Casagrande anunciou Bônus Fundeb no valor de R$ 7,2 mil, contemplando cerca de 19 mil profissionais O governador Renato Casagrande (PSB) anunciou nesta sexta-feira (25) a concessão de Bônus Fundeb no valor de R$ 7,2 mil aos profissionais da Rede Estadual de Ensino. O projeto de lei foi encaminhado para apreciação da Assembleia Legislativa, juntamente com o que concede abono salarial de R$ 1,5 mil aos demais servidores públicos do Executivo Estadual. Embora o rateio das sobras do Fundeb tenha sido pleiteado pelo Sindicato dos Trabalhadores da Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes), a entidade defende a valorização profissional como prioridade. Caso o projeto seja aprovado, o pagamento será ainda em dezembro, contemplando cerca de 19 mil profissionais. A diretora Administrativa e Financeira do Sindiupes, Noêmia Simonassi, relata que, como o recurso do Fundeb voltado para pagamento de profissionais aumentou de 60% para 70%, em negociação com a gestão estadual, a entidade defendeu que se sobrasse alguma quantia, deveria ser dividida entre os trabalhadores em forma de bônus. Entretanto, a dirigente sindical defende que a valorização salarial deve ser prioridade, e não pagamento de bônus. O também diretor do Sindiupes, Paulo Loureiro, destaca que o sindicato continuará defendendo que o recurso seja investido em melhoria salarial, proporcionando “uma aposentadoria mais tranquila, com maior poder de compra”, beneficiando tanto os trabalhadores da ativa quanto os aposentados, pois, assim, esses últimos também seriam contemplados, ao contrário do que acontece com o pagamento do bônus, ao qual não têm direito. Em 2021, foi aprovada na Assembleia Legislativa a proposta de reajuste na carreira dos professores com nível superior que recebem por subsídio, a ser aplicado de forma retroativa nos vencimentos a partir de janeiro de 2021. Essa iniciativa, aponta Noêmia, diferentemente do bônus, beneficiou os aposentados que estão na tabela de subsídio. A correção foi de 25% para o subsídio inicial, que saltou de R$ 2,1 mil para R$ 2,7 mil. Nos demais estratos da carreira, há variações no percentual, chegando a uma média geral de 18,5%. Na rede municipal, somente Ibatiba, no Caparaó, anunciou pagamento de Bônus Fundeb. O valor, de R$ 25 mil, foi proposto pela gestão de Luciano Pingo (Pros) por meio do PL nº 27/2022, aprovado por unanimidade em sessão extraordinária, nessa segunda-feira (21). Em agosto último, foi anunciado reajuste de 20% para o magistério, retroativo ao mês de janeiro de 2022. Também foi anunciado o bônus-desempenho de R$ 5 mil, valor único, referente ao período de fevereiro a julho de 2022.
Professor critica teto de gasto e defende prioridade para investimentos sociais
Guilherme Pereira aponta que os defensores do teto demonstram “extrema insensibilidade com a desigualdade e a fome” Na fase atual, em que o grupo de transição do governo do presidente eleito, Lula (PT), tenta achar uma saída para aprovar alterações no orçamento da União de 2023, a fim de garantir o pagamento de despesas com programas sociais como Bolsa Família e Farmácia Popular, o professor universitário e doutor em Ciências Econômicas Guilherme Henrique Pereira afirma que “o atual regime fiscal pactuado no chamado teto do gasto é desastroso para a população e deve ser substituído por outro que priorize os investimentos sociais”. A proposta, que está em negociação na PEC da Transição, visa permitir a continuidade do pagamento do valor de R$ 600, mais uma parcela extra de R$ 150 para cada criança abaixo de 6 anos. A minuta da equipe de transição prevê que o programa seja excluído do teto de gastos de forma permanente, mas encontra barreiras em grupos de oposição, gerando atraso nas negociações, devido à ausência de Lula, em decorrência de uma intervenção cirúrgica na garganta. “Nos termos da regra atual, pode-se dizer que é um absurdo estabelecer uma regra de limite de gastos na qual as despesas de interesse do mercado financeiro sejam liberadas e os investimentos de interesse do povo limitados. Como consequência, a PEC da “Transição” se impõe como necessidade e não ameaça de desequilíbrio fiscal, aliás, algo sem precedente nas gestões anteriores do presidente eleito”, comenta o professor Guilherme. Em artigo publicado em seu site Debates em Rede, o especialista faz críticas ao posicionamento dos economistas Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, Edmar Bacha, professor e Conselheiro do banco BBA, e Pedro Malan, ex-ministro da Fazenda, representantes do mercado financeiro, que divulgaram recentemente uma carta aberta ao presidente eleito. O professor lista uma série de “incômodos” gerados pelo texto, que defende a manutenção do teto de gasto. “Provocou incômodos em muitos profissionais, devido à clara demonstração de que os autores vivem em uma ilha de prosperidade restrita a poucos amigos, onde a intensidade do egoísmo sequer permite que alguém fale na possiblidade de melhorias para outras atividades ou outras faixas da população. Em seguida, ele diz que “os autores utilizaram o tempo todo velhos chavões há muito abandonados pelos economistas ativos na pesquisa e atualizados com os avanços das ciências econômicas”. Para Guilherme, os signatários da carta “demonstraram extrema insensibilidade com a profunda desigualdade e fome que sempre marcaram e que se agravaram nos últimos anos no Brasil. Em vez de buscarem utilizar o prestígio dos cargos que ocuparam para mobilizar profissionais atualizados para pensar soluções inovadoras, preferiram a posição de leoninos defensores dos interesses do setor de atividade em que trabalham”, enfatiza, e acrescenta: “Aliás, isso seria normal no mundo em que vivemos, mas não é razoável a retórica de que é nobre cuidar da desigualdade, desde que antes sejam protegidos os ganhos dos amigos da ilha de prosperidade”. Ele prossegue na crítica aos economistas ligados ao mercado financeiro e comenta: “Os autores afirmaram que compartilham com as preocupações “(…) sociais e civilizatórias (…)” do presidente manifestadas em seu discurso na COP-27, mas ressalvam que “O desafio é tomar providências que não criem problemas maiores do que os que queremos resolver”. E destaca: “Citando em seguida movimentos nos mercados bursátil [mercado de ações] e financeiro como sinais de reprovação à proposta de alteração no chamado ‘teto do gasto’, para deixar claro o que antes colocaram nas entrelinhas: primeiro “a responsabilidade fiscal” – gerar superávits primários – para depois pensar em combater a fome e a pobreza”. A crítica aponta que “esta tem sido a tônica destes senhores e seus antecessores há décadas. E na tentativa de defender o teto do gasto, leia-se gerar superávit primário: o teto de gastos não tira dinheiro da educação, da saúde, da cultura, para pagar juros a banqueiros gananciosos. Não é uma conspiração para desmontar a área social”. Guilherme lembra que eles “esqueceram ou fingiram que não leram a PEC 95 que fixou teto para as “Despesas Primárias”. Em outro trecho, segundo ele, “deixam claro qual é o negócio que, em suas opiniões, deve ser prioritário: uma economia depende de crédito para funcionar (…)”. E rebate: “a afirmação correta é: uma economia depende de investimentos para funcionar. Investimentos são realizados em maior parte pelos governos e, complementarmente, pelas empresas”. “Logo, não foi por acaso que recebeu muitas críticas em cartas abertas de economistas com larga experiência e acreditada produção científica”. Guilherme cita críticas divulgadas pelos também economistas José Antonio Alves Junior e Guilherme Lacerda; José Luís da Costa Oreiro, (UnB), líder do Grupo de Pesquisa Macroeconomia Estruturalista do Desenvolvimento; Luiz Fernando Rodrigues de Paula, (UFRJ) e vice-Líder do Grupo de Pesquisa; Luiz Carlos Bresser-Pereira, ex-ministro da Fazenda e professor emérito da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), Kalinka Martins da Silva, (IFG); e Luiz Carlos Garcia de Magalhães, Economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Cadeirante aguarda entrega de cadeira de rodas desde antes da pandemia
Flávia Xavier já teve, nos últimos meses, duas promessas de data de entrega descumpridas pelo Crefes Arquivo pessoal A cadeirante Flávia Maria dos Santos Xavier, moradora de Rosa da Penha, Cariacica, está desde antes da pandemia à espera de uma cadeira de rodas solicitada ao Centro de Reabilitação Física do Espírito Santo (Crefes). Um novo prazo de entrega é o dia 14 de dezembro, mas ela se diz, infelizmente, pouco convencida do cumprimento. “Durante a pandemia, eles diziam das dificuldades de entregar as cadeiras, que tinham que fazer mutirões quando dava, eu entendi e aguardei. Em setembro passado eu fui lá perguntar e me prometeram para outubro. Em outubro, a diretora, Regina, garantiu que no dia nove de novembro eu iria receber. Fui lá dia 18, porque soube que tinham chegado cadeiras novas, mas ela nem quis me receber, não consegui chegar nem na porta da diretora, sendo que ela tinha me garantido que dia nove eu estaria com a minha cadeira. Eu disse a ela que se não chegasse eu iria reclamar, e foi o que eu fiz”, relata. Há uma semana, Flávia diz que suplicou por rodas novas, já que as suas estavam muito desgastadas, oferendo risco de queda, mas o pedido também foi negado. “Pedi pelo amor de Deus para pelo menos me arrumarem roda para eu não ficar sem andar, porque a cadeira é a ferramenta que eu tenho para andar dentro de casa, na rua. Lá dentro eu vi um monte de cadeira que ninguém veio buscar e eles não me liberaram nem as rodas”. Com insistência, Flávia conta que foi ouvida por um atendente, que lhe pediu documentos pessoais e fez uma nova promessa de data, o dia 14 de dezembro. “Eu tive que pegar roda emprestada com uma amiga para poder usar a cadeira e aguentar até conseguir receber a minha”. Agendamento As demoras nas entregas de cadeiras de rodas aos usuários do Crefes já foram relatadas em Século Diário em agosto, quando a presidente do Conselho da Pessoa com Deficiência de Vila Velha, Neidemara Martins, contou sua própria experiência, que precisou ser judicializada, e, mesmo assim, foi descumprida por três vezes seguidas pela instituição. “Tem gente esperando cadeira desde 2017, gente que morreu sem a cadeira, gente que toma banho no chão, porque não tem cadeira de banho”, disse, na ocasião. Depois de finalmente receber a cadeira prometida, ela agora identifica outro problema, que é a dificuldade em agendar atendimento por telefone. “Agora você não pode mais entrar no Crefes sem agendamento, mas eles não atendem telefone. Virou um caos”.
TJES concede liberdade a militante do PT preso em bloqueio bolsonarista
Chico Linhares ficou 19 dias preso em Linhares. Ele usará tornozeleira eletrônica e terá que cumprir outras obrigações Depois de passar 19 dias na Penitenciária de Linhares, no norte do Estado, o eletrotécnico aposentado Francisco Emmanuel Soares dos Santos, o Chico Linhares, 65 anos, recebeu liminar favorável nesta quinta-feira (24), no julgamento do habeas corpus impetrado no Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES). Ele usará tornozeleira eletrônica e deverá cumprir outras obrigações, como não frequentar bares à noite, até o julgamento definitivo da acusação de tentativa de homicídio. Os advogados tentam acelerar a adoção dos trâmites legais nesta quinta, a fim de que Chico saia da cadeia o mais rápido possível. Para tanto, lutam contra o tempo, em decorrência da alteração do expediente nos órgãos públicos devido ao jogo Brasil e Sérvia na Copa do Mundo. Militante do PT conhecido na cidade, Chico Linhares foi preso no último dia 5, ao furar um bloqueio de via pública organizado por grupos bolsonaristas, em ocorrência conduzida pelo policial militar Rodrigo Bonadiman, o cabo Bonadiman, apoiador de Jair Bolsonaro e candidato derrotado a deputado federal pelo PL nas últimas eleições. O ato, apontado pela defesa como arbitrário e equivocado, movimentou lideranças políticas do partido, sindicatos e centrais sindicais, que consideram a prisão uma ação política e se manifestaram por meio de notas públicas. Para os advogados de Chico, Homero Mafra, Alciene Marias Rosa e Renan Nogueira, os “policiais militares foram ao local, arrolaram testemunhas, supostas vítimas, e confeccionaram um Boletim Unificado (BU), no qual a ação de Chico ao volante foi caracterizada como tentativa de homicídio, embora não haja pessoas feridas nem o carro apresente amassados na lataria ou outro local”. A advogada Alciene Maria Rosa afirma que a prisão se Chico é “injusta, cometida por baderneiros bolsonaristas, e não há nenhuma evidência do que ele está sendo acusado”. Ela condena os bloqueios, que tiveram Linhares como um dos pontos do Espírito Santo onde mais ocorreram os atos, considerados ilegais e contrários à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Advogado diz que bloqueio de vias por bolsonaristas fere a democracia – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/justica/advogado-de-chico-linhares-diz-quebolsonaristas-ferem-a-democracia
Estudantes em Comboios, Aracruz, completam 16 dias sem água na escola
Problema afeta toda a aldeia indígena, que, localizada numa península, tem demandas específicas de transporte Dezesseis dias sem água na escola. Essa é a situação enfrentada pelos estudantes da Escola Municipal de Ensino Fundamental Indígena (Emefi) Dorvelina Coutinho, na Terra Indígena Comboios, em Aracruz, norte do Estado. O problema atinge toda a aldeia há quase três semanas e somente começou a ser resolvido na manhã desta quinta-feira (24), com o envio de técnicos para consertar a bomba que lança água do poço para a caixa d’água da escola. “Hoje deve normalizar”, informa a diretora, Larissa Duarte Florêncio. A falta d’água começou no dia nove de novembro. “A gente esperava que fosse resolver logo, mas não foi restabelecido depois do feriado. Tentamos nos adaptar enquanto aguardava solução, trabalhando em escalonamento, pegando água com os vizinhos, até que chegamos no limite, tendo que pegar água com balde. Chegamos num esgotamento na segunda-feira [21]”, relata. Para além do transtorno imediato, Larissa levanta o problema de que dificuldades como essa podem desanimar os pais e mães de alunos, como já aconteceu em outras situações, levando-os a transferirem as crianças e adolescentes para outras escolas, fora da aldeia, o que traz dois problemas imediatos: o distanciamento da criança de sua comunidade, e a falta de acesso a uma educação indígena especializada, como ocorre na Dorvelina. “Temos da educação infantil até o nono ano. São 85 alunos. As famílias fazem questão desse ensino indígena, diferenciado. Nós trabalhamos o resgate da língua tupi e da cultura como um todo. Trabalhamos o antigamente, as mudanças, a permanência, a tradição oral, recebemos muito os anciãos aqui na escola”, descreve a diretora. Dsei ocupada O atendimento aos alunos chegou a ser suspenso, conta o Cacique Toninho, que foi acionado para ajudar a resolver o problema. A primeira medida foi ocupar o escritório local do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei), em Aracruz, na manhã desta terça-feira (22). À tarde a ocupação foi desmobilizada, mediante promessas de resolução a curto prazo: bomba d’água nova já disponível para a comunidade em Aracruz e envio imediato das bombas defeituosas para conserto. Também foi alcançado o agendamento de uma visita do recém-nomeado coordenador regional da Dsei Minas Gerais e Espírito Santo, Gabriel Ribeiro Santos, que chegou a receber uma carta de repúdio no início do mês, elaborada por diversas etnias, devido a decisões tomadas sem o acordo das comunidades. “O coordenador vai se deslocar de Governador Valadares para cá na segunda-feira [28] para se reunir conosco pela manhã. Vamos entregar a ele um documento com as demandas das comunidades para a saúde”, informa o Cacique Toninho. Além da aldeia e da escola de Comboios, há o problema de abastecimento de água também em Córrego do Ouro, que sequer possui água encanada. “Tem uma casa de apoio mantida pela comunidade”, diz. Em outras aldeias Tupiniquim, há muitos problemas com o transporte de pacientes para unidades de saúde fora da Terra Indígena e dificuldade de marcação de exames. “Não tem ambulância e os carros quebram muito, não existe manutenção dos veículos. Os barcos [a aldeia Comboios está numa península, separada do restante da TI pelo rio Comboios] também sempre dão problema”, conta. “Queremos melhorias na unidade de saúde e tratamento adequada para as comunidades indígenas”, resume. Indígenas repudiam mudanças na Saúde feita por novo coordenador Lideranças do Estado e de Minas Gerais também denunciam redução de combustível, medicamentos e insumos pelo governo federal https://www.seculodiario.com.br/saude/etnias-do-es-e-mg-repudiam-mudancas-na-saude-indigena-feita-por-novo-coordenador
Comissão de inspeção do sistema prisional do Estado inicia atividades
Grupo irá monitorar denúncias e encaminhar aos órgãos responsáveis para as devidas providências A Comissão de Inspeção das Unidades Prisionais do Espírito Santo, criada pelo Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH), deu início às suas atividades. A primeira reunião, nessa segunda-feira (21), teve como objetivo fazer com que os integrantes, que são representantes de entidades da sociedade civil, pudessem se conhecer. Além disso, cumpriu a função de alinhar o entendimento sobre a iniciativa e seu papel. A comissão foi criada para elaborar agenda de inspeções nas unidades prisionais e socioeducativas; monitorar denúncias recebidas pelos conselhos, comitês e entidades que compõem o grupo; encaminhar aos órgãos responsáveis pedidos de providências sobre as situações encontradas; e gerar relatórios sobre o sistema estadual. As entidades que a integram são o Comitê Estadual para a Prevenção e Erradicação da Tortura no Espírito Santo (Cepet-ES), Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional do Estado do Espírito Santo (Consea), Movimento Nacional de Direitos Humanos no Espírito Santo (MNDH-ES), Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (Criad), Conselho Estadual dos Direitos da Mulher do Estado do Espírito Santo (Cedimes) e Pastoral Carcerária. A presidente do CEDH, Galdene dos Santos, informa que a ideia é convidar alguma entidade de representação da comunidade LGBTQIA+ para compor a comissão, uma vez que há uma unidade prisional voltada para esse grupo e os casos de LGBTfobia nos presídios são constantes. Será feito um calendário de visita mensal às unidades, realizada pelas entidades, mas o CEDH continuará atendendo as demandas emergenciais. De acordo com Galdene, será importante as entidades realizarem as inspeções, fazendo com que o CEDH possa ter mais disponibilidade para se dedicar a outras áreas, para além dos sistemas prisional e socioeducativo, que aglutinam maior parte das denúncias de violação de direitos humanos. Há possibilidade de as inspeções começarem em dezembro, por se tratar de um “momento melindroso” no sistema prisional, pois o foco das pessoas está nas festividades, fazendo com que os casos de violação de direitos humanos contra detentos e socioeducandos passem mais despercebidos. Galdene explica que o conselho já conta com a Comissão de Promoção, que atua na realização de palestras e outras atividades; a Comissão de Defesa, que recebe denúncias referentes às violações de direitos humanos; e a Comissão de Proteção, que lida com as pessoas ameaçadas de morte. Além das entidades da sociedade civil, a nova comissão contará com a de Defesa em suas atividades. A Comissão de Inspeção, recorda Galdene, já havia sido criada em 2015, quando o ativista Lula Rocha, que morreu no ano passado, presidia o CEDH, mas foi extinta. Sua rearticulação considera o dado de que 90% das denúncias de violação de direitos humanos recebidas pelo Conselho são relacionadas ao sistema prisional. Os integrantes da Comissão farão pré-relatórios a cada três meses sobre as situações encontradas nos presídios e unidades socioeducativas, para, cerca de um ano após a atuação, elaborarem um relatório final, que servirá de base para as ações do próximo mandato do conselho, além de ser encaminhado para o Governo do Estado e o sistema de justiça. Denúncias e mortes A má qualidade da alimentação e as práticas de tortura e à revista vexatória são, atualmente, as principais denúncias reportadas ao CEDH. Mortes violentas dentro do sistema prisional também são constantes. Em maio deste ano, a família de uma mulher transgênero, cujo nome social era Aline, morta por espancamento no Presídio Estadual de Vila Velha (PEVV II), em maio de 2020, chegou a ganhar na Justiça o direito a uma indenização por parte do Governo do Estado. A decisão foi do juiz Fernando Antonio Lira Rangel, da 5ª Vara da Fazenda Pública Estadual, Municipal, Registros Públicos, Meio Ambiente e Saúde de Vitória. O magistrado estabeleceu uma indenização por danos morais no valor de R$ 15 mil e o valor de 2/3 de R$ 1.175,00 para a genitora até a data em que a vítima completaria 25 anos e de 1/3 desse mesmo montante até a data em que completaria 76 anos ou até a morte da beneficiária. Em sua decisão, o juiz destacou que, na época do assassinato, o estabelecimento penal contava com 1,4 mil apenados, mas sua estrutura era projetada para 672, “fator prejudicial à vigilância e ao tratamento penal adequado”. Em fevereiro, um ofício enviado pela Frente pelo Desencarceramento do Espírito Santo a entidades da sociedade civil apontou irregularidades das empresas contratadas pelo Governo do Estado para fornecer alimentos, enquanto um relatório da seção capixaba da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES) mostrou que os problemas relatados por internos podem ser explicados pelo baixo custo das refeições: aproximadamente R$ 18 por dia para cada detento. Uma das denúncias da Frente Desencarcera-ES se referiu à empresa Alimentares Refeições, uma das terceirizadas contratadas pelo Governo do Estado para servir a alimentação aos internos. Em 2018, a empresa foi investigada pela Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), que identificou estoques de alimentos vencidos e prestes a vencer, além de carnes impróprias para consumo. Mesmo com as denúncias, a empresa não só permaneceu oferecendo os serviços, como aumentou o número de contratos com o Estado. Das 37 unidades prisionais capixabas, apenas sete não têm superlotação – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/seguranca/das-37-unidades-prisionais-capixabas-apenas-sete-nao-tem-superlotacao ‘Espírito Santo se nega a combater prática da tortura no sistema prisional’ – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/direitos/o-espirito-santo-se-nega-a-combater-a-pratica-da-tortura Comissão vai inspecionar presídios e unidades socioeducativas capixabas Sistema prisional representa 90% das denúncias de violação de direitos humanos feitas a Conselho Estadual https://www.seculodiario.com.br/seguranca/comissao-ira-inspecionar-presidios-e-unidades-socioeducativas-capixabas
Grupo de mulheres lança livro de dramaturgia neste domingo
E-book, que será disponibilizado gratuitamente, reúne textos de lésbicas, não binárias, transexuais e bissexuais Mulheres de identidades femininas diversas irão lançar neste domingo (27) um e-book fruto de oficinas de dramaturgia realizadas pelo grupo de pesquisa e literatura dramática Elas Tramam. Denominado de Elas + Tramas Diversas, o livro será lançado a partir das 18h, no Espaço Thelema, Centro de Vitória, e será disponibilizado gratuitamente no site do grupo. As dramaturgias foram escritas por lésbicas, não binárias, transexuais e bissexuais, público-alvo das atividades realizadas, assim como as travestis, mas as que se inscreveram não chegaram a concluir a oficina. Bru Negreiros As participantes das oficinas foram selecionadas por meio de edital. Durante cinco meses, elas marcaram presença em encontros quinzenais, com laboratório de escrita dramática, no qual foram produzidos textos de autoria individual, mas dentro de um processo colaborativo. Os temas, de acordo com a dramaturga e uma das idealizadoras do Elas Tramam, Nieve Matos, são diversificados, mas têm em comum as vivências femininas. “Os textos trazem muito a questão da violência contra a mulher, todas têm algo nesse sentido para relatar. As mulheres não se esvaziam do que são. Mesmo ficcionalizando, estamos escrevendo sobre nossa história”, diz. Bru Negreiros A produtora cultural Thalia Peçanha de Brito é autora de “Carambolas”, um dos textos do e-book, por meio do qual convida os leitores a “olhar os absurdos do comum”, como a naturalização da violência cotidiana. “Pego uma fruta muito comum, que todo mundo conhece, que é a carambola, para mostrar que o comum tem seus absurdos. No texto, isso aparece de diversas formas, como no estupro, no assédio e no rapaz assassinado no morro e que tem sua ficha policial abordada nos noticiários”, conta. Bru Negreiros Foi a primeira vez que Thalia escreveu uma dramaturgia. Um de seus desejos é que Carambolas possa ser encenado. A autora afirma que se põe a imaginar como seu texto vai funcionar no corpo, por exemplo, dando voz aos personagens. Thalia se sentiu motivada a participar das oficinas devido à visão que tinha do Elas Tramam como um espaço de produção de escrita com “uma experiência gostosa de interação entre mulheres, um lugar de segurança, com pessoas diferentes, mas que ao mesmo tempo se assemelham”. Após as oficinas, afirma, concluiu que suas expectativas, embora boas, eram pequenas diante do que encontrou. “Foi uma experiência que me possibilitou maior compreensão de mim e do outro, aprendendo com o outro e comigo mesma”, afirma. O Elas Tramam surgiu em 2017, quando deu início a uma oficina que deu origem a dois e-books, que depois ganharam versão impressa. Eles se chamam Elas Tramam – Dramaturgias Tecidas por Mulheres do Espírito Santo e o Elas Tramam Livro 2. Em 2019, uma nova oficina deu origem a outro e-book, que também ganhou versão impressa posteriormente, o Outras Tramas – Dramaturgias Escritas por e para Mulheres. As versões impressas dos livros de ambas as oficinas estarão à venda no lançamento deste domingo pelo preço de R$ 40,00 a unidade e R$ 100,00 os três. Os e-books podem ser acessados gratuitamente no site. Nieve informa que textos escritos na primeira oficina já foram produzidos em outros estados, como Minas Gerais, e pesquisados por mestrandos e doutorandos. Desde que o Elas Tramam surgiu, mais de 40 mulheres escreveram dramaturgias no Espírito Santo, que se transformaram em peças e performances. Apesar do sucesso, segundo Nieve, “tinha algumas mulheridades que o projeto não alcançava”, como as mulheres não cis, “que não vivem na heteronormatividade”. Por isso, a oficina deste ano teve como foco as lésbicas, não binárias, transexuais, bissexuais e travestis. Para além das oficinas que originaram os e-books, o Elas Tramam também realiza atividades como leituras dramáticas e saraus, e já organizou ações voltadas para adolescentes de 12 a 16 anos, como a oficina de dramaturgia Palavra de Menina. Para o público de 8 a 12 anos, foi oferecida a oficina Pequenas Tramas.
‘Essas empresas vão matar todo mundo se não tirarem os metais pesados da água’
Relatos quilombolas integram estudo da FGV sobre impactos no Sapê do Norte, enviado ao Ministério Público Federal “Eu lamento essa irresponsabilidade dessas empresas multinacionais que vêm para dentro do nosso Brasil, pegar as riquezas que nós temos e, devagar, vão matar todo mundo, se não tiver como tirar esses metais pesados dessa água”. O apelo vem do Sapê do Norte, no norte do Estado, referente aos impactos provocados pelo crime da Samarco/Vale-BHP no território quilombola tradicional localizado entre São Mateus e Conceição da Barra. Ao Século Diário, a artesã Jurema Thomaz da Conceição, a Dona Juju, conta suas impressões sobre o processo de reparação e compensação dos danos, que passou a acontecer de fato por meio das ações da Fundação Getúlio Vargas (FGV) no território, iniciada durante a pandemia. Nessa quarta-feira (22), técnicos da FGV estiveram no Centro de Referência em Assistência Social (CRAS) Nego Rugério, em Santana, Conceição da Barra, para apresentar o relatório encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), como parte das ações necessárias à inclusão dos quilombolas no processo de reparação e compensação dos danos. Nas palavras de Dona Juju, nenhuma indenização que vem sendo paga pela Fundação Renova em alguns territórios atingidos consegue reparar e compensar de fato os danos provocados, principalmente porque eles continuam se acumulando, já que a contaminação ambiental permanece. “Eu, com 65 anos, nunca vi tamanho igual de desastre no meio ambiente e na natureza. Essa água, eu converso muito com as pessoas, grupo de idosos, falo para beber água mineral ou de poço. Não sabe quanto tem de metais pesados”, alerta. “A gente não pode ficar comprando água, está R$ 14 o bujão, então pega nos poços dos quilombos. Tem um que eu pego com 38 metros de fundura. E outro com 33 metros de fundura. Sou mais preocupada com minhas crianças, juventude, e as gestantes também. E eu fico sentida porque as pessoas recebem aqueles R$ 84 mil e ficam tão alegres e continuam bebendo a água da torneira”. Arquivo Pessoal Os valores que têm sido pagos na região de Itaúnas, conta, são em torno de R$ 84 mil para pescadores informais e até R$ 300 mil para quem tem carteira de pesca e barco. Quilombolas, no entanto, receberam bem menos. “Uma negra, quilombola, de 72 anos, pescadora de barranco e que também é ambulante, você acredita que recebeu R$ 20 mil, deu R$ 5 mil para o advogado, ficou com R$ 15 mil, porque na entrevista falou que ela pesca para comer. Mas ela vende também, bolo de aipim, pamonha…uma outra quilombola que pesca para o consumo, disse que recebeu R$ 40 mil”. Discriminação Já nas comunidades do Sapê do Norte, nem isso. “Linharinho, Angelim, Roda D’ Água, nada. Em Porto Grande, começaram a receber algumas pessoas que são pescadores e ribeirinhos. No Córrego do Alexandre, duas pessoas receberam. Morro da Onça ninguém recebeu nada. É discriminação mesmo, com nós pretos”, observa. Dona Juju diz que a relação da Fundação Renova com as comunidades sempre foi pouco transparente. “Essa tal de Renova podia ter vindo e falado o que está acontecendo, a Samarco colocar grupo técnico, tecnologia de especialidade de coisa química, tóxica que está na água, e alertar o povo. Não tem informação nenhuma. Nem que tem mercúrio, nem que tem alumínio, nem que tem nada. O que tem aparecido é advogados para pegar causa e ganhar dinheiro”. Nas primeiras reuniões da Renova na região, recorda, “não falou que o ambulante recebia, que o artesão tinha direito; falaram que só os pescadores de carteira e informal que tinha direito. Quilombola? Nem falou nome de quilombola. E olha que os quilombos estão prejudicados em cheio, porque eles trabalham com beiju, farinha, e trabalha na feira, vendia bem ou trocava, trazia peixe para casa, uma carne, já vinham mais alegres. Depois do rompimento, diminuiu muito a feira, acabou peixe, uma tristeza. E quando a gente fala da natureza e do meio ambiente, é um todo. Além das nossas águas, nossos mangues, nosso peixe, tudo ficou difícil. Os mangues são os berços dos peixes desovar, e morreu peixe, caranguejo, tudo”. Eliane Balke A Fundação Getúlio Vargas, afirma, foi quem trouxe as informações corretas para as comunidades, nas quatro oficinas realizadas, onde os relatos foram registrados, compondo um conjunto complexo de danos de ordens diversas. “Eu sou artesã de carteirinha. No verão, a gente ia para a Barra vender nossos artesanatos. Aí ficou fraco. Eu trabalho também com plantas medicinais e a lama atingiu o meu pomar, eu tinha um pomar lindo, tudo sem agrotóxico. Eu tenho um brejo muito grande, a minha horta medicinal também acabou”, resume o seu caso. Para além das perdas econômicas, o estudo mapeia danos relacionados à territorialidade, tradicionalidade e sofrimento social, ao afirmar por exemplo, que “a degradação do meio ambiente significa degradação da vida das pessoas e da comunidade” e que “a impossibilidade da continuidade do modo de vida tradicional traz sofrimento social, com êxodo dos jovens, interrupção nos encontros, incertezas nas perspectivas de futuro.Tradições No relatório, a FGV aborda o processo de formação do território do Sapê do Norte, desde os primeiros núcleos de quilombos, ainda no período da escravidão, quando contaram com a liderança do Nego Rugério, que dá nome ao CRAS de Santana. São Mateus, destaca o relatório, era um dos principais portos de recebimento de negros da África vendidos para a escravidão. Depois de séculos de ocupação tradicional, baseado no uso comum da terra, na agricultura familiar, pesca e outras atividades de baixo impacto ambiental, as comunidades somavam cerca de 12 mil famílias. São Mateus e, principalmente, Conceição da Barra, eram grandes exportadores de farinha, consistindo em um dos principais produtos agrícolas do município. “Toda a vida cotidiana nos quilombos era determinada por uma cosmovisão assentada em uma base natural e territorial. O trabalho agrícola se realizava em mutirões (ajuntamentos) no ancestral sistema de coivara, ocupando pequeno espaço agrário e permitindo rodízio de áreas e cultivos que, associados à pesca e à caça, garantiam a segurança alimentar das sucessivas gerações. As práticas tradicionais de saúde, muitas
Novas (nem tanto) configurações
Com incorporação do PSC, Podemos, da base de Casagrande, se iguala à bancada do Republicanos, atrás apenas do PL bolsonarista Leonardo Sá Ventilada desde 2018, a incorporação do PSC ao Podemos, enfim, está consolidada. O anúncio foi feito nessa terça-feira (22) e a mudança será oficializada em convenção no início do próximo mês. A fusão, que serve também para driblar a cláusula de barreira – o PSC não a atingiu este ano -, aumentará a bancada no Congresso a partir de 2023, passando a 18 deputados federais e sete senadores. Já nas assembleias, serão 48 parlamentares. No cenário do Espírito Santo, isso representa alteração apenas da bancada de deputados estaduais. O Podemos ganhará mais uma cadeira, somando quatro, o que o iguala ao Republicanos, ficando atrás apenas do PL bolsonarista. O partido, aliado de primeira fileira do governador Renato Casagrande (PSB), terá no legislativo estadual o veterano Marcelo Santos e os novatos Lucas Scaramussa e Allan Ferreira, e o reeleito Alexandre Xambinho, que estava em carreira solo pelo PSC. Na Câmara Federal, tudo continuará igual, tratando-se do Estado. Isso porque o Podemos elegeu o ex-secretário e ex-prefeito de Viana Gilson Daniel e o vice-prefeito de Vila Velha, Victor Linhalis, mas o PSC saiu de mãos abanando: não conseguiu manter a cadeira de Lauriete e não emplacou o recém-chegado ao partido, Renzo Vasconcelos, apesar da alta e até surpreendente votação para um deputado estadual em primeiro mandato e já estreando na disputa de Brasília – 82,2 mil. No campo do Senado, nem cosquinha, afinal, Podemos nem PSC estava no páreo. Estão aí, portanto, as novas, mas nem tanto, configurações do mapa político capixaba. BaseNo sentido prático, Xambinho já atuava em sintonia com Casagrande, mas a integração oficializa a ampliação da base governista. Até porque, o PSC adotou algumas posições divergentes nas eleições deste ano. Veja… Lados…na disputa ao governo, estava do lado do projeto do presidente da Assembleia, Erick Musso (Republicanos), que naufragou, mas se manteve no mesmo bloco, com a candidatura dele ao Senado e sem apoiar ninguém ao governo. Já no segundo turno, o presidente estadual, Reginaldo Almeida, ficou com a oposição, liderada por Carlos Manato (PL). Lados IIA deputada federal Lauriete, por sua vez, declarou apoio a Casagrande, assim como Renzo Vasconcelos, que foi além, atuando na campanha que vendeu o voto “Casanaro” – no governador e em Jair Bolsonaro (PL). A estratégia adotada no segundo turno, também pelo próprio Casagrande, foi essencial para impedir a migração dos votos do presidente, campeão no Estado, para Manato. MunicípiosA união entre os partidos também tem efeitos nas prefeituras e câmaras de vereadores. O Podemos contará com 198 prefeitos e 3 mil vereadores. Por aqui, já tem duas prefeituras estratégicas e contempladas pelo governo: Vila Velha, com Arnaldinho Borgo, um dos principais cabos eleitorais de Casagrande este ano, e Wanderson Bueno, de Viana, pupilo e sucessor do presidente estadual da sigla, Gilson Daniel. Entrará mais um polo importante: Colatina, com Guerino Balestrassi, hoje do PSC. JogadasNa área da Assembleia, aliás, Podemos já se movimenta de olho na eleição da Mesa Diretora, em fevereiro próximo. Ou melhor, Marcelo Santos! O deputado diz que não, mas tem feito movimentos que indicam, sim, interesse em assumir o comando. Nos últimos dias, até coletiva de imprensa convocou e fez aquela jogada dupla: é aliado do governo, mas está pronto para espalhar as críticas, se necessário. E foi o que fez. ForçasCom a fusão entre PSC e Podemos, adotando o segundo nome e o número 20, a bancada dividirá forças com a oposição, representada principalmente pelo PL, que tem cinco deputados: Capitão Assumção, Lucas Polese, Danilo Bahiense, Callegari e Zé Preto. Já a atuação do Republicanos, embora desse mesmo campo… Forças II…ainda é uma incógnita! Hudson Leal não atrapalhou o governo na atual legislatura e Sergio Meneguelli, o recordista de votos, ficou neutro na disputa ao governo. Os outros são o ex-vereador de Aracruz Alcântaro e Bispo Alves. A conferir! Forças IIIO PSB, de Casagrande, só para lembrar, vem depois, com três cadeiras: Tyago Hoffmann, Janete de Sá e Dary Pagung. Nas redes“(…) Parem de criar, a todo custo, uma narrativa pra não validarem o resultado das urnas. Vocês perderam! Parem de tumultuar o país. A Câmara Municipal de Vitória sendo mais uma vez um péssimo exemplo para a política”. Vereadora Karla Coser (PT) sobre a aprovação, nesta quarta-feira (23), de uma moção de repúdio ao ministro Alexandre de Moraes. FALE COM A COLUNA: medeirosmanaira@gmail.com
Vitória e derrota
Uma destas leis da vida responde pelo nome de evolução Os desafios da vida, em geral, são feitos de quedas e reviravoltas, voltas por cima, gente sucumbindo, vitórias incontestes, derrotas fragorosas, tudo o que representa uma disputa de territórios, de forças em choque, de rotas em colisão, de vontades, anseios, anelos, desejos, objetivos, ideias, que podem colidir e somente haverá dois lados, os que foram derrotados e terão que reorganizar o próprio desejo, anseio e delírio, quando é o caso, e o lado dos vencedores, estes que exercem a sua volição em toda a sua plenitude, produto de um caráter impassível, direto. Existe um campo de batalha, uma guerra, em que não faltam tentativas de nos colocar em escaninhos, bem fáceis de entender e de manejar, e a luta precípua de uma vida original é decepcioná-los, jogar contra tudo o que pode tolher, podar, sabotar. Podemos também ser alvos de uma idealização, e também é nosso dever decepcionar sistematicamente uma proposta que não nos conduza ao que queremos, longe da idealização, com a vida real em campo, e nada mais. A conduta clara, objetiva, não faz concessões, não regateia, e muito menos irá rifar a própria honra, e assumam as consequências desta escolha e de seus efeitos. Não há, de fato, o que negociar, a ética está determinada como vontade de poder, soberana, biográfica, sem peias em seu discurso, e que vai direto ao ponto. Não se rifa a honra e o respeito. A morte existencial, biográfica, reage, e dá um tiro de misericórdia no que poderia ser esta morte simbólica, que é a mentira, a farsa e o fingimento. E a vida afirmativa, livre, mata o seu matadouro, o buraco negro de planos que não lhe pertencem, e que sujam o seu nome. De outro lado, o mau perdedor, em que pese a soberania dos fatos, como sempre, tem na impassibilidade dos resultados a determinação de sua derrota ipso facto, com a crueldade necessária do riso de escárnio que o mau perdedor precisa e merece. A vitória plena, diante do mau perdedor, exerce a sua soberania e classifica a realidade de acordo com o fato consumado. Seu parâmetro é a excelência do fato, da verdade, e nele se exerce a sua liberdade, produzida por sua vitória, e o mérito que afirma o seu critério distributivo de sucessos e fracassos, e o que será aprendido, ou não, com isto. Sartre tinha uma frase existencial muito importante, e que pode definir a diferença entre uma vida que vingou e uma que sucumbiu, que diz o seguinte: “Não somos aquilo que fizeram de nós, mas o que fazemos com o que fizeram de nós”. A força espiritual, em um campo de batalha, irá formar o caráter, sua estrutura, sua resiliência, e toda uma gama de habilidades que se tornarão necessárias para enfrentar a selva com tática e estratégia, para que a meta seja alcançada. E não faltarão golpes abaixo da cintura, que poderão atingir diretamente a sua honra, e a ação direta serve como o escopo em que a batalha, a guerra, será decidida, e como se diz, não se faz um bom omelete sem quebrar alguns ovos, e os que são derrotados neste trajeto podem ser estes que ficam quebrados pelo caminho, em relação à nossa permanente construção biográfica. Golpes baixos não faltam e não faltarão, é preciso estar atento e forte. As regras são claras e as consequências para quem as subverte são inauditas, dolorosas, não existe pena e comiseração com o erro, existe sim correção, e mais adiante, corretivo, e que é definitivo. Não há qualquer coitadismo, pois escolhemos, decidimos e deliberamos, e isto ocorre o tempo todo, diariamente, a cada gesto corporal e mental. Portanto, a responsabilidade física e moral sempre está em jogo, o tempo inteiro. A liberdade é uma mistura de conquista e merecimento, a prisão, por sua vez, é um merecimento das consequências de atos nefastos, que confrontam a civilização com o que há de mais asqueroso, moralmente e existencialmente, e a afronta, o assédio, de uma sucursal do inferno, toma uma rasteira precisa, cirúrgica, metódica, sistemática. Não se reclama do destino, não se blasfema a própria sorte azarada de terem sido pegos em flagrante, é do jogo perder, ser derrotado, e mau perdedor é pior, vamos com sangue nos olhos, com a faca nos dentes, para liquidar a fatura, sem mais. A vitória é um anelo pleno sobre anelos liquidados. Prestes a pegar os frutos, Tântalo escorrega e cai, esta é a lei da verdade, não se dá asas à cobra, e as regras do jogo são obedecidas, querendo ou não, justamente por suas consequências. Abrir o olho, se orientar, não são meras expressões, são rotas prudentes, bem urdidas, e para quem está cochilando, um sacode que a vida pode dar quando necessário. O susto, a pegadinha, é exatamente para formar o caráter, esta é a questão. A formação pela derrota é uma universidade para os fortes, pois os fracos olham para o abismo, flertam, e o abismo passa a olhar para eles, pois o atalho do cambalacho leva ao abismo, e o caráter em questão é subsumido pelo desastre de seus próprios atos. Os sintomas são auto evidentes, e as causas claras, para quem sabe ler situações, gestos e atos. Não tem mistério, e o derrotado é obrigado a lidar com este desconhecido, seu próprio futuro, o que ele terá que pensar finalmente, uma vez que seu anelo foi destruído, sua ambição sem nobreza colocada em xeque. A confrontação existencial pela qual passa o derrotado é intensa, merecida, precisa em seu propósito, e fico feliz em informar que não há escapatória, a universidade da vida tem suas próprias leis. E digo que uma destas leis da vida responde pelo nome de evolução, que é uma régua, uma métrica, em que uns avançam e outros sucumbem, podem devoluir, regredir, acontece também, não é algo linear, pois a evolução também é uma escolha, uma decisão e uma deliberação, mas como lei da natureza, ela