O plenário da Câmara de Vereadores de Presidente Kennedy (litoral sul do Estado) vota, na sessão desta quarta-feira (5), o pedido de impeachment do prefeito afastado do município, Reginaldo Quinta (PTB). A sessão está marcada para às 10 horas e vai contar com reforço de tropas policiais para garantir a segurança no município. A comissão processante deu parecer pela cassação de Quinta, o que pode impedi-lo de disputar a reeleição no pleito deste ano. De acordo com o Regimento Interno da Câmara, são necessários dois terços dos votos para a cassação do mandato do petebista, isto é, seis entre os nove vereadores. Os trabalhos da comissão foram iniciados em julho último, com base nas investigações da Operação Lee Oswald, que desarticulou uma quadrilha – supostamente chefiada por Quinta – responsável por fraudes em licitações que podem chegar a R$ 55 milhões. Durante os trabalhos, o prefeito afastado teve que ser comunicado dos atos da comissão por notificação em Diário Oficial. Além de dificuldades para localizar Quinta, o Legislativo teve que contratar um advogado dativo para representar o prefeito afastado, sob alegação de evitar qualquer nulidade do processo em função do cerceamento de defesa. Na última sessão da comissão, realizada no último dia 29, o prefeito afastado não atendeu à convocação para depoimento. Somente as testemunhas da acusação foram ouvidas, entre elas, Ezilmar Henriques Calheira, que apresentou a denúncia contra Quinta, o ex-secretário de Turismo, José Carlos Monteiro Fraga, além do motorista Ronaldo Nunes de Souza, principal testemunha durante as investigações. Houve também o registro da tentativa de agressão ao presidente da comissão processante, o vereador Tércio Jordão Gomes (PDT), que fez as primeiras denúncias contra Quinta há mais de dois anos. Por conta da ameaça, o presidente da Casa, José Carlos Barreto Araújo (PMN), se reuniu com o interventor estadual no município, Lourival Nascimento, para pedir reforço policial durante o julgamento do impeachment. Segundo informações da presidência da Casa, um esquema especial será montado no dia da sessão. Por conta do espaço físico limitado da Câmara, serão distribuídas senhas para os interessados em acompanhar a sessão. Ao todo, 50 senhas devem ser distribuídas, a partir das 8 horas, na própria quarta-feira (5). Custo extra De acordo com a publicação no Diário Oficial desta segunda-feira (3), a defesa do Reginaldo Quinta vai custar R$ 12,6 mil aos cofres do Legislativo. O Contrato nº 008/2012 indica a contratação do advogado Luiz Carlos Zanon da Silva Junior para representar os interesses do prefeito exclusivamente no processo disciplinar movido pelos vereadores. No entanto, essa conta não deverá ficar com o poder público. Após o final do procedimento administrativo, a Câmara de Vereadores deve cobrar judicialmente o ressarcimento dos valores aos cofres públicos.
Sem identificação com Vila Velha, rejeição a Rodney aumenta
Como havia previsto o mercado político, o deputado estadual Rodney Miranda (DEM), que se apresentava como uma grande novidade para a disputa eleitoral de Vila Velha, já alcançou seu teto de votação e está regredindo na corrida à prefeitura do município. Na medida em que se tornou conhecido, a partir do início da campanha eleitoral no rádio e na TV, a rejeição do candidato apresenta um aumento no índice de rejeição, devido à falta de identificação com a cidade. Nem mesmo a presença do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) no palanque do demista foi capaz de mantê-lo no páreo. Com o desgaste de Rodney, cada vez mais aumenta a polarização entre Neucimar Fraga (PR) e Max Filho (PSDB), que devem disputar o segundo turno no município. Para ganhar o eleitorado, Rodney tem batido na tecla da segurança, mas seu desempenho como secretário da pasta no governo Paulo Hartung não transmitu ao eleitor confiança na melhoria desse setor no município. Isso porque, quando secretário, Rodney teve um desempenho muito distante do esperado, enquanto o índice de criminalidade e homicídios alcançaram números muito altos no Estado. Sem carisma e com um discurso distante da realidade local, o programa eleitoral de Rodney não garantiu seu crescimento na disputa. O que prejudica a imagem do ex-governador. Hartung se movimenta em um jogo duplo no município, enquanto oficialmente apoia Neucimar Fraga (PR) – oficialmente em termos, porque o PMDB está coligado com o prefeito –, ele articula uma aproximação com Max Filho, esse sim com chances na disputa. A estratégia consistiria em colocar Rodney como candidato para rivalizar com Neucimar, enquanto Max corre solto para o segundo turno. Na semana passada, porém, o prefeito conseguiu equilibrar o jogo posando para fotos ao lado do governador Renato Casagrande, o que reforça seu palanque no município. Como Rodney é para o eleitorado o candidato de Hartung, sua diminuição de capital político prejudica a imagem do ex-governador e seu projeto de ganhar musculatura para a eleição estadual em 2014. Dessa forma, para as lideranças políticas, mesmo que o ex-governador venha a lograr êxito com o palanque do PSDB no município, a derrota de Rodney será colocada na conta do ex-governador.
Grampolândia é aqui: número de grampos salta mais de 2.000% em três anos
Pivô de um dos principais escândalos no governo Paulo Hartung (PMDB), o expediente de interceptações telefônicas, os conhecidos “grampos”, está cada vez mais consolidado no Espírito Santo. Entre 2009 e 2011, o total de escutas com autorização judicial saltou de 509 para 11.452, uma alta de 2.144%, enquanto o número de procedimentos vinculados às interceptações teve uma queda de 422 para 351 (16,8%). Os dados fazem parte de um relatório divulgado pelo Ministério Público Estadual (MPES). Apesar da diminuição no número de procedimentos adotados, o número de investigados também cresceu – saltando de pouco mais de mil pessoas, em 2009, para quase 13,4 mil no ano passado. No período, a relação de investigados e grampos em cada procedimento é quase quinze vezes maior. Enquanto pouco mais de duas pessoas eram investigadas, um grampo era realizado na média em cada procedimento em 2009. Dois anos depois, o número de investigados por caso, na média, já era de 38 pessoas, com a realização de 32 escutas. Essa é a maior variação na série histórica dos dados extraídos do relatório geral do MPES do ano passado (conforme tabela ao lado). A divulgação atende a uma orientação do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que estabeleceu critérios de controle e transparência nos pedidos de escutas telefônicas solicitadas pelos órgãos ministeriais. De acordo com as estatísticas, a evolução da “grampôlandia capixaba” pode ser observada ano a ano. Em 2009, o número de grampos registrados era de 509. No ano seguinte, o total subiu para 859 escutas. Contudo, o maior salto foi registrado em 2011, quando este mesmo indicador registrou 11.425 escutas, uma alta de 1.230%. O total de investigados também seguiu essa tendência, pulando de 1.029 para 3.880 entre 2009 e 2010, chegando a 13.404 no ano passado. O elevado número de interceptações telefônicas em uso no Estado revisita uma das principais polêmicas durante o governo Paulo Hartung (PMDB). Sob pretexto de combate ao crime organizado, o aparelho de segurança pública local chegou até mesmo a gravar conversas de jornalistas, advogados e autoridades, pelo aparelho conhecido como “guardião”. O escândalo provocou a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa para apurar o grampo ao principal grupo de comunicação do Estado, a Rede Gazeta, em 2006. Durante os trabalhos da CPI do Grampo, como ficou conhecida, foram colhidos documentos e depoimentos que trouxeram à tona os bastidores das atividades de grampeamento no Estado. A comissão acabou sendo arquivada sem a leitura do relatório final dos trabalhos com o encerramento da legislatura, em dezembro daquele ano.
Ex-governador leva Ricardo Ferraço ao palanque do PT em Cachoeiro
Ao entrar na campanha à reeleição do prefeito de Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado), Carlos Casteglione (PT), o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) cria uma situação atípica na política da região. Isso porque, como tem atuado em grupo nesta eleição, tudo indica que ele deve levar para o palanque do petista o senador Ricardo Ferraço (PMDB), que vem acompanhando Hartung em suas apostas eleitorais neste ano. O problema é que em Cachoeiro, o pai do senador, o deputado estadual Theodorico Ferraço (DEM), apoia o candidato da oposição ao prefeito, o também deputado estadual Glauber Coelho (PR). Por isso, os meios políticos se questionam sobre o papel que Theodorico terá nesse cenário. Para os observadores, se Theodorico mergulhar na disputa, prevalecerá a figura do filho no palanque do petista e quem pode sair prejudicado é o candidato republicano. Se o deputado entrar no palanque de Glauber para equilibrar a disputa terá que enfrentar Hartung e o filho, o que deixará o eleitor confuso, já que o deputado e o ex-governador têm firmado parceria nesta eleição. Mas a tendência é que Theodorico saia do processo eleitoral em Cachoeiro, o que deixará o palanque de Glauber desguarnecido, afinal, Ferraço é a figura mais importante neste apoio, porque o PMDB de Roberto Valadão anda em declínio no município, assim como o capital do ex-deputado José Tasso (PMDB). Ambos são apoiadores de Glauber. Outra leitura que a classe política faz no município é que a entrada de Hartung no processo em Cachoeiro, levando Ricardo para o palanque do PT e anulando a força política de Ferraço, pode expor na disputa o senador Magno Malta (PR), que terá que entrar em campo em favor de seu candidato e, assim, em rota de colisão com Hartung. Os observadores do movimento em Cachoeiro entendem que a entrada de Hartung no processo eleitoral significa que o crescimento da campanha do petista é real, já que o ex-governador só aposta em palanques com condições de vitória, minimizando os riscos de derrotas. Mas se houver um embate entre ele e Magno Malta, a disputa pode se arrefecer.
Bancários: agências da Reta da Penha fechadas em advertência na manhã desta 2ª
Os bancários capixabas fizeram uma paralisação de advertência na manhã desta segunda-feira (3), fechando agências da Reta da Penha, em Vitória, em protesto até o meio-dia. O movimento faz parte da campanha salarial da categoria, que cobra uma proposta que represente ganho real da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) para os trabalhadores. No Estado, ficaram fechadas pela manhã as agências do Itaú, Caixa Econômica Federal, Banco Mercantil, Bradesco, Banco do Brasil e Santander, na avenida que é considerada o centro financeiro do Estado. Nesta terça-feira (4) vai ser realizada mais uma rodada de negociações entre a Fenaban e o Comando Nacional dos Bancários. Inicialmente, está afastada a possibilidade de greve. A minuta com a pauta de reivindicações dos bancários, elaborada durante a 14ª Conferência Nacional dos Bancários, foi entregue aos banqueiros em 1° de agosto. As negociações com a Fenaban iniciaram em 7 de agosto e até esta segunda-feira foram realizadas cinco rodadas. Os bancários reivindicam reajuste salarial de 10,25%, que equivale à reposição da inflação acrescida de 5%; Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de três salários, mais R$ 4.964,25 fixos; piso da categoria no mesmo valor do salário mínimo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que é de R$ 2.416,38; fim da rotatividade e da terceirização; fim das metas e do assédio moral, e mais segurança para bancários e clientes.
Grupo de Hartung aposta em Luiz Paulo para se transferir do governo para prefeitura
Caso Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) confirme o favoritismo e saia vencedor da disputa pela prefeitura da Capital, terá que entregar uma parte generosa da administração para Paulo Hartung (PMDB), como paga pelo apoio do ex-governador e seu grupo à campanha do tucano. Na festa do PSDB da última quinta-feira (30), no Clube Álvares Cabral, os hartunguetes (núcleo duro de Paulo Hartung) deram uma mostra que estão com o apetite voraz por cargos na administração do município. Homens de confiança de Hartung, como o ex-secretário de Saúde e atual diretor de Administração e de Meio Ambiente da Cesan, Anselmo Tozi, assim como o presidente da Cesan, Neivaldo Bragato, acompanharam os passos do ex-governador de perto. Além de estar representado na chapa tucana na condição de vice, com o também ex-secretário de Educação Haroldo Rocha, o grupo de Hartung, antes mesmo da apuração das urnas, não esconde que está, desde já, de olho nos cargos. A voracidade dos hartunguetes parece assustar os tucanos. Se Hartung cobrar de Luiz Paulo o mesmo que cobrou de Casagrande, a conta por cargos vai às alturas, deixando os aliados e os próprios tucanos de fora da administração municipal. O grupo de Hartung, que juntamente com o seu líder vem enfrentando desgaste no governo do Estado, precisa urgentemente arrumar um novo “banker” para se abrigar. A perda de espaço do grupo de Hartung se acentuou com a eclosão dos escândalos de corrupção envolvendo o Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases), autarquia vinculada a uma das secretárias mais estratégicas do governo anterior, a de Justiça, que movimentou, só com a construção de presídios (todos sem licitação), mais de meio bilhão de reais no governo passado. Embora ainda não queira admitir publicamente, em função dos acordos firmados, que haja qualquer mal-estar com o seu antecessor, o governador Renato Casagrande vem diminuindo, veladamente, o espaço dos hartunguetes no seu governo. Um exemplo foi a saída, em julho último, de Robson Leite da Chefia de Gabinete de Casagrande. Como todo mundo sabe, Robson Leite fazia as vezes de olhos e ouvidos de Hartung dentro do Palácio Anchieta. Sua saída foi um claro sinal de desterritorialização do ex-governador. Outro exemplo pode ser notado no caso do escândalo envolvendo o Iases. É verdade que Casagrande se mantém à espreita, para depois não ser acusado de ter dado um empurrãozinho nas investigações. Mas nos bastidores se comenta que ele está disposto a dar a corda necessária para que as investigações avancem e desmantelem o esquema de corrupção montado na autarquia que, em última análise, é de responsabilidade do secretário de Justiça Ângelo Roncalli, outro remanescente do governo Hartung que começa a ficar mais vulnerável. Já se comenta, inclusive, que há uma investigação em curso para destrinchar os contratos da Sejus relacionados à construção e terceirização de unidades prisionais. A experiência de Casagrande de entregar parte do seu governo a aliados de Hartung parece não ter sido exitosa. Repetir a experiência na prefeitura de Vitória, caso Luiz Paulo saia vencedor, será um grande desafio para os tucanos. Luiz Paulo terá que dar nó em pingo d’água para acomodar o grupo de Hartung, que é grande, no seu governo e ainda atender às demandas dos próprios colegas de partidos e aliados. Tudo isso sem despersonalizar seu governo. Porque, para todos os efeitos, os eleitores tucanos pensam que estão votando em Luiz Paulo.
Estrelinhas: nova atualização será publicada nesta segunda
Século Diário publica nesta segunda-feira (3) a segunda atualização das estrelinhas. A primeira foi feita na última quarta-feira (29), na ocasião do lançamento das já tradicionais estrelinhas, que avaliam as chances dos candidatos que disputam as eleições num dos 78 municípios do Estado. Embora o intervalo entre o lançamento e a atualização desta segunda-feira seja de apenas seis dias, a equipe de Século Diário registrou algumas mudanças importantes no cenário político de alguns municípios. Informamos ainda que as atualizações das estrelinhas passam a ocorrer sempre às segundas, salvo aconteça algum fato novo em determinado município que imponha a antecipação da atualização, como por exemplo o indeferimento de uma candidatura, que pode alterar completamente as chances de outros candidatos. Lembramos também aos leitores que acompanham as estrelinhas que ponderações, análises ou questionamento sobre as cotações de Século Diário serão bem-vindas. As sugestões devem ser enviadas para redação@seculodiario.com
Vale o quanto pesa?
José Rabelo e Renata Oliveira As quatro maiores lideranças do Estado disputam espaço político por meio de palanques de seus aliados. Papo de Repórter “afere” o peso que cada uma delas dá às campanhas que abraçam e quem está tendo os melhores desempenhos nesta fase inicial. Renata – Esta semana, alguns episódios nas eleições municipais chamaram a atenção do mercado político, não para os candidatos em si, e sim para a disputa de espaço político entre as quatro lideranças mais importantes do Estado. Casagrande posou para foto com Neucimar Fraga (PR), Hartung (PMDB) participou de evento com Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) e Magno Malta (PR) vem subindo no palanque de seus aliados, com destaque para o prefeito da Serra, Sérgio Vidigal (PDT). Quem está um pouco apagado nessa disputa paralela é o senador Ricardo Ferraço (PMDB). José Rabelo – A foto do Neucimar com Casagrande tem um simbolismo grande no mapa eleitoral de 2014. Embora tenham dito que a foto necessariamente não era de campanha, fica evidente a intenção do governador marcar terrritório no maior colégio eleitoral do Estado. Para Neucimar o peso que Casagrande passa a dar ao seu palanque, podemos dizer, parece positivo. Neucimar, que já vinha usando contra Max Filho (PSDB) o argumento de que o ex-prefeito foi responsável pelo isolamento de Vila Velha, tem a oportunidade de mostrar que a parceria com o governo do Estado está consolidada. Ao mesmo tempo, no palanque da concorrência, ainda é um mistério se o apoio de Hartung a Rodney Miranda (DEM) vai ajudar a levantar ou a afundar o palanque. O que você acha? Renata – Acho que ao posar com Neucimar, Casagrande já mandou o recado para o mercado político de que quem tem a caneta hoje é ele e que o apoio de Hartung é o apoio de um ex. E ex não vale muito quando o assunto é política. A impressão é que na batalha de Vila Velha, Casagrande reagiu à entrada de Hartung, e reagiu bem. Tanto que não precisou de evento para reforçar, nem estar no jingle do candidato. Só o fato de ele fotografar ao lado de Neucimar já deixa a mensagem, sem precisar subir no palanque, e quem ganha com isso é Neucimar. José Rabelo – Você tem razão. Perceba como o peso do ex é diferente, ainda mais de um ex como Hartung que, cá entre nós, não tem carisma nenhum. Não podemos dizer que Hartung é um sujeito simpático, iluminado, que chama a atenção por onde passa. Tanto é que a estratégia que ele adotou quando iniciou essa movimentação foi sair sempre em grupo, junto com Ricardo Ferraço, Lelo Coimbra, Gerson Camata e outros. Isso mostra como a imagem de Hartung estava exclusivamente ligada ao cargo de governador. Sozinho e sem a caneta na mão, ele se sente vulnerável, frágil. Andar em “bando”, assim como institivamente fazem algumas espécies do reino animal, lhe dá certo conforto e segurança. Imagine Hartung em um grande evento aberto – como a festa do PSDB essa semana – sendo vaiado pela plateia? Como você acha que ele reagiria? Renata – Mas foi exatamente por isso que ele não disputou a eleição em Vitória. Hartung, como você disse, não é um político carismático. Faz campanhas antecipadas, retirando do caminho os adversários para “disputar” sozinho. Como não conseguiu isso, esperou o momento em que a disputa parecia mais favorável ao candidato do PSDB, Luiz Paulo Vellozo Lucas, para entrar em campo, com o mínimo de risco possível. Mas você falou da questão do grupo do Hartung e isso também traz problemas. Aliás, dentro do ninho tucano, tem gente engolindo a seco essa história de os emissários do ex-governador quererem tomar conta da campanha de Luiz Paulo. Agora que onça está morta, todo mundo quer ser caçador, não é? José Rabelo – Se falta carisma em Hartung sobra no senador Magno Malta. Sem entrar no mérito de seus recursos midiáticos, o fato é que Magno é espontâneo e isso em campanha soa positivo para os eleitores. Estão comentando que a carreata da qual ele participou na Serra em apoio à candidatura à reeleição do prefeito Sérgio Vidigal foi um sucesso. Malta soltou a voz para pedir votos ao amigo Vidigal e não escolheu as palavras na hora de criticar o candidato da oposição Audifax Barcelos (PSB). Talvez, depois, ele até se arrependa de algumas coisas que disse, mas na hora da campanha essa espontaneidade aproxima o candidato do eleitor. Diferentemente do estilo de Hartung, que acaba transmitindo uma mensagem um tanto artificial. Você pode perceber isso claramente na sua principal criação: Rodney Miranda, que deve estar dando um trabalho danado para os marketeiros, justamente por essa falta de espontaneidade. Renata – Aliás, um comício com Hartung e Rodney não deve ser muito atraente, não é? Mas dessas que são consideradas as maiores lideranças políticas do Estado, quem acabou se prejudicando na demarcação de território foi o senador Ricardo Ferraço. Tudo bem, Ricardo está no grupo de Hartung e tenta se viabilizar como um substituto para a disputa ao governo, caso o resultado das urnas não seja favorável ao ex-governador. Mas Ricardo poderia aparecer mais na campanha. Está atuando como mero coadjuvante, pelo menos, no palanque. Ele não tem um candidato para chamar de seu. José Rabelo – Agora, quem tinha até essa quinta-feira (30) um candidato para “chamar de seu” e não tem mais é o Paulo Hartung. Com a impugnação de Edson Magalhães (PPS), em Guarapari, o ex-governador sofreu sua primeira dura derrota. Não é muito do estilo de Hartung correr esse tipo de risco, mas contrariando sua própria lógica, ele resolveu apostar em um candidato que tinha tudo para ter o registro negado. Não deu em outra. Mesmo que Edson Magalhães reverta a decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) em Brasília, a derrota está consumada. Essa história também deixa patente o que todo mundo já estava cansado de saber: que Hartung é um
Casagrande entra na briga para ganhar em seu reduto natal
Com 26.591 eleitores, o município de Castelo, no sul do Estado, não é exatamente uma vitrine política. Mas este ano a eleição na cidade chamará a atenção do resto do Estado, por um único motivo: é onde nasceu o governador Renato Casagrande. Assim como Paulo Hartung (PMDB), que é de Guaçui, na mesma região, o socialista sofre com a sina da dificuldade de vencer em seu primeiro reduto. Este ano, o governador – embora tenha prometido não subir em palanque algum nas disputas municipais, para não alvoroçar a base – aposta suas fichas em Jair Ferraço (PSB), mas a construção da candidatura não foi fácil, com muitas interferências do mercado político tentando dificultar a candidatura palaciana. Mesmo assim, iniciado o processo eleitoral, Jair Ferraço está na frente na corrida à prefeitura, mas é bom não descartar a capacidade de crescimento de pelo menos dois dos quatro candidatos a prefeito. Além do socialista, o vereador José Carlos Puziol (PDT) é outro nome que pode crescer, e ainda o vereador Warlen Bortoli (PSC), o Vermelho, que teve candidatura barrada. Mas se ele conseguir reverter a situação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pode dividir os votos, acirrando a disputa. Quando governador, Paulo Hartung também teve muita dificuldade para conseguir vencer em Guaçui. Seu candidato no município sempre foi o ex-prefeito Luiz Moulin (PSDB), que nas duas eleições realizadas durante seu governo não logrou êxito na disputa municipal. Nos meios políticos, uma movimentação ocorrida no município, que cassou o então prefeito Luciano Machado, foi atribuída na época às manobras palacianas, para tentar emplacar um nome ligado ao ex-governador. No caso, Vagner Rodrigues (PMDB). Nesta eleição Moulin disputa novamente, mas também não vem liderando o processo eleitoral. A expectativa este ano é que Casagrande invista na disputa de Jair Ferraço no município, afinal, par aos meios políticos, vencer na cidade natal é tão simbólico quanto vencer nos grandes colégios eleitorais.
Reconhece a queda(e não desanima)
Ao final de vinte minutos de discurso, a testa de Paulo Hartung reluzia; sob o paletó, a camisa azul encharcara-se. Ainda no início, citou Volta Por Cima. Evocava um passado glorioso: “Nós conseguimos levantar o Espírito Santo, sacudir a poeira, como diz o poeta, da desorganização e do desvio, e dar um belíssima volta por cima!”. Mas o presente dá outro sentido ao samba-superação de Paulo Vanzolini. As glândulas sudoríparas do ex-governador trabalharam arduamente para comover a militância tucana. Na noite da última quinta-feira (30), cerca de mil pessoas lotaram a Sede Social do Álvares Cabral para o Grande Encontro de lideranças políticas promovido pela candidatura de Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB). Mais que um festivo comício do aspirante a prefeito de Vitória, o evento tirou o ex-governador Paulo Hartung de uma desconfortável penumbra para lançá-lo aos holofotes de uma caminhada de grandes chances de êxito. O colossal painel que se estendia de fora a fora nos fundos do palco falava por si: de mãos dadas como dois velhos amigos, Luiz Paulo e Hartung sorriem para um futuro esplendoroso. Desde a deflagração da Operação Lee Oswald, em abril, a Era Hartung amarga denúncias que aproximam o Novo Espírito Santo que o ex-governador tanto celebra de um Velho Espírito Santo que ele tanto lastima. Outro golpe certeiro foi desferido em agosto. A Operação Pixote revelou indícios de corrupção no Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases). Aqui, conforme denunciado com exclusividade por Século Diário, o esquema foi iniciado em 2006. As rodas políticas interpretam a atual conduta de Hartung mais como um movimento de autoproteção contra denúncias – ele pode rotulá-las de “políticas” – do que como convicção no projeto tucano. Naturalmente, esse movimento também se estende à proteção de seu patrimônio político com vistas a 2014. O encontro estava marcado para as 19h. Às 19h50, cerca de 15 veículos se estendiam pela Avenida Marechal Mascarenhas de Moraes e aguardavam o sinal do porteiro para entrar. Dentro da Sede Social, um retrato de qualquer grande de campanha: gente, criança, algazarra, faixas estendidas, bandeiras agitadas. Enquanto lá fora os carros tentavam entrar, o vice de Luiz Paulo e ex-secretário de Educação de Hartung, Haroldo Rocha, abria o Grande Encontro. A partir daí, a violenta desidratação que o PSDB sofreu durante a Era PH ficou para trás – hoje o partido não tem uma representação na Assembleia Legislativa. A partir dali os elogios foram mútuos, todos se deram as mãos, se abraçaram e sorriram felizes. À esquerda de Haroldo, nos fundos do palco, sentavam-se os deputados federais Lelo Coimbra (PMDB) e César Colnago (PSDB), o senador Ricardo Ferraço (PMDB), Luiz Paulo e Paulo Hartung; à direita, estavam os deputados estaduais Sérgio Borges (PMDB), Élcio Álvares (DEM) e Luzia Toledo (PMDB), os ex-senadores Gerson e Rita Camata (PMDB) e o deputado federal Carlos Manato (PDT). Ferraço sucedeu Haroldo nas falas. E teve que enfrentar um burburinho inconveniente; às vezes um “shhh!!!” sobressaía entre o público. Ferraço não se abalou: “Mais que um encontro político, estamos celebrando um recomeço”. Uma frase prenhe de significados, que passou a ter um único e muito bem definido quando o senador exumou o conhecido discurso da “reconstrução” do Espírito Santo. Hartung ainda não discursara. Com um paletó e camisa azuis, sem gravata, assistia a tudo atento em sua cadeira. Às vezes respondia a um cumprimento da plateia. Em umas, lançava beijos e sorrisos; em outras, naquele universal gesto de união, juntava as mãos, alçava-as sobre a testa e brandia os braços, sempre com um sorriso. Coube a Ferraço chamar Luiz Paulo ao microfone. O candidato tucano foi calorosamente acolhido aos gritos de “1, 2, 3, Luiz Paulo outra vez!”. O primeiro a quem ele pediu e rendeu uma salva de palmas foi Sérgio Borges. Na terça-feira (28), numa decisão de primeiro grau, foi mantida a condenação do deputado à perda dos direitos políticos por oito anos e à restituição ao erário por desvio de diárias na Assembleia Legislativa durante a Era Gratz (1999-2002). Logo após, cumprimentou ao mesmo tempo Colnago e Lelo. O público se entusiasmou, houve palmas e gritos – talvez dirigidas a apenas um dos dois. As felicitações de Luiz Paulo culminaram em PH: “E para terminar minha saudação, aquele que é o principal homenageado desta noite, o nosso ex-governador e líder do processo de reformulação política do Espírito Santo, o ex-governador e meu amigo… Paulo Hartung!”. Aplausos e aclamações intensos. Luiz Paulo qualificou a noite de “histórica” e justificou a homenagem da noite. “Estamos apresentando uma chapa e um modelo político que têm a missão de resgatar para Vitória o destino de ser vanguarda da modernização do Espírito Santo. Há 20 anos a cidade deu esse passo quando elegeu Paulo Hartung prefeito”. Palavras como “união” e “fraternidade” pontuaram as mensagens. Luiz Paulo saiu ovacionado de seus 10 minutos de discurso. E a ele coube abrir alas para o principal homenageado da noite: “Queria que vocês recebessem com o maior carinho, o ex-governador… Paulo Hartung!”. Embora o homenageado não seja do ninho, a acolhida foi vibrante. Até a noite daquela quinta-feira, a entrada de Hartung na campanha tucana era anunciada apenas por seus aliados. Alvejado por denúncias e suspeições, PH percorria apenas o interior. Da sua boca não saiu qualquer declaração de apoio ao projeto tucano. Após saudar a presença de lideranças políticas, comunitárias, religiosas, empresariais e a das mulheres, ele finalmente tomou posição: “Eu declaro, como primeira palavra, que minha presença nesse ato é um gesto de amor por Vitória”, foram realmente suas primeiríssimas palavras. A fala de Hartung pode ser dividida em dois momentos. No primeiro, recorreu ao léxico que o elevou ao governo e o legitimou como um dos maiores líderes políticos que a história deste estado um dia concebeu. Eis de volta o discurso da “reconstrução”, que lança a Era pré-Hartung nas trevas da História e exalta a Era Hartung