Pra você ver como é frágil o sistema de unanimidade política do ex-governador Paulo Hartung (PMDB), que elegeu o governador Renato Casagrande e se mantém vivo no Estado. Sequer comporta a ideia de ter um adversário. Desde que a classe política “tremeu” diante da possibilidade – eu disse possibilidade – de o senador Magno Malta (PR) disputar o governo em 2014, o movimento do mercado é todo orquestrado no sentido de criar obstáculos para o senador, fazendo-o desistir de seu projeto. E não melhorar as condições eleitorais de Casagrande, de maneira que se fortaleça e encare o embate. Convenhamos, já passou da hora de entender que não tem mais lugar para essa tal unanimidade. O povo quer e precisa de debate. Essa obsessão de Casagrande e da base em torno do projeto de reeleição, é um tiro no pé. Enquanto eles só “pensam naquilo”, os problemas do Estado se agravam e viram munição para campanha eleitoral. Por que não lembrar da famosa frase de Nelson Rodrigues, mais atualizada do que nunca: “toda unanimidade é burra”. Pois é. ‘Sonhático’ Gustavo De Biase “se doeu” com a pergunta sobre o “Plano B”, no caso da Rede não vingar. Ele responde à coluna dizendo que não está à procura de um mandato a qualquer custo, nem preocupado se será ou não candidato nas próximas eleições. Tá, mas quem disse isso, Gustavo? Eu não disse. ‘Sonhático II’ Biase também decidiu parafrasear Marina Silva: “Quem possui um plano B não tem tempo para construir o plano A”. Discordo. É até mesmo uma questão de sobrevivência política. Será? O vereador de Vitória Max da Mata (PSD), que ocupa o cargo de secretário municipal de Transportes, corre o risco de não ter vida longa na gestão de Luciano Rezende (PPS) na Capital. É o que rola nos bastidores. Bobo, nada… O presidente da Câmara de Vitória, Fabrício Gandini (PPS), não perde tempo. Nesta quinta-feira (18), um veículo com alto falante roda as ruas de Jardim Camburi, anunciando a audiência pública que será realizada à noite no bairro, sobre a construção do Destacamento de Polícia Militar (DPM). Gandini assina o chamado, assim como também faz em mensagem de email. Vai só capitalizando. Bobo, nada… Tudo bem que foi Gandini quem inaugurou polêmica ao levantar a demanda dos moradores na Câmara, quando também criticou o governo do Estado e deputados estaduais. Mas o desfecho positivo do caso cabe ao prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), que cedeu o terreno para a construção do DPM. Me engana… Enquanto o deputado federal César Colnago faz cara de paisagem e diz que o clima no PSDB é de paz e amor, o vereador de Vitória Luiz Emanuel Zouain continua a mandar bala para cima do ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas. Tudo ótimo, né? Ui! Os acionistas do Vitória Apart Hospital, em Carapina, vão para audiência geral na próxima segunda-feira (22), com muitos pontos a debater. Principalmente após a decisão judicial dessa quarta-feira (17), que confirmou o sequestro de bens de quatro ex-diretores, acusados de dar um desfalque milionário nas contas do grupo. Sacada O setor empresarial, sempre o mais sensível às tendências de mercado, entendeu logo que pode lucrar bastante com as elevadas taxas de criminalidade registradas no Espírito Santo. Em outdoors espalhados em Vitória, já tem empresa oferecendo serviços de blindagem de veículos. A imagem é atraente, um bebê tranquilo, tranquilo. A mensagem que fica: proteja sua família. Quem não quer? 140 toques “Conversei com o relator do Estatuto da Metrópole, deputado Zezéu Ribeiro (PT/BA), e sugeri a realização da audiência pública no ES. Convite aceito”. (Deputada federal Iriny Lopes – PT – no Twitter). PENSAMENTO: “A política é a arte de conciliar os interesses próprios, fingindo conciliar os dos outros’. Menotti Del Picchia
Vitória por W.O.
A frase do senador Aécio Neves (PSDB-ES) de que a presidente Dilma Rousseff que vencer a eleição por W.O., ou seja, retirando do páreo todos os candidatos que ameaçam sua reeleição à presidência pode muito bem ser regionalizada para o cenário do Espírito Santo. Há uma década, as eleições no Estado são decididas dessa forma e o governador Renato Casagrande (PSB) agora tenta impor o W. O. para sua disputa à reeleição ao governo do Estado. É o que tentam seus emissários fazer com o palanque que o senador Magno Malta (PR) vem montando para o próximo ano. Enfrentar Magno Malta será uma tarefa difícil, não impossível. Caso o governador enfrente o discurso conservador do senador encontrará um caminho de embate que poderá ser trilhado. O problema é que a classe política no Estado não quer passar a imagem de conservadora, mas também não quer enfrentar esse discurso, porque o eleitorado capixaba “compra” fácil o discurso conservador. Neste sentido, Malta teria como enfrentar o palanque de Casagrande, atacando as lacunas expostas no primeiro mandato do socialista, como a segurança. O senador também pode apostar em seu trânsito em Brasília, que reconhecidamente nos meios políticos, o governador Renato Casagrande e o seu antecessor e provável candidato ao senado, Paulo Hartung, não têm. Para manter o sistema de unanimidade, o governador quer retirar do páreo a candidatura do senador e disputar sem palanque de oposição em 2014. Mas é preciso tomar cuidado. Nacionalmente PT e PMDB estão cada vez mais unidos, o que não acontece com o PSB de Casagrande em relação ao governo federal. E Paulo Hartung está aí com seus balões de ensaio. Enquanto sorri para Casagrande espera o momento certo para ocupar o melhor espaço. Fragmentos: 1 – Para Gustavo de Biase, que está começando a consolidar seu capital político, insistir na Rede, ainda é um negócio viável. Já para Guerino Balestrassi, o caminho mais seguro parece ser mesmo o ninho tucano. 2 – Às vésperas da convenção estadual do PSDB, o clima volta a esquentar no ninho tucano entre o vereador Luiz Emanuel Zouain e o ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas. 3 – Na disputa pela presidência da Associação de Moradores de Jardim da Penha (Amjap), o enfrentamento ao aliado do vereador Fabrício Gandini (PPS), Glauber Teixeira, pode favorecer a uma inusitada união de PT e PSDB no bairro.
Dilma con quién andas…
Açulada pelo empresariado e pelos diversos agentes e operadores do mercado, a mídia ficou ouriçada com a recente alta da inflação e, de tanto martelar nessa tecla, obrigou o governo a tomar uma medida simbólica: a elevação de 7,25% para 7,50% na taxa de juros básicos (Selic), que serve de piso para as operações do Banco Central do Brasil e de referência para os bancos em geral. Uma alta de 0,25% nos juros básicos é quase nada num organismo econômico viciado por velhas contradições como a tributação exagerada e o excesso de subsídios – coisas que acontecem em diversos setores, da agricultura ao turismo, passando pela indústria e os serviços. Mas agora é capaz que a mídia dê uma trégua ao nosso atarantado ministro da Fazenda. Guido Mantega e seus colegas da área econômica vão levando com a barriga problemas antigos que se acumularam à medida que, por falta de um diagnóstico preciso da situação e de capacidade político-econômica de atacá-los, ou até mesmo de competência ou vontade, vão se tornando crônicos. Assim, a eficiência numa ponta da economia pode ser anulada em outra. É o que acontece exemplarmente no binômio agricultura-serviços. O Brasil está colhendo este ano uma supersafra de 184 milhões de toneladas de grãos, o que representa um acréscimo de pelo menos 10% sobre a safra anterior. Um sucesso espetacular. Em contrapartida, a infraestrutura viária continua falhando. Filas de caminhões perdendo tempo (e dinheiro) nas agroindústrias e nos portos são uma denúncia explícita da ineficiência logística. Escorregamos no famoso “custo brasil”, mas tanto a mídia quanto o empresariado se equivocam ao atribuir esse problema exclusivamente ao governo. O governo é certamente o principal responsável, pois cria programas que vão ficando pelo caminho, mas por um vício antigo a iniciativa privada não faz a sua parte. Ou faz parcialmente na expectativa de tirar o máximo dos projetos governamentais. Criado em fevereiro de 2007, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não tem a velocidade prometida. Está sendo lesado por uma combinação de fatores tipicamente brasileiros: falta de verbas, demora na liberação de licenças ambientais, denúncias de corrupção, demandas judiciais etc. Na raiz dessa cadeia de ineficiência está o problema do endividamento público, que carreia para o sistema bancário nacional e internacional uma fábula por ano. Enquanto isso, em vez de manter o foco na resolução dos problemas mais graves, vemos a presidenta Dilma mergulhar numa maratona pré-eleitoral no afã de enfrentar os candidatos à presidência Aécio Neves, Eduardo Campos e Marina Silva, que estão pelo país procurando cativar a opinião pública. Nenhum desses candidatos é páreo para uma Dilma engajada em suas tarefas. Mas se ela preferir andar por aí ocupando palanques improvisados para satisfazer os marqueteiros palacianos, pode cair do cavalo antes do final da prova. LEMBRETE DE OCASIÃO “Tem-se hoje uma proposta desenvolvimentista no governo, expressa em políticas de isenção fiscal, pacotes de estímulos à inovação, busca de juros civilizados, criação de mecanismos de financiamento, ênfase em obras de infraestrutura. Há muita descoordenação ainda, movimentos atabalhoados, nada que não possa ser aprimorado com o tempo. Mas não se tem uma ideologia desenvolvimentista independentemente dos governantes de plantão. O desenvolvimentismo atual chama-se Dilma Rousseff. No dia em que deixar a presidência, a bandeira se vai com ela.” Luis Nassif, jornalista econômico em sua coluna Dinheiro Vivo de 18/04/2013
O preço da blindagem
A cada dia que passa o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) e seus fiéis aliados – o chamado núcleo duro hartunguete, que continua entranhado no atual governo – aparecem envolvidos em um novo escândalo, um mais cabeludo que o outro. As denúncias de corrupção na Era Hartung, aos poucos, vão afundando o ex-governador num mar de lama. Embora nove em cada 10 manuais de “sobrevivência política” recomendem o afastamento de figuras políticas que estão submergindo à corrupção, Casagrande parece estar disposto a pôr em risco seu projeto de reeleição para salvar a pele do antecessor. Toda essa entrega seria por fidelidade aos acordos? O socialista já chegou a dar declarações públicas defendendo o antecessor no escândalo do “posto fantasma” de Mimoso do Sul. Em seguida, voltou a tomar as dores de Hartung no caso dos incentivos fiscais concedidos ao setor atacadista (esquema Sincades) e agora reluta em entregar a “lista secreta” das empresas que receberam incentivos fiscais nos anos de 2010 e 2011. A decisão de manter a “caixa-preta” dos incentivos fiscais trancada e ainda jogar a chave fora, pode ser interpretada pelos desavisados como uma posição apenas polêmica do governador. Mas é importante deixar claro que não existe nada de polêmico nessa história. A questão é legal. A ação popular que exige a abertura da “caixa-preta” é clara. O autor da ação, o profissional liberal Álvaro Luiz Souza Santos, escora o pedido no Artigo 145 da Constituição Estadual. Vejamos o que diz o artigo: “Art. 145. Os Poderes Públicos Estadual e Municipal, no prazo de cento e oitenta dias após o encerramento do exercício financeiro, darão publicidade às seguintes informações: I – benefícios e incentivos fiscais concedidos, indicando os respectivos beneficiários e o montante do imposto reduzido ou dispensado; II – isenções ou reduções de impostos incidentes sobre bens e serviços”. A Constituição, como não podia ser diferente, é cristalina. Não há interpretação dúbia ou algo parecido. O governador, ao ser interpelado a abrir a informação, deveria se curvar à Constituição. Casagrande, no entanto, decidiu recorrer da decisão porque resiste em dar transparência aos dados. Se a exigência está prevista em lei, a única explicação plausível para obstruir o acesso à informação é o interesse do governo em esconder “segredos” que não podem ser revelados. Mais grave é que para proteger o antecessor, Casagrande está sendo obrigado a dar, a cada novo escândalo, um passo adentro no mar de lama. Desta vez, o preço da blindagem obriga o governador a descumprir a própria Constituição Estadual.
Tribunal de Justiça conclui levantamento e não encontra nenhum servidor ‘ficha suja’
O Tribunal de Justiça do Estado (TJES) divulgou, nesta quinta-feira (18), o resultado análise dos dados enviados pelos servidores do Judiciário, em atendimento ao dispositivo da Lei da Ficha Limpa. De acordo com o tribunal, não há “ficha suja” no quadro de pessoal da instituição. O levantamento da situação dos serventuários foi determinado pelo presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Joaquim Barbosa, que cobrou a adoção da norma nos tribunais de todo o País. Segundo nota divulgada no site do TJES, o presidente do TJ capixaba, desembargador Pedro Valls Feu Rosa informou ao órgão de controle que não existem servidores em função de confiança ou comissionados com condenações por improbidade administrativa ou crimes contra a administração pública, que já tiveram o trânsito em julgado do caso ou decisão por órgão colegiado. Desde novembro do ano passado, o tribunal vem tomando medidas para tornar mais rígida a designação de servidores em funções de confiança ou cargos comissão. “Para tomar posse no Poder Judiciário, pela Resolução nº 50/2012, é preciso entregar certidão nada consta emitida pelo Tribunal de Contas Estadual (TCEES); Justiça Federal; Justiça Eleitoral; da Auditoria Militar e Criminal do Estado; e da Justiça Militar Federal”, informa o texto. Da mesma forma, os novos servidores também devem protocolar uma declaração de próprio punho, bem como uma certidão do último órgão público em que trabalhou anteriormente, comprovando que não foi demitido ou exonerado de serviço público no período de 10 anos. Em ofício enviado no início deste ano, o presidente do CNJ cobrou o envio das informações do Tribunal de Justiça capixaba. O ministro Joaquim Barbosa chegou a determinar que os servidores “fichas sujas” deveriam ser exonerados até o último dia 9 de fevereiro. Pela resolução do Conselho, também se enquadram nestas hipóteses os condenados por delitos praticados em quadrilha ou bando, redução de pessoa à condição análoga à de escravo, crimes eleitorais para os quais a lei determina pena privativa de liberdade, e também por casos envolvendo a lavagem de dinheiro ou ocultação de bens.
Disputa de contrato milionário da Cesan vai parar na Justiça
Além da polêmica pelos sucessivos aditivos em favor da Delta Construções S/A, a Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) está sendo acionada judicialmente por supostas irregularidades na licitação para os serviços que hoje são executadas pela empresa carioca. Uma das empresas participantes alega que a companhia não levou em conta os critérios técnicos apresentados na fase de habilitação da disputa estimada em R$ 44 milhões. Por conta dessa questão, a Concorrência Pública nº 028/2012 chegou a ser suspensa no final do ano passado por determinação da Justiça estadual. Nessa terça-feira (16), o juiz Manoel Cruz Doval, da 1ª Vara da Fazenda Pública Estadual de Vitória, revogou uma medida liminar que impedia a continuidade do certame. Na ação cautelar, a empresa paranaense Trix Engenharia recorria contra a desclassificação ainda na fase de habilitação da disputa. A defesa da empresa alega que a Cesan não levou em consideração aspectos técnicos apresentados pela empresa, que prestou serviços à própria companhia, durante a análise dos documentos, ainda na fase inicial da concorrência. Nos autos do processo, a empresa paranaense discordava dos dois requisitos de capacitação técnica apresentados pela companhia como justificativa para a sua inabilitação. A comissão licitante da Cesan apontou a falta de atestados técnicos que comprovassem a experiência da empresa nos serviços de eliminação de vazamentos de água e conserto de vazamento em redes distribuidoras. A empresa garante que os documentos apresentados cumpririam todos os requisitos do edital. Na análise liminar feita em dezembro do ano passado, a juíza Marianne Judice de Mattos avaliou que a empresa teria atendido o edital de modo satisfatório, tanto que determinou a suspensão de qualquer ato relacionado à contratação. No entanto, o juiz Manoel Doval reconsiderou a decisão anterior e avaliou que a empresa deveria atender rigorosamente a documentação exigida pelo órgão. Por conta da desclassificação da Trix, o contrato milionário para a execução dos serviços de manutenção e melhorias em reservatórios e redes de distribuição de água na Grande Vitória nos próximos dois anos caiu no colo de dois consórcios formados por empresas locais. Chama a atenção o fato de que os dois consórcios ofereceram o mesmo percentual de desconto, fato que é considerado incomum para este tipo de licitação. O advogado Rodrigo de Albuquerque Mendonça, que defende os interesses da empresa paranaense, garante que a possibilidade de dois consórcios de empresas distintas oferecerem o mesmo desconto é “semelhante a probabilidade de uma pessoa ganhar sozinha o prêmio da mega-sena”. Uma vez que, segundo ele, são levados em conta uma série de fatores e custos dos serviços. De acordo com o resultado da licitação, publicado no Diário Oficial do dia 27 de novembro de 2012, a definição do consórcio vencedor de um dos lotes aconteceu por sorteio. Neste lote, o mais caro da disputa, os consórcios Tubo News/Cinco Estrelas e Acta/Pelicano apresentaram a mesma proposta (R$ 23.948.704,35). No sorteio, o primeiro consócio foi escolhido. No entanto, o Consórcio Acta/Pelicano acabou saindo vencedor no segundo lote – com uma proposta de R$ 19.162.194,73, valor apenas R$ 80 mil inferior a proposta da empresa Engesan Engenharia, segunda colocada e única concorrente naquele lote. Essas coincidências, sobretudo na divisão dos lotes entre os consórcios, estão sendo vistas com cautela por fontes do mercado, mesmo não sendo o mérito da ação da empresa paranaense na Justiça. Apesar da decisão judicial desfavorável, o advogado anunciou que a empresa preterida vai recorrer e buscar a participação no pleito. “A empresa [Trix] está certa dos seus direitos, o que vai se traduzir em economia ao Estado, mantendo um serviço talvez de melhor qualidade”, garantiu. Entre os pedidos feitos à Justiça, a empresa pediu o acautelamento do envelope com a proposta econômica, que teria um desconto maior daqueles que foram oferecidos, segundo o advogado. Durante o processo, os advogados da Cesan defenderam a regularidade de todos os atos relativos à concorrência. Tanto a companhia, quanto os consórcios vencedores ajuizaram recursos contra a suspensão do certame no Tribunal de Justiça do Estado (TJES). Entretanto, as ações sequer chegaram a ser apreciadas devido à revogação da liminar concedida. Contudo, a licitação corre o risco de sofrer um novo adiamento devido ao recurso da empresa paranaense. Enquanto o impasse persiste, a direção da Cesan optou por manter a Delta na execução dos serviços. Para tanto, a companhia presidida por Neivaldo Bragato assinou um aditivo que amplia os efeitos do contrato original com a empresa carioca, firmado em outubro de 2008, até a resolução do caso. Graças à disputa, a Delta já faturou R$ 2,94 milhões apenas no mês de fevereiro deste ano, segundo dados do Portal da Transparência da própria companhia.
Sesa encontra medicamentos com embalagem adulterada e multa hospital em Colatina
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), por meio da Superintendência Regional de Saúde de Colatina, noroeste do Estado, ratificou decisão de 1ª instância, mantendo a multa ao São Bernardo Apart Hospital, naquele município, por ter encontrado no estabelecimento embalagens adulteradas da medicação Octagam 5g na farmácia do hospital. A denúncia foi da Polícia Federal contra o Laboratório Octapharma S/A, que produz o medicamento. A Sesa recebeu a denúncia da PF e comprovou que o hospital estava usando o medicamento, que destinava-se exclusivamente à distribuição gratuita a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), com embalagens adulteradas. A Sesa já havia multado o São Bernardo Apart Hospital a R$ 16 mil e ratificou a decisão em publicação nesta quinta-feira (18) no Diário Oficial do Estado e voltou a classificar a infração de natureza grave. A medicação Octagam 5g é uma imunoglobulina humana normal (IgG) de uso exclusivo em hospitais usada em terapia de reposição. Dentre as indicações para a medicação está o uso em crianças com AIDS que tenham apresentado repetidas infecções bacterianas; e em pacientes que tenham passado por transplante de medula óssea.
???As Horas Vulgares??? chega ao circuito comercial
O longa-metragem capixaba As Horas Vulgares estreia no circuito comercial brasileiro a partir do dia 02 de agosto de 2013. Os diretores Rodrigo de Oliveira e Vitor Graize acabam de fechar acordo com a distribuidora Petrini Filmes para o lançamento do filme. O planejamento inicial de lançamento prevê um total de 17 cidades brasileiras onde As Horas Vulgares será exibido comercialmente: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Campinas, Maceió, São Luís, Salvador, Florianópolis, Brasília, Porto Alegre, Recife, Fortaleza, Goiânia, Palmas, Búzios e Jundiaí, além de Vitória, onde o filme foi inteiramente rodado. Ações complementares durante o lançamento, como a realização de pré-estréias seguidas de debate em algumas cidades com a presença dos diretores e da equipe, lançamento de publicação sobre o filme, um novo site e a disponibilização gratuita da trilha sonora original, também estão previstas. A partir da primeira sessão oficial de As Horas Vulgares, em outubro de 2011, o longa-metragem percorreu uma longa carreira pelos festivais de cinema independente mais importantes do Brasil. Passagens marcantes pela Mostra de Cinema de Tiradentes (Minas Gerais), Semana dos Realizadores (Rio de Janeiro), Panorama Internacional Coisa de Cinema (Bahia) e Festival Lume de Cinema (São Luís), entre outras, despertaram a atenção positiva de críticos e jornalistas do país inteiro, e estabeleceram uma primeira relação com o espectador brasileiro. As Horas Vulgares foi realizado com recursos do Edital 010/2009 – Prêmio à produção de longa-metragem para mídia digital realizado no Espírito Santo, da Secretaria de Estado da Cultura e Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo.
Ex-morador de rua busca apoio para jornal comunitário
Um jornal independente feito pela população de rua, no qual além de serem jornalistas seriam também os jornaleiros, criando um espaço de debate e de expressão de ideias e também uma fonte de renda. Essa é a ideia de José Fernandes. Mais conhecido como Zeca, ele veio de São Paulo, onde viveu por oito anos em situação de rua, por causa de problemas familiares. Durante essa época, participou intensamente da Revista Ocas, uma publicação com o perfil parecido com o descrito a cima. Zeca está há apenas cinco meses no Espírito Santo, onde veio morar com sua companheira. Ele trabalha como educador social em um abrigo e sua primeira iniciativa é criar um jornal comunitário, produzido e vendido pelos próprios moradores de rua. O embrião é o Tá Na Rua, boletim informativo da gestão capixaba do Movimento Nacional da População de Rua, entidade que luta pela cidadania dos moradores de rua. Quando ainda estava nas ruas de São Paulo, ele se envolveu em diversos projetos sociais como a Ocas, a ong Rede Rua e alguns festivais culturais nos quais pode acumular conhecimento e muitas experiências. “A vida não me permitiu fazer uma faculdade, mas eu sempre gostei de ler e fiz a minha formação como autodidata mesmo”, conta. “A Ocas me proporcionou uma renda que me impediu de ir para outros caminhos, que geralmente quem está na rua acaba seguindo”. Ele explica que a ideia do projeto é capacitar as pessoas em situação de rua e fazer uma publicação com pautas interessantes que tratam de questão que a grande mídia não aborda. Para ele, o jornal deve ser comprado pelo seu conteúdo e não por caridade. Zeca conta que a Ocas é orientada por duas jornalistas, uma da Folha de São Paulo e outra do jornal Valor Econômico. “A revista era uma forma de termos mais autonomia financeira, mas também melhorava a nossa autoestima e passávamos a nos reconhecer como cidadãos. Tenho uma vontade imensa de fazer algo parecido por aqui”, declara. Na Ocas, a maior parte do conteúdo jornalístico é feito por voluntários, jornalistas aposentados e pessoas da área. Entretanto, a editoria chamada Cabeças Sem Teto, é de responsabilidade dos moradores de rua, que a partir das oficinas de textos, produziam pautas e matérias para a sessão. O primeiro jornal desse gênero surgiu na Inglaterra e era chamado The Big Issue, ele foi fundamental para a criação do International Network of Street Papers (INSP), uma instituição de comunicação comunitária responsável pela publicação de jornais desse gênero pelo mundo todo. A Revista Ocas, de São Paulo e do Rio, o jornal Boca de Rua, de Porto Alegre, e o Aurora da Rua, da Bahia, são exemplos de alguns projetos filiados ao INSP. O objetivo é o mesmo: dar voz a quem não tem e utilizar a comunicação como um meio de instigar o debate sobre direitos, formas de organização e alternativas de renda para as populações de rua. Para o jornal Tá Na Rua virar realidade em Vitória, Zeca diz que ainda falta engajamento dos próprios moradores de rua e o apoio de colaboradores da área de jornalismo interessados em ministrar as oficinas. “O Poder público é muito lento e precisamos de iniciativas da sociedade civil”, pede Zeca. Entretanto, algumas coisas já estão sendo feitas. Foi implantando dentro do Centro Pop Rua, no Tancredão, no Centro de Vitória, uma sala de aula para que as pessoas em situação de rua retomem os estudos. Para o educador social, iniciativas como essa são importantes porque devolvem a dignidade do cidadão que está em situação de rua. “Se a pessoa se encontra na rua, ela tem um porque e esse porque pode ser milhões de coisas, mas ele é pouco questionado pela sociedade em geral e pelo governo”, desabafa Zeca. Infelizmente, a maioria das politicas públicas trata todo morador de rua como usuário de drogas ou criminoso. “A população de rua é um grupo heterogêneo e deveria ser tratado dessa maneira”, completa.
Homem preso por 21 dias no ‘micro-ondas’ é absolvido pela Justiça
Uma decisão publicada no Diário da Justiça desta quinta-feira (18) expõe mais uma página da recente história de violações nas unidades prisionais do Espírito Santo durante a gestão (2003 – 2010) do ex-governador Paulo Hartung (PMDB). A desembargadora Catharina Maria Novaes Barcellos, da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) reformou uma decisão de 1º grau e absolveu do crime de dano ao patrimônio cometido por Diego Braga Nascimento, que ficou preso por 21 dias na viatura n° 588, conhecida também como “micro-ondas” . A cela improvisado numa viatura era considerada por entidades humanistas um flagrante de violações de direitos. O “micro-ondas” era uma viatura tipo van adapatada (foto) que ficava estacionada nos fundos da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), localizada no bairro Barro Vermelho, em Vitória. A viatura, um “caixote de aço” sem ventilação adequada, atingia altas temperaturas no verão e impedia que o preso praticamente se mexesse, tão exígua eram as dimensões do cárcere. Os detidos só podiam usar banheiro a cada 12 horas e tinham de revezar na hora de dormir. Diego ficou detido por 21 dias no “micro-ondas”, quando se revoltou com a situação precária e promoveu um quebra-quebra na viatura, pedindo a transferência para uma unidade prisional. Ele danificou a tela de proteção do veículo com um pedaço de metal e acabou sendo autuado por dano ao patrimônio público. A sentença de 1° grau, proferida pelo juiz Alexandre Farina Lopes, condenou Diego Braga a nove meses de detenção no regime semiaberto e 12 dias-multa. A defesa recorreu da sentença alegando que Diego fora encarcerado no “cofre” da viatura por 21 dias em condições subumanas e extremamente desconfortáveis. Apesar de considerar que havia outros meios do acusado pleitear a transferência para unidade prisional, a magistrada que julgou o caso no TJES lembrou que a viatura vinha sendo usada para “abrigar” os autuados por crimes contra a vida em situação, no mínimo, anômala, reconhecida pelo próprio delegado subscritor do inquérito policial, Germano Henrique Pedrosa. A desembargadora reitera, ainda, “que embora um erro não justifique o outro, fica claro que a conduta do acusado não teria objetivo de causar dano ao patrimônio, mas o firme propósito de chamar a atenção das autoridades a fim de conseguir transferência para um presídio da Grande Vitória dotado de estrutura mínima para a custódia de seres humanos”. Assim, por considerar que não houve elementos que caracterizassem a vontade do acusado de promover deliberadamente o dano ao patrimônio, a magistrada decidiu por absolver Diego Braga do crime. Masmorras O “mosespinho” ou micro-ondas” era somente um de vários instrumentos considerados de tortura que eram empregados durante o governo Hartung e pelos quais o País sofreu sanções internacionais. Além do “micro-ônibus” usado como carceragem para presos provisórios, o Estado também lançava mão de contêineres adaptados que serviam de celas. A cela “micro-ondas” que funcionava na DHPP só foi interditada após recorrentes denúncias de organizações de direitos humanos. Um documentário produzido pelo programa Repórter Record, da TV Record, expôs a precariedade do sistema de celas metálicas e da superlotação dos Departamentos de Polícia Judiciária (DPJs) para todo o País. As práticas de torturas empregadas nas “masmorras” só começaram a recrudescer no final do governo Hartung, quando as denúncias de violações chegaram à ONU e o governo federal aumentou a pressão sobre o Estado para desativar as celas contêineres, os “micro-ondas” e outros locais de confinamento inapropriados para seres humanos.