Essa semana, entidades da sociedade civil organizada apresentaram na Câmara dos Deputados, em evento com deputados e senadores, um conjunto de propostas para reforma do sistema político do país. As mesmas entidades foram responsáveis pela proposta que criou a Lei da Ficha Limpa. Para conseguirem colocar a proposta para tramitar, precisam de 1,5 milhão de assinaturas e a mobilização já começou. Um dos pontos da proposta é o financiamento público de campanha, que tiraria a classe política com mandato das mãos dos grandes grupos empresariais. Depois do pleito de 2010, o Valor Econômico fez uma matéria bem ampla para mostrar o que realmente representa o financiamento privado de campanha. Pelas doações, os grupos econômicos tutelam seus deputados e senadores. Daí surgem os projetos que são de interesse das empresas. Outro ponto que vale destaque na proposta das entidades é a ampliação da participação popular na vida política. O tema parece abstrato, mas tem indicações bem realistas. A reforma política iria nesse sentido muito além do processo eleitoral, visa a ampliar o espaço de participação democrático direta, por exemplo, com o aumento de referendos e plebiscitos. Essa mobilização chama a atenção porque convida a população a participar efetivamente da vida política do País em vez de se colocar como mera expectadora das decisões institucionais. Hoje, ao eleger um parlamentar ou um representante no Executivo, a população lava as mãos sobre as decisões que afetam direta ou indiretamente suas vidas. Esse afastamento da população contribui significativamente para os escândalos de corrupção, os desmandos, a falta de políticas públicas e, consequentemente, para o agravamento dos problemas sociais dos quais o País está repleto. Ao eleger um político, a população coloca um representante no sistema institucional, mas isso não justifica ficar em casa reclamando do governo e dizendo que política não presta. Se a população acha que a situação está ruim, esta é a oportunidade de pressionar o Congresso Nacional a realizar as mudanças que a população tanto deseja. Para saber mais acesse o link para o site das entidades e conheça a plataforma dos movimentos sociais pela reforma política.
Projeto de lei quer coibir pulverização aérea de venenos
O deputado federal Rosinha (PT-MG) quer coibir a pulverização aérea em todo o País. Segundo ele, além de banidos no exterior há mais de 20 anos, há estudos que demonstram que somente 1% do agrotóxico pulverizado por avião é absorvido pela lavoura. O restante, alerta, recaí sobre pessoas e animais. O que não fica na lavoura é dissipado no ar, na água e no solo, como aponta o petista. O Projeto de Lei 3615/2012 prevê que as empresas de aviação agrícola enviem, anualmente, cópias das receitas relativas aos agrotóxicos que tenham aplicado naquele período, juntamente com relatório circunstanciado acerca das operações realizadas para as respectivas pulverizações aéreas, aos órgãos responsáveis pela agricultura e pela proteção do meio ambiente no âmbito da União, do Distrito Federal e dos estados. No Espírito Santo, após registros de contaminação de adultos e crianças devido à pulverização aérea de venenos, uma lei municipal chegou a ser aprovada em Vila Valério, noroeste do Estado, proibindo a atividade na região, em 2011. Ainda assim, lembram os agricultores familiares, o problema está longe de ser solucionado. Eles denunciam a contaminação de suas lavouras (cultivadas sem o uso de agrotóxico) pela pulverização aérea, além da contaminação de áreas comuns nas cidades, como praças e ruas. Em entrevista para o Congresso em Foco, o deputado Rosinha afirmou que os agrotóxicos foram desenvolvidos na Primeira Guerra Mundial e utilizados amplamente na Segunda Guerra como uma arma química, portanto, desenvolvidos para matar gente. Segundo o deputado, é difícil o combate deste tipo de aplicação. Na Câmara dos Deputados, por exemplo, ele lembra que a Comissão de Agricultura é formada por maioria ruralista que defende o uso quase indiscriminado de venenos. Rosinha disse ainda ao site que chama a atenção o fato de a agricultura usar pelo menos 22 produtos químicos proibidos pela União Europeia e Estados Unidos. Entre esses produtos está o endossulfam, banido na União Europeia desde 1985. No Brasil, a previsão é que isso ocorra somente em 2013.
Leitores defendem posição dos candidatos ao segundo turno
A semana foi movimentada para aqueles que acompanham o andamento do segundo turno nos municípios que enfrentam nova eleição – principalmente em Vitória e Vila Velha. Apesar de o novo pleito ser formado por dois lados, o debate tem espaço tanto para os que apoiam algum dos candidatos na disputa, quanto para aqueles que se veem sem saída diante da urna. Na segunda-feira (15) Século Diário mostrou como a taxa média de homicídios na gestão do candidato à prefeitura de Vila Velha e ex-secretário de Estado de Segurança Pública Rodney Miranda (DEM) foi a pior dos últimos 30 anos. Esta matéria foi a campeã de comentários da semana, com opiniões contrárias e a favor do teor do texto. Já na quarta-feira (17) a coluna Socioeconômicas mostrou que a falta de investimentos nas polícias Militar e Civil, durante o longo período em que Rodney respondeu pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), levou as categorias a não apoiarem o demista nas eleições de Vila Velha. Os comentários exprimiram a preocupação de eleitores do município, que lembraram o caso do grampo à Rede Gazeta, feito durante a gestão de Rodney na Sesp. O embate dos dois candidatos à prefeitura de Vitória, Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) e Luciano Rezende (PPS), no debate da noite de quinta-feira (18) na TV Capixaba foi tema de matéria na sexta-feira (19). Os candidatos esqueceram suas proposições e partiram para a troca de farpas. Os comentaristas acompanharam a ideia de que os candidatos perderam o foco das propostas, preferindo o embate e a troca de acusações. Na sexta-feira, com exclusividade, Século Diário noticiou o bloqueio de bens de 18 pessoas e duas empresas que foram denunciadas na Operação Pixote. Ao todo, o bloqueio chega a R$ 30,6 milhões, valor das supostas fraudes em contratos do Instituto de Atendimento Socioeducativo do Estado (Iases). O juiz Manoel Cruz Doval, titular da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual, também revogou o sigilo de Justiça no caso e determinou o afastamento de todos os envolvidos que possuam função no poder público. Os comentários atestaram que o as fraudes nos contratos do Iases podem ser apenas o primeiro indício de muitas outras irregularidades.
FPE é segunda fonte de renda do Estado
O senador Romero Jucá (PMDB-RR) fez essa semana um apelo aos líderes partidários para que as novas regras do Fundo de Participação dos Estados (FPE) sejam votadas no Plenário do Senado na primeira semana de novembro. A bancada capixaba deve ficar atenta à movimentação no Congresso, pois dependendo do caminho tomado, o Estado pode sair novamente prejudicado. A urgência na votação da matéria se deve à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), estabelecendo que as normas atuais para o FPE só valem até 31 de dezembro deste ano. A partir desta data, os recursos serão bloqueados se não forem aprovadas novas regras. Para o Espírito Santo, a movimentação em Brasília significa mais uma ameaça, depois do fim do Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias (Fundap) e das mudanças nos repasses dos royalties do petróleo. No Congresso, vários projetos tramitam para tentar solucionar o problema, mas até o momento não há consenso sobre uma proposta. Alguns projetos significam perdas para o Espírito Santo que podem chegar a 40%, com a redução de 1,5% para 1,1% de participação. Se for retomada a proposta de distribuição original, que data de 1966, mantendo um percentual diferenciado para o Nordeste, o Espírito Santo perderia cerca de R$ 300 milhões já no primeiro ano. Em outros projetos, o Espírito Santo sai ganhando, com o aumento do repasse de 1,5 para 1,63%. Daí a necessidade de atuação forte da bancada capixaba para evitar que o Estado leve a pior na redistribuição do Fundo. Tudo vai depender dos critérios adotados para a redistribuição. Se o critério escolhido for renda per capta, o Estado sai perdendo, já que está acima da média brasileira. Se a distribuição considerar IDH, educação, esgoto, saneamento e água tratada e outros indicadores, o Estado pode conseguir aumentar seu percentual. Enquanto os deputados e senadores ainda se recuperam do processo eleitoral, São Paulo já saiu na frente, apresentando uma proposta que prevê a manutenção do modelo vigente de distribuição, com a criação de um novo parâmetro a ser aplicado em aumentos de valores que forem somados ao Fundo. O novo parâmetro levaria em conta a área dos estados, sua população e uma relação inversamente proporcional à renda per capita, o que para o Espírito Santo não é vantajoso. Atualmente a distribuição dos recursos, em resumo, é de 85% para os estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e 15% para os Estados do Sul e Sudeste.
Papo de RepórterCadê Hartung?
Renata Oliveira e Nerter Samora Presença constante no primeiro turno das eleições, o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) não está mais tão atuante na disputa de Vitória. Em Vila Velha, seu candidato, Rodney Miranda (DEM), aprendeu a andar sozinho. Nerter – Uma ausência bastante sentida na disputa pelo segundo turno em Vitória é a do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) no palanque de Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB). O ex-governador que gravou programa, fez uma entrada triunfal na festa de lançamento da candidatura, agora não está sendo mais requisitado pelo ninho tucano para pedir votos ao ex-prefeito. Já em Vila Velha, Rodney, que evidentemente mantém o slogan de “o candidato de Hartung”, também não está saturando a imagem do ex-governador, dizendo que vale muito mais “olho no olho” com o eleitor. Renata – Em Vitória, a ausência de Hartung no segundo turno se explica pela resistência de parte do eleitorado à sua imagem. Luiz Paulo ia bem na campanha, mas a partir do momento em que o ex-governador subiu em seu palanque, começou a perder votos. Ao mesmo tempo em que a campanha de Luciano Rezende (PPS) crescia. Hartung acabou se transformando em um peso extra no palanque de Luiz Paulo. Peso que foi descartado na nova fase. Nerter – Tanto Luiz Paulo quanto Rodney parecem ter entendido que grandes lideranças não representam mais transferência automática de votos, como se acreditava. Mais vale o desempenho do próprio candidato, sua forma de abordagem e a influência de lideranças locais, vereadores e apoiadores de bairro, que funcionam como indutores de votos para esses candidatos. Os líderes vindos de fora do contexto local já não influenciam tanto. Nesse sentido, Luciano Rezende conseguiu perceber o cenário primeiro, evitando a subida do senador Magno Malta (PR) em seu palanque e trabalhando com o vice, Waguinho Ito, presidente do diretório republicano na Capital, nas ruas. Renata – Além disso, a nova fase da disputa, que polariza as candidaturas, coloca os candidatos frente a frente e os disparos vão para todos os lados. Estando em um palanque, Hartung poderia ser atingido por uma farpa, uma coisa que não seria nada interessante para quem está em viés de baixa, como costuma repetir em seus discursos nas mais variadas situações. Um exemplo disso é o que acontece em Vila Velha com o ataque incisivo do prefeito Neucimar Fraga (PR) à gestão de Rodney na Secretaria de Segurança, pasta essa do governo Paulo Hartung. Uma coisa acaba levando à outra, e Hartung sairia desgastado. Nerter – Até porque o cenário é outro e nessa briga pela conquista do segundo turno, os candidatos – todos eles são ou foram aliados de Hartung em um determinado momento político – não vão ficar olhando para o passado e não vão escolher vitrine para atirar pedra. Se Hartung estiver na frente, pode sim sair alvejado. É verdade que a gente não sabe até onde vai o nível de coragem dos candidatos, mas com uma eleição em jogo, é bom não arriscar. Por isso, Hartung mantém uma distância segura. Renata – Agora, se por um lado, Hartung evita desgastes que possam vir das farpas trocadas entre os candidatos, também não melhora em nada sua situação política. Daqui a dois anos teremos eleições estaduais, e como estará o capital político de Hartung? Evidentemente que se ele conseguir vencer a eleição em Vila Velha e Vitória, conseguiria um bom equilíbrio na balança política, mas só vencer não garante uma manutenção de poder por dois anos. O desempenho de seus candidatos deve ser bom para não prejudicar a imagem dele daqui a dois anos. Em Vitória, Luiz Paulo tenta uma arrancada na final para virar o jogo contra Luciano Rezende (PPS). Se virar, Luiz Paulo tem condições de ajudar a lustrar a imagem de Hartung, pois é um bom gestor. Mas por enquanto está dando Luiz Paulo. Já em Vila Velha, Rodney é uma incógnita. Nerter – Mas é preciso fazer uma ponderação aqui. Estamos tratando a questão como se Hartung tivesse se afastado do processo. Na verdade, ao que parece, são os candidatos que estão se afastando de Hartung. Viram que ele não reverteu esse aparente prestígio eleitoral em votos no primeiro turno e acharam melhor deixar o ex-governador fora do palanque. Até porque quem vai governar as cidades não será Hartung, mas sim seus aliados. Renata – Chegamos a dizer aqui, logo depois do primeiro turno, que só seria possível fazer uma avaliação sobre quem ganhou e quem perdeu força política depois da eleição, mas a essa altura, já dá para perceber que Hartung hoje não encerra as expectativas de seus aliados. Luiz Paulo partiu para uma estratégia dura de vitimização e de contra-ataque a Luciano Rezende. Nesse contexto tem prestado um serviço a Paulo Hartung em atacar também o senador Magno Malta. Resta saber se esse ataque vai funcionar. Se Luiz Paulo der uma arrancada com esse discurso da reconstrução da imagem, que fora, segundo ele, destruída por Magno, Hartung sai em vantagem contra o senador. Se Luciano confirmar a vitória, Malta sai vencedor de carona no palanque de Luciano e Hartung com menos força. Nerter – Da mesma forma, se Rodney vencer em Vila Velha, há quem diga que haverá uma perseguição ao prefeito Neucimar Fraga e ao senador, para enfraquecer o grupo para 2014. Mas os movimentos de Rodney são muito imprecisos para se prever algo nesse sentido. Mas Neucimar também partiu para o ataque criticando a gestão de Rodney. O problema é que a imagem que ele criou não é associada diretamente à sua passagem pela Secretaria de Segurança. Dessa mesma forma, os disparos de Neucimar podem não surtir efeito no palanque do demista. Renata – Enquanto isso, o governador Renato Casagrande assiste a esse embate de forças travado por Paulo Hartung a Magno Malta. A disputa indireta pode trazer desgastes para ambos, o que para o governador é ótimo. Casagrande tem um perfil parlamentar, no governo do Estado há dois anos, ainda não imprimiu uma marca como grande liderança política do
Reta final
Os segundos colocados no primeiro turno em Vila Velha e Vitória, o prefeito Neucimar Fraga (PR/foto à esquerda) e Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB/foto à direita), partiram para o confronto contra seus adversários, como esperado. As estratégias utilizadas, porém, são diferentes. O tucano explora o campo emocional e tenta desqualificar Luciano Rezende (PPS), investindo na desconstrução da imagem do senador Magno Malta (PR). Enquanto Neucimar resolveu atacar a gestão desastrosa do ex-secretário de Segurança Rodney Miranda (DEM), o ponto fraco do demista. Faltando poucos dias para o pleito, a semana irá pegar fogo, sem sombra de dúvida. Considerando as diferenças mínimas entre os candidatos na etapa inicial, a pergunta agora é: prevalecerá o mesmo resultado ou as urnas irão novamente surpreender? Façam suas apostas. Escondido Tem um ponto que não bate. A imprensa corporativa tem divulgado que a reação de Luiz Paulo ao que chama de campanha difamatória contra sua imagem, seria porque a campanha tucana atribui a esse boato a queda nas intenções de votos. Então qual seria o motivo de o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) ter sumido do mapa no segundo turno? Dois coelhos Sobre a estratégia de mirar o alvo em Magno Malta, que ocorre não só em Vitória, mas também em Vila Velha, já que Neucimar é do mesmo partido do senador, mais do que influir na disputa deste ano, tem objetivo maior. O grupo de Hartung não quer esbarrar com Magno na campanha ao governo, em 2014. Segue… Como o senador é combatente das elites e em Vitória predomina este eleitorado, a disputa na Capital é ainda mais estratégica nesse sentido. O discurso conservador e bandeiras levantadas por Magno agradam ao povão. É nas classes menos favorecidas que ele tem voto. Magno e as elites nunca se bicaram e, provavelmente, nunca irão se bicar. Vai entender Aliás, a adesão do deputado estadual Hércules Silveira (PMDB) à campanha de Rodney Miranda, com o pleito já batendo à porta, parece “pegadinha”. Só falta Max Filho (PSDB) fazer o mesmo. Jogadores de final de partida. Devagar Em Cariacica, que também tem nova disputa, o cenário não se desenha de maneira tão acirrada. Além de Juninho (PPS) ter aberto vantagem com folga de Marcelo Santos (PMDB), a ausência do deputado estadual por conta de uma crise de pressão alta, em um momento importante da campanha, esfriou o embate. Perdeu campo O resultado da eleição em Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado) sepulta qualquer chance de no futuro o presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço (DEM), voltar à prefeitura. O demista era o favorito, mas resolveu não disputar. Agora são mais quatro anos, o que representará uma distância considerável para Ferração. Sobrou mesmo a Assembleia Legislativa. Perdeu campo II Nos bastidores, comenta-se que Ferração errou em uma área onde não costuma errar, que foi na escolha do candidato para tentar tirar o prefeito reeleito Carlos Casteglione (PT) da prefeitura. Glauber Coelho (PR) tinha mandato de destaque na Câmara de Vereadores, mas atuação discreta na Assembleia Legislativa. O que dizem é que isso prejudicou. Mas não foi só. Perdeu campo III Também há constatações de que a união em torno de uma mesma candidatura de antigos desafetos no município, Ferração e o ex-prefeito Roberto Valadão (PMDB), não deu liga. A população teve dificuldade de compreender. Aliança pesou, pela contradição. 140 toques “ES ainda tem 102 lixões ativos e apenas quaro aterros sanitários licenciados, dados apresentados por Maria Cláudia/Iema”. (Deputado estadual Cláudio Vereza – PT – no Twitter). PENSAMENTO: “É muito mais fácil fazer o público acreditar em mentira do que o inverso, pois há verdades que não inspiram confiança”. Carlos Porto de Andrade Jr
O canetaço ambiental
Depois de uma década de debates e engavetamentos no Congresso, o novo Código Florestal emergiu do Palácio do Planalto com a envergadura de um Código Ambiental, após passar por um canetaço da presidenta da República. Ao cortar os “avanços” pilotados pela senadora Kátia Abreu, que preside a Confederação Nacional da Agricultura, Dilma recolocou o trem nos trilhos assentados em 1934, quando o Código das Águas definiu como intocáveis as matas ciliares, que protegem as margens dos cursos d’água. Protegem como?, perguntam as antas, as capivaras e os curiós entretidos no arvoredo. Protegem da erosão, em primeiro lugar. Como a vegetação é constituída predominantemente por água diluída nos tecidos das folhas, ramos e raízes, é evidente que as matas ciliares formam um cordão de segurança para os terrenos que margeiam os cursos d’água. Além de proteger os mananciais hídricos, a vegetação oferece alimento e refúgio para a fauna. É inacreditável que os dirigentes rurais ignorem a importância fundamental das matas ciliares. Todo mundo parece ter esquecido que os vegetais são reservatórios de água. A árvore é a ponta de um manancial hídrico. Onde tem vegetação tem umidade. O fato é que desde o final dos anos 1990 se enfileiravam no Congresso projetos propondo a modernização do Código Florestal, editado em 1967. O ímpeto reformista passou a ser chamado de pressão ruralista. Todos queriam avançar sobre áreas de preservação, beiras de rios, encostas, topos de morros… Apesar do crescimento da fila de projetos, as discussões sempre foram sendo adiadas — até que em abril 2009 o governador Luiz Henrique Silveira (PMDB) pulou na frente ao assinar o novo Código Ambiental de Santa Catarina, aprovado sem problemas pela Assembléia Legislativa. Foi aí que o assunto começou a pegar fogo. Antes mesmo de virar lei, o vitorioso CASC foi adotado como modelo para a reforma reclamada por outros estados e também por deputados e senadores. Mérito do agrônomo e deputado federal catarinense Valdir Colatto (PMDB), com base eleitoral no oeste catarinense. Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, formada por 208 deputados federais e 35 senadores (é o bloco mais coeso do Congresso), Colatto juntou argumentos para demonstrar que “a atividade econômica está engessada por mais de 16 mil normas da legislação ambiental”. Essa argumentação focada predominantemente no aspecto agropecuário foi passando como um trator sobre os ambientalistas. Destacou-se nesse processo o deputado federal paulista Aldo Rebelo (PCdoB), atual ministro dos Esportes. A partir de 2010, com a realização de audiências públicas e debates nas comissões técnicas da Câmara e do Senado, a reforma do Código Florestal acabou se tornando um dos grandes temas nacionais. E foi aí que a história armou o confronto final entre essas duas mulheres que trabalham em Brasília. A pretexto de aumentar a área cultivável em pequenas propriedades, os dirigentes rurais liderados por Katia Abreu lutaram até o fim para reduzir as áreas verdes junto aos rios. Ainda bem que Dilma Rousseff vetou o avanço dos tratores sobre a vegetação ciliar. Em sua vigilância, semanas atrás, a presidenta precisou dar um pito público em duas de suas ministras, que haviam deixado passar batido no parlamento um conjunto de mudanças licenciando diversos crimes ambientais. Com seu canetaço ambiental, a presidenta mostrou que zela pelo equilíbrio dos recursos naturais. De quebra, deixou claro que os dirigentes do agronegócio do Tocantins ao Jacuí perderam a noção da ética econômica ao entregar o jogo para os fabricantes e vendedores de máquinas, adubos, sementes e venenos. DITADO DE OCASIÃO Não tem rede para o peixe grande
Um pulo a mais
É raro ver um aniversário de criança sem a adição de pelo menos um colorido pula-pula. A moda hoje são os castelos, mas dá de tudo, muitos decorados com os personagens preferidos da meninada desenfreada. Meninada é modo de dizer, porque com a desculpa de vigiar os filhos, os adultos entram também na brincadeira, e se divertem tanto quanto. Criado em 1959, o pula-pula alcançou a maioridade, ou seja, virou atividade de gente séria. Para desespero de Luly, que depois de muito esforço conseguiu uma vaga na empresa de seus sonhos. Luly é tímida, o que não interfere em sua eficiência profissional e até ajuda, porque não se liga ao social e vive para o trabalho. Antenada com a modernização, a grande empresa de Luly aderiu a um novo método de reeducação profissional. Nada mais de cursos e seminários, participações em feiras e conferências, métodos esses já obsoletos. A moda agora é o aplicativo das casas infláveis: o simplório pula-pula para promover a descontração e o trabalho de equipe, e a escalada de rocha para incentivar a ascensão profissional. As empresas pagam o aluguel dos brinquedos e instrutores para orientar nos exercícios. E gastam milhões na brincadeira, no pressuposto de que o lucro cresce à proporção que o desempenho dos empregados melhora. E se nas disputas pelos cargos mais altos e pelos melhores clientes a turma se atraca, no pula-pula todo mundo descontrai, interage e participa. Melhor ainda, no horário de trabalho, quando uns pulinhos a mais ainda ajudam a perder peso. Luly porém não gosta de exercícios físicos, não se enturma com os colegas e, para completar o currículo, é tímida. Ficar pulando feito criança em dia de aniversário na frente dos chefes e supervisores? Não dá. Mas quem não participa dos esforços da empresa no auto-desenvolvimento profissional fica com a ficha suja – temperamento difícil, problemas de adaptação, etc. Entre a cruz e a espada, ou entre um pulinho e uma escalada, Luly tem que aderir. Tentando subir na empresa escalando simbolicamente uma montanha de plástico e ar quente, Luly perde o equilíbrio e cai. Bem em cima do Dr. Lovado. Que, louvado seja Deus, não se machucou e caiu de amores pela garota. A festa de casamento foi num cerimonial com 40 tipos de brinquedos infláveis, todos brancos, no formato de bolos de casamento e bonecos noivo-noiva, decorados com pombinhas e alianças entrelaçadas. Estão na moda até para casamentos.
Recado das urnas
O resultado do primeiro turno das eleições mostra alguns recados das urnas para a classe política que devem ser observados por quem pretende disputar as próximas eleições. Um deles é que as grandes lideranças, que eram apontadas como as indutoras de votos, não induziram. Um exemplo disso está na Capital, em que os candidatos, neste segundo turno, tentam seguir com as próprias pernas, sem usar as lideranças que poderiam estar em seus palanques. De Cariacica vem o exemplo de que o candidato que está nas ruas, mais próximo do povo, tem mais condições de chegada do que o candidato mais afastado. As propostas devem atender aos interesses da crescente classe C, que não se leva mais pela influência da elite e quer mesmo são garantias de que as conquistas desse novo filão social, maioria, inclusive nas urnas, serão mantidas. Puxar pelo emocional ainda dá certo, mas é preciso parcimônia, a linha que separa a vitimização positiva da apelação é muito tênue e o candidato pode aumentar a rejeição do eleitorado, prejudicando não só a eleição em que está, mas também criando um estigma difícil de ser tirado no futuro. É sempre bom lembrar que uma imagem uma vez construída, dificilmente será desconstruída. O que não é necessariamente ruim, vide o exemplo da imagem de “supertira” criada pelo ex-secretário de Segurança Rodney Miranda (DEM), inabalável, mesmo diante dos dados que mostram que sua passagem pela pasta foi negativa. Também não adianta vender apenas uma imagem. O candidato tem que apresentar propostas e propostas para frente. Não adianta cobrar pelo voto dado em eleições anteriores, mostrando o que foi feito. O eleitor paga adiantado por uma promessa e quer mais do que o serviço já prestado. Evidentemente, a eleição deste ano tem um perfil totalmente diferente da disputa que acontecerá em 2014, quando estarão em debate a sucessão nacional, estadual e os cargos legislativos aqui e em Brasília. Mas algumas lições poderão ser aproveitadas pelos postulantes aos cargos em disputa daqui a dois anos. Quem melhor entender o desejo do eleitor por algo novo vai ter mais condições de sair em vantagem. Vale destacar que o novo não significa necessariamente uma nova liderança, mas uma nova proposta, um novo jeito de fazer política. Fica a dica.
Por que Neucimar está perdendo
Mexe, remexe, procuro, mas não vejo. O prefeito Neucimar Fraga (PR) está desse jeito na busca de explicações para sua iminente derrota eleitoral para o neófito Rodney Miranda (DEM) em Vila Velha. Mas, por que está se vendo frustrado o projeto de poder do ex-sacoleiro, que um dia, como tantos irmãos nossos nordestinos, saiu da Bahia com a família em direção ao Rio e ficou por aqui mesmo para melhorar de vida, empurrado pela extrema carência material e de perspectivas num Estado que era dominado pelo coronelismo político de Antonio Carlos Magalhães, até que a morte separou o povo dele? Por que, de repente, alguém sem nenhuma tradição política, com um histórico controverso que remete ao passado autoritário recente do País, em que ninguém estava livre dos olhos e ouvidos do Estado repressor, chega, se estabelece e se cria, politicamente, no município que é o berço da colonização do Espírito Santo e que já gestou interessantes personagens políticos de raiz? Até hoje as pessoas mais lúcidas tentam encontrar uma explicação para a extraordinária votação que teve para deputado estadual, em 2010, em Vila Velha, o hoje candidato a prefeito Rodney Miranda, que tem dificuldades para sorrir, fala sem emoção e tem uma imagem pública antítese do político tradicional, populista, falastrão e superficial que nos acostumamos a ver estourar as urnas de tantos votos no nosso Brasil brasileiro. O sistema eleitoral eletrônico deixa margem a dúvidas? Sim, deixa, não sei se legítimas, mas elas aumentam quando vêm à tona fatos como o de Nova Venécia, onde uma mulher, que morreu há 11 anos sem título de eleitor “votou” normalmente nas eleições municipais do último dia 7 de outubro. Mas, se havia dúvidas sobre a extraordinária votação de Rodney, que derrotou Max Filho há dois anos em seu próprio reduto, inusitadamente, hoje parece que essa nuvem se dissipa com explicações mais racionais. Tenho um amigo cujo filho é presidente de Sessão Eleitoral. Quando acaba a votação, ele fecham a urna e sai um relatório impresso com a votação. O menino preside uma sessão no Centro de Vila Velha, que tem um eleitorado de classe média, independente e conservador. Chegou e disse: “Pai, o Rodney vai para o segundo turno, se não ganhar no primeiro”. Arrepios! Que fenômeno era esse? Talvez o mesmo que varreu Serra, Vitória e Cariacica, embora o perfil do nosso Rambo seja diferente de Audifax, Juninho e Luciano Rezende. Fato é que já não se pode duvidar que a classe média da orla e proximidades escolheu o xerife, talvez num comportamento social patológico idêntico ao do apoio aos militares em 1964. O sorriso de Quico de Neucimar já não convence ninguém. Convenhamos, ele nem foi tão mal assim, do ponto de vista de realizações, porque contou com um governador que não persegue, que é Renato Casagrande. Mas é dissimulado e isso irrita e afasta o eleitor mais consciente. Neucimar fez um governo auto-suficiente, do mesmo jeito que conduziu sua campanha passada e a atual. Não é chegado a práticas políticas saudáveis. Vila Velha ganhou obras, sim, mas as principais são do Governo do Estado e ele tentou vender a ideia de que eram dele. Neucimar está perdendo porque não falou com a população. Achou que a periferia seria suficiente para elegê-lo, com sua história de migrante baiano que subiu na vida, mas isso não está sendo suficiente. Pecou nos detalhes, na rua abandonada, na distância do eleitor consciente, na falta de diálogo com a população, haja vista a forma como implantou o estacionamento rotativo no município, necessário, mas sem participação do contribuinte. Dizem que “o diabo mora nos detalhes”. Prefiro Deus, mas para Neucimar está sendo o inferno não ter percebido os detalhes. E deixou brecha para a tomada do poder em Vila Velha, porque as coisas mais simples não foram solucionadas. Apesar dos discursos dele, ainda refletem as consequências da chuvarada de janeiro passado. E tantas inundações passadas. E este é apenas um de seus problemas sobre os quais tanto discursou e pouco fez, mesmo que diga o contrário. Demorou a agir sobre situações, relativamente, simples. Eu gostaria de ter respostas mais objetivas, mas há coisas sem explicações claras. Elas somente virão nas urnas no próximo domingo. E, dificilmente, serão diferentes do que se anuncia. Em 2012, diferentemente de 2010, creio que as coisas estão muito mais evidentes. Se para o bem ou para o mal, somente o futuro dirá. Mas o Capitão Nascimento vem aí. José Caldas da Costa é jornalista, licenciado em Geografia, escreve neste espaço nos finais de semana. Contatos: caldasjornalista@gmail.com