresários defenderam a implantação do porto de águas profundas, empreendimentos previstos para a retroárea do empreendimento, a construção de um pólo tecnológico e o fomento de atividades bases da região como commodities, construção civil, comércio e turismo. Na ocasião, o representante da ONG ES em Ação, Orlando Caliman, afirmou a intenção do planejamento de avançar a partir das estratégicas do plano ES 20/25 através do desenvolvimento econômico.
Senado seria o caminho mais ‘confortável’ para Hartung em 2014
Entre as lideranças políticas do Estado, o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) é uma das que também se movimentam muito visando um bom posicionamento para a disputa do próximo ano. Os meios políticos fazem suas leituras sobre os caminhos que ele pode seguir em 2014. Muito se fala na movimentação do ex-governador no sentido de tentar retornar ao Palácio Anchieta, mas a disputa não parece ser mais atrativa para Hartung. Um dos motivos seria o fato de o campo estar congestionado para essa disputa. Mesmo que consiga reunir um grande número de apoiadores, Hartung teria que disputar a eleição com Renato Casagrande. Ainda há a possibilidade de o senador Magno Malta (PR) vir a disputar a eleição. Como Hartung está fragilizado por uma série de denúncias de irregularidades em seu governo, Hartung seria um alvo fácil para a oposição. Já na disputa ao Senado, o ex-governador evitaria o confronto direto com os adversários. Ele colocaria sua candidatura em um campo bem menos congestionado, participaria da eleição, dividindo a liderança do processo com o governador e ainda pode conseguir um mandato eletivo, saindo da planície, onde está desde 2010, quando deixou o governo do Estado. Entre os nomes cotados para a disputa ao Senado, Hartung não teria problemas em conseguir tirar do cenário o principal candidato, o ex-prefeito de Vitória João Coser (PT). Embora esteja articulando a conquista da presidência do partido com o propósito de disputar o Senado, Coser ficaria contemplado com uma vaga de vice-governador, abrindo espaço para Hartung disputar a vaga. A movimentação de Coser hoje seria para tirar do páreo a senadora Ana Rita, que ocupa a vaga a ser disputada no próximo ano e poderia se candidatar à reeleição. Para isso, precisaria do apoio do partido. Com Coser disputando a presidência do PT como favorito, as chances de Ana Rita diminuem. Como a senadora não abriria mão para a disputa de Hartung, precisa ser bloqueada dentro do partido e este seria o papel de Coser neste momento. Se conseguir limpar o campo e disputar o Senado, Hartung conseguiria um mandato o que o resguardaria dos desfechos das denúncias contra seu governo com um foro privilegiado. Além disso, retomaria o crescimento de seu prestígio político em queda desde que deixou o governo. Esse teria sido, inclusive, um dos motivos pelo qual não disputou a prefeitura de Vitória em 2012. Mas os movimentos incertos do ex-governador têm também outras leituras. Para parte dos meios políticos, as movimentações de Hartung são para tirar o controle das discussões das mãos do governador Renato Casagrande e ele na verdade não seria candidato no próximo ano.
STJ revoga prisão preventiva de Jorge Donati em caso da morte de sindicalista
A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) revogou a prisão preventiva do prefeito de Conceição da Barra, no norte do Estado, Jorge Donati (PSDB), indiciado como suposto mandante do assassinato do sindicalista Edson José dos Santos Barcellos, ocorrido em junho de 2010. A prisão se deu em janeiro de 2012, pedida pela suposta ameaça a testemunhas do crime, principalmente ao então pároco do município, o padre Moacir Pinto, que chegou a ser incluído no Programa de Proteção a Testemunhas. Acompanhando o voto do relator, ministro Jorge Mussi, a Turma não concedeu do habeas corpus impetrado contra decisão do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), mas concedeu a ordem de ofício. O alvará de soltura já havia sido expedido liminarmente, por determinação do relator, até o julgamento do mérito do habeas corpus. No pedido, a defesa alegou constrangimento ilegal pela falta de indícios suficientes para a ordem de prisão, decretada mais de 18 meses após a suposta prática do delito sem que qualquer fato novo tivesse ocorrido. Sustentou, ainda, que a prisão preventiva é medida de exceção, que só pode ser decretada quando demonstrada a sua necessidade com base em elementos concretos calçados na garantia da ordem pública e conveniência da instrução criminal. Edson Barcellos era servidor concursado da administração municipal e estava se dedicando exclusivamente ao Sindicato dos Servidores Municipais de Conceição da Barra (Sindisbarra). Ele vinha denunciando desvios de verbas que Donati teria praticado como chefe do Executivo municipal e iria prestar depoimento em Vitória sobre as denúncias de compra de votos durante a campanha do atual prefeito à primeira candidatura, em 2008, mas foi assassinado antes.