A Copa muda. Estava na cara que o Brasil perderia antes da final A Copa muda. Brasil perde para Croácia, Portugal para o Marrocos. Os favoritos vão saindo um a um. Mas falemos do Brasil. Estava na cara que o Brasil perderia antes da final. Tite nunca foi técnico para comandar uma verdadeira Seleção Brasileira. Sob seu comando, venceu 79 jogos, com 59 vitórias, 14 empates e seis derrotas. Nessa segunda fase só jogou com times asiáticos e africanos. Quando foi disputar a Copa América com a Argentina, perdeu. Tite era teimoso, paternalista e único. Era bom técnico, mas teimava em chamar vários jogadores brasileiros na Europa, medianos para os padões europeus, à exceção de Neymay, Thiago Silva e agora Vinicius Jr. Veja bem, Danilo, Raphinha, Anthony e outros, eles são bons jogadores, mas não são as estrelas de seus times na Europa. Eram para Tite, só para ele! Durante os anos de 2021 e 2022, quando a Seleção ja começava a ter uma cara, Tite desprezava vários jogadores excelentes atuando no Brasil. Palmeiras, Atlético e Flamengo, quem desses times foram sequer chamados para treinar, tirando os dois do Flamengo? O paternalismo com alguns jogadores, Gabriel Jesus, Thiago Silva, Richarlison, Daniel Alves, fez com que Tite mantivesse um grupo que ele achava ser seu. Reparem bem quais os jogadores que falharam no gol da Croácia. E estava claro que o treinador tinha birra com o Flamengo, talvez algum trauma quando treinava o Corinthians. Não deu chance correta a Gabigol, quando foi chamado, Pedro e Everton Ribeiro estavam lá pelo clamar da torcida e da imprensa, e assim mesmo, jogou Pedro no fogo em alguns minutos das quartas contra Croácia. Tite agora é passado. Que não volte nunca mais. Duas Copas jogadas fora. Falam em técnico estrangeiro, Abel Ferreira, por exemplo. Será outro erro. Não serve. É imaturo, rédea curta, não tem ainda gabarito para levar a Seleção Brasileira a vencer o Hexa. Ele não. Vamos esperar pelo futuro da Seleção, pentacampeã há anos e não sai disso. PARABÓLICAS Após merecidas férias, Juninho Victor não voltou para Sim Vitoria. Ele foi comandar Sim Santa Teresa. Valeu mesmo! Expectativa para ver quem Lula chamará para o Ministério das Comunicações, que andou no ostracismo no governo que sai. Na eleição passada, Ted Conti virou deputado federal pela legenda PSB. Este não ano deu e ficou de fora. Amaro Neto (Republicanos) se reelegeu, mas não teve votação expressiva. Jorge “Bubu” Buery continua firme no seu talentoso trabalho de informar e furar boas notícias. ACESSEhttp://jrm50anos.blogspot.com.br/O rádio do ES na visão de JRM ACESSE: TRADUÇÃO JRM YOUTUBE Billy Paul – Thanks fo saving my Lifehttps://www.youtube.com/watch?v=3-az7loMXcw MENSAGEM FINAL“Se dois homens, no mesmo trabalho, concordam o tempo todo, um deles é excedente. Se discordam sem parar, os dois são descartáveis”. Darryl F. Zanuch
Movimentos sociais cobram participação nas decisões da nova gestão de Casagrande
Escolhas como a do secretariado não têm sido debatidas com a sociedade civil, contrariando compromissos de campanha No segundo turno das eleições, o governador Renato Casagrande (PSB) assinou termos de compromisso com entidades representativas da sociedade civil, em que se comprometeu a abrir diálogo e atender pautas específicas. Apesar disso, ele tem tomado decisões que dizem respeito ao seu próximo mandato, como a escolha do secretariado, sem diálogo com movimentos sociais, sindicatos, centrais e coletivos sobre os rumos que dará à gestão estadual, a partir de janeiro de 2023. A militante do Movimento Nacional de Direitos Humanos no Espírito Santo (MNDH-ES), Galdene dos Santos, afirma que as organizações querem que a próxima gestão abra esse diálogo, pois isso não foi feito nos dois primeiros mandatos do governador. “Parece que ele não está tendo tempo para ouvir aqueles que, mesmo não tendo sido escutados nas suas outras gestões, apoiaram sua candidatura, por saber os riscos que o Espírito Santo estava correndo”, diz, referindo-se à candidatura bolsonarista de Carlos Manato (PL). Galdene destaca que as entidades não deveriam precisar pedir para participar das discussões sobre os rumos do governo, sendo obrigação de Casagrande convidá-las. O militante do Movimento Negro, André Moreira (Psol), que irá assumir a Câmara de Vitória como suplente da deputada estadual eleita, Camila Valadão (Psol), afirma que representantes do governo entraram em contato solicitando uma ordem de prioridades nas reivindicações apresentadas no termo. De acordo com ele, será realizada uma reunião para isso, entretanto, há uma insatisfação no movimento, porque, até agora, não foi nem ao menos ventilada a possibilidade de criação de uma Secretaria de Igualdade Racial, uma das demandas. Além disso, aponta, ainda não foi anunciado o nome de pessoas negras para o secretariado. “Temos quadros fantásticos em todas áreas”, diz, destacando que, caso seja criada a Secretaria de Igualdade Racial, a nomeação de pessoas negras não pode se restringir a essa pasta. Nessa terça-feira (6), Casagrande anunciou Álvaro Duboc, atual secretário de Governo, na Secretaria de Economia e Planejamento (SEP). A atual titular dessa pasta, Maria Emanuela Pedroso, vai para a Secretaria de Governo. O governador também anunciou a recriação da Secretaria de Desenvolvimento, que será comandada pelo futuro vice-governador, Ricardo Ferraço (PSDB). Termos de compromisso Composto por várias entidades da sociedade civil, o Fórum Igrejas e Sociedade em Ação é um dos grupos com os quais o governador assumiu compromisso durante as eleições, assinando um documento denominado Pacto pelo Espírito Santo do Amanhã. Uma das reivindicações contidas no documento é a criação de um Grupo de Trabalho (GT) com participação igualitária entre representantes do governo e da sociedade civil, a ser instituído pelo gabinete de Casagrande. Hélio Filho O Pacto pelo Espírito Santo do Amanhã foi assinado por Casagrande no mesmo dia em que assinou o “Demandas Negras Estruturantes para Equidade Racial e Combate ao Racismo no Espírito Santo”, um termo elaborado pelo Movimento Negro. Casagrande também assumiu compromisso com as centrais sindicais de dialogar com os trabalhadores. Reivindicações As propostas contidas no Pacto pelo Espirito Santo do Amanhã são o aperfeiçoamento da democracia participativa; enfrentamento às desigualdades sociais e regionais; combate à fome e à insegurança alimentar; prevenção às violências; implementação de medidas efetivas de integração social de reeducandos e adolescentes; aprimoramento e construção de políticas de igualdade e oportunidades igualitárias para meninas e mulheres; implementação das ações constantes do Plano Estadual de Enfrentamento à LGBTfobia; implementação do Plano Estadual de Políticas para as juventudes; implementação do Programa Estadual de Direitos Humanos e do Plano Estadual de Educação em Direitos Humanos; garantia irrestrita à liberdade religiosa; defesa dos direitos dos povos originários; compromisso com a pauta ambiental; e construção e implementação do Plano Estadual para Equidade Racial e combate ao racismo. Essa última reivindicação também consta no documento “Demandas Negras Estruturantes para Equidade Racial e Combate ao Racismo no Estado do Espírito Santo”, bem como a criação do Fundo Econômico Estadual para Equidade Racial e Combate ao Racismo; criação ou adaptação de uma ferramenta afro governamental com capacidade de articulação para implementações das políticas do Plano; criação de Comissões Afro-brasileiras e Indígenas em todas as secretarias do governo; implantação e implementação de um Plano Estadual da Educação Afrobrasileira e Indígena; formatação de programa para Formação sobre Relações Etnicorraciais e Racismo para Servidores Públicos; e criação de um Comitê Estadual Interinstitucional para Monitoramento, Avaliação e Aferimento das implementações das políticas do Plano Estadual. Movimentos sociais esperam diálogo permanente com governo Casagrande Atuantes na campanha, há demandas de formação de GT e nomeações de pessoas negras no secretariado, como cobra André Moreira https://www.seculodiario.com.br/direitos/movimentos-sociais-esperam-dialogo-permanente-com-governo-casagrande Casagrande firma compromisso com entidades da sociedade civil Governador se reuniu neste sábado com o Fórum Igrejas e Sociedade e o Movimento Negro do Estado https://www.seculodiario.com.br/politica/casagrande-firma-compromisso-de-politicas-publicas-com-entidades-da-sociedade-civil
Creche na Ilha de Santa continuará aberta após comunidade provar demanda
Pazolini anunciou na manhã desta segunda que a creche aceitará matrículas de novos alunos para 2023 O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), anunciou em reunião com a comunidade da Ilha de Santa Maria, na manhã desta segunda-feira (12), que o Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Luiz Carlos Grecco, localizado no bairro, não irá mais encerrar suas atividades de forma gradual. A gestão mudou de posicionamento após a comunidade apresentar uma lista com 74 crianças cujos pais querem matricular na unidade de ensino em 2023. O acordo feito entre o prefeito e a comunidade era de que, caso os moradores apresentassem a lista provando que há demanda para o período integral, o CMEI estaria aberto para novas matrículas. Ao todo, são 60 vagas. A lista apresentada, inclusive, extrapola esse quantitativo, pois conta com 73 crianças. A ajudante de cozinha Rosana Ferreira dos Santos informa que quatro delas farão um ano no início de 2023, por isso, não poderão ser matriculadas. Das 69 restantes, vão ser priorizadas as que já estudam no CMEI. Rosana acredita que pode acontecer caso de mudança de alguma família da comunidade ou outras situações que possam fazer com que alguns pais desistam de fazer a matrícula, diminuindo um pouco a quantidade de crianças. Ela informa também que ainda tem famílias querendo colocar nome na lista, mas essas terão que ficar na de espera. A gestão de Lorenzo Pazolini havia anunciado que os atuais alunos iriam prosseguir na escola em 2023, mas a unidade de ensino não receberia novas matrículas. Assim, à medida que os estudantes fossem avançando e indo para o ensino fundamental, turmas seriam fechadas, até que não houvesse mais nenhum aluno na escola, encerrando suas atividades, o que indignou os moradores, motivando que se mobilizassem. As opções de CMEI dadas aos moradores que querem matricular seus filhos em 2023 foram na Ilha de Monte Belo, Jucutuquara e Avenida Vitória. Como o Luiz Carlos Grecco atende aos moradores da parte alta da Ilha de Santa Maria, caso a creche fechasse, eles teriam que subir e descer morro ao levar e buscar as crianças na escola, algumas vezes, com elas no colo, o que se torna difícil para os idosos, por exemplo. Outro problema seria o investimento que as famílias teriam que fazer em transporte escolar, diante da possibilidade de que não haja pessoas que possam levar nem buscar as crianças. Rosana afirma que algumas famílias chegaram a procurar essas creches, mas não conseguiram vaga. Ela afirma que, depois da reunião, algumas mães chegaram a chorar diante da conquista. “Agora posso trabalhar com tranquilidade, sabendo que meu filho está em um lugar seguro”, comemora Moradores da Ilha de Santa Maria questionam fechamento de CMEI Centro de Educação Infantil em Vitória não aceitará novas alunos. Comunidade se reunirá com a secretária Juliana Rohsner https://www.seculodiario.com.br/educacao/moradores-da-ilha-de-santa-maria-questionam-fechamento-de-cmei Pazolini manterá creche aberta caso haja demanda para período integral Prefeito estipulou prazo até esta quarta-feira para apresentação de lista com famílias interessadas em matricular as crianças https://www.seculodiario.com.br/educacao/pazolini-mantera-creche-aberta-caso-haja-demanda-para-periodo-integral
Pastoral realiza ceias de Natal para a população em situação de rua
Dom Dário irá celebrar na ceia que será realizada dia 21, em praça de Jardim da Penha, Vitória Normalmente, no Natal as casas ficam lotadas com as famílias comemorando a data em torno de diversos pratos feitos para a ocasião. Porém, em uma sociedade historicamente desigual e que tem sofrido com o aumento da pobreza nos últimos anos, essa não é a realidade de muitas pessoas que nem ao menos têm casa e comida. Por isso, a Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de Vitória realizará em várias paróquias ceias com pessoas em situação de rua abertas a quem quiser participar e contribuir com doações de alimentos. A ceia que será realizada na Praça Regina Frigeri Furno, em Jardim da Penha, Vitória, no dia 21 de dezembro, contará com a participação do arcebispo da Arquidiocese de Vitória, Dom Frei Dario Campos, que irá celebrar uma missa às 19h. “É a terceira vez que ele celebra no Natal com a população em situação de rua. É um gesto importante, por reforçar a perspectiva da Igreja em saída, indo ao encontro dessas pessoas, um gesto de solidariedade, carinho e atenção”, diz o coordenador da Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de Vitória, Júlio César Pagotto. O agente de pastoral acredita que a presença de Dom Dário dá mais repercussão à iniciativa, fazendo com que mais pessoas conheçam o trabalho da pastoral e possam se engajar nela. A ceia e almoço com Dom Dario serão realizados pela Paróquia São Francisco, que no dia 24 também irá oferecer um almoço na igreja e distribuir alimentos à noite. A Paróquia Santa Teresa de Calcutá, em Itararé, Vitória, também realizará uma ceia de Natal com a população em situação de rua. Será no sábado, 17, às 19h30. A agente de pastoral Maria José da Cruz dos Santos informa que a ceia será no bairro Gurigica, que, assim como Itararé, faz parte do Território do Bem. A atividade acontecerá na rua Desembargador Otávio de Carvalho Lengruber. A comunidade foi escolhida, segundo Maria José, por ser a que mais tem pessoas em situação de rua na região. No dia seguinte, na Paróquia da Glória, em Vila Velha, acontecerá o Natal Solidário, ao meio-dia. No dia do Natal, a Paróquia Padre Eustáquio, em Guarapari, oferecerá um jantar nas ruas, com entrega de mochilas, capas de chuva e chocolates. Nessa mesma data, o Santuário do Bom Pastor, em Campo Grande, Cariacica, distribuirá, na hora do almoço, alimentos, kit de doces e chocolates.
Os atentados de Aracruz e o combate ao nazifascismo
Professora da rede pública do município, Ana Paula Rocha cobra ações do Estado e fala sobre o Fórum Antifascista Em ataques que chocaram o Brasil no último dia 25 de novembro, um adolescente entrou armado em duas escolas do município de Aracruz, norte do Estado, efetuando uma série de disparos que causaram a morte de três professoras e uma estudante. Na semana seguinte do atentado, em reunião ampla na Associação de Docentes da Ufes (Adufes), foi criado o Fórum Antifascista, reunindo sindicatos, associações, coletivos, mandatos parlamentares e outras pessoas e entidades. Pouco depois, no dia dia 5 de dezembro, representantes do Fórum se reuniram com o secretário estadual de Educação, Vitor de Angelo. Para saber mais sobre a repercussão do fato, das reivindicações do Fórum ao poder público e de suas estratégias para incidir junto à sociedade civil de forma geral, Século Diário entrevistou Ana Paula Rocha, historiadora e professora da rede pública estadual e municipal de Aracruz, e integrante do coletivo Educação pela Base. * Você pode ouvir as entrevista também em podcast no Spotify e Google Podcast. ** Siga nosso canal no YouTube e ative o sininho para receber em primeira mão as atualizações.
Servidores da Ales podem exigir mais verbas por meio de ação no TCE
Deputados da Comissão de Finanças irão votar o relatório do Orçamento 2023 nesta terça-feira A viabilidade de uma ação no Tribunal de Contas do Espírito Santo (TCE-ES), apontando crime de omissão, é analisada pelo setor jurídico do Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo e Tribunal de Contas do Estado (Sindilegis-ES), como forma de ampliar o debate sobre a questão de recursos financeiros para a Assembleia, que sempre fica na dependência de suplementação de verbas para cobrir despesas essenciais. Nesta terça-feira (13), a Comissão de Finanças se reunirá para analisar emendas no Orçamento de 2023. Os deputados que formam o colegiado mantiveram contato nesta semana para esclarecer pontos que serão analisados na votação do parecer do relator, deputado Eustáquio Freitas (PSB), que também preside a comissão, ao Projeto de Lei (PL) 457/2022. A proposta, que estima receitas e fixa as despesas públicas para o próximo ano em R$ 22,5 bilhões, recebeu 971 emendas parlamentares. Conforme o cronograma dos trabalhos de análise da peça orçamentária, terça-feira é o prazo final para votação do parecer na comissão, mesma data para que o relatório seja encaminhado ao Plenário. Os servidores reclamam da omissão dos deputados, principalmente os presidentes das comissões de finanças desde 2021, época em que o Sindilegis alertou sobre a situação de “sucateamento da Assembleia Legislativa”. “O governo propõe e cabe à Assembleia aprovar ou não a peça orçamentária, elaborar emendas, audiências públicas e etc. É prerrogativa do Poder Legislativo, sua maior missão”, afirma o presidente da entidade de classe, Leandro Machado. Ele explica que “se os limites estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal estivessem rompidos, poderíamos ser punidos, mas somos o Poder com a melhor marca no Brasil e estamos muito longe dos limites”. O presidente do Sindilegis destaca ainda: “A Assembleia Legislativa precisa de autonomia administrativa para ter planejamento e independência em relação ao Executivo. Vamos viver um 2023 do jeito que está a LOA 2023 dependendo de suplementação do governo. Que Poder Legislativo é esse? Já foi assim em 2022. Nosso jurídico está trabalhando. Os deputados e deputadas é que deveriam se posicionar, não o Sindilegis, mas vamos fazer nossa parte”. Para ele, a Diretoria Financeira da Assembleia também tem culpa nessa “situação caótica do orçamento” e cita como exemplo o debate realizado neste ano sobre o plano de carreiras. “Quando observamos no orçamento da Casa quanto havia destinado na ação de reestruturação de carreiras, só tinha, pasmem, R$ 10 mil, um total descaso com os servidores da Casa”. A complementação de recursos para a Assembleia Legislativa (Ales), conforme pleiteada pelos servidores, só deverá ser definida a partir de fevereiro do ano que vem. Nos bastidores políticos, circula que o pleito não encontra o acolhimento necessário no governo, por conta do afastamento entre o presidente da Casa, deputado Erick Musso (Republicanos), e o governador, registrado desde antes da campanha eleitoral. O Orçamento prevê, em relação aos poderes, R$ 1,3 bilhão para o Judiciário, R$ 479 milhões para o Ministério Público Estadual; R$ 232 milhões para a Assembleia, R$ 174 milhões para o Tribunal de Contas; e R$ 110 milhões para a Defensoria Pública.
Agricultura urbana no Estado tem modelo de combate à pobreza e à fome
Casal Napablo Ramos, motorista de caminhão, e Lorena Kênia, dona de casa, da associação de moradores, são voluntários no projeto Um projeto desenvolvido no bairro São Torquato, em Vila Velha, demonstra a viabilidade de encontrar soluções com o aproveitamento de terrenos baldios em aglomerados urbanos, como a região da Grande Vitória, para a produção de alimentos. A iniciativa, colocada em prática desde julho de 2020, se encaixa no levantamento do Tribunal de Contas (TCE) como um modelo que, se adotado pelo poder público, contribuiria para amenizar a questão da fome. O trabalho do TCE revelou a precariedade sobre indicadores do setor no Estado.“A agricultura urbana se viabiliza com baixo investimento desde que utilize a força de trabalho de voluntários e conte com o apoio de empresas-cidadãs, havendo, também, a necessidade de transformar a agricultura urbana em política pública no Estado”, diz Roícles Coelho, técnico agrícola, fotógrafo e publicitário, idealizador do projeto. Roícles Coelho O aumento do número de famílias em situação de insegurança alimentar, que significa fome ou ameaça, foi constatado no Espírito Santo pelo Instituto Jones dos Santos Neves e, segundo o trabalho desenvolvido pelo TCE, dos 78 municípios capixabas, 83% – 65 prefeituras – declararam não ter aderido ao Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), instituído por lei para promover a formulação e articulação de políticas de segurança alimentar e nutricional. Estados e municípios que fazem a adesão têm benefícios na articulação das políticas públicas para a segurança alimentar. Na outra ponta dessa realidade, que afeta milhões de brasileiros, o projeto de agricultura urbana desenvolvido em São Torquato demonstra a viabilidade do aproveitamento de terrenos baldios para a produção de alimentos sem a presença de intermediários e por meio do acesso direto entre produtor e consumidor. Essas iniciativas poderiam suprir necessidades que foram mostradas no levantamento realizado pelo TCE, visando conhecer as ações de combate à insegurança alimentar e nutricional, já que é reduzido o número de projetos desenvolvidos pelos municípios no Espírito Santo e também pelo governo do Estado. Exemplo “É uma oportunidade positiva da agricultura nas cidades, transformando terrenos urbanos ociosos em áreas produtoras de alimentos, num modelo que muda o sistema de produção e distribuição que encarece os alimentos no Brasil”, explica Roícles, ressaltando que “isso ocorre porque produtores e consumidores estão muito próximos, o que dispensa intermediários na comercialização, e ainda resulta em ganhos logísticos”. Em 2020, ele tomou a iniciativa de desenvolver o projeto, que não tem finalidade comercial, mas educativa, contando com o apoio de instituições privadas. “Trabalhamos uma área cultivada de 700 m² – terreno de empresa local, cedido pela Associação Comunitária de São Torquato, e ainda temos condições de expandir os plantios sobre uma área contígua de 2.100 m²”, diz. “Tudo que é produzido é entregue a voluntários e nada é comercializado, por sua dedicação ao projeto, que teve início após um alerta da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a grave crise alimentar que ocorreria no Brasil em 2021, em decorrência do efeito combinado da crise econômica com a Covid-19”, informa. Atualmente, ele conta com o trabalho de cinco voluntários, entre eles o casal Napablo Ramos, motorista de caminhão, e Lorena Kênia, dona de casa, com três filhos, da associação de moradores do bairro. Lorena funciona como uma espécie de recepcionista às visitas realizadas no local por professores e alunos e também representantes de instituições. Roícles Coelho “Os visitantes conhecem o modelo que desenvolvemos, que, se colocado em prática por prefeituras e governos estaduais, poderia representar uma nova fronteira agrícola, considerando os mais de cinco mil municípios brasileiros, gerando trabalho e renda”, aponta Roícles. Em seu entendimento, “projetos como esse oportunizam o aumento da oferta de alimentos na base da pirâmide social e, ao mesmo tempo, reduzem o custo de produção”. Nos primeiros 10 meses, ele mesmo financiou o projeto, que “avançou em plena pandemia com ajuda de voluntários e apoio de empresas-cidadãs”, sem apoio de ações de políticas públicas direcionadas a pelo menos reduzir a fome. No levantamento do TCE, dos 13 municípios que aderiram ao Sisan, em apenas cinco o Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Comsea) funciona e em somente dois a Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan) está ativa”, registra o trabalho. Essa falta de estrutura aponta para problemas estruturais nas políticas de combate à insegurança alimentar. “Se tais políticas estivessem em funcionamento, haveria um incremento institucional e normativo que possibilitaria maior consistência, e consequentemente, maior eficácia e efetividade, nos programas, projetos e ações ligados à área da Segurança Alimentar e Nutricional”, avalia a área técnica do Tribunal. O levantamento aponta que “a insegurança alimentar e nutricional pode ser caracterizada tanto pela incerteza quanto ao acesso a alimentos, pela piora na qualidade da alimentação para evitar comprometer a quantidade, ou mesmo redução quantitativa de alimentos consumidos. Quando está em nível grave, é considerada em situação de fome, segundo o IBGE”. Nos anos de 2004, 2009 e 2013, “o percentual de domicílios com insegurança alimentar foi de 32,2%, 31% e 12,2%; entre 2017 e 2018, o problema voltou a aumentar, chegando a 30,7%, e, em 2021, segundo um estudo realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), estimou-se que 54,6% da população capixaba viviam em situação de insegurança e que 540 mil pessoas passam fome”, revelam os dados oficiais.
A flor do tempo
Gritos assustadores na sala – Neymar fez um gol ou quebraram a última garrafa de vinho? Não é fácil tentar rabiscar estas escassas linhas enquanto a TV lá na sala informa ao mundo que Neymar perdeu a chance de marcar um gol. Tá russo! grita a pequena audiência se apertando nas poltronas. Deu pra entender que não assisto jogo de futebol, jogo nenhum na verdade. Mas é realmente impossível não se deixar contaminar por um evento que, até poucos meses atrás, era a alegria dos brasileiros. De repente, tem brasileiros e brasileiras torcendo contra. * Os tempos mudam, disse Confúcio, quando a flor de lótus de seu jardim não emergiu, como deveria. Estranha flor, a do lótus: submerge em águas turvas e dorme na lama, para renascer branca e pura como neve recente (depois vira gelo e perde a graça). Por isso é símbolo de renascimento e pureza. Teimosa, mística: morre, renasce…ressurreição, renovação. Talvez seja disso que nosso maltratado Brasil está precisando: mais flores de lótus nos nossos lagos e jardins. * Termina o tempo regulamentar, zero a zero, nada de novo no fronte. Aposto contra o relógio qual terminará primeiro: a prorrogação lá no Catar ou essas mal traçadas linhas em um laptop americano. Gritos assustadores na sala – Neymar fez um gol ou quebraram a última garrafa de vinho? A esperança baila no ar, mas o inimigo não dorme nas trincheiras e o jogo não terminou ainda. Einstein inventou que o tempo é relativo: 15 minutos devorando uma caixa de chocolates não é igual a 15 minutos de um jogo apertado e decisivo. * A honra da nação verde-amarela está nos pés de 10 sujeitos que estão na escassa lista dos mais bem pagos do planeta. E nas mãos de um goleiro. Apesar de todo o tempo transcorrido, nunca esquecemos o final da Copa de 50, quando o mundo todo apostava no Brasil. Maracanã recém-inaugurado, lotado, o time da casa precisando apenas de um empate…a flor do lótus desperta no fundo do lago, desfaz o abraço das pétalas e sobe devagar em busca da luz. Fênix renascida do lodo. * Mesmo se seu destino é vir à tona, ela pode encontrar obstáculos que a impeçam de emergir – no meio do caminho tinha uma pedra, ou um galho de árvore tombado pela chuva, ou um predador faminto…silêncio na sala. Que vença o melhor, disse Confúcio, sem conferir o resultado do jogo no celular. E foi ver o que aconteceu com suas flores.
Inversão de ônus
Violência: entre o “espetáculo” e a realidade Para uma boa análise da banalização da violência que vivemos, é preciso que se vá diretamente ao foco da questão, ou seja, a enorme metástase da desigualdade, que envergonha as políticas públicas, frente à manutenção de um sistema social com a competitividade do capitalismo. A isto soma-se a cultura de enriquecimento imoral, herdada do período escravocrata que o Brasil esticou enquanto pôde. A primeira constatação vem quando buscamos a origem de nossas elites. Construídas a partir da exploração da mão de obra escravizada e do extrativismo das riquezas naturais do país, grande proprietária das terras e dos meios de produção e de divulgação, que impõe condições de vida e desenvolvimento às classes inferiores, jogando com os postos de trabalho, bem como com a produção destes trabalhadores, inclusive na criação de hábitos de consumo, por meio da mass media, de forma que o próprio trabalhador se torna o principal consumidor, ou pretenso quando não alcança o produto. Da necessidade, real ou feitichizada do consumo (ou o afã de consumir), para a prática do crime capital, a barreira é muito frágil, porque é moral e moral não é uma característica nata do ser humano, mas um aprendizado, que acontece durante sua vida. Aqui a Filosofia tem uma grande contribuição com seu questionamento radical: como se aprende? A partir de discursos – as antigas “aulas expositivas e dialogadas”? A partir de recíprocas de inversão (vendo outros fazerem)? Outras formas específicas? Estamos em busca dessas respostas, mas podemos afirmar que partindo de exemplos reais, de comportamentos admirados, principalmente daquelas pessoas mais influentes na sociedade, é uma dessas formas de aprender. Bem, aqui podemos perceber o início da complicação, os personagens influenciadores, aqueles que elegemos como tais, e aqui podemos listar principalmente os políticos, estão sempre na cartilha maquiavélica, de importarem-se muito mais com a manutenção do poder que com a promoção da felicidade do povo. Podemos dizer que este comportamento se faz tradicional de grande parte dos políticos brasileiros e transferem à população a justificação da adaptação da moral, aos próprios interesses individuais, como uma coisa comum e “oficial”. Ainda caberia uma reflexão mais profunda direcionada aos hábitos de valorização capitalista para funções em nossa sociedade. Para isto basta mirar nos ganhos financeiros dos jogadores de futebol (aproveitando a evidência da Copa do Mundo), que comparados aos dos profissionais comuns, e até dos políticos em tela, acabam lhes “justificando” a corrupção como forma de “adaptação” da moral aos interesses individuais de uma categoria, partindo da importância que se dão em confronto com a dos jogadores, por exemplo. Vou deixar este aprofundamento a cargo do leitor. Como se tudo isto não bastasse, quero ainda tocar a realidade da violência urbana, relacioná-la ao encarceramento de “criminosos”, mas também alcançando suas vítimas, pois, em maioria, são todos da mesma classe social, uma vez que os crimes relacionam algozes e vítimas à condição posta na sociedade de “criminalização da pobreza”. Ao frigir dos ovos, a gordura que sobra é a visão passada à sociedade, por meio da espetacularização que faz a mídia em sua venda desesperada de audiência, para abonar um contexto social que prega um moralismo doente e hipócrita, enquanto vive uma competição de pouquíssimo escrúpulo. Everaldo Barreto é professor de Filosofia
Justiça nega pedido de instalação de equipamentos em uniformes e viaturas
Ação civil pública da Defensoria do Espírito Santo quer coibir violência institucional da PM Pedidos feitos pela Defensoria Pública do Espírito Santo (DPES) por meio de Ação Pública (ACP), relacionados ao aparelhamento da Polícia Militar (PM) como forma de coibir a violência institucional, foram julgados improcedentes pela juíza Sayonara Couto Bittencourt, da 4ª Vara da Fazenda Pública Estadual e Municipal, Registros Públicos, Meio Ambiente e Saúde de Vitória. Os pedidos dizem respeito principalmente à instalação de equipamentos de monitoramento do deslocamento de viaturas; instalação de equipamentos de escuta e gravação ambiente; e aquisição e disponibilização de software para arquivamento das informações obtidas, bem como para a disponibilização para a população. Em sua decisão, a juíza afirma que uma questão semelhante foi submetida ao Supremo Tribunal Federal (STF) e que o ministro Alexandre de Moraes “entendeu que a imposição de obrigação de aparelhamento das polícias com o fim de tornar legítima a sua atuação em regiões hipossuficientes não encontra amparo constitucional, gerando para a administração pública um dever que não está determinado por lei”. A magistrada destaca que a DPES defende a instalação de equipamentos de monitoramento da atividade policial com o argumento de que “grande parte de pessoas mortas por forças policiais é negra e/ou em situação de hipossuficiência econômica e social”. Ela afirma que há estudos e trabalhos acadêmicos que demonstram que a população que mora em locais mais pobres é impactada pelas forças policiais, “entretanto, sob o ponto de vista jurídico, que é o que se perquiri nesses autos, não há como impor ao ente público obrigação que, de fato, não está prevista na Constituição Federal e nem mesmo em lei”. A juíza argumenta ainda que, “analisando os documentos acostados aos autos (inclusive os que acompanharam a petição inicial), não é possível concluir que o Estado do Espírito Santo está inerte quanto a possibilidade de melhor aparelhamento e aperfeiçoamento da atividade policial”, já que, na narrativa inicial, “a Defensoria Pública admite que, na Polícia Civil do Estado do Espírito Santo há projeto voltado à instalação de GPS em viaturas”. O texto prossegue dizendo que “ainda se extrai da petição inicial que o Estado do Espírito Santo aprovou recursos no valor de R$ 200.000,00 para início de projeto-piloto envolvendo 100 câmeras a serem acopladas aos corpos de agentes de segurança”. Consta ainda na decisão que o Comando da Polícia Militar (PM) apresenta condutas adotadas e em andamento na Corporação “e que se referem aos pedidos formulados na inicial”. Entre essas condutas está um projeto da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) em conjunto com a Polícia Civil de aquisição de BoddyCam, câmera corporal acoplada à farda dos agentes de segurança, com condições de capturar vídeo e áudio, permitindo transmitir ao vivo as imagens de uma ocorrência para o centro de operações. A Defensoria ingressou com a ação em abril, poucos dias depois do assassinato de Welinton Dias Silva, de 24 anos, baleado pela PM na região da Grande São Pedro, em Vitória. A instalação de equipamentos de rastreamento, áudio e vídeo nas viaturas e uniformes dos agentes de segurança civil e militar também foi uma reivindicação feita pela Unidade Negra Capixaba em reunião com o governador Renato Casagrande (PSB) após o homicídio, no Palácio Anchieta. A reivindicação também foi feita por diversas entidades da sociedade civil em setembro último, quando o secretário estadual de Governo, Álvaro Duboc, se comprometeu com lideranças comunitárias do Território do Bem, em Vitória, a marcar uma reunião com o governador e o secretário de Segurança Pública, Marcio Celante Weolffel, após as eleições. A reunião no Território do Bem foi motivada pela atuação violenta da Polícia na região, uma vez que os moradores relataram que a PM estava entrando em casas da região sem apresentar mandado, além de atirarem a esmo, amedrontando os moradores. A militante do Movimento Nacional de Direitos Humanos no Espírito Santo (MNDH/ES), Galdene dos Santos, afirma que Álvaro Duboc chegou a contatar o grupo após as eleições, mas não garantiu a participação do govenador na reunião, entretanto, as organizações fazem questão da presença do gestor. ‘A sociedade capixaba exige uma atitude de Renato Casagrande’ Após PM assassinar jovem em São Pedro, Conselho Estadual de Igualdade Racial cobra reunião com o governador https://www.seculodiario.com.br/seguranca/a-sociedade-capixaba-exige-uma-atitude-do-governador-renato-casagrande ‘O governador reconheceu que o Estado não tem controle da PM’ Gilbertinho Campos relata que afirmação foi feita em reunião com o Movimento Negro no Palácio Anchieta https://www.seculodiario.com.br/seguranca/o-governador-reconheceu-que-o-estado-nao-tem-controle-da-pm DPES defende instalação de equipamentos em uniformes e viaturas Ação civil pública visa garantir monitoramento das ações das forças de Segurança e material comprobatório de casos de violência https://www.seculodiario.com.br/seguranca/dpes-defende-instalacao-de-equipamentos-de-monitoramento-nos-uniformes-e-viaturas