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Estrada sobre a Lagoa Encantada até a Leste-Oeste pode matar rio Aribiri

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Proposta é contrária à remediação da crise climática. Tema deve ser tratado em audiência pública do PlanMob Evitar a morte do rio Aribiri. Esse é um dos alertas que será levado pelos defensores da Lagoa Encantada até a audiência pública que acontece nesta quinta-feira (3), às 18h, no auditório da Prefeitura de Vila Velha, em Coqueiral de Itaparica.  Relativa ao Plano Municipal de Mobilidade e Acessibilidade (PlanMob), a audiência é uma oportunidade crucial para os gestores públicos entenderem os catastróficos impactos que podem ser produzidos por algumas das estradas propostas no Plano. “O impacto gerado por estas vias no manguezal e nos alagados será grande, afetando a vida de muitos animais como o Jacaré-de-papo-amarelo que se encontra ameaçado de extinção na lista vermelha do Espírito Santo e que tem como seu último refúgio, na região urbana de Vila Velha, a Lagoa Encantada. Elas também aumentarão os lixos jogados na área e a morte de animais atropelados facilitarão a entrada de caçadores”, explana o coletivo APP Lagoa Encantada em suas redes sociais, ao convidar os amigos da bela área natural a participarem do debate com propostas que melhorem o traçado das vias planejadas para o futuro da região.  Uma estrada, em especial, preocupa os socioambientalistas: uma via arterial, com cerca de 40 metros de largura, que foi proposta para passar sobre o leito do rio Aribiri, seguindo, a sudeste, pelo entorno direto – e, em alguns momentos, dentro – da unidade de conservação para proteção legal da lagoa e seus alagados e manguezais, cuja proposta de criação já tramita dentro da prefeitura. O traçado segue por esse terreno extremamente frágil e de natureza ainda selvagem, até o Morro do Carcará, no limite sul da unidade de conservação proposta. Ponte na Rodovia Carlos Lindenberg sobre o rio Aribiri, no ponto em que ele se conecta com os alagados e manguezais da Lagoa Encantada. Foto: Reprodução “Fizemos um documento para o município e foi alterado para via coletora. Do meu ponto de vista, ainda não atende, é muito agressivo”, afirma Irene Léia Bossois, do Fórum Popular em Defesa de Vila Velha, em vídeo divulgado nas redes sociais. “Porque até criar uma unidade de conservação, não tem que ter via nenhuma (…)”, ressalta, reforçando a urgência de se criar uma unidade de conservação na área. “Sem a unidade de conservação, fica muito fragilizado o local”, acrescenta.Participação social O trecho da estrada proposto para passar ao lado do Atacadão, conectando a via à Rodovia Carlos Lindenberg, sublinha a ativista, aparece nos mapas históricos do Estado como leito do rio Aribiri. Por isso sua sugestão para que essa conexão de vias seja, minimamente, feita por meio de um elevado, para não prejudicar a ligação da Lagoa Encantada com o canal do rio Aribiri. “Porque, se não, a gente está praticamente extinguindo um rio”, alerta a pesquisadora. “Isso pode ser modificado na audiência pública”, convoca. Em sua avaliação, as propostas feitas ao PlanMob até o momento pela sociedade civil conseguiram melhorar o plano inicial. “Eu acho que está melhorando, sim. Até porque havia vias que cortavam a lagoa. Pelo menos essa via, por mais que eu não considere adequada, mesmo sendo coletora, está no entorno”.  Pontilhado vermelho mostra via coletora proposta para passar sobre leito do rio Aribiri, no entorno direto da futura unidade de conservação da Lagoa Encantada Biodiversidade O fotógrafo Wilerman da Silva Lucio, integrante do Fórum de Desenvolvimento Social, Econômico e Ambiental do Grande Vale Encantado (Desea), lembra que quando criança, na década de 1990, catava caranguejos naquele ponto do rio que se conecta com o manguezal e alagados.  Acompanhando desde então as transformações do local, ele conta que há ainda uma biodiversidade importante. “Muitos bichos, peixes, jacaré, aves. Já soubemos de jacaré que passou aqui e saiu em Jardim Marilândia. Aves tem maçarico, lavadeira mascarada, martim pescador…capivara também ocorre”, conta, citando os exemplares da fauna mais emblemáticos da região, que é utilizada por observadores de aves de várias partes do Estado e do país.  Apesar da poluição, a lagoa também é muito utilizada ainda por moradores como área de lazer e contemplação da natureza, havendo seguidos mutirões de limpeza e reflorestamento de suas margens. A Lagoa Encantada ainda abriga grande diversidade e é área de lazer para a população do entorno. Foto: Wilerman da Silva Lucio Crise climática A potencial extinção de um rio, a ocupação de uma área natural tão importante para a cidade e a demora na criação de uma unidade de conservação que oriente o desenvolvimento do entorno são medidas contrárias ao que preconiza os planos e tratados voltados à mitigação da crise climática mundial.  Num paralelo com a tragédia recente de inundações em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, e em tantas cidades capixabas, o militante salienta a necessidade de mudar a perspectiva com que se planejam estradas e áreas protegidas no município.  “Lá em Petrópolis a gente viu ocupação em topos de morro. Às vezes por não ter capacidade financeira para comprar em um lugar melhor, as pessoas se arriscam na beira de rios e nos topos de morros. A ocupação em Vila Velha, em alguns locais, vem causando problemas, como em Guaranhuns e Pontal das Garças, que demandaram um gasto muito grande do poder público para resolver. A ocupação da Lagoa Encantada pode demandar esse gasto público também”, expõe. Wilerman lembra ainda que o entorno da lagoa tem uma área de três milhões de metros quadrados diretamente influenciada por ela. “A primeira coisa que se faz para ocupar uma área é colocar uma estrada”, alerta. Acontece que essa região, acentua, absorve uma quantidade imensa de água das chuvas. Se for aterrada, para a construção de estrada e imóveis, haverá muitos impactos negativos. “Com certeza vai impactar ali e em outros locais, principalmente quem está rio abaixo”. Traçado de novas ruas precisa respeitar proteção da Lagoa Encantada e seu entorno – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/tracado-de-novas-ruas-precisa-respeitar-protecao-da-lagoa-encantada-e-seu-entorno Morro do Carcará, na Lagoa Encantada, segue sem proteção em Vila Velha – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/morro-do-carcara-na-lagoa-encantada-segue-sem-protecao-em-vila-velha

02/03/2022 / 0 Comments
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‘Perseguiram só o meu bar’, diz proprietária multada no Carnaval

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Tradicional Bar da Zilda, que foi uma das opções de entretenimento gratuitas no feriado, teve equipamentos apreendidos A ação de fiscalização nessa terça-feira de Carnaval em bares do Centro de Vitória provocou protestos de comerciantes e frequentadores. O tradicional Bar da Zilda, na Rua Maria Saraiva, teve equipamento de som apreendido e recebeu multa de cerca de R$ 1,3 mil. “Em 30 anos de bar, nunca tinha acontecido isso”, disse Zilda Aquino, proprietária do estabelecimento, que é um dos principais redutos de samba no Estado. Segundo ela, na noite anterior, o estabelecimento havia sido visitado pela fiscalização próximo às 23h, quando foi pedido que o som fosse desligado, o que foi acatado, sendo que o local não foi notificado. Na terça, pouco antes das 18h, quando o tradicional samba ainda não havia sido iniciado e o som estava desligado, o equipamento foi apreendido em ação que contou com apoio da Guarda Municipal e sua Ronda Ostensiva Municipal (Romu), grupo especial que tem atuado de forma repressiva no município. Operação de apreensão das caixas de som antes do início do samba no Bar da Zilda. Foto: Divulgação Depois da apreensão, o bar seguiu aberto, porém sem música ao vivo, e as pessoas continuaram frequentando a rua e seus arredores, que se configuram como um ponto tradicional de encontro noturno no bairro. Durante a noite, houve operações da Polícia Militar com apoio da Romu, com uso  de gás lacrimogêneo e spray de pimenta para dispersão próximo da Rua Sete e Rua Maria Saraiva, assim como nas proximidades da Praça Costa Pereira, onde acontecia o evento Subúrbio, no Terraço Rosário, local fechado. “É uma coisa revoltante, não tinha necessidade disso. Se juntou gente demais na rua, é porque Vitória não tinha evento nenhum. Como meu samba é conhecido, todo carnaval o povo vem, acabou juntando”, alega Zilda, que rebateu a fala do secretário de Desenvolvimento de Vitória, Marcelo Oliveira, de que o bar estaria promovendo evento clandestino. “Meu alvará é de bar, restaurante e similares com entretenimento. Não estou fazendo nada ilegal”, alegou a comerciante, que chegou a se reunir com o secretário municipal de Cultura, Luciano Gagno, e com a Associação de Moradores do Centro de Vitória (Amacentro), antes do carnaval, tendo se informado de que o bar poderia funcionar, já que o som fica dentro do estabelecimento. A questão é que, como em todo fim de semana em que o local funciona, o público do bar ocupa também as ruas do entorno, o que costuma se intensificar em datas comemorativas. O Decreto 20415/2022, que regula as ações para o carnaval do município, proíbe em seu artigo primeiro, entre outros pontos, “a realização de todo e qualquer evento dos quais resulte em aglomeração de pessoas nos espaços públicos abertos e vias, onde não é possível o controle de acesso do público”. Os blocos de carnaval respeitaram o decreto, que previa a suspensão do carnaval 2023 para quem descumprisse, e não saíram durante os dias das festividades. Porém, Sandra Oliveira, integrante do Liga dos Blocos do Centro de Vitória (Blocão), reclamou da falta de programação da prefeitura. “A gente avisou várias vezes que o carnaval aconteceria independente da prefeitura, que as pessoas iriam para a rua. Houve autorização para eventos fechados com entradas caras, mas não houve alternativa para quem não podia pagar, as pessoas foram para a rua. Então a folia aconteceu de forma desorganizada. Isso se dá pela contradição da prefeitura em permitir festas fechadas e não garantir um carnaval gratuito”, considera. “Como que a prefeitura quer fazer do Centro de Vitória um polo gastronômico, como pretende, se ela mesmo não abraça o Centro e sua cultura? Se ao invés de abraçar, ela quer acabar?”, desabafa Zilda. 

02/03/2022 / 7 Comments
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‘Violência contra mulher não é só questão de segurança pública’

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Número de homicídios contra mulheres no Espírito Santo aumentou 57,1% no primeiro bimestre de 2022 Divulgação O governador Renato Casagrande comemorou a queda dos indicadores de violência no Espírito Santo, que fechou o primeiro bimestre de 2022 com 164 homicídios, o menor número da série histórica. Apesar da diminuição, quando se trata do homicídio de mulheres, o Estado registrou um aumento de 57,1% no mesmo período, mostrando que a violência de gênero continua sendo uma pendência em território capixaba. “Violência contra mulher não é só questão de segurança pública”, aponta Edna Martins, integrante do Fórum de Mulheres do Espírito Santo (Fomes). O crescimento se refere ao mesmo período do ano passado. Em janeiro e fevereiro de 2021, 14 homicídios de mulheres foram registrados no Espírito Santo. Este ano, só em janeiro, o Estado já tinha alcançado esse número, chegando a 22 no fim de fevereiro. Os dados são do Observatório da Segurança Pública da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp). Edna acredita que um dos fatores para que o número não pare de crescer é a falta de uma estratégia efetiva e intersetorial do Governo do Estado. “O Espírito Santo sempre teve altos índices de homicídios de mulheres. O problema é que, desde 2015, a partir da Legislação do Feminicídio, se deu maior visibilidade a essa qualificadora, e aí ao fragmentar a realidade de mortes violentas de mulheres, o Espírito Santo caiu nos índices. Contudo, nos últimos anos os índices cresceram. Não existe concretamente uma rede funcionando de forma coletiva e que faça o enfrentamento da situação de violência contra a mulher nesse Estado. Instituições públicas e secretarias do Executivo agem também de forma fragmentada”, aponta. Durante todo o ano de 2021, o Observatório indica que 106 mulheres foram vítimas de homicídio no Espírito Santo, sendo 38 casos confirmados como feminicídio, quando a vítima é morta por ser mulher. O mês mais violento foi outubro, quando a Sesp registrou 18 homicídios de mulheres no Espírito Santo. Além de não ter uma rede efetiva de combate ao problema, Edna lembra que, na maioria das vezes, as políticas públicas de violência contra mulher são pensadas somente no âmbito da punição, o que não é efetivo. “Até mesmo ações que a gente pode considerar de prevenção são realizadas após todo o processo de violência acontecer. Não existe uma ação estratégica para prevenção da violência contra a mulher e, infelizmente, esse é um estado extremamente conservador, onde o machismo e o racismo são muito visíveis e frequentes, então ações estratégicas de prevenção são necessárias”, aponta. Em um contexto conservador e uma construção histórica que colabora para que esses números cresçam, a ativista acredita que as campanhas deveriam envolver também as próprias mulheres. “Nós temos um patriarcado racista que funciona bem na sociedade capixaba, onde há ainda um processo de romantização muito grande das mulheres em relação a ter um companheiro, um amor por esse companheiro e, por vezes, a partir desse processo, elas acabam não conseguindo enxergar por que isso acontece”, enfatiza. Antes mesmo da divulgação dos dados do primeiro bimestre e 2022, o aumento já era perceptível nas mortes noticiadas a cada semana, seja pelo caso da mulher encontrada morta em um apartamento de Vila Velha em janeiro deste ano, ou pelo caso da mulher trans assassinada a facadas em Cachoeiro de Itapemirim, sul do Estado, em fevereiro. O rastro da violência também tem sido maior ano após ano. Em 2019, foram 91 casos, e em 2020, 102 registros, chegando a 106 em 2021. Para Edna, também há falhas no acolhimento e proteção às mulheres que sofrem a violência. Além de uma sobrecarga e precarização nos equipamentos de apoio às vítimas, os problemas estão presentes na própria preparação dos profissionais para lidar com os casos. “Os nossos serviços, até do ponto de vista da assistência social, são péssimos, muitos profissionais, inclusive, relevam o perigo que aquela mulher corre no seu cotidiano e a necessidade de se fazer um enfrentamento. Em alguns lugares, como o Creas e Cras [Centros de Referência de Assistência Social], você tem poucos profissionais para atender uma gama de situações de violência”, enfatiza. Manifesto pela vida das mulheres O fim desse cotidiano de massacre diário de mulheres é uma das pautas do manifesto lançado pelo Fomes no último dia 22 de fevereiro, que convoca para o ato do dia 8 de março, em menção ao Dia Internacional da Mulher. Além de ordenar, mais uma vez, pelo fim das violências, o documento é um grito contra a gestão Bolsonaro, que, para o fórum, personifica “a misoginia, o racismo, a LGBTfobia, o capacitismo e o ódio ao pobre”. O documento foi assinado e tem o apoio de 65 organizações da sociedade civil. Esse também será o tom do ato unificado que será realizado na próxima terça-feira (8) na Capital. A concentração será na Praça Costa Pereira, Centro, às 14h30. “Diante da assombrosa conjuntura que assassina mulheres todos os dias, seja de fome, de desemprego, de desalento; seja pela cor da nossa pele; seja por nossa orientação sexual; seja porque somos classe trabalhadora; seja pelo local (por) onde moramos; seja porque não nos calamos; seja porque faltam, privatizaram ou propositadamente impediram nosso acesso a políticas sociais; seja porque nunca deixamos ou deixaremos de lutar, gritamos: Pela vida das Mulheres! Bolsonaro nunca mais!”, diz o manifesto do Fomes. Fórum divulga ‘manifesto pela vida das mulheres’ e em repúdio a Bolsonaro – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/direitos/fomes-divulga-manifesto-pela-vida-das-mulheres-e-em-repudio-a-bolsonaro

02/03/2022 / 0 Comments
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Consumação mínima em quiosques na Curva da Jurema chega a R$ 1 mil

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Defensoria oficiou Procons para que fiscalizem a prática de consumação mínima, mas não obteve resposta Cerca de um mês depois de ter visitado a Curva da Jurema e constatar a imposição de consumação mínima em quiosques, Século Diário voltou à praia e obteve a informação de que essa prática não somente continua como também aumentou de preço. As tendas, que antes exigiam consumação mínima de R$ 200,00 em dias de semana e de R$ 300,00 aos sábados e domingos, agora têm consumação mínima de R$ 1 mil. As tendas ficam dentro do cercado com corda ao redor dos quiosques, diferentemente da última vez que Século Diário foi ao local, que tinha também fora do cercado. Na visita feita em janeiro, havia também as mesas de madeira, com guarda-sol, consideradas mais simples e cujo valor era de R$ 100,00. Desta vez, a informação obtida foi de que não há consumação mínima nelas, o que foi confirmado por frequentadores que as estavam utilizando. Elaine Dal Gobbo Após repercussão da matéria veiculada por Século Diário em janeiro, a Defensoria Pública do Estado (DPES), por meio do Núcleo de Defesa Agrária e Moradia, oficiou o presidente do Procon Estadual, Rogério da Silva Athayde; e a gerente do Procon Municipal de Vitória, Denize Izaita Pinto, solicitando que ambos os órgãos “fiscalizem a prática realizada pelos quiosques da Praia da Curva da Jurema de cobrar um valor de consumação mínima para o uso das suas sombrinhas, mesas e cadeiras e que tomem as medidas coercitivas cabíveis para impedir a sua continuidade”. No ofício, a Defensoria afirma que, com base na matéria, “esses quiosques estariam cercando com cordas o espaço público ao seu redor, utilizado por eles para a instalação de mesas, cadeiras e sombrinhas, restringindo o local de trânsito e permanência dos frequentadores da praia. Eles também estariam colocando placas informando a proibição de caixa térmica, caixa de som e a circulação de ambulantes”. Prossegue dizendo que, “ao mesmo tempo, os quiosques estariam cobrando taxa de consumação para a permanência nas suas sombrinhas, mesas e cadeiras, tanto daquelas instaladas ao redor do quiosque, como de outras instaladas à beira da praia”. E ainda que, “na mencionada reportagem, foram colhidos os relatos de antigos frequentadores da praia, que agora não conseguem permanecer nas faixas de areia cercadas pelos comerciantes locais, por falta de condições financeiras para pagar a taxa de consumação, que varia de R$ 100,00 a R$ 300,00”. A DPES destaca no documento que o Código de Defesa do Consumidor, no artigo 39, “estabelece como abusiva e veda a prática de condicionar o fornecimento de produto ou de serviço a limites quantitativos, o que se enquadra no que popularmente conhecemos como venda casada”. “Assim, entendemos que a exigência de um consumo mínimo para a permanência nas barracas de praia não pode ser admitida”, conclui. A DPES solicitou uma resposta em prazo não superior a 15 dias. Entretanto, informa, a demanda não foi respondida. O Procon Estadual chegou a anunciar em seu site que “para combater essa prática [cobrança de consumação mínima], proibida pelo Código de Defesa do Consumidor, o Instituto Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-ES) oficiou a Secretaria do Patrimônio da União, delegatária dos imóveis situados na faixa de praia, e o Ministério Público Federal”. O órgão segue dizendo que “também notificou o Sindicato dos Restaurantes, Bares e Similares do Espírito Santo (Sindbares) e a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), para uma atuação coletiva visando ao cumprimento da legislação”. Essas iniciativas, conforme observado na segunda visita feita por Século Diário à Curva da Jurema, não surtiram nenhum efeito até o momento, cabendo ações mais rígidas para coibir a prática de consumação mínima.  Mudanças A primeira visita de Século Diário à Curva da Jurema para averiguar o processo de gentrificação aconteceu após o assunto ganhar repercussão nas redes sociais. É perceptível, por exemplo, que os quiosques, outrora mais simples, deram lugar a outros, mais sofisticados, e, consequentemente, mais caros. Agora já não se encontra com tanta facilidade grupos de banhistas que se divertem com a bola ou outros objetos trazidos de casa, mas é visível, em espaços grandes da faixa de areia, quadras de beach tennis e bases de canoas havaianas, atividades pagas. Academia, café, lojas de roupa, tudo isso agora faz parte do cenário. Em um quiosque que a repórter visitou, uma senhora, acompanhada de um rapaz, pediu o cardápio, mas foi informada de que não poderia comer ali porque não é autorizado consumir no local portando uma caixa de isopor. A dela, escrito “vende-se chup-chup”, foi motivo para que, independentemente de pedir o cardápio como uma cliente qualquer, não pudesse usufruir dos serviços. Elaine Dal Gobbo O advogado André Moreira, na ocasião, não descartou a possibilidade de o ocorrido com a vendedora de chup-chup poder ser enquadrado na Lei 7.716/1989, que “define os crimes resultantes de raça ou de cor”, e que em seu artigo 8º prevê reclusão de um a três anos em caso de “impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares, confeitarias, ou locais semelhantes abertos ao público”. “Que não pode entrar com caixa térmica para consumir no quiosque o que trouxe de casa a gente até entende, mas uma trabalhadora ambulante que resolveu parar para comer não poder entrar com a caixa térmica? A gente tem que fazer alguns questionamentos. Quem é que está com a caixa térmica? Há algum impedimento real ou essa pessoa é identificada com alguma etnia? Quem sai de caixa térmica são os mais populares, ela é a marca de uma classe de maioria negra. Nessas situações, é uma violação do direito da pessoa ao serviço, é discriminação”, aponta. Frequentadores da praia queixam-se das mudanças ocorridas. A jornalista Mônica Oliveira morou em Vitória, no bairro São Pedro, durante 15 anos, e sempre frequentou a praia. Agora reside em Brasília e, sempre que visita o Espírito Santo, a Curva da Jurema é parada obrigatória. “Eu morava na periferia, e a praia mais próxima dos bairros da periferia em Vitória é a Curva da Jurema. É a praia que

01/03/2022 / 2 Comments
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Mãe de autista consegue emprego de cuidadora após matéria em Século Diário

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Taíza agora luta por cuidadores e terapia pelo SUS para os filhos. Coletivo convoca para novo protesto na Serra Depois de contar o drama que vivencia devido à falta de cuidadores nas escolas dos filhos em Século Diário, Taíza Amorim Soeiro Lopes conseguiu o emprego que reivindicava: cuidadora de crianças com deficiência em seu próprio bairro.  Chamada no início do ano para trabalhar em uma escola de Vila Velha, Taíza explicou à reportagem a impossibilidade do deslocamento diário e conseguiu uma vaga perto de casa dois dias após a publicação. “Eu acho que eles viram minha situação na matéria e decidiram me achar”, conta, satisfeita, com a renda fixa obtida. Arquivo pessoal Agora, conta, “faltam cuidadores para os meus filhos e conseguir as terapias que eles precisam fazer, pelo SUS [Sistema Único de Saúde]”, afirma, referindo-se à fonoaudiologia, terapia ocupacional e outros tratamentos que possam ajudar no desenvolvimento cognitivo dos meninos, um de três e outro de nove anos.  “Estou esperando vaga de fono na Apae [Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais, rede de entidades que recebe recursos públicos para o atendimento gratuito de crianças e adolescentes com deficiência]. No posto de saúde daqui a fonoaudióloga não atende autista, ela fala que não sabe lidar com criança autista. E o neurologista é muito grosso com as crianças e com as mães. As famílias não querem mais consultar com ele”, lamenta.  Apenas o filho menor está indo para as aulas presenciais com certa normalidade, pois seu autismo é menos grave. Estudando na mesma escola em que a mãe trabalha – o Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Annodina Scarton Nunes, em Praia Grande/Fundão – o pequeno está sob constante risco devido à falta de cuidador, explica Taíza.  “Ele está ficando sozinho na sala. Daí ele sai da sala e a professora não vê. Pode acontecer alguma coisa, ele tem problema nos ossos, se cair, pode quebrar. Tinha que ter uma cuidadora para manter ele na sala de aula”, roga. Também falta professor de Educação Especial. “A escola não tem e na Apae ainda não começou”.  A escola tem outra criança autista e uma cadeirante, que não está indo porque está sem cuidador. “E a gente sabe de cuidadora que fez a inscrição, está desempregada precisando trabalhar. Por que não chamam logo essas cuidadoras? As crianças estão precisando!”, pede. No CMEI, Taíza presta assistência a duas, às vezes três salas. “Só tenho eu de cuidadora na escola”, diz, tentando transmitir a correria que é o dia a dia escolar devido à ausência de outros profissionais como ela.  O filho mais velho, que tem autismo mais severo, estuda numa escola estadual, a EEEF Virgínio Pereira, em Nova Almeida, na Serra, bairro vizinho. Lá tem mais de 15 crianças sem cuidador, a maioria sem estudar, como o filho de Taíza.  A única atividade que ele consegue ter acesso é a Educação Especial, feita três vezes na semana por uma hora cada. “O pai dele sai do trabalho para levá-lo na escola e fica lá esperando terminar. A consulta com o médico para dar o laudo necessário para ter um cuidador no transporte escolar está marcado para abril”, explica.  A alimentação é outro obstáculo. O leite especial recomendado pelos médicos, custa mais de R$ 50 a lata, sendo que na casa de Taíza seriam necessárias quase seis latas por mês, um custo que a família não tem condições de arcar. “Se a gente consegue consulta com nutricionista da prefeitura, consegue pegar o leite de graça, mas aqui em Praia Grande não tem nutricionista”.  Palácio Anchieta A falta de acesso à escola e aos serviços de saúde especializados por parte de crianças e adolescentes com deficiência é um problema crônico em todo o Espírito Santo, assim como no Brasil. Buscando uma solução efetiva para a demanda, o coletivo Mães Eficientes Somos Nós realizou neste mês de fevereiro mais uma grande mobilização para forçar um diálogo com os gestores públicos.  No dia 14, um grupo de mães e seus filhos iniciaram um acampamento no Palácio Anchieta, reivindicando uma reunião com o governador Renato Casagrande (PSB) e os secretários estaduais de Saúde, Nésio Fernandes, e Educação, Vitor de Angelo. O encontro aconteceu ao final do quinto dia de mobilização e foi comemorado pelas mulheres, como um momento importante de visibilidade na luta pelos direitos das pessoas com deficiência. Redes sociais Foram criados dois grupos de trabalho, para tratar de saúde e educação, cada um com três representantes do governo do Estado e três representantes do coletivo. As reuniões serão quinzenais, sendo a primeira marcada para esta quinta-feira (3), sobre saúde. E a cada 45 dias, haverá reuniões com o governador.  Mas ainda não foi feita nenhuma melhoria efetiva no dia a dia das famílias. A contratação dos cuidadores em número compatível com a demanda continua sem solução, devido à falta de interesse dos convocados em assumir o cargo, explicou o secretário de Educação, Vitor de Angelo. Um número maior de consultas com médicos especializados deve começar a valer a partir deste mês de março, segundo informou a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Bulling e tentativas de suicídio Tragicamente, a persistência da situação de escassez múltipla de profissionais foi apontada pela família como um dos fatores que levou uma criança de dez anos a tentar suicídio por não suportar mais o bulling que sofria na escola.  Na próxima sexta-feira (4), o coletivo organiza um “ato de protesto contra os sofrimentos e apagamento social dos estudantes com deficiência nas escolas municipais e estaduais”. Será feita uma caminhada da Secretaria de Educação da Serra até a prefeitura, aberta à participação de todos os movimentos sociais e pessoas que apoiam a luta pelos direitos das Pessoas com Deficiência (PCD).  “Na semana passada duas crianças da rede municipal de ensino, em um único dia, tentaram suicídio devido aos sofrimentos causados por bulling dentro de escolas. A sociedade e o poder público não podem mais ‘fechar os olhos’ para estas graves situações. Nós pedimos socorro! Tragam seus cartazes, faixas ou qualquer outra forma de apoio à nossa luta. E venha de

01/03/2022 / 0 Comments
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Quais são as necessidades da juventude da Capital?

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Com equipamentos em risco, lideranças acreditam que Vitória parou no tempo quando o assunto é política pública Redes sociais Após a Prefeitura de Vitória decidir não renovar a atual licitação da Casa da Juventude de São Pedro, justificando que “os termos atuais estavam desalinhados com as necessidades da juventude da Capital”, o que se pergunta é: quais necessidades são essas? Mobilizadores e lideranças capixabas alertam que, para responder à questão de forma urgente, o município precisa correr para recuperar o protagonismo que já teve quando o assunto é política pública para esse grupo. Luiz Felipe Costa, presidente do Conselho Municipal de Juventude de Vitória (Comjuv), acredita que, para isso, a valorização do Plano Municipal de Juventude é fundamental na promoção dessas políticas. “O município de Vitória tem um plano desde 2015 e até hoje não avaliou, não realizou nenhum monitoramento. A gente não consegue mensurar no que avançou ou não na promoção dessas políticas de juventude”, afirma. Além da falta de monitoramento, é preciso dar continuidade a projetos de valorização desses jovens. O conselheiro de Diversidade e Igualdade do Comjuv, Wess Lacerda, aponta a necessidade de reconhecimento do jovem negro, por exemplo, e de estratégias de inserção no mercado de trabalho. “Vitória já foi referência nacional em políticas públicas voltadas para a juventude e hoje é como se a gente tivesse parado no tempo”, pontua. Mais que isso, esse reconhecimento precisa alcançar a juventude em toda a sua pluralidade. Wess defende o fortalecimento de políticas voltadas para a população LGBTQIA+ e para os jovens negros, garantindo a essas pessoas o direito à cidade. Ele também destaca a importância das medidas de combate à insegurança alimentar, que ainda é uma necessidade básica para muitos jovens capixabas. “A juventude tem fome e, muitas vezes, a merenda escolar é a única refeição do dia. A reativação do restaurante popular, que já existe aqui em Vitória, é uma excelente ferramenta para lutar contra a insegurança alimentar”, sugere. Luiz Felipe pontua a execução de uma política para a juventude mais ampla, que, de fato, possibilite o desenvolvimento dessas pessoas. “É fundamental entender que somente oficinas oferecidas por alguns equipamentos não dão conta de atender às demandas e os anseios da juventude da nossa capital. É necessário o acolhimento, o atendimento por uma equipe multidisciplinar, com psicólogos e educadores sociais”, descreve. Tudo isso também considerando as pautas que fazem parte do cotidiano e da história desses jovens, com promoção do combate ao extermínio da juventude negra, e discussão de temas como racismo, empoderamento feminino, e o combate à intolerância religiosa. “Nós temos capacidade pra isso, já fizemos (…) é fundamental retomar esse processo, para que a juventude de Vitória, de fato, se sinta contemplada nessas políticas”, enfatiza Luiz Felipe. Por enquanto, tudo indica que o município caminha em um sentido contrário. Em entrevista ao Século Diário na última terça-feira (22), um dia após a Casa de Juventude de São Pedro aparecer de portas fechadas, a integrante do Coletivo Beco, Crislayne Zeferina, denunciou o desmonte das políticas de juventude na capital. “Eu não estou falando de ir em uma parede fazer um grafite, falo do grafite que vai mudar e transformar vidas a partir da sua teoria e da sua prática. É sobre isso que a gente fala. É sobre esse apagamento de histórias, de várias concepções, de várias pessoas que lutaram para que existisse a Casa da Juventude, para que existisse o CRJ [Centro de Referência da Juventude]. São políticas públicas garantidas por nós por meio do Estatuto da Juventude e do Plano Municipal de Juventude”, declarou. Portas da Casa da Juventude fechadas na última segunda-feira (21). Foto: Redes sociais A gestão de Lorenzo Pazolini (Republicanos) não renovou o termo de colaboração com o Instituto de Desenvolvimento Social Bem Brasil, responsável pelas atividades da Casa da Juventude de São Pedro, que atende cerca de 150 jovens com atividades sociais. O que preocupou moradores e lideranças foi justamente a falta de um novo chamamento público para que os serviços continuassem sendo oferecidos. O município informou que, com o fim do contrato, os serviços na Casa de Juventude têm sido prestados por servidores da Secretaria de Cidadania, Direitos Humanos e Trabalho (Semcid). A gestão também garante que será realizado um edital unificado, bem como um investimento de R$ 3 milhões para a reconstrução da Casa da Juventude de São Pedro e do Centro de Referência da Juventude (CRJ), cujo contrato também não foi renovado. Os questionamentos giram em torno da capacidade técnica desses profissionais que passaram a atender na Casa da Juventude enquanto o novo chamamento público não é realizado. Nessa quarta-feira (23), uma reunião entre a mesa diretora do Conselho Municipal de Juventude e a equipe da Semcid discutiu o assunto. Uma das perguntas dos integrantes do Conselho Municipal de Juventude foi por que a prefeitura não iniciou o novo edital em tempo hábil para que os serviços oferecidos nos equipamentos não fossem interrompidos. As lideranças também questionaram por que as insatisfações com a organização prestadora do serviço na Casa da Juventude não foram apresentadas ao gestor do convênio. “Foi anunciado cerca de 3 milhões de reais em investimento. Para quando são esses recursos? Contemplam a abertura dos equipamentos de juventude? Em relação a esse novo edital de chamamento público, qual o prazo? Até lá os equipamentos funcionarão de que forma?”, enumerou o Comjuv à prefeitura, que tinha até essa quinta-feira (24) para se posicionar, mas não o fez, o que gerou um ofício de cobrança. Pontos essenciais e urgentes para juventude da Capital permanecem, portanto, sem respostas. Até quando?

01/03/2022 / 0 Comments
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Comunidade de São Benedito ganha rota de turismo comunitário

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Será criado um tour auditivo, murais em fachadas e sinalização durante o trajeto a ser implantado Uma iniciativa de turismo comunitário que busca valorizar a cultura local e gerar oportunidades para os moradores. É a proposta da Rota São Benedito, bairro que integra o Território do Bem, em Vitória, projeto desenvolvido pela ONG Ateliê de Ideias, em parceria com a prefeitura. A Rota, segundo o Ateliê de Ideias, busca ainda preservar as memórias dos moradores, além de potencializar o turismo local. Desta forma, vai destacar lugares e pessoas de importância histórica na formação de São Benedito. O projeto conta com a participação do Cidade Quintal, um laboratório de práticas urbanas que trabalha por meio de metodologias participativas. Sua tarefa na empreitada é criar um tour auditivo, murais em fachadas e sinalização durante o trajeto a ser criado. A rota contempla o Banco Bem, Bar Correspondências, Praça Jair de Andrade, Ruínas da Lavanderia Comunitária, Igreja Católica de São Benedito, Serviço de Engajamento Comunitário (Secri), Casa de Maria Sururu e Farol de São Benedito, uma área de preservação permanente, no alto do morro, com uma vista de 360º da Grande Vitória. Cada um desses pontos têm uma história. A escolha do padroeiro da igreja, por exemplo, remonta ao início da história do bairro. Reduto de uma das últimas ocupações da Capital, a comunidade surgiu no início da década de 60, época em que o acesso à região era difícil e conquistar um terreno era desafiador. Para o sucesso da ocupação, os moradores contaram com a liderança do Sargento Reformado Ascendino Fagundes de Aguiar, apelidado de Sargento Carioca, que era devoto de São Benedito. Thais Gobbo Os locais foram listados em um inventário participativo que entrevistou os moradores mais antigos, que estiveram no início da ocupação do bairro. Foram identificados outros pontos que receberão intervenções nas próximas fases do projeto. A previsão é de que em maio a rota esteja pronta para um projeto piloto, a ser apresentado para um grupo de turistas. A partir dessa experiência, serão feitos os ajustes considerados necessários.

01/03/2022 / 0 Comments
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​Arco e flecha

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A vida dos filhos precisa de equilíbrio, mas sem esquecer que eles são livres Vendo as atividades do meu neto Vitto, de pouco mais de 1 ano, lembrei dos meus filhos ainda pequenos. E foi nessa fase que tomei conhecimento de uma frase do pensador libanês Khalil Gibran, que dizia: “Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Vêm através de vós, mas não de vós. E embora vivam convosco, não vos pertencem”. Nunca mais esqueci. Outro dia deparei-me com um texto parecendo semelhante, mas com outro sentido de pensamento. Falava do guerreiro com seu arco e flecha. Quanto mais se retesa o arco, mais longe vai a flecha. Quanto mais amor e ensinamento aos nossos filhos, mais longe eles podem ir nessa vida. Sobre o guerreiro e seu arco, este o posiciona perto do peito para o disparo da flecha, significando que precisamos educar os filhos por perto, mas dando sentido de liberdade. O arco do guerreiro é flexível, significando que uma educação rígida, mas sem diálogo dentro de casa, prejudica. O arco só dispara uma flecha de cada vez, ou seja, cada filho é único e nenhum compensa a perda do outro. Em resumo, cada um tem o seu caminho, como tem a flecha. Ah, o guerreiro fica com um braço estendido e o outro dobrado para dar equilíbrio. A vida dos filhos precisa de equilíbrio, mas sempre pensando que eles são livres. Por isso volto ao pensamento de Gibran: “(…) embora vivam convosco, não vos pertencem”. Mas apesar de tudo isso, posso afirmar que liberdade demais atrapalha e rigidez em excesso prejudica. Eis o equilíbrio que eles precisam. E deixem-nos voarem como as flechas certeiras do arqueiro. PARABÓLICAS Quem sintonizar o rádio lá pelas bandas de Eunápolis ou Porto Seguro, seguramente lembrará do velho Dery Santos que fez sucesso na Rádio Vitória. Quando veio o Natal ano passado, tivemos de lembrar do “Papai Noel” Heckel Ferreira carregando seu saco lá nas imediações de Santa Lúcia. Passou o Natal e o Ano Novo e não vimos mais mensagens nas rádios. Os tempos são outros. Mais frios. Idalécio Carone Filho fazendo campanha política ostensivamente nas redes sociais. Idalecinho quer ser deputado, voltar para Brasíllia. ACESSEhttp://jrm50anos.blogspot.com.br/O rádio do ES na visão de JRM ACESSE: TRADUÇÃO JRM YOUTUBE Andy Willians – It’s Impossiblehttps://www.youtube.com/watch?v=8RTOR3NGq5k MENSAGEM FINALA opinião pública é uma amante ocasional: procura-se agradá-la sem ter por ela nenhuma consideração. Julies Petit-Senn

28/02/2022 / 0 Comments
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Militância petista faz pressão em defesa da candidatura de Contarato

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Palanque de Fabiano Contarato é ato de pressão também junto ao PSB, relacionada à federação partidária Divulgação A decisão da Executiva Estadual do PT de lançar a pré-candidatura do senador Fabiano Contarato ao governo do Estado, no último dia 19, encontra terreno fértil entre a militância do partido e, uma semana depois de formalizada, alcança integrantes e simpatizantes que estão fora do campo da atuação política. Esse movimento visa, também, recolocar o PT no protagonismo das decisões de poder, seguindo o programa traçado no retorno dos direitos políticos de Lula, líder nas pesquisas para presidente da República. Uma observação mais atenta sobre a cena política no Estado mostra que, como no campo nacional, os esforços para encontrar concorrentes competitivos estão fragmentados. Com exceção de Contarato, os pretendentes ao Palácio Anchieta, até agora, não apresentam elementos de enfrentamento eleitoral ao governador Renato Casagrande (PSB), apesar dele ainda não ter se declarado candidato á reeleição. Mesmo considerando que as articulações eleitorais ainda estão em andamento e que a campanha só começa em agosto. O crescimento do movimento em defesa da manutenção da pré-candidatura do senador, cuja origem está ligada ao Comitê Lula Livre, se transformou, também, em elemento de pressão junto ao PSB nas negociações para a formação de uma federação partidária, principalmente depois das declarações consideradas ofensivas do governador Renato Casagrande à legenda, ao receber na residência oficial o presidenciável Sergio Moro (Podemos), responsável pela prisão do ex-presidente Lula. Os nomes do deputado estadual Erick Musso (Republicanos) e do ex-deputado federal Carlos Manato (PL) são os dois colocados no mercado, ambos do campo da direita e da extrema direita, com atuação relacionada à gestão do presidente Jair Bolsonaro (PL), que patina para sair de uma a rejeição bem acima de 60%, agravada com seu posicionamento desencontrado sobre a guerra da Rússia e Ucrânia. A repercussão nos estados é negativa, no Espírito Santo principalmente para Manato, nome que três dias atrás não tinha sequer legenda para concorrer. Filiou-se ao PL, depois de implorar por meses ao “dono” do partido no Estado, o ex-senador Magno Malta. Já com Erick Musso, a pré-candidatura depende de melhorar a pontuação e, caso não vingue, será como um ensaio para tentar de novo em 2026. O prefeito de Linhares, Guerino Zanon, de saída do MDB, procura uma legenda para se acomodar; Audifax Barcelos (Rede), ex-prefeito da Serra, aguarda definições sobre alianças e, enquanto isso, percorre o Estado em campanha antecipada e fora dos prazos fixados pela Justiça Eleitoral, uma prática também utilizada por Erick Musso. As vantagens do senador Contarato são apontadas a partir da surpreendente votação nas eleições para o Senado em 2018 e à sua atuação no Congresso Nacional. Para o advogado Francisco Celso Calmon, militante histórico, independente de tendências, como ele se qualifica, “as condições objetivas e subjetivas estão favoráveis à candidatura de Contarato a governador, especialmente quando o atual governador, Casagrande, está aliado ao que há de pior no quadro partidário do Espírito Santo, bolsonaristas e moristas – uma coisa só”. Ele acredita que pela “fotografia atual das pesquisas, ele reúne potencial para ganhar de Casagrande. E deverá contar com apoios, explícitos ou não, de colegas senadores de outras legendas. Com ele o PT poderá fazer três ou quatro parlamentares na Assembleia Legislativa”, projeta.

28/02/2022 / 20 Comments
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Projeto faz reviver tempos de música na Praça do Papa

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De terça-feira a domingo, local recebe bandas de diversos estilos, lembrando a cena musical colaborativa do Estado Quem gosta de cultura e lembra do passado, certamente se recorda dos chamados tempos de ouro da música capixaba moderna, que tinha como auge o Dia D, evento só com bandas locais que enchia a Praça do Papa com fãs empolgados. Quem gosta de cultura sonha com o futuro, provavelmente ao olhar o entorno mas imaginar o Cais das Artes finalizado e trazendo diversas atrações para o entorno na Enseada do Suá, área nobre da capital capixaba. E para quem gosta de cultura e quer viver o presente? Um movimento recente dá novamente vida à Praça do Papa como reduto cultural. Com o nome de Verão Viva Praça do Papa, a organização esportiva e cultural Revelando Talentos vem realizando desde 11 de janeiro um calendário de shows e atividades gratuitas de terça-feira a domingo, com diferentes ritmos e bandas, atraindo um público crescente a cada semana, conforme o projeto vai ficando mais conhecido. Na terça, como já é tradição capixaba, é o dia de celebrar o reggae. Na quarta, abre-se para novos talentos e música autoral. Quinta-feira é dia de forró, com aulas de dança seguidas de apresentação de um trio. Sexta-feira, no clima de happy hour, são convidadas bandas de pop rock. Aos fins de semana, quando os eventos são de dia ao invés da noite, tocam bandas de rock no sábado e clássicos no domingo. A programação é divulgada conforme definida na página do projeto no Instagram (@vivapracadopapa). Vitor Taveira Tudo acontece no bom estilo colaborativo. A ONG contribui com os equipamentos de som, a prefeitura deu alvará e cede banheiros químicos, o Espaço Baleia Jubarte libera o ponto de energia, um trailer vende lanches e bebidas, as bandas tocam e fazem ecoar sua música e o público assiste, consome e contribui voluntariamente com os artistas, ao modo moderno do “passar o chapéu”, que agora foi substituído pela disponibilização dos códigos de Pix e Picpay, formas eletrônicas de transferência de dinheiro. A arrecadação serve para apoiar as bandas, sendo que em alguns casos, como da banda Macucos, o valor arrecadado foi destinado a um projeto social. Quem comanda essa agenda frenética de organização praticamente diária de eventos são o músico Jorman da Silva Santos, multi-instrumentista, agitador cultural e integrante da banda Herança Negra, e Lila Tavares, nutricionista, atleta, musicista e produtora cultural, contando com apoio de outros colaboradores antes, durantes e depois dos eventos. Quando teve início, o projeto propôs uma temporada de verão, até 6 de março. Esse prazo ainda nem chegou, mas o projeto já garantiu sua continuidade por tempo indefinido, já entrando março pensando na agenda de abril, tamanha a procura de bandas interessadas em tocar. “Começamos convidando artista que conhecíamos, que eram nossos amigos. Com o tempo as próprias bandas começaram a indicar outras e logo a galera que está na cena também começou a nos buscar querendo tocar”, afirma Lila. Tanto do lado artístico como de público, sem grandes investimentos em divulgação, os principais meios de difusão que fazem o movimento crescer parecem ser o bom e velho boca-a-boca e os posts nas redes digitais, muitas vezes publicados pelos participantes ou pelas bandas durante os próprios eventos. Já passaram pelo Verão Viva Praça do Papa atrações como grupos que fizeram parte da história do Dia D e que seguem ativas como Herança Negra, Macucos, Lion Jump, artistas reconhecidos como Anderson Ventura e Chico Lessa, DJs, bandas cover e grupos que estão começando. Divulgação Lila Tavares lembra de uma das noites em que a banda convidada teve que cancelar sua apresentação por conta do adoecimento de um dos integrantes. Ao saber, alguns dos presentes que tinham uma banda se ofereceram para tocar, não como apresentação, mas como um ensaio aberto. Foram até suas casas buscar os instrumentos e fizeram acontecer. O local é inspirador, à beira da entrada da baía de Vitória, as bandas tocam com vista para o Convento da Penha e a Terceira Ponte, cartões postais do Espírito Santo, e o som acontece no deck, onde a brisa refresca as noites de verão. As atividades podem ser canceladas em caso de chuva, por conta do espaço não ser coberto, mas quando isso não ocorre, o local aberto e amplo permite maior segurança em relação às questões sanitárias. O projeto considerava a Praça do Papa como “espaço de metro quadrado mais ocioso de Vitória”, sendo visto como ponto de insegurança, especialmente durante à noite. Com o movimento cultural recente, Lila Tavares diz já observar mudanças, como a melhoria da iluminação, obras no deck e maior sensação de segurança, que vem atraindo também moradores locais. Localizado ao lado da movimentação, o Cais das Artes é visto como um exemplo de mau uso do dinheiro público, com milhões investidos numa obra ainda inacabada depois de 10 anos de início. Mas pelo menos, enquanto se estende essa novela, a cena capixaba não espera de braços cruzados. Com muito menos recursos, se organiza e faz acontecer a arte a cultura como merecem ser, democráticas, de livre acesso, e dialogando com a cidade, suas paisagens e modo de ser de seu povo. Programação do Viva Praça do Papa Terça Reggae – 17h às 22h Quarta Nosso Som. – 17h às 22h Quinta Escola de Forró – 17h às 22h Sexta Pop – 17h ás 22h Sábado Melhores do Rock – 12h às 18h Domingo Clássicos – 12h às 18h

28/02/2022 / 0 Comments
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