Fiocruz apresenta análise sobre metilmercúrio em peixes em evento de sete anos do crime da Samarco/Vale-BHP Leonardo Sá As crianças nascidas a partir de 2016 na região contaminada pelo crime da Samarco/Vale-BHP, se expostas com frequência a peixes contaminados por metilmercúrio na fase fetal, já estão provavelmente sofrendo problemas cognitivos e neurológicos. Crianças expostas após o nascimento, adolescente e adultos em qualquer faixa etária, também devem acumular problemas de saúde dessa e de outras ordens, mesmo que de forma menos violenta. O alerta vem da pesquisadora em Saúde Pública da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fundação Oswaldo Cruz (EPSJV/Fiocruz) Ana Cláudia Vasconcellos, uma das palestrantes confirmadas para o evento deste sábado (5), organizado pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) em alusão aos sete anos do maior crime ambiental do país e um dos maiores do mundo. A pesquisadora irá apresentar uma análise sobre os laudos oficiais de contaminação de pescado apresentados em agosto pela Aecom do Brasil, empresa contratada como perito oficial do juízo do caso – 4ª Vara da Justiça Federal em Belo Horizonte, sob responsabilidade do juiz Michael Procópio Ribeiro Alves Avelar – e que já aponta recomendações de restrição de consumo. “O nível de contaminação observado nos peixes predadores é alto o suficiente para provocar adoecimento nas pessoas da região. É preciso agora coletar amostras de cabelo para verificar a contaminação humana”, orienta a cientista. Em sua análise, Ana Claudia considerou a realidade de consumo de peixe nas regiões ribeirinhas e costeiras atingidas e estabeleceu a marca de 50g/dia como baixo consumo; 100g/dia como médio consumo; e 200g/dia como alto consumo. Outra variável importante foi se o peixe consumido é predador ou não. Como o metilmercúrio é bioacumulador, os peixes de topo de cadeia, predadores, acumulam mais o metal tóxico. Para esse grupo de pescado – tucunaré, bagre, traíra, piranha e robalo -, “homens e mulheres estão sob risco de adoecer, mesmo que façam consumo baixo”, sublinha. O cálculo levou em consideração a recomendação da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês), que aponta para problemas de saúde decorrentes do consumo de 0,1g de mercúrio por dia por quilo corporal. Mulheres que comem peixe da região marinha, a uma média de 50g/dia, estão ingerindo duas vezes mais essa quantidade limite estabelecida pela EPA. Quem consome 200g/dia, ingere cerca de oito vezes mais. No caso de peixes da região dulcícola – Cascudo, curimatã e tilápia, por exemplo -, os riscos caem um pouco, pois a água doce tem concentrado menos contaminantes que o mar, mas um consumo alto desses peixes expõe as pessoas um nível de contaminação duas vezes maior que a recomendada. Um agravante se dá em relação às mulheres gestantes, já que o metilmercúrio ultrapassa a placenta, atingindo também o cérebro do feto. “Os efeitos deletérios no cérebro do feto são muito mais graves que nos de adultos, pois está em formação. Crianças que passam por essa exposição pré-natal correm sério risco de desenvolver problemas cognitivos, com perda de inteligência e até retardo mental leve”, alerta. Muitas vezes, ressalta, podem ser problemas sutis, que não chegam a ser clinicamente detectáveis, mas que afetam por exemplo o desempenho escolar, com dificuldade de concentração nos estudos. E são problemas que acompanham a criança durante toda a sua vida. “Perda cognitiva é irreversível e um comprometimento que vai afetar a vida acadêmica, profissional, e pode até afetar a expectativa de vida dessa pessoa”. No indivíduo adulto, a ciência considera outras consequências na saúde, como alteração do campo visual e da audição, aumento da agressividade, transtorno de sono, tremores e perda de coordenação motora. “Fala-se menos dos efeitos no sistema cardiovascular, mas já se sabe que quem ingere diariamente metilmercúrio tem alteração da pressão arterial, com riscos de infarto”. Diante dos dados, a recomendação inicial é, além da realização de estudos nas pessoas, suspender o consumo de peixes predadores e reduzir a ingestão de peixes não predadores. “O mais prudente é o consumo apenas de peixes não predadores. Se a mulher está gestante, o melhor é não consumir nenhum peixe ou, no máximo, uma vez por semana”, pondera a pesquisadora. O metilmercúrio, salienta, é umas das formas orgânica do mercúrio e é a mais perigosa para a saúde, tendo sido responsável pelo desastre de Minamata, no Japão. Até mesmo os estudos científicos sobre esse metal são perigosos e feitos de forma muito cautelosa, tendo havido caso de morte de uma pesquisadora nos Estados Unidos. Nos rejeitos de mineração da Samarco em Mariana, a cientista explica que o metilmercúrio encontrado pela perita judicial Aecom do Brasil no tecido muscular e vísceras dos peixes coletados na área atingida no Espírito Santo é classificado, no estudo, como Tipo 2, ou seja, é formado a partir de transformações químicas sobre o mercúrio, este, classificado como Tipo 1, pois é diretamente ligado ao rejeito da barragem. A presença do mercúrio no rejeito, por sua vez, tanto pode ter origem natural, por estar presente no solo da região, quanto pode ser um dos resquícios da mineração do ouro que foi feita de forma intensa no Quadrilátero Ferrífero mineiro em tempos passados. Sete anos O evento acontece neste sábado, no tradicional Buraco do Tatu, em Itaúnas, vila pesqueira em Conceição da Barra, no norte do Estado. O lema é “Rio Doce 7 anos de luta por Justiça! Plantar organização, colher Vitórias! Atingidas e Atingidos fazem sua história!”. A programação começa às 9h, com debates. Além de Ana Claudia Vasconcellos, outra palestrante confirmada é Lidiene Cardoso, coordenadora da Adai, entidade que prestará Assessoria Técnica aos territórios atingidos no Espírito Santo. O evento se encerra com um almoço e apresentações culturais. Em Mariana (MG), o evento em alusão aos sete anos aconteceu nesta quinta-feira (3). A última cidade será Caratinga, onde será realizado na tarde de sábado, no distrito de Ilha do Rio Doce. Justiça exige medidas urgentes sobre pescado contaminado Preocupados com aumento de câncer e mortalidade, pescadores pedem estudos e avaliações médicas dos atingidos https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/justica-exige-medidas-sanitarias-e-ambientais-urgentes-sobre-pescado-contaminado
‘Plantações de eucalipto podem amplificar problemas das mudanças climáticas’
Estudo da USP aponta elevado consumo de água dos monocultivos. No ES, eles crescem quatro vezes mais que a floresta Leonardo Sá “As plantações florestais de rápido crescimento podem consumir quase o mesmo volume de água que a chuva traz para algumas bacias nas fases de pico de crescimento. Portanto, se as plantações de eucalipto não forem bem planejadas, alguns dos problemas mais importantes apresentados pelas mudanças climáticas, que são as secas, poderão ser amplificados”. O alerta é do professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP) Pedro Brancalion, em matéria publicada nessa quinta-feira (3) no portal de notícias da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O professor integra um time de pesquisadores brasileiros e franceses que atua em um estudo sobre as vantagens de aumentar o número de espécies utilizadas nos plantios comerciais de árvores do Brasil e outros países, como França e Suécia. Os cientistas partem do pressuposto de que, quanto mais diversificado, mais resiliente é o ambiente em relação às mudanças climáticas. “A maioria dos clones de eucalipto em uso hoje no Brasil é ótima para crescimento rápido, desde que haja disponibilidade de água suficiente. Em eventos de seca severa, cada vez mais frequentes com as mudanças do clima, os eucaliptos e outras espécies comerciais podem secar e morrer, bem como reduzir a oferta de água para as pessoas. Por isso é preciso buscar meios de tornar as plantações florestais mais resilientes à seca e econômicas no uso da água”, afirmou Brancalion, durante palestra no evento “Climate change and biodiversity scientific cooperation day”, realizado em 20 de outubro, no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), pela Fapesp e os consulados gerais da França e da Alemanha em São Paulo. “A expectativa é que quanto mais espécies uma floresta [plantio comercial de árvores] tiver, melhor será seu funcionamento e sua resiliência às mudanças climáticas, pois usará de forma mais eficiente recursos ambientais como a água”, explicou, na ocasião. Conforme registrou a Agência Fapesp, um dos objetivos do projeto de pesquisa é “testar essa teoria ecológica e ampliar a base de conhecimento para promover plantações florestais mistas”. Assim, Brancalion e outros pesquisadores da Esalq-USP e do Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (Cirad), da França, conduzem um experimento em larga escala inédito no Brasil, em uma área de seis hectares da Estação Experimental de Ciências Florestais da Esalq-USP em Itatinga, no interior paulista. O projeto experimenta 150 diferentes formatos de silvicultura, comparando as performances conforme o número de espécies utilizado, desde uma única (monocultivo) até seis diferentes espécies, entre exóticas e nativas da Mata Atlântica e do Cerrado. Conforme publicação da Agência Fapesp, o projeto integra uma rede de experimentos voltados a entender os impactos da diversidade de árvores no funcionamento de ecossistemas, chamada TreeDivNet. “A rede abrange outros experimentos estabelecidos na Áustria, Suécia, Bélgica, Alemanha e França. Além disso, conta com a participação não só de universidades e instituições de pesquisa, como também de coalizações do setor florestal”. Ainda segundo a Agência, no Brasil, há cerca de 10 milhões de hectares de plantações comerciais de madeira, dos quais aproximadamente 80% são compostos por eucalipto destinado majoritariamente à produção de papel e celulose. Mais da metade dessas plantações de eucalipto, assinala, usam um único clone (plantas com a mesma composição genética). Um dos conteúdos auxiliares ao projeto, disponível no portal da Fapesp – Plantações florestais mistas para a mitigação e adaptação às mudanças climáticas, MixForChange – ressalta ainda que “um crescente corpo de evidências sugere que plantações florestais mistas, isto é, plantações onde várias espécies de árvores são misturadas, podem ser mais eficientes no sequestro de Carbono”. Outro conteúdo auxiliar – Perspectivas dos tomadores de decisão sobre plantações mistas de árvores no cenário de mudanças climáticas – afirma que, “apesar das evidências científicas sobre as vantagens das plantações de árvores mistas, as monoculturas convencionais ainda prevalecem em todo o mundo” e que “a expansão das plantações mistas depende da mudança na forma como vários tomadores de decisão, como proprietários de terras, empresas florestais e governos, tomam decisões”. Nesse sentido, o estudo pretende “compreender quais são as principais restrições e oportunidades para expandir plantações mistas no Sudeste do Brasil, França e Suécia”. Apesar de propor apenas uma mudança pequena no perfil dos desertos verdes que se expandem velozmente na maior parte dos biomas brasileiros – inclusive na Mata Atlântica, o mais ameaçado do país e um dos mais reduzidos do mundo, segundo levantamento do MapBiomas – ao pretender introduzir meia dúzia de espécies aos monocultivos exóticos, o trabalho abre algumas janelas de discussão importantes. Um dos principais certamente é derrubar o mito que insiste em ser defendido pelas gigantes do setor de silvicultura – representado no Espírito Santo pela líder mundial desse mercado, Suzano (ex-Fibria e ex-Aracruz Celulose) – de que o eucalipto não é inimigo dos recursos hídricos e não seca o solo onde se instala. Quilombos são melhor alternativa socioambiental O hidrocídio promovido pelos monocultivos de eucalipto no norte do Estado é relatado com riqueza de detalhes pelas comunidades quilombolas do Sapê do Norte, localizadas nos municípios de Conceição da Barra e São Mateus. Resistindo há mais de meio século em seu território ancestral, já reconhecido pela Fundação Palmares, pelo Ministério Público Federal e pela Justiça, as comunidades empreendem retomadas de seu território e diversas iniciativas de recuperação das nascentes, lagoas e córregos, secos às centenas pelo deserto verde de eucaliptais. Qualquer vistoria técnica honesta no território pode evidenciar que, em se tratando de escolher qual a melhor ocupação do solo na região, as agroflorestas e roças agroecológicos erguias pelas comunidades quilombolas ganham de goleada sobre os monocultivos comerciais da Suzano. Do ponto de vista humano, igualmente mais vantajoso, já que os plantios quilombolas garantem segurança alimentar e evitam o êxodo rural de populações socialmente vulneráveis que, quando impedidas de se manterem em seu território, vão inchar as periferias das cidades do norte e da região metropolitana do Estado. Há ainda o agravante legal do conflito fundiário em questão. Conforme denunciado pelo
Moradores da Ilha de Santa Maria questionam fechamento de CMEI
Centro de Educação Infantil em Vitória não aceitará novas alunos. Comunidade se reunirá com a secretária Juliana Rohsner O anúncio do fechamento do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Luiz Carlos Grecco, na Ilha de Santa Maria, em Vitória, gerou indignação entre os moradores da comunidade. Eles foram informados de que os atuais alunos irão prosseguir na escola em 2023, mas a unidade de ensino não receberá novas matrículas. Assim, à medida que os estudantes forem avançando e indo para o ensino fundamental, turmas serão fechadas, até que não haja mais nenhum aluno na escola, encerrando suas atividades. O argumento da gestão de Lorenzo Pazolini (Republicanos), segundo a ajudante de cozinha Rosana Ferreira dos Santos, que tem filhos matriculados na escola, é de que o custo para manutenção do espaço é alto para o número de estudantes. Rosana informa que são quatro turmas com cerca de 15 alunos cada, contemplando crianças entre dois e seis anos. Não há alunos na faixa etária entre seis meses e um ano de idade. As opções de CMEI dada aos moradores que querem matricular seus filhos em 2023 são na Ilha de Monte Belo, Jucutuquara e Avenida Vitória. Como o Luiz Carlos Grecco atende aos moradores da parte alta da Ilha de Santa Maria, eles teriam que subir e descer morro ao levar e buscar as crianças na escola, algumas vezes, com elas no colo. Entretanto, de acordo com Rosana, muitas famílias dependem de pessoas idosas, como as avós, para essa tarefa, que passa a ser mais difícil devido à necessidade de esforço físico. Outro problema apontado é o investimento que as famílias terão que fazer em transporte escolar diante da possibilidade de que não haja pessoas que possam levar nem buscar as crianças. O assunto será discutido na próxima terça-feira (8), às 19h, no CMEI, em uma reunião entre a comunidade e a secretária municipal de Educação, Juliana Rohsner Vianna Toniati. Mas, segundo Rosana, a gestora tem se mostrado irredutível na decisão de não abrir novas matrículas para, futuramente, fechar a escola. Caso essa postura permaneça, os moradores da comunidade não descartam a possibilidade de fazer manifestações. Além do não fechamento, a comunidade reivindica que o CMEI volte a funcionar como antes da pandemia, quando havia turmas em horário integral e também nos turnos matutino e vespertino. Agora, não há possibilidade de ensino integral. A partir do ano que vem, as opções serão ainda mais restritas, pois a oferta será somente no período da tarde. Essa situação, afirma Rosana, prejudica principalmente as mães que trabalham o dia inteiro, necessitando de turmas em horário integral para conciliar seu trabalho com os estudos dos filhos.
‘Uni-duni-tê’…
Pasta da Saúde em debate: além de Nésio Fernandes e Tadeu Marino, outro nome surge nos bastidores: Emilio Mameri Tati Beling/Ales Logo após ser confirmada sua reeleição nas urnas, o governador Renato Casagrande (PSB) deixou claro que serão efetivadas mudanças no secretariado, a partir de 2023. Não disse em qual pasta, nem quem, mas apontou: “novo governo, nova composição”. O cenário já era de se esperar, até porque, o governador tem pela frente a missão de contemplar aliados que integraram sua frente ampla de, nada menos, 11 legendas! Enquanto todas as secretarias a serem mexidas não são divulgadas, uma que já estava nas rodas de conversas, é cada vez mais alvo de sinalizações. Trata-se, com certeza, da Saúde! Nésio Fernandes passou os últimos anos levando bomba para todo lado e virou umas das principais munições utilizadas pelos bolsonaristas para atacar Casagrande, dentro do discurso de “comunismo”, “médico cubano”, e afins. Quadro do PCdoB, também enfrentaria resistências na própria classe médica, que, não é novidade, tem muitos apoiadores do presidente da República e ainda de prefeitos da mesma linha ideológica. Nésio está de férias desde o início da campanha do segundo turno, tudo indica, estrategicamente, período que acaba de ser renovado. Retornará ao cargo, portanto, já no final da gestão. Até lá, a cadeira tem sido ocupada pelo subsecretário de Planejamento da Sesa, Tadeu Marino, conhecido da área. Nos bastidores, é considerado um nome que agrega essas divergências, reduzindo ruídos e danos. Mas e no próximo ano, como ficará a Secretaria de Saúde? Nésio seguirá no comando? Tadeu subirá ou permanecerá como sub? Paralelamente, outra pessoa já apareceu no mercado como cotado: o deputado estadual Emilio Mameri. É médico, do PSDB, partido aliado ao governo, e tem experiência em gestão na Saúde: atuou com diretor do Hospital das Clínicas e foi secretário da pasta em Vitória. Outro ponto: não conseguiu se reeleger e deixa a Assembleia Legislativa no final deste ano. Seguimos de olho! DestinoA possível saída de Nésio, que não há como negar, para fora, mostrou uma gestão responsável, deixa dúvidas, também, sobre sua outra alternativa de acomodação no próprio governo. Há meses, comenta-se que o interesse dele seria ocupar um cargo na gestão federal de Lula (PT). Além integrar legenda aliada, ele preside, desde março, o Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass). Até agora, porém, sem sinais claros nesse sentido. ‘Em casa’Tadeu Marino, como se sabe, é outro que tem familiaridade com a gestão pública e com a pasta. Ele comandou a Secretaria Estadual de Saúde na primeira gestão de Casagrande e, na atual, foi nomeado subsecretário. Inicialmente, foi designado para o cargo até o dia 31 de outubro, período que acaba de ser renovado, sem indicar o final. BancadaJá Mameri, para além dos cargos nessa área citados acima, se despede do seu primeiro mandato na Assembleia. Com 16,3 mil votos, ficou na primeira suplência. O PSDB reelegeu Vandinho Leite, com 29,1 mil votos, e elegeu o ex-vereador de Vitória, Mazinho dos Anjos, com 20,7 mil. Nenhum dos dois com previsão de abrir espaço para Mameri. AbrigosEntre os aliados mais próximos de Casagrande, também deverão ser acomodados em cargos de destaque, todos do PSB, a atual vice-governadora, Jacqueline Moraes (PSB), e os deputados estaduais Freitas e Bruno Lamas. Os dois primeiros tentaram a Câmara Federal e Lamas a reeleição, sem êxito. Dança das cadeirasFreitas ficou na primeira suplência, com 39,7 mil votos, enquanto Jacqueline na terceira, com 29,8 mil. Antes dela, Gilvaldo Vieira, que já retornou ao cargo de diretor do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-ES). Nas últimas eleições, uma mexida no tabuleiro de aliados permitiu que Freitas, também na suplência, assumisse a cadeira de Lamas, nomeado secretário. A conferir, agora, a próxima dança das cadeiras. EspaçosOutra certeza é a participação do PT na gestão estadual. Depois de sacrificar a candidatura ao governo do senador Fabiano Contarato, o partido fez campanha intensa para Casagrande no segundo turno. A contrapartida vem, mas com quem? Espaços IIOs nomes atuantes da legenda hoje foram eleitos. O deputado federal Helder Salomão, campeão de votos, a presidente estadual, Jacqueline Moraes, também à Câmara, e, à Assembleia, o ex-prefeito de Vitória João Coser e a deputada Iriny Lopes. Coser, inclusive, já é apontado para a disputa à presidência da Mesa Diretora, apoiado por Casagrande. NovatosPor falar em Assembleia, cinco eleitos chegarão à Casa no próximo ano como estreantes em mandatos políticos: Tyago Hoffmann (PSB), Dr. Bruno Resende (União), Lucas Polese (PL), Lucas Scaramussa (Podemos) e Callegari (PL). Nas redes“(…) Para além do bloqueio de estradas por todo o país e manifestações pedindo a intervenção militar com o nítido objetivo de atentar contra a ordem democrática, agora elaboram listas absurdas e ilegais com nome de comerciantes e empresas que seriam simpáticas ao presidente eleito Lula (…). Vereadora de Vitória e deputada eleita, Camila Valadão (Psol), sobre as investidas bolsonaristas dessa semana. FALE COM A COLUNA: medeirosmanaira@gmail.com
Início da transição analisa orçamento e força fim da baderna da extrema-direita
Deputado Helder Salomão mostra que números do Orçamento confirmam os desmentidos de Lula a Bolsonaro O encontro da equipe escalada pelo presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com integrantes do governo Bolsonaro (PL) e o relator do Orçamento, senador Marcelo Castro (MDB-PI), nesta quinta-feira (3), se impôe às manifestações antidemocráticas promovidas por grupos da extrema-direita, bloqueando rodovias e com concentrações próximas a quartéis do Exército. Com o encontro, se consolida a fase de transição do governo para a nova gestão, que começa em 1º de janeiro de 2023. O senador petista Fabiano Contarato (PT), relator setorial da Comissão Mista do Orçamento, formada por senadores e deputados federais, participou do encontro, que foi acompanhado, também, pelo deputado federal reeleito Helder Salomão (PT). Como resultado, o país começa a respirar o clima de uma nova gestão, enquanto lideranças no Congresso Nacional articulam emendas no Orçamento enviado pelo presidente Jair Bolsonaro. O Orçamento 2023 é “o mais restritivo e cheios de furos da nossa história”, segundo o relator Marcelo Castro. Os dados confirmam as acusações de mentiras de Bolsonaro divulgadas durante a campanha eleitoral e ditas em debates e entrevistas a veículos de comunicação. Os cortes atingem a Farmácia Popular, o Bolsa Família, entre vários outros programas da área social. O deputado Helder Salomão afirmou que ficou acertado o envio de uma proposta de emenda constitucional, chamada de PEC da Transição, com o objetivo de aprovar uma autorização para garantir o pagamento do Bolsa Família de R$ 600 a partir de janeiro, mais R$ 150 por cada filho de até seis anos; o aumento do salário mínimo acima da inflação; e uma autorização para isentar do pagamento do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil por mês. “Aquilo que Lula falou é verdade, mesmo”, disse Helder, referindo-se às afirmações do presidente eleito, quando contestou, em debates antes das eleições, as declarações de Bolsonaro. O governo federal enviou ao Congresso a proposta para o Orçamento da União para 2023, projetando o valor do Auxílio Brasil em R$ 405, menos do que os R$ 600 prometidos na campanha. O salário mínimo a partir de janeiro de 2023 é estipulado em R$ 1.302, mas o valor final depende de projeto de lei que ainda será enviado pela Presidência da República. Segundo a Agência Senado, a Emenda Constitucional 123, promulgada pelo Congresso em julho, assegura Auxílio Brasil de R$ 600 até 31 de dezembro de 2022. A partir de janeiro, caso não haja uma nova mudança na legislação, volta a R$ 400, como reconhece o projeto da Lei Orçamentária Anual (PLOA) apresentado pelo governo federal. A previsão para a meta de resultado primário é de R$ 63,7 bilhões negativos. Já os gastos com as emendas de relator RP 9 – o chamado orçamento secreto -, estão previstos em R$ 19,4 bilhões. O texto também prevê gastos com reajuste salarial para servidores públicos, no valor de R$ 14,2 bilhões. O projeto da Lei Orçamentária Anual faz uma estimativa das receitas e fixa as despesas públicas para o exercício do ano seguinte. O prazo para sua apresentação é fixado na Constituição Federal. O projeto traz as previsões do Poder Executivo para variáveis macroeconômicas, como produto interno bruto (PIB), inflação, câmbio, taxa de juros e salário mínimo.
Himaba tentar burlar Convenção Coletiva, denuncia Sindienfermeiros
Enfermeiros do hospital em Vila Velha têm sido pressionados a aceitar carga horária de 12 x 36, em vez de 12 x 60 O Sindicato dos Enfermeiros do Espírito Santo (Sindienfermeiros) denuncia que a direção do Hospital Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), em Vila Velha, tem pressionado os enfermeiros a fazer um acordo individual, no qual aceitam assumir uma jornada de 12 x 36, em vez de 12 x 60. Isso contraria o estabelecido na proposta elaborada em audiência de dissídio e aprovada tanto pela categoria quanto pelos patrões, em assembleias realizadas há uma semana, pondo fim a uma greve de 23 dias, protagonizada por profissionais da rede privada. A tentativa do Himaba, relata a presidente do Sindienfermeiros, Valeska Fernandes, foi frustrada, uma vez que nenhum enfermeiro aceitou, embora houvesse ameaça de demissões. Entretanto, ela denuncia que foi dito aos trabalhadores que o hospital dará um tempo para pensarem e irá abordá-los individualmente de novo, para que possam assinar o acordo e dar início à nova jornada em primeiro de dezembro. Valeska destaca que a possibilidade de fazer acordo individual passou a vigorar após a reforma Trabalhista, sancionada em 2017. “Mas isso deve ser feito de maneira esporádica, e não maciça, passando nos setores para que todos trabalhadores façam adesão, como tem sido feito. Isso é querer burlar o Acordo Coletivo”, acusa. Além da manutenção da jornada 12 x 60, a proposta, elaborada pela vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), desembargadora Daniele Corrêa Santa Catarina, contemplou reajuste de 5,2% a partir de 1º de outubro de 2022, acrescido de 2% a partir de 1º de março de 2023. O sindicato patronal havia proposto reajuste de 5%, acrescido de 2% a partir de março de 2023, enquanto os trabalhadores reivindicavam aumento de 8,82%. Com a jornada atual, que é de 12 x 60, os enfermeiros fazem 13 plantões por mês, trabalhando um dia e folgando dois. Com a mudança para 12 x 36, passariam a fazer de 15 a 16 e folgariam um dia. Assim, aqueles que têm duplo vínculo de trabalho teriam que optar por um, sofrendo prejuízo financeiro. Há ainda o fato de que, diante dessa necessidade de escolha, muitos enfermeiros podem optar por não continuar no Himaba, o que reduz mais ainda o número de profissionais do hospital. Valeska recorda que cerca de 30 profissionais foram demitidos em outubro e não houve reposição. As demissões ocorreram em 3 de outubro, véspera do início da greve dos enfermeiros da rede privada. Apesar de ser um hospital público, o Himaba é administrado por uma Organização Social (OS), o Instituto Ação, Cidadania, Qualidade Urbana e Ambiental (Acqua). O argumento para as demissões foi de que a ala para Covid-19 seria desativada, passando por uma reforma para abrigar uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (Utin). Entretanto, o sindicato acredita que foi uma prática para coibir o movimento grevista. Valeska informa que, com as demissões, hoje o Himaba conta, aos finais de semana, com um enfermeiro para 50 leitos. Dos cerca de 30 demitidos, uma média de 15 procuraram o jurídico do sindicato para pleitear reintegração. Sindienfermeiros denuncia demissões no Himaba às vésperas de greve Valeska Fernandes aponta que demissão após deliberação de deflagração de greve é ilegal https://www.seculodiario.com.br/saude/sindienfermeiros-denuncia-demissoes-no-himaba-as-vesperas-da-greve-da-categoria Chega ao fim greve dos enfermeiros da rede privada do Estado Categoria aprovou proposta de reajuste e de manutenção de direitos já conquistados, plano de saúde e auxílio creche https://www.seculodiario.com.br/saude/chega-ao-fim-a-greve-dos-enfermeiros-da-rede-privada
Estado tem todas as pistas liberadas desde a meia noite desta quinta-feira
Liberação ocorreu após vídeo em que Bolsonaro chama atos de ilegítimos. Outros estados ainda somam 86 bloqueios Após serem chamados de atos “ilegítimos” pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), as interdições de estradas federais por manifestantes contrários aos resultados das urnas no segundo turno das eleições foram suspensas no Espírito Santo. A Polícia Rodoviária Federal (PRF-ES) informa que, desde a meia-noite, todos os pontos de bloqueio foram liberados nas três rodovias (BRs 101, 262 e 259) que foram alvos dos protestos antidemocráticos dos bolsonaristas desde domingo (30). Os boletins seguintes até o mais recente, de 8h20, confirmaram a liberação de todas as pistas. O último boletim a informar interdição foi o de 22h40, com apenas um bloqueio parcial em Colatina, noroeste do Estado, no KM 60 da BR-259. Desde domingo, a PRF monitora 25 pontos de interdição, sendo que alguns deles chegaram a ser totalmente bloqueados. Foram 16 na BR- 101, seis na BR-262 e três na BR-259. A gradual liberação das estradas ocorreu horas após o vídeo de Bolsonaro, publicado em suas redes sociais por volta das 19h30 dessa quarta-feira (2). Nele, o presidente derrotado se solidariza com os organizadores das interdições, mas diz que o direito de ir e vir não pode ser prejudicado e orienta a manutenção de outros tipos de manifestações, em praças e avenidas, como registrado no feriado. “Sei que vocês estão chateados, tristes, esperavam outra coisa. Eu também estou tão chateado, tão triste quanto vocês. Mas temos que ter a cabeça no lugar. Os protestos, as manifestações são muito bem-vindas. Faz parte do jogo democrático e, ao longo dos anos, muito disso foi feito pelo Brasil. Na Esplanada, Copacabana, Paulista…tantos e tantos lugares (…) Agora, tem algo que não é legal. O fechamento de rodovias pelo Brasil prejudica o direito de ir e vir das pessoas, está lá na nossa Constituição (…), além de prejuízo à nossa economia (…), eu quero fazer um apelo a você. Desobstrua as rodovias. Isso daí não faz parte, no meu entender, dessas manifestações legítimas. Não vamos perder nós aqui. Essa é nossa legitimidade. Outras manifestações que estão fazendo pelo Brasil todo, em praças, faz parte, repito, do jogo democrático. Fiquem à vontade”. Bloqueios ainda em quatro estados Apesar do pedido, quatro estados ainda registram manifestações golpistas de estradas na manhã desta quinta-feira (3). Segundo o jornal O Globo, até as 9h30 ainda havia 86 pontos de bloqueio e interdições em onze estados, com ênfase em Santa Catarina (17 bloqueios e 13 interdições), Mato Grosso, (27 bloqueios), Pará (10 interdições), e Rondônia (nove interdições). Outros estados com manifestações são: Acre, Amazonas, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul. Espírito Santo segue com interdições nas rodovias na tarde desta quarta – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/cidades/espirito-santo-registra-apenas-tres-interdicoes-na-br-101 Quem obstrui as rodovias deve ser identificado e multado, aponta MPF Apesar da recomendação, Espírito Santo ainda tem oito interdições, nas BRs 101 e 259 https://www.seculodiario.com.br/cidades/quem-obstrui-as-rodovias-deve-ser-identificado-e-multado-recomenda-mpf
Grito da Cultura irá estender sua atuação para todo o Espírito Santo
Movimento popular surgiu este ano, em Vitória, contra o desmonte das políticas culturais da gestão Pazolini O Grito da Cultura, que nasceu para lutar contra o desmonte das políticas públicas dessa área em Vitória, irá ampliar sua atuação, se estadualizando. A decisão foi tomada porque o grupo tem recebido demandas de outras cidades, com convites para participar de ações. O primeiro passo nesse sentido será um encontro virtual com artistas capixabas, na próxima terça-feira (8), tentando englobar todos os 78 municípios capixabas, para discutir a realidade de cada um deles. A integrante do Grito da Cultura, Karlili Trindade, afirma que as demandas vindas de outros municípios são similares às da Capital, mas não têm a mesma proporção. “Vitória tem uma particularidade, que é uma gestão de extrema direita”, diz, em referência à administração de Lorenzo Pazolini (Republicanos). Karlili avalia que, como o Grito ganhou destaque e repercussão, é importante os artistas das demais cidades se unirem a ele em vez de agirem individualmente. Além disso, recorda, o movimento esteve nas ruas no segundo turno das eleições deste ano, pela reeleição de Renato Casagrande (PSB) ao governo do Estado, diante da necessidade de evitar que o então candidato Carlos Manato (PL) chegasse ao Palácio Anchieta. “Manato não era sequer uma opção, era uma grande ameaça não só para a cultura, mas para a população em geral. Fizemos campanha para Casagrande e vamos cobrar do governador que cumpra o compromisso assumido com a cultura”, destaca. Além do encontro virtual com artistas capixabas na próxima terça, o Grito da Cultura pretende, em 2023, dar início a uma caravana cujo objetivo é circular pelos municípios do Espírito Santo para se aprofundar na realidade de cada um e promover formação política. Para isso, será feito um projeto piloto em um município a ser escolhido. Entre os problemas já elencados pelo Grito da Cultura em algumas cidades capixabas, está a junção da pasta da cultura com outras. Um exemplo disso é Vila Velha, que na atual gestão de Arnaldinho Borgo (Podemos), uniu a secretaria de Cultura com a de Turismo. Assim, explica Karlili, os fazedores de cultura não têm autonomia para decisões que dizem respeito a questões como orçamento e políticas culturais. O Grito da Cultura nasceu em março deste ano, quando ao som de tambores e música, que se misturavam com palavras de ordem, artistas e articuladores culturais de Capital ocuparam a entrada da sede da Prefeitura de Vitória, denunciando o desmonte e descaso com as políticas do setor no município. A manifestação saiu do bairro Jesus de Nazareth, com uma caminhada até a sede do Executivo, em Bento Ferreira. No mesmo mês, os mobilizadores protocolaram uma carta com sete reivindicações urgentes para a cultura de Vitória, como a Lei Rubem Braga, o não fechamento de equipamentos de atendimento à juventude e o investimento no setor. Um novo ato foi realizado em abril. Artistas cobraram o cumprimento das reivindicações protocoladas, bem como uma reunião com o prefeito Lorenzo Pazolini. Desde então, o Grito da Cultura tem atuado contra os retrocessos na área, com ações nas ruas e nas redes sociais. Artistas e produtores organizam novo Grito da Cultura em Vitória – Século Diário Setor cobra respostas a demandas apresentadas há um mês e um diálogo direto com prefeito Lorenzo Pazolini https://www.seculodiario.com.br/cultura/artistas-organizam-novo-grito-da-cultura-em-vitoria
‘Forças progressistas devem mudar perfil conservador da gestão Casagrande’
Para o professor Arlindo Vilaschi, não basta o governador reeleito entregar secretarias às forças de esquerda O leque de alianças que possibilitou a reeleição do governador Renato Casagrande (PSB), derrotando o bolsonarista Carlos Manato (PL), deverá resultar em uma alteração no perfil de gestão no terceiro mandato que se inicia em 1º de janeiro de 2023, encaixando-se em uma visão mais progressista. A opinião é do economista e professor aposentado da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Arlindo Vilaschi, integrante da Rede de Pesquisa em Sistemas Produtivos e Inovativos Locais, em entrevista a Século Diário, na qual também analisa a vitória do presidente Lula sobre Jair Bolsonaro (PL) e aponta: “O Brasil está desmantelado”. “A vitória de Casagrande tem um detalhe importante, porque a aliança que ele fez foi de centro-direita para direita, não fez uma à esquerda, que se juntou a ele no segundo turno por absoluta repulsa ao Manato. Mas não houve nenhuma sinalização, ainda que eu saiba, que na sua terceira gestão à frente do executivo estadual, ele vá mudar de postura. As duas primeiras gestões foram, majoritariamente, determinadas pelos interesses do Espírito Santo em Ação”, diz Arlindo. Para o professor, “é chegado o momento de as lideranças político-partidárias de esquerda que abraçaram a candidatura de Renato Casagrande, apesar do descaso dele em relação à candidatura progressista de âmbito nacional, fazerem o papel necessário, qual seja, que a gestão tenha um perfil mais progressista e menos conservador. E este perfil não vai ser segurado com entrega de uma ou outra secretaria, sem grande representatividade, que é mais para o ‘toma lá, dá cá’, do que uma coisa propositiva”. A vitória do Lula, para o professor, tem um significado “muito importante, porque foi uma frente ampla enorme, de centro-direita até a esquerda, unida pela determinação de recuperar a democracia no país, no sentido de respeito à divisão do poder, aos direitos das pessoas, democracia no sentido mais amplo possível”. Para Arlindo, “as forças que o apoiaram conseguiram construir a vitória de Lula conta o obscurantismo, ou seja, a vitória da civilização versus a barbárie, que têm diferenças internas bastante grandes: visão do que é política econômica, inserção internacional, dos setores de desenvolvimento, e, então, teremos que conviver, e acho que será um exercício maravilhoso, Lula sabe coordenar isso. Teremos que conviver com um antagonismo respeitoso e com a construção de consensos, onde todos conseguem conviver, ainda que a solução não seja a que cada um gostaria”, enfatiza. Ele acredita que isso ocorrerá nas “políticas econômicas, sociais, internacional, ambiental, ou seja, o Brasil está vivendo um momento absolutamente ímpar e é fundamental lembrar que essa frente ampla tem que se manter, porque o espectro bolsonarismo está aí, grassando”. O professor destaca ainda que “temos pelo menos dois governadores bolsonaristas, declaradamente que foram eleitos a partir do apoio de bolsonarismo – Zema [Novo], no primeiro turno, em Minas Gerais, Tarcísio [Republicanos] em São Paulo. Então, o bolsonarismo, que tem um componente antipetista e uma pegada muito forte, está aí”. Também será muito importante, como apontou, um acompanhamento das discussões e participação dos “embates entre governadores progressistas, como por exemplo, os que foram eleitos no Nordeste, com governadores mais de centro, como Rio Grande do Sul e em Pernambuco, e aqueles que estão mais à direita, mas não a direita raivosa, terraplanista”. Sobre a gestão de Lula, ele ressalta: “acho que a agenda vai ter dois vetores iniciais muito importantes. O primeiro, a reaproximação do Brasil ao mundo, com uma agenda positiva, de abertura de diálogo para que o Brasil retome o protagonismo que já exerceu nos dois primeiros governos dele, agora extremamente necessário em função da crise climática global e de várias outras crises, inclusive política, por falta de mediação dos embates entre o ocidente e oriente, e no caso a Europa entre a Rússia e a União Europeia. Nesse sentido, o papel do Lula é muito importante”. Já em relação à agenda nacional, as reuniões com governadores e o Congresso, onde a direita ganhou cadeiras importantes e a ultradireita também, Arlindo acentua: “Não vai ser fácil, porque o Estado brasileiro está esfacelado, toda a estrutura burocrática foi desmontada em áreas que são fundamentais, educação, saúde, meio ambiente e financiamento. Ele cita exemplos como a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil, o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), a Petrobras, a Eletrobras, e em torno da reforma agrária, do direito das mulheres e do povos originários e negros”.
Ganha-ganha
Arnaldinho Borgo leva mais uma em Vila Velha e, com reeleição de Casagrande, tem campo livre para pavimentar terreno até 2024 Hélio Filho No dia 14 de outubro, portanto, metade do segundo turno eleitoral, perguntei aqui na coluna: qual liderança de Vila Velha, segundo maior colégio eleitoral do Estado, vai levar o último round das eleições? Pois bem: deu Arnaldinho Borgo (Podemos), de novo! O prefeito se empenhou na campanha do governador Renato Casagrande (PSB) como um dos seus principais cabos eleitorais, intensificou ações na reta final da votação, e emplacou um discurso que exaltava obras, “os maiores investimentos da história da cidade” – R$ 2 bilhões – e que “ninguém teve coragem de fazer nos últimos 487 anos”, além do “voto de gratidão”, como repetia em reuniões e carreatas. O cenário, que no primeiro turno tinha sido praticamente de empate entre Casagrande (43,80%) e seu adversário, Carlos Manato (42,49%), abriu campo no último domingo (30). O governador atingiu 51,93% e o candidato bolsonarista 48,07%. Uma diferença, em números, de pouco mais de 10 mil, que inicialmente nem é tão expressiva, mas passa a ser, como também já analisado aqui, considerando que o município se firmou, nos últimos anos, como uma espécie de símbolo do movimento bolsonarista capixaba. É o ponto de concentração de todas as manifestações locais dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL), sem falar na ampla vantagem do mesmo em votações. Não à toa, foi, também, ponto estratégico e prioritário da campanha de Manato. Com esse ganha-ganha na cidade, Arnaldinho encontra, com reforço de Casagrande, campo livre para pavimentar terreno até 2024. Em jogo, seu projeto de reeleição. Preferência No primeiro turno, Bolsonaro ficou bem na frente de Lula (PT) na cidade canela-verde: 54,8% contra 36,2%. Na fase final da disputa, ampliou a distância, chegando a 60,92% – o petista subiu para 39,08%. Também ampliou sua votação geral do Estado, passou de 52,2% para 58,04%. No País, porém, foi derrotado. Preferência IISó para lembrar, o senador eleito Magno Malta (PL), mais um símbolo bolsonarista, também venceu sua principal adversária, Rose de Freitas (MDB), em Vila Velha, por 43,4% a 32%. Outro representante do grupo, Capitão Assumção (PL), liderou a votação à Assembleia. Cenário favorávelArnaldinho, como se sabe, levou a prefeitura com folga em 2020, e elegeu, neste ano, seu vice e aliado como campeão de votos no município. Em início de carreira, Dr. Victor Linhalis (Podemos) desbancou os ex-prefeitos Neucimar Fraga (PP) e Max Filho (PSDB). Cenário favorável IILinhalis recebeu 41,8 mil votos em Vila Velha, enquanto Neucimar 13,2 mil, e Max, 10,2 mil. Ocuparam, respectivamente, a quinta e sexta posições no próprio reduto, e nenhum dos dois foi eleito. O futuro deputado federal também foi cabo eleitoral de Casagrande. Outra derrotaNo segundo turno, como comentei aqui no dia 14, duas principais lideranças de Vila Velha voltaram a se enfrentar politicamente. Arnaldinho, com Casagrande, e Neucimar, com Manato. O ex-prefeito, que integrava a coligação do governador e ficou com a suplência na Câmara, mudou de lado, e atuou como um dos líderes da campanha bolsonarista. Mas, novamente, perdeu. Já Max Filho se manteve distante do pleito. A propósito, o que fará Neucimar nos próximos anos? A conferir! DecisivosA liderança de Casagrande em Vila Velha se repetiu nos principais municípios da Grande Vitória, incluindo os dois maiores colégios eleitorais, situações que foram decisivas para sua reeleição. O destaque em números foi da Capital, único que não teve apoio do prefeito, Lorenzo Pazolini (Republicanos), que é de oposição. O governador obteve 58,79% dos votos e seu adversário 41,21%. Decisivos IIEm Cariacica, o placar ficou em 55,085 para Casagrande e 44,92% para Manato; na Serra, 57,64% e 42,36%; e em Viana, 56,02% e 43,98%. Nos demais municípios que completam a região, Fundão foi área de vantagem ainda mais ampla, 62,09% a 37,91%. Já em Guarapari, Manato levou. O candidato bolsonarista foi votado por 54,81% do eleitorado, enquanto Casagrande por 45,19%. Em tempoOs deputados bolsonaristas Torino Marques (PTB) e Carlos Von (DC) resolveram reconhecer, na sessão dessa terça-feira (1), a reeleição de Casagrande e de Lula à Presidência da República. Nos discursos feitos no plenário do legislativo estadual, teceram críticas, avisaram que a luta continua, mas desejaram “sucesso” e “boa sorte”. BlocoDanilo Bahiense (PL) também já tinha se manifestado no mesmo sentido, assim como Manato. Capitão Assumção (PL), ao contrário do habitual, está mais contido, pelo menos externamente. Nos demais campos bolsonaristas, pouco provável! Já o ex-senador Magno Malta (PL), adivinha? A cada vídeo, uma impulsionada a mais nas manifestações antidemocráticas que causam tumulto em todo o País. Cada uma…A propósito, importante registrar aqui, o curioso caso das urnas que são fraudulentas para eleger Lula, mas não os bolsonaristas e o próprio Magno. O senador eleito lançou suspeição nos votos dos petistas, logo após o resultado de domingo. Rufem os tambores… …o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (Republicanos), enfim, conduziu uma sessão ordinária até o final. Situação virou raridade desde o início do processo eleitoral deste ano. PréviaPor falar nisso, os deputados eleitos Mazinho (PSD), ex-vereador de Vitória, e Zé Preto (PL), empreendedor de Guarapari, acompanharam a sessão dessa terça. Os dois vão estrear na Assembleia Legislativa. Nas redes“Eu acho muito simbólico que os criminosos bolsonaristas que praticam atos ilegais estejam fazendo esse movimento no dia 2 de novembro – feriado de finados – é a metáfora perfeita para apoiadores de um presidente que foi responsável pela morte de milhares de brasileiros na pandemia”. Ethel Maciel, epidemiologista e professora da Ufes. FALE COM A COLUNA: medeirosmanaira@gmail.com Round final Guardadas as devidas diferenças, 2º turno tem mais uma batalha canela-verde: Arnaldinho-Casagrande versus Neucimar-Manato https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/round-final