Bando explorava madeira para mercado milionário de arcos de violino. Mata Atlântica perdeu mais de 21 mil hectares este ano O mercado internacional milionário de arcos de violino é o foco dos negócios de uma associação criminosa com ramificação internacional que foi reprimida pela Polícia Federal e pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), por meio da Operação Ibirapitanga II, deflagrada na manhã desta terça-feira (8). O bando vinha atuando no Espírito Santo, Rio de Janeiro, Bahia e Alagoas, com desmate ilegal de espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção, em especial o pau-brasil. A espécie é considerada uma das mais apropriadas para a produção dos arcos e outros acessórios de instrumentos musicais de corda. Em geral, eram exportados toretes ou varas de madeira, para posterior produção dos arcos. PF/Ibama São cumpridos 37 mandados de busca e apreensão expedidos pela Vara Federal Criminal de Linhares, no norte do Estado, 31 deles no Espírito Santo, nos seguintes municípios: Domingos Martins (2) e Santa Teresa (1), na região serrana, e Linhares (2), Joao Neiva (5) e Aracruz (21), no norte. No Rio de Janeiro, foi cumprido mais um, em São Gonçalo; na Bahia foram cinco, em Camacan; e em Alagoas, mais dois, em Coruripe. A grande quantidade de mandados a serem cumpridos levou à reunião de policiais federais lotados na Delegacia de Repressão aos Crimes contra o Meio Ambiente (DELEMAPH), de outros 50 policiais do Rio de Janeiro, Bahia e Alagoas, além de 32 servidores do Ibama. Entre os delitos listados, estão crime contra a flora e a administração ambiental, e outros ambientais. Além do cumprimento das ordens judiciais, a operação teve objetivo de “obter novos elementos de prova para desmantelar por completo o grupo criminoso”, destacou a PF. Investigações anteriores Quase extinta nos primeiros anos da chegada dos colonizadores europeus, que visavam a extração de pigmento vermelho de seu tronco, para utilização na indústria de tingimento (os mantos dos monarcas utilizavam muito pigmento de pau-brasil), o pau-brasil é chamado, em tupi-guarani, de Ibirapitanga, junção de “ybirá” (árvore) e “pitanga” (vermelho). Daí o nome da operação. Nessa fase II, foi dada continuidade às investigações iniciadas pelo Ibama no âmbito da Operação “Dó ré mi”, que resultaram em apreensões de mais de 42 mil varetas de pau-brasil, além de mais de 150 toretes. “No ano passado, quando da deflagração da primeira fase, foram apreendidas outras 32 mil varetas e 85 toretes”, informou a PF. Já naquele momento, foram descobertos indícios que apontavam para a existência de uma associação criminosa envolvendo extratores, transportadores, intermediários, atravessadores, arqueiros e empresas de produção e exportação de acessórios de instrumentos musicais de corda. Os criminosos extraíam o pau-brasil clandestinamente de Unidades de Conservação Federais, especialmente do Parque Nacional do Pau-Brasil, em Porto Seguro, sul da Bahia, em seu beneficiamento. Parte da madeira era transformada em arcos de violino e contrabaixo e parte em varetas (produto não finalizado). A venda era feita basicamente para o exterior, “sem qualquer controle das autoridades brasileiras, mediante a burla nos canais de fiscalização da Receita e do Ibama”, assinala a PF. PF/Ibama Lucros milionários No Brasil, informa a nota, as varetas são adquiridas por valores que giram entre R$ 20,00 e 40,00, ao passo que os arcos podem ser comercializados no exterior por até U$ 2,6 mil ou R$ 14,6 mil. A PF e o Ibama explicam que, tendo como referência somente as 74 mil unidades de varetas/arcos já apreendidas no curso da investigação até a deflagração da primeira fase e considerando um valor final de mercado médio de US$ 1 mil por cada arco de violino comercializado no exterior, estima-se que os valores finais poderiam alcançar cerca de R$ 370 milhões. “Trata-se de uma avaliação módica, já que esses instrumentos podem alcançar valores de mercado muito maiores como os verificados em algumas lojas americanas que negociam o arco de violino feito de Pau Brasil por até US$ 2,6 mil, ou seja, mais de R$ 14 mil”, ressalvam. PF/Ibama Perícia e parceria Apoiando as investigações, a Perícia Criminal da PF utilizou um novo procedimento para determinar a procedência da madeira apreendida ao longo das ações da polícia. Trata-se da técnica conhecida como análise de isótopos estáveis. De posse de amostras da madeira apreendidas na primeira fase, foi possível aos peritos criminais determinarem a origem da madeira ilegalmente extraída, como sendo o Parque Nacional Pau-Brasil em Porto Seguro, Unidade de Conservação Federal onde a retirada das árvores é terminantemente proibida. Buscando o maior alcance possível, a PF no Espírito Santo estabeleceu parceria com a U.S. Fish and Wildlife Service, agência do Governo dos Estados Unidos dedicada à repressão dos crimes envolvendo a pesca, a vida selvagem e os habitats naturais. Como os arcos produzidos com Pau-Brasil ilegalmente extraído são destinados ao exterior, em grande parte, aos Estados Unidos, a agência foi acionada, na primeira fase da operação, para apoiar as ações da PF naquele país, visando verificar a legalidade das importações e a existência de ramificações do esquema criminoso em território norte-americano. PF/Ibama Os investigados poderão responder pela prática de associação criminosa (art. 288 do Código Penal), contrabando (art. 334-A do Código Penal), crimes contra a flora (Art.40, § 2o, combinado com Art. 53, II, “C” da lei 9605/98), por outros crimes ambientais (Art. 60 da lei 9605/98) e contra a administração ambiental (Art. 69 da lei 9605/98), com penas combinadas que podem ultrapassar 15 anos de prisão. Por parte do produto do crime ter sido enviado ao exterior e por se tratar de espécie em extinção, a pena poderá ser agravada. Bioma mais ameaçado do país A Mata Atlântica é o bioma mais ameaçado do País, sendo considerado um dos 34 hostpots do mundo, ou seja, os ecossistemas ao mesmo tempo mais ricos em biodiversidade e mais desmatados do planeta. São 17 estados sob domínio da Mata Atlântica, incluindo o Espírito Santo, um dos que estão totalmente inseridos nele, concentrando cerca de 70% da população brasileira, que dependem diretamente dos serviços ecossistêmicos prestados pela floresta, como produção de água e solo, purificação do ar e regulação do clima. Apesar da
Juventude negra: marcha sairá da Praça Costa Pereira rumo ao Mucane
Ato que marca luta contra o extermínio da juventude negra terá como tema: “nascem milhares dos nossos cada vez que um nosso cai” A 15ª edição da Marcha Estadual Contra o Extermínio da Juventude Negra terá como ponto de partida a Praça Costa Pereira, no Centro de Vitória, com concentração às 14h. De lá, os manifestantes seguirão rumo ao Museu Capixaba do Negro (Mucane), no Parque Moscoso. Com o tema “nascem milhares dos nossos cada vez que um nosso cai”, o ato será realizado no próximo dia 19 (sábado), véspera do Dia da Consciência Negra. A manifestação, realizada pelo Fórum Estadual da Juventude Negra do Espírito Santo (Fejunes), sempre ocorreu no dia 20, mas este ano não será possível, devido à realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O tema, que representa a continuidade histórica da luta antirracista, “traz nossa principal pauta, o direito à vida para a juventude negra, cláusula pétrea da Constituição de 1988 que ainda não foi efetivada”, aponta Filipe Lima, um dos integrantes do Fejunes. O Fórum se articula com o Movimento Negro do Espírito Santo para cobrar do poder público o cumprimento de direitos sociais previstos na Carta Magna. “Em síntese, consideramos que os investimentos públicos nas áreas sociais são insuficientes para atender às demandas da população em geral. Outra pauta não menos importante é a defesa e ampliação da Lei de Cotas, que este ano se encontra em revisão”, destaca Filipe. Depois de sair da Praça Costa Pereira, os participantes passarão pelo Bar da Zilda, rua Sete de Setembro, Praça Ubaldo Ramalhete e Avenida Jerônimo Monteiro. O trajeto, segundo o presidente do Conselho Estadual da Juventude (Cejuve) e integrante do Fejunes, Ramon Matheus, vai ao encontro da necessidade de um olhar mais atento para as comunidades periféricas, por isso, passará pela escadaria da Piedade. Incluir o Bar da Zilda, afirma, trata-se de uma forma de repúdio às retaliações que o estabelecimento vem sofrendo por parte da gestão do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) e por se tratar de “um lugar de resistência da cultura popular capixaba“. Atlas da Violência Para elaborar suas reivindicações, a entidade se baseia no fato de que jovens e negros são as maiores vítimas da violência no Espírito Santo, de acordo com o relatório Atlas da Violência 2021. Segundo o levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 53,35% dos homicídios registrados no Estado entre 2009 e 2019 foram de homens de 15 a 29 anos. Já os negros foram vítimas de quase 78% dos crimes. O mesmo levantamento aponta que, no Brasil, um negro tem 2,6 vezes mais risco de ser assassinado do que um não negro. Para o Fejunes, os dados refletem a desigualdade social, o racismo estrutural e o histórico de negação de direitos à população negra no país. “Infelizmente nosso atual modelo de sociedade privilegia os interesses de uma camada social minoritária, em função da sua condição financeira, em detrimento da maior parte da população, que é composta por pequenos empreendedores e trabalhadores, alimentando assim tanto as desigualdades quanto o racismo”, analisa Filipe. Para ele, a construção de uma sociedade mais igualitária e livre do racismo passa pela redução das desigualdades socioeconômicas, aliada à implementação de políticas públicas voltadas para a população negra que visem reduzir as desigualdades entre brancos e negros. “Isso poderia ser feito de inúmeras formas: posso mencionar o aumento do salário mínimo, mais investimento na educação básica, com o fortalecimento do Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação] nas escolas públicas, maiores investimentos nas políticas de assistência estudantil no ensino superior, ampliação da política de cotas para a pós-graduação e concursos públicos, e a expansão das linhas de créditos para pequenos empreendedores”, exemplifica. Marcha Contra o Extermínio da Juventude Negra será no Território do Bem A organização da Marcha afirma que a ideia é dialogar com as comunidades periféricas sobre violência policial https://www.seculodiario.com.br/seguranca/marcha-contra-o-exterminio-da-juventude-negra-sera-no-territorio-do-bem
Refugiados podem ir para novo abrigo, mas encontram resistência da comunidade
Sociedade civil e poder público buscam dialogar com moradores do bairro Santa Clara, em Vitória, sobre acolhida aos venezuelanos Os venezuelanos da etnia Warao que chegaram a Vitória em agosto podem ir para um novo abrigo em breve. O prédio de uma escola estadual no bairro Santa Clara, nas proximidades do Parque Moscoso, foi cedido para a Prefeitura de Vitória pelo Governo do Estado, com o objetivo de abrigar os refugiados. Entretanto, há resistência de parte dos moradores da comunidade. Por isso, uma comissão formada por representantes do poder público e da sociedade civil busca dialogar com lideranças comunitárias para abordar a necessidade de acolhimento. A representante do Vicariato para Ação Social, Política e Ecumênica da Arquidiocese de Vitória, a assistente social Ana Petronetto, relata que uma das ações já feitas nesse sentido foi um diálogo com o pároco da Catedral Metropolitana de Vitória, Renato Criste, uma vez que a comunidade Santa Clara faz parte da paróquia. A ideia, aprovada pelo sacerdote, é de que seja feita uma conversa com lideranças católicas para que elas possam atuar na região de forma a intervir positivamente na acolhida aos venezuelanos. Ana Petronetto informa que a comunidade está receosa diante de boatos que circulam sobre os Warao. Um deles é de que o venezuelano que estuprou a neta de quatro anos em setembro, em Vitória, fazia parte desse grupo, o que não procede. “É fundamental dissolver boatos contra os venezuelanos. É preciso dialogar com a comunidade sobre a necessidade de receptividade. Eles foram expropriados de suas terras, passaram por um processo de expulsão e a solidariedade é importante”, diz a representante do Vicariato. Ana Petronetto afirma, com base em sua trajetória como assistente social, que quando há instalação de equipamentos voltados para excluídos, como asilos e orfanatos, há inquietação na comunidade. “Mas ao longo do tempo, a gente quebra isso conversando, dialogando, explicando”, aponta. Ela defende que seja feita uma comissão com três moradores do bairro para que possam ser intermediadores entre ele e os Warao, além do diálogo entre a equipe formada pelo poder público e a sociedade civil e as lideranças comunitárias. Cerca de 25 pessoas da etnia Warao foram deixadas na Rodoviária de Vitória, em agosto, trazidas por um ônibus da Prefeitura de Teixeira de Freitas, sul da Bahia. Inicialmente, foram levadas para o Centro Pop, mas depois, encaminhadas para a Unidade de Inclusão Produtiva de São Pedro, conhecida popularmente como Casa Azul, onde permanecem. Entretanto, a coordenadora da Cátedra Sérgio Vieira de Mello pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Brunela Vincenzi, afirma que o espaço não comporta adequadamente o grupo, que hoje é composto por 51 famílias, pois outro grupo chegou depois, também vindo de Teixeira de Freitas. O novo espaço, em Santa Clara, tem uma infraestrutura melhor. Carteira de trabalho Nesta terça-feira (8), os Warao foram encaminhados para emissão da Carteira de Trabalho Digital, na Casa do Cidadão. A ação ocorreu por meio de uma força-tarefa, montada pela Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) em parceria com a Secretaria de Cidadania, Direitos Humanos e Trabalho (Semcid). Nessa segunda-feira (7), foi feita uma oficina preparatória para entrevista de emprego, que contemplou as mulheres venezuelanas. ‘Refugiados venezuelanos precisam de abrigo e alimentação adequada’ Militantes dos direitos humanos acompanham situação do grupo, que foi encaminhado para o Centro Pop de Vitória https://www.seculodiario.com.br/direitos/refugiados-venezuelanos-precisam-de-abrigo-e-alimentacao-adequada Representante da ONU é impedida de entrar em abrigo onde estão venezuelanos Funcionários da Prefeitura de Vitória alegaram que Brunela Vincenzi tem que pedir https://www.seculodiario.com.br/direitos/representante-da-onu-e-impedida-de-entrar-em-abrigo-onde-estao-venezuelanos
‘Esquema vacinal completo, testagem e máscara em ambientes fechados’
Confirmação da subvariante BQ.1 da Ômicron no ES reforça necessidades de medidas de prevenção, orienta Sesa Hélio Filho/Secom O cuidado com as medidas básicas de prevenção à Covid-19 foi recomendado com mais ênfase nesta segunda-feira (7) pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), mediante o registro do primeiro caso, no Espírito Santo, de infecção pela nova subvariante da Ômicron, a BQ,1. O alerta foi feito pelo subsecretário de Estado de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin. A BQ1, informou, tem escape vacinal, mas provoca apenas sintomas leves, não havendo registros de casos graves. No Estado, afirmou Reblin, até o momento não houve aumento de internações e óbitos. “Tivemos sim nas duas ultimas semanas um pequeno aumento de casos, que muito provavelmente está vinculado a esta nova variante”. A principal recomendação é pela atualização do esquema vacinal. “É importante que você que procure um serviço de saúde para atualizar o seu cartão de vacina e tome todas as doses recomendadas para você”. A testagem é outra medida essencial. “Se achar que tem sintomas ou se expôs a algum risco, faça um teste. Procure o município ou os pontos sob gestão do Estado para fazer teste”, pediu o subsecretário. As máscaras, acrescentou, também são bem-vindas. “Se sentir mais seguro, quando for frequentar ambientes com mais pessoas, use a máscara, assim você estará protegendo a sua saúde e dos seus familiares”. Em suas redes sociais, a professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e doutora em Epidemiologia Ethel Maciel lembra que, à exceção dos imunossuprimidos, as doses necessárias atualmente são: quatro doses para maiores de 40 anos; três doses para pessoas entre 12 e 39 anos; e duas doses para crianças de cinco a 11 anos. A quinta dose, no momento, é recomendada para imunossuprimidos acima de 18 anos, que tomaram a quarta dose há, pelo menos, quatro meses. Variante se espalha pelo país Conforme noticiado pela BBC Brasil, a nova variante da Ômicron foi identificada no Rio de Janeiro pela Fundação Oswaldo Cruaz (Fiocruz) no último sábado (5) e já havia sido encontrada no Amazonas em 20 de outubro, o que fortalece a suposição de que ela circula em diferentes locais do país. A paciente diagnosticada no Rio de Janeiro, segundo o secretário municipal de Saúde da capital fluminense, Daniel Soranz, é uma mulher de 35 anos, moradora da zona norte e sem sintomas graves. “Ela já estava com as quatro doses da vacina, então os sintomas são leves e similares a infecções por outras variantes. A paciente não havia viajado, o que significa que essa variante já causa transmissões localmente”. De acordo com o infectologista Alberto Chebabo, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, a BQ.1 “é a mesma cepa que circula hoje na Europa e causou o aumento de infecções em países como Alemanha e França”. Não há mudanças em relação aos sintomas, que continuam sendo, para a maioria dos pacientes, dor de cabeça, tosse, febre, dor de garganta, cansaço, perda de olfato e paladar. A característica principal que a difere de outras cepas, explica o médico, é um escape muito maior da proteção das vacinas. No Rio de Janeiro, de acordo com Soranz, dos 47 pacientes internados na cidade, 92% não tomaram a dose de reforço ou nenhuma outra dose da vacina. O infectologista Alberto Chebabo indica que o aumento de casos ainda deve seguir acontecendo nas próximas três a quatro semanas. “Será o resultado da circulação da nova variante associado a outras questões, como confraternizações de fim de ano e até fatores da vida que seguiu normalmente, com muitas pessoas sem usar máscara em locais de trabalho, por exemplo.”
Tamanho reduzido
Foi mais suada que o previsto, porém, reeleição de Casagrande entra no bloco das “boias de salvação” do PSB no País. E os próximos anos? Hélio Filho/Secom Com o pior desempenho nas eleições ao Congresso Nacional deste ano junto com o PSDB e uma derrota histórica ao Governo de Pernambuco, depois de 16 anos consecutivos de hegemonia, o PSB agora se agarra nas vitórias nos estados para tentar retomar campos nos próximos anos. Embora mais suada do que o previsto, a reeleição de Renato Casagrande entra no bloco das “boias de salvação” que restaram do pleito, junto com João Azevedo, na Paraíba, fatura também liquidada no segundo turno, e Carlos Brandão, no Maranhão. Na Câmara dos Deputados, a bancada teve redução drástica: elegeu 32 parlamentares em 2018, número que caiu para 24 no decorrer da atual legislatura, e passará para 14 em 2023. O Espírito Santo também teve desempenho aquém do projetado nesse campo, reelegendo somente Paulo Foletto, mesmo assim, com votação sem destaque: 48,7 mil, ocupando a nona das dez posições entre os eleitos. A expectativa era de que a legenda de Casagrande fizesse duas cadeiras. Já no Senado, a única vaga do PSB será de Flávio Dino, ex-governador do Maranhão, que se filiou no ano passado. Por aqui, como se sabe, Casagrande formou chapa com a senadora Rose de Freitas (MDB), que perdeu para o candidato do bolsonarismo, Magno Malta (PL). Na primeira fase da disputa, contra todas as pesquisas, o governador tomou um balde de água fria e não levou o pleito. Depois, com uma campanha estratégica e na área de ataque, venceu mais uma vez Carlos Manato (PL), aliado do presidente Jair Bolsonaro (PL), por 53,8% a 46,2%. Um alívio para a Nacional, que, diante do atual cenário, já debate como irá refazer a rota, a partir de 2024. No Estado, entretanto, o tabuleiro sai da área partidária, para contemplar, também, o amplo leque de aliados, com reflexos na próxima disputa municipal. Do PSB, mesmo, quem virá por aí? Terreno Em 2020, o partido de Casagrande elegeu 13 prefeitos, o maior número do Estado, mas todos no interior. Nos principais municípios da Grande Vitória, já tem apoios sinalizados para 2024, de aliados que atuaram intensamente nessas eleições. Pula para próxima nota… Terreno IIArnaldinho Borgo (Podemos), em Vila Velha; João Coser (PT), cotado para enfrentar novamente Lorenzo Pazolini (Republicanos) em Vitória; Euclério Sampaio (União), em Cariacica; e o grupo de Sérgio Vidigal (PDT) na Serra – a principal liderança do PDT no Estado já disse que não tentará a reeleição, mas, certamente, terá um candidato para chamar de seu. ApostasSó para relembrar, os aliados da linha de frente que ficaram para atrás na disputa à Câmara Federal, foram, nesta ordem: Freitas, com 36,7 mil votos; Givaldo Vieira, com 33,4 mil; e a vice-governadora, Jacqueline Moraes, com 29,8 mil. Três nomes conhecidos do mercado e com visibilidade da máquina. E o PSDB? O partido elegeu Eduardo Leite ao governo do Rio Grande do Sul; Raquel Lyra, em Pernambuco; e Eduardo Riedel, no Mato Grosso do Sul. Não fez senador novo, e considerando a federação com o Cidadania, teve a bancada da Câmara reduzida de 37 parlamentares eleitos em 2018, para 29 na atual bancada, e agora para 18. E o PSDB II?No Espírito Santo, outro revés, agravando um cenário que já vem de anos. Com chapa formada pelo campeão de votos à Assembleia em 2018, Sergio Majeski, o ex-deputado e ex-prefeito de Vila Velha Max Filho, e o presidente da Câmara da Serra, Rodrigo Caldeira, o ninho tucano era considerado presença certa na Câmara. Mas não elegeu ninguém. O mais votado foi Majeski, com 40,1 mil. 3 x 3Na Assembleia, o PSB saiu de uma bancada de cinco deputados para três: Tyago Hoffmann, Janete de Sá e Dary Pagung, os dois últimos reeleitos. Já o PSDB terá Vandinho Leite, reeleito, e Mazinho dos Anjos, enquanto o Cidadania garantiu a permanência de Fabrício Gandini. SubiuA propósito, o ex-deputado estadual Sandro Locutor (PP), derrotado nas eleições à Assembleia, voltou a receber abrigo no governo do Estado logo depois da votação, e já subiu de posto. Ele foi exonerado do cargo em comissão de assessor especial nível III, da Secretaria da Casa Civil, e nomeado, nesta segunda, para o cargo de subsecretário da pasta para Relações Institucionais. ‘Ninguém sabe, ninguém viu’Quem esteve em alguns supermercados na manhã desta segunda-feira (7), em Vitória, ouviu nos corredores comentários de que clientes ligaram logo cedo para saber se os estabelecimentos estariam abertos. Motivo: o tal anúncio de greve geral feito por grupos bolsonaristas, ainda contra o resultado eleitoral. Tudo funcionando normal. Mas, afinal, e as adesões, quais foram? Segue…No convite espalhado pelas redes sociais, a convocação, de alcance nacional, era para que todos os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro fechassem o comércio, a indústria, escolas e faculdades na Grande Vitória e interior. Mas não teve o efeito anunciado. Nas redes“Vamos ter capixaba pocando na Copa do Mundo do Catar. O atacante Richarlison foi convocado pelo técnico Tite e vai vestir a amarelinha na busca pelo hexa. Orgulho de Nova Venécia e do ES. Traz o hexa pra gente, garoto! Voa, Pombo!”. Renato Casagrande, governador pelo PSB. FALE COM A COLUNA: medeirosmanaira@gmail.com
Trotes
Prática de universitários é hoje uma das coisas mais controversas que existem O trote universitário é hoje uma das coisas mais controversas que existem. Já fui universitário, tive o meu trote, mas não foi como os praticados atualmente. Os trotes universitários de hoje são praticados por jovens que são produtos do meio. Violentos, ignorantes, egoístas e irresponsáveis. Por exemplo: recentemente, foi realizado um organizado por universitários que acabou em tragédia, quando um aluno foi deixado em coma por conta de abusos dos colegas. O caso aconteceu em Ouro Preto. Minas Gerais. Ayrton Carlos Almeida Veras havia saído do Maranhão para realizar seu sonho de estudar engenharia na Universidade Federal de Ouro Preto e ficou em coma. Após esse caso, entidades estão cobrando providências das universidades no sentido de se coibir qualquer tipo de trotes, como esse recente. O trote persiste desde a Idade Média. E por ser um ato tão medieval, velho na concepção, precisa ser renovado, modificado. Que se faça um trote cultural, por exemplo. Desenvolva-se isso. Um trote sobre a cultura do calouro. Mas os veteranos, os que fazem o trote, teriam quer ser mais cultos que os calouros, e isso não se aplica atualmente. São incultos tanto quanto. É o estudante brasileiro! PARABÓLICAS Com o retorno do animador Ferreira Neto, o narrador Paulo Duarte deixou de apresentar o programa de variedades nas manhãs da Rádio ES. Claudio DJ mandou dizer que não está sumido. Está atuando na 87 FM de São Mateus, mostrando toda sua experiência e talento. Quem continua firme e forte na CBN é Vitor Lima. Já é considerado um veterano pelos anos trabalhados na Gazeta. Falar em CBN, parabéns também a Fernanda Queiroz pelo trabalho esmerado no jornalismo da emissora. ACESSEhttp://jrm50anos.blogspot.com.br/O rádio do ES na visão de JRM ACESSE: TRADUÇÃO JRM YOUTUBE https://www.youtube.com/watch?v=Lt7oj8euTfMFrank Sinatra – My way MENSAGEM FINALNa diplomacia cumpra as formalidades, nunca se preocupe com as moralidades. Mark Twain
Extrema direita amplia agressões no Estado e ameaça professores do Ifes
Professores do Campus de Venda Nova se sentem ameaçados desde a realização de um evento relacionado à LGBTQIAP+ Professores do Instituto Federal de Educação (Ifes), do campus de Venda Nova do Imigrante, região serrana do Estado, passaram a ser alvo de agressões de grupos de extrema direita apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL). As ameaças ocorrem em redes sociais, com o uso de termos usados na onda de desinformação, como a “ameaça comunista” e “facção criminosa”, como são tratadas as pessoas contrárias ao atual governo. Os professores registraram um Boletim de Ocorrência (BO) na Polícia Civil, no qual apontam Ivo Modolo, Katia Altoe e Joelsio Mieis, com comentários e postagens nas redes sociais – WhatsApp, Instagram e Facebook – denunciados por injúria, difamação e ofensas. O grupo se junta a outros de extrema direita nos movimentos golpistas financiados por empresários alinhados ao atual presidente, que não aceitam a derrota e se valem de plataformas de desinformação para manipular parte da população. Os denunciados usam termos propagados no período eleitoral e que permanecem mesmo depois de anunciado o resultado das urnas, após a proclamação da vitória do ex-presidente Lula (PT). Nas postagens, se destacam as hashtags #Comunismo #PTFACCAOCRIMINOSA, #liberdade #foracomunismo, #LULACHEFEDAFACCAOCRIMINOSA, PATRIAAMADABRASILBR e #vamosvenceressabatalha. São frases de cunho nazifascista usadas em redes de seguidores de Bolsonaro e inspiradas nos ditadores Benito Mussolini, na Itália, e Adolf Hitler, na Alemanha, e também no brasileiro Plínio Salgado, nas décadas de 20 e 30 do século passado. O professor Willian Ribeiro aponta abuso do poder econômico e crime previsto na Constituição, referindo-se à lista de “segregação empresarial” e à mobilização ocorrida no último sábado (5), sem qualquer comunicação à Polícia Militar, o que é ilegal, por contestar sem nenhuma prova o resultado das urnas. “Eles passaram na via principal, que leva ao hospital, buzinaram de carreta, estouraram rojões, e ninguém faz nada”, lamenta, e aponta a necessidade de uma ação mais enérgica do Estado. “Apesar de Venda Nova ser uma cidade 87,9% de bolsonaristas, eles não podem fazer o que bem entendem e nem a polícia mais tem comando sobre os atos públicos no municípios”, diz o professor. “Se não adotamos uma posição junto às autoridades, isso tende a aumentar”, afirma a advogada Graciandre Pereira Pinto, ela própria uma das atingidas pelo movimento, com o nome em uma lista, juntamente com mais cinco advogados, motivando uma queixa-crime. Segundo ela, mais de 20 pessoas já foram ouvidas pelo Ministério Público. A advogada explica que o movimento dos grupos de extrema direita contra os professores do Ifes ocorre desde junho deste ano, quando foi realizado um evento para debater a pauta LGBTQIAP+. “O Ifes já foi atacado pelo deputado federal Evair de Melo [PP] com dois vídeos tenebrosos, o Rafael Monteiro, que é um dos líderes da extrema direita, psicólogo do Fórum, também fez vídeo atacando. Isso vem dando voz para as pessoas que não conhecem a instituição se sentirem no direito de agredir moralmente e, daqui a pouco, a gente ser agredido nas ruas”. Bolsonaristas estimulam boicote a comerciantes no Estado – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/politica/bolsonaristas-estimulam-boicote-a-comerciantes-no-estado Ifes reage a ataques do deputado Evair de Melo à Semana LGBT – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/educacao/ifes-reage-a-ataques-do-deputado-federal-evair-de-melo
Pazolini ‘comete LGBTfobia institucional’, denuncia vereadora na Câmara
Camila Valadão rechaçou processos movidos contra a ativista Deborah Sabará e o chargista Mindu O processo movido pelo prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), contra a ativista Deborah Sabará e o chargista Mindu Zinek, foi tema de debate entre os vereadores da Capital na sessão desta segunda-feira (7) da Câmara de Vitória. A vereadora Camila Valadão (Psol) apontou que o gestor comete “LGBTfobia institucional ao negligenciar as demandas e pautas relativas à comunidade LGBTQIA+”, tendo seu pronunciamento apoiado pela vereadora Karla Coser (PT), mas rechaçada por vereadores da base aliada. Pazolini move uma ação indenizatória com base em uma arte que repercutiu o caso, também divulgado na imprensa, da fala do secretário municipal de Cultura, Luciano Gagno, de que a comunidade LGBTQIA+ não faz parte da política pública municipal. Essa afirmação foi feita em resposta à solicitação da entidade de auxílio para a 11ª Parada do Orgulho LGBTQIA+, que aconteceu em 31 de julho, tendo, entre os pedidos, disponibilização de palco, iluminação e banheiro, além de recurso financeiro para custear atrações artísticas. Mindu “O prefeito está mais preocupado em perseguir militantes da comunidade LGBTQIA+ e artistas da nossa cidade do que de fato implementar e garantir a execução de políticas públicas para essa comunidade”, disse Camila. A vereadora recordou que, em junho de 2021, seu mandato cobrou do gestor que garantisse o funcionamento do Conselho Municipal dos Direitos da População LGBTQIA+ e nomeasse a coordenação de Políticas de Diversidade Sexual, mas não houve resposta para essas demandas. O primeiro a contestar a fala de Camila foi o vereador Luiz Emanuel Zouain (Cidadania), que tentou explicar a não implementação de ações com foco na comunidade LGBTQIA+ alegando que a gestão ainda está no início. Ele se opôs ao argumentado pela vereadora, de que “não está mais tão no começo assim”, há orçamento próprio, e que o fato de Pazolini “perseguir artistas pela produção de sua arte só demonstra pequenez”. Luiz Emanuel prosseguiu dizendo que o prefeito poderia, inclusive, processar Camila “ou qualquer militante que o acuse daquilo que ele entende que não é”. Gilvan da Federal (PL) também se posicionou contra o chargista e a ativista, referindo-se a ela sempre no masculino, em claro desrespeito à identidade de gênero de Deborah. Defendeu que a ativista “imputou crime a uma pessoa sabidamente inocente e tem que ser preso”. Ele recordou a sessão solene do Dia Internacional da Mulher deste ano, na qual Deborah foi homenageada, e disse que quem tem que ser homenageada é mulher, “e não um homem que tomou hormônio e agora diz que é mulher”. Ignorando toda a atuação da ativista como coordenadora de projetos do Grupo Orgulho, Liberdade e Dignidade (Gold), falou “vai trabalhar, parar de querer viver do dinheiro da prefeitura”. Diante dessas falas, Karla Coser afirmou que Gilvan da Federal é “violento e transfóbico”, que “usa o masculino para chamar a Deborah, que é mulher e mãe e deveria ser respeitada”. A vereadora defendeu que “é dever da arte também denunciar” e que “as atitudes da gestão não são de acolhimento à comunidade LGBTQIA+”. Gilvan continuou as agressões relatando ter recebido uma charge do Mindu na qual, segundo o vereador, o artista “enaltece as vereadoras, colocando os vereadores como porcos”. Por causa dessa charge, ameaçou Gilvan, ele irá processar o chargista. Outros vereadores da base também se posicionaram. André Brandino (PSC) afirmou que, por meio do processo, o prefeito agiu “em legítima defesa”. Duda Brasil (União) disse que chamar Pasolini de LGBTfóbico foi uma acusação “desproporcional, desmedida e desprovida de veracidade”. Armandinho Fontoura (Pode), declarou que os militantes “não têm monopólio da verdade”. Ação Pazolini solicita no mínimo R$ 20 mil de indenização por danos morais para cada um dos requeridos. A petição foi publicada nas redes sociais da Gold, segundo Deborah, para que as pessoas entendessem que a violência contra a comunidade LGBTQIA+ “tem várias vertentes”, como “agressão física, verbal, sexual, familiar, mas também tem a violência institucional, que faz as pessoas sentirem dúvida se sofremos violência ou não”, ressaltou. A ativista afirma temer a decisão da Justiça em relação ao caso. “Quem irá julgar vai ter o olhar de quem sabe que há violência LGBTfóbica de forma institucional?”, questiona, destacando que “a comunidade LGBTQIA+ existe e precisa de políticas públicas”. “Parecem querer calar minha voz. Ele só faz política pública para quem quer?”, indaga. Embora a ação também seja movida em face de Mindu Zinek, ele não foi intimado. A iniciativa do prefeito, denuncia, é uma forma de “censura aos chargistas quando utilizam a arte como forma de denúncia”. Defesas Conforme consta na petição, a charge foi divulgada quando Luciano Gagno pediu exoneração do cargo, após ser chamado de LGBTfóbico pela ativista, “fato amplamente divulgado no meio jornalístico, mas que não diz respeito ao requerente”. Diz também que a acusação feita contra o secretário era “fato não provado” e que Deborah e Mindu chamaram Pazolini de LGBTfóbicoo “de modo a aproveitar a divulgação jornalística para alcançar maior destaque nas redes sociais e prejudicar a imagem e nome do requerente frente aos cidadãos da Capital”, sendo um “ataque vazio e infundado”. A petição aponta que o ocorrido se enquadra no artigo 1º da Lei 7.716/89, a Lei do Racismo. Em agosto, Luciano Gagno retornou para a secretaria de Cultura. Ele havia sido exonerado em oito de julho, após ser denunciado em Boletim de Ocorrência (BO) por LGBTfobia. Em nota, a Prefeitura de Vitória alegou que Gagno tinha sido exonerado “para permitir a investigação isenta de ocorrência registrada na Delegacia Regional de Vitória para apurar suposto preconceito” e que a “autoridade policial não vislumbrou condutas que pudessem caracterizar crime”. Assim, foi feito pedido de arquivamento, acatado pela Promotoria Criminal de Justiça, do Ministério Público Estadual (MPES), no dia 23 deste mês, o que, segundo a gestão municipal, permitiu o retorno do secretário. Entretanto, a defesa da ativista protocolou petição de parecer contrário. A medida visa garantir a devida investigação, coleta de provas e oitiva de testemunhas, o que, segundo o advogado Wesley Tress Monteverde, não aconteceu. “Foi arquivado sumariamente”, contestou. A afirmação do secretário foi feita em reunião realizada com intermédio da Comissão de Direitos Humanos
‘Rio Aribiri e Lagoa Encantada estão sob ameaça do PlanMob’, alertam fóruns
Pedido é por um debate na Câmara antes da votação. PL tem uma via prevista para passar por cima do manguezal Um fantasma voltou a assombrar a luta pela proteção socioambiental de Vila Velha, a reboque das discussões a respeito do Plano Municipal de Mobilidade e Acessibilidade (PlanMob), alertam fóruns populares mobilizadas em favor da criação do Parque Natural da Lagoa Encantada: a previsão de construção de uma via coletora, de aproximadamente 40 metros de largura, ao lado e até mesmo por cima do rio Aribiri, onde nasce a Lagoa Encantada. A lagoa e seus alagados, bem como o manguezal do rio Aribiri, consistem em um dos últimos refúgios naturais da área urbana da cidade, com ocorrências de diversas espécies da fauna selvagem, incluindo ameaçadas de extinção, como lontra e jacaré-do-papo-amarelo. Everton Thiago Um Parque Natural Municipal que proteja toda essa região está em vias finais do processo de criação e deve abranger uma área de 200 hectares. A consulta pública sobre o projeto, encerrada no final de abril, teve em seus relatórios técnicos a orientação para que o PlanMob realizasse as adequações necessárias nas obras previstas, de forma a resguardar as Áreas de Proteção Permanente (APPs) do rio Aribiri e da Lagoa Encantada. A ressalva já havia sido feita publicamente pela então secretária municipal de Mobilidade e Desenvolvimento Urbano (Semud), Milena Ferrari, durante audiência pública do PlanMob realizada no dia três de abril, ao responder a questionamentos feitos por ambientalistas defensores da Lagoa Encantada. “A secretária afirmou que as vias não irão passar por cima do manguezal que liga o rio Aribiri à Lagoa Encantada, nem sobre qualquer outra APP”, relatou, na ocasião, Wilerman da Silva Lucio, membro do Fórum de Desenvolvimento Social, Econômico e Ambiental do Grande Vale Encantado (Fórum Desea), um dos coletivos a trabalhar pela criação do parque junto do Fórum Popular em Defesa de Vila Velha. É ele também quem relata o possível retorno da ameaça neste início de novembro. O texto do Projeto de Lei nº 063/2022, “que dispõe sobre a Política Municipal de Mobilidade e Acessibilidade, aprova o PlanMob e dá outras providências para adequação do Plano Diretor em relação à mobilidade urbana”, que tramita na Câmara, mantém algumas vias sobre APPs importantes, que já haviam sido adequadas e remanejadas, conforme consta no relatório da consulta pública sobre o Parque Natural. “O que a gente consegue enxergar na documentação é isso e estamos preocupados. Houve um compromisso de não avançar sobre as APPs. O PlanMob que consta nessa mensagem tem vias muito próximas e até dentro da Lagoa Encantada, e a gente não sabe se irão passar sobre APPs”. Via coletora, ressalta, é uma obra muito impactante para a biodiversidade local, “principalmente a que está prevista de passar praticamente por cima do rio Aribiri”. Reprodução Em março, o grupo fez um alerta de que essa estrada poderia mesmo decretar a morte do rio, já tão castigado com aterros, retificações, esgoto e outros poluentes. Na ocasião, foi informado que o trecho da estrada proposto para passar ao lado do Atacadão, conectando essa via à Rodovia Carlos Lindenberg, aparece nos mapas históricos do Estado como leito do rio Aribiri. Integrante do Fórum Popular em Defesa de Vila Velha, Irene Léia Bossois ressaltou que uma sugestão feita foi no sentido que essa conexão de vias fosse, minimamente, por meio de um elevado, para não prejudicar a ligação da Lagoa Encantada com o canal do rio. “Porque se não, a gente está praticamente extinguindo um rio”, alertou. Diálogo Após o encerramento da consulta pública sobre a criação do Parque Natural, no final de abril, os próximos passos previstos seriam o encaminhamento, pela Secretaria de Meio Ambiente (Semma), das propostas finais sobre delimitação da unidade de conservação e outras definições, para a Procuradoria do Município e Ministério Público do Estado (MPES), responsáveis pelas avalições fundiárias e outros desdobramentos. Por fim, a prefeitura deve elaborar uma minuta de projeto de lei para criação da UC e encaminhá-la para aprovação na Câmara de Vereadores. Ao que se sabe, o PL ainda não chegou ao legislativo municipal, mas os vereadores estariam sendo pressionados a aprovar o PlanMob com obras que podem violar o parque. Diante da contradição, o pedido é por uma avaliação mais cautelosa do Plano de Mobilidade, expõe Wilerman. “O que a gente pede é que haja um diálogo com a comunidade e não uma votação urgente. Que a Câmara possa dar espaço para a comunidade expressar sua opinião sobre as vias que estão planejadas para a região, dialogar e entrar num consenso”, pondera. Vigília continua Em nota, a Semdu afirmou, a respeito o texto do PL 063/2022 enviado à Câmara, que há uma garantia para evitar tais obras sobre áreas sensíveis, por meio do Art.58, que acrescenta o §5° ao Art. 51, com a seguinte reação: “as vias projetadas previstas nos mapas G e H do Anexo 1 desta lei deverão respeitar os limites das unidades de conservação existentes e as que venham a ser criadas”. Irene Leia reforço o pedido de diálogo com os vereadores, diante da contradição existente no PL que tramita no Legislativo, já que, apesar da ressalva destacada pela Semdu, a via sobre o manguezal do rio Aribiri continua prevista no projeto. A posição dos integrantes dos fóruns populares, afirma, é de continuar tentando o diálogo com os vereadores, para garantir que os compromissos firmados sejam cumpridos. Ameaçadas de extinção, lontras são fotografadas na Lagoa Encantada Presença da espécie, aparentemente em comportamento reprodutivo, reforça importância da criação de um parque natural https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/ameacadas-de-extincao-lontras-sao-fotografadas-na-lagoa-encantada Estrada sobre a Lagoa Encantada até a Leste-Oeste pode matar rio Aribiri Proposta é contrária à remediação da crise climática. Tema deve ser tratado em audiência pública do PlanMob https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/estrada-sobre-a-lagoa-encantada-ate-a-rodovia-leste-oeste-pode-matar-rio-aribiri
O tempo passou e eu não vi
Votamos até para escolher os faxineiros das escolas Talvez estivesse distraída, vendo um filme ou regando as plantas. Não que tenha um jardim à moda dos filmes ingleses. Apenas uns vasos de plantinhas modestas, que se cuidam por elas mesmas e não requisitem minha constante presença. Um dia tive um passarinho numa gaiola – morreu de desgosto porque eu não ligava muito pra ele. O remorso me fez consciente das minhas limitações: lugar de passarinho é no ar, ou pulando de galho em galho e cantando ao nascer do sol. * Talvez estivesse lendo um livro, daqueles que se grudam na gente e não se consegue largar até o final feliz nas últimas páginas. Ou infeliz, também acontece. Mesmo assim, com pena de devolver a quem emprestou ou para a estante de poucos livros – doou ou empresto, poucos voltam -, a gente lê tudo mais que imprimiram, vida e obra do autor, a opinião da editora, os comentários dos críticos esclarecidos, até o ISBN. * Talvez estivesse tentando alguma receita nova de algum novo produto que achei na Internet. Já reparou quantas receitas de bolo as pessoas inventam? Com leite ou sem leite, com ovo ou sem ovo, com farinha ou sem farinha, e por aí vamos, que a imaginação do povo não tem limites. Parece que disputam quem consegue pôr no forno um bolo com menos ingredientes. Outro dia achei um com apenas um ingrediente, mas não conto qual, pois deve ser fake news. * Talvez estivesse contando nuvens. Tem gente que gosta de ver novela; tem gente que gosta de assistir jogo de futebol ou de basquete; tem gente que gosta de fazer palavras cruzadas ou Sudoku. De pescar a pecar, tem de tudo à disposição de todos. Mas que tal ficar na janela ou na varanda contando nuvens? Como demoram a passar, como mudam de forma e de lugar, como engordam ou emagrecem bem na frente dos nossos olhos. Podem até ser úteis, indicando se chove ou faz sol, frio ou calor. As nuvens são, segundo atestam os entendidos, reflexos da alma. * Talvez estivesse esparramada numa poltrona assistindo alguma comédia romântica bem antiga, tipo Greta Garbo (ela fez uma apenas, e muito boa). Quando ela fez o primeiro filme falado, os cartazes anunciavam: Garbo fala! Nessa comédia avisaram: Garbo ri. Talvez eu tenha cochilado e perdi a eleição nos States, uma longa lista de pessoas sobre as quais nada sei, vota-se até para faxineiros das escolas. Tudo bem, daqui a pouco tem outra. Fato é que o tempo passou e eu não vi, mas vamos em frente – o tempo não espera por ninguém.