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Casa de reza em aldeia Guarani no Caparaó é alvo de incêndio

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Lideranças preparam denúncias à polícia, ao MPF e à Funai, e organizam campanha de apoio para reconstrução Divulgação A Tekoá Yy Retxãkã, Aldeia Águas Cristalinas Sagradas, localizada na Serra do Caparaó, foi alvo de um incêndio que destruiu a Opy (Casa de Reza) e a cozinha comunitária. As construções de pau a pique tiveram parte ou toda a estrutura consumida pelo fogo e, na estrada de chão que dá acesso à aldeia, sinais de palmitos cortados, possivelmente pelos mesmos incendiários, como acreditam as lideranças que relatam o fato. Wera Djekupe, o Marcelo Guarani, cacique da Tekoá Ka’agwy Porã (Aldeia Nova Esperança), em Aracruz, norte do Estado, conta que constatou o incêndio no último domingo (29), mas que ele deve ter ocorrido alguns dias antes, num período em que o local estava vazio, à espera de novas famílias Guarani que estão vindo de São Paulo para reocupar a aldeia. “Fiquei chocado com essa violência, essa intimidação. Isso machuca os sentimentos e a alma das pessoas”, lamenta Djekupé. “Dá para acreditar que é um incêndio criminoso. É como se quisessem intimidar os indígenas”, avalia. Divulgação “Deve ser coisa de bolsonaristas, pessoas que se dizem de paz e amor, mas que não são nada disso”, deduz, citando alguns dos inúmeros crimes de ódio contra indígenas cometidos nos últimos quatro anos em várias partes do País, sem que tenham recebido a devida investigação e punição por parte do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Entre eles, os assassinatos de dois jovens em Barra Velha, na Bahia, e de uma liderança Kaiowá, além do genocídio dos Yanomami, na Amazônia, que só agora recebe o tratamento adequado. Todo esse preconceito e violência, consigna o cacique, contrasta com a visão indígena de sociedade e território, já seguidamente constatada em estudos que mostram como as florestas estão mais protegidas dentro de Terras Indígenas. “Os brasileiros ignorantes da história do País continuam fazendo os mesmos atos cometidos pelos primeiros europeus que chegaram aqui. Isso tem que parar, tem que haver um entendimento, pois é um País onde viviam só os indígenas. De repente, vêm europeus com outra cultura, colonizando e o tempo todo trazendo violência ao povo nativo desse pais. Já está demais da conta, tem que parar com isso. Tem que conscientizar o povo para respeitar. Os índios não querem mandar ninguém embora, não querem o país todo para eles, querem tranquilidade e paz no seu espaço”. Na sua Aldeia Nova Esperança, conta, a terra foi devolvida aos indígenas toda degradada, após décadas de monocultivos de eucaliptos da Suzano Papel e Celulose (ex-Aracruz Celulose e ex-Fibria) e outros usos insustentáveis. “Temos que plantar a floresta toda de novo para sobreviver, não só pensando nas crianças, mas nos animais e no mundo todo. Já reflorestamentos com mais de 228 mil mudas nativas e frutíferas, que hoje estão com mais de dois metros de altura e logo vamos ter uma nova floresta”. Local sagrado No Caparaó, ao contrário, a floresta é vigorosa e foi incorporada ao Parque Nacional, quando houve sua ampliação, em 1997, para os atuais 31,8 mil hectares. “Traz muita felicidade ao corpo, à alma, à vida, dá mais força e mais sabedoria aos Guarani, mais harmonia com a natureza. Tem tanta água, floresta e animais. Esse é um espaço sagrado, não pode ser desrespeitado. Se tornou um santuário onde os indígenas já fizeram vários encontros de parteiras, religiosos e lideranças da Comissão Guarani Yvyrupa (CGY). Deve ser intocado, não pode ser desrespeitado”, reforça Djekupé. Cacique da Tekoa Porã (Aldeia Boa Esperança), em Aracruz, Werá Kwaraí, o Toninho, lembra que a aldeia caparoense surgiu primeiro nos sonhos de sua avó, a xamã Tatantin-Rua Retée, que guiou os Guarani do Rio Grande do Sul até Santa Cruz, no final da década de 1960. A xamã encontrou nas montanhas do Caparaó o local ideal para que o pajé, Tupã Kwaray, pudesse falar com Deus e receber a mensagem sobre onde seria a Terra Sem Males para onde os Guarani deveriam se mudar, já que em Aracruz, a truculência da então Aracruz Celulose e de outros grandes empreendimentos industriais castigava a saúde dos Guarani e também dos parentes Tupinikim.  Os sonhos, ressalta Werá Kwaray, são muito importantes na cultura Guarani e ele próprio também sonhou com o Caparaó anos depois. “Minha avó sempre dizia que sonhos são revelações e que não podemos perder, temos que lutar por eles. Nós vamos lutar por essa aldeia, ela vai ser não só um lugar de reza, mas uma aldeia de verdade”, afirma.  Para cumprirem a missão, os índios precisam de um terreno no alto da montanha. Foi então que um grupo de amigos, entre eles o fundador de Século Diário, jornalista Rogério Medeiros, compraram um terreno e o doaram para os Guarani. O local era ideal para os Guarani, por ser próximo do Pico da Bandeira e com boas condições naturais. Os índios então ganharam o terreno, uma pequena área, e fizeram sua aldeia. Como pela lei brasileira os índios não podem ter patrimônio, eles não puderam receber a escritura do terreno. Mas são os donos da terra doada. Nos primeiros anos, o espaço foi usado pelo pajé Guarani Tupã Kwaraí para se comunicar com Deus, quando periodicamente ele subia a montanha para seus rituais sagrados. Há pouco mais de dez anos, a ocupação com famílias Guarani teve início, mas sofreu um recuo, até que a aldeia fosse demarcada e oficializada pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Além da autarquia indígena, também o Ministério Público Federal (MPF), o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) acompanham a Tekoá Yy Retxãkã e, depois de um período de perseguição, a questão parece pacificada. “É um paraíso, porque tem água natural, não tem cloro no meio, tem o ar puro, isso é para nós muito importante para a saúde e para a alma, um lugar que Deus criou para nós, para nos fortalecer”, afirma Werá Kwaraí. Divulgação Reconstrução Os caciques cuidam das denúncias formais sobre o incêndio, por meio de Boletim de Ocorrência na Polícia Civil, além da Fundação Nacional do Índio

01/02/2023 / 1 Comment
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Espírito Santo é o sexto estado em ranking nacional de desmatamento

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Levantamento do SAD e MapBiomas contabilizou 6,85 mil hectares perdidos no período em todo o bioma O Espírito Santo foi o sexto estado com maior número de eventos de desmatamentos da Mata Atlântica em levantamento nacional publicado no terceiro boletim do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) e consolidado pelo MapBiomas Alerta, referente ao período de agosto a outubro de 2022. O Estado também ficou em nono lugar no ranking de área desmatada, entre os 17 que integram o bioma. Foram 292 eventos, totalizando 506 hectares. Os municípios listados no estudo são os seguintes, em ordem decrescente de área desmatada, em hectares: Domingos Martins (40); Laranja da Terra 3(9); Ecoporanga (31); Colatina (31); Barra de São Francisco (30); Santa Leopoldina (29); Santa Maria de Jetibá (26); Água Doce do Norte (25); Aracruz (20); Baixo Guandu (19); Mantenópolis (19); Pancas (18); Nova Venécia (16); São Mateus (15); Afonso Cláudio (13); Águia Branca (11); Vila Valério (10); Guarapari (8); Vila Pavão (8); e Ibiraçu (7). No Espírito Santo, 96,6% dos desmatamentos tiveram a agricultura como vetor. O setor é também o principal motivador dos desflorestamentos na Mata Atlântica em âmbito nacional, correspondendo a 86,4% do total. Conforme destacou a Fundação SOS Mata Atlântica – uma das entidades que integram a iniciativa MapBiomas, ao lado da Arcplan e o MapBiomas -, a Mata Atlântica, embora protegida pela Lei nº 11.428, conhecida como Lei da Mata Atlântica, que é lar de 72% dos brasileiros e concentra 80% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, segue como o bioma mais ameaçado do Brasil. Entre os meses de agosto e outubro de 2022, foi registrado o desmatamento de mais 6,85 mil hectares (ha) – é como se, no período, uma área de floresta equivalente a 75 campos de futebol fosse desmatada todos os dias. Lilo Clareto/ISA Os números referentes aos meses de agosto a outubro passados, explica a ONG, foram obtidos a partir de 1,1 mil alertas, abrangendo todo o mapa de aplicação da Lei da Mata Atlântica, do qual fazem parte 17 estados brasileiros. Só os estados de Minas Gerais e do Piauí somam mais de 43% do total desmatado, respectivamente 1,65 mil e 1,32 ha. Os três municípios com as maiores áreas derrubadas foram Riacho Frio, no Piauí (652 ha), Cristino Castro, também no Piauí (359 ha), e Lassance, em Minas Gerais (336 ha). Nos três casos, a área equivale a um único grande desmatamento. Segundo Luís Fernando Guedes Pinto, diretor-executivo da SOS Mata Atlântica, os dados confirmam a alta do desmatamento no bioma, em consonância com outros do Brasil, como a Amazônia, onde tem se observado os maiores índices dos últimos 10 anos. Os grandes desmatamentos em área contínua estão relacionados à expansão agropecuária em grande escala, também indicando falhas na fiscalização e combate ao desmatamento, o que marcou 2022 em todo o Brasil. Desmatamento acumulado em 2022 Os dez primeiros meses de 2022 somam 48,66 mil ha desmatados. Entre janeiro e outubro, Bahia e Minas Gerais aparecem como as unidades da federação que mais desmataram a Mata Atlântica, respectivamente 15,8 mil e 14,3 mil hectares. O Piauí vem em terceiro lugar, com 6,23 mil. Nos três estados, a maioria das derrubadas foi causada pela agricultura: 73,2% na Bahia, 93,4% em Minas Gerais, e 64,5% no Piauí. Essa também é a realidade em todo o bioma, onde 86,4% da área foi derrubada com a mesma motivação. Monitoramento detalhado Um diferencial do SAD Mata Atlântica é seu método, capaz de identificar indícios de desmatamento a partir de 0,3 ha, tornando visíveis focos não detectáveis em outros sistemas, como o Atlas da Mata Atlântica, da parceria entre SOS Mata Atlântica e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que monitora áreas acima de 3 ha. “Como estamos pela primeira vez vendo o desmatamento nesse nível de detalhe, não é possível comparar esses resultados a valores anteriores. Estamos criando uma nova linha de base, que será uma referência para um novo padrão de monitoramento com informações essenciais para entender e planejar a conservação e restauração da Mata Atlântica”, explica Guedes Pinto. No período, foram registrados um total de 6,37 mil alertas. Mantendo o padrão de desmatamento observado dos boletins anteriores, os desmatamentos entre 0,3 e 3 ha representam 63% do total de ocorrências identificadas. Entretanto, a maior área desmatada (72%) está concentrada em 846 ocorrências com mais de 10 ha. “Ainda existe espaço para que a fiscalização e a responsabilização tenham um papel fundamental na redução do desmatamento no Bioma”, afirma Marcos Rosa, coordenador técnico do MapBiomas. “O desestímulo aos pequenos desmatamentos virá quando o proprietário perceber que, agora que os dados são rapidamente identificados e divulgados, deixarão de ser vantajosos, pois implicarão na restrição ao crédito rural e na dificuldade em vender a produção para grandes empresas, que atuam cada vez mais em uma cadeia de fornecedores livres de desmatamento”, complementa. Metodologia O SAD Mata Atlântica utiliza uma classificação automática de indícios de desmatamento baseado na comparação entre imagens de satélite Sentinel 2 (dez metros de resolução). Os focos de potencial desmatamento são enviados para o MapBiomas Alerta e então validados, refinados e auditados individualmente em imagens de alta resolução. Cada desmatamento confirmado é cruzado com informações públicas, incluindo as propriedades do Cadastro Ambiental Rural (CAR), embargos e autorizações de desmatamento do Sinaflor/Ibama, para disponibilização em uma plataforma única, aberta e transparente que monitora todo território brasileiro. O sistema monitora e gera alertas para o bioma Mata Atlântica, conforme o mapa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 1:250.000 de 2019. Este boletim cobre toda área de Aplicação da Lei da Mata Atlântica e considera os desmatamentos validados pelo MapBiomas Alerta, que utiliza outras fontes, como o Deter Cerrado, publicado pelo INPE, e o SAD Caatinga, produzido pela Geodatin/UEFS. Esses sistemas são essenciais para garantir o monitoramento dos encraves de da Mata Atlântica, protegidos pela Lei da Mata Atlântica, que estão nos biomas Cerrado e Caatinga. São considerados os desmatamentos no mapa de aplicação da Lei da Mata Atlântica refinado pela SOS Mata Atlântica usando o mapa de vegetação do RADAM 1:1.000.000. As informações vêm sido disponibilizadas mensalmente na plataforma MapBiomas Alerta

01/02/2023 / 0 Comments
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Advogada aponta negligência na morte de detento em Viana

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Raquel Curty relata que Fabrício Barbosa Cruz estava doente há um ano, mas não recebeu tratamento médico O detento Fabrício Barbosa Cruz morreu nessa segunda-feira (30) na Penitenciária de Segurança Máxima 1, em Viana, Grande Vitória. A causa da morte ainda é desconhecida, pois a biopsia está em andamento, mas ele reclamava de fortes dores e sangramento ao urinar há cerca de um ano. Entretanto, conforme relata sua advogada, Raquel Curty, não foi dado atendimento médico adequado, o que impossibilitou o diagnóstico e, consequentemente, o tratamento. Raquel informa que aguarda o resultado da biopsia para tomar as providências legais contra o Estado, a unidade prisional e o médico que atua nela. De acordo com a advogada, ao falar os sintomas para os agentes penitenciários, o detento chegou a ouvir deles que o relato não era verdadeiro. Para provar que era, urinou no pote da marmita e mostrou o sangue. Entretanto, como não era em todos momentos que urinava que o sangue era expelido, os agentes penitenciários diziam que ele queria arranjar pretexto para “passear, sair da cela”. Sem a devida atenção da unidade prisional para o caso, a família pagou um ultrassom na rede privada de saúde, mas não foi constatado nada por meio desse exame. Por isso, o médico solicitou a realização de uma tomografia, com urgência. Como a família não tinha condições de pagar, o paciente ficou sem fazer. Posteriormente, apareceram novos sintomas, como uma dor na perna esquerda, um formigamento que ia até o rim. A partir daí, Fabrício passou a ter perda excessiva de peso e a evitar beber água, uma vez que, quando urinava, a dor era muito forte. De acordo com Raquel, o detento relatava que, em vez de um tratamento médico adequado, era tratado com Dipirona, Buscopan e anti-inflamatórios, até que nessa quinta-feira (26) não conseguiu se levantar da cama, andar, nem falar, sendo levado no dia seguinte ao Hospital Estadual Antônio Bezerra de Farias, em Vila Velha, onde faleceu.  Raquel relata que entrou em contato com o médico da unidade prisional por diversas vezes, exigindo que fosse dado o tratamento necessário ao detento, mas que o profissional dizia para o paciente, na sua ausência, que não daria por causa da insistência dela. Fabrício, durante o ano em que conviveu com as dores, também procurou a Frente Estadual Pelo Desencarceramento do Espírito Santo (Desencarcera – ES). Eliana Valadares, que integra a Frente, lamenta o falecimento. “Foi um ano tentando resolver o problema, mas ele morreu. Me coloco no lugar desse pai, dessa mãe, dessa família. A sensação que tenho é de que tentei, mas não consegui. Isso é de doer a alma, minha alma geme”, diz. Eliana denuncia que o que ocorreu com Fabrício não é um caso isolado, pois há muitas situações no sistema penitenciário capixaba em que o detento adoece, mas sua saúde é negligenciada. Procurada por Século Diário, a Secretaria Estadual de Justiça (Sejus) informou que “o interno recebia acompanhamento de saúde regular na Penitenciária de Segurança Máxima 1, tendo sido encaminhado para a realização de exames e atendimento com especialistas da rede pública de saúde. A Sejus esclarece que no último dia 27 o interno apresentou piora em seu quadro clínico, sendo necessário proceder com a internação no Hospital Estadual Antonio Bezerra de Faria, onde foi a óbito. A Sejus reitera que oferta serviços de saúde de atenção básica nas unidades, com atendimento regular para toda a população carcerária”. 

31/01/2023 / 0 Comments
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Novos vereadores de Vitória alteram perfil governista da Câmara

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Vinícius Simões e André Moreira integram blocos políticos opostos aos do prefeito Lorenzo Pazolini Leonardo Sá A posse dos vereadores Vinícius Simões (Cidadania) e André Moreira (Psol), nesta quarta-feira (1), irá alterar o perfil governista da Câmara de Vitória. Suplentes pelos seus partidos dos vereadores Denninho Silva e Camila Valadão, que assumem também nesse dia 1º o cargo de deputados estaduais, os dois novos parlamentares da capital carregam um histórico contrário à política do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos). A nova legislatura tem também o músico Chico Hosken, que já tomou posse, assumindo o lugar do vereador Armando Fontoura Filho, o Armandinho, (Podemos), preso desde dezembro de 2022, por envolvimento em atos antidemocráticos e disseminação de fake news com ofensas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O vereador foi afastado das funções e s tendências é ele ter o mandato cassado. Em 1º de janeiro, tomou posse a mesa diretora da Câmara de Vitória para o biênio 2023 e 2024, depois do afastamento de Armandinho. O vereador Duda Brasil (União) assumiu como presidente e convocou nova eleição para o dia 2, sendo eleito o vereador Leandro Piquet (Republicanos) . Os demais integrantes são Aloísio Varejão (PSB) – 2º vice-presidente), Dalto Neves (PDT) – 3º vice-presidente, Maurício Leite (Cidadania) – 1º secretário, e Anderson Goggi (PP) – 2º secretário. O professor Vinícius Simões, sem mandato desde 2020, tem embate com o bloco político de Pazolini desde as eleições de 2020, pleito no qual o candidato do seu partido, o hoje deputado reeleito Fabrício Gandini, foi derrotado perlo atual prefeito da Capital, em meio a divergências internas da legenda protagonizadas pelo então vereador Denninho Silva, eleito para a assembleia, juntamente com Luiz Emanuel Zouain e Maurício Leite, que destoaram das diretrizes partidárias. Já o advogado André Moreira, conhecido como atuante na área de direitos humanos, chega com promessa de apresentar um projeto de alteração no Plano Diretor Municipal (PDM), a fim de reduzir as investidas da especulação imobiliária na cidade, que prejudica as camadas mais pobres da população. Ele assume o “compromisso de dar continuidade ao importante trabalho desenvolvido pela Camila Valadão, eleita deputada estadual pelo Psol, e avançar na proposta de promover um mandato coletivo, plural, dinâmico e popular”. Por sua vez, Vinícius Simões usa a linguagem literária e, em nota, compara o mandato que assume nesta quarta-feira com um rio: “Nosso mandato será como um rio livre e independente. Um rio determinado a levar a diante as reivindicações, os sonhos e a esperança do povo de Vitória em ter dias melhores. Um rio determinado a enfrentar a represa que impede a população de nossa cidade a ter seus direitos respeitados e garantidos, como educação e saúde de qualidade, bem como acesso à cultura, esporte e moradia”.  Em outro trecho afirma: “Um rio determinado em romper a represa que barrou os sonhos dos nossos servidores e servidoras e trazer de volta o brilho no olhar de cada um deles. Um rio determinado em sucumbir a represa que tornou nossa cidade suja, apagada, mal cuidada e desrespeitada”. E conclui: “Um rio que não limita, como um lago. Um rio que não impede, como uma represa. Mas um rio que agrega, que liberta, que transporta, que acompanha e que rompe barreiras para um bem coletivo. Nada irá detê-lo, porque o rio não sou eu, é o próprio povo”. Equipe de Armandinho entrega gabinete na Câmara de Vitória – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/politica/equipe-de-armandinho-entrega-gabinete-na-camara-de-vitoria PDM de Vitória entra na pauta da Câmara já em fevereiro deste ano – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/politica/pdm-de-vitoria-entra-na-pauta-dacamara-ja-em-fevereiro-deste-ano-1 Suplente de Armandinho deve entrar na justiça para tomar posse – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/politica/suplente-de-armandinho-deve-entrar-na-justica-para-tomar-posse

31/01/2023 / 0 Comments
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Nada de novo entre as chapas que concorrem ao comando da Assembleia

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Marcelo Santos se mantém como favorito para a presidência e reforça grupo que está no controle desde 2017 Bruno Fritz A eleição para a presidência da Assembleia Legislativa tem tudo para ser marcada pelo continuísmo da gestão do quase ex-deputado Erick Musso (Republicanos), que encerra seu mandato neste 1º de fevereiro, a se confirmar o favoritismo do deputado Marcelo Santos (Podemos), incensado pelo governador Renato Casagrande (PSB). O candidato é parceiro do presidente que sai, integrante do bloco que controla da Assembleia desde 2017, apesar do revés registrado nas últimas eleições, que desfez parte do grupo. Do outro lado, o deputado Vandinho Leite (PSDB), oscilando entre desistir da disputa em troca de cargos – nos mais de 300 disponíveis na banca de negócios – e ter lugar garantido na mesa-diretora, ou enfrentar o adversário, buscando o voto aberto. Para uma perspectiva do ponto de vista do governo, as duas candidaturas se mostram inconfiáveis, na avaliação de um historiador. A de Vandinho, não só pela marca da direita e da extrema-direita da maioria dos membros, apoiadores mais ferrenhos de Jair Bolsonaro (PL), mas também pelo histórico de infidelidade. Do lado de Marcelo, além do continuísmo do mesmo grupo da gestão atual, há também demonstrações de que estão mais ligados aos movimentos da gestão federal anterior. Os dois grupos, comenta o historiador, estão fora da sintonia dos projetos do governo, mais comprometidos com o cenário construído pelo novo governo federal, que destoa das barbaridades impostas pelo governo anterior, muitas das quais acolhidas por lideranças políticas do Estado. Uma delas, a “invasão” do hospital Dório Silva, Vandinho e aliados no meio, durante a pandemia da Covid 19. O governador se coloca, desse modo, “entre a forca e a guilhotina”, comenta o historiador, e acrescenta que Casagrande escolheu a primeira, porque do ponto de vista de qualquer governo, o “melhor seria eleger um aliado bem mais próximo e confiável, o que não é o caso de Marcelo Santos”. Compõem o grupo de Vandinho os deputados Alcântaro (Republicanos); Callegari (PL); Bispo Alves (Republicanos); Theodorico Ferraço (PP); Danilo Bahiense (PL); Capitão Assumção (PL); Coronel Weliton (PTB); Lucas Polese (PL); e Hudson Leal (Republicanos), formando 10 nomes. Junto a Marcelo, estão: Adilson Espindula (PDT); Allan Ferreira (Podemos); Alexandre Xambinho (PSC); Dary Pagung (PSB); Denninho Silva (União); Dr. Bruno Resende (União); Fabrício Gandini (Cidadania); Iriny Lopes (PT); Janete de Sá (PSB); João Coser (PT); José Esmeraldo (PDT); Lucas Scaramussa (Podemos); Mazinho dos Anjos (PSDB); Pablo Muribeca (Patriota); Raquel Lessa (PP); Tyago Hoffmann (PSB); Zé Preto (PL); totalizando 18.  A se confirmarem as previsões, o candidato favorito de Casagrande está perto de realizar seus sonhos: ser presidente da Assembleia e depois conselheiro do Tribunal de Contas.

31/01/2023 / 0 Comments
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‘Tem que ter um bom trabalho de divulgação e conscientização’

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Sem política pública contra o consumo intenso de agrotóxicos, agricultores orgânicos recuam das feiras Ellen Campanharo/Ales O excessivo consumo de agrotóxicos no Brasil força uma espécie de normalização do envenenamento generalizado da população e do meio ambiente que demanda, de toda iniciativa individual ou coletivo no sentido contrário, um grande esforço para implementação e continuidade. Sem políticas públicas mínimas de suporte, a tarefa torna-se por vezes impossível para determinados setores em alguns momentos. É o que se vê nas feiras orgânicas do Espírito Santo atualmente, onde alguns agricultores estão recuando e passando a se dedicar a outras atividades. “Por um lado, houve uma diminuição da frequência das feiras e, por outro, o custo de produção aumentou muito”, declara Adilsom Braum, produtor certificado de Santa Maria de Jetibá, na região serrana, que evadiu do seu ponto da Praça do Papa, em Vitória, onde comercializa morangos, tomates e verduras orgânicos. Ele conta que as vendas reduziram de 30% a 40%, porque além de diminuir o número de clientes, os que permanecem reduziram suas compras. Sobre os custos, ele calcula que somente o preço da muda de morango triplicou desde quando começou na feira, em 2014. “A água também, mas não consigo passar esse custo para o consumidor. O lucro do produtor está ficando cada vez mais apertado”, afirma. Há nove anos, lembra, o movimento era muito bom. “A gente não dava conta de atender a todos os clientes. Daí abriram mais feiras nos shoppings, a gente achou que iria aumentar as vendas com isso, mas logo começou a diminuir, porque os clientes foram diluindo as compras em várias feiras. Ano passado fui para o Shopping Vitória por um tempo, mas juntando as duas, não dava davam o que só a Praça do Papa dava no começo”. A situação, afirma, está ocorrendo de forma generalizada com os feirantes orgânicos. “Hoje a gente consegue sobreviver, mas quem tiver outra oportunidade, acaba saindo, porque está muito difícil”. No seu caso, a opção foi se dedicar a uma cooperativa de polpas de frutas, a Cooperfruit, que atua em Santa Maria de Jetibá fora do mercado orgânico e entrega seus produtos principalmente para a alimentação escolar. Adilson ressalta que a redução do movimento nas feiras é uma grande incoerência, pois comprando diretamente com os agricultores, o cliente conta com um preço fixo ao longo do ano e, muitas vezes, mais barato que no supermercado. No entanto, há um número grande de “consumidores de oportunidade”, que só vão à feira quando constatam um aumento brusco do preço no supermercado. Uma forma de reduzir essa oscilação e fidelizar os clientes, acredita, é ter o apoio do poder público no campo da comercialização. “”Tem que ter um trabalho bem feito de divulgação e conscientização. O estado está falhando bastante nisso”. “SOS Agricultura orgânica” O empresário Pedro Moreno Ortiz, que tem os feirantes orgânicos entre seus principais fornecedores, lamenta o cenário. “S.O.S Agricultura Orgânica”, convoca, em suas redes sociais. “Uma triste realidade para aqueles que dedicam muitos anos de suas vidas a cuidar de nós e do planeta”, diz, referindo à “desistência de continuar trabalhando com uma agricultura realmente sustentável e saudável para todos e o meio ambiente”. Ele observa desistências também na feira orgânica mais antiga da região metropolitana, a de Barro Vermelho, também em Vitória. “Todos sabemos que a economia não vai bem e é realmente muito triste o que está ocorrendo. Pelo que vemos, se nada for feito na resolução dessas questões, e principalmente na conscientização da população de que os alimentos orgânicos são muito importantes para todos, mais produtores devem fazer o mesmo e algumas feiras orgânicas podem simplesmente não existir mais”, alerta. Expectativa A agricultora orgânica Selene Hammer Tesch, uma das pioneiras no Espírito Santo, fundadora de associações e coletivos de agricultura orgânica em Santa Maria de Jetibá, liderança no setor em todo o Estado e também em âmbito nacional, concorda que a situação como grave. “Os agricultores estão voltando com muitos produtos para casa, que não têm saída nas feiras”, lamenta. A pandemia, avalia, “desconfigurou” todo um trabalho que vinha sendo feito, de apoio à comercialização com ampliação das feiras livres, agravando a situação financeira, que passou a ficar cada vez negativa, com aumento dos custos de um lado e redução do poder de compra da população, do outro, conforme também resumiu Adilson Braum. Enquanto em âmbito nacional o governo Lula (PT) ainda não sinalizou como recuperar as perdas acumuladas durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL), em âmbito estadual a expectativa é boa diante das tratativas para criação da Subsecretaria de Agricultura Familiar. “Planejamento estadual sobre agroecologia e agricultura orgânica e recursos para desenvolver projetos”, elenca, estão entre as prioridades do setor. Especificamente sobre divulgação e conscientização, citadas pelo colega Adilson, também é preciso urgência. “Reeducação alimentar, matérias em jornais, propaganda frequente, exaltando os preços bons e muitas vezes mais baixos que os convencionais, e a qualidade sempre superior dos orgânicos”. Alimentos orgânicos: mais saudáveis, saborosos, sustentáveis e…baratos! Lista com 60 itens mostra feiras orgânicas com preços mais baixos do que as bancas convencionais de mercados https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/alimentos-organicos-mais-saudaveis-saborosos-sustentaveis-e-mais-baratos ‘Orçamento para a produção orgânica é insuficiente’, aponta Selene Tesch – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/orcamento-federal-para-a-producao-organica-e-insuficiente-avalia-selene-tesch

31/01/2023 / 1 Comment
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EDP é demandada a contemplar especificidades de comunidades quilombolas

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Defensoria Pública e Comissão do Sapê do Norte expuseram necessidade de adequação pela concessionária Divulgação As comunidades do Território Quilombola Tradicional do Sapê do Norte, no norte do Estado, entre Conceição da Barra e São Mateus, conseguiram dar os primeiros passos para que a EDP Escelsa realize as adequações necessárias para contemplar a realidade quilombola, no que diz respeito aos pedidos de instalação de rede de energia elétrica. Em reunião realizada com a concessionária, com intermediação da Defensoria Pública do Espírito Santo (DPES), por meio do Núcleo de Defesa Agrária e Moradia (Nudam), moradores explicaram as especificidades do território, especialmente em relação à questão fundiária. “Naquele formulário para pedir energia, não consta nada de comunidades quilombolas, consta terra indígena, ribeirinho, mas não quilombola. As comunidades tradicionais do Sapê do Norte não conseguem pedir energia, porque não estão contempladas”, afirma Josielson Gomes dos Santos, membro da Comissão Quilombola do Sapê do Norte. As comunidades não possuem os documentos exigidos pela EDP em relação à terra. “As comunidades têm o território, mas não têm escritura, essas coisas. Temos a documentação da Fundação Cultural Palmares e nossos documentos pessoais”, compara. O pleito é antigo, tendo sido inclusive citado pelas mulheres quilombolas e sem terra em reunião histórica realizada com o governador Renato Casagrande (PSB), por ocasião do 8 de março de 2022, junto a outras demandas igualmente antigas, relacionadas a abastecimento de água, segurança e violência policial, saúde, educação, recursos hídricos, avanço do deserto verde e outras. “Já vem se arrastando há bastante tempo”, diz Josielson. Os transtornos causados pela precariedade imposta às famílias são inúmeros, tanto em âmbito individual quanto coletivo. Na comunidade de Josielson, Morro da Onça, uma das mais de 30 certificadas pela Fundação Palmares e que aguardam titulação pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), por exemplo, uma obra fundamental da comunidade sem utilização. “A farinha do Morro da Onça não pode funcionar sem energia”. A Defensoria Pública informou que está elaborando um relatório dos problemas enfrentados pelos quilombolas, que até o final de fevereiro será entregue à empresa para adoção de providências. “A reunião foi um avanço, pois despertou a necessidade de adaptação dos procedimentos previstos pela empresa para a realidade dos quilombolas”, declarou a defensora pública Marina Dalcomo.

31/01/2023 / 0 Comments
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Guarda-vidas ameaçam fazer paralisação em Conceição da Barra

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Trabalhadores denunciam que estão há mais de um mês em serviço sem equipamentos de proteção e salvamento Desde 26 de dezembro de 2022 em atividade, os guarda-vidas contratados para a temporada de verão em Conceição da Barra, no norte do Estado, estão ameaçando realizar uma paralisação nos próximos dias. Entre as principais queixas apresentadas estão a falta de equipamentos de proteção e salvamento, necessárias para executar de forma adequada os salvamentos, tanto para os cidadãos que necessitem resgate como para a segurança dos profissionais. “Se alguém passar mal na beira da praia não tem ambulância, não tem aparelho respiratório, life belt [flutuador], nadadeira, pocket-mask [máscara de salvamento, para respiração boca a boca]. Nem mesmo boné e uniforme foram fornecidos”, disse um dos guarda-vidas, que está usando uma camisa que possuía de anos anteriores com shorts próprios. Outros estariam trabalhando sem uniforme, afirma o homem que preferiu não ser identificado. Ainda sobre as condições de trabalho, um dos profissionais informou que a guarita onde trabalha está em situação precária e ameaça desabar. Outro reclamo é sobre o número de profissionais atuantes. Em Itaúnas, por exemplo, onde antes atuavam doze profissionais, há no momento sete em atividade, o que sobrecarrega os demais, que atuam por escalas de dias alternados. Os guarda-vidas estão atuando no município até o final de fevereiro, já que as contratações são apenas pela temporada alta, na época do verão, em que há maior fluxo de moradores e turistas nas praias do município. Segundo o entrevistado, a maioria dos profissionais tem experiência de trabalho anterior na área, receberam curso de formação com os Bombeiros e conhecem bem os mares da região, já que são nativos do município e alguns deles surfistas. Sobre a prefeitura, há queixas ainda em relação à alimentação fornecida, que vem sendo considerada inadequada para o tipo de trabalho realizado pelos profissionais de salvamento. Além disso, os trabalhadores estão reclamando de que os pagamentos estão abaixo do valor que consideram devido por lei, já que a profissão tem direito a benefícios adicionais por conta do risco do trabalho. “Estamos esperando respostas de hoje para amanhã. Se tudo continuar como está, faremos nossa paralização”, disse um trabalhador, que afirmou que as tentativas de diálogo não estão sendo atendidas pelos responsáveis no poder público. A reportagem do Século Diário tentou contato telefônico com as secretarias de Turismo e de Esporte e Lazer de Conceição da Barra, e com o profissional da área de Segurança e Defesa Civil que é responsável pelo contato institucional da prefeitura com os guarda-vidas, mas não conseguiu resposta de nenhum deles até o fechamento da reportagem.

31/01/2023 / 0 Comments
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Defesa do Raiar da Liberdade como patrimônio imaterial será nesta quinta-feira

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Mestras e membros de Associação irão ao Conselho Estadual de Cultura defender o reconhecimento da festa A festa Raiar da Liberdade, da comunidade quilombola de Monte Alegre, em Cachoeiro de Itapemirim, sul do Estado, dará mais um passo no dia dois de fevereiro para uma possível obtenção do registro de Patrimônio Cultural Imaterial do Espírito Santo. Nessa data será realizada, durante a reunião do Conselho Estadual de Cultura, a defesa da importância desse reconhecimento para o Estado, que será feita pelas mestras Maria Laurinda Adão, Adevalmira Adão Felipe, Geralda Nogueira Calixto e Neuza Gomes Ventura, juntamente com Fátima Buzatto Moura, Luan Faitanin Volpato e Genildo Coelho, que fazem parta da Associação de Salvaguarda do Patrimônio Imaterial Cachoeirense. Luan Volpato A elaboração do inventário para dar entrada no registro de patrimônio imaterial foi feito com recursos do Edital 12 da Secult, de Seleção de Projetos e Concessão de Prêmio para Valorização dos Patrimônios Imateriais Reconhecidos e Registrados no Estado do Espírito Santo, de 2020. Na metodologia foram utilizados formulários do Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC), metodologia adotada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), para o estudo e o reconhecimento das referências culturais brasileiras. Moradora da comunidade e integrante do Caxambu Santa Cruz, Fátima Buzatto destaca a importância da festa ser reconhecida pelo Estado, pois “trata-se, talvez, da mais antiga festa cultural existente no Espírito Santo”. Para Dona Geralda, mestra do Caxambu, “participar e ajudar a organizar essa festa é uma grande felicidade. Ela é o maior divertimento da comunidade desde que eu era criança”. Conforme consta no pedido de registro, o Raiar da Liberdade “marcou, e ainda marca, a conquista de sua liberdade por parte dos escravizados. Conquista que custou muito sangue de seus antepassados, mas que ainda custa o sangue de muitos jovens, mulheres e homens negros, que seguem sofrendo as consequências de uma sociedade que ainda é escravocrata, patriarcal e que possui uma elite que busca a todo o custo a manutenção de seus privilégios”. Diz ainda que “ao reconhecer essa festa como importante referência cultural para o Espírito Santo, o Conselho Estadual de Cultura estará contribuindo para sua manutenção por ainda mais tempo e também ampliando seu alcance enquanto elemento identitário do povo negro capixaba”. Luan Volpato Cerca de 15 grupos folclóricos se apresentam anualmente no Raiar da Liberdade, em uma relação chamada de “compadrio”, pois eles marcam presença na festa uns dos outros, se visitam. Os grupos não se restringem aos de Cachoeiro de Itapemirim, abarcando também outros municípios do sul capixaba, como Muqui, Itapemirim, Presidente Kennedy, Alegre, Jerônimo Monteiro e Atílio Vivácqua. Genildo, que é pesquisador da área do patrimônio imaterial, afirma que o Raiar da Liberdade é uma festa que lembra o processo de luta do povo negro. “A gente comemora a vitória de uma revolução que começou no chão da senzala, é uma festa que acontece em uma comunidade onde foi formado um quilombo, organizado por negros que fugiram de fazendas da região”, conta. Ele narra que, em 13 de maio de 1888, a notícia da abolição foi recebida via telégrafo, comunicada pelos fazendeiros aos escravos, que no mesmo dia foram para a praça da cidade, onde começaram a fazer seus batuques em frente à Câmara Municipal. O presidente da Casa de Leis tentou se apropriar da comemoração, tirar o protagonismo dos negros, distribuindo comida e bebida. Dias depois, sem emprego, comida, moradia e outros direitos, os negros voltaram para as fazendas, permanecendo no regime de escravidão. Luan Volpato A festa, então, passou a ser comemorada anualmente nas comunidades da região, mas hoje acontece somente em Monte Alegre e Vargem Alegre, também em Cachoeiro. Em Monte Alegre, a comemoração é liderada por Maria Laurinda Adão desde 1961, quando ela tinha 18 anos. Trata-se de um compromisso que passa de geração em geração. Seu trisavô, Negro Adão, que fundou a comunidade quilombola, foi quem deu prosseguimento à festa, ainda no século XIX, passando depois para os bisavós, avós e pais de Maria Laurinda, que destaca-se nacionalmente e internacionalmente como defensora da cultura negra e quilombola. Além de ativista, Maria Laurinda é mestra de Caxambu, parteira, coveira e líder espiritual. Ela recebeu em 2008 o título de “Patrimônio Cultural do Brasil”, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Sua história também foi eternizada no documentário Todas as faces de Maria, em 2011. ‘Estamos na expectativa da celeridade do processo’ Organização do Raiar da Liberdade solicitou para a Secult registro da festa como patrimônio cultural imaterial capixaba https://www.seculodiario.com.br/cultura/estamos-na-expectativa-da-celeridade-do-processo Atraso em editais da Secult prejudica festa tradicional quilombola Raiar da Liberdade, realizada desde 1888 em Monte Alegre, sul do Estado, terá formato reduzido este ano https://www.seculodiario.com.br/cultura/por-falta-de-recursos-raiar-da-liberdade-tera-proporcao-muito-menor-este-ano

31/01/2023 / 0 Comments
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Comunidades mobilizam ato em frente a escola na volta às aulas

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Moradores de Guarapari cobram condições dignas para alunos da única escola de Ensino Médio no Norte do município Única escola de ensino médio da região norte do município de Guarapari, atendendo pelo menos sete bairros do entorno, a EEEFM Leandro Escobar, em Perocão, vai começar o próximo ano letivo cercada de tapumes e incertezas. A população local promete realizar um ato em frente à escola na manhã de quinta-feira (2), primeiro dia de aula. As obras para reconstrução da escola começaram em 2022 e ocorreram ao lado do local onde ocorriam as atividades escolares, gerando vários transtornos relatados por mães, professores e funcionários da escola ouvidos pela reportagem. Atualmente, confirma a Secretaria de Estado da Educação (Sedu), a obra está paralisada “devido a problemas encontrados durante a execução da infraestrutura do bloco de ampliação, que demandam ajustes de projeto e orçamento”. A população chegou a sugerir um local em bairro vizinho com infraestrutura para instalar provisoriamente a escola, mas não houve acordo da Sedu com os proprietários para uma contratação emergencial. Diante da impossibilidade, a secretaria informou que foi realizada uma chamada pública para locação de imóvel na região, mas não informou quando esse processo será concluído. Na comunidade escolar, o clima é de insatisfação. Segundo a Sedu, há 485 alunos matriculados este ano, número que já foi maior, por volta de 600, segundo membros da comunidade. Luciana Dutra, representante dos pais, mães e responsáveis na escola, conta que quem teve condições, transferiu os filhos para outras escolas, na região central, tendo que arcar com os custos de transporte, o que não é viável para todas famílias de bairros periféricos. Luciana Dutra, representante de pais, mães e responsáveis, em frente à escola. Foto: Vitor Taveira  “A escola já tinha muitas dificuldades por ser muito pequena, projetada há 35 anos atrás, em outra realidade. Agora estamos com muitas crianças, com salas pequenas, não tem sala de reunião, não tem sala de professores”, reclama. Para ela, no início das obras no ano passado a situação piorou. Mãe de uma aluna especial, ela aponta uma queda de rendimento significativa da filha. “Os jovens sem nenhum tipo de deficiência já tiveram dificuldades. Para os que possuem deficiência foi ainda pior”. Ela é uma das mães que considera não enviar filhos de volta às aulas nas atuais condições do local. Atualmente são sete salas de aula consideradas pequenas por educadores e responsáveis pelas crianças, sem biblioteca ou sala de informática, com uma pequena sala para atendimentos. Luciana relata que nas reuniões de pais, mães e responsáveis, é necessário ocupar três salas diferentes, com os profissionais repassando as informações em cada uma. O refeitório foi apontado como muito pequeno pelos consultados pela reportagem e é ali que cuidadores realizam atenção a alunos especiais, mesmo sendo um lugar de fluxo, o que pode causar maior dispersão. A Leandro Escobar funciona nos três turnos, tendo Educação de Jovens e Adultos (EJA) no período noturno. Em reportagem da Sedu de 13 de maio de 2022, ocasião em que o governador Renato Casagrande (PSB) junto com o secretário estadual de Educação Vitor de Ângelo visitaram escolas de Vitória, Cariacica e Guarapari, a pouco meses da proibição desse tipo de evento por conta do calendário eleitoral, os gestores anunciaram que a EEEFM Leandro Escobar “será contemplada com a reconstrução da unidade de ensino, que passará a ter dez salas de aula – três a mais do que a atual estrutura –, biblioteca, laboratório, além de setores administrativo e de serviços completo”. Fotos: Vitor Taveira Vitor Taveira A obra no local, para o qual foi contratada por licitação a empresa Deck Construtora e Incorporadora, teve orçamento de quase R$ 5,6 milhões e prazo inicial 900 dias, sendo que ambos provavelmente serão ampliados. Segundo informaram os membros da comunidade escolar, uma nova estrutura seria construída ao lado da atual, onde está atualmente a quadra de esportes, e depois a estrutura antiga seria demolida. De acordo com o portal Transparência ES, a obra teria sido paralisada no dia 1º de julho, com execução financeira de cerca de R$ 110 mil até o momento. A Sedu não informou o motivo da interrupção, mas na comunidade escolar é dito que foi por conta de formações rochosas presentes, que precisam ser explodidas. Seguem no local os tapumes que impedem o trânsito de pedestres na calçada, o contêiner que abrigava os trabalhadores e escombros de um muro derrubado na entrada da escola. Apesar da data de assinatura para contratação das obras ter completado um ano na última semana, a situação da transferência dos alunos para outro local ainda não foi resolvida. Com o ato na volta às aulas, os membros da comunidade querem cobrar respostas efetivas e uma solução definitiva o quanto antes. “Se ficar dando jeitinho, o Estado se acomoda”, disse um professor.

31/01/2023 / 0 Comments
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