A eleição dos diretórios municipais do PMDB, que é vista como uma prévia da disputa pela direção estadual, dá indícios sobre o nível de dificuldade que o atual presidente da sigla no Estado, deputado federal Lelo Coimbra, encontrará para se manter à frente do partido. Para os meios políticos a discussão não passa apenas pela aprovação da gestão do deputado, e sim pelo interesse do ex-governador Paulo Hartung em manter o controle da sigla. Nesse sentido, a mudança nos diretórios municipais ganha importância, já que o presidente da municipal pode influir na decisão dos delegados que vão decidir o futuro da regional no próximo dia 20 de dezembro, que é quando deve acontecer a eleição no diretório e executiva estadual. Em Vitória, a eleição de Sérgio Borges (PMDB), caso se confirme, facilitaria a reeleição de Lelo, já que o deputado tem um perfil conciliador e não entra em atrito com o grupo de Hartung. O próprio Borges defende a reeleição de Lelo. Em Vila Velha, o capital político do deputado estadual Hércules Silveira estaria em debate. Ele é favorito na disputa, mas como tem dificuldade com o diretório municipal atual, tudo indica que a disputa não será fácil. Se eleito, a influência do deputado sobre os delegados do partido é uma incógnita. Apesar das garantias que recebeu do diretório estadual de que poderia disputar a eleição para prefeito do município este ano, Hércules sofreu uma rasteira de seus companheiros de partido. Uma movimentação do próprio Lelo e do atual presidente da municipal, o vereador reeleito Andinho, tirou Hércules da disputa e levou o partido para o palanque do deputado estadual Rodney Miranda (DEM). Em Cariacica, Lelo Coimbra esteve na campanha do deputado estadual Marcelo Santos, candidato à reeleição na municipal. Mas Hartung, de quem Marcelo Santos sempre foi aliado, não participou de sua campanha e ainda tentou minar sua candidatura nos bastidores. A postura do deputado em relação à estadual pode também mudar, influenciando na eleição da estadual. Na Serra, o atual presidente da municipal Luiz Carlos Moreira defende a reeleição de Lelo Coimbra, mas Moreira nunca teve afinidade política com Paulo Hartung. Portanto, não se sabe como será sua ingerência no pleito, já que ao apoiar Lelo, o vereador eleito e ex-deputado estadual estará dando munição para que Hartung continue controlando o PMDB.
???A cidade está sendo decidida pelo investidor privado???
Rogério Medeiros e Renata Oliveira “Quando uma forma cria beleza tem na beleza sua própria justificativa” Oscar Niemeyer Com as eleições municipais definidas, o grande desafio dos prefeitos eleitos, sobretudo na Grande Vitória, é pensar uma agenda metropolitana para tentar encontrar soluções aos problemas comuns dos quatro maiores municípios da região: Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica. Em suas campanhas, os problemas comuns foram abordados pelos prefeitos, mas de forma isolada. Para o arquiteto e urbanista Fernando Betarello, os desafios dos prefeitos eleitos são muitos e, muitos deles só poderão ser solucionados se houver um planejamento a longo prazo e com ações conjuntas. Para isso, ele chama a atenção para a necessidade urgente de se efetivar a região metropolitana, que está instalada e tem até um fundo, mas que não atua em práticas comuns para garantir uma melhoria nas questões mais delicadas de uma região que concentra metade da população do Estado. Nesse sentido, ele destaca a importância de se criar por meio de uma secretaria de Estado, a participação do governo nas decisões, subsidiando os prefeitos e pensando a região,com captação de recursos e avaliação dos principais gargalos. Hoje, para Betarello, a iniciativa privada tem ocupado o espaço do poder publico no gerenciamento do fluxo populacional. Confira a entrevista de Fernando Betarello. Século Diário – A Grande Vitória concentra cerca de metade da população do Estado. Do ponto de vista urbanístico, quais seriam os principais desafios dos prefeitos eleitos nos quatro maiores municípios do Estado? Fernando Betarello – A região metropolitana vem crescendo em uma taxa maior do que a de crescimento do Estado na última década. Nesse período tivemos um incremento de população de quase 250 mil pessoas e essa é a região mais dinâmica do Estado. Dos investimentos econômicos anunciados para essa década no Estado, de R$ 62 bilhões, quase R$ 25 bilhões são para a região metropolitana e 80% desses investimentos são entre Anchieta e Linhares. Isso vai fazer com que a região continue crescendo, tanto em termos de população quanto econômicos. Isso fará com que investimentos em infraestrutura aconteçam aqui. Isso é um ciclo. Você tem investimento econômico, que gera crescimento populacional, que demanda ações de estrutura. – Mas, efetivamente, isso não traz ônus também? – O que está faltando e os prefeitos devem se posicionar é um planejamento metropolitano. A Grande Vitória teve um planejamento no final da década de 1970 e depois não teve mais. Quando acabou o recurso federal, porque era interesse de Brasília fazer esses investimentos nos grandes projetos aqui, secou essa fonte e o projeto metropolitano também parou. O último plano para a região metropolitana é de 1976, chama-se plano de estruturação do espaço. E é como você falou, a região concentra metade da população, metade dos veículos está aqui. Na última década, tivemos o incremento de 360 mil veículos novos. Você tem uma população que começa a ter renda, crédito e em contrapartida você não tem sistema viário que suporte, não tem um crescimento desse sistema viário, você não tem um transporte público eficiente, e o único planejamento que existe são os planos diretores, mas que não conseguem controlar essa questão maior, porque é uma questão metropolitana. – E que outros fatores também são metropolitanos? – O aumento da violência, porque você começa a crescer sem a estrutura, problema da habitação. Você tem vários problemas decorrentes dessa ocupação desordenada. Temos a questão da mobilidade, você não tem uma orientação de ocupação do espaço; você tem uma questão ambiental séria, porque você começa a trazer muito investimento econômico e não consegue controlar ambientalmente esses projetos. Os prefeitos vão ter desafios na área da violência urbana, por causa do aumento populacional, da infraestrutura, da falta de emprego, tudo isso gera uma violência urbana cada vez maior, a questão das drogas. – Esses grandes projetos atraem uma contingente de fora da região e até de fora do Estado na fase da instalação, mas essa mão de obra não é absorvida na fase de produção… – Assim aconteceu na época da CST [ArcelorMittal] e Vale do Rio Doce [Vale], esses bairros como São Pedro, Sossego, Carapina, na Serra… – Vimos isso há pouco tempo em Anchieta também… – Anchieta está começando. Tem uma periferia que não tinha, por conta da ampliação da Samarco e do anúncio desses investimentos. A população em busca do emprego vai para a região e acaba formando essa periferia, sem estrutura, e você tem esse fator da violência urbana. Tem demanda de saúde, educação e o poder público não consegue, não tem condições de estruturar na mesma proporção em que cresce a população e as demandas. – Até porque essas empresas são da área de exportação e não pagam tributos… – Outro problema é a questão da mobilidade. Com esse aumento de veículos e o transporte público ineficiente você tem esse gargalo e fica cada vez mais complicado porque é uma política nacional de geração de emprego e renda. Então, você tem crédito fácil e tem crédito para o privado, o automóvel, mas não tem crédito para o transporte coletivo. Isso gera um desequilíbrio em que a consequência é a piora da mobilidade. São desafios que não dependem exclusivamente dos prefeitos. A Grande Vitória é uma cidade. Depende de um trabalho conjunto, seja através de uma região metropolitana constituída de fato, seja através de consórcio, mas isso só se resolve com a região metropolitana. – Durante os períodos eleitorais, observa-se que os prefeitos fazem suas plataformas em cima de problemas muito parecidos, como saúde, educação, segurança e mobilidade. Mas isso é tratado isoladamente. Quando se fala na questão da região metropolitana, os prefeitos se mostram sempre favoráveis, mas o projeto nunca se efetiva. O que falta para haver essa união? O Estado pode ingerir nesse assunto? Até que ponto? – A Constituição de 1988 abriu a possibilidade de os estados poderem constituir suas regiões e em 1995 foi criada a região metropolitana da Grande Vitória, mas sem que se tenha dado instrumentação para ela. Em 2004 foi feita uma
Tribunal de Justiça vai ressarcir gastos de saúde por serventuários
O Tribunal de Justiça do Estado (TJES) definiu, na última semana, os critérios de pagamento dos valores retroativos com gastos de saúde pelos serventuários. De acordo com o comunicado assinado pelo secretário de Gestão de Pessoas do tribunal, José Adriano Pereira, os servidores do Judiciário poderão receber a diferença pela nova tabela do auxílio-saúde, publicada no último dia 25, desde o mês de julho. Segundo o secretário, a apuração dos valores a serem ressarcidos ficará por conta da Coordenadoria de Pagamento de Pessoal. Todos os servidores que desembolsaram valores com mensalidades da operadora de plano de assistência saúde ou seguro saúde podem ter acesso ao benefício. A única exceção fica por conta dos serventuários com valores descontados automaticamente na folha de pagamento. Pela fórmula dos pagamentos, um servidor de 40 anos que gastou R$ 250,00 com plano de saúde e foi indenizado em R$ 220,00 no mês de junho, por exemplo, poderá receber o ressarcimento de R$ 30,00. A nova tabela de benefícios aos trabalhadores do Judiciário varia entre R$ 144,00 e R$ 705,00 mensais de indenização, variando de acordo com a idade do servidor. Nos termos da Resolução nº 045/2012, todos os servidores do Poder Judiciário capixaba (efetivos e comissionados) terão acesso aos pagamentos, que têm caráter indenizatório, ou seja, não sofrem qualquer desconto na folha de pagamento. Diferentemente do que ocorre com os magistrados, o limite das indenizações para os servidores do TJES continuará mensal. Ao todo, o valor do auxílio-saúde para os trabalhadores pode variar de R$ 1.728,00 até R$ 8.460,00 anuais. No caso dos juízes e desembargadores, esse valor é de R$ 11.518,20.
Marcha denuncia o descaso com o extermínio da juventude negra
A Marcha Estadual Contra o Extermínio da Juventude Negra chega à sua quinta edição nesta terça-feira – no memorável 20 de novembro, data da morte, em 1695, do líder quilombola Zumbi dos Palmares, quando é celebrado o Dia da Consciência Negra. Organizada pelo Fórum Estadual da Juventude Negra do Estado (Fejunes), a marcha faz parte do calendário dos militantes capixabas desde 2008, quando a entidade lançou campanha contra o extermínio de jovens negros. Neste ano, a manifestação está marcada com concentração às 8h, na antiga Capitania dos Portos, no Centro de Vitória. O tema do ato de 2012 é “O racismo mata: não fique parado”, remetendo ao problema do grande índice de mortalidade de jovens negros no Estado. Segundo o Fejunes, o objetivo da campanha é denunciar esse fato, no intuito de reverter o quadro de ausência de profunda falta de políticas públicas e ações afirmativas para o setor. Os índices estaduais mostram que, realmente, essa realidade está longe de ser fácil. A taxa de homicídio de negros do Espírito Santo é de 62,3 mortes por 100 mil habitantes, segundo o Mapa da Violência 2012. Para se ter uma noção, em relação aos brancos, o índice é de 17,1 por 100 mil. Já em relação aos jovens, ou seja, pessoas entre 15 e 24 anos, o Estado apresenta a gigantesca taxa de 116,7 mortes por 100 mil habitantes. Considerando os dados do Ministério da Saúde que apontam que, no Brasil, 53% dos homicídios registrados são de jovens e, desses, 75% são negros, é possível estimar a alta posição do Espírito Santo no ranking de mortalidade da juventude negra. Além disso, o Mapa da Violência mostra que a Região Metropolitana da Grande Vitória é a quarta do país em taxa de homicídios, com 68,6 mortes violentas por 100 mil habitantes. Vitória é a terceira capital mais violenta: 67,1 homicídios por 100 mil. Os índices, principalmente pelo fato de que a maioria dos jovens assassinados encontra-se em regiões da periferia metropolitana, mostram o tamanho da falta de políticas públicas que garantam dignidade para essa população, hoje carente não só de segurança, mas também de empregos, acesso a ensino e à saúde e moradia de qualidade.
A tampa do caixão social foi aberta
Jornais de todo o País têm repercutido as declarações do ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, que afirmou essa semana que preferia morrer a ficar encarcerado nas prisões brasileiras. Depois que a polêmica foi aberta, o ministro voltou a criticar as péssimas condições das unidades prisionais. Ele afirmou que “não adianta esconder o sol com a peneira”. Os meios jurídicos reagiram mal à fala do ministro, uma vez que o Ministério da Justiça, em última análise, é o responsável pelo sistema prisional. Alguns ministros do Supremo Tribunal Federal deram a entender que as declarações do ministro foram oportunistas, pois surgiram imediatamente após o Supremo definir as penas dos réus envolvidos no mensalão, já que muitos deles, inclusive o ex-ministro José Dirceu, terão que cumprir pena em regime fechado. Na esteira da polêmica aberta pelo ministro, muitos termos recentemente utilizados para denunciar o histórico de violações nas unidades prisionais capixabas vieram à tona: prisões medievais, desrespeito aos direitos humanos, tortura, suplício, condições desumanas, estado de caos e outras expressões do gênero foram usadas para descrever as precárias condições das prisões brasileiras. O termo prisão medieval, a propósito, lembrou as “masmorras de Hartung”, tão bem cunhada pelo jornalista Elio Gaspari, para definir o encontro infortúnio do ex-governador com as cortes internacionais, em março de 2010, que ficaram conhecendo os horrores que se passavam nas prisões capixabas, como torturas, suplícios e presos esquartejados. É verdade que a realidade das prisões brasileiras, sobretudo as do Espírito Santo, não é novidade para ninguém. Talvez por isso, alguns críticos de plantão tenham classificado o desabafo de Cardozo de oportunista. Polêmica à parte, o ministro disse algo inquestionável. No seu arrombo de sinceridade, ele defendeu que o primeiro passo para solucionar o problema é enfrentá-lo: “Não adianta esconder o sol com a peneira”, advertiu. Nesse ponto, o ministro está coberto de razão. Foi justamente por tentar “esconder o sol com a peneira” que o Espírito Santo conseguiu submeter, por tanto tempo, a população carcerária a um sistemático processo de violações. Como todos sabem, as entidades de defesa de direitos humanos capixabas não podiam sequer entrar nas prisões do Estado. Consequentemente, as violações não eram denunciadas e o Estado oficialmente “enterrava” seus presos vivos no caixão social chamado de “masmorras”. Só recentemente, o carcereiro das “masmorras de Hartung”, o ex-secretário de Justiça Ângelo Roncalli – que também mantinha uma versão juvenil das masmorras – deixou o comando da pasta em função dos escândalos de corrupção envolvendo o sistema socioeducativo de internação de adolescentes. Roncalli, enquanto pôde, fez de tudo para “esconder o sol com a peneira”. Mesmo após ser convocado para dar explicações aos representantes da Organização das Nações Unidas, Roncalli desdenhou das acusações e tentou mostrar que o governo Hartung estava fazendo um excelente trabalho na recuperação do sistema prisional. Seu sucessor, André Garcia, que era subsecretário e depois secretário de Segurança Pública na gestão de Hartung, portanto, co-responsável pelo encarceramento de presos, já que muitos se encontravam até pouco tempo empilhados em DPJs, foi infeliz ao comentar as declarações do ministro Cardozo. Ou melhor, ele preferiu não dizer nada sobre a frase de Cardozo (preferia morrer a ficar…), mas insistiu na cultura herdada do governo anterior de negar a realidade. Entre outros devaneios, Garcia afirmou ao jornal A Tribunal (15/11/2012), que desconhecia as denúncias de tortura e superlotação de presídios reveladas à reportagem por ex-detentos. André Garcia deveria seguir o conselho do ministro Cardozo e enfrentar o problema como ele é, ou seja, bem feio. Alguém precisa alertar ao secretário que a tampa do caixão social foi aberta e não há mais como esconder as mazelas do sistema.
Antes e depois
Muitos dos votos que elegeram Juninho (PPS) prefeito de Cariacica foram motivados por sua principal promessa de campanha, a isenção de IPTU para quem mora em rua sem pavimentação e sistema de esgoto no município. Mas passada a eleição, o que parecia ser uma iniciativa imediata, ganhou contorno de longo prazo. Basta considerar as declarações de Juninho já como prefeito eleito, que vão desde a realizar um estudo sobre o assunto, a encaminhar para a Câmara uma reforma tributária. Em todos os casos, o popular-socialista admite que o resultado não será rápido. No entanto, o ano está acabando e logo mais os moradores receberão seus carnês de IPTU. A eles não foi informado durante a campanha que entre querer e realizar, o prefeito eleito precisaria de tempo. E sabe-se lá quanto tempo. O caso entra para a lista dos exemplos de como os discursos mudam antes e depois dos pleitos. Resta saber como essa bomba cairá no colo dos eleitores. Pagarão o IPTU? Antes e depois II No município, já circula comentários de que com a isenção para esses moradores, a prefeitura deixaria de arrecadar R$ 7 milhões. Se os moradores não pagarem o próximo carnê, como fica a situação para Juninho? Lembrando que 2013 começa com perdas financeiras. Antes e depois III Quem também mudou o discurso logo depois das eleições foi o prefeito eleito de Vila Velha, Rodney Miranda (DEM). Ele que prometia fazer e acontecer no período eleitoral, com ações incisivas, depois de eleito adotou postura cautelosa em relação a suas promessas de campanha. No caso das enchentes, Rodney atribuía à incompetência do prefeito Neucimar Fraga (PR), garantindo pôr fim ao suplício dos moradores Agora, já fala em minimizar o problema. Participativo Já o prefeito eleito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), dá o pontapé inicial em sua promessa de campanha, o gabinete itinerante, na próxima terça-feira (20). Até o dia 13 de dezembro, serão realizados encontros com moradores em oito bairros, nesta ordem: Jardim Camburi, São Pedro, Praia do Canto, Maruípe, Bento Ferreira, Centro, Santo Antônio e Continental. Participativo II Luciano Rezende, aliás, mobiliza a população pela internet. Convites chegam ainda por email. Exemplo de bom uso das redes sociais. Alerta Também na próxima terça, o Fórum Estadual de Juventude Negra do Espírito Santo (Fejunes) realiza a V Marcha Estadual Contra o Extermínio da Juventude Negra. Objetivo é cobrar do Estado políticas públicas em favor desta parcela da população, vítima constante de marginalização e assassinatos. Entrevista A TV Al Jazeera, da Arábia Saudita, está atrás do ex-delegado capixaba Cláudio Guerra, que participou de uma centena de mortes como matador e estrategista do Serviço Nacional de Informações (SNI), durante o período militar. Novidade Carminha Corrêa Jecko lança o livro Despertar dos Sentidos, ilustrado com obras do artista plástico Phillippe Jugnet, na próxima quinta-feira (22), às 18h30, no Hotel Bristol da Praia do Canto, em Vitória. 140 toques “O superporto de Açu está em obras; o superporto de Ilhéus ganhou a LI [Licença de Instalação] do Ibama nesta semana; e o superporto do ES ainda discute para onde vai”. (Ex-secretário de Desenvolvimento de Vila Velha – Octaciano Neto – no Twitter). PENSAMENTO: “Mantenha boas relações com os oficiais certos e eles derrubarão o governo para você”. Noam Chomsky
Fogo cruzado
A vida dos servidores da Assembleia Legislativa não anda nada fácil com a disputa que está sendo travada entre o governador Renato Casagrande e o presidente da Casa, Theodorico Ferraço (DEM). Novamente o bolso dos funcionários do Legislativo foi tratado como “moeda de troca” na discussão sobre a ocupação da cadeira de presidente. Isso não se faz. A bola da vez foi o abono de R$ 2 mil para os funcionários da Casa, que Ferraço levantou como bandeira. A ideia foi vista nos meios políticos como um subterfúgio para chamar a atenção sobre a possibilidade de Ferraço se reeleger para a presidência da casa. A prática é condenável, mas desde o início do governo passado, os poderes combinam o valor a ser pago para os servidores do Estado. É condenável porque cada poder tem um orçamento e estrutura próprios, bem diferentes, o que justificaria abonos diferentes. A própria ideia do abono vai de encontro a defesa de uma política salarial, defendida pelos sindicatos. Mas isso é outra história. Para alguns deputados, Ferraço nunca teve em caixa o valor que queria pagar aos servidores. Teria levantado a lebre só para provocar o Palácio Anchieta. Essa não foi a primeira vez. Quem não se lembra da polêmica gerada em torno da reposição dos 11.98%, que Ferraço advogou em favor dos funcionários. Acredita-se que se outro nome estivesse à frente da negociação, a situação seria mais tranquila. Mas como Ferraço chutou a porta para ser presidente da Assembleia, o governador fez birra e quis transformar a dívida em precatório. Enquanto Executivo e Legislativo travam batalhas por poder, os servidores da Assembleia viram moeda de troca e ficam no meio do fogo cruzado de seus agentes políticos. Como há uma má vontade da opinião pública em relação à Assembleia, por conta de sua imagem, que parece, nunca mais será resgatada, fica fácil ficar contra os servidores. Mas jogar com direito dos funcionários da Casa é covardia. Tomara que com a movimentação que garantiu a reeleição de Theodorico Ferraço para a presidência da Casa, governo e Assembleia cheguem a um denominador comum e as questões administrativas não sejam mais usadas como instrumento político. Fragmentos: 1 – Depois da votação maiúscula do prefeito de Guarapari Edson Magalhães (PPS) Edson Magalhães, os meios políticos locais acham difícil haver uma mudança no comportamento do eleitorado. 2 – Mesmo não sendo Edson o candidato, seu indicado, provavelmente o candidato a vice, Orly Gomes (DEM), sai em vantagem no pleito. Mesmo se o governador Renato Casagrande subir no palanque de seu aliado, Ricardo Conde (PSB), há dúvidas sobre uma reviravolta. 3 – Um dos muitos recados das urnas foi justamente o fato de que lideranças locais influem no pleito e não as estaduais. Quem deve estar tranquilo, pelo menos em relação a isso, é o presidente da Assembleia, Theodorico Ferraço (DEM), padrinho político de Magalhães.
Casos de coqueluche aumentam quase 500% no Estado
Oito bebês morreram de coqueluche neste ano no Espírito Santo. As mortes são resultado do crescimento de casos de doenças nos municípios capixabas. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), no ano passado foram registrados 61 casos da doença e apenas uma morte. Este ano já são 354 casos da doença entre janeiro e novembro, um aumento de 480%. Mesmo com a vacinação gratuita nas redes de saúde em todo o Estado, 50 dos 78 municípios capixabas apresentaram casos de coqueluche, o que, segundo a Sesa, pode ser considerado uma situação de surto. A Secretaria ainda não divulgou se houve falha no sistema de vacinação no Estado, mas afirmou que desde que observado o aumento nas notificações da doença iniciou uma série de ações de alerta nos municípios. A doença se manifesta da forma mais grave em recém-nascidos, bebês e crianças, mas também pode atingir adolescentes e adultos, que por sua vez, podem apresentar os sintomas e transmitir para crianças. “Há surto da doença espalhado em diversos municípios. A maioria dos casos está concentrada em bebês e crianças”, ressalta a coordenadora da Vigilância Epidemiológica da Sesa, Gilsa Rodrigues. Como prevenção, a orientação é que a pessoa deve receber cinco doses da vacina até os seis anos de idade. A imunidade contra a doença dura por 10 anos, porém, para isso tem de estar com todo o esquema vacinal completo. A coqueluche é causada por uma bactéria altamente contagiosa que é trasnmitida por meio de contato direto, tosse, espirro, eliminação de secreção, ao falar ou ao tocar objetos. Os sinais e sintomas da coqueluche são as tosses persistentes, que podem durar várias semanas. É muito comum também vômito após a tosse. Pode haver ainda presença de febre leve, coriza, mal-estar geral. A Sesa entrou em contato com as vigilâncias epidemiológicas dos 78 municípios capixabas para esclarecer sobre a coqueluche, encaminhando notas técnicas também para o Conselho Regional de Medicina (CRM) e Conselho Regional de Enfermagem (Coren).
André Garcia é um dos que preferem ???esconder o sol com a peneira???
As declarações do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que afirmou que prefere morrer a ficar trancafiado nas prisões brasileiras, têm dado o que falar. No Espírito Santo, no entanto, o secretário de Justiça André Garcia preferiu ficar de fora da polêmica e não comentar as críticas do ministro ao sistema prisional brasileiro. As declarações do ministro, que repercutem na imprensa nacional desde a última quarta-feira (14), mantêm a polêmica acesa em torno das péssimas condições das prisões. Tentando explicar sua própria declaração, Cardozo alertou que “não adianta esconder o sol com a peneira”. Ele disse que o primeiro passo para solucionar o problema é jamais escondê-lo. Polêmica à parte, o secretário André Garcia, como disse o ministro, preferiu não “esconder o sol com a peneira”, na hora de falar sobre a situação carcerária no Estado. O secretário, que está há pouco tempo no cargo, é um dos quadros remanescentes do governo Paulo Hartung. Aliado do prefeito eleito de Vila Velha Rodney Miranda (DEM), Garcia substituiu o colega na Secretaria de Segurança Pública. No início do governo Casagrande, “inventaram” para ele a Secretaria de Ações Estratégicas. Mais recentemente, Garcia assumiu a Justiça, com a saída de Ângelo Roncalli da pasta, por envolvimento no escândalo de corrupção no Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases). Embora em abril de 2010, último ano do governo Hartung, o Espírito Santo tenha ganhado destaque no noticiário nacional e internacional, após as organizações sociais denunciarem as violações que ocorriam no sistema prisional às Nações Unidas, o secretário insiste em “esconder o sol com a peneira”. Ao jornal A Tribuna, dessa quinta-feira (15), ele se restringiu a declarar que o “sistema prisional passou por grande melhora”. O secretário, talvez encoberto pela “peneira”, declarou ainda que desconhece casos de tortura e superlotação, conforme denunciaram alguns ex-detentos à reportagem de A Tribuna. O desconhecimento do secretário, embora há pouco tempo na pasta, não se justifica. No início de novembro, durante o Seminário Internacional Justiça e Direitos Humanos, promovido pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo, o desembargador Willian Silva, presidente da Comissão de Enfrentamento e Combate à Tortura do TJES, citou dados da situação carcerária do País e do Estado, mostrando que o Espírito Santo ainda tem problemas graves. O Estado tem a décima maior população carcerária do País e o ocupa o oitavo lugar na taxa de encarceramento, com 355 presos para cada 100 mil habitantes. O déficit atual é de 1.815 vagas no sistema, dados de outubro de 2012. Em setembro, a população carcerária estava em 14.477 presos, sendo 6.097 presos provisórios. “Se as medidas cautelares alternativas funcionassem, nos teríamos 6.097 pessoas nas ruas e não teríamos o sistema entupido como está aí, não teríamos pessoas amontoadas umas sobre as outras”. O dado do desembargador apontou para a realidade da superlotação, que para piorar, é só uma questão de tempo. Curiosamente, fato que o secretário Garcia diz desconhecer. Se o secretário de Justiça conhecesse o “torturômetro”, criado pela Comissão de Enfrentamento e Combate à Tortura do TJES, também saberia que os casos de tortura nas “modernas” unidades prisionais são recorrentes. No balanço das atividades da Comissão, que completa um ano em dezembro, o desembargador Silva deu um dado que ilustra a dificuldade para identificar o crime de tortura nas prisões capixabas, que continuam acontecendo mesmo após as “melhoras” nas unidades. Silva disse que dezenas de denúncias foram transformadas em inquéritos, mas nenhuma, até agora, virou ação penal na Justiça, revelando a dificuldade que existe para se coibir esse tipo de crime.
Grupo de Paulo Hartung será testado na eleição do PMDB
Os peemedebistas do Estado preparam a eleição para a direção regional do partido para o próximo dia 20 de dezembro. Mais do que uma eleição interna de partido, estará em avaliação a manutenção do projeto político do ex-governador Paulo Hartung. Os aliados começam a trabalhar a reeleição do atual presidente, deputado federal Lelo Coimbra, mas um grupo de insatisfeitos pode evitar chapa única na disputa. A eleição do PMDB estadual pode definir o futuro político do ex-governador. Durante o período eleitoral ventilou-se a possibilidade de o grupo do ex-governador migrar para o ninho tucano. Mas depois da eleição, em que o PSDB saiu encolhido das urnas, o partido deixou de ser atrativo para comportar Hartung e companhia. O ex-governador, sem mandato, precisa se fortalecer para o jogo político de 2014. O interesse em manter o comando do PMDB fica implícito também no retorno de outro grande aliado do ex-governador à Executiva, o prefeito de Linhares Guerino Zanon. Aliás, foram Lelo e Zanon, que em 2007 comandaram a movimentação de tomada do partido. Na época, o PMDB era comandado pelo ex-deputado federal Marcelino Fraga, ligado aos peemedebistas históricos. A polêmica gerada pela renúncia de Marcelino ao mandato de deputado federal serviu de subterfúgio para que os dois procurassem apoio na Executiva Nacional para tomar o partido. À frente do PMDB capixaba, Lelo Coimbra isolou os históricos e implementou uma política que transformou o partido em instrumento político para o projeto de Hartung. Desde então, os atritos entre históricos e o grupo de Hartung são constantes. Um nome que enfrenta o grupo dentro do PMDB é o da vice-presidente da Câmara dos Deputados, Rose de Freitas. Durante os oito anos do governo Paulo Hartung, Rose sofreu uma tentativa de esvaziamento de suas bases, mas a aliança com os prefeitos manteve a deputada no jogo. Quem deixou o partido insatisfeita com a falta de espaço político foi a ex-deputada federal Rita Camata, que ingressou no PSDB, partido pelo qual disputou o Senado em 2010. Na disputa pela presidência do partido em dezembro, a dinâmica política implantada pelo grupo de Hartung será testada e poderá funcionar como um bom exercício de força política para 2014. Em desgaste por falta de um mandato, o governador Paulo Hartung precisaria se fortalecer dentro do partido para ganhar musculatura. Além disso, precisa ter o controle do partido para poder continuar movimentando as peças no tabuleiro da disputa estadual.