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Século Diário

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Quem fiscaliza o fiscal da lei?

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A falta de transparência na divulgação dos dados salariais dos membros e servidores do Ministério Público Estadual (MPES) não contraria apenas os ditames da Lei de Acesso à Informação. A obscuridade sobre os repasses que ultrapassam a casa do meio bilhão nos últimos quatro anos coloca o “guardião da lei” em um caso sui generis. Como cobrar o cumprimento da legislação por outros agentes públicos, se o próprio órgão não o faz, seja pela falta de regulamentação por parte do órgão de controle ou até mesmo, numa interpretação do atendimento – em parte, diga-se a verdade – da Lei de Acesso. Nenhum órgão está acima dos interesses da sociedade, verdadeiro patrão de quem está atuando no serviço público. No caso do Ministério Público, os repasses financeiros a promotores e procuradores de Justiça são muito significativos para não serem expostos da forma mais transparente possível. Basta lembrarmos que outros órgãos que resistiam à divulgação, como a Assembleia Legislativa e o Tribunal de Contas do estado (TCE), por exemplo, abriram os dados salariais de membros e servidores. Levando-se em consideração os dados fornecidos pelo MPES, os repasses financeiros aos membros ativos foram de R$ 511 milhões, no período entre janeiro de 2009 e julho deste ano. Números que se tornam ainda mais significativos quando se leva em comparação a sugestiva rubrica de pagamentos de “exercícios anteriores”, responsável por R$ 79 milhões deste total. Quais seriam esses gastos que se repetem mês a mês há mais de quatro anos? Ninguém sabe. A sociedade não faz ideia. Só mesmo a abertura dos contracheques de promotores e procuradores pode explicar tantos pagamentos atrasados. Não há melhor de ser feito como a revelação dos dados salariais no Portal da Transparência, cuja divulgação está prevista apenas para o mês de novembro – prazo incompatível a uma instituição que tem como função ser “advogado da sociedade”. Mais do que uma exigência da nova Lei de Acesso, a sociedade também cobra transparência nas instituições. Esses “novos olhares sobre a administração pública”, como recordou o governador Renato Casagrande na divulgação dos salários de servidores do Estado, não têm que ser uma exceção, mas sim a rotina em uma democracia cada vez mais fortalecida. Essa é a hora de a sociedade exercer o seu papel fiscalizador. Nem mesmo o fiscais da lei podem ficar de fora.

10/08/2012 / 0 Comments
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Por dentro da caixa-preta

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No editorial predecessor a este (MPES nas trevas), abordamos a falta de transparência no Ministério Público Estadual – única instituição no Estado que reluta em abrir seus arquivos à sociedade, como determina a Lei de Acesso à Informação.  Em busca pistas para entender o motivo do boicote, a única explicação plausível encontrada é que, de fato, a instituição teme a transparência porque tem de esconder informações que não podem, pelo menos por hora, cair no domínio público. Por que? Porque seria difícil para explicar “algumas coisas”.    A reportagem em destaque (Ministério Público: muito dinheiro e pouca transparência) oferece alguns bons elementos que ajudam a desvendar o mistério em tono da caixa-preta do MPES.    Durante os oito anos do governo Hartung (2003 – 2010), o Ministério Público foi a principal base do tripé de sustentação do arranjo institucional montado pelo ex-governador, que na verdade era escorada por quatro instituições: Tribunal de Contas, Judiciário e Assembleia Legislativa.    Das quatro instituições, o MPES, sem dúvida, teve um papel estratégico para garantir o arranjo do ex-governador. Quando foi preciso represar as denúncias para proteger aliados, represou; quando foi preciso perseguir desafetos do arranjo para tirá-los do caminho, perseguiu.    Prova de que o ranço do governo passado ainda permanece incrustado nos corredores do MPES é esta relutância em abrir a caixa-preta da instituição que, com certeza, esconde muito mais do que informações dos contracheques de seus membros.    Nessa caixa-preta estão segredadas as marcas de um perverso arranjo que esteve a serviço de um governante déspota e centralizador. Ainda não sabemos os detalhes de como essa operação se deu nos bastidores do Ministério Público. Sabemos apenas, conforme revela a reportagem em destaque, que o tal arranjo custou uma verdadeira fábula aos cofres públicos.    Para se ter uma amostra do custo do arranjo, entre janeiro de 2009 e julho deste ano, os membros ativos do MPES – promotores e procuradores de Justiça – receberam mais de meio bilhão de reais em salários e vantagens. Fazendo um recorte apenas da Era Hartung (2003 – 2010), a dotação orçamentária do MPES saltou de R$ 82,1 milhões para R$ 218,25 milhões.    O que preocupa nessa história toda é que, mesmo com a mudança de governo, o comando da instituição ainda parece estar na mão do antecessor de Casagrande. Evidência para essa tese reforça-se no valor do orçamento da instituição para este ano, que é de R$ 267 milhões. Ou seja, continua crescente.

10/08/2012 / 0 Comments
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Atenção todos os carros

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  O prejuízo líquido de R$ 1,3 bilhão da Petrobras no segundo trimestre de 2012, contra um lucro líquido de R$ 10,9 bilhões no mesmo período de 2011, foi o último sinal para os consumidores brasileiros (todos nós brasileiros somos clientes cativos dela): a Petrobras chegou ao limite como guarda-metas da inflação no Brasil. Ou, seja, tornaram-se irreversíveis/irresistíveis as pressões pela alta da gasolina e do diesel.     Graça Foster, a presidente da BR, já disse que não dá para segurar a barra indefinidamente. Se a empresa não gerar lucros, vai ter de encostar-se no tio BNDES (onde já tem uma série de financiamentos) ou no Tesouro, o pai de todos. Faz sete anos que a petroleira brasileira não reajusta os preços dos combustíveis. Nesse tempo, o valor do petróleo oscilou de US$ 50 a US$ 150 por barril de 159 litros. Atualmente, está pouco abaixo de US$ por barril.   Maior empresa do Brasil, uma das maiores petroleiras do mundo, a Petrobras é uma espécie do ministério dos combustíveis líquidos, compartilhando com o governo a responsabilidade pelo abastecimento dos insumos energéticos fundamentais para o transporte (e para a cozinha nacional, by GLP) e o fornecimento da matéria-prima central da indústria petroquímica e afins.   Por seu peso na matriz de custos de diversos segmentos da economia, a BR virou parceira compulsória do ministro da Fazenda no combate à inflação. E assim chegamos ao impasse atual. Se tradicionalmente a empresa sempre foi uma das preferidas no mercado de ações, desde sua semiprivatização no governo FHC (1995-2002) ela virou alvo fixo dos investidores nacionais e internacionais sequiosos por lucros no curto, no médio e no longo prazo.      O prejuízo no segundo trimestre de 2012 foi conseqüência do impacto da desvalorização do real. Ou, seja, o endividamento em moeda estrangeira ficou mais pesado e onerou os custos operacionais. São os escolhos da conjuntura internacional adversa sobre uma empresa que, esmo nadando de braçada em águas ricas em petróleo, paga em dólares pela maioria dos serviços tomados na exploração das jazidas do pré-sal em águas profundas do Atlântico.     Embora seja consensual que a Petrobras não deve arcar sozinha com a conta do combate à inflação, o aumento dos preços do petróleo não será uma mudança pacífica. Entidades de defesa do consumidor já saíram a campo reclamando transparência na contabilidade da Petrobras, para que os consumidores e cidadãos saibam como é definido o preço dos combustíveis.   LEMBRETE DE OCASIÃO   “Os preços da gasolina no Brasil, a exemplo da energia elétrica e da telefonia, são mais altos do mundo, como as taxas de juros”.   Alcebíades Santini, presidente do Fórum Latino-Americano de Defesa do Consumidor 

10/08/2012 / 0 Comments
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De fininho

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Difícil engolir a justificativa do deputado federal Paulo Foletto (PSB/foto) para sua saída da CPI do Cachoeira. Segundo ele, por não concordar com o andamento dos trabalhos e para se dedicar à campanha do seu aliado em Colatina (noroeste do Estado). Foletto havia botado banca de que iria investigar a atuação da Delta Incorporação – um dos braços da Delta Construções no Estado – e inclusive convocar o gestor comercial da empresa José Maria Oliveira Filho, irmão do ex-secretário de Estado da Fazenda, José Teófilo. Mas abandona o barco sem apresentar requerimento nesse sentido e sequer tocar nas relações da Delta por aqui, onde mantém contratos até hoje na Cesan, comandada por aliados do ex-governador Paulo Hartung (PMDB), sócio de Teófilo. Omissão de Foletto não deixa dúvida: sai pela porta dos fundos.    Cada um na sua Nessa jornada do ex-governador Paulo Hartung  (PMDB) em busca de candidatos a prefeito para figurar como apoiador importante, na seara da deputada federal Rose de Freitas (PMDB), sua antiga desafeta e que lidera 40 prefeitos capixabas, a vice-presidente da Câmara evita encontrá-lo. Não quer dar chance a Hartung de aparecer ao seu lado.  Ela recomenda, no entanto, que seus prefeitos tratem o ex-governador com generosidade. PH anda precisando de espetáculo.   Escapou O conselheiro José Antônio Pimentel já levou adiante a situação armada para proteger o deputado federal Lelo Coimbra (PMDB) no processo que corre no Tribunal de Contas, apontando irregularidades na gestão dele à frente da Secretaria de Estado de Educação (Sedu). O enredo para livrar a pele de Lelo já havia sido entoado na última semana e agora se consolidou. Tentativa é jogar responsabilidade sobre desvios de dinheiro público em servidores e fornecedores da pasta. Com a questão levantada por Pimentel, Lelo ganhou tempo, bastante tempo. Absurdo.    Nada de novo Para variar, um velho hartunguete fazendo as vezes de protagonista. Trata-se do novo secretário de Estado de Planejamento, Robson Leite, anunciando os investimentos do governo: R$ 6 bilhões, até 2016. Tudo para o futuro, como fazia o governo Paulo Hartung (PMDB). O presente que é bom, nada.    Haja tempo! Em Linhares, norte do Estado, o povo vai ter que suportar o atual prefeito, Guerino Zanon (PMDB), na TV, com um tempo enorme: 16 minutos, com aquela voz de locutor de rádio AM.    Alvo Aliás, o que estão fazendo com o candidato Nozinho Correa (PDT) é covardia. Tudo que acontece de ruim agora no município é atribuído a ele. Quando o filho do pedetista, que é fazendeiro em Rondônia, vem ao Estado, segundo as más línguas, é porque está correndo de alguém. Também é acusado de manter trabalhadores escravos nas suas fazendas. Duro ser favorito ao pleito.   Tempo fechado Ventos que sopram de Pinheiros (extremo norte do Estado) indicam que a barra está pesando por lá para o deputado estadual Gildevan Fernandes (PV), candidato à prefeitura do município. Estão na ordem do dia entre os moradores as pendências judiciais e denúncias de abuso sexual contra o verde. Situação está feia.    Inconveniências eleitorais O vereador de Vitória Fabrício Gandini (PPS) tem enviado correspondência aos moradores da Capital, pedindo votos para sua reeleição. Tem até número de celular no material. Só assim mesmo.    Paraíso Os moradores de Vitória, depois de muito tempo, voltaram a desfrutar do bem que faz o silêncio. Nesta semana, nada do barulho diário e ensurdecedor das obras que tomaram conta da cidade. Único lamento é a calmaria ser proporcionada por uma greve, a dos trabalhadores da construção civil, que lutam por reajuste salarial. Resolver a situação é bom por um lado, mas por outro…   140 toques “Loteamento arrasa ecossistema em Interlagos/VilaVelha: só restou a lagoinha, para dar cara ambiental. Pode, MP?”. (Deputado estadual Cláudio Vereza – PT – no Twitter).   PENSAMENTO: Nada é tão admirável em política quanto uma memória curta. John Galbraith

10/08/2012 / 0 Comments
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Estado do futuro

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Lembra daquela máxima muito difundida em décadas passadas, de que o “Brasil era o país do Futuro”? Pois é. O futuro chegou e muito pouco ou quase nada aconteceu. Agora, o Espírito Santo parece também perdido nessa roda gigante. Os discursos dos investimentos milionários e bilionários vêm desde o primeiro mandato do ex-governador Paulo Hartung (PMDB), atravessaram todo o segundo mandato e agora se consolidam no governo Casagrande. O secretário de Planejamento do Estado, Robson Leite, que chegou à pasta no mês passado, mas é figurinha carimbada de outros carnavais, projeta um montante de R$ 6 bilhões até 2016. Enquanto isso, a população capixaba ainda procura os sinais daquele investimento de R$ 1 bilhão que Hartung prometeu no seu último ano de governo. Já estamos plantados no segundo semestre do segundo ano de governo Casagrande e a classe política ainda espera uma aceleração das ações. Mesmo prometendo continuidade, o governador ao assumir prometeu descentralização da economia, correção dos problemas estruturantes do Estado e resposta rápida nas ações de atendimento à população. Mas o ritmo continua lembrando muito o governo antecessor, que pensava muito em política e pouco em gestão. Apesar de sair festejado do governo, Hartung deixou um grande passivo para seu sucessor. Queda nas matrículas e na qualidade do ensino médio, defasagem de leitos nos hospitais, isso sem falar no índice quase simbólico de novos soldados na PM. Com uma classe política calada e prefeitos totalmente dependentes, o Espírito Santo ainda aguarda um futuro que vem sendo prometido, prometido, mas que nunca chega. Será que o capixaba vai ter que esperar até 2016 para que o bolo desse tão falado crescimento seja repartido? Essa história é velha. Fragmentos: 1 – Na matéria sobre a divisão territorial de Vitória pelos vereadores, o mapa das regiões aponta um engano. Na Grande Goiabeiras, quando a matéria diz que Ademar Rocha (PTdoB) divide o eleitorado, na verdade não é bem assim. 2 – O presidente da Câmara, Reinaldo Bolão (PT), tem soberania. Na eleição passada ele teve mais de dois mil votos na região, enquanto Ademar teve pouco mais de 160. 3 – O desempenho dos filhos de Touro Moreno na Olimpíada de Londres mostra que o esporte capixaba tem que ser levado mais a sério. Se eles chegaram aonde chegaram foi por uma luta solitária do pai. Quantos outros Falcões estão aí, sem oportunidade?

10/08/2012 / 0 Comments
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Sonho realizado

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Não cogitava republicar essa triste reportagem que fiz há mais de dois anos sobre o lendário boxeur Touro Moreno. Achava, à primeira vista, inadequada para um momento de total celebração dos feitos dos seus filhos Esquiva e Yamaguchi nos Jogos Olímpicos de Londres, na Inglaterra.    Interrompi este texto, inclusive, para dar uma espiada na luta do Yamaguchi Falcão, que acabou levando a medalha de bronze após perder para o russo Egor Mekhontcev (3º colocado no ranking mundial). O irmão Esquiva Falcão, como todos viram, atropelou o britânico Anthony Ogogo mais cedo e vai disputar um ouro inédito para o nosso boxe em Jogos Olímpicos. Os feitos espetaculares alcançados por ambos – pugilistas fantásticos feitos e esmerilados pelo pai, numa época de adversidade total de sua vida – entram para a história do boxe brasileiro.    A reportagem abaixo é de junho de 2010, quando o velho Touro ainda estava com 72 anos. Nessa época ele andava frustrado por não conseguir levar adiante o seu projeto de fazer pugilistas num bairro de extrema pobreza e tomado pelas drogas na periferia de Jacaraípe, Serra, município ao norte de Vitória.    Pois bem, a reportagem retrata esse aparente fracasso, que, na verdade, deveria se destinar àqueles que não permitiram que ele transformasse o Espírito Santo e o Brasil num celeiro de grandes boxeadores. Adversidade que jamais atenuou sua paixão e nobreza pelo boxe.    Reverenciado agora, ou melhor, só depois do êxito de seus filhos, é que passaram a reconhecer o seu devido valor. Houve um momento em que Touro esperava que o governo do Estado arcasse com a sua ida a Londres para estar perto dos filhos, orientando, como era desejo deles próprios. Mas não atenderam a esse simples pedido do lendário Touro Moreno. Porém, não é hora de procurar culpados.   Yamaguchi e Esquiva precisaram ir até Londres para reverenciar essa lenda viva do boxe.     Touro Moreno, lendário campeão dos ringues:  pobre, mas firme e forte na luta pela vida (Reportagem publicada em 12/06/2010) Fotos: Rogério Medeiros O lendário boxeur Touro Moreno (foto) fracassou na sua tentativa de criar, numa das periferias da Grande Vitória, uma academia para formar novas gerações de lutadores. O tráfico de drogas, no bairro escolhido para implantá-la, Guarani, na região de Jacaraípe, na Serra, não permitiu. Selou a sorte da academia logo aos primeiros meses de seu funcionamento. Um resultado injusto para alguém, como Touro, que marcou sua passagem pelo boxe, como também pela luta livre, pelo bom e salutar combate. Ao alcançar a curva implacável e inexorável da velhice – 72 anos de idade –, o malogro da academia passou a representar a perda de sua última e decisiva parada no boxe, embora conte nele com três discípulos em ascensão: os filhos Tomaz Edson, Esquiva e Yamaguchi, todos de sobrenome Falcão, sendo que Yamaguchi andou perto de conquistar uma medalha no último campeonato mundial, em Milão, na Itália. Eles fazem carreira em São Paulo. E possivelmente ele possa, em breve, vir a contar, também, com os dois filhos menores: Estevam, de 12 anos (nome em homenagem ao grande boxeur cubano Teófilo Estevam) e Elielson, de 14 anos. Com os quais, através do tempo, conta para zelar pela sua vitoriosa história no boxe. Já que, fora a glória, o boxe não lhe deu mais nada, muito menos dinheiro. Além de enfatizar que a vida no ringue é dura, como foi para si e será fatalmente também para os seus filhos, incluindo os dois menores. ainda em companhia dele e da sua atual mulher, Maria Olinda (foto), vivendo com eles numa improvisada e desconfortável casa no bairro Guarani, onde quis erguer a sua academia a céu aberto. Além de Estevam e Elielson, estão, sob o mesmo teto com ele e a mulher, mais quatro filhos menores. Muita boca, como disse ao repórter, para comer com os R$ 465,00 mensais que recebe de aposentadoria. Ainda bem que não há despesa com aluguel de casa. O terreno, onde improvisou a sua casa e chegou a armar o ringue de sua academia, foi uma doação de um aficcionado do pugilismo, o juiz de direito José Rodrigues Pinheiro. “Quando eu abri a academia, apareceu a meninada toda do bairro. Me entusiasmei e caprichei no preparo deles. Mas não passava um dia sem que  a polícia não levasse, por conta do tráfico,  de dois a  três meninos.  Fora os que vinham atrás de outros nas disputas pelo ponto de tráfico.  Geralmente armados. Desisti. Foi duro desistir. Meu plano era formar uma geração para a vida no ringue. Perdi essa parada decisiva, embora o ringue tenha sido para mim um estado de espírito”, a ponto de não lhe ter permitido enxergar o seu futuro. O único dinheiro, além da aposentadoria, que viu, nesse tempo todo fora do ringue, foram R$ 3 mil que vieram de um documentário feito sobre a sua vida. Além do dinheiro, ele também ficou lisonjeado com o documentário. Sinal de que a sua vida no boxe ainda anda viva na memória do capixaba.  O cineasta Juliano Enrico foi quem dirigiu o documentário. Essa sua precária condição de vida ensejou que o repórter pudesse aventar à hipótese de ele ser contemplado, pelos seus serviços ao boxe capixaba, com uma justa aposentadoria pelo Estado. Devolveu a sugestão com um ar severo, pedindo que fôssemos  em frente com a nossa  reportagem. A sua reação embutia uma velada advertência de que não vestiria a roupa do coitadinho. O repórter, da sua mesma faixa de idade, enxergou, na sua reação, algo como alguém que não estava disposto a sofrer uma nova decepção, que, na linguagem do boxe, chama-se derrota. Pois outros, como ele, que se tornaram celebridades em suas áreas, foram totalmente ignorados e morreram na miséria, a exemplo de Zezinho, o Zé da Bola, craque de futebol capixaba que jogou nos grandes clubes do País e envergou a camisa da seleção brasileira. Não virou sequer nome de rua. Mas tudo isso não o impede de continuar vivendo da nostalgia do

10/08/2012 / 0 Comments
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Novo formato de comentários não intimida manifestação de leitores de Século Diário

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As primeiras semanas do novo Século Diário também foram marcadas por um novo sistema de comentários, que permite mais interação entre os leitores. É consenso da redação do jornal que os comentários são uma extensão da matéria, já que trazem novas informações e outros pontos de vista sobre os temas tratados.   Uma das matérias campeãs de audiência nesses primeiros dias de novo formato foi a denúncia publicada na última terça-feira (7), sobre as relações nebulosas entre o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) e o ex-secretário de Estado da Fazenda José Teófilo, em “negociata” de terrenos para a instalação de uma planta industrial da Ferrous Resources do Brasil em Presidente Kennedy (litoral sul do Estado). Os comentaristas foram unânimes em desaprovar a atitude do ex-governador e demonstraram a decepção nos comentários.    Álvaro Gomes Ferreira chegou a comparar Hartung ao senador cassado Demóstenes Torres. Já Lucelena Dutra e Nery Neto salientaram que “ as máscaras estão caindo”, ao se referirem ao fato revelado pela reportagem.          O alcance da matéria referente à autorização do primeiro casamento civil homoafetivo do Estado também deu espaço a um acalorado debate nos comentários, mas desta vez os leitores tomaram lados diferentes na discussão, cada um defendendo o seu ponto de vista.    Enquanto Jocimar Alves enfatizou que família é constituída por homem e mulher, Rodrigo Rosa discordou afirmando que família é constituída por amor e relações afetivas, com ensinamentos e valores sociais que visem ao bem estar das pessoas.    Nas redes sociais o debate em torno dos temas tratados nas edições diárias se estende. A página do Facebook Século Diário registra novos assinantes a cada dia, o que contribui para a disseminação do conteúdo dinâmico do jornal e o twitter oficial @SeculoDiario vem sendo atualizado a cada novo conteúdo publicado, diferente do que acontecia no antigo formato.    Mesmo com a mudança de layout, no ritmo das atualizações diárias e no formato dos comentários, Século Diário continua prezando pela transparência e pelo foco na interpretação dos fatos. A contribuição dos leitores para enriquecer ainda mais o noticiário é primordial. Continuem comentando.

10/08/2012 / 0 Comments
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Suspeita de direcionamento em licitação para contratação de software no DER-ES

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Uma licitação do Departamento de Estradas e Rodagens do Estado (DER-ES) para contratação de software de gestão está sendo alvo de questionamentos no mercado. Apesar da denúncia de um possível direcionamento no edital, a direção do órgão manteve o certame que terminou com a participação de uma única empresa, a catarinense Softplan – Poligraph Sistemas e Representações Ltda, que obteve 100% no critério de índice técnico e deve apresentar a “fatura” dos serviços nesta semana. Está marcada para esta segunda-feira (13), a sessão de abertura da proposta econômica da Softplan. O edital prevê que o valor dos serviços gire em torno de R$ 6,5 milhões, podendo ser aditivado por até cinco anos – o que pode resultar em um gasto de até R$ 30 milhões. Nem mesmo esse valor elevado foi capaz de atrair outras empresas. Uma das explicações pode se encontrar no próprio edital da Concorrência Pública nº 013/2012. De acordo com uma representação formulada por José Maria Ribeiro no último dia 18 de junho, o texto do edital coincide com a descrição dos produtos oferecidos pela empresa. Ele demonstra que os vinte módulos citados no edital do DER-ES como obrigatórios no software a ser contratado eram semelhantes aos oferecidos dentro do software Sider – de propriedade da Softplan, como atesta o site da empresa. Em alguns casos, os nomes dos módulos citados como obrigatórios pelo edital são idênticos, como o “Sistema de Gestão de Contratos e Medições de Obras Rodoviárias – SMO”, forma na qual é apresentado no edital, e o item “Gestão de contratos e medições de obras”, como oferece a empresa catarinense. Dentro dos aspectos técnicos que foram alvo da representação está a obrigatoriedade da empresa possuir o sistema, já que o edital cita expressamente que a contratada deverá fornecer licenças do uso dos aplicativos. Fato que pressupõe que o produto desejado já deva existir, uma vez que um fornecedor só pode licenciar um produto do qual mantém direito de propriedade. A representação foi apresentada à direção do DER-ES e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). Nos dois casos, a denúncia não foi alvo de qualquer investigação mais criteriosa. Pouco mais de uma semana depois, o presidente da comissão licitante, Carlos Roberto de Paula Ribeiro, comunicou que decidiu não acolher as razões apontadas na denúncia. O mesmo ato informa que a decisão também foi submetida à autoridade superior, que ratificou o entendimento pela rejeição do recurso.

10/08/2012 / 0 Comments
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Max Filho diz que não tratou apoios como moeda de troca

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  “Deixamos de ter alguns partidos em nossa aliança, pois não aceitamos fazer certos tipos de composição”. A declaração foi do candidato do PSDB a prefeito de Vila Velha, Max Filho. Em entrevista ao site do partido, ele destaca que não aceita “moeda de troca”, já pensando no perfil de sua gestão. “Houve um partido que nos pediu a Secretaria de Educação para ficar conosco”, afirmou.   Assim como vem fazendo nas entrevistas, o ex-prefeito do município fez questão de frisar que, se eleito, terá o apoio do governo do Estado, o que não aconteceu em seus dois mandatos passados, quando tinha uma rivalidade com o ex-governador Paulo Hartung, o que, segundo os meios políticos, começa a se amenizar também.   O candidato também mandou um recado para os adversários, dizendo que ao contrário de outros candidatos, conhece bem o município. O recado parece ter sido direcionado ao candidato do DEM, Rodney Miranda, que é de Brasília e vive no Estado faz menos de 10 anos.   “Nós não somos como outros por aí, que não conhecem Vila Velha, que não conhecem o dia a dia da população. Nós conhecemos os problemas da cidade, sabemos por onde passam as soluções para esses problemas”, declarou ao site tucano.   O candidato do PSDB também falou da estratégia da campanha para a disputa acirrada que se estabeleceu no município, sobretudo com o atual prefeito Neucimar Fraga (PR). Max disse que a agenda começa às 7h30, no comitê de campanha. No local, as equipes são divididas para os trabalhos nas ruas, para suas atividades rotineiras. A agenda inclui caminhadas, em diferentes bairros da cidade e duas reuniões à noite para fazer um balanço das ações diárias, também em diferentes bairros do município.

10/08/2012 / 0 Comments
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Embargo declaratório da defesa de Donati será julgado nesta segunda

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  As Câmaras Criminais Reunidas do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) julgam nesta segunda-feira (13) mais um embargo declaratório impetrado pela defesa do atual prefeito de Conceição da Barra (norte do Estado) e candidato à reeleição, Jorge Donati (PSDB). O embargo é referente ao “Crime da Ilha”, em que ele é indiciado pelo mando nos assassinatos da então mulher, Cláudia Soneghete e da arrumadeira da mansão do casal, Mauricéia Rodrigues, ocorridos na Ilha do Frade, em Vitória, em janeiro de 2003.    Embora a defesa impetre recursos a cada julgamento, o Tribunal vem julgando os expedientes com rapidez, demonstrando que os crimes atribuídos ao prefeito podem ser julgados na segunda instância.    Pelo “Crime da Ilha” já foram julgados os irmãos Cristiano e Renato dos Santos Rodrigues, acusados de serem os executores das duas mulheres. Cristiano foi condenado pelo Tribunal do Júri de Vitória a 41 anos de prisão e Renato a 11 meses de pena em regime aberto, em julgamento finalizado na madrugada do dia 11 de maio deste ano.    O julgamento dos acusados da execução deu novo fôlego ao processo contra Donati, que passou para a segunda instância depois que ele se elegeu prefeito de Conceição da Barra nas eleições municipais de 2008. A reeleição do prefeito garante que o processo permaneça em segunda instância, mas caso Donati seja eleito em outubro e condenado por um colegiado, como é o caso das Câmaras Criminais Reunidas, pode ter o diploma cassado.    Além do “Crime da Ilha” Donati também responde pelo mando no assassinato do sindicalista Edson José dos Santos Barcellos, ocorrido em Conceição da Barra em julho de 2010. A denúncia contra o prefeito foi acatada pela 1ª Câmara Criminal do TJES em sessão realizada no dia 18 de julho deste ano.    O acórdão atesta o peso dos depoimentos na ação contra Donati. Enquanto a defesa do prefeito tenta desqualificar testemunhas e relatos, os magistrados sustentaram que os depoimentos colhidos no inquérito policial foram suficientes para que a denúncia fosse acatada.

10/08/2012 / 0 Comments
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