A Comissão de Enfrentamento e Combate à Tortura do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) determinou que fosse zerado o Torturômetro nesta quinta-feira (13), depois de denúncias de tortura supostamente praticadas por policiais civis em uma operação realizada no bairro Santo AntÔnio, em Vitória. O Torturômetro é um mecanismo criado para o monitoramento de ocorrências de tortura no Estado. Segundo a denúncia, um homem relatou ter tido a casa invadida, sem mandado judicial de busca e apreensão, por policiais em busca de drogas. O denunciante relatou que, como estava tomando banho, foi algemado nu e jogado no chão, passando a sofrer golpes na esquerda lombar, na direção dos rins. O homem que denunciou as agressões sequer foi aceito no Centro de Triagem de Viana (CTV) pelos agentes da Secretaria de Justiça (Sejus), por conta das lesões visíveis e por estar chorando de dor. Os agentes somente aceitariam o homem após exame de corpo de delito, anexado à petição do advogado. Antes da denúncia de agressão, o Torturômetro havia sido zerado no dia 6 de setembro. As duas denúncias recebidas na ocasião foram de tortura física e psicológica cometida por policiais militares na averiguação de um suspeito de cometer crime. Os relatos dão conta de que cinco policiais arrombaram a porta e invadiram, com armas em punho, a casa onde moram quatro vítimas, sendo três mulheres e um homem. Todos eles teriam sido agredidos com socos, chutes e puxões de cabelo.
Programa de Proteção à Criança e ao Adolescente propõe diálogo institucional
Os altos índices de letalidade entre crianças e adolescentes no Espírito Santo levaram o conselho gestor do Programa Estadual de Proteção à Criança e ao Adolescente Ameaçados de Morte no Estado (PPCAM) a propor a abertura do diálogo institucional para o enfrentamento da taxa de homicídios dentre esta parcela da população. O Estado é o segundo no País na taxa de homicídios entre pessoas com idades entre 0 e 19, de acordo com o Mapa da Violência 2012 – Crianças e Adolescentes do Brasil, registrando 33,8 homicídios de crianças e adolescentes por grupo de 100 mil. Além disso, estudo desenvolvido pelo Programa de Redução da Violência Letal contra Adolescentes e Jovens (PRVL) revela que o Estado tem quatro municípios entre os 15 com maiores índices de homicídios na adolescência (IHA). O conselho do PPCAM defende que seja aberto o diálogo com as gestões municipais do Estado, com discussão sobre os desafios para o combate à letalidade infanto-juvenil. Dentre as premissas apontadas pelo PPCAM para o combate à violência entre crianças e adolescentes está o rompimento com a lógica da ação que privilegia como discurso exclusivo a repressão, a criminalização e o encarceramento, não somente da juventude, mas também da pobreza, da questão racial, de gênero e orientação sexual. As propostas também partem do princípio que o combate à violência contra crianças e jovens só é efetivo com ações intersetoriais, não ficando restrito à pasta de Segurança Pública. Mapa da Violência A taxa de homicídios se refere somente ao segmento de 0 a 19 anos, que já representa um número de guerra civil. O resultado geral de homicídios registrados chega a 54 por 100 mil habitantes, o que demonstra níveis epidêmicos de violência no Estado. A falta de investimentos em ensino, esporte, cultura e lazer nas comunidades acaba por fazer com que a taxa de homicídios aumente, já que onde falta o Estado, o território passa a ser ocupado por criminosos que implantam novo conjunto de leis e regras que passam a valer para determinada parcela da população.
Jardim Camburi: associação vive imbróglio para formar comissão da disputa à diretoria
As disputas em bairros por toda a cidade de Vitória seguem movimentadas nesse período de eleições municipais. Após as denúncias de fraudes nas eleições para coordenador-geral da Associação de Moradores de Jardim da Penha (AMJAP), a bola da vez é a Associação Comunitária de Jardim Camburi (ACJAC), maior bairro da Capital, com mais de 39 mil moradores. Nos últimos dias, a entidade foi envolta em um imbróglio durante o processo de formação de uma Comissão Interventora que conduzirá a ACJAC para as próximas eleições de sua diretoria. A nomeação iria ocorrer após denúncias de que a atual direção – segundo informações, majoritariamente ligada ao PPS – teria feito um processo irregular de prorrogação de seu próprio tempo de gestão, que terminou em maio deste ano. A ação foi considerada um golpe por grupos e pessoas que não compõem atualmente a diretoria da ACJAC. O mais notório opositor à prática é o morador Aloísio Muruce, candidato a vereador pelo PRP, autor de uma representação no Ministério Público do Estado (MPES) contra a movimentação da diretoria, que provocou a decisão do órgão de obrigar a realização de uma assembleia geral do bairro para formação da Comissão Interventora. Além dele, grupos do Psol e do PT também acompanham de perto a questão, incluindo os candidatos petistas a vereador José Silvério de Almeida, Wanderley de Oliveira e Eliézer Tavares. A necessidade da Comissão foi definida em uma reunião ocorrida no dia 22 de agosto entre alguns moradores do bairro, ex-diretores da associação e a promotora Arlinda Maria Barros Monjardim, da 28ª Promotoria de Justiça Cível de Vitória, que firmou um Termo de Audiência sobre a questão. Após as denúncias de Muruce, foi gerado um Processo Administrativo no MPES (número 11.380/2012), para apurar os supostos atos irregulares. Com a decisão do órgão, houve diversas movimentações dos grupos para a nomeação da Comissão. Nessa terça-feira (11), após convocação via internet, mais de 70 moradores realizaram uma assembleia em frente à Escola de Ensino Fundamental Elzira Vivácqua. A reunião elegeu três membros para a Comissão Interventora: Ramon Moreira, estudante de Economia da Ufes; Ícaro Caniçali, que cursa Engenharia de Automação no Instituto Federal do Estado (Ifes) – ambos do PT –, e Solange Martins, líder comunitária de Atlântica Ville. A reunião só não ocorreu no auditório da escola, como constava na convocação, porque membros da diretoria foram ao local mais cedo e impediram que isso acontecesse, com a argumentação de que já havia uma Comissão eleita em outra assembleia, supostamente realizada um dia antes (10). Duas dessas pessoas, capitaneadas pelo morador Manoel Braga, também foram à reunião do dia 11. “Braguinha”, como é conhecido no bairro, apresentou um documento homologado no MPES que nomeava outras três pessoas enquanto Comissão Interventora – incluindo o seu próprio nome. Segundo o morador Vinicius de Lima, que foi secretário da assembleia, “Braguinha” estava com sinais claros de embriaguez, o que levou os presentes a não darem crédito às suas intervenções. Além disso, apesar de contestar a própria assembleia, o morador teria se candidatado para a Comissão Interventora, mas, ao ver que não receberia votos, se retirou do local. Denúncias apontam que o documento apresentado ao Ministério Público por Manoel Braga é falso. Os membros da Comissão eleita na assembleia do dia 11 afirmam que ele teria coletado assinaturas em ruas, bares e casas de pessoas, supostamente induzindo o órgão a erro na homologação. Além dessas questões, há outro problema que eleva ainda mais as farpas trocadas no bairro. O grupo majoritário da atual gestão da ACJAC contesta a validade da assembleia do dia 11, afirmando que ela foi convocada por Aloísio Muruce como forma de expor suas próprias denúncias – questões eleitorais à parte. Segundo o site Eu amo meu bairro – Jardim Camburi, mais um agente influenciador das disputas locais, o encontro do dia 11 teria sido convocado por moradores que participaram de outra assembleia, em 31 de agosto, realizada pela diretoria da ACJAC e também construída, segundo informações, por Manoel Braga. O site afirma que esta última reunião não teve divulgação nem participação que a legitimariam, o que levou os moradores a chamar a realização de uma nova. O próximo passo seria a convocação para eleger uma Comissão Eleitoral e organizar o próximo pleito da ACJAC, que deve acontecer no fim de novembro. A reunião da última terça-feira determinou um prazo de 15 dias para a sua realização, mas o grupo de Manoel Braga também lançou um edital convocando a assembleia para 11 de outubro, duplicando novamente o processo. A ata da assembleia do dia 11 deve ser protocolada ainda nesta quinta-feira (13) no Ministério Público Estadual e, a partir daí, os moradores envolvidos ficam esperando as próximas movimentações e decisões do órgão, na expectativa de que resolvam o problema.
Incêndio em Patrimônio da Penha, no Caparaó, foi controlado
Brigadistas e voluntários que trabalhavam na contenção dos incêndios florestais no Parque Nacional (Parna) do Caparaó desde esta terça-feira (11), conseguiram controlar os focos de incêndio nesta sexta-feira (14). Segundo o chefe do Parna, Luizmar Cathéringer, restou apenas um foco na região do Córrego do Pouso Alto, no município de Iúna, onde o fogo deve ser controlado nas próximas horas. A expectativa, segundo ele, é que até este final de semana não haja mais foco de incêndio na região. “O tempo ajudou. Ficou nublado e estamos esperando que chova um pouco. Até o momento a área que ainda queima fica em Pouso Alto, mas a situação está próxima de ser controlada”, afirmou Luizmar. Em Patrimônio da Patrimônio da Penha, no município de Divino São Lourenço e Pedregulho, também em Iúna, os focos foram controlados. Os focos registrados nos municípios de Ibitirama e Irupi também foram apagados. Os incêndios que atingiram o parque durante esta semana destruíram cerca de 300 hectares na porção capixaba do parque.
Operação Capone volta a fechar bancas de jogo do bicho em Vila Velha e Serra
A Polícia Civil realizou na tarde dessa quarta-feira (12) a segunda fase da Operação Capone, de combate à exploração de jogos de azar. Durante a operação, comandada pelo delegado Orlando Oliveira, do Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção (Nurocc), foram presos Túlio Thiebaut, apontado como dono da Banca Leão, de jogo do bicho, e o filho dele, identificado pelo delegado apenas como Márcio. Túlio também é presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Capixaba de Futebol. A primeira fase da Operação Capone foi realizada em julho deste ano, desvelando a estrutura de exploração do jogo do bicho e máquinas caça-níqueis em vários municípios do Estado, com conexões no Rio de Janeiro e em São Paulo. A Banca Leão atuava como concorrente das bancas Jolimar e ABVV, que foram fechadas na primeira fase da operação. De acordo com o delegado, a Banca Leão fazia a “descarga” – passar parte do jogo muito concorrido para outro banqueiro – na banca Loteria do Povo, localizada na Serra. Foi emitido um mandado de prisão, que ainda está em aberto, para o gerente da Loteria do Povo, que também tinha operação em Vitória e no interior do Estado. Os bens dos investigados foram bloqueados e foi pedido o sequestro de aproximadamente R$ 1,5 milhão dos acusados. Veículos utilizados na exploração ou adquiridos com provento dos jogos também foram apreendidos durante a operação. Também foram apreendidos notebooks, uma grande quantidade de cheques, material de jogo do bicho, R$ 7 mil em espécie e um cofre ainda fechado. As investigações apontam para crimes de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e formação de quadrilha. Primeira fase A primeira fase da Operação Capone se subdividiu em duas frentes de investigação. A primeira no combate à lavagem de dinheiro e a segunda na desarticulação da rede de corrupção em torno da exploração de jogos de azar. Naquela fase foram cumpridos 98 mandados de busca e apreensão, fechados 150 pontos de jogos, sequestrados judicialmente mais de R$ 22 milhões e identificados 138 imóveis de propriedade dos bicheiros. Foram alvo da primeira fase da operação os municípios de Vitória Vila Velha, Serra, Cariacica, Cachoeiro de Itapemirim, Venda Nova do Imigrante, São José do Calçado, Bom Jesus do Norte, Apiacá, Castelo, Muqui, Mimoso do Sul e Ibitirama.
Domingo de clássico
As atividades culturais comemorativas pelo aniversário de 461 anos de Vitória traz um concerto especial para o público: a Orquestra Filarmônica do Espírito Santo (Ofes) se apresenta sob a regência do maestro Isaac Karabtchevsky. O concerto será no Parque Pedra da Cebola, em Vitória, neste domingo (16). A entrada é gratuita. O repertório será composto exclusivamente por obras do compositor russo Tchaikovsky. Dele serão apresentadas a Sinfonia nº 5 e o primeiro movimento do Concerto Para Violino, com solo do violinista Daniel Guedes, um dos mais importantes solistas brasileiros. Considerado um dos mais importantes e respeitados regentes brasileiros, Isaac Karabtchevsky já dirigiu diversas orquestras ao redor do mundo. No Brasil, foi Maestro Titular de orquestras como a Orquestra Sinfônica Brasileira, no Rio de Janeiro, e a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre. Foi ainda Maestro Titular de Orquestras nos países Áustria, Itália e França. O evento é uma realização da Prefeitura de Vitória e da Secretaria de Estado da Cultura (Secult). Serviço O concerto da Orquestra Filarmônica do Espírito Santo (Ofes) com o maestro Isaac Karabtchevsky acontece neste domingo (16), às 17h, no Parque Municipal Pedra da Cebola, Vitória. Entrada pela Rua João Baptista Celestino, Mata da Praia (entrada do estacionamento). Entrada gratuita.
Decisão judicial pode adiar mudanças no comando de porto em Vila Velha
A disputa judicial pelo controle do Porto de Peiú, em Vila Velha, ganhou um novo capítulo. Na véspera da assembleia que vai decidir o futuro da Peiú – Sociedade de Propósito Específico (subsidiária integral da Trufa S/A), o desembargador Ney Batista Coutinho concedeu liminar restabelecendo o direito a voto dos empresários Pedro Scopel e Adriano Mariano Scopel. A medida pode adiar a destituição dos membros da atual direção, como estava previsto em pauta. A liminar foi concedida em pouco mais de 48 horas da apresentação do pedido pela defesa de Scopel. Na decisão, o desembargador manteve a proibição dos empresários – que detém 50% das ações da companhia –terem acesso às instalações do porto. No entanto, os representantes de Pedro e Adriano Scopel poderão votar na assembleia, fato que deve impedir a aprovação dos pontos mais polêmicos da assembleia. A pauta da reunião marcada para esta sexta-feira (14) prevê a deliberação sobre a destituição de qualquer membro da direção ligado à família Scopel, bem como a autorização para contratação de uma auditoria independente para apurar desvios milionários na condução do porto. Com a liminar, a votação deve terminar novamente empatada, já que os empresários têm o mesmo número de cotas de Otto Netto Andrade, que disputa o comando da empresa. A defesa de Otto Andrade já foi comunicada da decisão e entrou com pedido de reconsideração da liminar. Na petição, os advogados pedem o sobrestamento da análise dos pedidos por Pedro e Adriano Scopel. A expectativa é de que o desembargador se manifeste até o final desta quinta-feira (13). Caso contrário, a assembleia poderá ser até adiada em função do provável empate na votação sobre a saída da família Scopel do negócio. A disputa pelo controle do porto se tornou pública após o caso ter motivado a deflagração da Operação Naufrágio, em dezembro de 2008, pela revelação de compra de uma sentença em favor de Pedro e Adriano Scopel. Escutas da Polícia Federal flagraram, há quase seis anos, a negociação dos empresários com o então desembargador Elpídio José Duque para manter os poderes da dupla no controle da empresa. Por conta do imbróglio, o complexo portuário está sendo administrado desde então por uma filha de Pedro Scopel, Fabiana Scopel Tramontana. A pauta da próxima assembleia também inclui a votação de saída dela do comando. Otto Andrade alega que a atual gestão não realizou qualquer prestação de contas e nem distribuiu dividendo. Nas contas do empresário, o rombo nas contas da Peiú ultrapassa a casa dos R$ 200 milhões.
Voo baixo
À frente do psicodélico Cérebro Eletrônico, Tatá Aeroplano se tornou uma personalidade de destaque no cenário da música independente. Agora, com novas parcerias, o compositor apresenta um álbum solo que leva apenas seu nome artístico – Tatá Aeroplano – e que se debruça sobre as ruas, janelas e pessoas de São Paulo. O cotidiano é a obsessão de Tatá. A irônica música Sartriana abre o disco com uma personagem que se faz de deprimida e intelectual, mas é adepta da filosofia libertária de Jean-Paul Sartre só da boca pra fora, “Vive reprimida / Sua vida se reduz a orgia embalada a pó”, canta. Sem pudores, Tatá segue com letras irreverentes e arranjos com guitarras distorcidas e o som nostálgico do piano elétrico melotron. Entretanto, comparado aos trabalhos do Cérebro Eletrônico, o disco é calmo, com mais baladas e menos experimental. As canções são simples relatos, como em Par de Tapas que Doeu em Mim, que conta uma história de mais de 10 minutos sobre uma briga de casal em plena Rua Augusta. A crônica é uma espécie de bolero arrastado, a melodia vai se tornando mais intensa à mesma medida da violência. A melancólica Um Tempo Pra Nós Dois, apesar da linguagem banal, “Tenho medo de parecer pentelho / Seu pedir um beijo, se eu pedir seu peito / Se eu pedir arrego”, é uma balada singela que dá vontade de cantar junto. Nas 10 faixas, Tatá explora os temas mais diversos, fala livremente sobre sexo, drogas e melancolias. Há também canções mais intimistas, como a poética Uma Janela Aberta, na qual o cantor divide os vocais com Bárbara Eugênia, e Te Desejo Mas Te Refuto. As duas faixas são baseadas só em voz e violão e possuem um arranjo mais elaborado. Mas o melhor talvez o músico tenha deixado para o final. A dupla Machismo às Avessas e Night Purpurina parecem se completar na sonoridade de rock dos anos 1970 e na letra ligada à cultura pop. Na primeira, ele chora por não encontrar “uma guria para passar meus dias”. Porque todas “saem pra caçar no melhor estilo Sex and the City”. E declara: “Sou um feminista triste”. Já Night Purpurina conta os surtos de uma garota, “Numa badtrip retrô / Você deslumbrou / E me disse / Quero ser rica e famosa / Como a Brigite Bardot”. No outro parágrafo, a musa escolhida é Amy Winehouse e a menina passa “desperdiçando seu tempo com poetas beatniks”. Diferente da primeira, guitarra se sobressai ao teclado na melodia. O disco Tatá Aeroplano foi produzido por Crowdfunding, sistema de financiamento coletivo que arrecada dinheiro pela internet. Por isso o lançamento do álbum atrasou alguns meses. Mas finalmente o trabalho, autointitulado, encontra-se disponível para audição, download e venda no site oficial do músico.
Gabeira convoca PV no Estado a assumir debate ambiental
O jornalista, escritor e ex-deputado federal Fernando Gabeira convocou os candidatos e simpatizantes do Partido Verde (PV) no Estado a se inserirem no debate ambiental. A declaração foi dada durante o seminário “Cidades Verdes-Eleições Limpas”, na noite dessa quarta-feira (12), na Assembleia Legislativa. Segundo ele, em cidades altamente poluídas como Vitória, as questões relacionadas ao meio ambiente devem ser amplamente discutidas. Para Gabeira, é necessário que o PV atente para as necessidades pontuais, lembrando que a Capital do Estado, por exemplo, está classificada entre as cidades mais poluídas do País. “É um equívoco achar que a defesa da natureza se baseia na preservação da Amazônia e do Pantanal”, alertou. O ex-deputado também chamou atenção para as questões ligadas à mobilidade urbana. Gabeira pontuou a necessidade de a sociedade se atentar para o fato de o futuro estar no transporte coletivo e em cicloviais, que além de exercerem seu papel na mobilidade, são importantes para a qualidade de vida do cidadão. “No futuro será um luxo se locomover em carro próprio”, disse ele. Com nenhuma expressão no debate ambiental do Estado, o PV é representado na Assembleia por Gildevan Fernandes e Sandro Locutor. Os dois são candidatos a prefeito este ano, respectivamente, em Pinheiros (extremo norte do Estado) e Cariacica. Ambos não possuem histórico na área ambiental. O fato de ser militante do PV alçou Locutor à presidência da Comissão de Meio Ambiente da Casa, porém, tem atuação pouco expressiva e não promove debates públicos sobre as principais questões ambientais do Estado, embora já tenha prometido alguns. Entre os casos que vem sendo ignorados pela Comissão está a denúncia do movimento Pó Preto em Vitória, que entregou à Comissão ao deputado um documento relatando o histórico de cobranças da população pelo fim da poluição do ar na Grande Vitória e exigiu mais rigor dos órgãos ambientais na hora de fiscalizarem as emissões atmosféricas das grandes indústrias, principalmente Vale e ArcelorMittal. Também é de conhecimento da Comissão os impactos da Ferrous, gasoduto da Petrobras, dragagem dos portos de Tubarão e Vitória, do Código Florestal e da Companhia Siderúrgica de Ubu (CSU). Mas Locutor não promoveu audiência pública, nem tomou qualquer providência sobre os assuntos. Pelo contrário, realizou visitas às poluidoras, tecendo elogios. ÁfricaBrasil Gabeira também se mostrou empolgado com a existência do Museu ÁfricaBrasil, denominação dada devido à sua característica intercontinental, localizado em São Mateus, norte do Estado. Surpreso com o acervo que reúne mais de 20 anos ligados a colecionadores de peças na África, o ex-deputado não hesitou em ressaltar a importância do museu e recomendou que o município se reinvente a partir do museu, projeto do historiador Maciel de Aguiar. “Muitas cidades fazem isso com sucesso. Despertam o interesse local em função de um ponto específico”, ressaltou. Atualmente, o museu é detentor das maiores coleções de esculturas e máscaras africanas. Não há similares nos demais museus, como atestaram antropólogos e historiadores que o visitaram como avaliadores. O espaço, porém, poderá ser transferido do Estado por falta de apoio do governo estadual.
Reginaldo Quinta quer tirar juiz de ações em Presidente Kennedy
O prefeito cassado de Presidente Kennedy (litoral sul do Estado), Reginaldo Quinta (PTB), pediu a saída do juiz Ronaldo Domingues de Almeida do comando das ações contra ele na comarca do município. O processo está concluso com o magistrado, que pode acolher o pedido de suspeição ou enviar o caso para o Tribunal de Justiça do Estado (TJES). A manobra jurídica deve protelar o julgamento dos episódios de corrupção na prefeitura. De acordo com informações do TJES, o pedido de suspeição deu entrada no final da tarde dessa terça-feira (11) e foi encaminhado no dia seguinte ao magistrado. Na ação, a defesa do prefeito cassado quer o reconhecimento do impedimento do juiz Ronaldo Domingues para atuar nos feitos relacionados ao petebista. Ele responde a três processos na comarca – duas ações de improbidade e uma Ação Civil Pública. Esse tipo de pedido vem se tornando um expediente comum entre agentes políticos denunciados por casos de improbidade. Pelo menos outros três prefeitos já recorreram ao Judiciário na tentativa de reconhecer a suspeição dos julgadores – Guerino Zanon (PMDB), em Linhares; Solange Lube (PMDB), em Viana; e Ronaldo Prudêncio (PDT), cassado em Santa Leopoldina. Mesmo não sendo reconhecida a suspeição do juiz, a manobra jurídica já é suficiente para afetar a tramitação dos processos. Uma vez que o andamento das ações fica suspenso até o exame das solicitações. No caso de Quinta, o adiamento afasta o risco de sentenças condenatórias neste momento, fato que implica no julgamento mais célere pelos colegiados do TJES – condição que pode enquadrá-lo nas limitações da Lei da Ficha Limpa. O prefeito cassado busca a reeleição em Presidente Kennedy. Mesmo com a cassação pela Câmara de Vereadores, ocorrida na última semana, ele obteve uma liminar do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES) que o mantém na disputa. Os meios jurídicos projetam que o petebista pode ter condições de participar das eleições, mas corre o risco de enfrentar problemas com a diplomação, caso seja eleito.