Os períodos eleitorais sempre impulsionam algumas análises ou, no mínimo, levantam debates sobre as características e movimentações do eleitorado. Neste ano, no Espírito Santo, há alguns casos importantes em que certos políticos souberam utilizar cenários teoricamente desfavoráveis para manter o poder, assim como também existem municípios que, na contramão do óbvio, acabaram com longas sequências quase dinásticas de mandatários de um mesmo grupo político ou até de famílias que já permaneciam há décadas no controle. Sobre esta questão, os principais exemplos são os de Linhares e Viana. A primeira cidade, ao eleger Nozinho Correa (PDT) para a prefeitura, interrompeu o revezamento de praxe entre Guerino Zanon (PMDB) e Zé Carlos Elias (PTB) no município. O caso de Viana, apesar de ligeiramente diferente, talvez seja ainda mais emblemático. A eleição do vereador Gilson Daniel (PV) para a próxima gestão do Executivo municipal, terminou com uma hegemonia de quase duas décadas da família Lube e de seu grupo político na cidade. Com mais de 63% dos votos válidos, o PV impôs uma derrota significativa à deputada estadual e ex-prefeita Solange Lube (PMDB). Aumentando a aparente força do discurso da novidade – que o resultado de alguns municípios como Vitória e Cariacica parece consolidar –, estas eleições também mostraram que há indícios de uma grande resistência à influência eleitoral dos “medalhões” da política. Foi o caso de Itapemirim e Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Estado. Essas cidades, para o espanto de quem acreditava que não há mais espaço em cenários de domínio dos grandes Golias da política, quebraram o favoritismo dos candidatos do deputado estadual Theodorico Ferraço (DEM), elegendo os seus opositores. Acostumado a influenciar nos processos políticos do Estado – principalmente na região sul –, o presidente da Assembleia Legislativa não conseguiu fazer com que o seu capital político definisse as eleições das duas cidades. Em Cachoeiro, Theodorico preferiu entrar de cabeça na campanha de seu companheiro de legislativo Glauber Coelho (PR) ao invés de se candidatar ao Executivo do município, mas sofreu dura derrota para Casteglione (PT) no disputadíssimo pleito. Já em Itapemirim, Estevão (PMDB) – candidato à sucessão da mulher de Ferraço, Norma Ayub (DEM) – perdeu para Dr. Luciano (PSB). Esses exemplos podem aparecer para os analistas como um movimento de parte significativa da população de não tolerar que as prefeituras sejam tratadas como heranças familiares – ou mesmo que tenham suas eleições definidas pelos políticos antes mesmo da votação. Para estas cidades, o julgamento pode até ser certo. Mas, pelo resultado das eleições deste ano, o quadro não parece ser geral. O município com votação que traz mais elementos para a contramão da tese anti-dinastias parece ser Presidente Kennedy (litoral sul do Estado). O caso é central principalmente porque, no período pré-eleitoral, a cidade explodiu com diversas denúncias de irregularidades em contratos da gestão do prefeito Reginaldo Quinta (PTB), que supostamente comandou as fraudes. A investigação, conhecida como Operação Lee Oswald, resultou na prisão do prefeito, juntamente com diversos servidores e empresários. Quinta, que era candidato à reeleição – mesmo com as acusações estalando em sua cabeça –, ao perceber que seu mandato poderia ser cassado, colocou em seu lugar na disputa a sua sobrinha, Amanda Quinta. Longe de tentar desqualificar a capacidade de análise política do eleitorado da cidade, era de se esperar que a população tivesse alguma resistência à nova candidata, já que – apesar do sobrenome – ela não tem histórico político. Além disso, o município está sob intervenção da Justiça, o que teoricamente aumentaria ainda mais a desconfiança. Mas não. Mesmo em tempos de ficha limpa, em que o discurso da ética na política pesa até mais que as propostas ou a filiação partidária dos candidatos, Amanda venceu e convenceu com maiúsculos 57,65% dos votos válidos. Reginaldo Quinta realmente parece ter o controle do município em suas mãos. Um caso parecido é o de Montanha, no extremo norte do Estado. Lá, o ex-prefeito e novamente candidato, Hércules Favarato (PMDB) – também com problemas na Justiça –, elegeu o seu filho Ricardo Favarato (PMN) com 64, 33% dos votos válidos. Alto Rio Novo também foi um exemplo de eleição “por tabela”, mas no pequeno município não foi tão fácil como em Montanha e Presidente Kennedy. Era de se esperar que Maria Emanuela (PDT), que era candidata a vice de Aldo Oliveira, o Didi (PSDB), e que entrou na disputa após a renúncia do peemedebista, fosse eleita, mas para ela o processo foi mais complicado. A pedetista entrou na disputa a menos de duas semanas para a eleição e atingiu 36,47%, apenas dois pontos percentuais acima de Edinho Benfica (PSD). No caso de Emanuela, o fator exposição pública parece ter pesado, pelo pouco tempo de campanha. Além disso, se fez valer para ela o que não apareceu para Amanda Quinta em Kennedy: o desconhecimento de seu nome pela população. Esses casos vêm e vão, mas as dúvidas persistem. Afinal, numa disputa entre medalhões e desconhecidos, quem decide são os eleitores?
Credores votam plano de recuperação de empresa preterida pela Delta no ES
Os credores da Tomazelli Engenharia, uma das integrantes do consórcio capixaba que foi preterido em favor da carioca Delta Construções, definem, a partir da próxima semana, o destino da empresa em processo de recuperação judicial. Está marcada para segunda-feira (15) a assembleia geral para discussão do plano de recuperação da empresa. Caso a proposta não seja aprovada, a Justiça poderá decretar a falência do negócio. O edital de convocação é assinado pelo juiz da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, Camilo José D’Ávila Couto. Para a sessão desta segunda, o quorum mínimo é de 50% dos credores da empresa já definidos pelo processo de habilitação de crédito – quando os credores se apresentam à Justiça para receberam valores da empresa. No caso de falta de quorum, uma nova assembleia está marcada para o próximo dia 22, sem a exigência de um número mínimo de credores. Segundo os ritos do processo de falência, a assembleia vai deliberar sobre o plano de recuperação feito pelo administrador judicial da empresa, o advogado Jefferson Luiz Alves. Em síntese, o plano deve apresentar a forma de a empresa quitar todas as suas dívidas, manter o funcionamento e o pagamento dos funcionários. Caso seja aprovado, o processo de recuperação terá continuidade com a suspensão da execução de dívidas na Justiça e a possibilidade de continuidade dos negócios. No entanto, caso a assembleia rejeite o plano, o juízo de Falência poderá decretar a falência judicial da Tomazelli Engenharia. Apesar de a empresa ser conhecida no mercado, o processo de falência ganhou notoriedade após a denúncia de favorecimento à Delta Construções. A Tomazelli era uma das integrantes do consórcio capixaba que teve um contrato anulado por decisão unilateral da Companhia de Saneamento Espírito-Santense (Cesan), repassado mais tarde para a empresa carioca. O agravamento da situação financeira da empresa e o quase pedido de falência à Justiça coincidem com a polêmica manobra que garantiu os benefícios à Delta, principal alvo da CPI que busca apurar a relação da empresa com tráfico de influencia junto a políticos, conhecida como a CPI do Cachoeira, que também surge com estreitas ligações com membros do governo Paulo Hartung (PMDB) até hoje no poder. Na época do lançamento da concorrência, no início de 2008, a Tomazelli entrou com dois mandados de segurança contra a Cesan – um antes e o outro após a perda do contrato. No primeiro pedido, os representantes questionaram algumas das exigências previstas no edital da licitação. Na época, o pleito foi arquivado pela Justiça, mas a empresa capixaba conseguiu sair vencedora da licitação – após a formação de consórcio com a Montalvani Engenheira, outra empresa local. Conforme revelou a reportagem de Século Diário, a direção da Cesan decidiu pela rescisão unilateral do vínculo no dia 16 de abril – após reunião da diretoria da companhia realizada duas semanas antes. Após a desclassificação, a Tomazelli chegou a ajuizar uma outra ação ordinária (024.09.037686-4) contra a companhia e a Delta, porém, esta foi arquivada sumariamente pelo juízo da 7ª Vara Cível de Vitória.
TV errada
Um domingo desses tirei a manhã e a tarde para assistir TV. Não fui à praia nadar (estava frio) e tampouco vim ao computador. O canal era a Globo e ali fiquei por uns momentos. Estava mostrando uma boa matéria sobre skate no velho e manjado Esporte Espetacular. Antes teve um programa que sempre quis e nunca consegui assistir por causa do dia e do horário, o Auto Esporte. Eles anunciavam o The Voice para as duas da tarde, depois o Campeonato Brasileiro mostrando um jogo que não era o Fla x Flu. A Globo deu uma revitalizada em sua programação, que estava medíocre, perdendo para a fraca Record, mas não colocaram os bons programas que ela possui nos seus devidos lugares. Não sei como eles medem o dia que tal programa deve ir ao ar, mas o The Voice deveria ser no lugar do Zorra Total, que deveria ir para a segunda feira, no lugar do chatíssimo Tela Quente (só filme ridículo). O Esporte Espetacular deveria preceder ao futebol das tardes de domingos, inclusive não atrapalhando a Fórmula Um, que a Globo insiste em ainda transmitir. Só tem “meia roda” do Brasil na competição. Inverteria. Colocaria o Fantástico somente com notícias antes do Faustão e esse encerrando domingo, pois quem não gostasse do ex-gordo apresentador iria dormir ou procurar outra coisa pra fazer, mas muito bem informado. O Fantástico está chato há muitos anos. Perderam a fórmula. O brasileiro ainda o vê, pois nos outros canais as coisas são bem piores. Portanto, estamos “à pé” com a nossa melhor televisão. Há algumas coisas boas na Globo, mas em horários pecaminosos, onde quem tem de ver, não vê nunca. PARABÓLICAS ECOS DA CAMPANHA Claudio Dj, de São Mateus, conduziu os debates políticos de Colatina com muita maestria. Mostrou desembaraço com a política Marcio Valetim fala sobre coisas do café e tem um programete de rádio que é um dos mais ouvidos atualmente no norte do Estado Gilliard Zurque também deu conta do recado. Entrevistou todos os candidatos do seu município na sua Líder Fm. Nada de novo na cobertura das eleições e das apurações feitas pelas nossas TVs nesse período. Algumas caras novas, mas os mesmos chavões de sempre. MENSAGEM FINAL Um intelectual é um homem que usa mais palavras que seriam necessárias para dizer mais do que ele sabe. Dwight Eisenhower
Corda bamba
O tucano Luiz Paulo Vellozo Lucas vai com tudo para cima de seu adversário, o candidato do PPS, Luciano Rezende, na tentativa de reverter no segundo turno o cenário desfavorável na disputa. Nos bastidores, já se comenta que o ex-prefeito está consciente de que muitos de seus votos migraram para Luciano no momento em que o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) tomou de assalto a campanha, posando de dono. Luiz Paulo precisa desses eleitores de volta, para garantir a vitória. Isso significa que a candidatura tucana provavelmente sairá das mãos do ex-governador, para enfim tornar-se de Luiz Paulo, mesmo cenário do início do processo eleitoral, e que colocava o ex-prefeito líder disparado nas intenções de voto. O esforço para virar o jogo, além de garantir a carreira política de Luiz Paulo, tem ressonância no PSDB, que precisa conquistar a prefeitura de Vitória para evitar uma derrocada geral. O partido foi mal na eleição e não pode sequer cogitar perder a segunda principal vitrine política do Estado. Com riscos de respingar ainda nos projetos do deputado federal César Colnago e Max Filho, que já dançou em Vila Velha, e também no pleito de 2014. Não tem outra saída: ou ganha, ou ganha. Expectativa Todos os olhares se voltam para o deputado estadual Hércules Silveira (PMDB) em Vila Velha. O peemedebista queria ser candidato a prefeito, mas foi barrado. Pouco tempo depois, virou a noiva da disputa e todo mundo queria chegar junto. O deputado preferiu ficar neutro. Agora, voltou a ser a noiva, e ainda mais cobiçada. Será que casa? Expectativa II Algumas movimentações indicam que Hércules estaria mais para o lado de Rodney Miranda (DEM), já que liberou vereadores que apoia para a campanha do demista e passou um período fazendo oposição ao prefeito Neucimar Fraga (PR). Resta saber se a tal conversa que ele teve com o senador Magno Malta (PR) surtiu efeito. Neste caso, Neucimar é quem leva. Vale ouro A essa altura do campeonato, com uma disputa apertadíssima, quem conquistar o apoio de Hércules fica bem na história. O deputado tem um eleitorado numeroso e fiel, principalmente nas classes menos favorecidas. Rebatizada A vice-presidente da Câmara dos Deputados, Rose de Freitas (PMDB), deixou de ser a “mãe” de Santa Maria de Jetibá (região serrana), como era conhecida por conta dos recursos que conquistou para o município, durante o governo de Hilario Roepke (PMDB), o Gatinha. Virou madrasta. Rebatizada II O candidato da deputada, Lourival Berger (PSB), perdeu bonito para Eduardo Sthur (PDT), e o resultado foi considerado surpreendente. Não resistiu Quem também levou uma pancada e tanto foi o deputado estadual Cacau Lorenzoni (PP). Político que tem como reduto Marechal Floriano e redondezas, o que permitiu no passado que elegesse a própria mulher prefeita, perdeu força. Eliane Lorenzoni (PP) não conseguiu garantir a reeleição e perdeu de Lidiney Gobbi (PSB) – candidatura das forças de oposição que se uniram em 12 partidos. Mudanças Corre a boca miúda na seara do governador Renato Casagrande, o PSB, que em 2013 pode ocorrer uma reforma no secretariado. A conferir. Fora do posto Nas redes sociais, circula informação dando conta da saída do economista José Antônio Bof Buffon da direção comercial do Banestes. Coincide com um momento de crise do banco. 140 toques “Muita calma nessa hora! Nos aeroportos da vida…” (Senador Ricardo Ferraço – PMDB – no Twitter). PENSAMENTO: “O homem pode ser livre à medida que o governo tenha limites; quando cresce o governo, diminui a liberdade”. Ronald Reagan
Preparando o voo
O ex-prefeito de Colatina Guerino Balestrassi tem aparecido nos noticiários de forma discreta, porém constante, nas declarações de candidatos que disputam a eleição deste ano na Grande Vitória. Guerino, que no ano passado foi convidado a mudar o domicílio eleitoral para a Capital, tenta aumentar seu prestígio político para além da região noroeste do Estado. À frente do Banco de Desenvolvimento do Estado (Bandes), ele é apontado para muitos observadores do cenário político como um dos captadores de recursos para as campanhas eleitorais e apareceu como o grande articulador da campanha de Max Filho (PSDB), e agora do vice-prefeito de Cariacica, Geraldo Luzia, o Juninho (PPS). Além de conseguir os recursos que salvaram alguns palanques, Balestrassi, que recentemente se tornou o mais novo amigo de infância do ex-governador Paulo Hartung (PMDB), foi também o grande emissário nos palanques dos aliados do ex-governador, sendo artífice da aproximação entre Hartung e o ex-prefeito de Vila Velha Max Filho (PSDB). E o que ele ganha com isso? Bom, o papel desempenhado por Balestrassi na eleição deste ano, o credencia para o plano do grupo de Hartung de 2014. A deputada federal Rose de Freitas (PMDB) estaria ensaiando uma candidatura ao Senado e, como todo mundo sabe, Hartung tenta desde 2002 tenta desidratar esse poder político da deputada. Por isso, ele precisaria criar no cenário político a imagem de uma nova liderança, também como perfil municipalista, para que possa se credenciar para disputar com ela a vaga ao Senado. A deputada, apesar de não ter repetido o desempenho de 2008, quando ajudou a eleger mais da metade dos prefeitos do Estado, ainda tem o apoio de um número considerável. Mas será que o fato de Balestrassi aparecer nos palanques dos aliados de Hartung e se movimentar nos bastidores em favor desses candidatos lhe dará musculatura para uma disputa ao Senado e contra a vice-presidente da Câmara dos Deputados? Mostrar bom poder de articulação é uma coisa, conquistar mais de um milhão de votos e outra bem diferente. Fragmentos: 1 – O sonho de Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) de fazer uma aliança com o PSB do governador Renato Casagrande acabou na tarde dessa quinta-feira (11), quando o partido anunciou apoio ao candidato Luciano Rezende (PPS). 2 – Uma das propostas do ex-prefeito tucano, caso seja eleito na Capital, é a de restaurar a figura dos prefeitinhos, que atuaram durante sua gestão à frente da prefeitura de Vitória. 3 – Chamou a atenção na foto do café da manhã de Luiz Paulo com as lideranças para anunciar os novos rumos da campanha a ausência dos emissários do grupo de Paulo Hartung.
Lideranças do PT repudiam apoio de prefeitos petistas a Rodney Miranda
A deputada federal Iriny Lopes (centro), que disputou a eleição para prefeita de Vitória no último domingo (7), o deputado estadual Cláudio Vereza (à dir.) e o subsecretário estadual de Direitos Humanos Perly Cipriano (à esq.) repudiaram a decisão dos prefeitos reeleitos de Colatina e Cachoeiro de Itapemirim, respectivamente Leonardo Deoptuski e Carlos Casteglione, em decidir apoiar à candidatura de Rodney Miranda (DEM), que disputa o segundo turno das eleições para prefeito em Vila Velha com Neucimar Fraga (PR). A nota de repúdio dos três petistas, que se identificam como “pertencentes a um grupo de fundadores e dirigentes do PT do Espírito Santo”, foi divulgada nesta sexta-feira (12) no perfil de Iriny na rede social Facebook. O grupo diz que não vai se conformar com a “quebra das regras, tradições e história do partido”. Eles alertam que os dois prefeitos estão apoiando o candidato de um partido que foi adversário do governo Lula e se mantém oposição ao governo Dilma e às causas sociais. A carta adverte que a decisão de Deptulski e Casteglione segue na contramão da resolução da Nacional, que determina que o partido não pode se aliar ou dar apoio ao DEM. O grupo faz também uma crítica direta ao prefeito de Colatina. A carta ressalta que é inamissível “que alguém que se diz representante legítimo das causas de direitos humanos” se alie a um partido que trabalha contra as demandas sociais. Eles se referem às Ações Diretas de Inconstitucionalidade (Adins) que o DEM moveu no Congresso Nacional para evitar a adoção das cotas em universidades para negros e indígenas, assim como outras demandas sociais que o partido de Rodney foi contrário. Base aliada A carta dos três petistas sugere ainda que se os prefeitos quisessem apoiar um dos candidatos em Vila Velha, que apoiassem Neucimar. “Apesar de todas as nossas divergências em relação ao candidato Neucimar Fraga, o seu partido, o PR, faz parte da base aliada do governo Dilma, ao contrário do outro candidato, que representa a oposição ao projeto do PT”. Iriny, Perly e Vereza acrescentam que os dois prefeitos afrontaram a decisão do Diretório Municipal de Vila Velha, que se posicionou pela neutralidade no segundo turno. E classificam a atitude de Deptulski e Casteglione de oportunista. Em seguida, os três petistas fecham a carta com a advertência: “Não podemos ficar calados diante de pessoas que cultivam o personalismo, que ignoram as regras partidárias e o sentido de dignidade, solidariedade e respeito interno existentes no PT. As resoluções do PT são claras, bem como as punições aos que as ignoram”. A decisão de Deptulski e Casteglione, que desafiaram as normas do partido para apoiar Rodney, é a primeira parcela da fatura que Paulo Hartung começa a cobrar dos dois prefeitos reeleitos, que receberam o apoio do ex-governador na eleição.
Circo e Gil Vicente são temas dos espetáculos de bonecos
Com muita delicadeza, cada sutil movimento do boneco é manipulado pelo elenco, “a dificuldade está em recriar e tornar crível a movimentação que nós comumente realizamos, mas que ganha uma graça toda especial quando feita por um boneco”, explica Miguel Velinho, diretor da Cia PeQuod (RJ). No Festival Nacional de Teatro de Vitória haverá dois espetáculos que utilizam essa difícil técnica para contar uma história. A Cia PeQuod trabalha com teatro de bonecos desde 1999 e para o festival de Vitória preparou o espetáculo O Velho da Horta (fotos acima e capa), uma livre adaptação da obra de Gil Vicente “Foi um grande exercício de derrubar as paredes de uma casa mas ainda assim preservar a casa”, conta Miguel sobre a transformação do texto, que ficou mais próximo do público de hoje. O texto de Gil Vicente conta a história de um amor senil, um velho dono de uma horta se apaixona perdidamente por uma jovem freguesa. Para conta a história, a companhia explora a manipulação direta, uma derivação do bunraku japonês, técnica que permite uma movimentação bastante humana. Cada boneco pode ser manipulado por uma, duas ou três pessoas. O Velho da Horta fala das armadilhas que o amor pode causar e é um espetáculo para todas as idades, “faz muito sucesso com os pequenos graças à movimentação dos bonecos e do incrível cenário. Por outro lado, o público adulto capta a picardia característica do autor português”. A peça será apresentada na quarta-feira (17) no Teatro Carlos Gomes. Utilizando a técnica das marionetes, o espetáculo Musiscircus (foto abaixo), da Cia Navegante (MG), é também representante do gênero de teatro de bonecos no festival. Nele, o palco se transforma em picadeiro e as marionetes, construídas pela própria companhia, são personagens de circo que apresentam diversos números. A peça será apresentada no domingo (14) e na segunda-feira (15) no Teatro do Sesi. O diretor e fundador da companhia independente, Catin Nardi, conta que a música é fundamental para o espetáculo, “a trilha é a base do roteiro dramático, porque quase não há dialogo, cada núcleo é ligado por uma música”. Catin, que já morou no Espírito Santo, espera reencontrar os amigos com o retorno ao estado para a apresentar sua peça. Saiba mais! Confira a programação do festival no site oficial
De norte a sul, o Brasil se mostra nas ruas de Vitória
Sem paredes e sem cadeiras, os espetáculos de rua exigem uma interpretação e uma produção bem diferentes das peças em teatros. “Em um espaço fechado, você tem um pouco mais de controle e na rua é difícil chamar a atenção para o foco, porque é sempre um lugar com muitas intervenções”, diz Leonardo Rocha, ator do Grupo Maria Cutia (MG). Neste ano o Festival Nacional de Teatro de Vitória selecionou seis companhias para representar o gênero. Carlos Ola, que dirige o espetáculo A Saga Amorosa dos Amantes Píramo e Tisbe (foto acima), da companhia capixaba Gota, Pó e Poeira, conta que os atores têm um trabalho maior com a linguagem corporal e com a voz para poderem se destacar ao ar livre. “E por tudo isso, torna-se um grande desafio, sendo muito prazeroso para o elenco, porque se convive com o imprevisível”, completa o diretor. Fragmento de Sonho de Uma Noite de Verão, de William Shakespeare, A Saga Amorosa…, conta a história de uma companhia de teatro que entretém o rei com uma peça sobre um amor impossível. “A história é vivida por uma companhia bem desastrada e engraçada. Fazemos teatro dentro do próprio teatro”, explica Carlos. O texto é uma sátira à obra mais conhecida do próprio autor, Romeu e Julieta, e o espetáculo será apresentado na terça-feira (16), na Praça Costa Pereira. A Cia Gota, Pó e Poeira é conhecida por interagir com o público e desta vez um dos personagens será tirado da plateia e fará parte da história. No mesmo dia, no Centro Cultural Carmélia, haverá outra adaptação da obra de Shakespeare para o teatro de rua. O Grupo Galpão irá interpretar o premiado espetáculo Romeu e Julieta (fotos ao lado e capa), que completa 20 anos este ano. A versão do grupo mineiro transporta a tragédia dos dois jovens apaixonados para o sertão mineiro evocado pelo cenário, nos adereços, na música e na figura do narrador, que utiliza uma linguagem inspirada em Guimarães Rosa. “É sempre um desafio e uma grande emoção fazer Romeu e Julieta, além de muito regenerador em termos artísticos”, diz Eduardo Moreira, ator e um dos fundadores do Galpão. Para ele, Shakespeare e o universo do sertão são duas linhas artísticas que casam muito bem. “A peça fala muito de uma cosmologia, de uma relação íntima com a natureza, com as forças do universo. Isso, claro, traz uma aproximação com o Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa”, explica. Além de intérprete do Romeu, Eduardo Moreira vem a Vitória como diretor da peça Como a Gente Gosta (foto abaixo). O espetáculo será apresentado na sexta-feira (19), na Praça Dom João Batista, na Ilha das Caieiras, e no sábado (20), na Fafi. Livremente inspirado em As You Like It, de William Shakespeare, a peça é uma comédia-musical sobre uma série de desencontros e triângulos amorosos. A montagem foi pensada para a rua, como é costume do grupo, e para isso Eduardo Moreira adaptou a história para os tempos atuais. “A intenção do Eduardo não foi transformar a dramaturgia em algo superficial, mas sim em algo que alcançasse um grande quinhão de espectadores para o entendimento do enredo sem lesar a obra do bardo inglês”, explica Leonardo. Sobre o trabalho junto com o veterano do Teatro Galpão, Leonardo conta que foi uma troca de experiências muito positiva, “para nós, além dos ensinamentos de cena, ele também foi um orientador sobre o pensamento sobre a arte que escolhemos fazer”, diz. A Maria Cutia também trabalha com música, que tem um papel dramático fundamental na montagem. Por isso, Todas as músicas do espetáculo são autorais e executadas ao vivo pelos atores. Outro grupo de teatro de rua que trabalha com temas populares e com música ao vivo é o Ser Tão Teatro (PB). Eles trazem o espetáculo A Flor de Macambira (foto abaixo), uma adaptação do clássico de Joaquim Cardozo, O Coronel de Macambira (1963), dirigida por Christina Streva. A peça que utiliza elementos do folclore nordestino será encenada na quinta (18) e na sexta-feira (19), sempre no Centro Cultural Carmélia. A história é sobre uma jovem que sucumbe aos vícios e tentações mundanas e, para salvar a si e a seu amado, mergulha nas profundezas de sua alma. “Ao mesmo tempo em que a peça tem uma história simples, ela também é uma metáfora para o autoconhecimento. Quando a personagem mergulha em sua alma, ela realmente embarca em uma viagem surreal que irá revelar suas inquietações e desejos mais íntimos”, explica a diretora. Seguindo a estética do teatro popular, o Grupo Povo da Rua (RS) apresenta o espetáculo A Caravana da Ilusão (foto abaixo). A peça narra a saga de uma trupe de circo desestruturada depois da morte do líder e os artistas pensam em deixar o grupo e seguir seus próprio caminhos. O texto é de Alcione Araújo e a atriz Alessandra Carvalho conta que a companhia o escolheu pelo fato de ter vivido um momento parecido. A referência usada para montar a peça foram obras de arte, “o texto foi inspirado nas pinturas do Pablo Picasso, que por sua vez eram da série Saltimbancos. O pintor traduziu a sensação das trupes em meio à guerra civil espanhola”, explica. A Caravana da Ilusão será apresentada neste sábado (13) na Quadra da Atlântica Ville, em Jardim Camburi, e na segunda-feira (15), na Praça Costa Pereira. A Cia Cearense de Teatro Brincante vem com o espetáculo de rua que conta a lenda da mula-sem-cabeça em A Comédia da Maldição. A peça foi escrita em versos populares e tem o objetivo de difundir os valores do folclore e da cultura nordestina utilizando-se da estética dramática sertaneja. O espetáculo poderá ser conferido na quarta-feira (17), na Praça Costa Pereira, e no sábado (20), no Espaço Multiuso Circuito Cultural (Rodovia Serafim Derenzi, Redenção). Saiba mais! Confira a programação do festival no site oficial
Selva de pedra
O livro Câmera Lenta, do carioca Cristiano Onofre, é uma coletânea com três contos escritos entre 2008 e 2010. As histórias retratam o cotidiano violento e doentio de personagens afetadas pela sociedade dita civilizada. Embora sejam ficções, narram muito bem o que é ser o produto da metrópole cruel e suja, em todos os sentidos. Câmera Lenta será lançado neste sábado (16), na Prego Espaço de Arte, em Vila Velha. Haverá ainda um bate-papo sobre arte marginal e publicação independente e a exposição Os Quadrinhos Mais Sujos da Face da Terra. Lançando e distribuindo de maneira totalmente independente em uma turnê que está girando o Brasil, Cristiano, escritor, desenhista e professor, também leva junto a si um debate sobre literatura e arte independente. Ele ressalta a importância da cultura marginal e de como tal modelo produção artística pode ser parte da constante luta pela liberdade de expressão, artística e, é claro, um desabafo das minorias. Serviço Câmera Lenta (formato de bolso, 135 págs, R$ 15) será lançado neste sábado (16), às 16h, na Prego Espaço de Arte, em Vila Velha. R. Jerônimo Monteiro 840, Jaburuna (perto do Posto Castelinho). Informações: (27) 3349-9107. Entrada franca. Saiba mais! Confira o trabalho de Cristiano Onofre
Análise: Aqui é o Meu Lugar
O bom e velho rock n’ roll sempre esteve ligado ao mundo do entretenimento, usufruindo de entradas e saídas do cinema da mesma forma como o mundo espetacular dos shows. A cortina no entanto se abre e perpassa a tela, e muitas vezes são mostrados os bastidores (quem não gosta de uma fofoca?) com todas as histórias possíveis e imagináveis do submundo pop. Em Aqui é o Meu Lugar, temos um devaneio com a possibilidade de fazer parte da vida de um Astro do Rock, que apesar de não tocar nem compor há muito, ainda vive da imagem gerada em seu auge. Acreditamos pois que se trata de uma estrela (decadente é verdade) que vive uma vida normal – se assim podemos dizer. Cheyenne (Sean Penn) vive com a mulher e dedica seu tempo ao lar. Fora o protótipo de Robert Smith (The Cure), nada indica o passado glorioso. Com o falecimento de seu pai, tem a possibilidade de reatar uma relação congelada há 30 anos. Para isso começa a investigar a vida dele e descobre um passado torturado em Auschwitz. A partir daí o filme sofre uma reviravolta: se antes tínhamos um drama psicológico bem comedido na personagem exótica do músico, a partir do enterro do pai nos deparamos com duas encruzilhadas e o filme se transforma num road movie, com o inerte astro tentando locomover-se pelo país em busca do passado, e um outro filme já batido sobre o holocausto (Hollywood e sua indústria necessitam se reafirmar judeus sofredores constantemente). A trilha sonora depressiva é própria da máscara criada do protagonista, um indie chato minimalista (no pior estilo Radiohead ou Belle and Sebastian), que reflete bem a atuação de Penn, forçada numa articulação letárgica que impede qualquer resposta imediata. Da mesma forma que sua jornada de autoconhecimento (que nada mais é que a imposição de uma lógica baseada na vida do “pai”) é fadada ao fracasso, uma vez que sendo máscara, nunca se permite uma visualização do interior verdadeiro. Dessa forma o visual, que funciona em nossa época como a superficialidade de qualquer compreensão, é o elemento principal, o protagonista do filme que dirige não só a observação, mas a própria trama, uma vez que o protagonista necessita esquivar-se sempre dos fãs ou dos que reconhecem nele um ex-astro. O cinema assim se reflete numa imagem autômata que passeia como turista pelo país da superfície, num carro bem grande, onde ocupe o máximo de espaço, não deixando assim nenhuma fenda de profundidade. A fotografia soma-se à visualidade pura e se constrói na beleza de qualquer road movie, baseando-se pois na paisagem e em todas nuances do céu refletido no panorama diverso. O tempo de cada cena segue o padrão do protagonista que não consegue mover-se mais rápido numa época onde mensagens pululam a todo instante em computadores e celulares. É um anacrônico que já não suporta o peso do passado e deve liberar-se disso da mesma forma que sua máscara começa a rachar devido a tanta maquiagem. Serviço Aqui é o Meu Lugar (This Must Be The Place, EUA, 2011, 118 minutos, 12 anos) Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 1. 19h. Saiba mais! Análise: Bem Amadas – Vida amorosa de duas mulheres está fadada ao fracasso Análise: Intocáveis – Comédia aborda choque sociocultural entre minorias