Vamos tratar sobre as pessoas que aceitam “emprestar” o nome, cheques ou o cartão de crédito a amigos, parentes ou vizinhos, para comprarem roupas, eletroeletrônicos, material de construção, à prazo, ou para a abertura de negócio, como fiador em imóveis alugados e outras tantas situações. Chamamos a atenção para esse comportamento, por ser arriscado tanto para quem empresta quanto para quem pede emprestado, considerando que mesmo não havendo inicialmente a má fé, não podemos desconsiderar o risco de acontecerem imprevistos como o desemprego ou caso de doença na família e, com isso, inviabilizar o pagamento do empréstimo, levando o nome do “bem intencionado” para a “lama”. Situações que vão desde o nome sujo no cadastro de devedores, impossibilitando a contratação de empréstimos ou financiamentos, até a penhora de um bem, impossibilitando a venda ou a troca deste, fora a possibilidade, não tão remota, da perda desse bem para saldar a dívida do outro. A partir do momento da surpresa de que passou ao status de devedor, aparecem os sentimentos de raiva, revolta, culpa, medo, desespero, que se misturam e que acabam afetando a vida e a saúde de quem emprestou, mas que nem sempre afeta a vida de quem pegou emprestado. Por que isso acontece? Em função da diferença nos valores, nas atitudes e no comportamento de consumo de cada pessoa. Ninguém é igual a ninguém, muito menos em relação ao uso do crédito de terceiros. Situações como essa, geram dívidas inusitadas e indesejáveis e promovem estremecimento na relação de amizade ou familiar. Há que se considerar isso antes da tomada de decisão, pois há sempre a prerrogativa de se dizer NÃO. Se essa não tiver sido a sua decisão e, caso ocorra o não pagamento do empréstimo em seu nome, orientamos que ambos (quem pediu e quem emprestou) se empenhem na análise, no levantamento de estratégias para a solução do problema e na negociação desta, considerando que talvez seja a única oportunidade de promoverem a mudança necessária em relação aos seus próprios padrões de comportamento. Diz o ditado que “de boas intenções o inferno está cheio”, reforçando que a razão deve estar acima da emoção e do desejo de querer ajudar o outro, entendendo que mesmo não havendo a intenção de dever, há o risco. Às vezes, a reversão do comportamento de consumo descontrolado surge numa situação inusitada onde o que empresta não esperava levar o calote e o que tomou emprestado não avaliou a possibilidade de dar o calote. Quando só dizemos SIM aos que nos pedem acabamos dizendo NÃO para nós. O contrário só ocorre quando aprendemos a dizer NÃO ao outro, e assim, enfim, o SIM se torna algo possível para nossas vidas. É importante pensar nos seus valores, atitudes e planos, tanto quanto saber separar as relações familiares, afetivas ou de amizade para preservar a sua saúde financeira e a própria relação estabelecida. Pense na seguinte situação – uma pessoa que cuida bem do seu dinheiro, sem esbanjar, economizando para realizar algum sonho ou prevenindo para garantir o seu futuro e, se vê obrigada a abrir mão de tudo isso para arcar com uma dívida que, por tabela, ajudou a gerar. É difícil ver famílias se despedindo de seus sonhos e de sua segurança para saldar dívidas amargas, herdadas pela boa intenção. Acham que isso não acontece? A realidade diz que sim. Da condição de poupador, passa-se a condição de endividado por tabela. Vemos dívidas de terceiros “vingarem” mais do que o próprio relacionamento. Sogras que fizeram empréstimos para genros abrirem seus negócios, que faliram junto com o relacionamento, mas as dívidas… Ah, essas continuaram nas costas das sogras. Quantos casos de irmão que usou o nome do outro irmão para abrir o seu negócio que faliu e levou com ele o nome do irmão generoso. Até vizinho assalariado pagando dívida de financeira que não era sua. Tudo isso para não deixarem o seu nome ir para a lama. Estima-se que 14% dos inadimplentes são fiadores, “emprestaram” o nome a terceiros. Pense muito bem, pois o seu nome é o seu maior patrimônio.
Anuário de Segurança Pública mostra taxas elevadas de homicídios no Estado
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) lançou nesta terça-feira (6) a 6ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, aproveitando a aprovação da Lei 12.681/2012, que cria o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, Prisionais e sobre Drogas (Sinesp). O anuário sistematiza números absolutos e taxas de crimes em todos os Estados da federação. O anuário demonstra que o Estado não apresentou queda significativa em números de homicídios entre 2010 e 2011, apresentando dobro da média brasileira e mais de quatro vezes mais do que a taxa recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Mais uma vez, o Estado só perde para Alagoas na taxa de homicídios dolosos. O Estado do Nordeste registrou 74,5 homicídios dolosos (com intenção de matar) por grupo de 100 mil habitantes. De acordo com o anuário, o Espírito Santo registrou 1.626 homicídios dolosos em 2010 e 1.589 em 2011, com taxa de 46,3 e 44,8 mortes por 100 mil habitantes respectivamente. A queda na taxa foi de 3,2%, número que não deixa espaço para comemoração. Levando em conta que a OMS determina que as taxas de homicídios acima de 10 por grupo de 100 mil já são consideradas altas, a taxa registrada do Estado pode ser classificada como violência epidêmica. O anuário também traz o dado de mortes a esclarecer. No Estado, em 2010, 484 mortes não foram esclarecidas e em 2011 foram 462. A taxa de estupro também se apresenta alta e tem número absoluto alarmante. Em 2010 885 pessoas sofreram esse atentando, enquanto em 2011 o número caiu para 766, nas permaneceu alto. A taxa é de 25,2 estupros por 100 mil habitantes em 2010 e 21,6 por 100 mil em 2011. Sinesp A finalidade do o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, Prisionais e sobre Drogas (Sinesp) é melhorar a qualidade do armazenamento, tratamento e integração de dados e informações relacionados à segurança pública, sistema prisional, execução penal e enfrentamento ao tráfico de crack e outras drogas ilícitas. As informações, além de subsidiar a formulação, implementação e avaliação das políticas públicas de combate à criminalidade em todo o País, permitem ampliar a transparência e o controle social sobre a ação dos entes governamentais nestas áreas. O Sinesp é integrado pelos Poderes Executivos da União, dos Estados e do Distrito Federal. Os integrantes fornecem dados e informações para o sistema e podem usufruir dos resultados e estatísticas gerados.
IPI reduzido até o final do ano mantém vendas de veículos aquecidas
As concessionárias de veículos comemoraram os resultados das vendas em outubro, segundo melhor mês de vendas de automóveis e comerciais leves (como vans e furgões) registrados neste ano. Em número de veículos vendidos, foi o melhor outubro, com 326,9 mil unidades, o que representa aumento de 17,8% sobre setembro (277,5 mil) e de 23,9% sobre igual mês do ano passado. No acumulado do ano, houve crescimento de 7,27%, com quase 3,6 milhões de unidades vendidas. Segundo o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Flavio Meneghetti, o resultado reflete em parte o fato de outubro ter tido três dias úteis a mais do que o mês anterior. Meneghetti apontou ainda a influência do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), cuja vigência terminaria no fim de outubro. Com isso, muitos consumidores correram às lojas para não perder a redução. Com a decisão do governo federal de prorrogar a renúncia fiscal até o fim do ano, Meneghetti acredita que o mercado mantenha-se aquecido, embora não espere desempenho semelhante ao de agosto, quando as vendas foram recorde, com o escoamento de 405 mil unidades no mercado interno. Em agosto, foram vendidas no Espírito Santo 12.293 unidades, entre veículos de passeio, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas. Em setembro, para se ter uma ideia do boom de agosto, esse número caiu para 8.702 unidades. “Agosto foi também um mês bastante auspicioso”, disse o executivo, lembrando que os dois últimos meses do ano terão menos dias úteis. Para o ano que vem, Meneghetti espera que as vendas acompanhem o crescimento projetado para a economia, em torno de 3,5%.
Royalties: Câmara aprova preferência para votar texto original do Senado
A Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta terça-feira (6), por 220 votos a 211, requerimento de preferência para a votação do projeto original do Senado, sobre a distribuição dos royalties do petróleo entre os estados e municípios produtores e não produtores. Com a decisão, o substitutivo do relator da proposta, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), só será colocado em votação se o texto já aprovado pelo Senado for rejeitado na votação na Câmara. Caso o texto do Senado seja aprovado sem qualquer modificação, o projeto será então encaminhado à sanção presidencial. Conheça a proposta do Senado O Projeto de Lei 2565/11, do Senado, alcança as áreas da camada pré-sal e do pós-sal, que já foram licitadas. O texto do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) se opõe aos interesses dos estados produtores (Rio de Janeiro e Espírito Santo). A proposta prevê a redução de 50% para 42% da parcela da União na chamada participação especial – tributo pago por empresas pela exploração de grandes campos de petróleo, principalmente os recém-descobertos na camada pré-sal. A exploração e a produção, nesse caso, são contratadas pelo regime de concessão. A participação especial não inclui os royalties – valores que a União, estados e municípios recebem das empresas pela exploração do petróleo. Os repasses variam de acordo com a quantidade explorada. Em relação aos royalties, o relatório traz uma redução de 30% para 20% na fatia destinada ao governo. Para compensar o governo, o relator propôs que, a partir de 2013, a União receba uma compensação na participação especial de 1% por ano, até chegar a 46% em 2016. A proposta do Senado também traz perdas para os estados produtores, que terão a sua parcela de royalties reduzida de 26,25% para 20%. A participação especial destinada aos estados produtores, segundo o relatório, cai de 40% para 20%. Vital do Rêgo disse ter definido os percentuais de forma a garantir uma receita de R$ 11,1 bilhões em 2012 aos chamados estados produtores, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Em 2010, eles receberam R$ 7 bilhões. Os estados não produtores, que receberam R$ 160 milhões em 2010, receberão R$ 4 bilhões em 2012, se o projeto for aprovado como está. Os estados não-produtores argumentam que a exploração e a produção de petróleo feitas no mar são bens da União. Os representantes desses estados alegam que foi a Petrobras que investiu em pesquisas para explorar e produzir petróleo em alto mar; e não os estados que se dizem produtores. Argumentam ainda que os contratos, tanto sob regime de concessão, como sob regime de partilha de produção, são firmados entre a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e as companhias petrolíferas. Já os estados produtores alegam que os recursos recebidos dos royalties do petróleo são direitos adquiridos e que não podem perder os repasses de um dia para o outro.
Presidente da Ales defende manutenção de emenda que transfere julgamento de prefeitos
O presidente da Assembleia Legislativa (Ales), deputado Theodorico Ferraço (DEM), se manifestou pela manutenção da Emenda 85, que transfere o julgamento das ações contra prefeitos e deputados que possam resultar na perda do cargo para o Tribunal de Justiça. Na petição enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), que analisa uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4870) contra a norma, Ferraço questiona a tese jurídica levantada pela entidade que pede a derrubada da emenda. Segundo o texto protocolado nessa segunda-feira (5), o chefe do Legislativo estadual pede a declaração da constitucionalidade da Emenda Constitucional nº 58/2012, publicada no dia 9 de julho deste ano. Ferraço justifica que a Carta Magna permite que as constituições estaduais fixem as competências dos Tribunais de Justiça dos estados. O demista cita que o entendimento do STF é favorável à tese de legalidade da norma. O presidente da Ales também atacou a petição inicial da ADI que foi formulada pela Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), a pedido do procurador-geral de Justiça capixaba, Eder Pontes da Silva. Na petição, Ferraço aponta que a entidade não teria legitimidade para ajuizar a ação, assim como não poderia incluir a manifestação de Eder Pontes nos autos do processo – fato que acabou ocorrendo. Ferraço também rechaçou as alegações da entidade ministerial de que os deputados teriam afrontado o princípio de impessoalidade em função de 13 dos 30 parlamentares responderem a ações de improbidade. “Primeiramente, ressalta-se que não foi anexado aos autos documentos comprovando referida alegação, o que por si só, impede qualquer pronunciamento judicial acerca da matéria”, rebateu. Para o presidente da Ales, a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC 007/2012) não apresentou qualquer irregularidade. “Além disso, a norma impugnada não constitui um benefício aos parlamentares estaduais, mas sim uma prerrogativa de somente serem condenados à perda do mando eletivo pelo Tribunal de Justiça, órgão máximo do Poder Judiciário estadual”, completou Ferraço. Nos autos, a Conamp também pede ao relator do processo, ministro Dias Toffoli, a concessão de uma liminar suspendendo a norma. Sobre o pedido, Ferraço assegura que a medida não vai causar os danos alegados pela entidade na ação. O presidente da Ales argumenta que a remessa de “alguns poucos processos” não devem provocar um dano irreparável ou de difícil reparação. A emenda questionada prevê que os prefeitos e deputados estaduais só poderão ser julgados, em casos que possam resultar na perda do cargo ou função pública, por instâncias colegiadas do Tribunal de Justiça. Esse entendimento é alvo de divergências entre parlamentares e o Ministério Público Estadual (MPES), que já havia sinalizado que iria combater essa medida. A polêmica chegou até o Judiciário. No mês passado, dois juízes se manifestaram de forma diversa sobre a necessidade ou não da remessas das ações contra prefeitos ao tribunal. O primeiro magistrado a se manifestar contrariamente à emenda foi o juiz da comarca de Pancas, Adelino Augusto Pinheiro Pires, que manteve a tramitação de um processo de improbidade contra o atual prefeito Luiz Pedro Schumacher (DEM) na vara do município. Ele acolheu o pedido do Ministério Público pela declaração da inconstitucionalidade da norma. Por outro lado, o juiz da Fazenda Pública de Cachoeiro de Itapemirim, Robson Louzada Lopes, decidiu pela remessa de dois processos de improbidade contra o prefeito municipal Carlos Casteglione, (PT) para o julgamento dos desembargadores. Na sentença, o magistrado rejeitou o pedido do MPES sob alegação de que a análise de legalidade da norma não cabe ao juízo de 1º grau.
TSE garante julgar recursos antes da diplomação
A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, disse nesta terça-feira (6) que a Corte deve julgar todos os recursos pendentes sobre registro de candidaturas até a data da diplomação dos eleitos, no dia 17 de dezembro. Entre os recursos do Estado, aguardam julgamento os prefeitos Antônio da Emater (PSB), de Pinheiros e Antônio Wilson Fiorot (PSB), de Pedro Canário. No caso de Fiorot, a tendência não é animadora. A relatora, a ministra Nancy Andrigh, se manifestou pela manutenção do indeferimento da candidatura por conta da cassação do mandato do prefeito pela Câmara municipal. No caso de Pinheiros, no último dia 22, a ministra Nancy Andrigh, que também relata este processo, acolheu o recurso do candidato derrotado Valmir Dutra Souza (PTB) contra o deferimento do registro de candidatura de Antônio da Emater. O petebista alegou que o atual prefeito estaria disputando um terceiro mandato por ter substituído por um mês o prefeito municipal no ano de 2007. A Procuradoria Eleitoral chegou a se manifestar contra o provimento do recurso, mas a magistrada teve entendimento contrário. Nas mãos da ministra está também o recurso extraordinário do prefeito de Guarapari, Edson Magalhães (PPS), que teve o recurso negado pelo TSE. A tentativa é de tentar levar a questão para o Supremo Tribunal Federal (STF), mas a tendência é de que o prefeito não obtenha êxito. Isso porque até o momento, a ministra não autorizou que nenhum recurso contra decisão definitiva do TSE chegue ao Supremo. Ainda assim, os candidatos podem acionar a Suprema Corte por meio de recursos alternativos, desde que o pedido envolva assunto constitucional. O TSE recebeu, ao todo, 8,3 mil processos relacionados às eleições municipais deste ano, sendo que 7,7 mil são recursos relacionados a registros de candidatura. Até agora, 5,4 mil processos foram julgados.
Justiça determina paralisação das obras de condomínio na Barra do Jucu
O Ministério Público Estadual (MPE) obteve liminar para paralisar as obras do condomínio Pontal de Jacarenema, construído sob protestos da comunidade local, na Praia dos Recifes, na Barra do Jucu, em Vila Velha. Para sua construção, o município de Vila Velha alterou o Decreto 178/10, tornando a Zona-1, onde uma das torres já foi erguida, em Zona-3, permitindo assim a construção de 10 em vez de apenas dois pavimentos na região. Ao todo o empreendimento prevê a construção do térreo e três torres de 11 pavimentos, abrangendo 258 apartamentos e 267 vagas de garagem. Segundo a Ação Civil Pública ajuizada pelo MPES, a alteração do decreto afronta o princípio da impessoalidade, bem como altera o Plano Diretor Municipal (PDM), sem a participação popular. Segundo o MPES, o decreto foi editado em benefício de apenas uma quadra específica do loteamento na região, alterando a Zona 1 de ocupação controlada com limite de construção de edificações de até dois pavimentos, para a Zona 3, onde edifícios de até 10 pavimentos podem ser construídos sem observar características fundamentais da região. O local escolhido pela Cooperativa Habitacional dos Servidores Militares do Espírito Santo (Coohab-Semes) e Qualivix Engenharia e Construção SA (Qualivix Engenharia) está dentro da Zona de Amortecimento do Parque Natural Municipal Jacarenema (PNMJ), que conta com insuficiência da capacidade da rede local de abastecimento de água; é terreno com cota abaixo de cinco metros; e planície de inundação do baixo Rio Jucu, ou seja, é passível de inundações. A decisão da Justiça suspende os efeitos do Decreto nº 178/2010, do Alvará de Licença nº 11/0459 e de qualquer outro documento que tenha sido outorgado à empresa Qualivix Engenharia em relação ao Pontal de Jacarenema, além da paralisação imediata das obras. Determina, ainda, a suspensão da negociação/alienação de unidades imobiliárias do empreendimento, enquanto subsistir o embargo determinado. Em caso de descumprimento da medida, a multa diária fixada, a contar da ciência da decisão, é de R$ 10 mil.
Equipe de transição de Rodney tem DNA hartunguete
O prefeito eleito de Vila Velha, Rodney Miranda (DEM), apresentou, na manhã desta terça-feira (6), a equipe que vai preparar a transição com o grupo do prefeito Neucimar Fraga (PR). O anúncio foi feito no shopping Praia da Costa, no município canela-verde. A surpresa do anunciou ficou no perfil técnico da equipe, mas o DNA do ex-governador Paulo Hartung está presente nos chamados colaboradores. Na lista, dois ex-secretários de Paulo Hartung: Anselmo Tozi (Saúde) e Haroldo Corrêa Rocha (Educação), que devem permanecer na equipe de Rodney após o dia 1º de janeiro. Os nomes já eram esperados dos meios políticos, mas não como meros colaboradores, principalmente o de Haroldo Corrêa Rocha que saiu derrotado da disputa eleitoral em Vitória, onde concorreu como candidato a vice na chapa de Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB). Já Anselmo Tozi tem no histórico as denúncias apontadas em uma auditoria feita na Secretaria de Saúde do Estado durante sua gestão que apontaram várias irregularidades em contratos da Secretaria com hospitais filantrópicos. A coordenação da equipe ficará por conta do economista, Wallace Millis. Também fazem parte da equipe dois ex-presidentes do Instituto Jones dos Santos Neves. Um deles é o Alberto Pêgo, que é ligado ao movimento ambiental, o que surpreende, já que o programa de governo de Rodney é fraco neste quesito. Quem também já esteve à frente do Instituto e que compõe a equipe é Antônio Marcus Carvalho Machado, que já foi secretário de Planejamento do município, na gestão do ex-prefeito de Vila Velha Max Filho. Também fazem parte da equipe o presidente da Associação dos Bancos do Espírito Santo, Jorge Eloy e o advogado Rafael Tardin. Na próxima quinta-feira (8), o prefeito eleito se reúne com o atual prefeito Neucimar Fraga (PR). Nos próximos 30 dias, as equipes dos dois prefeitos devem fazer um trabalho de diagnóstico da atual gestão e levantamento das ações prioritárias para 2013.
Willian Silva pede o fim do encarceramento em massa
O presidente da Comissão de Enfrentamento e Combate à Tortura do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), desembargador Willian Silva, foi o primeiro palestrante do segundo e último dia do Seminário Internacional Justiça e Direitos Humanos, na manhã desta terça-feira (6). Durante a palestra o magistrado destacou a falta de instrumentos para que medidas cautelares sejam implementadas em detrimento do encarceramento em massa, que o que ocorre atualmente no Estado. O desembargador destacou, ainda no início da fala que atualmente o Poder Judiciário não espera mais que um determinado fato aconteça, e sim está partindo e, de oficio, tomando providências – respeitando a atribuição daquele órgão que deve atuar, como Ministério Público Estadual (MPES) e órgãos do Poder Executivo. Ele ressaltou a importância das comissões, afirmando que a sociedade não pode mais conviver com esse tipo de pauta, ou seja, o combate às práticas que ferem a dignidade humana. Willian Silva citou a adoção pelo TJ do Protocolo de Istambul, editado pela Organização das Nações Unidas (ONU), através da Resolução 035/2012, orientando os magistrados do Estado a seguirem o Protocolo em casos de denúncias de tortura. “A tortura, assim como outros crimes é cometida na clandestinidade, nos porões, nas madrugadas e normalmente só na presença do torturador e do torturado”. O magistrado disse que a prevenção à tortura está sendo feita. Nesta terça-feira (6) o Torturômetro – mecanismo criado pelo Tribunal para o monitoramento e acompanhamento dos casos de tortura no Estado – completou 32 dias sem que denúncias fossem comprovadas. Esse é o recorde de tempo sem denúncias comprovadas desde a criação do dispositivo, em janeiro deste ano. O desembargador criticou os legisladores, que não criam instrumentos para que sejam fiscalizadas as medidas cautelares determinadas pelos magistrados. “As leis vão surgindo a partir de situações. A Lei dos Crimes Hediondos [8.072/1990] surgiu porque morreu alguém de renome; a Lei Maria da Penha [11.340/2006] surgiu por causa de um movimento que a Maria da Penha fez”, disse ele ressaltando que não se elaboram leis no Brasil para prevenir, e sim para combater aquilo que já ocorreu. Sobre a falta de instrumentos, ele citou a Lei da Prisão Preventiva (12.403/2011) que surgiu para evitar que sejam determinadas prisões preventivas indiscriminadamente – evitando, assim, a superlotação dos presídios. A lei cria medidas cautelares alternativas ao encarceramento. No entanto, não foram criados os instrumentos para que o dispositivo seja colocado em prática, acontecendo o que se convencionou chamar de prende-solta, ou seja, a polícia prende e a Justiça libera o detento. Willian Silva combateu essa ideia difundida, alegando que quando o Poder Judiciário priva ou concede liberdade a um preso está cumprindo uma legislação que não foi criada pelo magistrado. A Lei da Prisão Preventiva também prevê o monitoramento eletrônico do preso colocado em liberdade, as medidas protetivas e a proibição de frequentar determinados lugares, mas não há a fiscalização desse cumprimento cautelar. ” Se colocássemos em prática a medida cautelar, evitaríamos problemas”. Homens empilhados O desembargador Willian Silva citou dados da situação carcerária do País e do Estado em particular. O déficit nacional de vagas no sistema carcerário é de 208.805. “Estou falando da tortura praticada pelo próprio Estado, que não tem local apropriado para acolher as pessoas que devem ser privadas da liberdade por terem praticado ato infracional”. O Espírito Santo tem a décima maior população carcerária do País e o Estado ocupa o oitavo lugar na taxa de encarceramento, com 355,06 presos para cada 100 mil habitantes. O déficit atual é de 1.815 vagas no sistema, dados de outubro de 2012. Em setembro, a população carcerária estava em 14.477 presos, sendo 6.097 presos provisórios. “Se as medidas cautelares alternativas funcionassem, nos teríamos 6.097 pessoas na ruar e não teríamos o sistema entupido como está aí, não teríamos pessoas amontoadas umas sobre as outras. Mas essas medidas cautelares que estão previstas na lei não podem ser aplicadas porque não se tem como fiscalizar”. No último levantamento feito pela Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) aponta déficit real de 2.737 vagas no sistema carcerário em setembro. Entraram no sistema 2.614 pessoas, cujas penas não ultrapassariam quatro anos. “Essa é uma covardia do legislador [..] todos sabemos que uma pena que não ultrapassa quatro anos deve ser substituída por pena alternativa, por uma prestação de serviço à comunidade, interdição temporária de direitos. O problema é que nós não temos como fiscalizar a aplicação de algumas penas alternativas, então acabamos tendo como alternativa muitas vezes, e lamentavelmente, a privação da liberdade do sujeito”, completou o magistrado.
Conrema III e Jurong dão mais um passo rumo à degradação em Aracruz
O Conselho Regional de Meio Ambiente (Conrema) III aprovou por nove votos favoráveis e quatro contrários, a supressão florestal de 2.912 m² de vegetação de restinga e de floresta de tabuleiro em estágio médio de regeneração, em Aracruz. A aprovação faz parte de uma série de deliberações por parte do conselho para viabilizar a construção do estaleiro Jurong, em Barra do Riacho, no município de Aracruz. Com a deliberação o Conrema liberou a construção de um acesso provisório para passagem de material com vistas à construção da estrutura de quebra-mares, que será construída pela Jurong na região. Em contrapartida, o empreendedor deverá recuperar em área próxima ao empreendimento. Para a votação do pedido de supressão de vegetação na região, o Conrema contou com um laudo de vistoria florestal do Instituto Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf), que caracterizou a área onde a empresa pretende suprimir como tabuleiro costeiro, com plantio de eucalipto e Mata Atlântica com área de restinga. A decisão, segundo ambientalistas, não discorre sobre uma alternativa técnica e locacional para o empreendimento proposto e não informa se a área onde se pretende realizar a supressão da vegetação está em perímetro urbano. Conforme lei municipal que instituiu o Plano Diretor de Aracruz/ES, toda a área que a empresa Jurong Aracruz pretende se instalar, ao norte de Barra do Sahy, está inserida em perímetro urbano, o que levaria a decisão para instância municipal e ao Conrema II. Tratando-se de uma Área de Preservação Permanente (APP) há ainda outras exigências, o que tornaria o laudo do Idaf, assim como a decisão do Conrema III, inconcluso para deliberação da licença para supressão vegetal. Segundo os ambientalistas, o parecer do Idaf e a decisão do Conrema III presidida pela diretora da Seama, Patrícia Gomes Salomão, descumpre o estabelecido sobre proteção de APPs pelas Leis Federais 11428/2006; 12651/2012, além da resolução do Conama e da Lei Municipal. A deliberação do Conrema III foi publicada nesta terça-feira (6), no Diário Oficial dos Poderes do Estado do Espírito Santo.