O governador Renato Casagrande reafirmou, após votar neste domingo (7), a parceria com os 78 municípios capixabas. “Não importam os resultados das urnas, os gestores que possuírem bons projetos e queiram fazer um governo com seriedade, em favor da população, terão toda a nossa atenção”, afirmou O socialista ressaltou ainda que mesmo em um ano de incertezas, como será 2013, com redução de receitas dos municípios em função de mudanças nas regras do ICMS, do debate dos royalties e da crise econômica, as parcerias serão mantidas, por conta de recursos reservados. Casagrande também destacou que é necessário que os novos prefeitos tenham cada vez mais sintonia e diálogo com a população e que, cada vez mais, será exigido de todos responsabilidade e qualidade de gastos públicos, em virtude da instabilidade econômica internacional. Ele afirmou ter trabalhado indiretamente durante o período eleitoral para garantir uma eleição justa e protagonizada pelo eleitor. “Com responsabilidade, me mantive afastado do processo, mas orientando, buscando manter uma relação séria de governo com todos os candidatos, porque, passada a eleição, precisamos que continue existindo diálogo com todos, para que se mantenha a estabilidade política no Espírito Santo, para que possamos avançar mais em qualidade de vida para todos os capixabas”. Casagrande chegou ao Colégio Darwin, em Jardim da Penha, Vitória, por volta das 10h25, acompanhado da filha e da primeira dama Virgínia Casagrande, que votou mais cedo na Fafi, Centro de Vitória. O governador cumprimentou eleitores, conversou com amigos que o acompanharam e votou na seção 0147.
Favoritos já pensam no segundo turno em Vitória
Os três principais candidatos à prefeitura de Vitória votaram nas primeiras horas da manhã deste domingo (7). Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), Luciano Rezende (PPS) e Iriny Lopes (PT) demonstraram confiança em relação ao segundo turno do pleito. Eles evitaram antecipar os possíveis adversários, mas garantem que vão começar a trabalhar logo após a divulgação do resultado das urnas. O deputado estadual Luciano Rezende chegou à sessão eleitoral na Escola São Domingos, em Bento Ferreira, por volta das 9 horas. Repetindo o gesto de campanha, demorou pouco menos de um minuto na cabine de votação. Logo após o voto, Rezende declarou à imprensa que estava muito otimista em relação à participação no segundo turno e agradeceu a população pelo apoio. “Nos últimos momentos da campanha já tinha alertado a população [sobre a presença no segundo turno], o que foi confirmado pelas últimas pesquisas. Agora é aguardar o resultado e já na próxima segunda-feira (8) a campanha estará na rua”, afirmou Rezende que votou acompanhado dos filhos Davi, 5 anos, e Artur, 3. Apontado nas últimas pesquisas como o único candidato garantido no segundo turno, o ex-prefeito da Capital, Luiz Paulo Vellozo Lucas, votou na sessão eleitoral localizado na Faculdade de Direito de Vitória (FDV), no bairro de Santa Lúcia. Com meia hora de atraso, o tucano chegou às 9h26, acompanhado pelo vice-prefeito Haroldo Corrêa (PMDB). No local, ele cumprimentou eleitores e não encontrou dificuldades para votar. Mesmo com a possibilidade remota de vitória no primeiro turno, Luiz Paulo admitiu que as eleições na Capital serão decidas mesmo em dois turnos. “Uma eleição com seis candidatos ao todo, e três candidatos fortes, apontam essa direção”, explicou. O tucano disse que vai aguardar a “mensagem do eleitor” nas urnas e preferiu não antecipar o adversário. “Se eu pudesse prever o futuro, tinha apostado na bolsa”, brincou. Ele afirmou que, independente do adversário, vai manter uma campanha sem ataques e espera que o trabalho de sua gestão [entre os anos de 1997 a 2004] influencie no voto popular. Acompanhada pela militância e lideranças petistas, a deputada federal e ex-ministra Iriny Lopes votou por volta das 11 horas, no Colégio Agostiniano, no centro de Vitória. Ela chegou ao local com o vice na chapa, o vereador Juarez Vieira (PSB), e foi recebida pelo prefeito da Capital, João Coser, a senadora Ana Rita Esgário e o deputado estadual Cláudio Vereza. Iriny aguardou sua vez na fila e votou acompanhada pelo neto, Ares, de 2 anos. Ao final da votação, a candidata petista repetiu o discurso de confiança pela presença do segundo turno. Iriny lamentou a demora na entrada do eleitor na campanha: “O eleitor começou a entrar no debate apenas nessas últimas semanas. O povo é o grande protagonista dessa eleição. É ele quem decide”. Sem fazer alusão aos concorrentes, Iriny voltou a pregar o discurso de legitimidade da candidatura. “Não entrei na disputa para marcar posição, mas para disputar e ganhar”, disparou.
Polícias Civil e Militar reforçam policiamento neste domingo
Ao todo, 8.600 policiais civis e militares estão distribuídos nas ruas e nas delegacias em todo o Estado neste domingo (7). O policiamento ostensivo ocorre em todos os locais de votação e apuração dos votos, com 7.200 militares. Qualquer ocorrência de crime ou fato envolvendo as eleições serão encaminhados à delegacia local. A boca de urna é um exemplo de crime eleitoral, sendo punível com detenção e multa. Cerca de 10 mil cartilhas, confeccionadas em parceria como Tribunal Regional Eleitoral (TRE), com orientações dos procedimentos que deverão ser adotados pela Polícia Militar no dia do pleito já foram distribuídas às unidades operacionais do Estado. Para este ano, o TRE-ES planejou o funcionamento de 1.690 locais de votação e um total de 7.703 seções eleitorais. A Polícia Civil reforçar suas atividades com 1.400 policiais civis. Na Região Metropolitana, os plantões dos Departamentos de Polícia Judiciária (DPJs) funcionarão normalmente. Em Vitória, a sede do Núcleo de Gerenciamento de Operações Táticas e Instrução (Nugoti) funcionará com três delegados para receber ocorrências referentes às eleições. Na Serra, a Delegacia de Polícia (DP) de Jacaraípe também funcionará em regime de plantão no dia da eleição e estará disponível caso haja necessidade de condução de presos. Já em Vila Velha, quem for detido praticando crime eleitoral será conduzido ao 4º Batalhão da Polícia Militar. No interior, todas as delegacias estarão abertas para receber ocorrências referentes aos crimes eleitorais. A pedido do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) alguns municípios como Pinheiros, Colatina, Presidente Kennedy, São Domingos do Norte, Anchieta, Iconha, Serra e Vila Velha recebem atenção especial com relação à distribuição do efetivo, para garantir o bom andamento das eleições. Um delegado de classe especial está escalado para acompanhar as atividades durante o dia na sede do TRE.
Eleições começam com chuva e alguns problemas operacionais
A manhã de votação foi tranquila no Estado, mas alguns problemas foram registrados, o que não chegou a atrapalhar a movimentação dos eleitores de uma forma geral. A chuva espantou os eleitores que gostam de votar nos primeiros horários. As seções eleitorais estavam vazias. Ao todo 39 urnas urnas apresentaram problemas e tiveram que ser substituídas. Para suprir as necessidades o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) tem 1.200 urnas reservas para cobrir os problemas que venham a acontecer ao longo do dia. As urnas eletrônicas têm vida útil de quatro anos e os problemas tendem a acontecer nos equipamentos mais antigos. Este ano foram feitas mudanças nas urnas, com o objetivo de aumentar a confiabilidade do sistema. Outro problema registrado foi a dificuldade de acesso ao site do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). O mesmo acontece com o site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A dificuldade foi explicada pela assessoria do tribunal à Rádio CBN Vitória, na manhã deste domingo. Como o dia da eleição favorece a ação de criminosos, os sites disponibilizam apenas alguns serviços para diminuir a exposição e a vulnerabilidade do site. Os demais serviços voltam a ser disponibilizados nesta segunda feira (8). Em Vitória, alguns eleitores ficaram confusos com a mudança do local de votação de alguns seções eleitorais. Quem votava na Escola Brasileira, na Mata da Praia, como o ex-governador Paulo Hartung (PMDB), passou a votar na escola Marlene Orlandia. Quem votava na Escola Alvaro de Castro Matos, em Bairro República, passou a votar na Escola Brasileira. Em Cariacica, o candidato a prefeito Marcelo Santos (PMDB), assim como outros eleitores que votam na escola Talma Sarmento, que fica na rua da feira, em São Geraldo, foi encaminhado para a Igreja Adventista, que fica na rua de trás da escola. Prisões Durante todo o dia, a polícia e a Justiça Eleitoral tiveram muito trabalho. Ao todo 74 pessoas foram presas no Estado, dessas sete são candiatos a prefeito e vereador em várias localidades do Estado. Foram registradas detenções por crime eleitoral na Grande Vitória e no interior. Em Cariacica, duas pessoas foram presas por fazer boca de urna no bairro Tabajara. Na Serra, três pessoas, sendo dois adultos e um adolescente de 16 anos foram detidas por fazer boca de urna em frente à Escola Aristóbulo Barbosa Leão, em Laranjeiras. As ocorrências não aconteceram só na Grande Vitória. Em Linhares, o secretário de Esportes do município, Jair Reali, também teve que assinar um termo circunstanciado, já que a juíza do município Cristina Eller encontrou na casa dele uma caixa com material de campanha. Em frente à casa do secretário, dois homens foram detidos e depois liberados. Com eles foram encontrados R$ 2 mil em notas de R$ 20,00. Como não foi comprovado que o dinheiro seria usado para compra de votos, os acusados foram liberados. No município de Muqui, o candidato a vice-prefeito Carlos Renato Pruculi (PSDB) foi detido por fazer boca de urna. Em Rio Bananal também houve ação da política para apreender material de campanha.
Chuva agrava sujeira em ruas próximas às seções eleitorais
A situação do lixo eleitoral piorou com as chuvas registradas na Grande Vitória neste domingo (7). Em Vila Velha e na Serra o volume de santinhos que se acumula nas ruas é grande. Bueiros, ruas e calçadas próximas às seções eleitorais são as mais atingidas. Com pouca fiscalização de boca de urna, placas de candidatos estão sendo colocadas há menos de dez metros das seções e pessoas foram flagradas jogando santinhos nas ruas. Já em Vitória e Cariacica a situação é mais controlada. Apesar da chuva, o volume de lixo eleitoral ainda é pequeno. TSE O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) elaborou estudo para calcular o impacto das propagandas políticas no meio ambiente, com o objetivo de servir de base para a elaboração de futuras regras. Segundo pesquisa parcial do tribunal, R$ 1 bilhão já foi gasto com papel, publicidades em jornal ou revistas, combustível, carros de som, placas e faixas – o que equivaleria a mais de 10 milhões de folhas de papel, com as quais poderiam ser feitos cerca de 20 milhões de livros escolares.A expectativa é que esse valor dobre até o final do pleito.
Em clima de tranquilidade, Glauber e Casteglione votam em Cachoeiro
Os dois principais candidatos a prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Estado, votaram quase à mesma hora na manhã deste domingo (7). Glauber Coelho (PR) registrou o seu voto às 9h30, no colégio Oswaldo Machado, no bairro Baiminas. O candidato foi acompanhado da esposa e da filha e, sem tumulto, recebeu o apoio de eleitores. Segundo a sua assessoria, Glauber está tranquilo e confiante em sua vitória no pleito. Já Casteglione (PT) votou às 9 horas, na escola Liceu Muniz Freire, acompanhado do seu candidato a vice-prefeito, Doutor Abel, do secretário estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Rodrigo Coelho, e do deputado federal Camilo Cola (PMDB). Sua assessoria informou que o sentimento é de muita confiança na vitória, acompanhando o recente crescimento do candidato na reta final. O pleito na cidade chega ao seu derradeiro dia completamente indefinido, já que o candidato petista cresceu nas últimas pesquisas e desbancou o favoritismo do deputado estadual Glauber Coelho, embolando a disputa.
Sem miséria
Já há quem diga que a campanha do candidato a prefeito pelo DEM, deputado estadual Rodney Miranda, é a mais cara de Vila Velha. O investimento pesado chama atenção. O município está tomado por materiais de campanha do demista, ocupando espaços em proporção maior do que os delimitados pelo próprio prefeito candidato à reeleição, Neucimar Fraga (PR). Em uma eleição caracterizada por falta de recursos, a dúvida é sobre quem banca tudo isso. Os meios políticos já atribuem a origem dos investimentos a um flanco muito forte da Maçonaria. O volume calculado é de causar inveja a qualquer mortal. Um detalhe que faz a diferença para um desconhecido, que já entrou na disputa com poder, disseminando a imagem de combatente e superdelegado que gosta de pregar. Intenção de Rodney de se meter em briga de cachorro grande não é fechar a raia, nem sair como dono de uma campanha apagadinha. O negócio é chegar junto. Inconveniências Um número de celular com DDD 21 envia torpedos para moradores de Vitória, desde essa sexta-feira (5), pedindo votos para o candidato do PPS em Vitória, Luciano Rezende. Ninguém merece. Na rede Por falar em Luciano, um evento no Facebook convida para o “Dia Mundial sem Luciano e Magno Malta (PR)”, neste domingo (7). Vem de apoiadores da petista Iriny Lopes (PT), que briga com o deputado estadual pela segunda vaga na disputa. Magno, como se sabe, apoia Luciano, mas embora não tenha sido solicitado na campanha, entrou no bolo do protesto. Logo atrás Em Cachoeiro de Itapemirim, o prefeito petista Carlos Casteglione registra crescimento, o que coloca em área de risco o líder Glauber Coelho (PR). O republicano tem que se cuidar para segurar o adversário nestas horas que antecedem o encontro dos eleitores com as urnas e se manter na liderança. Não convence O jornal A Gazeta publica matéria neste sábado (6), tentando justificar a série de decisões judiciais desfavoráveis ao Instituto Futura. Mas é bom que se registre: o histórico de manipulação é coisa antiga e não é exclusivo do pleito deste ano. A diferença é uma só: começou a reação. Segue… Para o mercado político, já está claro que a intenção do Futura é alterar os cenários nesta reta final, influenciando o voto útil e a linha de chegada. O pior é que tem efeito. Desvantagem A não ser em Cariacica, os outros principais municípios da Grande Vitória – Vitória, Vila Velha e Serra – não devem ter mais de um terço de renovação nas Câmaras de Vereadores. O que demonstra o perfil conservador do eleitorado e a dificuldade dos candidatos novos em captar recursos para campanha. Exceção, é claro, dos apadrinhados. Dinheiro em eleição é ouro. Mesmice Já os vereadores que buscam a reeleição, além de disporem da visibilidade do mandato, conseguem apoios com mais facilidade. A tônica da disputa deste ano, cravada na mudança, vai ficar mesmo só no discurso. Exceção O caso de Cariacica, onde estão previstas mudanças em 50% das cadeiras do Legislativo municipal, é um indicativo de que por lá as campanhas foram mais equilibradas. Não deu em nada Balanço da sabatina realizada pela Associação Amigos da Praia de Camburi, sobre meio ambiente, saúde e qualidade de vida: Luiz Paulo Vellozo Lucas alegou problema de agenda, Iriny Lopes (PT) nem respondeu, e Luciano Rezende (PPS) esteve lá, mas não assinou o termo de compromisso com a entidade. 140 toques “A campanha no ES termina com muitas dúvidas: quem vai para o segundo turno em VV, Vix e Cariacica? Quem ganha em Cachoeiro e Serra?”. “Ex-secretário de Desenvolvimento de Vila Velha – Octaciano Neto – no Twitter). PENSAMENTO: “Um político divide os seres humanos em duas classes: instrumentos e inimigos”. Friedrich Nietzsche
Afinal, o que será o amanhã?
As eleições municipais chegam com o processo muito mais animado no interior do que na Região Metropolitana. Talvez porque no interior as pessoas se conheçam melhor e criem vínculos pessoais e políticos ao longo de toda sua caminhada de vida. Como de perto ninguém é normal, isso cria algumas anomalias próprias de uma sociedade heterogênea. Além de criar condições de logística e dinâmica econômica ao modelo de nossa época, as grandes cidades têm também esse papel: o de transformar indivíduos em massa. Tanto é que, nos grandes centros, o meio de os candidatos chegarem aos eleitores é a comunicação de massa. E chegam com um perfil que, quase sempre, não corresponde à realidade. As primeiras cidades gregas tinham uma lógica: deixavam de crescer quando chegavam ao limite de todos os seus cidadãos se conhecerem. A partir daí, criava-se uma outra cidade. As grandes cidades modernas, pelo contrário, fundem-se em metrópolis e megalópolis. Quem, cidadão comum, consegue definir os limites dos municípios que compõem a Grande São Paulo, por exemplo? Nas cidades do interior, o eleitor quer ver o candidato, tocá-lo. Existem apostas de que este ou aquele não vai neste ou naquele bairro. E a presença física do candidato, muitas vezes, é determinante para definir o voto do eleitor, mais do que, mesmo, as propostas de governo e de atuação política. E a paixão se manifesta. Particularmente, acompanhei mais de perto a movimentação política em municípios ao Norte da Região Metropolitana da Grande Vitória. E posso contrastar duas cidades onde a paixão é latente: Ibiraçu e Barra de São Francisco. Ibiraçu é quase uma “cidade grega”, assim como outras cidades pequenas, como Águia Branca. Quase todo mundo se conhece, até porque, quem não é parente, passa perto. Isso leva também à situação de, muitas vezes, se oporem, politicamente, pessoas muito próximas no sangue. Em Ibiraçu, há dois grupos políticos e uma clara divisão das pessoas entre um e outro. Comício, só um ou dois. O resto é visita casa a casa mesmo, é toque, sinestesia, contato pessoa, carinho, afeto. Em Barra de São Francisco, talvez até pela tradição histórica da colonização da região e da disputa de divisas com Minas Gerais, no antigo Contestado, o sangue ferve nas veias. A cidade já é média, no contexto do Espírito Santo. Mas lá também a política está polarizada, o que alimenta as paixões. Meios de comunicação são utilizados para comunicar com o povo, as mídias eletrônicas, como sites ligados a um e outro candidato, alimentam as rivalidades e há uma impressionante importância das redes sociais na troca de informações e, claro, de provocações. Mas o contato pessoal com o eleitor ainda funciona muito, o que obriga os candidatos a se desdobrarem, pois não é fácil percorrer todos os cantos da cidade e do município, que é, territorialmente, bem amplo. Estes são alguns exemplos de como a democracia é importante e jamais pode ser desprezada. Jovens de hoje em dia não têm, em sua maioria, noção do preço que isso custou a muitos brasileiros dignos, que enfrentaram regimes de arbítrio. Fatos como esses trazidos à tona no julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) somente servem para reforçar o conceito de que a democracia é o melhor caminho para que a humanidade viva politicamente. Se vivêssemos regime de excessão, essa exposição pública dos desvios de condutas de cidadãos públicos jamais seria possível e não aperfeiçoaríamos o exercício do voto. O que será o amanhã? As urnas dirão neste domingo. Seja o que for, foi o povo que decidiu, ainda que, em alguns casos, a eleição vá ser decidida em turno extra, pela Justiça, também o que é muito saudável para a democracia. O que é necessário fazer é aperfeiçoar o ordenamento jurídico para que esses males sejam cortados pela raiz. José Caldas da Costa é jornalista, escritor, licenciado em Geografia. Contatos: caldasjornalista@gmail.com
Dezessete metros
Na edição deste ano da mostra de fotografia “Paraty em foco”, o curador Claudir Correras parece ter adotado inteligentemente a imagem em movimento como elemento unificador das obras dos vários coletivos que ali expostos. A análise desses trabalhos evidencia a recorrente busca dos fotógrafos pelo movimento. Numa análise apressada, poderíamos nos deixar levar pela fácil conclusão de que a busca pelo movimento foi iniciada pelo trabalho “O cavalo em movimento”, de Eadweard Muybridge que, em 1878, utilizou 12 câmeras para regitrar o movimento das pernas de um cavalo galopando. Estudo esse que consumiu anos de sua carreira. Muybridge foi seguido por vários outros fotógrafos, como Thomas Eakins, que em seu trabalho, “A história do Salto” (History of Jump), influenciou diretamente o movimento cubista. E também Etienne Jules Marney, com “A Queda do Gato”. Na verdade, o movimento se fez presente desde a primeira imagem produzida por uma câmera fotográfica, fazendo parte das variáveis da fotografia. O movimento está intimamente ligado à fotografia, ora como aliado, ora como um um pesadelo desafiador. Não é incomum se perceber, nas primeiras imagens fotográficas, pessoas captadas em movimento se desfazendo como fantasmas. Para os pioneiros, fixar o movimento na foto foi o grande desafio. Artistas como Rodin, Degas e Bouguereau, bem como os movimentos Futurista, Vorticismo e o já citado Cubismo, tiveram grande interesse na capacidade técnica de a fotografia representar imagens em movimento. O tecnicismo desse momento evoluiu em várias direções, incentivando uma variedade de experiências mundo a fora, finalmente culminando com os primeiros 46 segundos de filmagem: os famosos 17 metros de película feitos pelos irmãos Auguste e Louis Lumière, em 1895, “La Sortie des usines Lumière à Lyon”, (Saída dos funcionários da Fábrica Lumiere em Lion). O cinema estava criado. . A imagem da semana é Luz e Abstração, de 1920, do fotógrafo americano Francis Bruguière (1879-1945). Glauco Frizzera é fotógrafo, com mestrado em Fotografia pela Barry University. Mestrando em Business and Administration, e vencedor do prestigiado premio Photoshop Guru Award. Visite o site www.glaucofrizzera.com. Para entrar em contato com a coluna, envie email para: contact@glaucofrizzera.com
Eleições 2012: sprint final
A eleição 2012 no Espírito Santo é marcada pela disputa polarizada em pelo menos um terço dos municípios. De acordo com o levantamento a partir do tradicional quadro de estrelinhas – que publicou a última atualização nesta sexta-feira (5) -, no interior, em cerca de 20 municípios, a disputa está de igual para igual, cabeça com cabeça, ou seja, mesmo a poucas horas do pleito, é quase impossível arriscar um palpite seco e apontar um vencedor. Esse fenômeno que tomou conta do interior do Estado, também tem paralelos na Grande Vitória. Na Serra, a situação é mais parecida com a dos município do interior. Desde o início da corrida eleitoral, Sérgio Vidigal (PDT) e Audifax Barcelos (PSB) polarizam a disputa. Os últimos levantamentos apontam que o socialista, nesta reta final, leva pequena vantagem sobre o prefeito. A margem favorável a Audifax, porém, não permite que o candidato cante vitória antes da hora. Ele, melhor que ninguém, sabe que pode se surpreender na abertura das urnas. Mais prudente é esperar. Em Vila Velha, Vitória e Cariacica o quadro se diferencia um pouco desse cenário que se repete em pelo menos 20 cidades, pois em vez de dois candidatos na disputa ombro a ombro, aparecem três concorrentes embolados. É algo semelhante àquelas provas de 100 metros rasos. Os corredores partem e logo nos primeiros 30 ou 40 metros um pequeno pelotão se lança à frente deixando para trás os demais demais competidores. Na reta final, eles estão visualmente embolados. Para quem assiste à prova, a sensação e de que não um, mais uma massa composta por vários corpos cruzou a linha de chagada ao mesmo tempo. Os juízes da prova são acionados para analisar a imagem do olho eletrônico, que faz a fotografia do instante exato em que o corredores cruzam a linha. A disputa em Vila Velha, Cariacica e até Vitória está mais ou menos assim. A poucas horas do pleito, a “foto” da disputa em Cariacica mostra Juninho projetando o peito para frente e olhando para o adversário que segue ao lado, como fazem os velocistas na linha de chegada. Juninho, no chamado “sprint final”, surpreendeu Marcelo Santo, que deste o início correu absoluto, de cara para o vento. A mesma foto, mostra ainda Lúcia Dornellas embolada com os dois ponteiros, mas pouca coisa atrás. Em Vila Velha mudam os “corredores”, mas a imagem é a mesma. Neucimar, a exemplo de Marcelo Santos, desde o início, corre de cara para o vento. Com a vantagem de não ter sido surpreendido por nenhum dos seus dois adversários diretos (Max Filho e Rodney Miranda) na reta final. É verdade que os dois estão literalmente fungando no cangote do republicano, que faz até careta, como os velocistas, para se manter na dianteira, tamanho o esforço descomunal empreendido. No município canela-verde, a imagem congelada a poucas horas da eleição sugere que Neucimar cruzará a linha em primeiro e Max Filho em segundo, com meio peito de vantagem sobre Rodney, que parece ter ficado um pouco para trás no final. Rodney é aquele corredor que largou discreto, na raia mais escondida. Não queria ser notado justamente para aparecer como elemento surpresa. Conseguiu. Na metade da corrida, com o apoio do seu manager, Paulo Hartung, saiu lá de trás para entrar no grupo dos favoritos. Parece, porém, que o gás de Rodney acabou. É como aquele corredor que dispara do meio para o final da prova, ganha destaque, mas, na reta final, cansa, e volta a ocupar o local mais compatível às forças de suas pernas. Na Capital, a imagem de chegada não deixa de ser surpreendente, pois também revela três competidores embolados. É verdade que Luiz Paulo Vellozo Lucas está com um corpo de vantagem e deve cruzar a linha em primeiro. Porém, não é está a imagem que ele projetava no início da corrida. O tucano, na verdade, trocou a sapatilha de velocista – aquela que é capaz de gerar o grip necessário para manter o atleta com os pés bem presos ao chão – por um salto alto sem tamanho. Ele achava que a vitória seria folgada e que seus principais oponentes não eram páreo para ele. Luiz Paulo, para piorar as coisas para o seu lado, desafiou a sabedoria popular – aquela que diz que em time que está ganhando não se mexe – e colocou o ex-governador Paulo Hartung em seu palanque. O resultado não foi bom. O salto de Luiz Paulo quebrou ainda um pouco distante da linha de chagada e o tucano foi obrigado a correr claudicando, vendo os adversários se aproximarem pouco a pouco. Neste instante, a imagem mostra que a arrancada de Luciano, que é do ramo, o colocou na sombra de Luiz Paulo. É como se Luciano tivesse dado um “sprint” sensacional e agora, apesar do ritmo forte, mantém as passadas estáveis. A arrancada, porém, deve, mas ainda não é certeza, ter sido suficiente para levá-lo para o segundo turno. “Deve” porque Iriny ainda pode surpreender. Os observadores comentam que, dos três, apesar da vantagem dos dois sobre a petista, Iriny é a única que está em ascensão. Ou seja, ela poderia ser comparada àquela velocista que enche o peito com as últimas gotas de energia que lhe restam para puxar um “sprint final” impressionante. Não seria surpresa, olhando a foto por esse ângulo, que Luciano, ao olhar para trás para procurar Iriny, percebesse, atônito, que a candidata não está mais atrás, mas ao seu lado, fazendo careta e esticando todos os membros do seu corpo para se projetar à frente no instante exato em que o ponto eletrônico registrar a imagem da chegada. No domingo (7), todos nós poderemos conferir essa e outras fotos de chegadas após a contagem dos votos.