Com a câmera na mão, muitas ideias na cabeça e o cenário noturno do Centro de Vitória, os amantes da fotografia poderão se reunir e ficar mais de 7 horas registrando os melhores ângulos e cenas da cidade. Essa é a proposta da 2ª Virada Fotográfica, evento que começa esta sexta-feira (9) a partir das 20h, no bar Casa de Bamba, no Centro de Vitória, e vai até as 2 horas da madrugada do sábado (10). “O objetivo da Virada Fotográfica é promover um evento de fotografia mais descontraído, sem um caráter didático como uma palestra”, explica Arthur Gomes, membro do Grupo de Foto. O projeto de extensão da Ufes em parceria com a Empresa de Comunicação Social Junior (Ecos) organizaram todo o evento. Além da maratona, a virada também conta com boteco fotográfico, mesa redonda e exposições. Este ano, a Virada apresenta um novo formato, haverá uma competição entre os participantes, que receberão temas a serem fotografados e terão um tempo limite para a entrega das fotos. As imagens produzidas serão avaliadas por internautas, através das redes sociais. O evento é gratuito e as inscrições devem ser feitas no site do grupo www.grupodefoto.wordpress.com. O novo formato e o tempo reduzido, em relação às 24 horas da primeira edição, foram escolhas dos membros do Grupo de Foto, que resolveram aperfeiçoar a jornada de fotografias. “Uma das dificuldades da primeira edição da Virada Fotográfica foi exatamente a extensão do evento. Apesar da proposta atraente, na prática ficou cansativo para os organizadores e os participantes”, explica Arthur. Apenas com apoio logístico e de infraestrutura da universidade, o grupo precisou procurar patrocinadores para as demais despesas. Outra dificuldade que Arthur aponta foi acabar com o preconceito que as pessoas têm da cidade à noite, “a Virada é forma de desmitificar a vida noturna de Vitória. Queremos mostrar para os participantes que a cidade é um lugar lindo de se fotografar, inclusive à noite”. A Virada Fotográfica aconteceu de maneira pioneira em 2011 e surgiu da necessidade de criar um movimento que coloque as pessoas para fotografar. Ao final do evento, que contou com cerca de 500 pessoas, o grupo pode reunir uma grande quantidade de novas e belas fotografias de vários pontos da cidade de Vitória feitas pelos participantes. Para Arthur e outros membros do projeto de extensão, a Virada Fotográfica tem a intenção de fomentar outros eventos de fotografias e inspirar outros coletivos direcionados a produção fotográfica. Arthur espera que um dia a Virada Fotográfica possa ficar tão famosa quanto o Paraty em Foco ou o Foto Rio, eventos de expressão nacional que ocorrem periodicamente. “Se depender do nosso desejo, não vamos parar na segunda edição”. Confira a programação completa no site do evento http://grupodefoto.wordpress.com/virada-fotografica-2011/programacao/
Prefeitos eleitos preparam gestão cautelosa diante de perdas financeiras
Os prefeitos eleitos de Vitória, Luciano Rezende (PPS), e da Serra, Audifax Barcelos (PSB), se preparam para o cenário de perdas de recursos financeiros resultantes da aprovação nessa terça-feira (6) na Câmara dos Deputados, do Projeto de Lei 2565/11, do Senado, que redistribui os royalties do petróleo para beneficiar estados e municípios não produtores. Os dois prefeitos tiveram reações diferentes diante da mudança. Para o prefeito da Capital, a perda já era esperada, e a fatia, segundo ele, não é a maior parte da receita de Vitória, mas alertou que o cenário é delicado e preocupante, por isso, a gestão será cautelosa. Segundo Luciano Rezende, desde o período da campanha, seu programa de governo já se baseava na possibilidade de um cenário sem os recursos. Ainda segundo o prefeito eleito, em 2011, foram R$ 14 milhões repassados à Capital oriundos do repasse dos royalties. Rezende explicou que como deputado estadual, no dia 9 de maio de 2011, fez um pronunciamento na tribuna da Assembleia alertando para as três grandes ameaças de perdas de recursos federais para o Estado, com o fim dos recursos do Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias (Fundap), a redistribuição dos royalties do petróleo e as mudanças no Fundo de Participação dos Estados (FPE). Por isso, seu programa de governo foi feito com “o pé no chão”. O prefeito eleito da Capital afirma que vai trabalhar em duas direções: a primeira aplicando bem os recursos disponíveis, e a segunda estimulando a economia criativa, o comércio e o turismo como forma de diversificação econômica no município, para suprir as perdas e garantir a arrecadação. Já o prefeito eleito da Serra, Audifax Barcelos, classificou a mudança na distribuição dos royalties como “catastrófica” para o município, que vai perder mais de R$ 30 milhões. O socialista está em Brasília e alimenta a esperança de que a presidente Dilma Rousseff venha a vetar o projeto. Isso porque, a votação na Casa foi apertada, segundo o prefeito, que também é deputado federal. Ele acredita também que a Câmara não teria diante de um posicionamento contrário de Dilma, coragem de derrubar o veto presidencial. Mas caso isso não aconteça, Audifax também se prepara, considerando um cenário de adversidade financeira a partir de 2013. No plano de ação do prefeito eleito da Serra está previsto a diminuição dos gastos. A ideia é concluir obras, fazer melhorias em setores que carecem de investimentos, como a saúde, por exemplo, mas segurando despesas.
Mantida ação de improbidade contra Jorge Donati
A 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) manteve, na última semana, o recebimento de uma ação de improbidade administrativa contra o prefeito de Conceição da Barra, Jorge Donati (PSDB), pela manutenção de contratos de transporte coletivo sem licitação. Donati foi denunciado pelo Ministério Público Estadual (MPES) por descumprir recomendações do órgão para que se adequasse às leis pertinentes. O mesmo caso rendeu uma ação civil pública contra o tucano. O relator do processo, desembargador Carlos Simões Fonseca, confirmou a sentença do juízo de 1º grau, que havia detectado a presença de indícios suficientes para o recebimento da denúncia. No voto seguido pelos demais membros do colegiado, o magistrado considerou a aplicação do princípio de que, em caso de dúvida, decide-se em favor da sociedade. A ação de improbidade está sendo processada na 1ª Vara de Conceição da Barra Nos autos, a promotoria local questiona a manutenção da contratação da empresa Viação Mar Aberto sem licitação, mesmo após a recomendação do Ministério Público para que o prefeito deflagrasse o procedimento licitatório. A denúncia é relaciona à inércia de Jorge Donati ao desrespeito à licitação com contratações feitas diretamente ou mesmo fraudulentas. As investigações tiveram início no ano de 2007, antes mesmo da eleição do tucano. Durante a fase inicial do processo, a defesa do prefeito tentou justificar a contratação no fato de a empresa atuar por 25 anos no município. No entanto, a tese não convenceu a juíza Aline Moreira Souza Tinoco, que recebeu a ação em novembro do ano passado. Na sentença, a magistrada considerou as condições para o recebimento da denúncia. “Foi expedida no ano de 2009 uma notificação recomendando ao chefe do Executivo municipal, ora requerido, a adequação do transporte coletivo municipal de acordo com a lei, tendo a procuradoria municipal emitido parecer favorável à recomendação do Ministério Público. Todavia, até o momento o requerido, chefe do executivo municipal, não tomou providências a fim de se adequar às leis pertinentes”, narra um dos trechos da decisão. As supostas irregularidades na contratação renderam ao prefeito e à empresa uma ação civil pública, também ajuizada pelo MP local. A Viação Mar Aberto pertence a um cunhado de Donati, Anderson Reco, irmão da mulher do prefeito. Em abril de 2011, o tucano chegou a enviar um projeto à Câmara de Vereadores para a abertura de uma nova licitação, mas a prefeitura acabou prorrogando os contratos, sem a realização do certame.
Governo lança plano para reduzir efeitos da chuva no Estado
No mesmo dia em que a chuva castigou o Estado e impediu o trânsito das pessoas na Grande Vitória o governo estadual lançou um Plano de Redução de Risco que vai ser implantado em 17 municípios. O plano foi lançado na manhã desta quarta-feira (7) e prevê a elaboração de um Plano Diretor de Águas Pluviais/Fluviais (PDAP), Plano Municipal de Redução de Risco Geológico (PMRR) Projetos de Engenharia nos municípios contemplados. O Estado deve investir mais de R$ 5,1 milhões no plano para implementação do plano nos municípios de Afonso Cláudio, Alegre, Bom Jesus do Norte, Domingos Martins, Guaçuí, Ibatiba, Iconha, João Neiva, Marechal Floriano, Mimoso do Sul, Rio Novo do Sul, Santa Leopoldina, Santa Maria de Jetibá, Santa Teresa, Vargem Alta e Viana. O PDAP é o instrumento para a implementação de políticas públicas com o objetivo de diminuir os efeitos de chuvas intensas, além de propor o planejamento dos investimentos em infraestrutura de drenagem considerando a integração do uso e ocupação do solo de forma a minimizar seus impactos no escoamento das águas pluviais e fluviais. Já o PMRR se trata de um instrumento de planejamento que visa orientar o município na execução de ações para a prevenção e redução de riscos de deslizamento de encostas. Os dois planos vão ser integrados dentro do Programa Municipal de Redução de Riscos com o objetivo de consolidar o planejamento municipal para a prevenção e redução do risco geológico e de inundação, aliando instrumentos de gestão urbana e de planejamento do uso e ocupação do solo à soluções de engenharia.
Forte chuva complica a manhã do capixaba nesta quarta-feira
A manhã do capixaba que precisa circular por Vitória, Vila Velha e Cariacica foi de caos nesta quarta-feira (7). A chuva ininterrupta começou a cair por volta de 22 horas de terça-feira (6) e não cessou até o fim da manhã de quarta, provocando alagamentos nos três municípios e impossibilitando a passagem de automóveis pelas principais vias das cidades, principalmente da Capital. Ao contrário do que vem acontecendo em ocasiões de chuvas fortes na Grande Vitória, a Capital foi a que mais registrou transtornos dentre os municípios atingidos. Regiões da Avenida César Hilal e da Avenida Maruípe foram tomadas pela água. Nestes locais se concentra a maior parte do efetivo da Guarda Municipal, já que são vias principais. Até às 9h50 da manhã desta quarta, o trecho entre as Avenidas Nossa Senhora da Penha (Reta da Penha) e Leitão da Silva estavam intransitáveis. A melhor alternativa para o motorista que pretende se locomover por Vitória é utilizar a Avenida Beira-Mar e toda a extensão litorânea, como as Avenidas Nossa Senhora dos Navegantes, Américo Buaiz, Saturnino de Brito e Dante Michelini. A Guarda Municipal também preventivamente interditou o trecho da Avenida Norte-Sul, entre o Shopping Norte Sul e a Avenida Dante Michelini. O local acumula grande quantidade de água em períodos de precipitações, impedindo o acesso de veículos. Os ônibus também tiveram horários e itinerários prejudicados na Grande Vitória. Algumas linhas do Transcol circularam com a bandeira “Especial”, só pegando passageiros nos terminais. As linhas do município de Vitória registraram atrasos devido a dificuldade de transitar pelas vias alagadas. Já em Vila Velha, os principais transtornos foram registrados até às 9h30. As vias de acesso à Terceira Ponte ficaram alagadas, provocando engarrafamentos na Avenida Carioca e nas ruas Ceará e Jairo Mattos Pereira. A Avenida Carlos Lindenberg, via de entrada e saída de Vila Velha pela Segunda Ponte, também registrou pontos de alagamento. A chuva afetou ainda os pousos e decolagens no aeroporto de Vitória. Até às 11 horas desta quarta, 11 voos haviam sido cancelados e outros quatro estavam atrasados. No interior do Estado a chuva também provoca estragos. No município de Cachoeiro de Itapemirim, no sul, existem 120 desabrigados, segundo informações da Defesa Civil Estadual.
Royalties: ES deve perder R$ 1 bilhão por ano com novas regras
A Câmara dos Deputados aprovou na noite dessa terça-feira (6), sem alterações, o projeto de lei do Senado que define as novas regras de partilha dos royalties do petróleo. As manchetes dos principais jornais do País que circulam nesta quarta-feira (7) chamam atenção para o fato de o projeto aprovado não prever recursos para a educação, como queria o governo federal. Além da educação, os principais prejudicados com o novo sistema de partilha são os estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro. O governo capixaba prevê perdas de R$ 500 milhões a R$ 1 bilhão por ano. A estimativa dos analistas é de que o Estado acumele uma perda acima da casa dos R$ 10 bilhões até 2020. O texto segue agora para sanção da presidenta Dilma Rousseff. A aprovação do projeto pegou a bancada capixaba de surpresa, que transferiu toda a pressão para a presidente Dilma. Lideranças como o senador Ricardo Ferraço (PMDB) e a deputado Iriny Lopes (PT) apostam no veto da presidente. A deputada petista, em entrevista ao Bom Dia ES, nesta quarta (7), afirmou que a presidente não teve responsabilidade na aprovação do projeto. Ela ressaltou que o fato de a presidente ter a maioria na Câmara não garante, necessariamente, o controle total da Casa. Lideranças do governo que estavam negociando com os representantes dos estados não produtores, disseram que houve uma manobra, articulada pela Confederação Nacional dos Municípios (CMN), para aprovação do projeto do Senado sem nenhuma alteração. Tanto Ricardo Ferraço quanto Iriny descreveram um cenário econômico de crise para o Estado e municípios, caso a proposta seja sancionado. O Espírito Santo, que já contabiliza perdas a partir de 2013 com o fim do Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias (Fundap), sofreria um novo golpe, caso o novo sistema de partilha passe a vigorar. Insatisfação Embora a bancada capixaba transfira toda a pressão para a presidente Dilma, como não poderia ser diferente, a aprovação foi tratada como derrota pelo governo. A proposta defendida pelo governo federal, desde a semana passada, era destinar 100% dos royalties dos poços que serão licitados a partir do ano que vem para a educação. A presidenta Dilma Rousseff também defendia a manutenção dos atuais contratos de exploração do regime de concessão para preservar os ganhos dos estados produtores, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Preste a ser aprovado, o relatório do deputado Carlos Zarattini (PT-SP) foi rejeitado de maneira inesperada, por nove votos de diferença. A derrota ocorreu logo depois da divulgação de um levantamento feito pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) mostrando supostas perdas para estados e municípios não produtores na comparação com o texto aprovado pelo Senado. Aprovado em outubro do ano passado pelo Senado, a proposta de autoria do senador Wellington Dias (PT-PI) e relatada pelo senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), foi alvo de críticas dos governadores do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e do Espírito Santo, Renato Casagrande. Na ocasião, os dois ameaçaram ir ao Supremo Tribunal Federal caso a proposta não fosse modificada pela Câmara. A proposta reduz de 30% para 20%, já este ano, a fatia da União nos royalties. Os estados do Rio de Janeiro e Espírito, principais produtores de petróleo do país, terão seus ganhos diminuídos, também a partir do ano que vem, de 26,25% para 20%. Os municípios produtores terão as maiores perdas: dos atuais 26,25% para 17%, chegando a 4%, em 2020. Os municípios afetados pela exploração de petróleo também sofrerão cortes de 8,75% para 2%. Os demais estados e municípios do país, aqueles que não produzem petróleo, que recebem atualmente 8,75%, passarão para 40% de forma gradual até 2020. Em relação à participação especial, um tributo incidente na exploração de campos com grande produtividade, a União, que hoje recebe 50%, passará, no ano que vem, para 42%. Com o aumento de receitas devido à exploração de petróleo na camada pré-sal, a União terá sua alíquota ampliada, gradativamente, até 46%. (Com informações da Agência Brasil)
Tortura nunca mais
No segundo e último dia do Seminário Internacional de Justiça e Direitos Humanos, promovido pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo, o desembargador Willian Silva, que é presidente da Comissão de Enfrentamento à Tortura do Tribunal, teve a oportunidade de mostrar o importante trabalho que sua equipe vem realizando para combater esse tipo de crime nas unidades prisionais capixabas. Em dezembro do ano passado, concomitante à criação da Comissão, o TJES lançou o “torturômetro”: uma espécie de placar que registra diariamente os casos de torturas denunciados à Comissão coordenada por Silva. Quase um ano depois de instalada, a iniciativa vem surtindo efeito. Se ainda ocorrem casos de tortura no Estado, pelo menos hoje a Comissão já consegue coibir a perversa prática. O próprio desembargador reconhece: “É impossível extirpar as práticas ilegais tão presentes em nossa história, mas é possível minimizá-las com ações de enfretamento e prevenção”. É oportuno recordar que num passado muito recente, mais precisamente nos dois governos de Paulo Hartung (2003 a 2010), os casos de tortura nas unidades prisionais, de tão graves, chegaram às cortes internacionais. As cenas de horrores exibidas na sede das Nações Unidas, em Genebra, na Suíça, em março de 2010, envergonharam os brasileiros. As práticas de tortura, que incluíam esquartejamento de presos, tornaram o ex-governador Paulo Hartung conhecido como o “senhor das masmorras”, tão medievais eram as atrocidades cometidas no interior das unidades prisionais. Pensar que hoje as denúncias de tortura têm ressonância na mais alta Corte do Estado é sem dúvida um grande avanço. Um conquista sem precedentes principalmente para os militantes de direitos humanos, que até outro dia eram impedidos de entrar nos presídios para fiscalizar o trabalho do Estado. Em sua fala, o desembargador admitiu que é muito difícil de identificar o crime de tortura. A prática, normalmente cometida em locais velados, não deixa rastros ou tampouco há testemunhas dispostas a entregar os carrascos. “Só o ser humano pratica a tortura. Os animais podem até ser predadores, mas não torturam uns aos outros”, advertiu Silva. No balanço do trabalho da Comissão, o desembargador deu um dado que ilustra a dificuldade para identificar o crime de tortura. Ele disse que dezenas de denúncias foram transformadas em inquéritos, mas nenhuma, até agora, virou ação penal na Justiça. De qualquer maneira, a existência de uma Comissão abrigada no Tribunal, mostra aos torturadores que a prática não é mais tolerada, como em outros tempos. Segundo o desembargador, desde o início dos trabalhos, a Comissão já pediu à Secretaria de Justiça o afastamento de 63 servidores envolvidos em tortura. Um sinal de que as coisas estão mudando para banirmos definitivamente esta mácula do Estado.
Começou mal
A escolha do prefeito eleito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), pelo presidente do Conselho Administrativo da ArcelorMittal, José Armando Campos, para sua equipe de transição, remete aos oito anos de governo Paulo Hartung (PMDB), em que prevaleceram as relações promíscuas entre o poder público e as poluidoras do Estado. Figura que sempre exerceu o papel de interlocutor entre as transnacionais e a classe política, na defesa exclusiva dos interesses empresariais, José Armando é um nome controverso, que abre espaço para constatações que colocam por terra as aparentes boas intenções de Luciano na área ambiental. Além de deixar questionamentos: qual é a ligação entre os dois? Como isso poderá refletir na gestão do prefeito eleito? Independente do que vem pela frente, o fato é que se trata de uma escolha inesperada. Mas daquelas do tipo “surpresa desagradável”. Saiu pro abraço Aliás, quem não perdeu tempo com o anúncio da equipe de Luciano foi o próprio ex-governador, que logo tratou de se utilizar dos meios habituais – a imprensa corporativa – para vender a ideia de que sua marca está na gestão de Luciano. Por conta da inclusão na equipe não só de José Armando, mas também do secretário de Estado de Planejamento, Robson Leite. O cenário, porém, é outro. A campanha deixou arranhões e o clima entre Luciano e Hartung é de ruptura. Segue… José Armando é um nome estratégico do empresariado, tem voo próprio. A ligação entre ele e Hartung é resultado dessas relações criadas durante o governo passado, que fez história nos benefícios concedidos às transnacionais e licenciamentos em tempo recorde. Já Robson Leite, esse sim, sempre foi hartunguete de carteirinha – e muito chegado na Aracruz Celulose (Fibria) -, mas parece que o momento não é mais tanto de “paz e amor”. Por falar nele… Robinho integrou o movimento do esforço concentrado no final da campanha à prefeitura de Cariacica, para tentar eleger a terceira colocada na disputa, deputada estadual Lúcia Dornelas (PT). Dizem que arrumou até recursos. O secretário de Planejamento está em todas. Inverteu No comparativo, a constatação é uma só: a equipe do prefeito eleito de Vila Velha, Rodney Miranda (DEM), teria mais a ver com Luciano Rezende. E vice-versa. Duvide-o-dó A propósito, será que o demista tem disposição de pedir desculpas ao secretário de Defesa Social de Vila Velha, Ledir Porto, depois de ele ter sido inocentado da acusação de dirigir embriagado em carro oficial? Vale lembrar O caso virou a arma de Rodney na eleição contra o prefeito Neucimar Fraga (PR). Ofuscando inclusive o trabalho de Ledir à frente da pasta, que entre os municípios da Grande Vitória, sejamos justos, é o que mais de destaca. No final das contas, até o delegado Fabiano Contarato, profissional acima de qualquer suspeita, reconheceu o erro da Polícia de Trânsito. Judas A eleição deste ano inaugurou um novo instrumento de campanha, a Central de Boatos. Funcionou principalmente no segundo turno, da seguinte maneira: um grupo – remunerado – espalhava informações de acordo com a conveniência nas comunidades, para pautar situações. Quando essas começavam a se reproduzir, o que acontecia em ritmo acelerado, estava feito o trabalho. Exemplos não faltam. Sem noção Está para nascer um político no Estado que explore tanto a religião como o deputado estadual Esmael Almeida (PMDB). De saída da Assembleia, ele protocolou projeto que dispõe sobre “a liberdade de consciência, convicção religiosa e estabelece a vedação de concursos públicos, vestibulares, aulas e provas no dia escolhido para descanso e atividades religiosas. É pra rir ou chorar? ‘Gato’ O Estado amarga a décima posição no ranking nacional da energia furtada, com 9,3%. No País, prejuízo calculado com a prática deve chegar a R$ 8 bilhões este ano. Deu no Valor Econômico. 140 toques “A rua José Teixeira (Praia do Canto), que já sofre com a falta de vagas de estacionamento, perdeu ainda mais espaço”. (Vereador de Vitória Serjão Magalhães – PSB – no Twitter). PENSAMENTO: “Ele cacareja sobre os ovos postos por outros”. Fernando Henrique Cardoso
Sindicato e partidos
Desde a abertura política, com o surgimento do pluripartidarismo, há uma discussão sobre a relação entre sindicatos e partidos políticos. No surgimento do PT houve essa discussão sobre a criação paralela da Central Única dos Trabalhadores (CUT). A CUT não é um partido e sua estrutura de representação institucional seria o PT. Com uma base vinda do movimento sindical, esperava-se que, com representação nas instituições, o partido tivesse uma atuação sempre ligada à sua base, os trabalhadores. Mas com o passar do tempo e as mudanças conjunturais no mecanismo político, sobretudo, o eleitoral, a situação foi mudando e hoje o que se vê é muito pouca ou quase nenhuma representatividade dos trabalhadores seja no legislativo ou Executivo. O sindicato é uma correia de transmissão do sistema político, apesar de se tentar cortar essa relação, não há como. O sindicato tem que atuar no sentido não só de ajudar a eleger os quadros do partido, mas como de preparar os futuros quadros e cobrar deles depois a postura sindical onde quer que venham a representar o movimento. O que há hoje de Sindicato dos Comerciários em João Coser, por exemplo? Ele veio dessa base, ingressou no PT como um quadro do movimento sindical conseguiu a ascensão política dentro do sistema institucional e não se viu em sua trajetória um caminho que mantivesse esse elo com sua categoria ou com o restante do movimento sindical. A culpa não é só dos quadros, mas também das direções dos sindicatos que não cobraram dele e não cobram de ninguém a contrapartida da posição do eleito. Não basta ter a representatividade, tem que ser representativo ou ficará o movimento assistindo a passagem de mais políticos pelo poder sem que seja obtida a atuação no sentido da garantia das conquistas. A chegada de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da Republica é um exemplo muito claro. Nos oito anos de seu governo houve uma dificuldade de comunicação que impediu que a agenda trabalhista fosse colocada na mesa para discussão. Temas como a reforma agrária, a reforma trabalhista e a reforma política passaram ao largo do governo de um político vindo do Sindicato dos Metalúrgicos. Ou o movimento começa a avaliar sua atuação política ou esses episódios vão continuar acontecendo. O movimento sindical precisa fazer uma avaliação de sua atuação e deflagre um movimento pela reforma. Até o momento a sociedade organizada é quem está tomando à frente das discussões da reforma política. Reforma que mexe com temas fundamentais, como o financiamento público de campanha, que é o que vai trazer a democratização do processo eleitoral e mais trabalhadores poderão entrar no jogo político, que hoje é restrito aos donos do capital. Sindicatos é hora de agir ou perderão o trem da história.
Pegando carona
Nem bem amanheceu a lista de integrantes da equipe de transição do prefeito eleito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), e o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) já conseguiu emplacar seu selo na nova administração que ainda nem começou. Independentemente da postura que assumirá na equipe, a presença de José Armando de Figueiredo Campos, membro do Conselho Administrativo da siderúrgica ArcelorMittal, da ONG Espírito Santo em Ação e do Instituto Terra, coloca no grupo do prefeito um selo do ex-governador, algo que Hartung já tratou de disseminar nos meios políticos. Além dele, a presença do secretário de Planejamento do Estado, Robson Leite, é outro nome que apesar de estar no governo de Renato Casagrande e afastado do ex-governador, carrega a imagem da ligação com Hartung. Assim, o DNA de Hartung está no grupo de Luciano. A movimentação tenta causar uma confusão nos meios políticos. Busca resgatar a aliança que existiu no passado com Luciano Rezende, que foi seu secretário de Esportes. Mas essa aliança foi quebrada a partir da eleição deste ano, quando os três principais candidatos a prefeito não abriram mão da disputa em favor do palanque de consenso em torno do palanque de Hartung. A composição dos palanques colocou Hartung e Luciano em palanques diferentes e o acirramento da eleição, principalmente no segundo turno, afastou ainda mais os dois, até porque o ex-governador foi um dos principais apoiadores de Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB). Logo depois do segundo turno, houve um primeiro movimento tentando colar a imagem de Hartung a Luciano, agora o ex-governador tenta passar para os meios políticos a ideia de que compartilhará das decisões na prefeitura e terá participação na gestão de Luciano. Uma estratégia que visa a buscar musculatura política, afinal, por mais que tente pegar carona na vitória do prefeito eleito, Hartung saiu derrotado da disputa de Vitória. E uma derrota dupla, afinal, pretendia vencer na Capital no primeiro turno, e não venceu em nenhum dos dois. Esse cenário cria uma insegurança muito grande para o ex-governador, que desde sua saída do Palácio Anchieta vê seu capital político cair, sem um mandato ou um aliado de peso no comando de uma vitrine política. A vitória em Vila Velha, com o deputado estadual Rodney Miranda (DEM), não garante a musculatura que Hartung precisa para se credenciar para uma recolocação de peso em 2014. Daí a necessidade da carona. Resta saber se Luciano vai querer rebocar Hartung. Fragmentos: 1 – Quando surgiu a vaga na Assembleia, o PMDB estava relutante em aceitar a ida do vereador de Vitória Esmael Almeida para a Casa. A cautela era justamente por conta da possibilidade de retorno de Rodrigo Coelho para o Legislativo. 2 – Com a ida do petista para a Assembleia, o prefeito de Cariacica, Helder Salomão, diferentemente do que vinha dizendo sobre o retorno à sala de aula, assume a pasta da Assistência Social e Direitos Humanos. 3 – Em 2014, Helder Salomão se credencia para a disputa à Câmara dos Deputados. O problema é que o PT só deve fazer uma vaga e a briga teria que ser com Iriny Lopes.