O Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES) barrou mais um candidato a prefeito. Aldo Soares de Oliveira, o Didi (PSDB), que disputava a prefeitura de Alto Rio Novo (Polo de Colatina), teve o registro indeferido pelo TRE-ES. Didi, segundo as estrelinhas de Século Diário, era um dos favoritos na disputa. Ainda na sessão desta segunda-feira (3) o TRE adiou as decisões sobre os recursos de Frei Paulão e José Carlos Elias, respectivamente candidatos a prefeito de Muqui e Linhares. O recurso de Didi chegou a ser deferido em primeiro grau, mas o Ministério Público Eleitoral recorreu ao TRE-ES, pedindo o indeferimento. O relator do recurso, desembargador Annibal de Rezende Lima, acatou o pedido do MPE e indeferiu o pedido de registro. O candidato do PSDB tem duas condenações com decisões transitadas em julgado e foi enquadrado na Lei da Ficha Limpa. O pleno do TRE-ES retomou na sessão desta segunda a votação do recurso referente ao registro de candidatura de Frei Paulão (PSB), que concorre ao cargo de prefeito de Muqui. O juiz Ricarlos Almagro, que havia pedido vista na última sessão, votou pelo deferimento do registro. Mas a votação do recurso não foi concluída, o pleno decidiu que os autos irão retornar para o Ministério Público Eleitoral fazer uma nova manifestação, já que a defesa do candidato apresentou memorial com documentos comprovando que o Tribunal de Justiça anulou a decisão da Câmara Municipal de Muqui, que havia rejeitado as contas referentes ao ano de 2007. O candidato do PSB, até o momento, tem dois votos a favor do deferimento e três contra. O candidato do PTB à prefeitura de Linhares, José Carlos Elias, também teve a votação de seu recurso retomada hoje (3). O relator, desembargador Annibal de Rezende Lima, votou pelo deferimento do registro, pois verificou nos autos que o candidato teve as contas aprovadas pela Câmara Municipal de Linhares nos anos de 2005, 2006 e 2007. O juiz Marcelo Abelha acompanhou o voto do relator, mas a juíza Rachel Durão Correia Lima pediu vista do recurso, adiando a decisão. Outro que continua com o futuro político nas mãos do TRE-ES é o candidato a prefeito de Vila Valério, Luizmar Mielke, o Maca (PT). O petista teria desrespeitado o prazo de desincompatibilização para se candidatar. O juiz Ricarlos Almagro pediu vista e a votação não foi concluída. Já o candidato Rogério Cruz Silva (PDT), que disputa a prefeitura de Iúna, está liberado. O TRE-ES reformou a sentença da juíza de primeiro grau e deferiu o registro do pedetista. Até a última sexta-feira (31) o TRE-ES julgou 345 dos 360 recursos que chegaram ao Tribunal. Esta semana, o TRE-ES realiza sessões nesta terça-feira (4) e quarta-feira (5).
Quadro de estrelinhas registra alteração em 31 municípios
Século Diário atualizou nesta segunda-feira (3) o quadro de estrelinhas, com as cotações dos candidatos a prefeito nos 78 municípios. Nesta semana, houve alteração em 31 municípios do Estado. Na Grande Vitória, porém, não houve mudança nas disputas. Mas em outros colégios eleitorais o crescimento de candidatos embolou a disputa de norte a sul do Estado. O destaque mais significativo em mudanças ocorridas nessa semana foi em Guarapari, onde o prefeito Edson Magalhães (PPS) teve o registro indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Apesar de o prefeito poder recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) da decisão, os observadores do processo consideram muito difícil que Magalhães consiga reverter a situação em Brasília. Com a iminente saída do candidato do PPS do páreo, aumentam as chances do candidato do PSB, Ricardo Conde, que deve “herdar” parte dos votos de Magalhães. Outro município em que houve uma mudança significativa foi São Mateus, no norte do Estado. O candidato do PV, Pedro Hemerly teve um crescimento que pode ameaçar o segundo colocado na disputa, o ex-deputado estadual Paulo Roberto (PMDB). Nenhum dos dois, porém, significa risco para o favoritismo do prefeito Amadeu Boroto (PSB), candidato à reeleição. Em João Neiva, a disputa está apertada, como crescimento do candidato petista Romero, que embolou a disputa com o ex-prefeito Aluzio Morellato (PP). Essas subidas dos segundos colocados se repetem em vários municípios. Outro lugar que houve crescimento do segundo colocado, embolando a disputa é Vila Pavão, Eraldino (PMDB) embolou a disputa com Bolinha (PSB). No município de Linhares há uma disputa acirrada entre o prefeitoi Guerino Zanon (PMDB) e Nozinho Correia (PDT). Também fica evidente o distanciamento do deputado estadual José Carlos Elias (PTB) desses dois candidatos. No município de Fundão a disputa está bastante acirrada. A ex-prefeita Maria Dulce (PMDB) continua à frente, mas observa-se um crescimento de Anderson Pedroni (PCdoB) e João Manoel (DEM). Itarana apresentou o crescimento de Dr. Braz (PMDB) e em Mucurici, Dr. Osvaldo, também do PMDB. Em Pedro Canário houve um crescimento de Ronaldo Feliciano (Psol), que ameaça a reeleição do prefeito Fioroti (PSB). A petista Fernanda Taylor está ameaça em Piuma, com o crescimento de Samuel Zuqui (PSB), André Layber (PR).
Aumenta a população de baleias jubarte no litoral capixaba
A presença de baleias da espécie jubarte na costa brasileira vem crescendo ano a ano. Segundo o Instituto Baleia Jubarte, a população triplicou nos últimos anos e representa atualmente cerca de 10 mil visitantes no litoral brasileiro. Cerca de 90% destes animais estão concentrados entre o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo, no Banco de Abrolhos, onde também foram registradas algumas mortes da espécie. Segundo o diretor do Instituto Orca, Lupércio Araujo, que atua no Espírito Santo, as baleias procuram a região que vai de Linhares ao sul da Bahia por se sentirem mais seguras. Ele explica que o aumento da população demonstra a recuperação da espécie, que sempre foi alvo de pesca. “Talvez o Espírito Santo seja a região no Oceano Atlântico sul ocidental com maior concentração da baleia jubarte no mundo”, disse Lupércio Araújo, se referindo à migração da espécie para a região nos meses de agosto e setembro. Apesar da segurança que a região representa para a espécie, foram registradas somente no mês de agosto a morte de 10 baleias entre as idades de filhote e juvenil, no litoral capixaba. O número não é alarmante, assegura o especialista, e passa longe do recorde de morte registrado em 2010 em todo o País. Na ocasião, 96 baleias morreram no litoral brasileiro, quase a metade no Espírito Santo. Segundo Lupércio Araújo, a morte desta espécie vem sendo registrada também em outras partes do mundo. Entre as causas atribuídas à mortandade está o desequilíbrio ecológico na cadeia alimentar destes animais, devido às mudanças climáticas e a exploração exaustiva dos recursos naturais. “As mudanças climáticas influem no deslocamento de espécies como a sardinha e a cavalinha, conhecidos como o arroz e feijão desta espécie. Desta forma elas se nutrem de maneira deficiente e consequentemente tem pouca energia para a migração e até na sua atenção com os filhotes. Além disso, elas também adoecem mais facilmente”, explicou. A pesca excessiva é outro fator importante, mas é preciso lembrar também que a mesma área escolhida pelas jubartes – o Banco de Abrolhos – é também a região onde estão instalados os campos petrolíferos. Só no entorno do arquipélago de Abrolhos, estão previstas a operação de 11 empresas de extração de petróleo – atividade que oferece riscos a qualquer espécie marinha. Segundo Lupércio, há um acordo que impede as atividades sísmicas das empresas exploradoras durante os meses de agosto e setembro no Estado do Espírito Santo e Bahia, justamente para garantir a reprodução das baleias jubartes e evitar acidentes. Entretanto, ainda não há como se certificar de que a atividade está paralisada. As baleias jubartes se alimentam no verão na Antártida e, durante o inverno austral (inverno do Hemisfério Sul), viajam até a costa brasileira.
ES vai ser o primeiro a receber recursos da Rede Cegonha
O Espírito Santo vai ser o primeiro Estado a receber os recursos da Rede Cegonha, criada pelo Ministério da Saúde com o objetivo de ampliar e qualificar a rede de assistência à mulher e ao bebê. No total, serão repassados R$ 7,2 milhões em investimentos para custear as primeiras ações estratégicas. Os primeiros R$ 3,9 milhões devem ser utilizados para os serviços existentes. O restante do valor vai ser pago conforme o andamento da Rede Cegonha no Estado. A verba é destinada ao custeio de um Centro de Parto Normal e uma Casa da Gestante, Bebê e Puérpera. A portaria n° 1.858 do Ministério da Saúde aprova a primeira etapa do Plano de Ação da Rede Cegonha no Estado, referente aos municípios de Colatina, noroeste do Estado, com R$ 2,01 milhões e Linhares, no norte, com R$ 5,2 milhões. Além disso, também devem ser destinados recursos para a criação de três leitos de Gestação de Alto Risco, 12 leitos de Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) Neonatal e quatro leitos de UCI Canguru. Ale da criação, vão ser qualificados 16 leitos de Gestação de Alto Risco, 16 leitos de UTI Adulto tipo II e outros 16 leitos de UTI Neonatal tipo II. A iniciativa foi criada em 2011 e fortalece um modelo de atenção que vai desde o reforço do planejamento familiar à confirmação da gravidez, passando pelo pré-natal, parto, pós-parto, até os dois primeiros anos de vida da criança. A portaria autoriza a transferência de recursos do Fundo Nacional de Saúde para os fundos de saúde do Estado e dos municípios da Rede de Assistência, após habilitação de todos os serviços previstos no Plano de Ação. As ações da Rede Cegonha têm o objetivo de qualificar, até 2014, toda a rede de assistência, ampliando e melhorando as condições para que as gestantes possam dar à luz e cuidar dos bebês de maneira segura e humanizada.
CNJ avalia incompatibilidade em patrimônio de magistrados
O plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vai avaliar, na sessão desta terça-feira (4), alguns casos de magistrados que têm patrimônio incompatível com seus rendimentos. Será a última sessão da ministra Eliana Calmon, que deixa o cargo de corregedora nacional de Justiça nesta semana. Não há informação sobre a relação de juízes e desembargadores que serão citados pela ministra. De acordo com informações do CNJ, as investigações sobre a evolução patrimonial de magistrados tiveram início no final do ano passado por iniciativa da corregedora de Justiça. Na época, ela decidiu também fazer uma verificação nas folhas de pagamentos dos tribunais, já que muitos juízes e desembargadores recebiam valores acima do teto salarial do serviço público. Essa deverá ser a última iniciativa de Eliana Calmon à frente do cargo. Na próxima quinta-feira (6), ela será substituída pelo ministro Francisco Falcão, que deverá dar continuidade às iniciativas da antecessora – sobretudo, no controle das atividades dentro da magistratura. Também fazem parte da pauta do CNJ outros dois processos relacionados ao Judiciário capixaba. Um dos itens é o pedido de revisão disciplinar feito pelo juiz Arthur José Neiva de Almeida contra uma condenação em procedimento administrativo no Tribunal de Justiça do Estado (TJES). O caso está sob vista regimental com o conselheiro José Lucio Munhoz. O outro processo é um recurso administrativo de Pietrângelo Rezende de Biase contra a decisão em um pedido de providências para apurar as condutas do desembargador Ronaldo Gonçalves de Sousa e a juíza Ligia Sarto Muller.
Agentes penitenciários na expectativa por aprovação do acautelamento de arma de fogo
Os agentes penitenciários e guardas prisionais militam pelo direito ao acautelamento de armas de fogo fora do ambiente de trabalho. Na Câmara Federal tramita o Projeto de Lei da Câmara (PLC) n° 87/2011, que pretende alterar a Lei n° 10.826/2003, passando a permitir que os agentes possam portar armas de fogo para defesa pessoal fora do ambiente de trabalho. Agentes do Estado foram a Brasília para participar das sessões na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A senadora Ana Rita (PT), no entanto, requereu que a matéria fosse analisada também pela Comissão de Direitos Humanos (CDH), da qual é vice-presidente, o que fez com que a votação do PLC fosse adiada. Ela argumenta que é favorável à atuação dos agentes penitenciários, que faz um trabalho desgastante e perigoso, por isso cabe o debate a respeito do tema. Para a senadora, o projeto merece atenção especial e defendeu que mais um colegiado tivesse a possibilidade de debater a matéria. Já os agentes penitenciários do Estado defendem o direito de portar armas fora do horário de trabalho, por conta do risco que os profissionais e suas famílias correm diariamente, já que estão em contato diário com os detentos e alguns ameaçam os agentes penitenciários. Inicialmente, o PLC 87/2011 seria analisado apenas pela CCJ, em caráter terminativo, mas com o adiamento, deve ser votada no dia 11 de setembro na CDH e no dia 12 na CCJ.
Análise: Um Verão Escaldante
A partir do momento que se decidiu que a duração standard dos filmes de longa-metragem é aproximadamente uma hora e meia (muitos dizem que Freud com suas sessões de psicanálise influenciou muito já no começo do século passado), muitos filmes se esforçam para se adequarem aos padrões de atenção do público. Entretanto, em alguns casos fica claro os espaços e cenas vazias só pra preencher a duração necessária. Os típicos filmes que poderiam ser curtas-metragens. No caso de Um Verão Escaldante, essa sensação é uma constante. Paul (Jérôme Robart), um jovem ator, um dia é apresentado ao pintor Frédéric (Louis Garrel), casado e devoto à bela atriz italiana Angèle (Monica Bellucci). Passa a ser seu confidente e narrador do filme. Conhece numa filmagem a Élisabeth (Céline Sallette) e passam a viver juntos, na casa de Frédéric. Intrigas e ciúmes serão uma constante no relacionamento dos casais que deverão separar-se para seguir adiante. A pintura e o cinema sempre estiveram ligados desde a criação deste. As composições estáticas já clássicas serviram ao cinema de forma a construir sua própria linguagem, acrescida de movimento e montagem. Quando o diretor Philippe Garrel propõe a junção das duas num filme, passa a criar uma metalinguagem, mas sempre caindo mais para a pintura. A câmera na mão como se fosse o pincel do pintor esperando o traço, criando belíssimos planos, mas sem a devida atenção ao tempo de cada plano, sempre longos e sem objetivo que não a contemplação estética. A beleza da fotografia ultrapassa o tempo ideal na busca por um quadro contemplativo, típico da pintura. Mas o excesso de tempos mortos, tão típico da Nouvelle Vague ou de filmes atuais que não tem o que dizer (Tarantino é o melhor exemplo), cansa o espectador por não ver um desenvolver da trama, sempre parada no mesmo ponto. O diretor se baseia na mesma trama de seu filme anterior, A Fronteira da Alvorada (2008), e a busca cega pelo ideal estético fixado na paixão pela atriz de cinema. A falta de sincronia da imagem com os diálogos em várias cenas estimula um cinema do olhar em detrimento do som. O que fica marcado também na péssima utilização da trilha sonora, sempre invadindo a trama com a música errada, na hora errada, que acaba tornando o filme previsível em cenas cuja tensão é diminuída pela música. De um esteticismo exacerbado, tanto na utilização da imagem pela imagem, e até mesmo na escolha dos atores, que não se encaixam na trama, parecem em busca do seu papel, sobra beleza nos figurinos e na maquiagem, proporcionalmente à medida que falta uma direção de arte e uma cenografia adequada. Um filme pequeno, mas que utiliza uma grande produção, que desborda na criação de outros filmes dentro do filme e parece perder-se nessas histórias paralelas quando não dá a devida atenção na história dos quatro personagens principais. Serviço Um Verão Escaldante (Un eté brûlant, França/Itália/Suiça, 2011, 95 minutos, 14 anos) Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 1. 17h20.
História da música
O projeto Quartas no Theatro Carlos Gomes reúne nesta quarta-feira (5) o cantor Chico Lessa e a banda Aurora Gordon. Chico Lessa divide o palco com a banda Aurora Gordon, com a música Simplesmente (Chico e Nenna B), gravada pelo grupo e que mostra um Chico contemporâneo. Entre as músicas do repertório figuram clássicos como Meio-mastro (Chico e Tina Tironi), ganhadora do 1º Festival de Música de Vitoria, e Menina dos Olhos (Chico e Maurício Maestro), gravada em seu disco de estreia, lançado em 1982, e pelo grupo Boca Livre. Em breve, sairá uma nova versão, na voz de Andrea Ramos, resultado do Prêmio Pixinguinha-Funarte 2009. Entre outras, Chico Lessa também mostrará composições recentes como Um Guarda-Chuva pra Esquecer e Enquanto Você Me Amar. O show 45 Anos de Estrada comemora a trajetória profissional do músico e compositor Chico Lessa. Ele interpretará, acompanhado do violão, dez canções das mais significativas de sua carreira, ao lado de quatro instrumentistas que são referências na cena capixaba. Chico ainda comentará algumas histórias, segundo ele verídicas, vividas durante esse tempo. A Banda Aurora Gordon representa, nos dias atuais, o que foi o movimento musical de contracultura capixaba nos anos 1960 e 1970 através de discos, shows, exposições, documentários e livros, produzidos e dirigidos por Murilo Abreu (foto acima). Todo o repertório é composto por músicas dos mais variados estilos e momentos, criados por pessoas do ES, como Afonso Abreu, Mário Ruy, Arlindo Castro, Marco Antônio Grijó, Rogério Coimbra, Paulo Branco, Nenna, Sérgio Régis, Chico Lessa e Aprígio Lyrio. O projeto faz do Carlos Gomes uma vitrine da produção capixaba. Além da tradicional Quarta Clássica, série da Orquestra Filarmônica do Espírito Santo (Ofes), o espaço abre seu palco para espetáculos de música popular e artes cênicas. Serviço O Quartas no Theatro Carlos Gomes com o cantor Chico Lessa e a banda Aurora Gordon acontece nesta quarta-feira (9), às 19h, no Teatro Carlos Gomes. Praça Costa Pereira, Centro, Vitória. Ingresso: R$ 2 (inteira) e R$ 1 (meia).
Desertificação já atinge 15% do território brasileiro
Mais de 1,3 milhão de quilômetros quadrados no Brasil podem virar deserto, se nada for feito. O alerta é do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, divulgado pela Agência Brasil. No Espírito Santo, as áreas suscetíveis a virar deserto ocupam 36% do território estadual, onde vivem em média 15% da população capixaba. O problema é grave e só no Estado pode atingir mais de 36 milhões de pessoas, gerando o aumento da pobreza, a migração, diminuição produtiva e outros fatores de ordem social, econômica e ambiental. Os municípios capixabas com risco de virar desertos ocupam uma área de 16.679,69 km², segundo informações do Grupo de Trabalho Interinstitucional de Combate à Desertificação do Espírito Santo (GTI-CD/ES). O Insa aponta que o uso correto da terra é cada vez mais urgente para o País, visto que 15% do território brasileiro já estão comprometidos. Ao todo, são 1.488 municípios em nove estados da Região Semiárida do Nordeste brasileiro, do norte de Minas Gerais e do Espírito Santo. Para reverter essa situação, diz o Insa, é preciso conscientizar agricultores e garantir a difusão de tecnologias adaptadas ao semiárido, com uso de técnicas agroecológicas para o combate e a prevenção à desertificação. O Instituto considera que essas práticas preconizam o cuidado com a terra, ou seja, a compreensão de que é preciso usufruir dela mas não esgotá-la, sem objetivar apenas o lucro. A lógica do agronegócio, baseada na monocultura e no agrotóxico, divulgou o instituto, contribui em grande parte para a degradação do solo. Compõem as chamadas Áreas Suscetíveis à Desertificação (ASD) do Espírito Santo os municípios de Águia Branca, Água Doce do Norte, Alto Rio Novo, Baixo Guandu, Barra de São Francisco, Boa Esperança, Colatina, Ecoporanga, Governador Lindenberg, Mantenópolis, Marilândia, Montanha, Mucurici, Nova Venécia, Pancas, Pedro Canário, Pinheiros, Ponto Belo, Rio Bananal, São Domingos do Norte, São Gabriel, Sooretama, Vila Pavão e Vila Valério. E, embora não incluídos na listagem oficial, os municípios de São Mateus, Aracruz e Conceição da Barra também têm áreas desertificadas – o chamado deserto verde, composto pelos plantios de eucalipto da Aracruz Celulose (Fibria), conforme denunciado por ambientalistas. Há, ainda, áreas desertificadas também em Rio Novo do Sul (próximas à BR) e Cachoeiro do Itapemirim (em direção a Presidente Kennedy). Entre as principais consequências da degradação dessas terras estão as perdas para o setor agrícola, com o comprometimento da produção de alimentos; a extinção de espécies nativas; o agravamento da desnutrição da população local; baixo nível educacional, e a concentração de renda. Combate Segundo o Insa, existem muitas tecnologias sendo usadas no semiárido e com resultados positivos. Uma delas, o Programa Um Milhão de Cisternas, implementado pela Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), que em parceria com o governo federal, agências de cooperação e empresas privadas permite captar a água da chuva para consumo humano por meio de cisternas de placas de cimento. A infraestrutura, com capacidade para 16 bilhões de litros de água, já está presente nas casas de aproximadamente 600 mil famílias. Menos conhecido e difundido é o cultivo do nim indiano. A planta tem crescimento rápido e atinge uma altura de oito metros em três anos, ajudando a reverter as consequências da desertificação. No Estado um estudo foi iniciado em novembro de 2011 para elaborar um estudo técnico sobre os aspectos físico-ambientais das “Áreas Susceptíveis à Desertificação no Espírito Santo”, mas seu resultado ainda é desconhecido. O estudo, no valor de R$ 34.450,00, é aguardado há mais de três anos.
Foras da lei barulhentos
O título é de perder o fôlego: Foras da lei barulhentos, bolhas raivosas e algumas outras coisas que não são tão sinistras, quem sabe, dependendo de como você se sente quanto a lugares que somem, celulares extraviados, seres vindos do espaço, pais que desaparecem no Peru, um homem chamado Lars Farf e outra história que não conseguimos acabar, de modo que talvez você possa quebrar esse galho. O mesmo vale para a seleção dos autores, alguns dos mais celebrados escritores norte-americanos da atualidade: Neil Gaiman, Nick Hornby, Jonathan Safran Foer, Clement Freud e Lemony Snicket, entre outros. O lançamento é uma compilação de onze contos inéditos, cada um deles ilustrado por um artista diferente, entre os quais vale destacar Barry Blitt (já ilustrou vinte capas da revista New Yorker), Lane Smith (o ilustrador de A Verdadeira História dos Três Porquinhos, de Jon Scieska), David Heatley (colaborador do jornal The New York Times) e Peter de Sève (criador dos personagens da animação A Era do Gelo/ilustração abaixo). Em comum, as histórias trazem um quê de estranhamento do mundo, com inocência infantil. A bem-humorada introdução de Lemony Snicket resume: “Há inúmeras coisas muito perigosas neste livro, o que é uma notícia desagradável para os personagens das histórias e uma boa notícia para o leitor. Sem coisas perigosas, as histórias tendem a ser chatas, palavra que aqui significa ‘algo que você talvez tenha de ler na escola’, e, embora haja vários tipos de histórias neste livro – talvez você goste de algumas e desgoste de outras –, nenhuma delas é chata”. Difícil é desgostar de alguma dessas histórias. Hornby nos apresenta a decepção de um menino que descobre que o país em que vive, Champina, é tão pequeno que nem aparece no mapa. “Do outro lado do riacho é a França. A Itália fica atrás da cerca dos fundos da lojinha. E o jardim do Monsieur Petit está metade em Champina e metade na Suíça”. Jon Scieska cria um diálogo nonsense a partir de propagandas publicitárias norte-americanas. Safran Foer revela o que está por trás (ou por baixo) do Central Park, em Nova York: na verdade, o parque fazia parte do Sexto Distrito, uma ilha separada de Manhattan por uma pequena porção de água que, por vontade própria, foi se afastando até se tornar a Antártica, onde tudo é congelado. E há ainda o retorno às livrarias do clássico Grimble, de Clement Freud, a história de um garoto que, certo dia, se dá conta de que seus pais viajaram para o Peru sem aviso prévio e, agora, cabe a ele cuidar da própria vida, guiado pelos bilhetes que seus pais espalharam pela casa. Se os estilos literários se misturam, com as linguagens artísticas não acontece diferente. De desenhos a colagens, de aquarelas a cartum, o livro traz ainda uma cômica história em quadrinhos de James Kochalka, sobre as aventuras de um super-herói gato e seu fiel escudeiro, um bebê fantasiado de monstro. O verso da sobrecapa, que brinca com o tamanho do título, por meio de um jogo de siga a seta, esconde uma surpresa: Lemony Snicket começou uma história cujo final sumiu! E ele convida os leitores a terminá-la. Foras da Lei… reúne literatura da melhor qualidade para um público carente de boas histórias. Serviço Foras da Lei Vários autores Cosac Naify 224 págs R$ 49,90 em média