(Esta coluna está sendo publicada, repetindo a abordagem da semana passada, devido ao ataque de rackers ao site Século Diário, na madrugada do último sábado, dia 27, apagando o banco de dados onde estava a coluna original, publicada uma semana antes das eleições. Nesta versão, a coluna analisa o fato consumado, com atualização) Mexe, remexe, procuro, mas não vejo. O prefeito Neucimar Fraga (PR) está desse jeito na busca de explicações para sua consolidada derrota eleitoral para o neófito Rodney Miranda (DEM) em Vila Velha. Mas, por que se viu frustrado o projeto de poder do ex-sacoleiro, que um dia, como tantos irmãos nossos nordestinos, saiu da Bahia com a família em direção ao Rio e ficou por aqui mesmo para melhorar de vida, empurrado pela extrema carência material e de perspectivas num Estado que era dominado pelo coronelismo político de Antonio Carlos Magalhães, até que a morte separou o povo dele? Por que, de repente, alguém sem nenhuma tradição política, com um histórico controverso que remete ao passado autoritário recente do País, em que ninguém estava livre dos olhos e ouvidos do Estado repressor, chega, se estabelece e se cria, politicamente, no município que é o berço da colonização do Espírito Santo e que já gestou interessantes personagens políticos de raiz? Até hoje as pessoas mais lúcidas tentam encontrar uma explicação para a extraordinária votação que teve para deputado estadual, em 2010, em Vila Velha, o hoje candidato a prefeito Rodney Miranda, que tem dificuldades para sorrir, fala sem emoção e tem uma imagem pública antítese do político tradicional, populista, falastrão e superficial que nos acostumamos a ver estourar as urnas de tantos votos no nosso Brasil brasileiro. O sistema eleitoral eletrônico deixa margem a dúvidas? Sim, deixa, não sei se legítimas, mas elas aumentam quando vêm à tona fatos como o de Nova Venécia, onde uma mulher, que morreu há 11 anos sem título de eleitor “votou” normalmente nas eleições municipais do último dia 7 de outubro. Depois, o TRE encontrou na falha de mesários a explicação para a troca de voto – uma pessoa de prenome semelhante votou pela falecida, erradamente. Não dá para confiar, totalmente, em segurança digital, por mais que a Justiça Eleitoral defenda, e com razão, o peixe que ela comprou e que, na verdade, nos dá um certo orgulho. Do lado de cá, temos motivos para não confiar não na Justiça Eleitoral, mas no sistema eletrônico “indevassável”. As informações que circularam em Vila Velha no segundo turno aumentam as incertezas. Mas, se havia dúvidas sobre a extraordinária votação de Rodney, que derrotou Max Filho há dois anos em seu próprio reduto, inusitadamente, hoje parece que essa nuvem se dissipa com explicações mais racionais. Tenho um amigo cujo filho é presidente de Sessão Eleitoral. Quando acaba a votação, eles fecham a urna e sai um relatório impresso com a votação. O menino preside uma sessão no Centro de Vila Velha, que tem um eleitorado de classe média, independente e conservador. Chegou e disse: “Pai, o Rodney vai para o segundo turno, se não ganhar no primeiro”. Quando acabou o segundo turno, falou: “O Rodney vai levar. Só na minha sessão, foram 100 votos de diferença”. Arrepios! Que fenômeno era esse? Talvez o mesmo que varreu Serra, Vitória e Cariacica, embora o perfil do nosso Rambo seja diferente de Audifax, Juninho e Luciano Rezende. Fato é que já não se pode duvidar que a classe média da orla e proximidades escolheu o xerife, talvez num comportamento social patológico idêntico ao do apoio aos militares em 1964. O sorriso de Quico de Neucimar já não convence ninguém. Convenhamos, ele nem foi tão mal assim, do ponto de vista de realizações, porque contou com um governador que não persegue, que é Renato Casagrande. Mas é dissimulado e isso irrita e afasta o eleitor mais consciente. Neucimar fez um governo auto-suficiente, do mesmo jeito que conduziu sua campanha passada e a atual. Não é chegado a práticas políticas saudáveis. Vila Velha ganhou obras, sim, mas as principais são do Governo do Estado e ele tentou vender a ideia de que eram dele. Neucimar perdeu porque não falou com a população. Achou que a periferia seria suficiente para elegê-lo, com sua história de migrante baiano que subiu na vida, mas isso não está sendo suficiente. Pecou nos detalhes, na rua abandonada, na distância do eleitor consciente, na falta de diálogo com a população, haja vista a forma como implantou o estacionamento rotativo no município, necessário, mas sem participação do contribuinte. Dizem que “o diabo mora nos detalhes”. Prefiro Deus, mas para Neucimar está sendo o inferno não ter percebido os detalhes. E deixou brecha para a tomada do poder em Vila Velha, porque as coisas mais simples não foram solucionadas. Apesar dos discursos dele, ainda refletem as consequências da chuvarada de janeiro passado. E tantas inundações passadas. E este é apenas um de seus problemas sobre os quais tanto discursou e pouco fez, mesmo que diga o contrário. Demorou a agir sobre situações, relativamente, simples. Eu gostaria de ter respostas mais objetivas, mas há coisas sem explicações claras. Elas vieram nas urnas neste domingo. Como já comentei na coluna original na semana passada, detonada pelos hackers, que invadiram o Século, em 2012, diferentemente de 2010, creio que as coisas estão muito mais evidentes. Se para o bem ou para o mal, somente o futuro dirá. Mas o Capitão Nascimento vem aí. Agora, o tema é, totalmente, contextualizado no resultado da votação. Com a eleição de Rodney Miranda (DEM), polêmico ex-secretário de Estado de Segurança, o ex-governador Paulo Hartung (PMDB), que passou oito anos no poder vendendo imagem de bom moço, vai transformar o município de Vila Velha em seu “bunker”. A eleição foi conquistada com muito dinheiro na campanha e uma agressiva estratégia de marketing que visava à desconstrução da candidatura do prefeito Neucimar Fraga e, ao mesmo tempo, associar o
Sepultados
Definitivamente, este não é o ano do PSDB. O partido foi mal nas disputas municipais e perdeu sua principal chance de se reerguer na política capixaba, o que seria possível com a conquista da prefeitura de Vitória. A derrota na Capital tem gosto amargo também pelo fato de o candidato tucano Luiz Paulo Vellozo Lucas ter passado a maior parte da campanha em clima de “já ganhou”. Resultado: o tombo foi ainda maior, e pelo lado que menos se esperava, do candidato do PPS, Luciano Rezende. Diante do cenário, o ex-prefeito não tem mais espaço para se firmar como principal liderança do PSDB no Estado. Em 2014 não dá para ele. Esperar até 2016 é um tempo muito longo, com o agravante de que provavelmente esbarrará no novo prefeito – político em ascensão – em busca de reeleição. Luiz Paulo e o PSDB, para permanecerem vivos e influentes, só mesmo acreditando em milagre. Complicou. Sepultados II Também pesa contra Luiz Paulo e o ninho tucano a derrota de José Serra em São Paulo – neste caso é ainda pior, já que foi para um adversário do PT. Serra, aliás, era quem garantia a posição do ex-prefeito de Vitória na Executiva Nacional do partido. Efeito dominó. Sepultados III Vale lembrar que a disputa em Vila Velha também era uma aposta dos tucanos para conquistar sobrevida no Estado. Mas o candidato Max Mauro não passou nem do primeiro turno. Filho único No final das contas, o mandato que sobrou para o PSDB é do deputado federal César Colnago, que corre risco de ter sua reeleição prejudicada fatalmente por conta das derrotas acumuladas neste ano. O percurso é longo e tortuoso. Prêmio de consolação Para não dizer que o ninho tucano não levou nada, além de algumas prefeituras do interior, passa a ter pelo menos uma cadeira na Assembleia Legislativa, que será ocupada pelo vereador Marcos Mansur (Cachoeiro). Destaque A vitória de Luciano Rezende o colocou nos Trending Topics do Twitter – assuntos mais comentados na rede. Sem viradas Embora os adversários tenham encurtado a distância dos primeiros colocados no primeiro turno em Vitória e Vila Velha, as urnas confirmaram os nomes que representavam a “mudança” no pleito. A onda pegou. Na boca do povo Desde a noite desse sábado, quando saiu o jornal A Gazeta de domingo (28), com as pesquisas do Instituto Futura favoráveis a Luiz Paulo e Rodney Miranda pipocam denúncias dando conta da distribuição gratuita do jornal para moradores dos dois municípios. Configura crime eleitoral. Desabafo A propósito, o deputado estadual Cláudio Vereza (PT) soltou o berro que provavelmente estava preso na garganta já há algum tempo. Após a vitória de Luciano, seu genro, ele disparou no Twitter críticas ao jornal A Gazeta, pelo que chamou de tentativa de golpe. E completou: “quem pagou a PHutura?”. 140 toques “Perder é triste, mas faz parte da democracia. Nem sempre se ganha. Mas agressão a trabalhador é descontrole”. (Vereadora da Serra – Sandra Gomes – PSDC – no Twitter). PENSAMENTO: “O melhor governo não é o que dá aos homens o máximo de felicidade, mas o que faz feliz o maior número de homens”. Charles Pinot Duclos
Geração Photoshop
A história da fotografia pode ser facilmente divida em três partes. A primeira parte iniciou-se obviamente com o pioneirismo dos primeiros descobridores, no início do século XVII. Joseph Niepce, John Herschel, Daguerre, e tantos outros imbuídos dos ideais do Romantismo em alta nesse período, literalmente respiraram muita química para desenvolver a fotografia e transformá-la em algo parecido com o que temos hoje. Porém a fotografia, não por opção mas por genética, seguiu na contra-mão do romantismo. Filha legítima da revolução industrial, desenvolveu uma engenharia capaz de registrar, perpetuar, e principalmente alterar o mundo a seu redor. Esse primeiro período foi marcado pela precariedade dos equipamentos e processos. Daguereotipos, Talbotipos, Cianotipos, e muitas outras invenções proliferaram pela Europa, numa corrida contra o tempo pela paternidade do novo processo de registrar o mundo. Em 1901, George Eastman criava a Kodak Brownie, a primeira câmera popular, graças à facilidade de operação. A classe média imediatamente a adotou, tornando a Kodak a maior empresa da história da fotografia, e inaugurando a segunda fase do processo. Com o lema “Aperte o botão que nós faremos o resto”, a fotografia entrava em uma nova era, agitando o mundo e aderindo ao modernismo. Essa segunda fase ocorre em uma época abalada por novas ideias, como o Marxismo e o Darwinismo. A fotografia torna-se acessível a uma grande camada da população, atingindo seu esplendor em qualidade, criatividade e riqueza de produção. Até o advento da fotografia digital, que iniciou o terceiro ciclo fotográfico…. A incerteza e o pessimismo com o futuro, e a fragmentação dos movimentos sociais se aliaram à fotografia digital, criando um exército de fotógrafos que registram tudo com um apetite insaciável. A queda nos preços de produtos e equipamentos e a facilidade de manipulação da própria imagem criaram um fenômeno de popularidade com o qual os fotógrafos parecem não estar preparados para lidar. Nasce assim a Geração Photoshop. A imagem da semana é a fotografia de Albert Einstein como nós o reconhecemos, mostrando a língua. A imagem foi feita pelo fotógrafo Arthur Sasse em 1951, quando Einstein completava 72 anos. Glauco Frizzera é fotógrafo, com mestrado em Fotografia pela Barry University. Mestrando em Business and Administration, e vencedor do prestigiado premio Photoshop Guru Award. Visite o site www.glaucofrizzera.com. Para entrar em contato com a coluna, envie email para: contact@glaucofrizzera.com
Horóscopo das Bruxas
Parece que ontem mesmo estávamos espantando os fantasmas do Halloween, e outro já está chegando. Como quase sempre acontece, nesse dia o tempo muda – esfria e chove, atrapalhando nossa tradicional caça às bruxas nas portas alheias. Até um furacão está rondando a área – tem susto maior? Para entrar no clima, visto minha pele de bruxa e faço um horóscopo baseado nas conjunções desastrais. Grátis. Começamos com outubro, naturalmente, mês em que até o signo nos assusta: a lacraia. O lacraiano já chega derrotado. Não se aborreça se a casa caiu, o amor se mandou, o emprego sumiu, e o exame de Alzheimer deu positivo. Em breve você vai esquecer tudo isso. Pano rápido, e o minotauro entra em cena. Pensa que o azar acabou? O signo do sagitário-ao-contrário se rejubila no dia dos mortos. Sempre que tem a chance, o minotaurinho faz tudo dar errado na morte alheia. O chifrudo de Capricórnio tanto pode se referir ao demo como à sua traição amorosa. Não, você não traiu; foi traído e ainda não desconfiou de nada. Morrer em janeiro já é ruim, morrer afogado num aquário é humilhante. Mas os mortos não se preocupam com essas banalidades. Deixe os peixinhos te devorarem em paz. Falando em peixe, o tubarão nos dá um susto em fevereiro, sem explicar se é feroz porque não gosta do Halloween, ou se está apenas fantasiado. Os chifrudos de Áries são brigões e perdem o controle facilmente. Não é a toa que são chifrados, quem aguenta? Se você tem um desses no armário, aconselho a acabar o romance ou usar uma daquelas máscaras de monstro. Escolha a do político de sua preferência. Maio tem Boi Bumbá, boi pintadinho, farra do boi, e quando dá sorte, é o toureiro que morre. O boiola sempre acha que sabe mais que os outros, e se não sabe, inventa. Mas são sinceros – pesquisas revelam que os taurinos têm o menor índice de divórcio. E deparamos com a dupla mortal: os irmãos siameses. Os gêmeos foram divididos na fonte e não têm personalidade completa. Estão sempre procurando a outra metade, geralmente nas latas de lixo. No meio do ano, quando menos se espera, somos surpreendidos com a doença fatal. Que se não mata põe fim à vida. Não acredite nessa história de sobreviventes do câncer – ninguém sobrevive nesse mundo, que dirá no outro. O leão não ruge à toa, está sempre atrás dos seus rendimentos. A leonina não acredita em amor platônico, quer ação e provas – 24 horas por dia, 30 dias no mês, mesmo no ano bissexto. Mas basta um elogio, e você vira cachinho na juba! Virgem é o signo dos ingênuos, e acabou no Big Brothers. Só terrorista muçulmano acredita que ainda existem mil virgens, mesmo no paraíso. A libra é um signo de peso, mas não faz regime com medo de virar real. Petulante e vaidoso, o libridinho tem pouco peso no mercado paralelo. Cuidado com a carteira, mesmo vazia ela faz as garotas pensarem que você tem algum saldo bancário. Até o próximo Halloween, se você não morrer de inveja ou de indigestão.
Exigimos justiça
Na cena cotidiana, já se tornou recorrente ouvir as vítimas dos mais diversos tipos de violações clamarem por justiça. Essa súplica tão singular resume o sentimento dos que se sentem ultrajados nos seus mais básicos direitos, mas que, mesmo assim, preferem depositar nas mãos da Justiça a prerrogativa de apurar, esclarecer e punir os culpados. Os representantes do Instituto Visão e jornal Século Diário se sentem exatamente assim com relação ao ataque de hackers que tiraram o jornal do ar por mais de seis horas na véspera das eleições e ainda corromperam todo o nosso banco de dados, que permanece funcionando precariamente. A truculenta ação aconteceu minutos depois que o jornal publicou a matéria com os dados da pesquisa realizada pelo Instituto Visão, que apontava empate técnico entre os dois candidatos que disputam a prefeitura de Vila Velha: Rodney Miranda (DEM) e Neucimar Fraga (PR). Apesar do clima acirrado que caracterizou todo o segundo turno da disputa em Vila Velha, o jornal não esperava que a notícia fosse alvo de um ataque criminoso e covarde. Os autores da agressão queriam impedir o direito do jornal de produzir informação e dos leitores de acessá-la. Como bem definiu a deputada federal Iriny Lopes (PT) – que procurou a direção do jornal assim que tomou conhecimento dos fatos -, a ação foi um atentado à democracia. A deputada ainda recordou do episódio envolvendo o grampo da Rede Gazeta, que acabou não sendo apurado e, consequentemente, os responsáveis pelas escutas ilegais não foram punidos. Coincidência ou não, o então secretário de Segurança Rodney Miranda, que comandava o sistema Guardião – aparelho de escutas da polícia -, foi apontado como um dos responsáveis pelo grampo ilegal aos jornalistas de A Gazeta. A CPI do Grampo, que teria a missão de esclarecer em definitivo o episódio, ficou pelo meio do caminho e o secretário, depois de uma rápida passagem pala Secretaria de Segurança de Pernambuco – até que as coisas esfriassem por aqui -, retornou à pasta como se nada tivesse acontecido. Não podemos ser levianos e creditar a ação dos ataques ao jornal ao grupo de Rodney, que hoje disputa a eleição para prefeito de Vila Velha. Quem deve fazer essa investigação e apontar os responsáveis é a polícia e os órgãos competentes. Mas, independente da apuração do crime, podemos afirmar que o ataque ao jornal ocorreu de forma premeditada e profissional para impedir a publicação da matéria sobre a disputa em Vila Velha. Quanto a isso, não temos nenhuma dúvida. Afinal, não da para negar que o candidato do DEM era o principal interessado em impedir a divulgação da pesquisa, pois os levantamentos feitos até então apontavam Rodney com larga dianteira sobre Neucimar. A notícia do empate técnico às vésperas das eleições, definitivamente, não seria bem-vinda. O “fake” que reclama a autoria dos ataques, que se identifica como Senor Abravanel, na rede social Twitter, é uma estratégia dos criminosos para dar um caráter jocoso ao atentado. Fazendo piadinhas infames e tratando a invasão como uma brincadeira de quem não tem o que fazer, os mentores da ação criminosa querem tratar o ataque como mais uma traquinagem de um incorrigível hacker. Nada disso. Podemos afirmar que a ação foi premeditada e tinha sim caráter político. O invasor atendia a interesses de um grupo que não queria a publicação da pesquisa. Portanto, o caso deve ser tratado pelas autoridades com a seriedade que merece. Afinal, usando as palavras da deputada Iriny Lopes, o ataque “é um grave atentado ao direito de informação, de opinião, de livre expressão”.
Capote, a sangue frio
Truman Capote foi um dos mais importantes escritores americanos do século XX, além de comediante. Escreveu contos, romances e peças teatrais e com o seu livro de maior sucesso “A Sangue Frio” entrou no gênero de romance de não-ficção que designa, também, o chamado jornalismo literário, que tem, além de Capote, na sua versão norte-americana, outros destaques, como Norman Mailer, Tom Wolfe e Gay Talese, estes três, junto com Capote, formando o time do “New Journalism” norte-americano. O romance de não-ficção de Capote “A Sangue Frio” seguiu este caminho literário de juntar um fato real, de repercussão nos jornais e na mídia em geral, e daí tirar um relato romanceado que sai do fato objetivo e busca entrar na subjetividade dos personagens, neste método se faz um estudo de pessoas reais que, no romance não-ficcional, têm suas subjetividades mais valorizadas do que o simples relato noticioso das manchetes dos jornais, pois o fato jornalístico, isento de um aprofundamento literário, o qual Capote faz em seu livro, apenas é um retrato objetivo e frio de um acontecimento, que repercute por um tempo definido, e depois cai no esquecimento, logo substituído por outros fatos. Esta voz interior dos personagens é ouvida no romance não-ficcional. Capote parte, em seu romance A Sangue Frio, do fato de um assassinato real, a morte da família Clutter, quatro pessoas assassinadas dentro de casa, seus corpos amarrados, nenhuma pista, a princípio, de quem foi ou de quem foram os assassinos, uma cidade tranquila do interior do Kansas em polvorosa, desconfiança total entre os habitantes da cidade, portas de casas que antes ficavam abertas, como as dos Clutter, trancadas, paranoia, pessoas fazendo vigílias em suas janelas, e enquanto isso, Capote faz um enredo do trajeto dos assassinos, Dick e Perry, ainda não descobertos, percorrendo os EUA em direção ao México, como se nada tivesse acontecido. Capote faz a alternância entre a história dos Clutter, e os caminhos feitos pelos dois assassinos após o fato brutal. A investigação começa, Dewey toma a frente do caso junto com seus detetives, começa a especulação e o exame das provas deixadas no local do crime, Dewey ainda não tinha qualquer pista de quem tinha feito aquilo. O assassinato tinha sido bem extremo, o chefe da famíla, Sr. Clutter, sua esposa, sua filha Nancy e seu filho Kenyon, todos mortos, nenhuma suspeita ainda, o namorado de Nancy logo foi descartado como suspeito, Dewey estava empenhado em resolver o caso o mais rápido possível, havia suspeitas de que tinha sido algum conhecido da família, o Sr. Clutter tinha dinheiro, mas a cena do crime não indicava roubo, ou pelo menos não dizia nada de que tinha sido um assalto, logo Dewey buscou possíveis motivos de algum desafeto do Sr. Clutter ter feito isso, mas nada foi provado, e neste ínterim, Capote alterna esse enredo com as viagens dos assassinos, Dick e Perry, em direção ao México. Capote utiliza no romance duas histórias que correm paralelas, mas que estão unidas pelo mesmo fato, um crime, e a história, que começa em duas pistas simultâneas, vai ficando cada vez mais interessante, o que se espera é qual será o momento em que este caminho duplo do romance se juntará, quando Dewey descobrirá os culpados e o então na junção das peças, o romance junte o caminho duplo do enredo e se torne uma única história, a do assassinato dos Clutter e sua solução. É bem interessante notar que o romance de Capote tem um caminho duplo, mas o tempo inteiro se trata de uma única história, e o clímax é no momento em que esta história, que é uma, encontra a sua unidade, quando os assassinos são descobertos e o drama dos Clutter e da cidade e arredores em que morreram e a investigação encontram os seus algozes depois de um retorno tranquilo do México, sonhando com tesouros escondidos e passando cheques sem fundo pelo caminho. Depois da condenação de Dick e Perry, a grande questão do romance gira em torno da pena de morte, alguns dizem que é correto, outros dizem que não, mas o fato também traz a reflexão da tradição de alguns estados norte-americanos aplicarem a pena capital, e no caso do estado de Kansas, seria um modo de evitar a fuga dos assassinos ou sua soltura, pois neste estado a prisão perpétua poderia num momento, após sete anos, ser comutada em liberdade condicional, a questão da morte, assassinato, encontra a questão da pena de morte, assassinato legal. Uns matam e são criminosos, outros matam e são a afirmação da legalidade. Este paradoxo Capote levanta, mas não resolve. E o romance se encerra com a execução na forca, a lei matando os que matam, a pena capital para os que não tiveram pena da vida de inocentes, a morte ao mesmo tempo como coisa abjeta e logo depois como justiça e punição. Gustavo Bastos, filósofo e escritor.
Século Diário repudia agressão aos profissionais da Rede Gazeta
É inaceitável a atitude truculenta dos apoiadores do PR, que agrediram jornalistas e cinegrafistas do grupo de comunicação da Rede Gazeta e da TV Vitória, que cobriam a coletiva do candidato derrotado a prefeito de Vila Velha, Neucimar Fraga (PR). Os primeiros relatos divulgados pela imprensa retratam o cenário de barbárie que tomou conta do comitê de campanha do PR, no final da Orla de Itaparica, que abrigava a coletiva. Para conter os criminosos, a polícia precisou ser acionada. Há informação de que vários profissionais foram gravemente feridos e precisaram ser socorridos por ambulâncias do Samu. A ação criminosa, segundo as próprias vítimas, teria sido motivada pelo inconformismo dos apoiadores do PR, que ficaram insatisfeitos com cobertura dos veículos do grupo, considerada desfavorável ao candidato derrotado. As lamentáveis cenas de violência ocorridas no comitê do PR mancham as eleições no Espírito Santo, que deveria celebrar a festa da democracia. O episódio é mais um sintoma preocupante que reforça a cultura da violência que já se tornou marca indelével do Estado, que ocupa o posto de segundo mais violento do País há mais de uma década. Século Diário se solidariza com os profissionais da Rede Gazeta e da TV Vitória e pede rigor das autoridades para apurar e punir os responsáveis pelo ato bárbaro. Nessa eleição, que já pode ser considerada violenta, o jornal também teve seus direitos violados. Por pouco não fomos cerceados de fazer a cobertura das eleições. O ataque de hackers a Século Diário foi mais um atentado à liberdade de imprensa e, consequentemente, à democracia. Isso não pode continuar.
Derrotados comentam resultado das eleições
Enquanto nas três cidades do Espírito Santo em que houve segundo turno os vitoriosos comemoravam o resultado das urnas em carreatas e grandes discursos, a internet foi o espaço para quem perdeu colocar os seus posicionamentos. Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), derrotado em Vitória, e Marcelo Santos (PMDB), em Cariacica, postaram em suas páginas no Facebook textos comentando os números, pouco depois de sua divulgação. Neucimar Fraga (PR), atual prefeito de Vila Velha e candidato à reeleição, ainda não comentou o resultado da disputa nas redes sociais. Em sua postagem, Luiz Paulo disse estar tranquilo porque ofereceu “o que tem de melhor da sua vida, do seu trabalho, história e propostas”. O tucano afirmou, também, que o povo é soberano e tomou sua decisão. Além de também agradecer a quem votou em sua candidatura, Luiz Paulo disse que vai continuar se dedicando ao setor público “na implantação de políticas públicas voltadas para o bem-estar das pessoas, contra as desigualdades, o atraso, a miséria”. Já o deputado estadual Marcelo Santos, que sofreu a derrota mais expressiva nesse segundo turno (Juninho, do PPS, obteve mais de 85%), afirmou que encara com naturalidade o resultado e que respeita a decisão do povo. Ele atribui parte de sua baixa votação aos problemas de saúde que enfrentou no segundo turno, que o tiraram de boa parte das atividades de campanha. Marcelo diz que, após o término de sua licença médica, irá retomar os trabalhos na Assembleia Legislativa. O peemedebista afirmou, também, esperar que “o prefeito eleito cumpra todas as promessas que fez à população e não a decepcione de forma alguma”.
Jornalistas são agredidos por apoiadores de Neucimar Fraga
A eleição do 2º turno em Vila Velha teve um desfecho trágico com jornalistas agredidos por apoiadores do prefeito Neucimar Fraga (PR), candidato derrotado no pleito deste domingo (28). Logo após o encerramento da votação, equipes de jornalismo foram agredidas no comitê de campanha do republicano, no final da Orla de Itaparica. Um dos feridos teve que ser socorrido por equipes do Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu), com uma perna quebrada e vários hematomas no rosto. Segundo informações da Rádio CBN Vitória, as agressões teriam ocorrido quando o prefeito se preparava para comentar o resultado das eleições em uma entrevista coletiva à imprensa. A reportagem relatou que as equipes da Rede Gazeta foram hostilizadas pelos apoiadores do candidato derrotado. Após o início das ofensas, os jornalistas da Rede Gazeta teriam sido agredidos. A confusão teria resultado no espancamento de jornalistas e a depredação de equipamentos utilizados na cobertura, de acordo com a reportagem da CBN. Um dos agredidos foi o cinegrafista da TV Gazeta, que chegou a desmaiar em função das agressões e foi socorrido por uma unidade do Samu com fratura na perna, hematomas pelo corpo e a suspeita de traumatismo craniano. A câmera do cinegrafista também foi alvo da fúria dos correligionários de Neucimar, que também destruíram o equipamento da TV Vitória, que estava no local. A confusão ocorreu pouco antes do início da entrevista com o candidato derrotado, que acabou não ocorrendo. As equipes de Polícia Militar foram acionadas e chegaram ao local após as equipes de jornalismo terem batido em retirada após a ocorrência das agressões. O motivo da confusão seria o descontentamento dos militantes de Neucimar com a cobertura da Rede Gazeta nas eleições no município, fato que, segundo eles, teria causado a derrota do atual prefeito. Durante todo o dia de eleição, os apoiadores dos candidatos derrotados chegaram a levantar a suspeita de fraudes no pleito, após a troca de uma urna eletrônica que apresentam a foto do candidato adversário. O promotor eleitoral do município negou a possibilidade de fraude e afirmou que as manifestações largamente veiculadas nas redes sociais teriam a intenção de apenas tumultuar o processo eleitoral.
PSDB volta a ter representação na Assembleia Legislativa em 2013
Com as eleições dos deputados estaduais Luciano Rezende (PPS), em Vitória, e Rodney Miranda (DEM), em Vila Velha, o PSDB, que fez parte da coligação com os dois partidos na disputa de 2010, ganhará representação na Assembleia. Os vereadores de Colatina (noroeste do Estado), Omir Castiglioni; e de Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado), Marcos Mansur são os suplentes das coligações e farão parte das mudanças no plenário da Casa, a partir de 2013. Mansur obteve mais de 14.500 votos em 2010, já Castiglioni 11.242. Eles são os próximos na lista na chapa, já que com a eleição de Luciano Pereira (DEM), em Barra de São Francisco (noroeste do Estado), a ex-deputada Janete de Sá (PMN) assume a cadeira deixada pelo demista. O próximo na lista seria Paulo Roberto, mas como ele deixou o PMN e ingressou no PMDB, perdeu a vaga – pertence ao partido, não ao candidato. Outras mudanças que acontecem no plenário vieram da eleição do deputado Henrique Vargas (PRP), em São Gabriel da Palha (noroeste do Estado), e Marcelo Coelho (PDT), em Aracruz (norte do Estado). Em suas suplências entram na Assembleia, respectivamente, o vereador reeleito da Serra Jamir Malini (PTN) e o ex-deputado estadual Euclério Sampaio (PDT). O PSDB estava sem representação na Assembleia desde 2010, já que não elegeu nenhum deputado na eleição passada. A suplência na Casa, para os meios políticos, ajuda a recuperar um pouco das perdas do partido nos últimos anos, mas não equilibra o partido como força no jogo político do Estado. Em 2012, o PSDB elegeu apenas seis prefeitos, a metade do que tinha em 2012, sendo que não conquistou nenhuma grande cidade do Estado. Perfil dos novos deputados Olmir Castiglioni, que é soldado da Polícia Militar, foi eleito vereador de Colatina pela primeira vez em 2000. Durante os anos de 2007 e 2008, o tucano foi presidente da Câmara Municipal da cidade. Obteve 11.242 votos em 2010, quando concorreu para deputado estadual. Marcos Mansur é professor de ensino superior em Cachoeiro de Itapemirim e foi eleito vereador do município com 1.751 votos, o segundo mais votado na cidade. Na eleição para deputado estadual, recebeu 14.562 votos.