Neste sábado (16), a partir das 9 horas, na Câmara de Vitória, o PSOL capixaba promove o debate “O PSOL e os desafios do Brasil no Século XXI”, que vai contar com a presença do senador Randolfe Rodrigues (AP). O senador chegou ao Estado na tarde desta sexta-feira (15) e citando Gonzaguinha, falou do crescimento do partido no Espírito Santo em 2014. “Eu boto fé na rapaziada”, disse cantando o senador, elogiando o protagonismo da juventude psolistas do Estado. Ele lembrou do bom desempenho do partido na eleição de 2012, na disputa pela prefeitura de Vitória, que teve o candidato a prefeito mais jovem do Pais, Gustavo de Biase. É na juventude que o senador aposta para renovar a política no País. A vinda de Randolfe ao Estado faz parte de uma série de atividades do partido, iniciada em janeiro deste ano, como preparação para a disputa eleitoral de 2014. O partido pretende aumentar seus quadros atraindo novos filiados. Também quer trabalhar as bases programáticas e preparar as chapas para a eleição estadual. Além de uma candidatura ao governo, o partido quer formar uma chapa completa para a Assembleia Legislativa. Randolfe também falou sobre a eleição do Senado, em que Renan Calheiros (PMDB-AL) foi eleito presidente sob uma enxurrada de denúncias. Perguntado sobre a situação semelhante na Assembleia Legislativa capixaba, o senador foi incisivo: “Exemplos se arrastam. Os acordos, como os que garantiram a eleição de Calheiros, se repetem nos Estados em nome da manutenção da governabilidade”, advertiu. O senador do PSOL faltou também sobre a agenda do Congresso e defendeu o fim da guerra entre os estados. Para o senador a discussão não deve passar pelos royalties e os interesses dos estados não devem superar os interesses nacionais. Na questão dos royalties, por exemplo, ele defende um pacto federativo futuro que garanta os recursos para suprir as demandas do País, sobretudo os financiamentos da saúde e educação. Sobre a votação dos vetos, o senador é contra a ideia do esforço concentrado. Para ele há um desrespeito à Constituição, já que os vetos, que se acumulam desde o governo de Fernando Collor, não estão seguindo os ritos no Congresso.
Sesp induz população a crer que número de homicídios caiu 56% no carnaval
Quem acessa o site da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) é induzido a acreditar que houve uma redução de 56% nas ocorrências de homicídios no carnaval de 2013 em relação ao do ano passado. O título da notícia, publicada nesta quarta-feira (14) no site da Sesp informa: “Cai em 56% número de homicídios durante o Carnaval no ES” O texto, bastante confuso, afirma que o “número de casos de homicídios registrados, no Espírito Santo, durante o feriado de Carnaval reduziu em 56% em relação ao mesmo período do ano passado”. Num primeiro momento, o leitor, após ler a chamada do texto, entende que os dados comparam os homicídios ocorridos no carnaval 2013 com o do ano passado, pois só isso teria sentido. Mais à frente, a Sesp complementa: “Foram registrados, entre sábado (09) e terça-feira (12), 18 homicídios, contra 41 homicídios em 2012”. E depois conclui: “Já em relação aos números registrados durante o Carnaval em 2012, foram 28 assassinatos, contra 21 (número atualizado até a quarta-feira de Cinzas) durante o Carnaval de 2013”. Confuso, não? A informação, que segundo a Assessoria de Comunicação da Sesp esclarece o possível equívoco do título da notícia, fica solta e não permite que o leitor entenda a comparação tendenciosa feita pela Secretaria de Segurança. A manipulação da informação é visível. Percebam que não há preocupação em informar ao leitor o percentual de aumento ou redução em relação aos dados dos carnavais de 2013 e 2012. O texto afirma apenas que foram 28 assassinatos em 2012 contra 21 em 2013. De acordo com os números da própria Sesp – que não batem com os dados publicados no texto -, foram 27 homicídios no carnaval de 2012 (18/02 a 22/02) contra 23 deste ano (09/02 a 13/02). Na verdade, a redução no comparativo foi de apenas 15%, mas esse dado a Sesp preferiu omitir, deixando o leitor acreditar na “extraordinária” redução de 56%.
Iluminação de Vitória poderá ser tratada como política de segurança
O Vereador Vinicius Simões (PPS) quer que a iluminação instalada no Centro de Vitória para os festejos de carnaval seja mantida permanentemente. Segundo ele, furtos, tráfico e consumo de drogas estão, também, relacionadas com a má iluminação urbana. Um pedido neste sentido foi feito ao secretário de Transporte, Max da Mata, com o objetivo de incluir a iluminação da cidade nas ações de segurança. “A iluminação precisa ser encarada como política de segurança, uma vez que a manutenção constante minimiza diversos transtornos à população como, por exemplo, furtos, tráfico de drogas, consumo de bebidas alcoólicas, dentre outras”, frisou o vereador. Na Rua Graciano Neves e Rua do Rosário, por exemplo, a iluminação precária é uma reclamação constante de moradores e transeuntes. Para solucionar o problema, o vereador solicitou à Prefeitura de Vitória a troca de lâmpadas de vapor de sódio por lâmpadas de vapor metálico nos postes das ruas indicadas. As lâmpadas de vapor metálico são aquelas que produzem “luz branca”. Os moradores argumentam que as lâmpadas usuais (de luz amarela) não têm sido suficientes para inibir a violência e o consumo de drogas na região. Outro ponto comentado pelo vereador foi a Escadaria dos Trabalhadores, localizada na Avenida Professor Hermínio Blackman, no bairro Bonfim, que também necessita de reparos e de iluminação eficiente. “Esta ação se mostra relevante no âmbito turístico e na valorização da comunidade local”. Durante sessão na Câmara de Vitória nessa quinta-feira (14), o vereador Reinaldo Bolão (PT) também chamou atenção da prefeitura a respeito da iluminação pública da Capital que, segundo ele, está precária. “A cidade não pode parar só porque mudou a administração. Precisamos de uma solução urgente. Vitória está ficando às escuras.” disse Bolão. Durante a reclamação e a cobrança realizada por Bolão outros vereadores engrossaram o coro da cobrança relatando que em inúmeros bairros da cidade os postes de luz se mantém apagados durante toda a noite. Além do Centro, os bairros Goiabeiras, Enseada do Suá e Jardim Camburi também foram apontados como pontos que necessitam de reparos na iluminação. Na Avenida Norte-Sul, em Jardim Camburi, há um trecho de cerca de 500 metros que está completamente às escuras desde o início do ano.
Carnaval passou, mas a folia continua em Vitória
O Carnaval já passou, mas a folia nas ruas continua até o início de março para alguns blocos de rua de Vitória. Alguns bairros da capital continuam reunindo suas comunidades para mais alegria, colorido e samba no pé. Ao todo, nove blocos ainda vão desfilar pelos bairros de Santo Antônio, Centro, Jardim Camburi, Consolação, Bonfim, Praia do Suá, Estrelinha e Praia do Canto. Neste sábado (16), dois blocos movimentam as ruas de Vitória. No Centro, a folia pós-Momo vai ficar por conta do bloco Pouco Amor não é Amor, que desfila com cerca de 500 foliões. No mesmo dia, a comunidade de Santo Antônio segue o bloco Fora de Hora. Neste domingo (17), quem arrasta os foliões pelas ruas de Jardim Camburi é o bloco Passa a Régua. Ainda neste domingo, saem os blocos Eu Quero Ela, do bairro Bonfim, e o estreante Xupa Aí, do bairro Estrelinha. Já no dia 23 (sábado), desfila pela Praia do Canto o bloco Namoro Mas Não Caso. No domingo (24), a comunidade da Praia do Suá sai brincando atrás do bloco Amor da Minha Rola. No início de março, dois blocos finalizam os desfiles de rua em Vitória: no dia 3, sai o bloco Cebológica, do bairro Consolação, e no dia 9 o bloco Apaixonados Pelo Triângulo percorre as ruas da Praia do Canto. PROGRAMAÇÃO Sábado (16) Centro 15h às 20h: Pouco Amor não é amor Santo Antônio 16h às 20h: Bloco Fora de Hora Domingo (17) Jardim Camburi 16h às 20h: Bloco Passa Régua Bonfim 14h às 18h: Eu Quero Ela Estrelinha 14h às 18h: Xupa Aí Sábado (23) Praia do Canto 16h às 20h: Namoro Mas Não Caso Domingo (24) Praia do Suá 14h às 18h: Amor da Minha Rola 03 de Março Consolação 15h às 20h: Bloco Cebologica 09 de março Praia do Canto 15h às 19h: Apaixonados Pelo Triângulo
Confusão em julgamento garante sobrevida a mandato de Elias
O deputado estadual José Carlos Elias (PTB) ganhou uma sobrevida na batalha jurídica que enfrenta no Tribunal de Justiça do Estado (TJES) para se manter no cargo. Falhas processuais durante o julgamento de um recurso do ex-prefeito de Linhares garantiram a nulidade da decisão sobre a confirmação ou não dos efeitos do trânsito em julgado da condenação que levaria à perda imediata do mandato. A confusão deve adiar a subida dos autos para as instâncias superiores. Segundo o acórdão publicado nesta sexta-feira (15), a relatora do caso, desembargadora substituta Elisabeth Lordes, declarou a nulidade da decisão sobre o recurso em função da participação da desembargadora substituta Janete Vargas Simões em dois julgamentos: tanto na análise do agravo de instrumento movido pela defesa do petebista quanto no exame dos embargos de declaração (outro tipo de recurso onde se alega possíveis obscuridades ou questões não exploradas no julgamento). Apesar de não avançar sobre as motivações da participação de Janete Simões nos dois julgamentos, a relatora Elisabeth Lordes considerou que a nulidade deveria ser sanada. “Ainda que o resultado do julgamento, como pressupõe o embargante [José Carlos Elias] em suas razões recursais, seja o mesmo do que já fora julgado”, explica. “Não resta, pois, outra alternativa a não ser acolher o pedido do Embargante e declarar a nulidade do acórdão, determinando, via de consequência, designar nova data para julgamento dos Embargos de Declaração”, narra a parte dispositiva do voto de Lordes, seguido à unanimidade pelos demais membros da 1ª Câmara Cível do Tribunal. Com a necessidade de novo julgamento, crescem as chances de o petebista terminar o atual mandato sem a definição da perda do cargo. Em junho do ano passado, o parlamentar foi condenado pela juíza da Vara da Fazenda Pública de Linhares, Cristina Eller, pela utilização das cores estampadas na campanha eleitoral em obras do município. Apesar de ter apresentado recurso à decisão, a defesa de Elias não pagou as custas do recurso (R$ 131,97) – que, segundo a legislação, correm por conta da parte – e a magistrada tornou a peça sem efeito e determinou o trânsito em julgado da condenação.
Vereador quer participação social no combate à poluição do ar em Vitória
No Espírito Santo, não é fácil o caminho dos que se contrapõem à lógica vigente de desenvolvimento a todo custo, em geral com altos danos ao meio ambiente. Marcado pela inoperância dos órgãos ambientais e por ter uma classe política completamente dominada por grandes empresas poluidoras, o Estado tem o seu histórico manchado quando o assunto é o meio ambiente. Em entrevista a Século Diário neste fim de semana, o vereador reeleito de Vitória Serjão Magalhães (PSB) aborda questões das mais relevantes atualmente, como a poluição do ar, os estudos necessários para medir os níveis de poluição e os entraves para isso. Serjão não se diz apavorado, apesar de aparecer como um dos únicos políticos no Estado a pautar a questão ambiental. Também não quer o posto de salvador da pátria – prefere ter setores da sociedade debatendo com ele, como no caso do Grupo de Trabalho Interinstitucional (GTI) Respira Vitória, composto por representantes de diversas áreas, que até agosto deve apresentar uma nova proposta de lei para a regulamentação da poluição do ar na Capital. Presidente pela segunda legislatura consecutiva da Comissão de Meio Ambiente da Câmara de Vitória, o vereador afirma que, por não fazer um trabalho “radical” na questão do meio ambiente, consegue manter uma boa relação mesmo com os representantes das indústrias. A entrevista com Serjão Magalhães vai ao ar neste sábado (16).
PT, PSB e PMDB formam o tripé dos palanques de Dilma e Casagrande
Após acelerar as movimentações para criar condições para um palanque em 2014 à presidência da República, o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, pisou no freio e vem desconversando sobre o assunto. Um alívio para o correligionário governador Renato Casagrande, que constrói um palanque de reeleição contando como sustentação o PT e o PMDB. Tanto em nível nacional, quanto no Estado as posições das peças no palanque mudam, mas deve se manter costuras alinhavadas. No caso da nacional, o PSB ficaria com a vice-presidência e o PMDB pode ganhar o apoio do PT e do PSB para a disputa ao governo de São Paulo. Já no Espírito Santo, a candidatura à reeleição do socialista Renato Casagrande, em se mantendo esse acordo nacional, estaria garantida com o apoio dos dois partidos. A questão seria o posicionamento dos partidos no palanque do governador. O PT já se movimenta de forma intensa para construir uma candidatura do ex-prefeito de Vitória João Coser ao Senado com o apoio palaciano. Em 2010, o PT ficou com a vice de Casagrande, que apoiou a candidatura do PMDB ao Senado, com Ricardo Ferraço, e de Magno Malta, pelo PR. Dessa vez, com o PR fora da disputa, aparentemente a movimentação pode ser diferente. Casagrande apoiaria Coser ao Senado e escolheria um vice do PMDB. Mas é preciso considerar as pretensões políticas do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) para 2014, que também pode influir na movimentação palaciana. A tendência é de que o PT consiga apaziguar os ânimos com o Campos. Segundo o Valor Econômico desta sexta-feira (15), o governador de Pernambuco, embora negue, ficaria satisfeito com a vice-presidência, o que credenciaria o partido para disputar a sucessão presidencial em 2018. Mas a costura só dará certo se o PMDB também for contemplado com a costura. Apesar de ter conseguido a presidência da Câmara e do Senado, o partido quer mais cargos no governo e avalia que a pressão exercida pela possibilidade de Eduardo Campos disputar a presidência cria no governo a necessidade de reforçar as alianças com o partido. Mas o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, não nega que o partido vê com simpatia a substituição no palanque presidencial de Michel Temer por Eduardo Campos. Para o Espírito Santo a movimentação de Campos é importante para definir o palanque estadual, mas para Campos o fortalecimento de Renato Casagrande também tem um grande valor, já que o Espírito Santo foi o único estado fora do Nordeste em que o PSB cresceu consideravelmente na eleição de 2012. Embora faça parte do governo Dilma e tenha uma boa representatividade no Congresso, o PSB ainda não entrou no rol dos grandes partidos do País. Por isso, a disputa à presidência da República pode ser um passo muito grande para Eduardo Campos. Na semana anterior ao Carnaval, o governador de Pernambuco esteve no Espírito Santo para acompanhar o desfile das escolas de samba. Para os meios políticos, os dois conversaram sobre o assunto e Casagrande pode ter conseguido garantias de que seu palanque não terá alguma parte do tripé abalada pelas ações nacionais.
Deputado garante reabertura do Hospital dos Ferroviários na próxima segunda-feira
O Hospital dos Ferroviários, em Vila Velha, vai reabrir na próxima segunda-feira (18), após deixar quatro mil pessoas sem atendimento. Apesar de positiva, a abertura não contará com todos os serviços oferecidos pela instituição. Segundo o deputado Hércules Silveira (PMDB), que cobra a reabertura do hospital, primeiramente só serão oferecidos os serviços ambulatoriais e de consultas. O hospital, que fica em São Torquato, atendia a cerca de 400 pessoas por dia e foi fechado no último dia oito por não ter recebido a verba do convênio firmado com o governo do Estado. Segundo o deputado, o fechamento deixou pacientes de todo o Estado sem assistência médica, porque o governo se recusou a fazer o repasse do convênio para o Hospital dos Ferroviários, atendendo a uma recomendação da Procuradoria Geral do Estado (PGE). “Não se sabe quais são estas pendências que levaram à recomendação da PGE, mas são pendências administrativas que foram cobradas pelo órgão e não foram atendidas pelo hospital. Porém, depois disso, os documentos chegaram a ser apresentados, mas o repasse não foi liberado”, disse o deputado. O hospital recebia cerca de R$ 500 mil do governo federal e outros R$ 900 mil do Estado para manter os serviços, mas o convênio com a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) foi encerrado no ano passado e o Estado decidiu não renová-lo. A PGE foi procurada para esclarecer as pendências do hospital, mas não houve retorno. Já Hércules Silveira garantiu que o hospital será reaberto mesmo com as pendências em aberto. “O Estado já possui um déficit de três mil leitos. Nem a inauguração do novo Dório Silva ou do São Lucas iria minimizar isso. Mesmo com os novos leitos e a reabertura do Hospital dos Ferroviários, ainda ficaremos com um déficit de mais de dois mil leitos”, disse o deputado. Ele afirmou ainda que não foi feito o remanejamento dos pacientes do hospital, o que pode ter gerado um inchaço em outras unidades do sistema público de saúde, já deficiente no Estado. “Há pacientes retornando para o interior, um caos”. A população de Vila Velha, que apesar de acompanhar o sucateamento da instituição com risco de fechamento desde 2006, foi pega de surpresa e cobrou a reabertura do Hospital dos Ferroviários ao vereador Duda da Barra (PMDB), presidente da Comissão de Saúde e Saneamento Básico da Câmara. Fundado em 7 de outubro de 1918, a Associação Beneficente dos Ferroviários da Estrada de Ferro Vitória a Minas, popularmente conhecida como Hospital dos Ferroviários era, segundo o vereador Duda da Barra, mantido pela Vale, que contribuía aleatoriamente com recursos e equipamentos, e por convênios com a Prefeitura de Vila Velha e governo do Estado. De acordo com a Sesa, uma auditoria realizada pelo governo detectou inconformidades na aplicação das verbas, impossibilitando a renovação do convênio.
Projeto que cria fundo do MPES avança na Assembleia
Depois de passar sem grande alarde pelas sessões de discussão no plenário, o projeto que garante o “orçamento paralelo” para o Ministério Público Estadual (MPES) já deve chegar às comissões permanentes da Assembleia Legislativa até o final deste mês. A proposta de criação do Fundo Especial do Ministério Público (Funemp) é uma das principais matérias deste início de ano legislativo, sobretudo após os incidentes envolvendo o atual presidente da Casa, deputado Theodorico Ferraço (DEM). Segundo informações da Assembleia, o texto do Projeto de Lei Complementar (PLC 063/2012) aproveitou a realização de sessões extraordinárias na última semana para conseguir um atalho à exigência de três sessões de discussão antes da distribuição para as comissões. Com isso, a matéria foi colocada em discussão apenas nos últimos dias 5 e 6 – sem enfrentar qualquer resistência ou ser alvo de manifestação por parte dos deputados. Pelo contrário, o silêncio que circunda a matéria é motivo de comentários nos meios jurídicos e políticos, que acompanham com interesse a tramitação do projeto após os desdobramentos da Operação Derrama. Na ocasião, o chefe do MPES, Eder Pontes da Silva, acabou ignorando as suspeições lançadas contra Ferraço durante as investigações. Chamou a atenção o fato de Eder Pontes ter sido a única autoridade convidada a participar da solenidade de abertura do ano legislativo, no início deste mês. A previsão é de que o Funemp – que deve funcionar nos moldes dos Fundos especiais do Poder Judiciário (Funepj) e da Defensoria Pública (Fadespes) – possibilite uma elevação crescente, a partir de R$ 50 milhões anuais, no caixa do Ministério Público. De acordo com a proposta enviada pelo governador Renato Casagrande, o Funemp vai receber uma parte do valor pago em atos cartorários sob o pretexto de “taxa de fiscalização”. Com isso, o cidadão vai pagar o valor dos emolumentos (taxas de atos de cartórios, conforme tabela do Poder Judiciário) e mais 20% do total com esta “taxa”. Deste total, a metade deste valor seguirá indo para o Funepj, enquanto o Funemp e Fadespes vão dividir o restante do bolo. Para este ano, o orçamento previsto para o MPES é de R$ 311 milhões. Já o Fundo Especial do MP capixaba deve garantir algo em torno de R$ 48 milhões a mais em caixa, levando em consideração o valor estimado para o Fundo Especial do Poder Judiciário (Funepj) na Lei Orçamentária de 2013 (R$ 96,65 milhões). A história de criação do Fundo do Ministério Público remonta ao período de influência do ex-governador Paulo Hartung (PMDB), parceria que ganhou a alcunha de “arranjo institucional”. Em 2006, a cúpula do MP capixaba, então chefiado pelo atual desembargador José Paulo Calmon Nogueira da Gama, enviou à Assembleia Legislativa o projeto que criava o fundo especial. A matéria foi aprovada pelos deputados, mas acabou recebendo alguns vetos do então governador. O Funemp é administrado por um grupo coordenador, composto por quatro representantes da Administração Superior do MPES, dois promotores de Justiça, dois representantes dos serviços auxiliares do Ministério Público e um representante da sociedade civil.
Lideranças petistas no Estado reafirmam apoio à reeleição de Casagrande em 2014
Três importantes lideranças do PT no Estado falaram à Rádio CBN Vitória, na manhã desta sexta-feira (15), sobre os 33 anos do partido, completados no último domingo (10). Na entrevista, o ex-prefeito de Vitória João Coser, a deputado federal Iriny Lopes e o subsecretário de Estado de Direitos Humanos Perly Cipriano também falaram sobre as pretensões do partido nas eleições de 2014. Os três reafirmaram apoio à reeleição do governador Renato Casagrande (PSB). Mas ressaltaram que o partido espera ser compensado com a indicação do candidato a vice-governador ou com apoio do Palácio Anchieta à candidatura ao Senado, cada vez mais perto de Coser. Eles também ressaltaram que querem o projeto do PT comtemplado nas propostas de governo de Casagrande. Os petistas, no entanto, colocaram como prioridade do partido no Estado a reeleição da presidente Dilma Rousseff. Iriny lembrou que o apoio dado à reeleição de Lula, em 2006, e à campanha de Dilma, em 2010, deixou a desejar. Ela não mencionou o nome de Paulo Hartung (PMDB), que estava à frente do governo nas duas últimas eleições, mas deu a entender que não é esse o palanque que o PT capixaba quer oferecer para Dilma nas eleições de 2014. Os petistas esperam que Casagrande “arme” um palanque para Dilma condizente com a estatura do partido, para que a candidata petista tenha melhor sorte que em 2010, quando o candidato tucano José Serra a superou no segundo turno no Espírito Santo e em mais 10 estados. Embora de correntes distintas, o trio petista se mostrou bastante alinhado na hora de tocar em assuntos delicados, como no caso do Mensalão. Na ponta da língua, quase como se estivessem num jogral, os petistas ponderaram que não há condenação e que os acusados têm direito ao contraditório. Mas também lembraram que, caso eles sejam considerados culpados, terão que ser punidos com rigor. Ao comentar a saraivada de críticas que o partido tem sofrido nos últimos anos por conta de escândalos, Coser disse que isso faz parte do jogo da democracia. Ele lembrou que é inevitável para um partido que está no poder há mais de uma década não sofrer críticas. O ex-prefeito afirmou que existe uma espécie de perseguição ao partido. “Parte da elite faz de tudo para aumentar a rejeição a Lula, a Dilma e ao PT”, desabafou.