O mercado cinematográfico se mostra muito mais maleável que anos atrás. Com o surgimento de novas tecnologias de gravação e sobretudo de reprodução (multiplicação de canais a cabo faltando programação, aparecimento de diversas mídias e canais internéticos) se mostra patente uma exponencial abertura de mercado, assim como uma maior democratização das produções locais. O cinema francês, por exemplo, mostra a cada ano uma pérola comercial que propõe a França como concorrente de Hollywood, ao menos em território local. A “moda” deste ano foi Intocáveis. Phellipe (François Cluzet) é um aristocrata que busca um empregado que lhe cuide como uma pessoa normal. Mas ele apresenta um quadro mais complicado e após sofrer um acidente fica tetraplégico. Um jovem desempregado suburbano vai cruzar seu caminho, e lhe apresentar todo o lado marginal da vida. Dessa forma vão intercambiar elementos distintos de cada cultura (o jovem negro pobre e imigrante em contato com o velho rico branco francês). Nada melhor para cativar o público: duas minorias que absorvem o que de mais sofrido há no mundo, preconceito racial, deficiência física, pobreza, imigração e se alegram com sua condição! Podem a partir daí viver da melhor e mais alegre forma possível! Que maravilha é o cinema, ainda mais quando o que quer é atrair o público. O maior sucesso de bilheteria desde Amelie Poulain se deve à doação da renda aos deficientes franceses, mas também a qualidade politicamente correta da trama. O roteiro bem amarrado (mesmo que tão apelativo) preenche de aventura uma vida tão limitada das minorias, na verdade a junção das partes formará uma dupla perfeita (o dinheiro e o gosto refinado do tetraplégico somado à energia e à força do outro) realizando assim um filme onde tudo é possível, uma vez que o dinheiro vai mais além de qualquer outra coisa (até um tetraplégico se diverte). Pura demagogia. A correta fotografia divide os dois mundos tão didaticamente como o roteiro: um branco rico imóvel e o outro sujo, escuro e vivaz. Na verdade essa inter-relação se aplicará a tudo, pouco a pouco a imobilidade da câmera ganha agilidade, assim como a trilha sonora, mesclará música clássica ao rock n´roll clássico. Tudo de modo a agradar a gregos e troianos (chamando assim mais público). Numa época na qual as minorias ganham cada vez mais voz (muitos já proclamam um mundo contra democrático, onde as minorias já tem mais espaço que a maioria democrática – calçada cidadã, cotas raciais, vocabulário) o filme mostra o lado humano, mas também o saber aproveitar-se das descapacidades. O grande achado fica com os atores, especialmente com Omar Sy (Micmacs, 2009) que consegue subverter a ordem imperante destruindo qualquer possibilidade de ajuste social: mesmo sendo marginal não dá o braço a torcer para entrar no sistema, que seria muito mais fácil. Serviço Intocáveis (Intouchables, França, 2011, 112 minutos, 14 anos) Cinemark – Shopping Vitória: Sala 1. 19h30 e 22h. Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 2. 16h45 e 21h15.
Maratona teatral
A 13ª edição do tradicional Festival Nacional de Teatro de Guaçuí começa no próximo domingo (19) e prossegue até dia 25 de agosto no Teatro Municipal Fernando Torres e praças da igreja Matriz e João Acacinho. A programação inclui apresentações de espetáculos numa mostra competitiva, debates, cursos e exposição. As peças teatrais classificadas são de vários estados, entre eles Espírito Santo, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás, Rio Grande do Sul e Pernambuco. A abertura será com a exposição de fotos da atriz Dina Sfat, com curadoria de Antônio Gilberto. Serão expostas fotografias de todos os personagens por ela interpretados ao longo de seus 27 anos de carreira profissional em novelas, cinema e teatro. A exposição tem como objetivo resgatar a obra de uma das nossas maiores atrizes, por meio da apresentação de fotografias de toda sua trajetória artística. O Festival de Teatro de Guaçuí vem se tornando um dos eventos mais importantes do cenário cênico nacional. Iniciado pelo grupo Gota Pó e Poeira, implementou-se com a inauguração do Teatro Municipal Fernando Torres e se consolidou a partir da realização do I Festival de Teatro de Guaçuí, em 2000. De lá para cá foram doze edições do festival. Confira abaixo a programação III Festival Nacional de Teatro de Guaçuí Domingo (19) 19h – Abertura da Exposição 30 Anos – Dina Sfat 19h30 – Bernarda, por Detrás das Paredes (Vitória/ES/fotos) 20h30 – Bernarda, por Detrás das Paredes (Vitória/ES) Segunda-feira (20) 20h30 – Deus e o Diabo na Terra do Sol (Rio de Janeiro/RJ) Terça-feira (21) 14h – Scooby Doo e um Mistério na Amazônia (Vitória/ES) 16h – Desamor (Goiânia/GO) 20h30 – Olho (Goiânia/GO) Quarta-feira (22) 10h – Amor por Anexins (Joinvile/SC) 14h – Histórias da Carrocinha (Porto Alegre/RS) 16h – Exibição do filme Evoé, do Itaú Cultural (Salão dos Vicentinos) 20h30 – Orlando! (Rio de Janeiro/RJ) Quinta-feira (23) 8h – Oficina com a Cia PeQuod (RJ) 10h – Laura e a Incrível História da Porca que Tinha Ataques de Vontade (Itabirito/MG) 14h – Cabeça de Vento (Rio de Janeiro/RJ) 16h – Exibição do vídeo Evoé, do Itaú Cultural (Salão dos Vicentinos) 20h30 – Rubro Sangue Sobre as Folhas Amarelecidas do Outono (Cabo de Santo Agostinho/PE) Sexta-feira (24) 8h – Oficina com a Cia Caixa do Elefante (RS) 10h – Folia de um Semi-Deus, Sabe-Se Lá o que é Isso (Rio de Janeiro/RJ) 14h – O Gato de botas – O Musical (Rio de Janeiro/RJ) 16h – Exibição do filme Evoé, do Itaú Cultural (Salão dos Vicentinos) 20h30 – Romeu e Julieta (São Caetano do Sul/SP) Sábado (25) 10h – São Pedro, os Irmãos e a Serpente (Vitória/ES) 14h – A Bela e a Fera (Rio de Janeiro/RJ) 20h – A Saga Amorosa dos Amantes Píramo e Tisbe – Guaçuí/ES (Convidado) 21h – Cerimônia de Premiação
Fantasmas do passado
Sozinha após a morte da avó, Carla tem finalmente a oportunidade de desvendar as mentiras e omissões do seu passado e parte em busca de sua história e de seu pai. A jovem se depara com a verdade e descobre um passado ligado à violência e os abusos de um período obscuro do seu país, a ditadura militar. A peça teatral A Filha da Anistia, que conta a história da personagem Clara, lida com as memórias de uma época que as novas gerações não viveram, mas precisam conhecer. “Existem lacunas enormes na história oficial sobre o golpe de 1964 que precisam ser preenchidas para que o horror não caia no esquecimento e seja repetido”, explica Alexandre Piccini, um dos escritores da peça. A história desse passado de repressão conseguiu ser escondido durante muitos anos, mas está vindo à tona agora com a criação da Comissão Nacional da Verdade, que visa investigar violações de direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988 e punir aqueles que são acusados de tortura e assassinato. A busca pela verdade também está presente em projetos artísticos como filmes, livros e documentários que revelam cada vez mais relatos daqueles que sofreram durante os anos de chumbo. A Filha da Anistia é um desses projetos, que, além retratar o drama das vítimas da ditadura, também mostra a influência do regime na sociedade contemporânea. “A ditadura foi a causa de uma série de problemas atuais, como a sucateamento da educação e da segurança pública, além da censura e a dívida externa que reverberam até hoje”, comenta Alexandre. A ideia do enredo surgiu quando Carolina Rodriques, que escreveu a peça junto com Alexandre, assistiu ao espetáculo Lembrar é Resistir. Ela trouxe o assunto da ditadura para a Companhia Caros Amigos e começou a pesquisa para a concepção de A Filha da Anistia. “O tema vai ao encontro da filosofia da companhia, que tem como princípio desenvolver histórias que visam compreender melhor o homem contemporâneo”, explica Alexandre. A pesquisa envolveu muita leitura, conhecimento da produção artística da época e entrevistas com pessoas que viveram durante esse período da história. A Cia visitou o Memorial da Resistência em São Paulo, onde entrou em contato com O Núcleo de Preservação da Memória Política, uma entidade que defende os interesses dos ex-prisioneiros políticos e perseguidos durante a ditadura militar. Apesar da dupla de escritores não ter nenhum parente ligado a esse período, a vontade de fazer a peça veio pela indignação de 20 anos de perseguições, prisões, torturas e desaparecimentos forçados de opositores políticos. O foco do espetáculo é a geração que sofreu indiretamente essa violência e pretende assim despertar a curiosidade do público jovem. “Nós, os autores da peça, somos dessa geração e nos sentimos na obrigação de provocar um olhar mais crítico sobre a história recente do país, sobretudo nas gerações posteriores à Lei de Anistia”, diz Alexandre. “É preciso conhecer o passado para compreender o presente e construir o futuro”, completa. Para o escritor, só é possível almejar mudanças conhecendo o passado para que os mesmos erros não sejam cometidos. A Filha da Anistia está circulando pelo país com o apoio do projeto Marcas da Memória, da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, que incentiva diversos projetos culturais para ajudar a colocar esse assunto sempre em pauta. Serviço A Filha da Anistia será apresentada nesta segunda (20), às 20h, e terça-feira (21), às 10h e às 16h, no Teatro do Sesi. Av. Tupinambás, 240, Jardim da Penha, Vitória. Informações: (27) 3334-7323. A entrada é franca para todas as apresentações.
Pescadores tradicionais querem ser tutelados pelo ICMBio
Os pescadores artesanais do Espírito Santo estão insatisfeitos com o descaso com que a categoria vem sendo tratada pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA). Em documento enviado para o órgão, eles cobram a transferência da responsabilidade pelos pescadores primitivos do MPA para o Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio). A exigência é para pescadores com embarcações de até 12 metros, sem guincho. “Queremos ser tutelados pelo órgão responsável pela criação das reservas que preservam o meio ambiente marítimo. Esses pescadores devem ser filiados em associações locais, que vivem no meio deles”, apontou a Federação das Associações de Pescadores do Estado (Aspebr). Já as embarcações acima de 12 metros devem continuar sendo administradas pelo ministério, filiadas a colônias de pesca. Para a Aspebr, o pescador tradicional vem perdendo espaço para grandes embarcações e para a burocracia. Diante da insatisfação, eles cobram que as embarcações acima de 12 metros devem ser classificadas como embarcações industriais e os pescadores com embarcações de até 7 metros liberados de licenças, para que seja garantida a sustentabilidade e a tradição do pescador primitivo. Os pescadores cobram ainda a proibição de grandes embarcações em determinadas áreas de pesca no Estado; a criação de uma linha de crédito especial para manutenção e sustentabilidade dos pescadores primitivos, e maior atenção aos pescadores que vivem no entorno de grandes empreendimentos, como é o caso dos pescadores artesanais da Barra do Riacho, em Aracruz (norte do Estado) e Anchieta e Presidente Kennedy (sul do Estado). Também é cobrança dos pescadores leis específicas para amparar o pescador que vive na área impactada pelas indústrias, com recurso das condicionantes pagas pelas empresas. Além disso, a criação de três categorias de pescadores com embarcações (até sete metros; de sete a nove metros, e de nove a doze metros). Os pescadores reclamam que desde o reconhecimento da atividade como tradicional, ao invés de receberem o suporte do Ministério da Pesca, assistem à tomada da área de pesca por pescadores sem qualquer histórico tradicional.
Quinta recorre ao Tribunal contra indisponibilidade de bens
O prefeito afastado de Presidente Kennedy, Reginaldo Quinta (PTB), está recorrendo ao Tribunal de Justiça do Estado (TJES) contra a decisão de 1º grau que determinou a indisponibilidade dos bens do petebista. Na ação de improbidade, Quinta é acusado de lesão aos cofres públicos ao permitir benefícios a servidores que contrariavam a legislação. Em um dos casos, um servidor recebia o mesmo valor do que três outros servidores na mesma função. De acordo com informações do TJES, o recurso do prefeito afastado será relatado pelo desembargador José Paulo Calmon Nogueira da Gama, da 2ª Câmara Cível. O processo foi distribuído nessa quinta-feira (16) e não há previsão do caso ir a julgamento pelo colegiado. Na decisão proferida em julho, o juiz da comarca de Presidente Kennedy, Ronaldo Domingues de Almeida, entendeu que a indisponibilidade dos bens não exige prova da dilapidação de patrimônio, mas serve de garantia ao eventual ressarcimento ao erário no caso de condenação. A denúncia do Ministério Público Estadual (MPES) narra que o então prefeito estaria efetuando pagamentos a servidores da prefeitura a título de retribuição de produtividade e adicionais de representação procuratória e de aperfeiçoamento. Os repasses teriam elevado a folha de pagamento do município ao patamar de R$ 2,3 milhões por mês. Nas investigações que culminaram com a Operação Lee Oswald, em abril passado, as equipes da Polícia Federal, MPES e Controladoria Geral da União (CGU) flagraram irregularidades em 21 contratos com variados objetos, desde o aluguel de lousas digitais, terceirização de mão de obra e coleta de lixo, até a elaboração de projetos para a prefeitura. Ao todo, os contratos são avaliados em R$ 55 milhões. Desse total, pelo menos R$ 9,5 milhões já teriam sido identificados como alvo de sobrepreço.
Contratos com suposta empresa laranja beneficiariam um dos detidos
Um detidos na operação da Polícia Civil, comandada pela força-tarefa que apura irregularidades no sistema socioeducativo do Estado, é o diretor socioeducativo da unidade da Associação Capixaba de Desenvolvimento e Inclusão Social (Acadis) de Linhares (norte do Estado), Ricardo Rocha. O diretor chegou ao Estado em 2008, como uma pessoa da confiança do presidente da Acadis, Gerardo Bohorquez Mondragón, para atuar na gestão do Centro Socioeducativo de Cariacica (CSE), ainda não inaugurado na época. Em 2011, Século Diário fez uma série de reportagens sobre irregularidades nos contratos entre a Acadis e empresas que fornecem produtos ou serviços para as unidades de internação de adolescentes de Cariacica e Linhares, ambas administradas pela ONG. Apesar das evidências apontadas nas matérias, todas escoradas em documentos, o Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases), autarquia ligada à Secretaria de Justiça (Sejus), não deu importância às denúncias, mantendo os contratos de terceirização com Acadis. Nas primeiras denúncias, a reportagem de Século Diário apurou que a empresa Top Service, com sede em Vila Velha, era supostamente usada como laranja no esquema com a Acadis. As evidências apontavam que ela havia sido aberta exclusivamente para contratar com a ONG. A empresa em questão estava constituída em nome dos pais de Ricardo Rocha: Daniel Soares de Oliveira e Maria das Dores da Rocha, ambos nascidos e domiciliados em Minas Gerais. Para abrir a empresa, o capital social integralizado pelo casal foi de modestos R$ 15 mil, cabendo 55% ao pai de Ricardo e 45% à mãe. Inicialmente, a Top Clean fornecia material de limpeza para o CSE de Cariacica, tendo sido contratada por Mondragón com contrato que previa pagamento de R$ 120 mil por quatro meses, ou seja, oito vezes o valor do capital integralizado pela empresa. Além de Cariacica, a partir de 2011 a empresa passou a fornecer produtos de limpeza para a unidade de Linhares, que também havia passado a ser administrada pela Acadis. Em média, a Top Clean recebia cerca de R$ 20 mil mensais para fornecer material de limpeza para Unidade de Internação Norte de Linhares. A reportagem entrou em contato com Ricardo, na época, para confirmar a relação da Top Clean com os pais dele e com a Acadis. Questionado sobre qual seria sua ligação com a Top Clean Distribuidora, o diretor socioeducativo demonstrou bastante nervosismo. Surpreso, ele adiantou que não faria nenhuma declaração a respeito. “Não tenho nada a declarar”. Aumento de salário A relação de favorecimento entre Gerardo Mondragón e Ricardo Rocha Soares vai além dos contratos com a Top Clean. Em 2011, após a Acadis receber do Iases o contrato de gestão da unidade de Linhares, Mondragón deslocou o amigo para fazer a implantação da nova unidade. Homem de confiança de Mondrágon, Ricardo Soares passou a acumular a direção socioeducativa das unidades. Após celebrar o novo contrato no valor R$ 10 milhões anuais, assegurado pela diretora-presidente do Iases, Silvana Gallina, até 2013, Gerardo Mondragón decidiu, por conta própria, aumentar o próprio salário e de alguns de seus funcionários de confiança. Ricardo Soares estava entre os favorecidos. Até março de 2011, Modragón recebia R$ 7.144,18. A partir de abril, o diretor-presidente da Acadis achou mais do que justo reajustar o seu salário em 73%. Com o aumento, passou a receber R$ 12.369,40. Mas Mandragón não pensou só em si, beneficiou também o seu núcleo duro. Para justificar o aumento de 54% nos salários, que saltaram de R$ 2.917,21 para R$ 4.500,00, Mondragón precisou “criar” uma nova tabela de cargos e salários para promover Ricardo e mais outro coordenador a diretores. Tudo com dinheiro público. Os novos salários causaram um impacto mensal na folha de pagamento da instituição no valor de R$ 41.533,17. Em março de 20101, o valor bruto da folha da unidade de Linhares, que era de R$ 212.896,00, saltou para R$ 254.429,17. Antes mesmo de reajustar o seu salário e de seus principais assessores, Gerardo Mondragón se valeu de uma manobra ilícita para ganhar mais. Ainda em março de 2011, antes da renovação do convênio, o diretor-presidente autorizou o pagamento de “bonificações” que foram incorporadas aos salários. Ele e seus dois coordenadores receberam, cada um, R$ 738,64 a título de bonificação. A nova modalidade de prêmio, no entanto, não está prevista no Estatuto Social da Acadis, o que tornaria a bonificação indevida.
Capixabas querem saber se Vale é a principal responsável por poluição do ar na Ilha do Boi
As entidades Fala Vitória e Pó Preto Vix, representados por Dárcio Bracarence e Eraylton Moreschi Junior, protocolaram no Ministério Público Estadual (MPES) um pedido de esclarecimento e providências dos órgãos responsáveis sobre as informações divulgadas pela ArcelorMittal, de que apenas 5% da poeira sedimentada que chega ao bairro Ilha do Boi, em Vitória, são de sua responsabilidade. A siderúrgica afirma ter emitido, em 2010 e 2011, somente pouco mais de 4% dos poluentes registrados na Ilha do Boi. O que significaria, segundo a Arcelor, participação percentual da ordem de 5%. Segundo as entidades, é necessário que o MPES, como curador do meio ambiente e dos demais interesses difusos e coletivos da sociedade, acione o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), para que confirme se as informações da Arcelor estão ou não em conformidade com os dados de acompanhamento do órgão. Elas cobram uma resposta do Ministério Público, judicial ou extra-judicial, para determinar ao Iema e demais órgãos envolvidos na questão que esclareçam o caso. “Pedimos providências de maneira prioritária e urgente, para criação de legislação e padrão de partículas sedimentáveis (PS), independentemente da conclusão do estudo de DNA das partículas sedimentáveis no Espírito Santo, e aplicação das penalidades legais aos infratores responsáveis pelo descumprimento da legislação e padrão”. A mesma cobrança foi feita sobre a afirmação da Vale de que reduziu 80% de suas emissões. As entidades também aguardam respostas ao ofício da sociedade civil organizada que diz respeito à divulgação da análise qualitativa e quantitativa sobre as emissões e dos dados da medição mensal da poeira, pelo Iema e pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama). Respira Vitória O Grupo de Trabalho Interinstitucional – GTI Respira Vitória, que pretende debater novos padrões para as emissões atmosféricas na cidade de Vitória, irá se reunir no próximo dia 3 de setembro, às 14h, no plenário da Câmara Municipal, para aprovar seu Regimento Interno e avaliar a participação de seis entidades da sociedade civil no GTI. O grupo está sob a coordenação da representação do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos – IEMA (Alexsander Barros da Silveira) e da Secretaria de Meio Ambiente de Vitória – Semmam (Tarcisio José Foguer). Segundo as entidades, as informações cobradas são essenciais para iniciar o debate sobre poluição do ar na Capital do Estado.
Mantido bloqueio de bens dos ex-diretores do Vitória Apart acusados de fraude milionária
O juiz Marcos Horácio Miranda, da 2ª Vara Cível de Serra, manteve o bloqueio dos bens de quatro ex-diretores do Vitória Apart Hospital, acusados de gestão fraudulenta no grupo. Os médicos Adão Céllia, Paulo Anécio Paste, Manoel Gonçalves Carneiro Netto e Gilson Elmar Fernandes Martins (representado pelo espólio) são acusados pela própria direção do hospital de serem responsáveis pelo desfalque de R$ 20 milhões nas contas. Na decisão proferida na última semana, o magistrado rejeitou o pedido de desbloqueio de 50% dos bens dos acusados baseado no princípio de “livre convencimento motivado”. Marcos Horácio informou que o mesmo pleito já havia sido negado pelos desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado (TJES). O juiz também negou o pedido para inclusão de outros administradores na ação que foi baseada no relatório de auditoria independente nas contas do hospital. Nos autos, a defesa do ex-diretor Adão Célia sustentava que a responsabilidade pelas decisões cabia a todo Conselho de Administração do grupo, mas o juiz manteve o entendimento de responsabilizar os quatro ex-gestores. Segundo a denúncia formulada pela atual direção do hospital, uma auditoria realizada pela consultoria KPMG revelou um desfalque de R$ 20 milhões nas contas do hospital. A suspeita de lesão aos demais associados começou após a descoberta de um contrato de gestão compartilhada com a empresa Vida Saudável S/C Ltda (operadora de planos de saúde), porém, o vínculo não havia sido deferido pelo Conselho de Administração do hospital. Consta na petição inicial de que esse contrato teria sido assinado pelo então diretor-presidente Paulo Anécio Paste. Em seguida, o Conselho de Administração deliberou pela expressa desautorização do contrato. Diante das suspeitas levantadas por este contrato, a direção determinou a abertura de uma auditoria independente. “Os levantamentos preliminares feitos pela auditoria, que analisou operações com movimento em torno de R$ 30 milhões, apontaram que desse valor, R$ 13 milhões representam operações inadequadas e com grande contingente de desvios de recursos ou de prejuízos causados por negligência administrativa. […] Mas que com os dados já apurados pela auditoria é possível estimar que o prejuízo decorrente da administração dos requeridos ultrapasse os R$ 20 milhões”, indicou o juiz Victor Pimenta Ribeiro em seu relatório, na época do recebimento da ação. De acordo com os autos, a auditoria nas contas do hospital teria apontado também a existência de notas fiscais frias, “Air Liquide” (pagamentos à empresa que teriam retornado na conta dos ex-diretores), desvio de dinheiro envolvendo o Banco de Desenvolvimento do Estado (Bandes), além de irregularidades na baixa de dívida do INSS e saídas de caixa do hospital. Por conta das denúncias de irregularidades, os quatro ex-diretores do Vitória Apart também são alvo de uma ação penal que tramita na 2ª Vara Criminal da Serra. A investigação criminal foi realizada pelo Grupo Especial de Trabalho Investigativo (Geti), ligado ao Ministério Público Estadual (MPES), e intitulada de “Operação Hipócrates”.
Escândalo do Iases impõe xeque-mate no palanque de Da Vitória
O escândalo de fraudes em contratos do Instituto de Atendimento Socioeducaivo do Espírito Santo (Iases) e a Associação Capixaba de Desenvolvimento e Inclusão Social (Acadis) colocou no foco da discussão política, a candidatura do deputado estadual Josias Da Vitória (PDT) em Colatina, no norte do Estado. No município, a operação da Polícia Civil de busca e apreensão na casa do deputado e na empresa de segurança que são de familiares do deputado – irmã e outros sócios -, movimentaram o município. Enquanto fazia caminhada no bairro São Silvano, em Colatina, a operação já estava acontecendo. Para os meios políticos locais, o deputado que já não tinha um grande desempenho representando o grupo da oposição ao prefeito Leonardo Deptulski (PT), agora terá muita dificuldade em continuar à frente do palanque do grupo e explicar o envolvimento do seu nome no escândalo. Quem também sai chamuscado da história é o deputado federal Paulo Foletto (PSB). O socialista, que era favorito na disputa municipal contra o prefeito, saiu da disputa por conta de uma costura de bastidores entre o partido dele e o PT. Foletto passou então a apoiar Da Vitória para a disputa. Com o escândalo, vai ter que compartilhar também o desgaste. O problema não se restringe à disputa eleitoral em Colatina, já que o deputado é presidente do PDT, um partido que vem acumulando escândalos em prefeituras nos últimos anos.
Depois do pedido de CPI, Justiça anuncia força-tarefa para julgar ações da Era Gratz
Um dia após a apresentação do pedido de CPI de seus atos pelo ex-presidente da Assembleia Legislativa José Carlos Gratz, o Poder Judiciário começa a se movimentar para julgar as ações que se arrastam há quase oito anos. Nessa quinta-feira (16), o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) firmou uma parceria com a Superintendência de Polícia Técnico-Científica (SPTC), unidade da Polícia Civil, para realizar as perícias nos documentos relacionados aos processos envolvendo a chamada Era Gratz. De acordo com informações do TJES, a previsão é de que o trabalho de verificação da autenticidade da assinatura de Gratz em atos e cheques – denunciados pelo Ministério Público – seja concluído em até 90 dias. Ao todo, o ex-deputado responde a 74 ações em tramitação na 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual de Vitória, por supostas fraudes no pagamento de subvenções sociais pelo Legislativo capixaba. Em entrevista concedida ao portal do tribunal, o chefe da SPTC, delegado Guilherme Daré de Lima, afirmou que uma força-tarefa de peritos será reunida para dar maior celeridade aos processos. “Os laudos poderão subsidiar as informações aos juízes para que eles possam concluir os processos e dar uma resposta à sociedade”, avaliou. Na última terça-feira (15), o ex-deputado apresentou um requerimento de CPI na Assembleia Legislativa para apurar o sumiço de atos e documentos contábeis relacionados à sua gestão, entre os anos de 1999 e 2002. Gratz alega que os documentos saíram dos anais da Casa e nunca mais retornaram ao arquivo da Assembleia, fato que impedia o cumprimento das determinações judicial de perícia sobre o material. Procurado pela reportagem, o ex-deputado declarou que confia nos trabalhos da Polícia Civil e espera pela absolvição nos processos. “Esses documentos que desaparecem da Assembleia deveriam estar, no mínimo, sob a guarda do Ministério Público. A própria lei diz que o ônus da prova cabe a quem acusa”, cravou.