Associação Gold incentiva a popularização do preservativo vaginal por meio de oficinas onde sua utilização é ensinada O preservativo vaginal, conhecido popularmente como camisinha feminina, ainda é pouco difundido entre as mulheres. Entretanto, a Associação Grupo Orgulho, Liberdade e Dignidade (Gold) tem feito um trabalho de difusão desse método de prevenção a Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e à gravidez indesejada. Isso é realizado por meio de oficinas nas quais o preservativo é apresentado e sua utilização ensinada às participantes. A Gold costuma realizar atividades com parceria do Ministério da Saúde, com testagem para HIV e outras ISTs, nas quais também são ministradas as oficinas. A coordenadora de Ações e Projetos da Associação, Deborah Sabará, relata que nessa ação é utilizada uma prótese do órgão sexual feminino. “A gente explica a forma de utilizar a camisinha, como desenrolar. Muitas vezes, o homem não quer usar e a mulher pode se empoderar e dizer ‘então eu vou usar’. É autoestima, defesa, conhecimento e prevenção”, diz. Deborah acredita que ainda exista muito tabu em relação ao preservativo vaginal. “É um desconhecimento misturado com preconceito. Como o órgão sexual masculino está exposto para fora, a gente consegue visualizar a pessoas colocando, isso ficou enraizado na nossa memória. No caso do preservativo vaginal, as pessoas não sabem como vai ser introduzido. Elas pensam ‘ah, vai entrar e se perder lá dentro’”. A coordenadora da Gold destaca que a prevenção às ISTs por meio do preservativo “é um instrumento para minimizar os impactos no Sistema Único de Saúde [SUS]”. Ela relata que, nas oficinas, também é explicado que em relações homossexuais masculinas, o preservativo vaginal pode ser utilizado. “O homem pode pegar o elo, introduzir no ânus e o outro penetrar”, explica. Entretanto, a infectologista Rúbia Miossi alerta para o fato de que, nesse tipo de relação, as chances de rompimento do preservativo são maiores. “O preservativo vaginal foi desenvolvido para pessoas que têm o órgão sexual vagina. Utilizar em outras situações diferentes da orientada pelo fabricante pode comprometer seu funcionamento”, aponta. Rúbia destaca que o preservativo é para a cavidade vaginal, “levando em consideração os aspectos de lubrificação e anatomia. Utilizar no ânus foge ao objetivo do seu desenvolvimento e só poderia haver essa orientação se ele fosse testado e o desempenho considerado cientificamente satisfatório”, pontua. Ela afirma que uma das vantagens do preservativo vaginal é poder ser colocado horas antes da relação, possibilitando a mulher, inclusive, já sair de casa já com ele. “Esse é o benefício do preservativo vaginal. Não tem nenhum problema, não incomoda, não há risco, diferente do preservativo peniano, que pode ser colocado somente depois da ereção”, explica. A infectologista informa que esse preservativo é distribuído gratuitamente nas unidades de saúde. Óbitos em decorrência do HIV são maiores em mulheres negras do que não negras No Espírito Santo, morreram 54 mulheres negras e 21 não negras em decorrência do vírus em 2019 https://www.seculodiario.com.br/saude/obitos-em-decorrencia-do-hiv-sao-maiores-em-mulheres-negras-do-que-nas-nao-negras
‘Não se trata crianças e adolescentes autistas apenas com neuro e psiquiatra’
Bruna Taño coordena projeto de apoio aos CAPSi. Falta desses profissionais no Estado afeta milhares de famílias Apenas 27 profissionais médicos especializados para atender todo o território capixaba, tanto na rede pública quanto privada. Esse é o tamanho atual do mercado de neuropediatras e psiquiatras infantis, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). “Com base em dados extraídos do portal do Conselho Federal de Medicina (CFM), o Espírito Santo conta com cinco neurologistas pediátricos, 20 psiquiatras infantis e dois neuropediatras para atender uma população alvo, segundo projeção do Ministério da Saúde, de um milhão pessoas de zero a 17 anos”, informa a pasta em nota. A Sesa afirmou ainda que está ampliando a oferta de consultas no Sistema Único de Saúde (SUS). “Em março, 780 vagas serão disponibilizadas em Cariacica e já foram transferidos recursos para aquisição de mais três mil consultas no mesmo município. Além disso, mais de mil consultas/mês serão ofertadas no Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), em Vila Velha. Uma licitação para contratação de serviços em todas regionais já foi instruída e deverá ser publicada nas próximas semanas”. A escassez desses profissionais tem dificultado o desenvolvimento cognitivo e a qualidade de vida de milhares de crianças e adolescentes no Estado com autismo e outros distúrbios da saúde mental, visto que, para além do benefício imediato gerado pelo aconselhamento e avaliação médica feitos nas consultas, os laudos e receituários emitidos por esses especialistas são documentos exigidos em diversas outras situações que envolvem tratamento de saúde e o acesso a direitos educacionais. Histórias sobre essa triste realidade se multiplicam no dia a dia das vidas das famílias de crianças que sofrem problemas como autismo, deficiência intelectual, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e Transtorno Opositor Desafiador (TOD). Uma delas, a do menino de dez anos, morador da Serra, que tentou suicídio na última quinta-feira (24), por não suportar mais o sofrimento de ser agredido verbalmente pelos colegas da escola. Na reportagem, a mãe da criança, de dez anos, conta que a notícia de que não poderia mais se consultar com a neuro de seu filho devido ao fim do contrato da profissional com o Hospital Infantil de Vitória aconteceu um dia após a pedagoga da escola a alertar sobre a agressividade acentuada do estudante. Sem rede de apoio, médico e profissionais em número suficiente na escola para apoiar o filho em seu desenvolvimento pedagógico e social, o sofrimento do menino foi exacerbado. “Assim que puder sair do hospital, ele deve ser encaminhado para o CAPSi [Centro de Apoio Psicossocial Infantojuvenil] mais próximo”, orienta Bruna Taños, professora de Terapia Ocupacional (TO) da Universidade Federal do Espirito Santo (Ufes), pesquisadora de saúde mental de crianças e adolescentes e coordenadora do projeto de extensão Ponto e Rede, que presta apoio aos trabalhadores dos CAPSi. Divulgação/Sesa “Os CAPSi são o local estratégico do SUS [Sistema Único de Saúde] para acolher e tratar crianças e adolescentes que estão em sofrimento psíquico, com ou sem laudo médico. Principalmente quando se trata de tentativa de suicídio”, afirma. O ideal, expõe, é que o próprio Hospital onde o menino está internado faça a notificação do caso e o encaminhe para o CAPSi, mas a família pode ir diretamente para lá, mesmo sem o encaminhamento hospitalar. “É um serviço de portas abertas”, ressalta a especialista, que também é mãe de uma criança autista. A legislação, explica, recomenda a existência de uma unidade de CAPSi para cada 75 mil habitantes. O espaço recebe também crianças e adolescentes com depressão, envolvidos em drogas, além dos diagnosticados com as doenças e síndromes mentais e intelectuais. “Há uma diversidade de perfis acolhidos nos CAPSi e isso também é positivo para o tratamento de todos”, sublinha a coordenadora. Nesses espaços, o tratamento não é feito somente com profissionais de psiquiatria e neurologia pediátrica. “Tem uma equipe multidisciplinar, com terapeuta ocupacional, psicólogo, assistente social, enfermeiro, educador físico, oficineiros, musicoterapeuta, arteterapeutas (…)”. E na base de tudo, a formação em direitos humanos e saúde coletiva. “O que nos interessa é o cuidado em saúde com participação e garantia de direitos das famílias”, destaca Bruna Taños. Mesmo tendo um corpo técnico exclusivamente voltado ao atendimento pediátrico, os CAPSi também acolhem a mãe, orientando-a e encaminhando-a para uma consulta médica, uma terapia ou outros serviços públicos que melhor podem lhe atender. Arquivo pessoal Muitas vezes, conta a professora, apenas a rotina das assembleias dos grupos de famílias dos CAPSi já é um grande auxílio para quem se sente sozinho para lidar com os problemas de saúde dos filhos. “Nelas falamos sobre práticas parentais e direitos. Isso também é uma forma de cuidado. São utilizadas diferentes abordagens aos familiares”. A coordenadora do Ponto e Rede alerta que “há um grande mercado em torno do autismo hoje. Um campo de disputa, também, por narrativas e abordagens. Disputa em que o discurso de entidades médicas e clinicas de reabilitação afirmam que só esses tratamentos são efetivos. O que não é verdade”, expõe a especialista. “O pediatra e o médico da família também podem prescrever medicamentos utilizados por autistas, não somente os neuro e psiquiatras”, informa, acrescentando que essas especialidades médicas, que compõem a atenção primária em saúde, junto à ginecologia, também podem tratar a família dos pacientes, inclusive receitando antidepressivos para quadros de depressão baixa. Mas, reconhece, existe um grande receio desses outros profissionais em adentrar o espaço que historicamente a neurologia e a psiquiatria procuram manter exclusivos. Além disso, prossegue, “o direito à saúde da criança não é só ter acesso aos serviços da rede primária, secundária e terciária; é também estar legitimamente incluída nos espaços sociais, nas escolas, nas áreas de lazer e cultura”. Outro diferencial dos CAPSi é o seu trabalho em rede. “Escola, CRAS [Centro de Referência em Assistência Social], CREAS [Centro de Referência Especializado em Assistência Social], unidades de saúde, conselho tutelar, varas de Justiça…”, elenca a pesquisadora. A importância dos CAPSi, acentua, é diametralmente oposta à sua visibilidade dentro da sociedade e do próprio SUS, contextualiza Bruna, lembrando uma tentativa recente de fechamento
Com 90 anos do voto feminino, mulheres lutam para permanecer na política
Especialista fala de entraves que vão desde falta de apoio financeiro até violência nesses espaços Divulgação Dados divulgados pela Assembleia Legislativa mostram que, desde 1947, quando a primeira mulher foi eleita como deputada, apenas 31 mandatos femininos foram exercidos na Casa de Leis capixaba, enquanto os homens, 698. Os números refletem um contexto de baixa representatividade, que é nacional. Com 90 anos do direito ao voto feminino, mulheres enfrentam uma série de obstáculos para se eleger e, principalmente, permanecer nesses espaços de poder. A advogada Renata Bravo, consultora em direitos e políticas públicas de mulheres, lembra que o público feminino já exerce política em diversos espaços cotidianos, mas os entraves começam quando elas decidem se inserir na política institucional. “Quando essas mulheres estão como lideranças comunitárias, em determinados movimentos nas escolas, lutando por direitos de saúde dos seus filhos, delas mesmas, da família, ou do entorno, estão fazendo política, lutando para que as políticas públicas e os direitos sejam efetivados. Só que, quando a gente vai para a política institucional, existem esses entraves, justamente porque é aí que estão os espaços de maior visibilidade do poder e, historicamente, a nossa sociedade foi construída para que esses espaços sejam ocupados por homens, ricos, letrados e brancos”, enfatiza. Para Renata, a lei de cotas que determina a obrigatoriedade da presença mínima de um dos gêneros nos partidos é fundamental, mas é preciso investir na formação de chapas e partidos que permitam que essas mulheres estejam nos cargos de direção dessas organizações, de onde partem decisões importantes como a destinação de recursos e a definição dos candidatos. Alex Gouvea “Há muitas mulheres que têm potencial de serem candidatas, mas que, internamente, nos partidos, são colocadas de escanteio, e aí a gente acaba privilegiando os mesmos homens que já foram eleitos em outros espaços”, ressalta. A advogada também destaca a importância do apoio financeiro a essas campanhas, tanto por parte dos partidos quanto de doações regulares. “Essa história de que se faz campanha sem dinheiro não existe, porque você vai precisar, ainda que seja de voluntários. Os voluntários, se você for pensar, estão despendendo tempo, conhecimento (…) Para que a candidata possa estar nas comunidades, para fazer o impulsionamento nas redes sociais, tudo isso precisa de dinheiro”, aponta. Apesar de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicarem que as mulheres representam 53% dos eleitores, o público feminino continua sendo minoria na Assembleia, no Senado e na Câmara dos Deputados, onde representam, nesses dois últimos, 12% e 15% dos parlamentares, respectivamente. A situação piora quando se tratam de mulheres negras. Em 2020, elas representaram apenas 6,3% do total de vereadores eleitos em todo o Brasil, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Um exemplo da baixa representatividade é o município de Vitória onde, só nas últimas eleições, foi eleita a primeira vereadora negra. Quando são eleitas, essas mulheres ainda precisam enfrentar a violência política. Na Câmara de Vitória, as vereadoras Camila Valadão (Psol) e Karla Coser (PT) são as únicas duas representantes do público feminino, em uma Casa de Leis com 15 parlamentares. Em diversas sessões, elas passam por situações em que são interrompidas, desrespeitadas e até mandadas “calar a boca”. Contraditoriamente, a mesma Câmara de Vitória aprovou, por unanimidade, na última semana, um projeto de lei da vereadora Camila Valadão que institui, no dia 14 de março, o Dia de Promoção de Ações de Combate à Violência Política de Gênero. A data faz referência ao assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 2018, no Rio de Janeiro. Com a aprovação do Projeto de Lei 39/2021, Vitória se torna o primeiro município do Espírito Santo a instituir a data focada na violência política de gênero. De acordo com a matéria, estão inseridos nesse conceito os atos físicos, ameaças ou intimidação psicológica e/ou discriminatória praticados com o objetivo de atentar contra a vida, agredir, ameaçar, ofender ou limitar ilegitimamente, o pleno desenvolvimento e a participação política de representantes eleitas, candidatas, pré-candidatas e dirigentes partidárias. Para Renata Bravo, é fundamental a criação de legislações que nomeiem a violência sofrida por mulheres na política, assim como estratégias que possibilitem a produção de estatísticas sobre a violência de gênero. “Quando a gente pensa em dar o nome da violência política de gênero é fundamental porque, quando a gente dá esse nome, a violência passa a existir para a sociedade, a sociedade passa a discutir e outras políticas públicas vão sendo pensadas”, ressalta. Setenta e oito municípios, mas apenas uma mulher eleita prefeita no Estado – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/politica/setenta-e-oito-municipios-mas-apenas-uma-mulher-e-eleita-prefeita
Mulheres criam grupo de congo feminino na Barra do Jucu
As Madalenas do Jucu já iniciaram ensaios e devem passar a se apresentar a partir de maio deste ano É fim de uma tarde ensolarada de sábado quando a música ecoa pelo Centro Cultural Tambores de Congo, na Barra do Jucu, em Vila Velha. Muitos que voltam da praia olham da rua curiosos, alguns param para assistir. Há algo diferente ali. No comando dos tambores, casacas, chocalhos e caixa, apenas mulheres, posicionadas em um círculo de instrumentistas. Trata-se de um ensaio das Madalenas do Jucu, um grupo de congo feminino em formação. Exatamente do outro lado da rua, um muro pintado há anos ilustra as principais personagens femininas das três bandas tradicionais do bairro litorâneo de Vila Velha: bandas Mestre Honório, Tambores de Jacarenema e Mestre Alcides. Entre as mulheres homenageadas em desenho estão Beatriz Rego, sua mãe, irmãs e filha, integrantes da banda de congo Mestre Honório. De frente para a pintura de si mesma, Beatriz, atual regente da banda, comanda o grupo das Madalenas, formado por 30 mulheres. Muro registra tradição da participação das mulheres nas três bandas de congo da Barra do Jucu. Foto: Vitor Taveira “O projeto nasceu do sonho de nosso mestre de formar um grupo feminino de tambor. Foi o primeiro mestre a dar abertura para as mulheres sentarem no tambor”, conta Beatriz , que participa desde 1988 da Banda de Congo da Barra do Jucu, que ganhou o nome de Mestre Honório, depois que ele faleceu em 1993. Desde 2003, ela atua como regente da banda, responsável pela caixa e por introduzir os jongos que serão cantados. “Precisa entender um pouco de todos os instrumentos, todos precisam estar bem harmônicos. Não estudei música, não entendo de notas musicais, sou autodidata. A maioria das pessoas que participa do congo vai muito pelo ouvir, pela harmonia, sabe quando algo está fora do toque, aprendemos tudo na banda de congo, são muitos anos, toda minha juventude, meus filhos, minha família”, conta a regente de 54 anos. Nas fincadas de mastro, que fazem parte dos festejos tradicionais a São Benedito, já era tradição na banda um momento em que se pedia licença aos homens e apenas as mulheres sentavam no tambores, assim como ocorre agora com o novo grupo, mas de forma permanente. “Em geral, a participação das mulheres nas bandas de congo hoje está muito diferente. Antes a função era carregar a bandeira, cantar e dançar. Era difícil sentar no tambor para a mulher. Usávamos saia e a gente começou a se arriscar a sentar no tambor. Seu Honório deixou, mas falou para as meninas usarem calça ou bermuda ao invés de saia para tocar”, lembra. Mas, apesar da aceitação e crescimento da participação das mulheres nos instrumentos na Barra do Jucu, essa não é uma realidade em todas as bandas do Espírito Santo, pontua Beatriz Rego. Vitor Taveira Ela explica ainda que as Madalenas do Jucu não são uma banda de congo, ou pelo menos ainda não. “Quem sabe daqui a alguns anos? Ia ser muito lindo”, diz. Embora bebam da tradição das bandas, o grupo não possui a mesma formação e configuração. Além disso, vai tocar desde jongos tradicionais, os cantos entoados nas festas de congo, até sucessos da música brasileira adaptados ao ritmo de congo, como composições de Alceu Valença, Gonzaguinha e Adoniran Barbosa. Além das releituras e dos jongos populares nas festividades barrenses, o grupo de mulheres também traz algumas composições próprias, fruto de oficinas que antecederam a formação das Madalenas. A primeira etapa foi de ensino sobre o congo e seus toques em oficinas abertas a todos. Dali, as mulheres participantes foram convidadas para um segundo momento, no qual está sendo feita a formação do grupo, com ensaios e compra de instrumentos, vestimenta e outras necessidades. Ambos projetos foram apoiados por recursos públicos, por meio de editais de fomento à cultura da Secretaria de Cultura do Espírito Santo (Secult). Às mulheres aprendizes das oficinas, somaram-se a experiência de integrantes femininas da banda de congo Mestre Honório e de outras bandas locais. O grupo é diverso, com integrantes da Barra do Jucu, de outros bairros e até de outros municípios, o mais distante deles é Anchieta, no sul do Estado. Além disso, figuram mulheres de várias idades, desde jovens até idosas, que encontram harmonia na música. O interesse em participar foi tão grande, que o grupo previa ter 20 componentes e cresceu para 30 mulheres, e tem lista de espera para novas integrantes. Nos ensaios, elas participam de todo o processo, se revezam entre tambores, casaca e chocalhos, instrumentos utilizados, além do canto das músicas, onde por vezes ganham apoio do público que as assiste. Registro do segundo ensaio do grupo, penúltimo antes da pausa durante a quaresma. Foto: Divulgação Seguindo a tradição do congo, depois do carnaval, os tambores silenciam. Não se tocam durante o período de quaresma. Nesse tempo, o projeto não para, mas se adapta. Serão feitas outras atividades, como a pintura dos tambores com desenhos típicos, a preparação do vestuário do grupo, o ensaio dos cantos, além do aprendizado sobre história e vivência do congo. Em maio, termina o ciclo de formação previsto no projeto e as Madalenas do Jucu estarão prontas para entrar de vez na cena, dispostas a tocar em diversos eventos para o qual forem convidadas. “É um sonho se apresentar. Está sendo uma experiência muito boa, as pessoas são loucas para fazer isso, pensavam mas não tinham oportunidade. Com esse grupo feminino, está sendo colocado em prática também o sonho delas. As Madalenas do Jucu vêm para isso”. Um vídeo nas redes sociais do grupo lembra que o grupo não parte do zero, mas proporciona o aumento da participação feminina: “As Madalenas do Jucu já existem. Elas dançam e cantam, ornamentam o mastro, carregam o estandarte, abrem a roda com chuvas de pétalas, tocam tambores, casacas, chocalho e caixa e, ainda trazem seus filhos e filhas para a roda, passando a tradição entre as gerações, proporcionando momentos de acolhimento e compartilhamento de saberes tradicionais, históricos e culturais”.
Lá vem a noiva
Quem espera sempre alcança Brenda acordou cedo, vestiu-se com apuro – roupa nova, maquiagem. Horas ajeitando o cabelo: Solto? Preso? Caprichou no café da manhã, ou desjejum, uma vez que não toma café. A lista do que fazer foi preparada de véspera, deixou grudada na geladeira, esperando. Diz o ditado, quem espera sempre alcança. Sentou na varanda, sol da manhã, brisa suave, e se concentrou na difícil tarefa de elaborar o dia mais importante de sua vida. * O discurso que pretende fazer no altar – depois do sim – para o amado, curto mas profundo: uma ode ao futuro que os espera. Depois redigir o texto para os cartões de agradecimento pelos presentes. Primeira etapa vencida, Brenda vai na fabulosa loja Só Noivas, definir a lista de presentes. Olha tudo com cuidado, quanta coisa bonita! Louça demais para entulhar os armários, eletrônicos que logo serão sucata. A moda agora é pedir um cheque para ajudar na lua de mel. Quanto mais mel, melhor. * Nem precisa tirar o carro do estacionamento para invadir o Paraíso das Noivas – uma atenciosa atendente mostra um imenso sorriso, Querida, tenho o vestido dos seus sonhos! Tem, mas qual? São tantos que o paraíso vira pesadelo. Quero todos! A já não tão atenciosa atendente dá um sorrisinho. Querida, leva esse de cetim francês, bordado indiano, última moda. Já perdi a hora do almoço, não vou ficar sem jantar também. Leva o de renda e tule, nem precisa de ajustes. Um mês de intensa dieta valeu! * Não é todo dia que a gente casa, pelo menos não as pessoas normais. Os ricos e famosos casam muitas vezes para se manter na mídia. E o que a mídia mais gosta é festa de casamento. Brenda tira o carro da vaga, para alegria de alguma outra noiva que tem hora marcada para daqui a pouco. Falando em hora, Brenda leva um susto – está atrasada para a próxima etapa: a escolha do convite! Outra tarefa emocionante, mas estressante. Por que inventam tantos estilos de fontes, modelos de cartões, tipos de papel? Seda ou linho? Pérola ou água? Só a cor branca tem 345 nuances! * Na floricultura Brenda se espanta ao saber que flor não brota todo dia – Flores da estação ou pagar uma fortuna pelas importadas? Decide pelas rosas brancas, mas com opção para vermelhas, caso haja escassez ou problemas na entrega. Como saber quando os caminhoneiros vão entrar em greve? O sofisticado Noivas Gourmet fica ao lado. Essa é a parte mais delicada de um evento social. Muito é exibicionismo, pouco vira referência – Não vamos passar vergonha, que nem no casamento da Brenda. Amostra grátis? Brenda experimenta minúsculas porções disso e daquilo, tão pequenas que nem dá para captar o sabor. Tem que pagar uma entrada e o resto na entrega. Bolo incluído? Quantos andares? Opções demais confundem a noiva mais paciente. * Missão cumprida, falta a última etapa. Brenda vê na esquina um barzinho lotado – gente jovem e bonita. Retoca o batom, tira o casaco, ajeita o vestido justo e decotado, e parte para a última etapa: achar um noivo antes que perca todos os pagamentos antecipados.
Sugestão Sesc-Cinema: O Barco
Belíssima fotografia e boas atuações, mas com crítica de ser demasiado teatral Para acessar este filme de Petrus Cariry com roteiro adaptado por pai e filho de um conto de Carlos Emílio Correia de Lima, deve-se entrar no site https://sesc.digital/home e selecionar a categoria cinema e vídeo. Este filme é um dos poucos a representar o fantástico dentro da cinematografia nacional. O velho patriarca é cego e pai de 26 filhos, cada um deles leva o nome de uma letra do alfabeto. Todos vivem isolados numa ilha e ninguém sabe como vieram parar ali. O velho nunca contou a ninguém e só se sabe que, com a idade, ele passou a se comunicar cada vez menos, até ficar quase mudo no fim da vida. Uma mulher é resgatada na praia pelos pescadores. Surgiu ali carregada pela correnteza de forma misteriosa. O filho “A” acredita que ela sabe das coisas para além da ilha. A mulher se instalou no alto das falésias e da sua choupana conta histórias aos locais que muito se impressionam. A inquietação leva “A” a buscar cada vez mais a mulher. Dentre os filhos, ele é o único insatisfeito com a pouca comida. O medo do mar e os avisos de sua mãe sempre o afastaram do oceano onde estão os peixes maiores. O barco em que a mulher com fama de feiticeira naufragou é grande o suficiente, mas mesmo assim, os pais de “A” alertam para os perigos de navegar muito longe da praia. Diferente de seus irmãos, os encontros com Ana mudam-no completamente. Ele começa a explorar a ilha em toda sua extensão e a visitar Ana frequentemente. “A” é o único que continua na choupana depois que todos vão embora. Belíssima fotografia e boas atuações do elenco local, no entanto, o filme tem o defeito de ter o ritmo lento e ser demasiado teatral.
Professores, ex-prefeito, pastores e policial federal são cotados ao Senado
Célia Tavares e Reinaldo Centoducatte assinaram livro de candidatos do PT e aguardam definições Com a proximidade da época de definições de partidos e domicílios eleitorais e formação de federações, com início no mês de abril, conforme as regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral, a relação de pré-candidatos ao Senado para preenchimento de uma única cadeira do Espírito Santo, começa a tomar forma. A vaga será aberta com o término do mandato da senadora Rose de Freitas (MDB), concorrente à reeleição, que, a depender das articulações em andamento, poderá optar por disputar a Câmara Federal, como apontam lideranças políticas. Ao nome do ex-senador Magno Malta (PL), cantor gospel e pastor, único já colocado no mercado como pré-candidato, somam-se outros, que ainda dependem de definições em seus partidos. Esse é o caso dos professores Célia Tavares e Reinaldo Centoducatte, ambos do PT; e do também pastor Nelson Junior, que poderá concorrer pelo Avante, o estreante na política, resultante do crescimento dos evangélicos nos círculos do poder político, fruto do bolsonarismo. Reinaldo Centoducatte, ex-reitor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), e Célia Tavares, ex-secretária de Educação de Cariacica, onde concorreu à prefeitura em 2020, já colocaram seus nomes em redes sociais e esperam definições da legenda, previstas para serem adotadas depois da definição sobre a formação de uma federação. Nessa quinta-feira (24), Célia Tavares e Reinaldo Centoducatte assinaram o livro de candidaturas, na sede do PT. A relação de candidatos cotados ao Senado inclui ainda o ex-prefeito de Colatina Sergio Meneguelli (Republicanos) e o superintende da Polícia Federal no Estado, Eugênio Ricas, ainda sem partido, apontado no mercado como pré-candidato, embora ele negue, mas que poderá ser alçado a tentar o Palácio Anchieta. Dos integrantes da relação, o pastor Nelson Junior e Eugênio Ricas são os dois nomes mais “estranhos” na política eleitoral, embora sempre tenham atuado no meio de lideranças com cargos eletivos. No primeiro mandato de Renato Casagrande, Ricas foi secretário de Justiça e na última gestão Paulo Hartung, em 2018, ocupou o mesmo cargo e, depois, a Secretaria de Controle e Transparência. Ele foi também adido da Polícia Federal nos Estados Unidos. Nos bastidores, o delegado é apontado para concorrer ao Senado, mas, caso o ex-governador Paulo Hartung decida por entrar na disputa, ele seria o candidato ao governo, no grupo que vem sendo formado com a reestruturação de antigos colaboradores de gestão Hartung. Lideranças políticas apontam dificuldades em reestruturar blocos partidários e apoios, em decorrência da crise estabelecida em 2018, quando o então governador desistiu de tentar se reeleger, depois de manter essa decisão em suspense, desequilibrando o cenário e deixando aliados ao abandono. Já o pastor Nelson Junior, o mais novato na cena política, faz parte de movimentos evangélicos cujo foco é o crescimento da agenda conservadora, com ênfase no antipetismo. Ele é conhecido por ser o autor do projeto “Eu resolvi esperar”, divulgado em igrejas evangélica do país, que prega a abstinência sexual como forma de evitar a gravidez precoce. Polêmico e objeto de críticas de especialistas que defendem a necessidade de levar mais informações aos jovens, o projeto foi aprovado na Câmara de Vitória com apenas dois votos contrários, das vereadoras Camila Valadão (Psol) e Karla Coser (PT). Agora lei, a proposta é de autoria do presidente da presidente da Câmara, Davi Esmael (PSB), em parceria com o pastor. Além dessa qualificação, suficiente, segundo o Avante, para concorrer ao Senado, Nelson Junior é citado como “uma pessoa diferenciada, de muita credibilidade, de família, um líder no seguimento religioso que transita muito bem em todas as denominações evangélicas, e também na católica”. E emenda que ele “se destaca como referência entre o público jovem, onde mais de 40% não são evangélicos, tem projeção nacional, se apresenta nos principais programas de TV em rede nacional de todas as principais emissoras, muitas matérias em jornais, revistas, diversas entrevistas em rádios, participações em lives, eventos, além de palestrar no Brasil e no exterior, dividindo o palco com diversas pessoas de renome e projeção nacional e internacional”. Já o ex-prefeito Sergio Meneguelli é o nome do Republicanos, com o apoio do deputado federal Amaro Neto, inicialmente cogitado para a disputa. Segundo fonte do partido, a “candidatura está sendo construída e deve se consolidar no tempo certo”. O nome de Meneguelli esteve ameaçado, em decorrência de divergências internas, inclusive com a possiblidade de sua saída das articulações do Republicanos. No campo do governador Renato Casagrande (PSB), as definições seguem em aberto, amarradas devido às articulações nacionais. A senadora Rose de Freitas tenta se consolidar com a candidata da chapa, mas também se movimenta nesse sentido o coordenador da bancada capixaba, deputado federal Da Vitória, que sairá do Cidadania para se filiar ao PP. Outro nome que já apareceu nas cotações foi do secretário de Estado de Controle e Transparência, Edmar Camata, convidado a se filiar ao Podemos.
Dez dias depois, impactos do vazamento da Imetame ainda são desconhecidos
Empresa nem Iema informam extensão do dano. Moradores temem mais problemas na estrutura precária de extração do óleo Sindipetro/ES Dez dias após o vazamento de óleo no Campo Lagoa Parda, na região de Areal, em Linhares, norte do Estado, ocorrida no dia 15 de fevereiro, ainda não se sabe a extensão do dano causado aos ecossistemas e os possíveis riscos à saúde das comunidades locais. Nem a empresa proprietária dos poços de petróleo, a Imetame Energia, nem o órgão responsável pelo licenciamento ambiental e fiscalização da atividade, o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), apresentaram os cenários possíveis de contaminação. Em nota nessa quinta-feira (24), a Imetame informou que “as ações de limpeza seguem evoluindo com ênfase na retirada de resíduos de áreas alagadas sob vegetação densa com equipes especializadas” e que “o fluxo de veículos e pessoas da comunidade está acontecendo normalmente”. Sobre a chegada do material tóxico ao rio Preto, afluente do Rio Doce, a empresa continua negando, apesar do alerta feito por moradores durante protesto realizado no último dia 18, de que vestígios do óleo já podiam ser vistos no pequeno córrego d’ água que atravessa as comunidades de Entre Rios e Areal e vai se unir ao Rio Doce na comunidade de Regência, já no litoral. A empresa também repetiu que “as coletas de água e solo de toda região se encerraram, dando início à fase de análises laboratoriais” e que “as causas do acidente estão sendo investigadas pela equipe técnica da Imetame e empresa especializada contratada”. Reuniões estão sendo feitas com grupos de moradores da região que, recebendo informações apenas da empresa, seguem convivendo com o receio de mais uma grande contaminação impune, que acrescenta óleo à lama despejada pela Samarco/Vale-BHP há seis anos. Redes sociais Em suas redes sociais, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) divulgou uma nota assinada pelo Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro-ES), os gabinetes dos deputados Iriny Lopes e Helder Salomão, do PT, a Federação dos Órgãos de Assistência Social e Educacional (Fase) e a Associação de Surf de Regência (ASR). Nela, as entidades ressaltam que “a estrutura adquirida recentemente pela Imetame faz parte do lote de operações em terra que a Petrobras tem vendido no Estado” e que tratam-se de “estruturas antigas, muitas sem manutenção, e que, se após o pré-sal não era prioritária para a estatal, voltou a produzir em ritmo acelerado desde a sua aquisição pela Imetame”. A preocupação das comunidades, sublinham, “é com a manutenção dessas estruturas, já que os vazamentos, como este que aconteceu em uma época de cheia dos brejos lagoas e rios da região, pode contaminar o Rio Doce onde é captada a água que abastece Regência”, sendo que “os moradores da região afirmam que parte do óleo já atingiu o Rio Preto, que deságua no Rio Doce”. ‘Submercado petroleiro’ Integrante da Campanha Nem Um Poço a Mais, que busca conscientizar a sociedade sobre a necessária transição para uma “civilização pós-petroleira”, a Fase acentua ainda o quão arcaico e insustentável é o “submercado de poços maduros de petróleo”. Redes sociais O coordenador estadual da Fase no Espírito Santo, Marcelo Calazans, chama atenção para o fato de que, ao privatizar seus poços maduros, a Petrobras “se livrou do mega passivo social e ambiental que deixou na região”, mas, “claro, esse passivo não foi ‘comprado’ pela Imetame. Restou como externalidade”. Há o agravante, ressalta o coordenador, de que “assim como a Imetame, a maior parte das empresas que operam nesse submercado da produção nacional não tem expertise no setor, nem capital para o operar com tecnologia mais moderna e segura. Sem contar que se trata de um óleo residual, em geral mais pesado e de mais caro e poluente refino”, expõe o coordenador-geral, alinhado com as críticas feitas pelo Sindipetro/Es em vistoria feita no local no dia seguinte, quarta-feira (16), quando constatou a precariedade dos materiais e técnicas utilizadas para a contenção do material, que se espalhava pelos alagados. Para tornar a atividade mais rentável, aponta, essas empresas necessitam de “muito apoio e incentivos fiscais do Estado, além de baixo investimento em tecnologia e mão de obra, bem como baixa fiscalização e valor das multas, sem nada de reparação”. A atividade está “na contramão de seus discursos [de governos e empresas] sobre mudanças climáticas”, sublinha Marcelo Calazans. Ainda assim são grandes receptoras de benefícios fiscais. “Os governos federal e estadual têm incentivado a expansão da indústria petroleira, como os investimentos do Bandes [Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo] no Porto Central, em Presidente Kennedy, e os 40 milhões na Imetame, via Bandes [Banco de Desenvolvimento do Estado] e Banestes [Banco do Espírito Santo]”. Águas voltam a subir na área afetada pelo vazamento de óleo da Imetame Moradores estão ilhados e temem efeitos do óleo, visível na estrada e na louça lavada dentro das casas https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/aguas-voltam-a-subir-na-area-afetada-pelo-vazamento-de-oleo-da-imetame Manchas de óleo da Imetame já estão no rio Preto, alertam moradores em protesto Há risco de contaminar água que abastece Regência. Caso é mais um na série de vazamentos já ocorridos na região https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/manchas-de-oleo-da-imetame-ja-estao-no-rio-preto-alertam-moradores-em-protesto ‘Submercado de poços de petróleo é antítese do combate à crise climática’ Campanha Nem Um Poço a Mais e Vigilantes da Foz do Rio Doce organizam ato contra vazamento de óleo pela Imetame https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/submercado-de-pocos-maduros-de-petroleo-e-antitese-do-combate-a-crise-climatica Vazamento de óleo da Imetame mostra ‘o custo da privatização’, diz sindicato Em visita ao local, Sindipetro/ES apontou https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/vazamento-de-oleo-da-imetame-mostra-o-custo-da-privatizacao-aponta-sindicato Óleo da Imetame vaza próximo à Reserva de Comboios em Linhares Comunidades atingidas de Areal e Entrerrios alertam sobre contaminação se espalhar por alagados, até chegar ao mar https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/imetame-tem-vazamento-de-oleo-proximo-a-rebio-comboios-em-linhares
Advogados trabalhistas querem audiências remarcadas e novos prazos
Após ataque hacker, Justiça do Trabalho está sem expediente desde o dia 20, com previsão de retorno no dia 4 Google Maps A Associação Espírito-Santense dos Advogados Trabalhistas (AESAT) enviou um ofício ao presidente do Tribunal Regional do Trabalho do Espírito Santo (TRT-ES), Marcelo Mancilha, requerendo medidas de suporte à advocacia quando o sistema processual eletrônico for retomado. O expediente do órgão está suspenso até o dia 3 de março, em razão de um ataque hacker no último domingo (20). O ofício pede que, quando o sistema for retomado, as audiências sejam remarcadas e os prazos processuais sejam suspensos por mais dois dias. O objetivo, de acordo com a associação, é permitir que a advocacia consiga gerir o volume de trabalho que estará acumulado, já que será preciso acessar os documentos e demais peças dos processos. A associação também requer atenção ao quinquídio legal previsto no artigo 841 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), e pede que, com o retorno das atividades, as audiências iniciais sejam remarcadas, tendo em vista que, durante esse tempo de paralisação, os advogados não tiveram acesso ao processo para a defesa. Por fim, o ofício assinado nessa sexta-feira (25) pelo presidente da AESAT, Edimário Araújo da Cunha, também pede que “após o restabelecimento do sistema PJE, que todas as Varas do Trabalho e o Núcleo de Execução Concentrada possam priorizar a expedição dos Alvarás, que os Alvarás sejam expedidos em nome da advocacia”. A suspensão das atividades no TRT-ES já vinha deixando a advocacia que depende da Justiça do Trabalho apreensiva. Desde o último domingo (20), todo o expediente presencial das unidades administrativas e judiciárias no âmbito do TRT17ª está suspenso, bem como as sessões de julgamento nas Turmas e no Pleno do Tribunal, audiências e nas Varas do Trabalho de Vitória e do interior. Também estão suspensos os prazos processuais judiciais, regimentais e administrativos. A previsão inicial era que a paralisação durasse até a última quarta-feira (23), mas duas prorrogações já foram feitas até então. A última foi nessa sexta-feira (25), quando a suspensão das atividades foi prolongada até o dia 3 de março. Logo após o ataque, o órgão se resumiu a apontar que “análises iniciais ainda não deram indícios de comprometimento da integridade dos dados, nem de vazamento de dados processuais e pessoais”, informando também que a Secretaria de Tecnologia da Informação e Comunicações (Setic) e da Equipe de Tratamento e Resposta a Incidentes de Segurança Cibernética (Etir) estavam atuando para avaliar e conter o incidente. Justiça do Trabalho adia expediente mais uma vez após ataque hacker – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/justica/justica-do-trabalho-adia-mais-uma-vez-funcionamento-do-orgao-apos-ataque-hacker
Lei Paulo Gustavo: maior investimento cultural da história do Estado
Na coluna: veja como foi votação e quanto será destinado a cada município; Festival Marrien Calixte define data e atrações POLÍTICA CULTURAL Espírito Santo pode receber investimentos federais de R$ 75 milhões Deputado José Guimarães (PT-CE), relator do projeto na Câmara. Foto: Divulgação Aprovada nessa quinta-feira (24) na Câmara de Deputados, a Lei Paulo Gustavo pode destinar R$ 3,8 bilhões em investimentos em arte e cultura para todos estados e municípios da federação. Para o Espírito Santo, estão previstos cerca de R$ 75,8 milhões, mais do que o investido a partir de 2020 pela Lei Aldir Blanc, representando assim o maior investimento da história no Estado no setor. Por contar com muitos recursos oriundos do fundo da Agência Nacional de Cinema (Ancine), a parte mais expressiva do montante da Lei Paulo Gustavo vai para o setor do Audiovisual, que tem sua demanda represada pelo desastre do governo federal na condução da Ancine. Mas cerca de um terço do total será para outras áreas da arte e cultura. Devido a alterações na Câmara, o texto volta ao Senado, que precisa avaliar o substitutivo da Câmara antes que o projeto seja enviado para sanção ou veto presidencial. Quanto cada município recebe? A Secult divulgou uma lista da previsão dos investimentos por município caso a lei seja mesmo sancionada. A exemplo da Lei Aldir Blanc, a divisão se dá por um mecanismo que inclui no cálculo população de cada local e o peso que possuem nos fundos de participação dos estados e municípios. No Espírito Santo, os que mais receberão em valores absolutos serão Serra (R$ 3,9 milhões), Vila Velha (R$ 3,7 mi), Vitória (R$ 3,3 mi) e Cariacica (R$ 2,9 mi). A Secult receberá um total de quase R$ 40,7 milhões para destinar para projetos. O documento abaixo detalha todos os valores. Seu navegador não oferece suporte ao visualizador de PDF Baixe o arquivo PDF aqui Lei Aldir Blanc 2 também avança Assim como a Lei Aldir Blanc, a Lei Paulo Gustavo tem caráter emergencial, diante do impacto da pandemia para o setor da cultura. Mas o mesmo não se repete para a chamada Lei Aldir Blanc 2, que também foi aprovada pelo plenário da Câmara e segue para o Senado. Neste caso, a proposta da nova lei é tornar as conquistas e mecanismos da primeira como instrumento permanente, fazendo valer de fato o Sistema Nacional de Cultura, por meio da transferência de recursos federais para chegar a cada local do país, descentralizando os investimentos, no que ganhou o apelido de “SUS da Cultura”. Assim, a Lei Aldir Blanc 2 quer garantir que haja o repasse anual de cerca de R$ 3 bilhões para estados e municípios, o que colocaria a cultura em outro patamar no país. Essa conquista, que não foi possível nem nos tempos áureos do Ministério da Cultura sob comando Gilberto Gil e Juca Ferreira, caminha justamente num dos períodos mais adversos para o setor diante do desgoverno de Jair Bolsonaro (PL). A habilidade política e articulação de parlamentares progressistas e movimento cultural vem vencendo barreiras. Mas ainda faltam algumas etapas para alcançar o sucesso esperado. Bancada capixaba vota SIM Aliás, apesar de passar vergonha em outros temas, como no caso do PL do Veneno, que flexibiliza o uso e aprovação de agrotóxicos, que teve apoio de oito dos 10 deputados – apenas Helder Salomão (PT) e Ted Conti (PSB) votaram contra -, a bancada capixaba na Câmara votou 100% a favor da Lei Paulo Gustavo e Lei Aldir Blanc 2. O único que não deixou seu voto foi Neucimar Fraga (PSD), que esteve ausente na votação. O secretário estadual de Cultura, Fabricio Noronha, que também é atual presidente do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura, agradeceu no Twitter aos deputados, enaltecendo o líder da bancada, deputado Da Vitória (Cidadania). As vitórias no plenário foram acachapantes. No caso da lei Paulo Gustavo, a votação foi 411 a 27. Governo estadual divulgará municípios que receberão coinvestimentos Ainda falando da política cultural, na próxima quinta-feira (3), às 14h, em cerimônia no Palácio Anchieta, a Secult anunciará os municípios habilitados para receber recursos por meio do Programa de Coinvestimentos em Cultura – Fundo a Fundo, e o valor que será destinado a cada um deles. A política é uma das apostas da atual gestão para multiplicar e descentralizar os investimentos culturais, já que para cada real investido pelo município, o Estado somaria entre 1 e 4 vezes o mesmo valor, a depender do tamanho do município, sendo que quanto menor, maior o percentual co-investimento estadual. No dia 9 de março, a equipe da Secult se reunirá no Maes com os gestores culturais dos municípios contemplados para explicar os detalhes para a parceria e a elaboração do plano de ação. EVENTOS Marien Calixte Jazz Music Festival retorna em março O parque da Pedra da Cebola, em Vitória, será o palco nos dias 18 e 19 de março da segunda edição do Marien Calixte Jazz Music Festival. O primeiro festival aconteceu em outubro de 2019 na praça de Bairro República, com grandes nomes como Hermeto Pachoal e Jonathan Ferr, sendo sucesso de público. Para 2022, o festival terá o pianista pernambucano Amaro Freitas, o multi-instrumentista Chico Chagas, o guitarrista argentino radicado no Brasil Torcuato Mariano, a dupla chilena Madela, a capixaba Thaysa Pizzolato, Esdras Nogueira, ex-integrante do Móveis Coloniais de Acaju, entre outras atrações. A entrada é gratuita, com ingressos disponíveis a partir de 7 de março no site www.sympla.com.br. Marien Calixte, que dá nome ao festival, foi jornalista, radialista, crítico musical e um grande amante e entusiasta do jazz em terras capixabas, tendo comandado por 50 anos um programa de rádio sobre este gênero musical. ESPAÇOS CULTURAIS Novos espaços culturais serão inaugurados na Grande Vitória Com a retomada das atividades culturais, vão aparecendo também novos espaços de fomento à arte e cultura na Grande Vitória. Um deles é a Kasa Raiz, que será inaugurada no bairro Marcílio de Noronha, em Viana, no dia 5 de março, a partir das 17h, contando com apresentação do artista Piatan Lube.