As atitudes do presidente da Assembleia Theodorico Ferraço (DEM) expõem duas situações graves do ponto de vista dos interesses políticos do Palácio Anchieta. Primeiro, no sentido de que precipitam as articulações em favor do palanque do filho, o senador Ricardo Ferraço (PMDB) ao governo em 2014. E em segundo lugar, porque mexe com os interesses da Assembleia Legislativa. Diante da percepção de que o caminho de retomada do grupo ao governo em 2014 não cabe mais ao ex-governador Paulo Hartung (PMDB) e sim a Ricardo Ferraço, o presidente da Assembleia tem feito uma movimentação muito grande para se fortalecer à frente da Assembleia e permanecer na presidência da Casa durante o período da eleição estadual. Neste sentido, o deputado estadual que em boa parte do governo Paulo Hartung teve uma postura arredia ao ex-governador, aderiu ao projeto dele, e hoje se movimenta para tentar estancar as perdas políticas de Hartung ao mesmo tempo em que tenta evitar a chegada de desafetos dele à Assembleia. Outro movimento de Ferraço que prejudica o Palácio é a forma como mexe nos interesses do plenário da Casa. Adepta desde o governo passado ao fisiologismo, a Assembleia precisa do atendimento às demandas da base e neste sentido, Ferraço tenta jogar o plenário contra o governador. Mas essa movimentação não vem colando na Casa, primeiro porque o governador deu à crise de Ferraço o tamanho que ela realmente tem e mandou um recado aos deputados que entenderam e encamparam a posição palaciana. A dificuldade de Ferraço em emplacar sua articulação é que ele usa o mesmo mecanismo que desgastou o então governador José Ignácio Ferreira e fortaleceu Paulo Hartung no início da década de 2000. A diferença é que hoje o ambiente político não permite mais que os ataques de Ferraço atinjam o governador, já que não há interesse em desgastá-lo. Sem conseguir o mesmo espaço para essa movimentação, os episódios recentes trouxeram desgastes para o presidente da Assembleia, que hoje tem dificuldade em emplacar sua reeleição para a Casa.
Plenária lança frente estadual contra a privatização do Hospital Universítário da Ufes
O seminário “O futuro do Hucam em debate”, que aconteceu nesta quinta (9) e sexta-feira (10) na Ufes, terminou na tarde de hoje com uma plenária que marcou o lançamento da Frente Estadual Contra a Privatização do Hospital Universitário Antonio Cassiano de Moraes (Hucam). O principal motivo para a formação da Frente é a entrada do hospital na Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), indicada em reunião do Conselho Universitário da Ufes, que aconteceu em julho. A empresa, criada pelo governo federal para gerir e captar recursos para hospitais públicos, tem recebido duras críticas quanto ao seu modo de gestão, principalmente no que diz respeito à abertura de leitos dos hospitais para planos de saúde. A Frente será formada pela Associação de Docentes (Adufes), o Sindicato dos Trabalhadores (Sintures), o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da universidade, além de categorias do serviço público e diversos representantes de movimentos sociais. Sua principal função será articular o enfrentamento a políticas privatistas para o Hucam, e, principalmente, a Ebserh. O diretor-geral do Hucam, Emílio Mameri, não concorda com o pensamento de que a empresa representa a privatização do hospital. Para ele, a análise surge por uma falta de estudo da lei que cria a Ebserh. “Não enxergamos da mesma forma que os movimentos estão colocando. A empresa é a única alternativa para recompor o quadro de funcionários dos hospitais”, argumenta. O posicionamento é refutado pelo movimento grevista dos três segmentos da universidade. Para o Comando Unificado de Greve, a Ebserh representa mais uma forma de fechamentos de portas dos hospitais públicos e universitários à população brasileira. O movimento argumenta, por exemplo, que as contratações não seriam mais feitas por concurso público, e sim por contrato, o que prejudica as relações de trabalho no hospital. Outro ponto é a autonomia dos hospitais universitários no que diz respeito à pesquisa e ao seu funcionamento como hospital escola, que seria prejudicada pela entrada da empresa.
Ministério Público do Espírito Santo: muito dinheiro e pouca transparência
Festejada como grande parceira dentro do “arranjo institucional” montado no Estado nesses últimos dez anos, o Ministério Público Estadual (MPES) se notabilizou por vultosos orçamentos. Além dos generosos repasses de verbas pelo Executivo, a instituição que serve como “guardiã da lei” é marcada por elevadas despesas com pessoal. Entre janeiro de 2009 e julho deste ano, os membros ativos do MPES – promotores e procuradores de Justiça – receberam mais de meio bilhão de reais em salários e vantagens. Leia Mais: Transparência ofuscada: Ministério Público esconde salários dos seus membros De acordo com dados extraídos do Portal da Transparência do próprio MPES, os gastos com os membros ativos acompanham a escalada anual dos orçamentos da instituição. Apenas durante o governo de Paulo Hartung (PMDB), entre 2003 e 2010, a dotação orçamentária do MP capixaba saltou de R$ 82,1 milhões para R$ 218,25 milhões. Para este ano, o orçamento da instituição é de R$ 267 milhões. Nesse mesmo ritmo, os pagamentos dos membros ativos da instituição atingiram a marca de R$ 131,85 milhões em 2009, primeiro período disponível no portal. Nos anos seguintes, os repasses só aumentaram: R$ 138,66 milhões (2010) e R$ 153,14 milhões (2011). Apenas nos sete primeiros deste ano, os gastos com salários de promotores e procuradores foi de R$ 88,34 milhões – média semelhante aos gastos registrados no ano passado. Esses números somados dão a expressiva marca de R$ 511,98 milhões pagos apenas entre a gestão do ex-procurador-geral Fernando Zardini e do atual chefe da instituição, Eder Pontes da Silva. Por trás da conta salgada dos salários do MPES surgem valores que não são discriminados. Pelo contrário, esses pagamentos se escondem em penduricalhos legais, como ocorreu no caso da restituição dos valores na conversão da URV para o Real – pagamento que continua sob contestação em um processo que tramita no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Todos esses valores são atribuídos como pagamento de exercícios anteriores. Esses gastos são tão expressivos quanto os salários, uma vez que esses penduricalhos acabam engrossando os vencimentos dos “advogados da sociedade” – que ultrapassaram 20% do valor dos subsídios. Entre o início de 2009 e julho deste ano, o total de gastos com as chamadas despesas com exercícios anteriores chegou a R$ 79,08 milhões. Valores que só devem se tornar públicos após a divulgação dos dados salariais dos membros e servidores do Ministério Público. Até o momento, a instituição é a única dentro dos órgãos públicos locais a não divulgar o detalhamento das folhas salariais de seus membros. O chefe do MPES, Eder Pontes, alega que falta uma definição por parte do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), órgão de controle externo. Em nota divulgada à imprensa, o chefe da instituição insiste que o MP capixaba cumpre a legislação e também não é a última, mas sim a primeira a ter feito a publicação.
Análise: A Primeira Coisa Bela
Dificilmente algum filme italiano consegue penetrar no mercado exibidor e passar algum tempo nas salas. Longe de ter uma indústria sólida como nos tempos áureos da Cinnecittá, o cinema italiano se mostra vez ou outra com algum filme mais premiado em festivais. Não é o caso de A Primeira Coisa Bela, que levou alguns prêmios em festivais italianos, mas nenhum ilustre. Anna (Micaela Ramazzotti) é possuidora de uma beleza tentadora, o que pode lhe ocasionar alguns percalços nos relacionamentos sociais. Seus filhos também serão influenciados por tal beleza, uma vez que provocará a separação de seu marido e muitas outras. Assim desde cedo as crianças serão expostas a uma vida nômade pela Itália e fragilizados pela falta de uma raiz, seja ela familiar ou territorial. Após anos de ausência, Bruno (Valerio Mastandrea) se tornou um professor melancólico e sua irmã Valeria (Claudia Pandolfi) busca-o para dar a notícia da fase terminal da mãe. Deste reencontro várias imagens do passado serão atualizadas na construção de um retrato psicológico dos personagens. Uma grande produção que perpassa várias épocas, mas com um tom marcadamente dos anos setenta, desde as fontes iniciais à fotografia amarelada e com ruídos típicos dos antigos filmes caseiros. Dessa dualidade de épocas o contraste com uma sobriedade atual reforça a melancolia da vida atual de ambos os protagonistas, fracassados (ela, dependente de um marido qualquer, ele um viciado em drogas) em busca de um culpado para tal presente. Encontram na figura materna, impulsiva, que sempre deixa tudo atrás. Como outros filmes italianos, recorre à beleza de suas mulheres para protagonizar um desejo impotente e/ou uma degradação social da mesma (Malena, 2000; Mediterrâneo, 1999; A Doce Vida,1960; Belíssima,1948, só para citar alguns). Os personagens no entanto não encontram o culpado, uma vez que o carisma da mãe a redime de toda a culpa, e tratam de buscar em si mesmos tal falhas. O olhar de Bruno que percorre a trama e guia sua irmã e mãe através de uma sociedade machista recorre todo o filme em flashbacks e se atualiza numa fuga constante, seja pelas drogas, seja pela poesia, términos de relacionamentos. Com um roteiro um pouco extenso, mas devidamente pautado em tensões familiares, o diretor e roteirista Paolo Virzi alinha o presente e passado de uma Itália vigorosa, mas fadada ao fracasso. Uma atenção especial para a trilha sonora, com puras canções dos setenta que ajudam a fugir da realidade na busca constante por uma visão mais confortável do presente. Serviço A Primeira Coisa Bela (La Prima Cosa Bela, Itália, 2010, 122 minutos, 16 anos) Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 2. 16h50.
Construção civil: 800 trabalhadores se juntam em passeata da categoria
Os trabalhadores da construção civil, em greve pela volta do reajuste de 14% concedido pelo Tribunal Regional do Trabalho no Estado (TRT-ES), realizaram mais uma assembleia na manhã desta sexta-feira (10). Cerca de 800 operários se concentraram na Praça dos Namorados, em Vitória, para a realização da assembleia e optaram por seguir em passeata até a sede do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado (Sinduscon), percorrendo a Avenida Nossa Senhora da Penha até o bairro Barro Vermelho, onde fica o sindicato. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil do Estado (Sintraconst), Paulo César Borba, conhecido como Carioca, permanece em Brasília, em busca de apoios para reverter a decisão liminar do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que anulou o reajuste de 14% concedido pelo TRT-ES para a categoria. Ele relata ser uma luta difícil, mas que um agravo já foi impetrado. Neste domingo (12) os trabalhadores se reúnem em assembleia, mais uma vez, para fazer uma avaliação do movimento e votar pela continuidade ou não da greve, que atinge cerca de 30 mil trabalhadores em todo o Estado. A categoria luta para que seja implementado o reajuste determinado pelo TRT, em detrimento da manutenção de reajuste de 7,5% determinada pelo TST na decisão liminar. Para os trabalhadores, a manutenção do reajuste não representa ganho real para a categoria. Na tentativa de sensibilizar os ministros do TST para a necessidade de reajuste, Carioca se reuniu com o presidente do tribunal, ministro José Oreste Dalazen, que orientou os trabalhadores a recorrerem da decisão. O sindicalista também apresentou ao ministro o real quadro da construção civil no Estado, uma indústria em plena efervescência, que não vê sinais de crise. A categoria defende que, por isso, existe condição de os patrões reajustarem em 14% os salários dos operários.
Vai passar
Os desfiles do Grupo Especial Carnaval de Vitória 2013 começam numa sexta-feira, 1º de fevereiro, e serão abertos pela Tradição Serrana (Serra), que subiu do Grupo de Acesso em 2012. Em seguida, vêm Novo Império (Vitória), Andaraí (Vitória), Pega no Samba (Vitória) e São Torquato (Vila Velha). No sábado, 2 de fevereiro, desfilam mais cinco agremiações. Pela ordem: Piedade (Vitória), Imperatriz do Forte (Vitória), a atual campeã do carnaval de Vitória, Boa Vista (Cariacica), Mocidade Unida da Glória (MUG) (Vila Velha) e, encerrando a folia, Jucutuquara (Vitória). O sorteio da ordem de entrada das escolas no Sambão do Povo foi realizado na Estação Porto pela Liga Espírito-Santense das Escolas de Samba (Lieses). Antes que a ordem de desfile fosse definida, o presidente da Lieses, Rogério Sarmento, comunicou que, em cumprimento do Regulamento do Carnaval 2012, as escolas que não prestaram contas à Liga, além de valor punitivo a pagar, automaticamente estariam no primeiro dia de desfile do Grupo Especial. De acordo com o presidente, as agremiações Barreiros, São Torquato, Pega no Samba, Andaraí e Novo Império não apresentaram as devidas prestações de contas. Foram, portanto, penalizadas. O Grupo de Acesso, que desfilará no dia 31 de janeiro, tem três escolas filiadas à Lieses e uma convidada. O presidente Rogério Sarmento, anunciou que a escola de samba Chega Mais, da região de Santa Martha, em Vitória, encaminhou ofício à Lieses solicitando ser incluída nos desfiles. Segundo Sarmento, a agremiação terá 60 dias para se adequar às exigências. Caso cumpra, abrirá os desfiles do Acesso. As três agremiações que buscam subir para o Grupo Especial desfilam na seguinte ordem: Barreiros (Vitória), Chegou O Que Faltava (Vitória) e Rosas de Ouro (Serra). Confira abaixo como ficou a ordem de desfile do Carnaval de Vitória 2013. GRUPO DE ACESSO 31 de janeiro (quinta-feira) 1- Chega Mais (escola convidada) 2- Barreiros 3- Chegou o que faltava 4- Rosas de Ouro GRUPO ESPECIAL 1º de fevereiro (sexta-feira) 1 – Tradição Serrana 2 – Novo Império 3 – Andaraí 4 – Pega no Samba 5 – São Torquato 2 de fevereiro (sábado) 1 – Piedade 2 – Imperatriz do Forte 3 – Boa Vista 4 – MUG 5 – Jucutuquara
Apenas 31% dos índios do ES vivem em terras tradicionais
O Espírito Santo possui apenas 31,35% de sua população indígena vivendo em terras tradicionalmente indígenas, segundo dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dos 9.585 índios do Estado, apenas 3.005 vivem nos 18,9 mil hectares de terras indígenas, onde estão localizadas as aldeias Tupinikim e Guarani, no município de Aracruz, norte do Estado. Segundo o IBGE, o censo aprimorou a investigação sobre a população indígena no País, introduzindo novos critérios de identificação internacionalmente reconhecidos, como a língua falada no domicílio e a localização geográfica, tornando-o mais eficaz. Entre outros critérios, definiu-se as pessoas indígenas também por declaração de pessoa que vive em terra indígena e pessoa residente fora das terras indígenas que se declararam indígena. No Espírito Santo, dos 3.005 indígenas que vivem nas aldeias, a maioria são homens e jovens entre 15 e 24 anos. Ao todo, o IBGE registrou 1.530 homens e 1.475 mulheres nas aldeias indígenas no Estado. O censo aponta que esse equilíbrio entre os sexos também foi observado no total de área de indígenas observados (100,5 homens para cada 100 mulheres), com mais mulheres nas áreas urbanas e mais homens nas rurais. No Brasil, foram registrados 896,9 mil indígenas, 36,2% em área urbana e 63,8% na área rural. O total inclui os 817,9 mil indígenas declarados no quesito cor ou raça do Censo 2010 (e que servem de base de comparações com os Censos de 1991 e 2000) e também as 78,9 mil pessoas que residiam em terras indígenas e se declararam de outra cor ou raça (principalmente pardos, 67,5%), mas se consideravam “indígenas” de acordo com aspectos como tradições, costumes, cultura e antepassados. Também foram identificadas 505 terras indígenas, cujo processo de identificação teve a parceria da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) no aperfeiçoamento da cartografia. Além dos Tupinikim e Guarani que vivem no Estado, o Censo 2010 registrou no País a presença de mais 303 etnias e 274 línguas indígenas. Já entre os indígenas com 5 anos ou mais de idade, 37,4% falavam uma língua indígena e 76,9% português. Apesar da taxa de alfabetização ter sido considerada mais alta que em 2000, a informação do IBGE é que a população indígena ainda apresenta nível educacional mais baixo que o da população não indígena, especialmente na área rural. No Estado, foi identificado que das 2.224 pessoas indígenas de 10 ou mais anos residentes no território indígena, 2.026 são alfabetizadas, 193 não são alfabetizadas e cinco não declararam.
Jardim colorido
Pop, jazz, blues, mpb, rock, Tulipa Ruiz é tudo isso. Uma voz doce e impecável que dá vida às onze composições de seu novo álbum, Tudo Tanto (2012). A cantora paulista equilibra seu estilo moderno com a sonoridade da MPB dos anos 1970 e cria um disco delicado, em que a cada audição revela novos detalhes musicais, batidas e instrumentos. A pluralidade de estilos de Tulipa é o que faz com que o álbum tenha uma unidade. Uma proposta que ele vem desenvolvendo desde o primeiro disco, Efêmera (2010). Entretanto, Tudo Tanto apresenta canções mais intensas e menos românticas. As letras desse novo trabalho abordam questões mais cotidianas como a falta de dinheiro e de tempo, a poluição e os conflitos pessoais. Tulipa assume a sua enorme soma de referências no primeiro single do disco, É, no qual canta Dez mil coisas por segundo / Pelos dias que a gente aprendeu / Dez milhões de coisas que a gente é. A guitarra segue com uma pegada tropicalista e se mistura com a voz singela de Ruiz, que lembra Baby Consuelo na época dos Novos Baianos. Esse estilo permeia quase todo o álbum, que foi criado em família. A produção ficou por conta do irmão e o guitarrista da banda é o pai de Tulipa, o músico Luiz Chagas, ex-membro do Isca de Polícia e grande influência para a filha. Os dois dividem também a autoria de Víbora, um blues arrastado com uma letra ressentida que conta com a parceria do rapper Criollo nos vocais. Além da guitarra, as linhas de baixo são outro destaque das músicas, como no início de Bom e Quando Eu Achar, sendo esta última a representante do jazz do disco, com a bateria swingada e o solo de metais. Já Like This, a guitarra mistura elementos da surf music, mas Tulipa transforma totalmente a música brincando com os agudos da sua voz. Na deliciosa Dois Cafés, Tulipa recebe Lulu Santos e os dois cantam sobre as pequenas coisas da vida, Tem que correr, correr / Tem que se adaptar / Tem tanta conta e não tem grana pra pagar. A música vai crescendo aos poucos, ficando mais animada e rápida, a voz grave de Lulu encontra a sintonia perfeita com a sutileza de Ruiz. O encarte do álbum é todo colorido e repleto de desenhos feitos pela própria Tulipa e vem em um arquivo PDF junto com as MP3. Desta vez, ela não esperou o álbum vazar online, como aconteceu na sua estreia, e colocou ela mesma as músicas para download. Tudo Tanto foi lançado semana passada e está disponível gratuitamente no site da cantora (link abaixo). Saiba mais! Clique e baixe Tudo Tanto
MPA critica descaso do governo do Estado com camponeses
A relação entre o governo Renato Casagrande e os agricultores familiares do Estado está cada vez mais desgastada. Após dois meses da realização da Jornada Nacional de Luta Camponesa, quando foi solicitada uma audiência com o socialista, nenhuma data ainda foi marcada. Para o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), o descaso reafirma a incapacidade política e a dificuldade de diálogo do governo com o campesinato. A reclamação está em manifesto divulgado nesta sexta-feira (10), pelo MPA. Segundo o movimento, a audiência foi solicitada para que camponeses e governo pudessem debater melhorias de infraestrutura no campo, a preservação do meio ambiente e a outorga de direito de uso da água. No entanto, não houve interesse por parte do governo Casagrande. “Infelizmente, já se passaram dois meses e a audiência ainda não aconteceu. O governo virou as costas e se recusou a conversar com o MPA, diante de várias tentativas realizadas pelo movimento”, lamentou a entidade. No documento, o MPA ressaltou sua militância no campesinato e presença em 17 estados brasileiros, sobretudo, em mais de 30 municípios capixabas, representando famílias camponesas de todo o País, que vivem em propriedades que protegem a água, o solo e a cultura. Além disso, a conquista do acesso ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) – que no Estado totaliza R$ 70 milhões em investimentos – e do Programa Nacional de Habitação Rural, que garantiu o direito das famílias do campo de terem uma moradia. Mesmo com essa condição, denuncia o movimento, são historicamente ignorados pelos governos, que não proporcionam condições dignas para continuarem vivendo e produzindo no campo. A entidade lamenta que “um governo com partidos de caráter popular e socialista seja tão intransigente com os que estão produzindo alimento e preservando o meio ambiente no Estado”.
Incra promete inclusão de laudos médicos em processo dos assentados pulverizados
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) prometeu se esforçar para incluir no processo de desapropriação da Fazenda Santa Maria, em Presidente Kennedy (extremo sul do Estado), os laudos médicos que apontam a contaminação por agrotóxicos de famílias assentadas na região, após pulverização realizada a mando do proprietário da área. Compromisso foi firmado em reunião entre representantes do órgão e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realizada nessa quinta-feira (9), em Vitória. Segundo o MST, que realizou panfletagem no Centro da Capital nessa quinta, cobrando da Justiça posição no caso, 19 pessoas foram contaminadas, devido ao conflito de terras na região. A informação é que o Incra chegou a anunciar a emissão de posse da área em 2009, quando os sem-terra ocuparam a fazenda, porém, a lentidão no processo está acirrando o conflito entre o proprietário e os assentados. Localizada em um terreno de 1,3 hectare, a fazenda fica a 16 quilômetros da sede do município e já foi considerada improdutiva pelo Incra, mas as 75 famílias assentadas aguardam o julgamento da ação rescisória que questiona a improdutividade do terreno, pra se sentirem seguros novamente. O processo deverá ser julgado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas ainda não tem data para ocorrer. Segundo Nanci Sanches, do diretório estadual do MST, é necessário que a região seja desapropriada de vez, para que a área seja de fato um assentamento. Enquanto isso não ocorre, os assentados se mantêm tensos na região. A intoxicação, denunciada por este Século Diário no último dia 13 de julho, ocorreu após o dono da propriedade, que não teve seu nome divulgado, ordenar seu funcionário a pulverizar abundantemente a região ocupada pelos assentados. Durante a pulverização, o trator com o agrotóxico se virou na direção das famílias, mantendo-a por cinco minutos. Adultos e crianças foram contaminados, além de uma gestante que abortou seu bebê de quatro meses de gestação após o ocorrido. As crianças afetadas pelo agrotóxico continuam apresentando mal estar. Nanci afirma que caso foi denunciado ao Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (Criad), nessa quinta-feira (9). De acordo com o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, todos os laudos médicos dos intoxicados apontaram o agrotóxico como a causa dos sintomas apresentados. Entre eles, secreção no nariz e nos olhos; falta de apetite; náuseas e vômitos; cólicas abdominais; diarreia; dificuldade respiratória; aumento da secreção brônquica; tosse; salivação; sudorese e incontinência urinária. Uma força-tarefa chegou a ser encaminhada pela Secretaria Municipal de Saúde à região para socorrer as famílias na ocasião. Além da inclusão dos laudos no processo de desapropriação, o MST aguarda uma audiência na Justiça Federal, em Presidente Kennedy, para cobrar a punição do proprietário da fazenda e uma audiência em Brasília para denunciar a pulverização das famílias.