A eleição deste domingo (7) tem um diferencial das últimas realizadas nesta década no Espírito Santo. Finalmente, o eleitor capixaba vai ter o direito de escolher seus prefeitos, o que em 2004 e 2008 não aconteceu em sua plenitude. Evidentemente que movimentações foram feitas por parte do Palácio Anchieta em favor de seus aliados, assim como o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) também mexeu seus pauzinhos em favor de um e outro aliado Estado afora. Essas movimentações são naturais, quando se trata das maiores lideranças do Estado e dos interesses políticos em jogo, mas não podem ser comparadas com a famigerada geopolítica que tomou conta do Espírito Santo nos dois mandatos de Hartung, que movimentava as peças de acordo com os interesses do governador. As articulações deste ano também deixaram vítimas, como o deputado estadual Hércules Silveira (PMDB), que certamente daria uma outra conotação à eleição em Vila Velha, mas foi retirado do pleito por um acordo às vésperas da homologação da candidatura. Nessa movimentação podemos encontrar o DNA de Hartung. Em Colatina, noroeste do Estado, o deputado federal Paulo Foletto (PSB) tinha a prefeitura na mão, mas os interesses da base de Casagrande forçaram o governador a tirar seu jogador de campo. É claro que o fato de não haver a geopolítica não significa que Hartung não esteja se movimentando fortemente para retomar o controle político. Para isso conta com alguns trunfos, como parte da imprensa, que faz as escolhas editoriais de acordo com os interesses do ex-governador, soltando pesquisas às vésperas da eleição e jogando com os números para forçar o voto útil. Ainda falta muito para que o eleitor capixaba possa escolher seus candidatos sem interferências externas. Uma reforma política, o fortalecimento dos partidos e a aceitação do contraditório, sem a necessidade da coalizão torta que existe no Estado, poderiam ser soluções para o futuro. Mas o fato de haver opções, já é um grande avanço.
O debate
Tempo de eleições é tempo de debates. Em menor escala no Brasil, em alto estilo nos states, onde decidem se querem um novo presidente ou fazem um replay. O debate dessa semana deu no que deu, ou melhor, no que não deu, pois não mudou a opinião de ninguém. Quem apoia Obama diz que ele se saiu muito melhor; quem apoia Romney diz que ele se saiu muito melhor. Resta ir atrás dos votos dos erroneamente chamados de indecisos. Englobam nessa categoria os que estão em cima do muro, e formam duas castas distintas – os que estão esperando os debates para se definirem, e os num-tô-nem-aí. Por enquanto, ambos os lados continuam indefinidos, e provavelmente continuarão assim até a febre eleitoral passar. O X maiúsculo na grande decisão desse ano é o sistema de saúde, que mesmo estando em seus últimos extertores, consegue ressuscitar a cada eleição. Às vezes até a define. Diante desse quadro indefinido, nada mais apropriado que ouvir a opinião das ruas. Ou da Internet, que sabe o quer. Pergunto a Sean Connery (não, o nome é igual, apenas) se o debate muda alguma coisa… “Um ou dois votos, não mais”. Se muda tão pouco, por que perder tempo e tanto dinheiro para armar esse circo na TV? “Ora, porque é uma tradição americana que o mundo todo copiou, não podemos mudar agora”. Faz sentido. Respondendo à pergunta se assistiu ao debate, Carlo Monterosa responde que sim, “Pra mim é igual corrida de Fórmula I, que todo mundo assiste esperando acontecer um desastre de grandes proporções. Quem sabe um dos candidatos, em desespero de causa, joga uma torta no outro? Ou pelo menos o copo dágua? Isso tornaria memorável esse tedioso evento”. Tudo bem, mas em qual candidato vai votar? “Ah, não voto, sou imigrante ilegal”. (Atenção , não esquecer de perguntar o status no país antes da entrevista). Pergunto a Mary Smith, nome que equivale a Maria Santos no Brasil, se pretende votar nessa eleição… “Claro, é meu dever cívico para com a nação”. Bonito isso, imagina se no Brasil a eleição não fosse obrigatória, alguém ia se dar ao trabalho? Só se distribuíssem vale refeição, uma ideia que ainda não lançaram aqui. Mary foi a única que admitiu ter mudado o voto por causa do debate, “Eu ia votar no Romney, mas aquela declaração de amor pra Michelle me conquistou!” A enfermeira Alina Porth diz não perder eleição por nada, pois vota pelo correio e não precisa selar o envelope. Essa é uma das poucas ideias americanas ainda não adotada no Brasil, não o porte grátis, mas o voto pelo correio. Pergunto em quem vai votar… “Na Bertha Vareza, que é minha vizinha e muito boa pessoa”. Desculpe, falei na eleição pra presidente… “Ah, esqueci que na eleição pra diretora da escolinha do meu filho puseram também a eleição pra presidente, só pra atrapalhar.” O pessoal da Internet é mais antenado. Um certo Eric Z, disse… “Eleição não é decidir entre Burguer King ou McDonald, Pepsi ou Coca Cola. Esses candidatos são tão diferentes como Plutão e Mercúrio; quem é indeciso numa eleição deve ser indeciso em tudo mais na sua vida”. Neil Bridge acha que, ao contrário, os indecisos é que salvam a nação. “Não gostei do debate e continuo indeciso. Não foi um debate para mostrar planos de governo, foi uma competição de narcisismo”. Jesus Morella foi simples e direto… “ Voto no Obama, embora ele tenha sido um desastre no debate. Foi tão humilhado! Horrível!” Horrível, meu amigo, é o mensalão que atrai mais atenção do que a eleição, e tanto um como a outra não vão mudar nada. Mas alguma coisa sempre se salva, e parece que está criando um novo herói da mídia. Sejamos otimistas, pois essa é a hora de mudar a história.
Juninho cresce e fortalece Luciano Rezende
A pesquisa Futura divulgada nessa sexta-feira (5) pela Rede Gazeta, e publicada neste sábado (6) no Jornal A Gazeta, aponta uma mudança no cenário eleitoral de Cariacica na véspera do pleito. Segundo o levantamento, o vice-prefeito Juninho (PPS) superou o deputado Marcelo Santos (PMDB) nas intenções de voto e iria como primeiro para uma disputa no segundo turno. Na verdade a disputa está completamente indefinida no município, com Juninho, Marcelo e Lúcia Dornellas (PT) com poucos pontos de diferença entre eles. A distância entre Juninho e Marcelo de três pontos está dentro da margem de erro, que é de 4%, portanto, os dois estariam empatados tecnicamente. O levantamento feito na quinta-feira (4) apontava Juninho (PPS) com 32,4% dos votos válidos, saindo na frente de Marcelo Santos (PMDB), que tem 29,1%. Lúcia Dornellas (PT) tem 26,9%. Para os meios políticos locais, a divulgação da pesquisa na véspera da eleição é prejudicial à campanha de Marcelo Santos, já que favorece um voto útil em Juninho. Também neste sábado, o jornal A Gazeta publicou a pesquisa Ibope para a prefeitura de Vitória, confirmando a queda na liderança de Luiz Paulo na disputa. O tucano aparece com 39% das intenções estimuladas de votos, quatro a menos do que em setembro, quando era apontado com 43%. Luciano Rezende tem 27% das intenções estimuladas, cinco a mais que os 22% da pesquisa passada. Iriny Lopes cresceu cinco pontos em relação a setembro, chegado agora aos 21% das intenções de votos. Os dados das duas pesquisas mostram que as duas petistas podem ficar fora do segundo turno. Mesmo comas as animosidades entre Juninho e o grupo do prefeito Helder Salomão – ele rachou politicamente com a administração –, o PT deve apoiar sua candidatura no segundo turno, para assegurar uma união de Iriny com Luciano em Vitória, evitando que Luiz Paulo vença. Caso se confirme a expectativa das ruas e Juninho e Marcelo disputem o segundo turno, as diferenças entre o vice-prefeito e o grupo de Lúcia Dornellas deve ser superadas em favor de uma movimentação que envolve o município vizinho, Vitória. Isso porque o projeto do PT é evitar que os tucanos vençam na Capital.
Para evoluir na questão ambiental, novo prefeito de Vitória terá que inovar
Para atender às demandas ambientais da cidade de Vitória, o próximo gestor terá que enxergar além das repetidas propostas apresentadas nas campanhas deste ano. Preocupados em convencer a população cansada do convívio persistente com o pó preto, os candidatos passaram ao largo de um debate aprofundado sobre o tema: não apresentaram dados e nem soluções reais para o problema. Tema anunciado como prioritário pelos três principais candidatos a prefeito na Capital, Iriny Lopes (PT), Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) e Luciano Rezende (PPS) prometeram fiscalização, identificação das fontes poluidoras, novos parâmetros para as emissões atmosféricas e mais rigor no monitoramento das emissões. Mas tanto a fiscalização quanto a identificação das fontes poluidoras, nos moldes já aplicados, não funcionaram, e apesar das promessas, nenhum mecanismo novo foi proposto. A resistência das grandes poluidoras em adotar medidas que minimizem a poluição, como é o caso da ArcelorMittal, que apesar de cobrada, se recusa adotar novas tecnologias em sua planta industrial, também não foi citada durante o processo eleitoral, frustrando ambientalistas que aguardavam um discurso mais arrojado dos candidatos após o corte do financiamento de campanhas pelas grandes poluidoras. Em contrapartida, a proposta feita pela candidata Iriny Lopes, que propõe a reestruturação do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Condema), agradou os ambientalistas esperançosos por um conselho imparcial em suas decisões sobre multas e licenciamentos na cidade. Já a abordagem sobre a gestão de resíduos sólidos, segundo tema mais citado entre os candidatos, também não foi longe. Sem um plano municipal, os candidatos apresentaram para Vitória apenas uma releitura do que já é previsto na Política Nacional de Gestão de Resíduos Sólidos. Os candidatos deixaram de lado temas importantes como a degradação dos mangues, ameaçados por retroáreas, poluição e invasão imobiliária, assim como o problema da escassez dos estoques de caranguejo-uça, que já não são mais encontrados com o tamanho adequado para a cata, impactando o ecossistema e a economia local. Também não foram levantados pelos candidatos os problemas sobre a balneabilidade das praias (quatro impróprias para banho e seis pontos interditados atualmente), assim como a polêmica areia preta que vem tomando a Praia de Camburi, que segundo ambientalistas, serão demandas frequentes para o novo gestor. Resumidamente, dizem os ambientalistas, faltou aos candidatos o reconhecimento da importância dos temas ambientais da cidade, assim como o diálogo com especialistas para identificar como o meio ambiente vem sendo tratado pela gestão pública. Para os ambientalistas, o novo gestor terá pela frente a prática constante da cidadania e do respeito aos direitos ambientais, mas sobretudo, a oportunidade de inovar na política ambiental do município. Caso contrário, dizem eles, Vitória continuará submetendo o meio ambiente aos impactos gerados por um crescimento desordenado da cidade e em desacordo com os anseios da população.
Pendências judiciais deixam eleitores inseguros em alguns municípios
Segundo a Agência Brasil, os eleitores brasileiros vão às urnas neste domingo sem saber se 2.830 candidatos a prefeito e vereador poderão assumir os cargos, se eleitos, devido às pendências Judiciais. No Espírito Santo, a situação de muitos candidatos é parecida. Muita gente pode ganhar, mas não levar. Em Guarapari, o prefeito Edson Magalhaes (PPS) está impugnado, mas se mantém na disputa, esperando uma reversão da situação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Já em Presidente Kennedy, o prefeito Reginaldo Quinta (PTB) conseguiu a liberação pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), mas já no fim do prazo, substituiu a candidatura pela da sobrinha Amanda Quinta Rangel (PDT). Já o prefeito de Conceição da Barra, Jorge Donati (PSDB), foi barrado pelo TRE, mas se mantém no pleito graças a uma liminar do TSE. Esses candidatos são favoritos na eleição e se tiverem maioria dos votos (50% + 1) neste domingo (7) e sofrerem derrotas na Justiça, seus município devem passar por novas eleições. A Agência Brasil explica que número de candidaturas sub judice refere-se à quantidade de recursos recebidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que ainda não têm decisão definitiva, todos envolvendo pedidos de impugnação de candidatura baseados na Lei da Ficha Limpa. Ao todo, foram recebidos pela Corte 2.985 recursos referentes a registros de candidatura para as eleições deste ano. Desse total, 678 foram julgados pelos ministros do TSE, mas ainda cabe recurso por parte dos réus, enquanto 155 já têm decisão definitiva. O TSE não tem condições de julgar todos os processos antes da eleição, devido ao grande volume de ações recebidos em um período próximo às eleições. Além das decisões sobre as candidaturas, o TSE ainda analisa os pedidos de envio de tropas federais a municípios para garantir a segurança nas eleições. Os candidatos cujas candidaturas não tiveram deliberação da Justiça Eleitoral concorrerão no próximo domingo e os votos serão computados normalmente. Se o candidato tiver posteriormente o registro impugnado pelo TSE, os votos serão considerados nulos. O procedimento nas situações em que o vencedor tenha seu registro cassado será analisado caso a caso pelo tribunal. Entre as hipóteses, estão a diplomação do segundo mais votado ou até mesmo a realização de uma nova disputa, no caso de eleição majoritária. No caso dos vereadores, serão empossados os candidatos que tiverem o maior número de votos. Aprovada em 2010, a Lei Complementar 135, conhecida como Lei da Ficha Limpa, está valendo pela primeira vez ns eleições municipais deste ano.
Candidatos têm propostas superficiais para a juventude
A corrida eleitoral chega ao fim neste domingo (7) em grande parte do Estado e os candidatos a prefeito já apresentaram as propostas para as diversas áreas que abrangem a administração municipal. As políticas para a juventude, no entanto, foram discutidas superficialmente e com propostas que reproduzem aquelas que caem no senso comum. Nos debates ocorridos na Grande Vitória, em temas que incluíam as políticas públicas para a juventude não de discutiu inserção dos jovens para a construção dessas políticas. O que se viu foram propostas que contemplam o combate às drogas e as ofertas de cursos técnicos, como se fosse essa toda a demanda da juventude. Em Vitória, que tem o candidato a prefeito mais jovem dentre as capitais do País, Gustavo De Biase (Psol) a pauta se repetiu. O candidato propôs a inclusão da juventude na construção de políticas públicas de promoção da dignidade e, por vezes, foi considerado ingênuo ou “muito jovem” pelos outros candidatos no pleito. A construção de políticas públicas para a juventude vai além do combate às drogas e da oferta de cursos técnicos para a inclusão desta parcela da população no mercado de trabalho. Ela passa também pelo fortalecimento da atenção primária à saúde e da educação de base, ambas de responsabilidade das prefeituras. A criação de espaços de convivência e lazer é outra forma de incluir e valorizar a juventude. Consta do Pacto Contra o Extermínio da Juventude, assinado pela maioria dos candidatos da Grande Vitória ainda no início da campanha eleitoral, a criação ou fortalecimento do órgão municipal de articulação e execução de políticas públicas de juventude, com destinação de orçamento próprio e estrutura administrativa compatível com os desafios apresentados; criação ou fortalecimento do Conselho Municipal de Juventude; Plano Municipal de Políticas Públicas de Juventude, e instituição de uma Política de Enfrentamento à Letalidade Infanto-juvenil, de modo a articular as diversas áreas e instituições com intuito de reduzir os números de homicídios que recaem sobre o segmento.
Fim da geopolítica favoreceu cenário indefinido na GV
A disputa acirrada na Grande Vitória, com expectativa de segundo turno em três dos quatro maiores colégios eleitorais do Estado, consolidou o novo momento político que vive o Estado, após o fim do governo Paulo Hartung (PMDB). Sem conseguir fechar os acordos de gabinete para limpar o campo em favor de seus aliados, houve a divisão de votos entre as lideranças que colocaram seus nomes na disputa. No período que antecedeu a homologação das candidaturas, algumas costuras eliminaram nomes dos pleitos, mas a ingerência pesada que tirava os adversários do Palácio Anchieta do campo não se confirmou. O exemplo mais evidente dessa movimentação está em Vitória, onde o próprio Hartung tentou emplacar uma candidatura de consenso em torno de seu nome. Para isso se utilizou de movimentos do seu aliado no PT, o prefeito João Coser, visando a retirar no partido a candidatura da deputada federal Iriny Lopes. Não conseguiu, já que no lado da oposição, o ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) e o deputado estadual Luciano Rezende (PPS) não desistiram da eleição. Em Cariacica, o ex-governador ensaiou alguns movimentos para prejudicar na disputa o seu companheiro de partido, o deputado estadual Marcelo Santos (PMDB). Articulou apoio ao palanque do vice-prefeito Juninho e da candidata do PT, Lúcia Dornellas. Marcelo se manteve à frente do pleito durante todo o processo eleitoral, mas na reta final a disputa embolou e o segundo turno é um campo de terreno arenoso. No município de Vila Velha, o acordo de gabinete conseguiu derrubar da disputa o deputado estadual Hércules Silveira (PMDB). Isso não garantiu, porém, uma eleição tranquila para o aliado de Hartung, Rodney Miranda (DEM), que ainda briga para garantir a passagem para o segundo turno. A incerteza no pleito fez com que Hartung se reaproximasse do antigo adversário, o ex-prefeito Max Filho (PSDB) para, em um cenário em que ele passe para o segundo turno, tenha uma alternativa para a disputa contra o prefeito Neucimar Fraga (PR). Sem a caneta na mão, Hartung teve que buscar no campo político o melhor posicionamento para evitar que o processo eleitoral deste ano favoreça o crescimento político do governador Renato Casagrande, a quem ele terá que enfrentar em 2014, se quiser voltar ao governo.
Voto distrital nas próximas eleições para vereadores
A eleição deste domingo (7) para o cargo de vereador pode ser a última pelo modelo de voto proporcional nos municípios com mais de 200 mil habitantes. Tramita na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, uma proposta que muda o atual sistema de escolha dos representantes nas câmaras municipais pelo voto majoritário distrital. De acordo com o Projeto de Lei 145/11, de autoria do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), seriam criados “tantos distritos quantas vagas existam na câmara municipal”. Além disso, a proposta determina que cada partido poderá lançar apenas um candidato por distrito. Pela proposta, os distritos seriam constituídos sob os princípios da contiguidade e igualdade do voto, observados os termos de regulamento a ser expedido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O texto propõe ainda limitar em 10% a diferença numérica de eleitores entre um e outro distrito. A medida serviria como um teste para implantação do voto distrital em futuras disputas para cargos de deputado estadual, distrital e federal. Para viabilizar esse sistema, o projeto altera o Código Eleitoral (Lei 9504/97). No Espírito Santo, a novidade mudaria a votação apenas em quatro municípios da Grande Vitória – Vila Velha, Serra, Vitória e Cariacica. De acordo com informações da Agência Senado, o autor do projeto explica que diferentemente dos demais cargos legislativos, o sistema eleitoral adotado para o cargo de vereador não está inscrito na Constituição Federal, o que permite que seja alterado mediante lei ordinária. O projeto recebeu o parecer pela aprovação do relator na CCJ, senador Pedro Taques (PDT-MT), que incluiu uma emenda que encarrega os tribunais regionais eleitorais da definição dos respectivos distritos. Desde abril do ano passado, o caso está parado na CCJ, aguardando o recebimento das emendas dos senadores.
Um olho no peixe…
Na Serra, onde a disputa é muito dura entre o prefeito Sérgio Vidigal (PDT) e o deputado federal Audifax Barcelos (PSB), a prática de boca de urna pode ser um fator de desequilíbrio neste domingo (7). Embora caracterize crime, a previsão é que os boqueiros compareçam em peso às seções eleitorais, na tentativa de aliciar os eleitores. Como a maioria dos vereadores tem seus boqueiros, a situação pode favorecer o prefeito pedetista. Segundo as previsões, Vidigal aparece em desvantagem em relação a Audifax nas intenções de votos. Essa liderança do socialista, porém, não garante passar ileso a influências no momento da votação. É que o cenário, apesar de desenhado em favor de Audifax, é apertado. Se a boca de urna funcionar ao gosto do freguês e longe dos olhos da fiscalização, pode ter peso decisivo. Todo cuidado será pouco. Segue… A atuação dos boqueiros, é bom registrar, não será exclusividade da Serra. Em muitos municípios com eleição indefinida, que não são poucos, prevalecerá a mesma estratégia. Candidatos com poder financeiro levam a melhor. Fez história Se existe um assunto que o candidato a prefeito em Vila Velha Rodney Miranda (DEM) não pode cantar de galo, é a segurança pública. Uma ousadia e tanto ele criticar o prefeito Neucimar Fraga (PR) por ações na área que arruinou quando estava à frente da pasta estadual. Período de recorde de homicídios e lideranças em rankings nacionais. Essa conta você não divide com ninguém, Rodney! Irreconhecíveis Interessante nos debates é a indumentária orientada pelos assessores e marqueteiros que, na maioria das vezes, descaracteriza o perfil dos candidatos. Na rua são vistos e conhecidos por um jeito, mas na TV de forma totalmente oposta. É possível aparecer bem sem destoar tanto, não? Cautela Por falar nisso, se o último debate entre os candidatos de Vitória, nessa quinta-feira (4), na TV Gazeta, era para definir o pleito de domingo (7), não cumpriu seu objetivo. Ninguém quis se comprometer e partir para o confronto real. Nova disputa A propósito, contrariando a vontade do ninho tucano, 61% (860 votos) dos eleitores de Século Diário acreditam que haverá segundo turno em Vitória. Enquete sobre o assunto revela ainda que outros 37% (534 votos) confiam que Luiz Paulo vá liquidar a fatura de primeira, e 2% (23 votos) ainda não sabem. Participaram 1.417 pessoas. Mártir A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que liberou a candidatura à reeleição do prefeito Jorge Donati (PSDB) em Conceição da Barra, é um prato cheio para o tucano se fortalecer na disputa, posando de vítima e perseguido político. Donati, que já liderava, deve ganhar de lavada de seus adversários neste domingo. Mártir II O prefeito passou a adotar esse discurso com mais ênfase este ano, desde que foi acusado de ser o mandante do crime que vitimou o sindicalista Edson Barcellos, motivo pelo qual esteve preso por duas ocasiões. No retorno ao município, com pinta de pobre coitado, foi ovacionado e recebido com festa. Muita festa. Negócio de família Em Presidente Kennedy, o prefeito atolado até o pescoço com a Justiça, Reginaldo Quinta (PTB), resolveu proteger o novo mandato que está prestes a conquistar, emplacando a sobrinha Amanda Quinta Rangel (PDT) no seu lugar na chapa da disputa à prefeitura. Apesar de liberado para a eleição, Quinta evita assim que corra riscos depois, já que os processos ainda vão rolar. Amanda assume, mas quem governa é o petebista. Lembrete Foi a própria Amanda que registrou a candidatura do tio quando ele estava preso no Quartel da Polícia Militar, por acusações de fraudes. De posse de uma procuração, Amanda garantiu o nome de Quinta no páreo. O prefeito, aliás, sempre reservou bastante espaço para as sobrinhas em sua administração. Que diga Geovana Quinta Costalonga… 140 toques “Vamos reproduzir a crise da USP (Universidade Federal de São Paulo) na Ufes (Universidade Federal do Estado)? Século Diário: Polícia Militar prende três estudantes dentro da Ufes. (Ex-secretário de Educação de Vila Velha – Roberto Belling – no Twitter). PENSAMENTO: “Neutro é quem já se decidiu pelo mais forte”. Max Weber
O bicho pegou
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pediu envio de forças federais para reforçar o policiamento em algumas cidades do Brasil. O Espírito Santo não entrou na lista, mas do jeito que a coisa anda, seria bom o Tribunal Regional pensar em algo parecido para a disputa. Mortes, prisões e armações políticas movimentam a reta final das eleições no interior do Estado. De distribuição de cerveja em comício que terminou com agressão à polícia, a assassinato de candidato a vereador, a situação no interior capixaba está ficando tensa. Em Pinheiros, a Justiça teve que intervir no processo e, assim, como em outros municípios, foram proibidas aglomerações com mais de 20 pessoas, carreatas e comícios. Em Barra de São Francisco, uma guerra de família tem influído na eleição, e em Água Doce do Norte, um candidato a vereador foi assassinado. Se externamente, a situação é complicada, internamente é ainda mais. Renúncias em cima da hora, panfletagem apócrifa, inseminação de urnas eletrônicas e uma enormidade de manobras para mexer com o pleito eleitoral. Em alguns casos, mudanças que devem gerar pleitos extemporâneos. Essas coisas já aconteceram antes, e pelo jeito, devem se repetir ainda em outras disputas no futuro. Enquanto a confusão toma conta do cenário político e eleitoral, ninguém discute propostas paras as cidades, e quem perde com isso é o eleitor. Fragmentos: 1 – Terminada a fase de debates, todo mundo se autointitula o grande vencedor da peleja. Mas será que o eleitor concorda com a visão dos candidatos? 2 – Algumas surpresas estão reservadas para as disputas municipais do interior do Estado, sobretudo naquelas cidades em que a eleição tem apenas dois candidatos. No caso do Espírito Santo, a maioria das prefeituras. 3 – Mas as surpresas não param na disputa majoritária. Alguns nomes que se consideram eleitos devem ficar fora das casas legislativas. Culpa da complicada matemática que envolve a eleição proporcional e das escolhas equivocadas dos presidentes de partidos, que foram para coligações pesadíssimas.