Desde os tempos da Grécia Antiga, as praças de Atenas, chamadas de ágoras, eram usadas como ponto de encontros das cabeças pensantes da época. Estamos falando de mais de 400 anos a. C.. Um bocadinho de tempo, não é verdade? Um dos frequentadores assíduos das ágoras era o filósofo ateniense Sócrates, que costumava se reunir com amigos para filosofar sobre os mais variáveis temas da existência humana. Tudo em plena praça, pois só ela podia aliar exuberância e ar fresco. Das ágoras atenienses aos dias atuais, o espaço público para o convívio coletivo, que recebeu o nome de praça, vem perdendo a importância para sociedade moderna. As poucas que ainda resistem nas grandes cidades são quase sempre malcuidadas e não têm mais aquele charme convidativo de outrora, com direito a coreto, jardins e tudo mais. Outras, ainda mais deterioradas, em tempos de epidemia de crack, viraram refúgio de “zumbis” que procuram um nicho para consumir a droga às escondidas. Apesar do cenário desalentador, algumas cidades ainda se orgulham de suas praças e fazem de tudo para preservá-las. É o caso dos moradores de Conceição da Barra, que lutam para preservar a Praça Central do balneário mais ao norte do Estado, quase na divisa com a Bahia. Os moradores lutavam para que o prefeito Jorge Donati não transformasse a praça em estacionamento para automóveis. Isso mesmo, o prefeito tucano queria tirar as pessoas do espaço público de convívio para dar lugar aos carros, inclusive ao dele, pois o estacionamento atenderia à prefeitura. Mas o que parecia improvável, para a alegria dos barrenses, aconteceu. A iniciativa do prefeito em destruir a praça começou a ser brecada por palavras. Não quaisquer palavras. O escritor e historiador Maciel de Aguiar, que é da vizinha São Mateus, ao saber da patuscada que o prefeito armava, resolveu pôr a ponta da pena para funcionar. Escreveu uma crônica para tentar dissuadir o prefeito da descabida ideia (clique aqui, e leia a crônica). O prefeito mesmo, não deve nem ter lido a crônica, pelo menos não se rendeu ao clemente pedido de socorro do escritor para salvar a praça. Mas as lideranças dos movimentos culturais barrenses leram. O texto sacudiu os militantes que se mobilizaram em torno do movimento de salvar a praça. Na tarde desta quinta-feira (2), a comissão de moradores que vinha se articulando para defender o tombamento da praça, recebeu a notícia do Conselho Estadual de Cultura (CEC) que a praça não corre mais perigo. A Secretaria de Estado da Cultura (Secult) se rendeu aos apelos da comissão e decretou o tombamento da praça. Melhor ainda, a Secult aproveitou o embalo e tombou também a igreja e os casarios que ficam no entorno do espaço público. O casarão da Bugia também entrou no pacote de tombamento. Se Sócrates vivesse entre os barrenses, estaria indo agora mesmo para a praça festejar o tombamento. Se tivesse o infortúnio de encontrar Donati pela frente, não pensaria duas vezes para lhe mandar uma de suas célebres frases: “O homem faz o mal, porque não sabe o que é o bem”.
O sabor do rádio
Podem reparar, não existem mais radinhos à pilha para vender em lojas de eletrodomésticos. O radinho perdeu força nas prateleiras das lojas mas ganhou nos painéis dos automóveis. Todos os carros já saem da fábrica com bons rádios instalados. Na realidade, quando o AM virar digital – e isso está pertíssimo – ai sim, vai dar prazer de ouvir rádio no carro, já que as interferências corriqueiras terminarão de vez com o processo digital. E com um detalhe legal. Excelente som, poder de alcance triplicado ao do FM e sem esses locutores ridículos, tipo esses que cantam no finam de cada ponto ou frase. Mas se o radinho à pilha ou mesmo o de mesa sucumbiu ao modernismo, ele ganhou força nos de ouvido, esses que acompanham seus donos nas caminhadas, corridas e passeios. Ou mais: ganhou força nos celulares, principalmente bem ouvido na periferia. Se hoje você não vê mais radinhos de pilha, não se espante. Eles estão em outros formatos, em outros corpos, em outras dimensões e com tendência a melhorar com o sistema digital para o AM. Eu, por exemplo, tenho um guardado para dar ao meu neto daqui uns anos, assim que ele estiver com mais idade. Ele nunca viu um. Enfim, o rádio continua com seus mistérios, sua maciça audiência, seu respeito por outros veículos e principalmente, sendo o primeiro e único a prestar serviço à população. PARABÓLICAS Além de Nero Neto (no Rio), quem também tem uma rádio na Web é o excelente locutor e agenciador, nosso companheiro Nivaldo Passamai. Por anda Dirceu Marchiori, que dirigiu rádio no norte do Estado e chegou até a apresentar programas de músicas italianas? Tem muito gaiato que vai à boate onde a belíssima DJ Jéssica Mallman se apresenta, só pra ficar parado olhando os graciosos movimentos da bela. A publicitária Dani Klain faz um bonito trabalho de assessoria para programetes de rádio através de sua agencia KM – knowledge Media. MENSAGEM FINAL Há apenas uma coisa no mundo pior do que falarem sobre você: é não falarem sobre você. Oscar Wilde
Brigas nunca mais
Para quem lê as entrelinhas das notícias políticas, que é um saudável exercício a que se obrigam os próprios políticos, sobressaiu na entrevista do candidato a prefeito de Vila Velha Max Filho (PSDB/foto) à CBN, e que está reproduzida em A Gazeta desta quinta (2), a trégua entre os Max e o ex-governador Paulo Hartung. Quando Max Filho fala pelo pai, Max Mauro, embora os temperamentos sejam diferentes, e o Max pai transformou sua vida em função do destino político do filho, ele deu um termo à luta que manteve por uma década contra Hartung. Max Filho vai seguir outro caminho. Mas isso não significa que a relação entre os dois será fraterna. Nada disso, o passado não permite. Mas a guerra acabou. Agora a pergunta: como fica o pai e sua longa carreira guerreando, numa bravura que marcou toda uma trajetória política? Vai para inatividade? Porque Max pai sem briga, não faz política. Tirando casquinha Por falar em PH, ele continua aprontando. Agora foi para Aracruz compartilhar da anunciada vitória do deputado estadual Marcelo Coelho (PDT) para prefeito, apesar da justiça estar pondo obstáculos à sua candidatura. Hartung foi lá para imprimir sua marca. No futuro, ele dirá: “Eu que elegi!”. Esse PH não toma jeito. Em Marte O secretário estadual de Ações Estratégicas André Garcia é pouco estratégico em suas declarações. Nessa quarta (1) o Espírito Santo atingiu a triste marca de mil homicídios no ano. E mesmo assim o secretário destaca que as 998 vidas perdidas até o final de julho foi o melhor resultado dos últimos sete anos. Grande resultado, hein, secretário. Em Júpiter O secretário estadual de Segurança Pública, Henrique Herkenhoff, segue buscando razões pouco críveis para os mil homicídios. Antes a culpa era da Serra e de Cariacica. Como ele não tem projetos para enfrentar a violência, ele mudou seu foco geográfico: a culpa agora é de Vila Velha, Aracruz e Pinheiros. É de se perguntar: quais os próximos municípios que o secretário vai usar para suas explicações? Voto de papel O secretário de Tecnologia da Informação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Giuseppe Janino, disse que volta do voto impresso é retrocesso. É que um dos pontos da minirreforma eleitoral acena para o retorno do voto impresso. No Espírito Santo, a volta do voto em papel aplacaria certas desconfianças. Como a que paira sobre as eleições de 2010… Viaduto da solidão Pouco mais de dois meses após a inauguração, em 26 de maio, a alça da Terceira Ponte continua lá, reluzente e com seu belo paisagismo. A promessa, contudo, de desafogar o trânsito das imediações ainda não se cumpriu. E no horário de pico a alça continua padecendo de uma comovente solidão. Ufa! Como a seleção de basquete masculino da Rússia, que nesta quinta (2) venceu o Brasil a seis segundos do final do jogo nas Olimpíadas, o prefeito de Vitória João Coser também conseguiu uma vitória em cima da hora. A dois meses das eleições, o Programa Águas Limpas foi concluído em Vitória. É dispensável lembrar as rugas de aflição e raiva que as obras causaram nos moradores da capital. Agora é só alegria. Tomara. Grandes idéias Tudo bem, a família é uma instituição importante, mas o deputado Esmael de Almeida (PMDB) exagerou. Ele apresentou projeto de lei para que o mês de maio seja instituído como o “Mês da Família”. O problema é que o Espírito Santo tem tantos problemas, acabamos de atingir os mil homicídios em sete meses, e o deputado vem com projetos dessa envergadura. Nada a ver. 140 toques “Anote o nosso novo número de telefone: 3024-7700”. A tal “Ong empresarial” Espírito Santo em Ação no twitter. Anotaram? Só não pode passar trote. Já bastam os que o ES em Ação nos passa. É assim desde 2003. Pensamento “Benefícios devem ser concedidos gradualmente; desse modo, eles parecerão melhores”. Nicolau Maquiavel
TSE confirma expectativa de segundo turno nos quatro maiores municípios da GV
Entre os 81 municípios brasileiro, com mais de 200 mil eleitores, nos quais o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) espera que haverá segundo turno, estão quatro capixabas. Segundo o tribunal, pode haver nova votação em Vila Velha, Vitória, Cariacica e Serra. No Estado, a projeção do TSE se confirma com a expectativa do mercado político diante da indefinição do eleitorados nesses colégios eleitorais. Dos quatro municípios, a expectativa maior de nova eleição está em Vitória e Vila Velha. Na Capital, disputam a prefeitura Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), Luciano Rezende (PPS), Iriny Lopes (PT), Gustavo De Biase (Psol), Edson Ribeiro (PSDC) e Montalvani (PRTB). Os três primeiros dividem o eleitorado, podendo forçar o segundo turno. Em Vila Velha, maior colégio eleitoral do Estado, as candidaturas do prefeito Neucimar Fraga (PR) e do ex-prefeito Max Filho (PSDB) lideram a corrida eleitoral. Mas o cenário também é pulverizado com a participação dos candidatos Rodney Miranda (DEM) e João Batista Babá (PT), que podem crescer, dividindo os votos. Completa o quadro o psolista Alan Claudio. No município da Serra, as candidaturas do prefeito Sérgio Vidigal (PDT) e do deputado federal Audifax Barcelos (PSB) estão polarizando a disputa, mas a peleja não deve ser decidida no primeiro turno. Em Cariaicica, Marcelo Santos (PMDB) tem vantagem na disputa, mas as candidaturas do vice-prefeito Geraldo Luzia, o Juninho (PPS), da deputada estadual Lúcia Dornellas (PT) e do deputado estadual Sandro Locutor (PV) deixam o quadro pulverizado. O segundo turno das eleições acontecerá no dia 28 de outubro. A nova votação acontece nos municípios com mais de 200 mil eleitores, em que nenhum dos candidatos obtém, em primeiro turno, mais do que a metade dos votos válidos. Neste caso, disputam o segundo turno os dois candidatos a prefeito mais votados. As eleições ocorrerão, em primeiro turno no dia 7 de outubro e no caso de segundo turno, os eleitores retornarão às urnas no dia 28 de outubro. Das 26 capitais dos Estados, 24 têm mais de 200 mil eleitores e podem ter segundo turno em outubro. As exceções são Palmas, no Tocantins, e Boa Vista, em Roraima. São Paulo é o Estado com maior número de municípios com mais de 200 mil eleitores, com 23. Em seguida, vêm Rio de Janeiro, com dez, Minas Gerais, com sete, e Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Espírito Santo, os quatro últimos com quatro municípios nessa condição cada um.
Cinema: estreias da semana
O que Esperar Quando Você Está Esperando trata-se da nova empreitada de Rodrigo Santoro em Hollywood. O ator brasileiro estrela o filme ao lado de Jennifer Lopez. A comédia dramática segue a conhecida fórmula de uma trama com histórias paralelas conduzida por estrelas. Os fantoches de 31 Minutos devem agradar sobretudo às crianças. Estas, em Guerra dos Botões, são exatamente o foco, mas o objeto: o filme trata das eternas disputas entre as crianças. Com foco nas relações familiares, a comédia dramática A Primeira Coisa Bela investiga o passado e o presente na vida de uma mulher. Movimento Browniano é o quarto filme da holandesa Nanouk Leopold e foi selecionado para a Quinzena de Realizadores do Festival de Cannes. ESTREIAS A Primeira Coisa Bela (La Prima Cosa Bela, Itália, 2010, 122 minutos, 16 anos) Comédia. Direção de Paolo Virzì. Com Valério Mastandrea, Micaela Ramazzotti, Stefania Sandrelli. Mario é um professor, que por ter uma mãe muito extrovertida e que lhe causava constrangimento, se distanciou da família ainda jovem. Porém um dia sua irmã tenta convencê-lo a visitar a mãe que está com uma doença terminal. Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 2. 16h45 e 21h10. Movimento Browniano (Brownian Movement, Holanda, 2010, 97 minutos, 16 anos) Drama. Direção de Nanouk Leopold. Com Sandra Huller, Dragan Bakema, Sabine Timoteo. Charlotte e Max vivem com o filho em Bruxelas. Max descobre que sua mulher se relaciona com alguns pacientes e coloca o relacionamento em teste. Uma mudança para Índia, por questões de trabalho, parece ser a solução, mas o passado continua a atormentá-los. Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 2. 19h05. A Guerra dos Botões (La guerre des boutons, França, 2011, 109 minutos, 12 anos) Drama. Direção de Yann Samuell. Com Eric Elmosnino, Mathilde Seigner, Alain Chabat. Nos anos de 1960, crianças de aldeias rivais travam emocionantes batalhas nos campos do sul da França. Cine Metropolis: 17h e 21h. Katy Perry: Part of Me (Katy Perry: Part of Me, EUA, 2012, 105 minutos, Livre) Documentário. Direção de Dan Cutforth e Jane Lipsitz. Com Katy Perry. O filme mistura videos pessoais da cantora e apresentações. Cine Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 1 (3D). 14h30, 16h40, 18h50, 21h10. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 6. 14h30, 16h55, 19h10, 21h20. 31 minutos – O Filme (Idem, Brasil, 2012, 88 minutos, Livre) Infantil. Direção de Álvaro Díaz e Pedro Peirano. Juanín Juan Harry, o último de sua espécie, produtor do excêntrico noticiário “31 Minutos”, tem de fugir dos ataques de Cachirula, uma colecionadora de animais. Cine Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 2. 13h30 e 15h10. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 8. 17h50 e 20h. O que Esperar Quando Você Está Esperando (What To Expect When You’re Expecting, EUA, 2012, 110 minutos, 12 anos) Comédia. Direção de Kirk Jones. Com Cameron Diaz, Jennifer Lopez, Rodrigo Santoro, Dennis Quaid. Um olhar na vida de quatro casais que estão se preparando para a chegada do primeiro filho. Cine Kinoplex – Shopping Praia da Costa: Sala 2. 17h, 19h20, 21h40. Cinemark – Shopping Vitória: Sala 1. 14h05, 16h30, 19h, 21h30. Cine Ritz – Shopping Norte Sul: Sala 1. 17h10, 19h20, 21h30.
A praça e a democracia: moradores conquistam o tombamento do espaço público
“Toda cidade tem uma praça, toda praça tem um coreto e muitas histórias para contar! Assim, em torno de sua presença indelével na vida de nossas cidades, surgem reminiscências tão distantes quanto sua existência tão antiga”. Mesmo que grande parte dos moradores da cidade de Conceição da Barra, no norte do Espírito Santo, concorde com as palavras do jornalista e historiador Maciel de Aguiar expostas acima, trecho da crônica “A praça pede socorro!”, o prefeito Jorge Donati (PSDB) preferiu não escutar. No dia 13 de junho deste ano, o mandatário do Executivo municipal começou a demolição de 40% da Praça Prefeito José Luiz da Costa, no Centro da cidade, para transformar a área em estacionamento da própria prefeitura. Na mesma hora, os moradores, que não foram consultados sobre a mudança, reagiram com protesto, conseguindo embargar as obras. Logo após o início das obras, foi criada uma comissão de moradores para acompanhar o andamento da questão, que protocolou ainda em junho um abaixo-assinado que pode gerar uma Ação Civil Pública contra a prefeitura. A grande esperança dos barrenses é a análise para o tombamento do local, que já está em andamento na Secretaria de Estado da Cultura (Secult), por meio do Conselho Estadual de Cultura (CEC). A mobilização popular deu certo. Quem conta é a moradora Orlandina Saúde, integrante da comissão. Nesta quinta-feira (2), segundo ela, a Secretaria de Estado da Cultura (Secult) se rendeu aos apelos da comissão e decretou o tombamento da praça. Melhor ainda, a Secult aproveitou o embalo e tombou também a igreja e os casarios que ficam no entorno do espaço público. O casarão da Bugia também acabou entrando no pacote de tombamento. A Praça Prefeito José Luiz da Costa, além de ser um histórico ponto de encontro dos cidadãos barrenses, é um patrimônio cultural da cidade para os moradores, datando de mais de 200 anos. É conhecida também de Praça da Igreja Matriz, sendo considerada sua extensão, servindo inclusive como atrativo para os muitos turistas que lotam a cidade, principalmente no verão. Leia abaixo o texto completo do historiador Maciel de Aguiar: A praça pede socorro! Toda cidade tem uma praça, toda praça tem um coreto e muitas histórias para contar! Assim, em torno de sua presença indelével na vida de nossas cidades, surgem reminiscências tão distantes quanto sua existência tão antiga. E uma cidade sem praça é quase imponderável ou, digamos, é como um corpo sem coração… não guarda sentimentos, não tem sonhos, não tem alma, não tem vida. Muitas cidades nascem em torno de uma praça! A bem da verdade as cidades não nascem primeiro que a praça! No início, como de costume, faz-se uma convenção de futuros munícipes, gentes vindas de lugares inimagináveis, e decreta-se: aqui será a praça! E, em torno dela, constroem suas histórias, aventuras, desejos e utopias. Então a praça deveria ser a certidão de nascimento da cidade. E nós, os beneficiários de seu bucolismo, de seu testemunho incomensurável e até de sua trivialidade, deveríamos tratá-la como uma mãe gentil, igual àquela que nos dá a vida e nos carrega em seu ventre por uma eternidade de meses. E a praça serve a todos e para tudo… principalmente à democracia. Na história da humanidade muitos homens maus mandaram queimar livros nas praças, outros fizeram o fuzilamento de incontáveis sediciosos que se rebelaram contra o sistema vigente e tantos determinaram nela o açoite de escravos que cometeram crimes de anseios de liberdade. Numa praça, Tiradentes beijou a face da eternidade, Federico Garcia Lorca foi fuzilado e incontáveis corpos lavaram de sangue a terra para servir de exemplo. Porém, não se deveria perder de vista que muitas bastilhas caíram a partir da união de milhares de revoltosos em muitas praças ao redor do mundo. Assim avisado, também devemos recordar que muitos poetas a cantaram pelos séculos… e um deles, espalhou aos ventos e à eternidade: “A praça é do povo, como o céu é do condor…” Então, que ninguém se atreva a achar que, por mais justificável e necessário ao tempo em que vivemos, uma praça pode ser violentada em sua forma, destruída em seu bucolismo e ultrajada em sua história. E quando uma praça pede socorro é dever de todo cidadão de bem se juntar numa cruzada cívica para defendê-la como um patrimônio da humanidade, mesmo que ela seja um símbolo de uma cidadezinha qualquer. Acho que nem deveriam existir leis, conselhos ou tribunais para defender as praças da incúria dos homens maus. Todas as consciências deveriam preservá-las como um bem inalienável das gerações. Desfraldemos, então, a bandeira em defesa de nossas mais remotas lembranças e de nossas mais indeléveis recordações para impedir a destruição da praça que ornamenta a igrejinha da Conceição de Nossa Senhora Padroeira, no Município da Barra, Norte do Estado do Espírito Santo. A praça pede socorro, mas devemos clamar com a voz do poeta: “A praça é do povo!”. Maciel de Aguiar
Lista Suja do trabalho escravo inclui mais um empregador do Espírito Santo
O Cadastro de Empregadores flagrados explorando mão de obra análoga à escrava foi atualizado no fim do mês de julho pelo Ministério do trabalho e Emprego (MTE) e inclui o nome de um novo empregador do Estado, o engenheiro agrônomo Marcelo Krohling, do Sítio Mundo/Araponga, localizado em Marechal Floriano, na região serrana do Estado. Atualmente a Lista Suja do trabalho escravo, nome pelo qual o cadastro é conhecido, conta com nomes de seis empregadores do Estado, sendo cinco pessoas físicas e uma empresa. Krohling foi flagrado ao explorar 19 trabalhadores na propriedade, em 2010. Eles haviam sido aliciados na Bahia e levados ao sítio para atuarem na colheita de café. A fiscalização do MTE flagrou os trabalhadores submetidos a condições degradantes e desumanas de trabalho. Na frente de colheita de café não havia instalações sanitárias e os trabalhadores tinham de satisfazer as necessidades fisiológicas em meio ao cafezal, sem qualquer condição de higiene. O empregador também não fornecia água potável ou abrigo para que os trabalhadores fizessem as refeições. Eles tinham de beber água do riacho que passava pela propriedade, mesmo local em que tomavam banho e lavavam vasilhas. Os alojamentos eram constituídos de instalações precárias, com duas casas de madeira que tinham frestas por onde passava a corrente fria de vento, típica da região. Os alimentos eram adquiridos em uma espécie de venda dentro da propriedade pelos trabalhadores, que usavam o sistema “fiado”, com pagamento descontado dos salários. Além disso, o empregador não fornecia equipamentos de proteção individual, somente luvas, também com valor descontado do salário. Permanecem na Lista Suja os empregadores Peris Vieira de Gouvêa, da fazenda Jerusalém, na zona rural de Alegre, no sul do Estado; Antônio Carlos Martin, o Toninho Mamão, da fazenda Nova Fronteira, localizada na zona rural de São Mateus, no norte do Estado; Luiz Carlos Brioschi, da Fazenda Barra Seca, localizada em Jaguaré, e Osmar Brioschi, na mesma fazenda. Além disso a empresa Bell Construções, que explorava trabalhadores em área urbana, em Vila Velha, permanece na Lista Suja. Toninho Mamão Antônio Carlos Martin, conhecido como Toninho Mamão, empregador de mão de obra análoga à de escravo, com nome incluído na Lista Suja, foi homenageado pela prefeitura de São Mateus, no norte do Estado, que inaugurou uma Unidade de Saúde “batizada” com o nome do produtor rural. Ele morreu no dia 21 de junho deste ano e foi o doador dos lotes em que a unidade foi construída. Toninho Mamão foi denunciado pelo Ministério Público Federal no Estado (MPF-ES) em 2009, junto com o lavrador Nelson Pinheiro dos Santos, por aliciar trabalhadores e submeter 77 deles a condição análoga à de escravos numa lavoura de café na fazenda Nova Fronteira, em São Mateus. O nome do produtor rural permanece na atualização da Lista Suja.
Pedido de vista no TCES cria expectativa de proteção ao deputado Lelo Coimbra
O pedido de vista do conselheiro José Antônio Pimentel no julgamento das contas do deputado federal Lelo Coimbra (PMDB), referente o exercício de 2005 da Secretaria de Educação do Estado (Sedu), quando o peemedebista respondia pela pasta, causou uma certa expectativa nos meios políticos. Isso porque o conselheiro faz parte do mesmo grupo político que o deputado, o do ex-governador Paulo Hartung. Pimentel, inclusive, foi chefe da Casa Civil do ex-governador. Por isso, há uma impressão de que pode haver uma proteção ao ex-secretário. Até porque, o relatório da área técnica que aponta irregularidades na gestão de Lelo é bastante convincente. O relator da matéria, o conselheiro-substituto João Luiz Cotta Lovatti, em seu voto rejeitou a denúncia do Ministério Público de Contas (MPC), que pedia a inelegibilidade de Lelo por cinco anos, mas manteve o parecer da área técnica. O julgamento das contas da Sedu, do exercício de 2005, teve início nessa terça-feira (31). O relator leu o parecer confirmando o relatório da área técnica do Tribunal de Contas, que determinou o ressarcimento de R$ 263 mil aos cofres públicos, além do pagamento de multa. Na análise dos técnicos do Tribunal, foram encontradas irregularidades nos serviços ligados à limpeza, merenda escolar. Esses serviços foram pagos pela secretaria, mas não houve comprovação de que foram prestados. O parecer da área técnica foi mantido mesmo depois de a defesa do ex-secretário apresentar documentos para tentar comprovar a prestação do serviço, o que não se confirmou. Além disso, foram encontrados indícios de utilização de promoção pessoal do então secretário e pagamento de um anúncio com pronunciamento do ex-governador Paulo Hartung por parte da Sedu, quando o material deveria ter sido pago pela Secretaria de Comunicação. A preocupação dos meios políticos aumenta quando se analisa a composição do plenário do Tribunal de Contas. Além de Pimentel, também são conselheiros ligados ao grupo do ex-governador Paulo Hartung, Sergio Aboudib, Rodrigo Chamoun e o presidente do Tribunal, Carlos Ranna.
Lixo extraordinário
“Lies, lies, lies / You love those lies”, canta ironicamente Shirley Manson na primeira faixa de Not Your Kind of People (2012). A vibrante Automatic Systematic Habit é perfeita para abrir o disco, que revela que o Garbage manteve seu estilo mesmo depois de sete anos parado. A banda, que se formou nos anos 1990, ficou praticamente o ano de 2011 inteiro em estúdio para produzir as músicas do sucessor de Bleed Like Me (2005). A temática dramática e pessimista, característica das letras de Shirley, permanecem em Not Your Kind of People, mas com um tom menos sombrio e mais maduro. O primeiro single, Blood For Poppies, sintetiza muito bem essa nova fase do grupo, na qual prevalecem as batidas eletrônicas e dançantes e muitos efeitos com sintetizadores na voz de Manson. A faixa seguinte, Control, segue a mesma linha musical, porém com uma bateria mais agressiva e uma pegada mais grunge nas guitarras, com a voz sensual de Shirley fazendo o contraponto ideal. Essa mistura, que é a base do estilo do Garbage, é resultado do trabalho do baterista e produtor Butch Vig, que carrega na bagagem produções como o antológico Nevermind (1991), do Nirvana, o Siamese Dream (1993), Smashing Pumpkins, e o Dirty (1992), do Sonic Youth. O clima do disco esfria um pouco com a balada Not Your Kind of People. A guitarra arrastada e a voz sussurrada de Shirley deixam a música depressiva e linda, ela acaba se destacando das demais. Outra canção lenta é Sugar, que lembra as antigas baladas do Garbage, como a famosa You Look So Fine, do segundo álbum da banda, Version 2.0 (1998). O eletro-rock volta nas faixas Battle in Me e Man On a Wire, nesta última a vocalista canta que ressuscitou e está transformada, “I was like a volcano, just waiting to explode / I have been resurrected, reborn, and I have been transformed”. As letras raivosas prevalecem no disco, mas Shirley baixa um pouco a guarda em The One, no verso “You might be the one, the one for me”, o ápice da sua delicadeza. Mas ela logo deixa essa suavidade de lado na canção feminista What Girls are Made of. A música começa com uma escala de baixo e a guitarra, bem suja, só entra no refrão, mostrando a força da canção. Mesmo o momento atual da banda sendo diferente do anterior, quando havia poucas garotas liderando bandas de rock, Shirley continua com a mesma postura contestadora. O tempo parece não ter passado para o Garbage, que segue com a formação original; Shirley nos vocais, Steve Marker, guitarra e teclados, Duke Erikson, baixo e teclados e o baterista Butch Vig. O aspecto sonoro também quase não sofreu modificações, só está mais dançante e vibrante, mas totalmente familiar.
Neucimar usa boa relação com o governador Casagrande como trunfo de campanha
O prefeito de Vila Velha e candidato a reeleição, Neucimar Fraga (PR), na sabatina da Rádio CBN Vitória, nesta quinta-feira (2), deu sinais de que irá valorizar muito a aliança que conquistou com o PSB do governador Renato Casagrande. O republicano repetiu várias vezes que foi graças à sua aproximação, primeiro com o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) e em seguida com o Renato Casagrande (PSB), que o município saiu do isolamento político. “A minha maior obra foi tirar Vila Velha do isolamento”, disse. A frase foi um cutucão no seu principal adversário, o ex-prefeito Max Filho (PSDB), que teve a sua gestão marcada pelo isolamento em relação ao então governador Paulo Hartung. Naturalmente que Neucimar não explicou aos eleitores que o “boicote” partiu de Hartung, desafeto declarado dos Mauro. Em tempos de “vacas magras” – com o fim do Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias (Fundap) e perdas de recursos com o novo sistema de partilhas dos royalties do petróleo -, Neucimar aproveitou para prevenir os vilavelhenses que 2013 será um ano árido para as finanças dos municípios capixabas. Ele ainda lembrou que Vila Velha tem a 76ª menor arrecadação entre os 78 municípios do Estado. Para o prefeito, só uma boa relação com os governos estadual e federal poderá dar fôlego financeiro ao município. Ele quis mostrar que Max Filho teria dificuldade para assegurar esse bom trânsito com Casagrande e com a presidente Dilma Rousseff. Ao mesmo tempo em que destacou o lado positivo de sua relação com o Palácio Anchieta, Neucimar teve de comentar a “provocação” de Max Filho que, na sabatina dessa quarta (1) à mesma rádio, declarou que “o coração do PSB estava com ele”, numa clara indução de que Casagrande estava com ele, Max. O republicano fez questão de lembrar que sempre foi leal ao governador. Disse que apoiou Casagrande na campanha ao Senado e ao governo do Estado. E que agora o socialista estava apenas retribuindo. Fez questão de reforçar também que sua chapa estava muito bem servida com Fábio D’ávila (PSB) na vice. Mas argumento para afastar a “provocação” do tucano de racha do PSB em Vila Velha. Neucimar também deixou claro que a proximidade com Hartung é coisa do passado e que agora sua estratégia é selar a parceria com Casagrande. Ele reconheceu que o ex-governador foi muito importante para ajudá-lo a tirar Vila Velha do isolamento. Entretanto, quando questionado se seria fiel a Hartung ou Casagrande, já que defende a lealdade e os dois demonstram estar em campos opostos nestas eleições, Neucimar foi enfático: “O governador do Estado se chama hoje Renato Casagrande. Enquanto Paulo Hartung foi governador, fui leal a ele”.