Há uma evidente intensificação por parte do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) de movimentos em palanques contrários aos em que estão o senador Magno Malta (PR) e o governador Renato Casagrande. Hartung, que nunca foi político de confronto, parece ver a necessidade de demarcar seu território nesta eleição, para criar condições políticas ao cenário de 2014. O exemplo de Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado) é significativo nesse sentido. O candidato do PR, Glauber Coelho, além de ser do partido do senador Magno Malta, ainda desembarcou semana passada em Cachoeiro ao lado do governador, reforçando o apoio do PSB à sua candidatura. Hartung, mesmo depois de ter dito cobras e lagartos sobre o PT, embarcou na campanha em ascensão do prefeito Carlos Casteglione (PT). Poderia ter ficado neutro na disputa de Cachoeiro, mas sabe que é importante marcar seu território naquele município. Mas a pergunta nos meios políticos é: o que fez Hartung tomar essa dose de coragem para enfrentar seus adversários de forma tão veemente? E há várias leituras sobre suas movimentações. O ex-governador está perdendo terreno a passos largos desde que deixou o governo do Estado. Sem mandato e com o enfraquecimento dos arranjos institucional e político que o mantiveram no poder por oito anos, perdeu bastante do controle político que detinha. Além disso, outra ameaça ao seu sistema político deve vir depois das eleições, já que interlocutores palacianos afirmam que a tendência é de que depois de outubro, Renato Casagrande imprima uma política de ampliação do distanciamento de seu antecessor, o que colocará em xeque o último nicho de controle de Hartung, que é dentro do governo do Estado. Outra leitura que se faz é sobre a fragilidade de seu governo, que gerou várias investigações e suspeições que podem ganhar projeção, colocando em sério risco a imaculada imagem que ele criou em volta de seu capital político. Por isso, Hartung precisaria dos holofotes eleitorais, para tentar blindar sua vitrine, enquanto aparece como vencedor das disputas eleitorais, ganhando, assim, musculatura política. O ex-governador, porém, já vem acumulando algumas derrotas nesse processo. O primeiro veio com a impugnação da candidatura do prefeito de Guarapari, Edson Magalhães (PPS), e outra com o encolhimento da candidatura de Rodney Miranda (DEM) em Vila Velha. Daí a impressão da classe política da dose de coragem de Hartung para enfrentar seus adversários, em uma dinâmica que lhe é estranha, que é a disputa na urna. Até o momento, há muito oba-oba da imprensa amiga e pouco resultado efetivo. Fragmentos: 1 – O teólogo, escritor e professor, Leonardo Boff, em recente passagem pelo Estado, declarou seu apoio ao candidato a prefeito pelo PT de Vila Velha, João Batista Babá. 2 – Expoente da Teologia da Libertação e defensor das causas sociais e das questões ambientais, Boff destacou a atuação de Babá nos movimentos sociais desde a juventude e disse ter certeza de que Babá fará justiça ao povo vilavelhense. 3 – Em tempo: na aproximação entre os peemedebistas Ricardo Ferraço e Gerson Camata vale lembrar que o segundo, depois de mais de duas décadas no Senado, hoje está lotado no gabinete do primeiro.
Justiça desbloqueia bens do prefeito de Vitória João Coser
O Prefeito de Vitória João Coser (PT) teve seus bens desbloqueados pela Justiça. A decisão foi anunciada nesta terça-feira (4) pela 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Espírito (TJES). Coser é investigado em processos movidos pelo Ministério Público Estadual, que acusam o prefeito de supostas irregularidades na desapropriação na área pertencente à Colônia de Pesca dos Pescadores da Praia do Suá, local que abriga hoje uma unidade de Pronto Atendimento (PA) da prefeitura. O bloqueio dos bens, até o limite de R$ 600 mil, para cobrir eventuais danos ao erário, havia sido decidido liminarmente por decisão de primeira instância, pela 3ª Vara da Fazenda Pública Estadual. Por decisão colegiada, ficou decidido o desbloqueio dos bens, de acordo com o voto do relator do Agravo de Instrumento, desembargador Alvaro Bourguignon. O Ministério Público pretendia que a prefeitura descontasse o valor da construção do PA da Praia do Suá na indenização ao proprietário do imóvel desapropriado. Entretanto, avaliação feita pela Caixa Econômica Federal indicou que o imóvel valeria mais do que a municipalidade pagou por ele. Os dois processos tramitam em segredo de Justiça.
Apuração fica travada e eleições do Sindiupes têm resultado incerto
As eleições do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes) aconteceram nos dias 28 e 29 de agosto e, após mais de uma semana desde o seu início, ainda não tiveram seu resultado definido. A apuração, que começou na última quinta-feira (30), ficou parada durante várias horas em praticamente todos os dias. O sindicato é o maior do Estado, acumulando cerca de 24 mil filiados. No pleito, que está sendo disputado por duas chapas, as tensões entre os grupos marcaram todo o processo, atingindo até a comissão eleitoral, composta inicialmente por cinco membros. Por vários dias, ela funcionou apenas com duas e até com uma pessoa, o que tem atrasado todo o processo. Hoje, já no 6º dia de apuração, após praticamente todas as urnas terem sido apuradas, o resultado ainda é incerto. A diferença entre as duas chapas não ultrapassa os 200 votos, em um universo de mais de 9 mil votantes. Há um impasse com cinco urnas do pleito, sendo duas de Vitória, duas de Vila Velha e uma de Itaguaçu, que totalizam cerca de 600 votos. Além desses, há quase mil votos que foram feitos em separado, ou seja, por professores fora de suas escolas. A questão é a tentativa de impugnação dessas urnas, por problemas no processo de votação. Os votos podem mudar completamente o atual quadro das eleições, e as disputas entre as chapas cresceram exatamente por isso. A expectativa é que a apuração acabe amanhã (5), muito provavelmente na madrugada, se o processo não parar novamente. A apuração das eleições está sendo realizada no Clube Ítalo-Brasileiro, na Ilha do Boi, em Vitória. A escolha do local também tem recebido críticas. O espaço tem um alto custo de locação, além de ser considerado de difícil acesso.
Judiciário recebe queixa-crime contra promotores acusados de ofender colega
Após tramitar por mais de 18 meses, o Pleno do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) recebeu, na última semana, uma queixa-crime contra os promotores de Justiça, Marcelo Barbosa de Castro Zenkner e Américo José dos Reis. Os desembargadores acolheram parcialmente a denúncia feita pelo procurador de Justiça, Antônio Carlos Amâncio Pereira, contra os colegas, acusados de ofendê-lo na rede de e-mails da instituição. Na denúncia, o procurador alega que a dupla desferiu ataques pessoais durante uma troca de e-mails pela rede interna do Ministério Público do Estado (MPES). Nas mensagens, a dupla teria feito afirmações falsas sobre o procurador, além de uma suposta tentativa de forjar provas em uma suposta apreensão de drogas contra o alvo da dupla. De acordo com informações extraídas do processo, as conversas de Marcelo Zenkner e Américo dos Reis foram expostas para o conhecimento dos 308 membros do MPES que faziam parte da lista “membros”, imediatamente extinta após o vazamento das conversas. Segundo informações do TJES, o julgamento teve início em 10 de novembro do ano passado. Desde então, o exame do caso foi interrompido por 19 sessões – por conta dos pedidos de vista dos desembargadores Álvaro Bourguignon (nove sessões) e de Samuel Meira Brasil Junior (dez sessões). A demora contrariou o Regimento Interno do TJES, que restringe o período de vistas pelo prazo de uma sessão.
Pela cidade
Teatro, dança, música, audiovisual e circo pelos bairros de Vitória. O edital de Circulação de Espetáculos 2012 contemplou 23 projetos que se apresentarão por lugares diversos da cidade, fora de espaços tradicionais. Os contemplados farão duas apresentações do projeto aprovado em local e data a serem definidos pela Secretaria Municipal de Cultura. O edital de seleção de projetos culturais tem o objetivo de popularizar as artes cênicas, a música, as artes plásticas e o audiovisual com vistas à formação de plateia e fortalecimento do mercado de trabalho artístico. No total, serão R$ 230 mil diretamente investidos na cultura da cidade. Na edição 2011 do Circulação de Espetáculos, o projeto percorreu 36 bairros de Vitória e alcançou um público de aproximadamente 10 mil pessoas. O calendário de apresentações será divulgado em breve. Confira abaixo a relação dos contemplados de 2012. TEATRO Há Judas Pra Malhar? (foto capa) Proponente: Companhia Folgazões de Artes Cênicas O Casamento de Dona Baratinha Proponente: Casa de Arte Campaneli Nosferato Proponente: Marcelo Ferreira da Silva Alegria na Lona da Fome Proponente: José de Jesus Alegria Benjamin Proponente: Erik Martins Martincues Caminhada Ecológica em Busca do Tesouro Proponente: Gabriel Ortiz DANÇA Danças Urbanas Pelos Quatro Cantos Proponente: Zênia de Jesus Cão Colores Proponente: Edilamar Fogos de Deus O Ventre nas Maravilhas do Mundo Proponente: Maria Carolina Raulino Cândido Conexões (Mostra de Dança Enki) Proponente: Paulo César Fernandes MÚSICA É Você Quem Escolhe Proponente: Andrea Mochel Piccolo Show Andante, de Edivan Freitas Proponente: Andrey Junca Gonçalves Vicente Sinal Vermelho Proponente: Gerusa Elena Campos Lavrador Proponente: Elton Ribeiro Pinheiro Show O que Realmente Importa Proponente: Henrique Alves Oliveira Polyphone Musica Livre Proponente: Oficina Artes de Vitória Janela Capixaba Proponente: Edson Miranda. AUDIOVISUAL Golias e Messias – Mercadores de Música Proponente: Marcos Freitas Veronese Meninos da Guarani Proponente: Marcos Antônio Ribeiro da Costa Como a Noite Apareceu Proponente: Regina Helena Mainardi Circulando Madalena (foto acima) Proponente: Ricardo Salles de Sá Exibição de Documentários Proponente: Flávio Sarlo CIRCO/CAPOEIRA Circo na Praça 2012 Proponente: Carlos Augusto Peixoto
Quem dirige carro perde três vezes o seu tempo, afirma ciclista
O ciclista Emmanuel Favre-Nicolin, criador do Blog Vitória Sustentável, afirma que os motoristas de carro têm pelo menos três formas de perder tempo no trânsito do que se utilizassem a bicicleta. O engarrafamento, o tempo de trabalho para quitar um automóvel e a não melhoria da condição física, segundo ele, são fatores que contribuem para isso. O motorista de carro, afirma, fica obrigado a encontrar outro momento do seu dia para se exercitar. Com muito trânsito, disse Emmanuel, a situação pode até melhorar para os ciclistas, já que é possível andar em grandes avenidas onde não há ciclovias, com maior segurança e sem a exigência do uso de rotas alternativas, que geralmente representam caminhos um pouco mais longos. “Fica difícil avaliar a velocidade média quando a gente fica preso em engarrafamento. Não ando só de bicicleta, também uso o carro nos dias em que não consigo atingir meu local de trabalho de bicicleta, ou seja, duas ou três vezes por semana. Percebi que minha média oscilava entre 21 e 27 km/h quando eu me desloco para o trabalho, passando pelo Centro de Vitória. Minha média de bicicleta híbrida está em torno de 20 km/h e não depende do trânsito”, contou ele. Para o ciclista, o conceito mais interessante sobre o tema é a teoria da velocidade generalizada. Ela prevê que o cidadão utilize além do tempo para se deslocar, o tempo para cobrir todas as despesas do meio de transporte utilizado. Na prática, a conta permite calcular, pelo salário a hora do cidadão e a distância percorrida até o trabalho, qual seria o transporte mais satisfatório. “É possível mostrar que as velocidades generalizadas são de no máximo 14 km/h para bicicleta e carros, mesmo para quem tem um salário-hora alto, ou seja, a velocidade generalizada para uma bicicleta é tipicamente da mesma ordem de grandeza do que a velocidade generalizado de um carro. Ou seja, não se perde tempo de bicicleta”. Segundo ele, as pessoas utilizam justificativas para não andar de bicicleta pela cidade de Vitória, como a insegurança (falta de ciclovias), o calor e, sobretudo, a perda de tempo que o transporte não motorizado poderia gerar ao dia a dia do cidadão. “Há rotas seguras que nos permitem atravessar Vitória inteira e ser ultrapassado por menos de um carro por quilômetro. Nada mal. Eu acredito que o calor é também outra razão, mas há outras soluções técnicas para amenizar o problema”, pontuou.
Cassação de Quinta pode afetar julgamento da Lee Oswald
O resultado do processo de impeachment do prefeito afastado de Presidente Kennedy (litoral sul do Estado), Reginaldo Quinta (PTB), pode mudar os rumos do julgamento da ação penal da Operação Lee Oswald. Após as divergências entre as cúpulas do Judiciário e do Ministério Público em função da devolução da denúncia criminal do caso, na semana passada, a tramitação do processo poderá voltar ao juízo de 1º grau, caso seja confirmada a cassação do petebista nesta quarta-feira (5). Na interpretação de juristas consultados pela reportagem, a cassação do prefeito poderá ter impactos até mesmo sobre os desdobramentos da apuração dos episódios de corrupção no governo Paulo Hartung (PMDB), já que a descida dos autos poderá servir para afastar a vinculação das fraudes aos episódios ocorridos no município, como sugeriu o presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), desembargador Pedro Valls Feu Rosa. Entre os atuais listados na ação, o prefeito afastado de Presidente Kennedy é o único que tem direito a julgamento em instância superior por conta da prerrogativa do cargo, conforme prevê o Regimento Interno do TJES. A possibilidade de inclusão do prefeito afastado de Fundão, Marcos Fernando Moraes (PDT), poderia minimizar os efeitos da decisão dos vereadores de Kennedy. Na denúncia oferecida pelo Ministério Público, o procurador-geral de Justiça, Eder Pontes da Silva, apresentou os fatos relativos ao inquérito policial da Lee Oswald – deflagrado a partir das operações Moeda de Troca, em Santa Leopoldina (região serrana), e Tsunami, em Fundão. Apesar das peças de informações trazidas aos autos fazerem menção a indícios de irregularidades na venda de terrenos em Kennedy, concessão de benefícios fiscais e no sistema prisional, o chefe do MPES afirmou, à época, que os fatos estavam sendo investigados à parte. No entanto, a justificativa não convenceu o presidente do TJES, relator da ação penal da Lee Oswald, que determinou a devolução da denúncia sob a alegação da falta de investigados. Pedro Valls sinalizou que apenas será possível julgar o caso “com justiça” após a inclusão dos supostos chefe da organização criminosa que atua no Estado – utilizando palavras do próprio órgão ministerial, que enfatizou a existência de uma “estrutura piramidal” voltada exclusivamente para corrupção.
O som do Ticumbi
Desde os primórdios marcada pela briga por território, a vila de Itaúnas (“pedra preta” em tupi-guarani) tornou-se famosa nos anos 90 pela criação do parque estadual, mas principalmente pelo forró, que a cada ano atrai mais pessoas para um dos maiores festivais nacionais do gênero. Tomando como eixo narrativo a festa folclórica do Ticumbi, Pedras Pretas – Itaúnas de São Benedito e São Sebastião, de Marcos Valério Guimarães, se debruça na construção histórica e política do bailado que articula as tradições escravagistas e indígenas em torno de um referente religioso que lhe tornou mais amplo e criou esse sincretismo entre os santos católicos São Sebastião e São Benedito. A partir de depoimentos de figuras-chave da localidade, a trama se sedimenta e se refaz, como o próprio bailado, tão colorido e variado em seus mais diversos elementos, seja realizado em embarcações no rio Itaúnas, seja em terra firme com a cidade como pano de fundo. A própria paisagem invade o filme e o reconstrói a partir de múltiplos pontos de vista. Detalhes de uma natureza frágil, atingida pela mão do homem, sempre presente, ali com a câmera na mão, sujeito participante da história. O tempo que passa cortado nas vozes dos antigos habitantes, renasce em tradições e na preocupação de repassar à futuras gerações, assim como as imagens de arquivo, reflexo gerado e apropriado anos mais tarde, fundamental na reconstrução de uma cidade que se desmancha com o vento, o mesmo que percorre todos aspectos visuais, escreve com a câmera uma melodia do ausente, captada em algumas fotos amareladas ou em índices da antiga vila. O rio negro reflete a vitalidade do lugar e o tempo que passa em margens decantadas, que muda a cada esquina até desembocar no mar. A fluidez das imagens se intercala ao som do Ticumbi, um transe lento, Naif, que vai incorporando cada vez mais pessoas.
Quem é mau?
Depois de Thriller (1982), ninguém imaginava que Michael Jackson pudesse igualar o sucesso e a qualidade do disco mais vendido da história da música. Mas quatro anos após o seu sucessor, Bad superou todas as expectativas. Com 11 faixas que, incluem os singles Bad, Smooth Criminal e The Way You Make Me Feel, o disco é assinado pelo produtor Quincy Jones, que também havia trabalhado com Michael em Off The Wall (1979) e Thriller. Completando 25 anos de lançamento nesta sexta-feira (7), Bad estourou em 1987 e foi considerado pouco ousado pelos críticos que constantemente o comparavam com os álbuns anteriores. A resposta do público, entretanto, não poderia ser melhor. O disco vendeu 35 milhões de cópias em todo o mundo e permaneceu durante anos como o segundo mais vendido da história. O segredo de tanto sucesso era a parceria de Michael Jackson e Quincy Jones. A dupla trabalhou junta desde o primeiro álbum solo do cantor criando canções imortais. Para Bad, Jackson escreveu 60 músicas e gravou 30 delas; Jones selecionou apenas 10 músicas para o LP. Quando foi lançado, a décima primeira faixa, Leave Me Alone, foi incluída. Michael escreveu nove das onze músicas do álbum. Just Good Friends, na qual o cantor divide os vocais com Stevie Wonder, é creditada a Terry Britten e Graham Lyle; Man in The Mirror foi escrita por Glen Ballard e Siedah Garret, sendo esta quem também canta com ele em I Just Can’t Stop Loving You. Já a canção Bad, foi composta para ser um dueto com Prince, suposto rival de Michael na época, mas o artista recusou o convite. A canção Smooth Criminal gerou polêmica na época por tratar de um tema inusitado: o astro relata a história de uma mulher vítima de violência sexual. A música também ficou famosa por causa do videoclipe inovador, no qual Michael apresenta o passo de dança The Lean, que consiste em desafiar a gravidade, inclinando-se para frente em um ângulo de 45º sem retirar os pés do chão. Após Bad, Michael e Jones se separaram. O álbum continuou batendo recordes. Foi o disco que mais embalou compactos – pequenos discos de vinil que tinham uma música de cada lado. Bad teve nove canções lançadas em compacto e cinco dela chegaram à primeira posição nos Estados Unidos. Em setembro de 1987, Michael iniciou a Bad World Tour, sua primeira turnê mundial como artista solo. Ela passou por 15 países e atraiu 4,4 milhões de pessoas, um recorde de público que seria superado pelo próprio Michael duas vezes, em 1992 e 1997. Em comemoração aos 25 anos do terceiro álbum de Michael, o diretor Spike Lee vai levar aos cinemas os bastidores de alguns shows do astro no documentário Bad 25. Para coincidir com o aniversário do disco, a estreia mundial do filme será nesta sexta-feira no Festival de Cinema de Veneza. Lee irá mostrar a preocupação de Michael com cada detalhe no processo de produção e a sua obsessão pela dança. No dia 18, Bad será relançado em um box comemorativo incluindo três CDs, um booklet e um DVD inédito. As imagens do DVD foram feitas durante um show de junho de 1988 no estádio de Wembley, em Londres, para um público de 72 mil pessoas. Assim como o documentário, o box também se chama Bad 25.
Em sua 18ª edição, Grito dos Excluídos contesta megaprojetos econômicos
Há muitos anos, o dia da Independência do Brasil (7 de setembro) não é marcado apenas pelo desfile cívico oficial, que reunindo militares e representantes do poder público, traz a versão oficial da história da nação. No mesmo dia, grupos historicamente deslocados à margem da sociedade ocupam as ruas de Vitória – e de várias cidades do País – com danças, músicas e gritos de protesto. O Grito dos Excluídos, que chega à sua 18ª edição neste ano, com o título “Queremos um Estado a serviço da Nação, que garanta direitos a toda a população”, se define como um conjunto de manifestações que visam chamar a atenção da sociedade para a crescente exclusão social da sociedade brasileira. Composto por igrejas, pastorais, movimentos sociais do campo e da cidade e diversas entidades, desta vez traz como tema o papel do Estado na garantia dos direitos da população. A manifestação está marcada com concentração às 8h, no bairro Jesus de Nazaré. De lá, os participantes caminharão até a Assembleia Legislativa. A edição de 2012 tem como principal foco a submissão de políticas públicas a interesses de mercado e de grupos econômicos, argumentando como isso faz com que cidadãos tenham seus direitos fundamentais violados pelo próprio Estado. Um dos coordenadores do Grito dos Excluídos, Padre Kelder Figueira, diz que a expectativa para o ato deste ano é boa, em termos de mobilização dos movimentos sociais. Mais de 40 entidades irão compor a manifestação. O Grito cita como agentes dessas exclusões sociais, mega-projetos econômicos como a transposição do Rio São Francisco e a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. No caso do Espírito Santo, ao mesmo tempo em que o Estado alcança níveis astronômicos em termos de desenvolvimento econômico, tendo como carro-chefe a exploração de petróleo, também lidera o índice nacional de homicídios de jovens e adolescentes, assim como o de violência contra mulheres, homossexuais e crianças. Padre Kelder afirma que a importância de se debater a questão cresce ainda mais no Estado. “Para mim, a grande causa dos absurdos índices do Espírito Santo não é outra senão o fato de o Estado, ao invés se colocar a serviço do povo, prefere servir às grandes empresas”, afirma. Para ele, é o modelo econômico e político atual que faz com que existam contradições tão grandes em nossa sociedade. Para que essa situação seja revertida, a manifestação reivindica a equiparação dos gastos públicos aos investimentos sociais, “destinando à população e aos movimentos sociais a mesma atenção dispensada aos grandes empresários”. .