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Um olhar milenar para um alimento sagrado

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Websérie feita no Espírito Santo aborda as histórias e as receitas ligadas ao cultivo do milho por comunidades tradicionais Indígenas, quilombolas, pomeranos e outros povos possuem preparos ancestrais de alimentos. O milho, um dos ingredientes que compõem algumas dessas receitas, se tornou protagonista da websérie Olhar Milenar, dirigida por Lígia Sancio, culinarista e produtora audiovisual capixaba, com participação de uma talentosa equipe local e recurso da Lei Aldir Blanc. O conteúdo está disponível em quatro capítulos no YouTube. O primeiro episódio traz a narrativa dos povos indígenas, pioneiros no reconhecimento, melhoramento e desenvolvimento das tecnologias empregadas no cultivo e preparo do cereal tão popular na alimentação de vários povos. “É através do Mbyta Guarani, a nossa pamonha, que abordo o contato do colonizador europeu com o saber do milho sagrado, o seu avatí eteí. A partir do início do século XVI, o contado do milho com o ocidente nunca mais parou de crescer, sendo o milho hoje o cereal mais cultivado no planeta. E, vale dizer, de modo nada tradicional”, aponta Lígia Sancio. O contato dos quilombolas com o milho é abordado no segundo episódio. Os povos negros na África desconheciam este cereal, embora tivesse acesso a grão similares na forma de cultivo e preparo. Mas foi no continente americano, depois da violenta diáspora provocada pelo tráfico de pessoas e escravidão que povos negros tiveram contato e uso constante do milho. “Na narrativa construída, o saber ancestral e étnico quilombola devolve o sentido sagrado do milho, visto apenas como ração aos escravizados, com o divino mungunzá, tão popular quanto a pamonha”, conta a diretora. A partir da migração europeia do final do século 17, também surge por aqui outra receita, o brote, tema do terceiro episódio. Se trata de um tipo de pão preparado pelos pomeranos no Brasil a partir de batata e farinha de milho de origem indígenas, buscando refazer com elementos locais os pães de centro, trigo e cevada europeus. A websérie finaliza com uma receita que traz memórias infantis. “Milho verde cozido, picolé de milho verde e sorvete de milho ocupam grande parte das melhores lembranças dos verões pelo litoral espírito-santense. No último episódio reforço o protagonismo indígena no saber sobre o milho sagrado em agradecimento à sua presença perene em nosso cotidiano alimentar”, relata. Joaquim NS Lígia conta que a proposta de somar sua atuação na cozinha com a narrativa audiovisual vinha crescendo nos últimos tempos, já que é formada em Comunicação Social e antes de se dedicar profissionalmente à culinária havia trabalhado com imagem, sempre com registro e divulgação autoral. “Falar do milho, da ancestralidade do alimento, seu sentido sagrado e o nosso distanciamento dos saberes étnicos é uma premissa do meu engajamento político na cozinha, especialmente devido ao meu envolvimento nas questões territoriais e ambientais entre os Povos Originários e Comunidades Tradicionais no Espírito Santo”, diz. O roteiro parte da premissa de buscar traçar o caminho do percorrido pelo milho ao longo de sua trajetória milenar de contato com o ser humano. “Trazendo o milho como sujeito histórico que engendra mudanças, o fio condutor seriam as entrevistas e imagens capturadas junto às comunidades, onde preparariam os alimentos de acordo com a linguagem desenvolvida por cada uma para dialogar com o milho, junto das imagens de arquivos históricos dos registros feitos sobre o milho”. Porém, por conta da persistência da gravidade da pandemia de Covid-19, fez-se necessário repensar em parte o roteiro devido ao risco de deslocar uma equipe de gravação até as comunidades, dado os riscos de transmissão do vírus. Então Lígia, que a princípio estaria oculta, entra em cena de forma sutil na cozinha, preparando e ensinando os pratos abordados. “Optei por trazer as receitas de modo incidental, experimental, com um olhar mais atento aos detalhes do que propriamente do passo-a-passo da receita. O protagonismo para falar do milho não é meu”, diz a cozinheira e diretora. Às imagens do fazer culinário, dos arquivos históricos da comunidade e do acervo do cineasta Ricardo Sá, somam-se a linguagem poética e uma trilha sonora autoral sintonizada com a mensagem da websérie.

21/01/2022 / 0 Comments
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Casagrande pode ter vice do PT caso se consolide aliança com PSB

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Governador capixaba declarou preferência pela “terceira via”, mas negociações nacionais podem mudar o quadro Apesar das divergências e do distanciamento que marcam as relações do PT no Espírito Santo com a atual gestão estadual, a candidatura à reeleição do governador Renato Casagrande (PSB), ainda não anunciada, tende a ser favorecida com uma aliança costurada a partir de entendimentos entre os dois partidos, que nesta quinta-feira (20) iniciaram nova rodada de negociações, em nível nacional. Lideranças políticas apontam que o PT poderá não ter candidato ao governo, ficando com a vice na chapa de Casagrande. O deputado federal Helder Salomão e o ex-prefeito de Vitória e ex-deputado federal João Coser são apontados no mercado como nomes cogitados para compor a chapa de Casagrande, como parte da federação entre os dois partidos, que deverá estar consolidada até o final de fevereiro. Atualmente, João Coser é pré-candidato à Assembleia Legislativa e Helder Salomão concorre à reeleição. Não será a primeira vez que Casagrande caminha com o PT. Ao se eleger governador em 2011, teve como vice o deputado estadual Givaldo Vieira, então no PT, em decorrência de uma aliança, desfeita no decorrer do mandato.  Em uma de suas declarações, no início deste mês, o governador tornou público que não gostaria de que o PSB formasse uma federação com o PT. No entanto, as articulações caminham em direção a uma aliança entre as duas siglas. Caso sejam consolidadas, Casagrande poderá contar com o apoio do senador Fabiano Contarato, o mais novo filiado ao partido, que manteria o mandato, até 2024, desistido da pretensão de concorrer ao governo neste ano. Essa tendência ficou mais clara nas declarações do ex-presidente Lula, líder nas pesquisas para presidente da República, nesta quarta-feira (19), confirmando que o PT poderia abrir mão de candidaturas majoritárias em alguns estados, entre os quais o Espírito Santo, desde que o partido tenha a garantia de manter a candidatura de Fernando Haddad ao governo paulista. Para isso, o ex-governador Márcio França concorreria ao Senado. No mercado político, garantir o governo de São Paulo, levando em conta a liderança de Fernando Haddad nas pesquisas, e com aliados nos estados, abriria ao PT uma perspectiva de eleger bancadas fortes no Congresso, essenciais para a governabilidade em um eventual governo Lula. Essa preocupação, inclusive, é alvo de frequentes declarações de lideranças petistas e do próprio ex-presidente. Online A presidente estadual do PT, Jackeline Rocha, divulgou nota nesta quinta-feira informando que o evento do senador Fabiano Contarato ocorrerá de forma totalmente virtual, no próximo dia 28. “Agora, com o recrudescimento da pandemia da Covid-19 e da avançada propagação do vírus, precisamos manter essa mesma postura responsável,”, diz o comunicado. E complementa: “A presença de Lula segue confirmada, juntamente com outras lideranças nacionais e estaduais, mas a visita presencial do ex-presidente Lula ao Espírito Santo ocorrerá em breve, quando as condições sanitárias permitirem. Seguimos em frente, com segurança e compromisso com a vida”.

20/01/2022 / 2 Comments
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Êxodo urbano: o desafio de não levar para o campo o padrão desordenado das cidades

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Zona de amortecimento do Parna Caparaó tem número crescente de empreendimentos não licenciados O “êxodo urbano” é uma realidade em várias localidades turísticas do Espírito Santo, a exemplo do que ocorre em muitos lugares do Brasil e do mundo. Já consolidado nas regiões serranas de Santa Teresa, Marechal Floriano e Domingos Martins, mais próximas da capital, o movimento de mudança de famílias das cidades para o campo se expande também para o Caparaó Capixaba, próximo à divisa com Minas Gerais.  Seja como mudança definitiva de moradia ou como opção de lazer nos finais de semana e feriados, os novos endereços rurais se multiplicam em pequenas chácaras e sítios ou grandes condomínios, de padrão financeiro cada vez maior.  A busca por melhor qualidade de vida, com menos poluição e violência e mais tranquilidade é legítima e, a princípio, pode ajudar a dinamizar as economias locais, levando benefícios para todos os envolvidos. Na prática, no entanto, alertam gestores públicos nos municípios que recebem os migrantes urbanos, tem ocorrido intensa degradação ambiental e crescimento desordenado, criando as bases para transformar sonhos individuais em pesadelos coletivos.  “As pessoas estão procurando sair da cidade, fazendo um êxodo urbano. Principalmente na pandemia cresceu muito. Pessoas com pânico de ficar na cidade, dentro de apartamentos. Elas são bem-vindas, mas têm que deixar os vícios do modelo de desenvolvimento das cidades e virem ser parcerias na preservação e conservação da natureza”, pondera Dalva Ringuier, diretora-executiva do Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento do Território do Caparaó (Consórcio Caparaó), entidade responsável técnica pelo licenciamento ambiental de nove dos onze municípios do entorno do Parna.  “Elas têm que entender que estamos na zona de amortecimento do Parque Nacional do Caparaó. Antes de começar qualquer obra pra moradia ou empreendimento, tem que procurar o setor de meio ambiente das prefeituras e se enquadrar. Se puder ser feita a dispensa do licenciamento, vai dispensar. Mas se precisar licenciar, precisa cumprir todos os requisitos. Caso não faça esses procedimentos, corre o risco de embargo e multa, e talvez nem possa construir. Se for área de confluência com o parque, o parque pode até nem dar anuência”, explica. Divulgação Governo do ES  Infelizmente, observa a diretora-executiva, há uma explosão de loteamentos e condomínios dentro dos três quilômetros definidos pela Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) nº 428/2010 como zona de amortecimento do Parque Nacional. Nessas áreas de entorno direto do Parque, explica Dalva, há atividades que são proibidas, como exploração mineral. Mas pequenos empreendimentos agrícolas e de turismo são permitidos, desde que estejam dentro da lei, principalmente em relação à proteção das Áreas de Preservação Permanente (APPs) e ao tratamento de esgoto.  “Não pode construir a menos de trinta metros de córregos, por exemplo. Tem que recuperar nascentes e não desmatar”, elenca a ambientalista, citando algumas diretrizes gerais que mais são desrespeitadas. “Há muitos loteamentos e condomínios sem licenciamento na zona de amortecimento do Parque. Muitas pessoas vindas de fora da região estão aterrando brejos, córregos … Tem ocorrido muito”, lamenta.  Com relação a condomínios e loteamento, complementa, é preciso ter cuidados extras, como prover toda a estrutura de acessos e ruas no padrão exigido em lei e nos Planos Diretores Municipais (PDMs), como energia elétrica, abastecimento de água e tratamento de esgoto. “O dono do condomínio tem que oferecer toda a infraestrutura, não pode ficar no colo do município. As prefeituras só podem aprovar com essas garantias”. E tudo isso, pontua, após feito o desmembramento da propriedade original, que deve ser requerido via projeto de lei aprovado na Câmara de Vereadores e sancionado pelo prefeito. O primeiro passo, orienta, é procurar a secretaria de meio ambiente da prefeitura, onde todas as informações sobre os trâmites necessários serão fornecidas. “Dependendo da atividade, tem que fazer condicionante ambiental”, acentua.  E quem já empreendeu sem as devidas licenças, precisa se regularizar. As pousadas, informa, devem buscar seu alvará na prefeitura e pagar as taxas, que são pequenas, e fazer a regularização ambiental, quando necessário, no caso de ter havido desmates ou construções em áreas proibidas pela legislação.  Na região de maior adensamento turístico do Caparaó Capixaba, entre Pedra Menina/Dores do Rio Preto e Pedra Roxa/Ibitirama, passando por Santa Marta/Ibitirama e Patrimônio da Penha/Divino de São Lourenço, não só os sítios estão irregulares, como as obras dentro dos vilarejos. “As ruas não têm oito metros de largura, não seguem o PDM. A maioria tem três, quatro metros, não passam dois carros”, exemplifica.  Em Dores do Rio Preto, um dos dois únicos municípios que realizam o licenciamento ambiental completo na região, o secretário de Meio Ambiente, Juan Ricardo Carvalho Senna, reforça a orientação da diretora-executiva do Consórcio Caparaó. “Procure a Secretaria de Meio Ambiente antes de começar seu empreendimento”. Desmate irregular em terreno no Caparaó Capixaba. Foto: Redes sociais Juan cita uma vistoria feita nesta quinta-feira (20), onde um proprietário rural aparentemente vindo da região de Vitória, desmatou até o topo do terreno com maquinário pesado (foto acima). O relato do empreendedor, conta o secretário, é de que seus funcionários obtiveram autorização do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf) para retirada de samambaias e eucaliptos, e acharam que a documentação era suficiente pra fazer todo o serviço planejado, que incluía melhorar a estrada de acesso ao terreno e fazer um novo paisagismo.  Denunciado, a prefeitura comprovou as infrações. “Ele vai sofrer autuação e seguir todos os trâmites: recuperar a área desmatada e é possível que também faça compensação ambiental, reflorestando uma área com o dobro do tamanho da que foi danificada”, conta.

20/01/2022 / 0 Comments
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‘Pagamento do abono é questão de boa vontade política’, reclamam conselheiros

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Gestão de Lorenzo Pazolini excluiu membros do Conselho Tutelar do recebimento do abono de R$ 1 mil O abono de R$ 1 mil para os servidores públicos municipais, aprovado pela Câmara de Vitória nessa segunda-feira (17), não foi recebido pelos conselheiros tutelares, que irão reivindicar o benefício por meio de ofício a ser encaminhado para a Procuradoria Geral do Município. “É uma questão de vontade política, o prefeito precisa conceder o abono”, diz a integrantes do colegiado do conselho tutelar de Vitória Carolina Santos Prata. A lei que concede o benefício aos servidores é a nº 9.814/2022, publicada no Diário Oficial nessa quarta-feira (18). Ao todo, segundo a gestão de Lorenzo Pazolini (Republicanos), 16,5 mil servidores serão contemplados, inclusive aposentados e pensionistas. São 10,7 mil ativos e 4,7 mil aposentados, além de 1 mil pensionistas. Conforme consta no Diário Oficial, para receber o abono é preciso “ser servidor efetivo, empregado público, contratado por tempo determinado, ou que exerçam cargo de provimento em comissão, bem como cedidos ao Município de Vitória que perceba sua remuneração na folha de pagamento do Município, com vínculo ativo e em efetivo exercício das atividades próprias de seu cargo, contrato, emprego ou função”. Carolina afirma que, ao contatar o departamento de Recursos Humanos da Prefeitura para saber o porquê de os conselheiros tutelares não terem recebido o benefício, foram informados de que não teriam direito por ocuparem um cargo eletivo. Entretanto, ela destaca que esses trabalhadores são servidores públicos e devem ser contemplados com o abono. “De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente [Ecriad], somos integrantes da administração pública local e constituímos serviço público relevante”, aponta. No ofício a ser encaminhado para a Procuradoria, os trabalhadores recordam que a Lei Municipal 7.974/2010, que normatiza o funcionamento dos conselhos tutelares na Capital, estabelece que os vencimentos, subsídios, percentuais e reajustes concedidos a esses trabalhadores serão equiparados ao quadro geral dos demais servidores municipais. Também consta no documento que essa mesma lei, em seus artigos 37 e 38, prevê que, em caso de regime disciplinar, será observado o que consta nos artigos 170 a 215 da Lei 2.994/82, do Estatuto do Servidor Público de Vitória, e que caso a sindicância culmine em processo administrativo ele será apurado por uma sindicância da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), pela Corregedoria e pela Procuradoria. “Porque para o ônus nós somos igualados aos demais servidores e não para o bônus? Por que para ser punido pode e para ser beneficiado não pode?”, questiona Carolina. Os conselheiros também destacam, no ofício, uma matéria veiculada no site da Prefeitura de Vitória nessa terça-feira (18), na qual é informado que “prefeito, vice-prefeita e secretários não recebem [o abono]” e que “os servidores do quadro da Saúde e Educação já receberam o benefício em dezembro de 2021”. “Não somos prefeito, vice, nem secretário. E os demais trabalhadores que não receberão os R$ 1 mil também foram especificados na matéria, não constando os conselheiros tutelares, portanto, temos direito”, sentencia Carolina.

20/01/2022 / 1 Comment
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Projeto Saúde Coletiva oferta testes de HIV em terminais de ônibus

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Estratégia de “educação entre pares”, projeto doa preservativos e orienta sobre prevenção a outras DSTs Foto: Governo do Estado O Grupo Orgulho, Liberdade e Dignidade (Associação Gold), em parceria com a Secretaria Estadual de Direitos Humanos (SEDH), está ofertando, por meio do Projeto Saúde Coletiva, testes rápidos de HIV/Aids gratuitos em terminais do Transcol de Cariacica. Com início esta semana no terminal Campo Grande, o projeto também será realizado no terminal Itacibá, com a oferta de preservativos e encaminhamento para as unidades de referência. “É uma estratégia de desinstitucionalização da testagem nos equipamentos de saúde (…) A gente tem pessoas que saem de manhã cedo pra trabalhar e só voltam a noite, mas circulam por esses terminais de ônibus da Grande Vitória. Então é o momento que a pessoa pode ter acesso a esse tipo de testagem que não teria na correria do dia-a-dia”, explica o coordenador do projeto e presidente da Associação Gold, Diego Peruch. O resultado é disponibilizado em um prazo de 15 a 20 minutos. Caso o teste dê positivo, a pessoa já é encaminhada para um serviço de saúde. “Tão importante quanto ficar sabendo, fazer a testagem, é dar início ao tratamento imediato para poder zerar a carga viral porque, zerando a carga viral, a pessoa não transmite mais o HIV para outras pessoas. E claro, é importante pra saúde da própria pessoa”, enfatiza Diego. Além de oferecer mais pontos de testagem na Grande Vitória, a ação nos terminais possibilita um diálogo maior com as pessoas que passam pelo local. Diego conta que a equipe presente nos terminais tira dúvidas sobre medidas de prevenção, além de socializar informações sobre outras Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST’s). “A gente chama de estratégia extramuros e de educação entre pares. A gente tem uma médica que é profissional de saúde, mas também temos os agentes de prevenção que têm uma linguagem mais próxima da população. E isso pode gerar uma maior facilidade de diálogo porque, às vezes, alguns profissionais de saúde usam uma linguagem muito técnica, ou então têm uma visão heteronormativa de questões relacionadas à sexualidade “, ressalta. Dados da Secretaria da Saúde (Sesa) indicam 813 novos casos de HIV/Aids notificados no Espírito Santo em 2020, sendo 615 em pessoas do sexo masculino (75,6%). Já o Ministério da Saúde informou, em dezembro, que 694 mil pessoas estão em tratamento para a doença no Brasil. O Projeto Saúde Coletiva conta também com o apoio da Secretaria da Saúde (Sesa) e a ideia é que, nos próximos quatro meses, o trabalho seja intercalado entre os terminais de Itacibá e Campo Grande, sempre das 14h às 17h. Para fazer o teste, é preciso informar o número do CPF e preencher as informações de contato.

20/01/2022 / 0 Comments
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Professores da Ufes votam indicativo de greve na próxima segunda-feira

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Uma das motivações para a possível deflagração de greve é a necessidade de reposição salarial Os professores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) votam indicativo de greve em assembleia virtual que será realizada na próxima segunda-feira (24) pela Associação dos Docentes da Ufes (Adufes). A organização da assembleia nas bases de servidores públicos federais de todo o Brasil foi deliberada em reunião do Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe), ocorrida nessa sexta-feira (14). Uma das motivações para a possibilidade de deflagração de greve é a necessidade de reposição salarial. A diretora da Adufes Junia Zaidan informa que, caso não haja abertura de negociação, ainda em fevereiro será realizada uma nova assembleia, dessa vez, para deflagrar a greve no primeiro trimestre. As outras pautas da assembleia são melhoria das condições de trabalho; revogação da Emenda Complementar (EC) 95, que congelou o investimento em políticas públicas durante 20 anos; e a construção de uma pauta específica da educação com as demais entidades que atuam nas Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) para além do reajuste salarial, considerando pontos como o retorno presencial e cortes nos orçamentos. A dirigente sindical acredita que o indicativo de greve será aprovado, já que, conforme afirma, a categoria tem sinalizado para isso nas atividades da entidade e também nas redes sociais. As assembleias em todo o Brasil estão sendo realizadas entre 17 de janeiro e 11 de fevereiro. O orçamento de 2022 da União prevê reajuste somente para os profissionais da Polícia Federal, com uma reserva no valor de R$ 1,7 bilhão, o que, de acordo com a entidade sindical, gerou insatisfação em diversos setores do serviço público, incluindo, além da educação, servidores das áreas tributária, da saúde, da diplomacia, da política monetária e do Ministério Público. A Adufes destaca que informações do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apontam que os servidores federais tiveram 50% de perda salarial e estão sem reajuste há cinco anos.

20/01/2022 / 6 Comments
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Arquitetos se posicionam contra mudanças no Cais das Artes

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Governador admite possibilidade de incluir polo tecnológico para apoio da iniciativa privada na conclusão das obras O Instituto dos Arquitetos do Brasil no Espírito Santo (IAB-ES) se posicionou publicamente contra a possibilidade de mudanças na proposta de construção e uso do Cais das Artes, na Enseada do Suá, cujas obras estão paralisadas há mais de seis anos. A entidade se manifestou por conta da possibilidade levantada pelo governador Renato Casagrande (PSB) de fazer uma concessão do espaço à iniciativa privada para conclusão das obras, que já levam mais de 10 anos por conta de imbróglios jurídicos entre o Estado e empresas de construção. Em troca, o local abrigaria um hub de start ups, sem perder a finalidade cultural, segundo o governador. Leonardo Sá O IAB-ES listou três motivos para se opor a essa possibilidade, apontada como alternativa caso o processo para retorno das obras da construtora contratada não siga adiante. Segundo o grupo de arquitetos, uma das razões é que a alteração do uso do projeto minimizaria a utilização do grande museu e do teatro para o transformar em espaço destinado à inovação e negócios, que atenderia a apenas alguns setores da sociedade. O segundo motivo alegado é que essa modificação, que envolveria alterar a estrutura concebida para o Cais das Artes, poderia limitar as atrações do espaço, afetando o turismo e a arrecadação em torno deste setor e da arte e cultura. Por último, a entidade pontua que a modificação do uso exclusivo para museu, teatro e atividades culturais impactaria na criação e desenvolvimento de grandes espetáculos e produções por parte de artistas locais. Depois da construção não ter sido retomada no prazo prometido pelo governo, em outubro de 2021 o IAB-ES lançou uma campanha pelo retorno das obras no Cais das Artes, com um ato em frente ao local, no qual a entidade fixou uma mensagem nos tapumes da construção. Como parte da campanha, o órgão de arquitetos também lançou um vídeo nesta quarta-feira (19) que faz parte da campanha pelo retorno das obras no Cais das Artes. Além do impacto para o setor cultural, o projeto é considerado também de grande valor arquitetônico, tendo sido desenvolvido pelo arquiteto capixaba de renome mundial Paulo Mendes da Rocha, falecido em 2021, aos 92 anos, sem ter visto a obra finalizada. Angela Gomes “O que eu defendo é que o Cais das Artes é uma oportunidade para Vitória ter um espaço que de fato seja uma âncora cultural do Estado e um destino turístico, para receber pessoas não só do Espírito Santo, mas do país e até de fora. É uma oportunidade ímpar de se ter algo que pode ser reconhecido internacionalmente”, diz o arquiteto Eduardo Pasquinelli, membro do IAB-ES, para quem o projeto precisa manter a “origem, a genialidade da concepção projetual”. Com grandes construções em concreto e um amplo vão central à beira da Baía de Vitória, ele considera que a obra, por sua localização, porte e concepção arquitetônica, é de fazer inveja a projetos de outras grandes cidades do Brasil e do mundo. Vitória, é certo, não possui outro espaço tão privilegiado, por sua centralidade geográfica, paisagem, com vistas para o Convento da Penha e Terceira Ponte, ícones do Estado e um entorno que possui a Praça do Papa, o Projeto Tamar, o Instituto Baleia Jubarte, restaurantes e outros locais, reforçando a possibilidade de fortalecimento de um eixo com base no turismo, cultura e meio ambiente. Para o arquiteto, o Cais das Artes poderia ser âncora de um projeto que inclua boa parte da orla da capital, desde Jardim Camburi até a Ilha das Caieiras. Eduardo conta que teve oportunidade de conversar algumas vezes com Paulo Mendes das Rocha e aponta que o projeto arquitetônico está repleto de conceitos que foram pensados para o tipo de uso para o qual foi contratado. Além disso, teme que a nova proposta estudada pelo governo para a finalização das obras e formação de um polo tecnológico possa desfigurar a proposta original de uso público do espaço. Para o arquiteto, o local deve servir para mostrar, aos capixabas e visitantes, a identidade, a representatividade e a diversidade que compõem a formação do Espírito Santo e seu povo. Também aponta a necessidade de criação de um comitê gestor para definir melhor o projeto de uso para o Cais das Artes.

20/01/2022 / 2 Comments
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Filiação de Contarato ao PT no dia 28 pode definir cenário político no Estado

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Ex-presidente Lula afirma que a candidatura de Contarato ao governo do ES ainda não está definida ABr e Agência Senado A presença do ex-presidente Lula no Espírito Santo no próximo dia 28 para o evento de filiação ao PT do senador Fabiano Contarato, como Século Diário divulgou em dezembro de 2021, é o fato mais significativo deste início de ano, que poderá definir o quadro para a disputa da sucessão estadual, caso se confirmem declarações de petistas no Estado, inclusive dirigentes, que já o apontam como pré-candidato ao governo. Nesta quarta-feira (19), no entanto, em entrevista coletiva à mídia independente, em São Paulo, o ex-presidente Lula disse que tudo depende do fechamento de uma aliança com o PSB. A candidatura de Contarato ao governo do Estado passa pela viabilidade da formação de uma federação partidária com o PSB, sigla à qual deve se filiar o ex-governador paulista Geraldo Alckmin, potencial vice na chapa de Lula a presidente da República. Por enquanto, “o PT não tem candidatura no Espírito Santo”, disse Lula e condicionou a decisão a uma conversa, nesta quinta-feira (20), entre a deputada Gleisi Hoffmann, presidente nacional do partido, e a cúpula do PSB, em Brasília, que devera definir a aliança entre os dois partidos. Há também a possibilidade de Alckmin se decidir por outro partido, garantindo a candidatura de Contarato ao governo, considerado no mercado político com chances de concorrer com o atual governador. O ex-presidente, que lidera as pesquisas de opinião para as eleições de outubro, com fortes indicativos de levar ainda no primeiro turno, afirmou na entrevista que Contarato foi alertado dessa situação quando decidiu aceitar o convite para se filiar ao PT, em novembro do ano passado. No centro do debate da formação da federação partidária, incluindo o Psol e o PCdoB. O PT não abre mão de ter candidatos em São Paulo, com Fernando Haddad, líder nas pesquisas, Acre, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, e trabalha para disputar em Pernambuco e no Espírito Santo. “Se o partido estiver reunido direitinho com o PSB, não teremos candidatos no Espírito Santo”, disse Lula na entrevista. A situação entre as duas siglas partidárias no Estado confirma o distanciamento do PT da gestão do governador Renato Casagrande, secretário-geral do PSB nacional e oposição à federação partidária entre os dois partidos. Ele defende um nome da chamada terceira via, até agora não viabilizado, e chegou a citar o presidenciável Ciro Gomes (PDT), que a cada dia cai na pontuação das pesquisas e a declarar veto ao PT em uma provável aliança com o PSB. A declaração de Casagrande, feita em veículos de imprensa de circulação nacional, motivou um posicionamento do deputado federal Helder Salomão, do PT. Em entrevista a Século Diário, no início deste mês, o parlamentar considerou a declaração de Casagrande como “equivocada e lastimável”. O grande evento para formalizar a filiação de Contarato, que deverá ocorrer no Centro de Convenções, em Vitória, contará com a participação, além do ex-presidente Lula, da bancada petista na Câmara e no Senado. Estão sendo convidados prefeitos, governadores e outras lideranças políticas PT no Espírito Santo inicia formação de chapas e espera fim do impasse com o PSB – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/politica/pt-no-espirito-santo-inicia-formacao-de-chapase-espera-fim-do-impasse-com-o-psb Fabiano Contarato bate o martelo e anuncia filiação ao PT – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/politica/fabiano-contarato-anuncia-filiacao-ao-pt

19/01/2022 / 3 Comments
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Renda dos 10 homens mais ricos dobrou e a de 99% da humanidade piorou na pandemia

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Relatório “A Desigualdade Mata” da Oxfam do Brasil aborda medidas que governos nacionais e estaduais podem tomar O aumento das desigualdades sociais é uma das mais cruéis características da pandemia de Covid-19 e a vacina para ela passa por uma maior tributação das grandes fortunas em escala mundial. A recomendação consta no relatório “A Desigualdade Mata”, publicado pela Oxfam Brasil nesta semana.  O documento cunha o termo “variante bilionária” como forma irônica de chamar atenção para a necessidade de frear o aumento imoral das fortunas dos homens mais ricos do mundo e para a necessidade de se universalizar o acesso às vacinas contra o SARS-CoV-2. “Ao não vacinar o mundo todo, os governos permitiram as condições para que o vírus da Covid-19 sofresse mutações perigosas. Ao mesmo tempo, eles também criaram as condições para uma variante inteiramente nova de fortunas bilionárias. Essa variante, a variante bilionária, é extremamente perigosa para o nosso mundo”, destaca o relatório, que ilustra esse aspecto contando a viagem ao espaço feita em julho de 2021 pelo fundador da Amazon, Jeff Bezos, tido como o homem mais rico do mundo há alguns anos.  “Quero agradecer a todos os funcionários e clientes da Amazon porque vocês pagaram por tudo isso”, teria dito o empresário ao embarcar na nave. Segundo a Oxfam, “só o aumento da fortuna de Bezos durante a pandemia poderia pagar para que todos na Terra fossem vacinados com segurança”. Além dele, a “pequena elite mundial de 2.755 bilionários viu sua fortuna crescer mais durante a pandemia de Covid-19 do que nos últimos quatorze anos. Este é o maior aumento anual na riqueza bilionária desde o início dos registros”, enfatiza o relatório.  E entre essa pequena elite, surpreende ainda mais o que aconteceu com os dez homens mais ricos do mundo: sua riqueza dobrou durante a pandemia (março de 2020 a novembro de 2021), enquanto a renda de 99% da humanidade decaiu. O patrimônio deles é maior do que o dos 3,1 bilhões de pessoas mais pobres do mundo e se eles decidissem gastar um milhão de dólares cada um por dia, seriam necessários 414 anos para gastar suas fortunas combinadas. Políticas de morte Já no prefácio do relatório, assinado pela documentarista e ativista Abigail E. Disney, herdeira do grupo Disney e membro da organização Patriotas Milionários, a necessidade de reforma tributária e política é explícita: “Passamos quase dois anos vendo as pessoas morrerem, repetidas vezes, elas morreram por negligência, descuido, falta de empatia, tristeza. Sim, é óbvio, na verdade foi a Covid que matou as pessoas de quem estou falando, mas assim como toda fome é política e causada pelo homem, toda morte por Covid também é. A resposta para esses problemas complicados é ironicamente simples: impostos. Reforma tributária obrigatória, inevitável e ambiciosa em âmbito internacional. Os bilionários sozinhos ganharam uma quantia astronômica de dinheiro apenas nos últimos dois anos, eles podem tranquilamente pagar mais. Podemos fazer do nosso mundo um lugar melhor. Precisamos apenas encontrar a vontade política para fazer o que for preciso”. O Relatório lista ainda os principais sintomas da “variante bilionária” sobre a vida de bilhões de pessoas, as economias nacionais e o meio ambiente mundial e aponta outros medicamentos, além dos tributários, que podem ser implementados em diferentes escalas de governo. Em uma das sínteses apresentadas em infográficos, a Oxfam destaca que “a fortuna de 252 homens é maior do que a riqueza combinada de todas as mulheres e meninas da África, América Latina e Caribe: 1 bilhão de pessoas”, que “a desigualdade contribui para a morte de pelo menos uma pessoa a cada quatro segundos” e que “20 dos bilionários mais ricos emitem, em média, até 8 mil vezes mais carbono do que o bilhão de pessoas mais pobres”. Apartheid de vacinação Segundo a organização, “17 milhões de pessoas morreram de Covid-19, uma escala de perda que não era vista desde a Segunda Guerra Mundial” e que “a desigualdade de renda é um indicador mais assertivo para saber se você morrerá de Covid-19 do que a idade”. Exemplo é que “pessoas originárias de Bangladesh tinham cinco vezes mais chances de morrer de Covid-19 em comparação com a população britânica branca na Inglaterra durante a segunda onda da pandemia”. Por isso, “milhões de pessoas ainda estariam vivas atualmente se tivessem tido acesso a uma vacina”, o que mostra que “o apartheid de vacinação está tirando vidas e aumentando as desigualdades em todo o mundo”. A “prioridade mais urgente”, ressalta o documento, “é acabar com a pandemia” e, para isso, “os governos devem acabar com os monopólios de vacinas e tecnologias por meio da Organização Mundial do Comércio (OMC)”.  O aumento da desigualdade nos países, afirma a Oxfam, já é reconhecido por instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial, o Credit Suisse e o Fórum Econômico Mundial. Ainda assim, passados dois anos da maior crise sanitária do século, essas mesmas entidades continuam empenhada em aprofundá-las ainda mais.  “Pelo menos 73 países enfrentam a perspectiva de riscos de austeridade apoiada pelo FMI agravando a desigualdade entre países e todo tipo de desigualdade dentro dos países. Os direitos das mulheres e o progresso em direção à igualdade de gênero serão duramente afetados por essas medidas de austeridade, em meio a uma crise que já atrasou para 135 anos a meta de alcançar a paridade de gênero em toda uma geração, quando antes era de 99 anos”, alerta o relatório.  A desigualdade, sublinha a organização, “afeta negativamente quase todos os aspectos da vida humana e toda a esperança de progresso humano”, pois “maior desigualdade gera mais criminalidade, menos felicidade, menos confiança e mais violência”. Os autores enfatizam: “dinheiro não falta. Essa mentira morreu quando os governos liberaram US$ 16 trilhões para responder à pandemia. Há apenas falta de coragem para enfrentar a desigualdade, a riqueza e o poder dos ricos e poderosos, além de falta de imaginação necessária para se libertar da fracassada e limitada camisa de força do neoliberalismo extremo”. Três diretrizes Ao final do relatório, são três

19/01/2022 / 1 Comment
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‘A população negra não empreende, ela sobrevive’, afirma empreendedora capixaba

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Projeto de lei no Senado Federal tenta combater discriminação racial no acesso ao crédito Projeto de gastronomia periférica na Ubuntu Quitutes, referência em gastronomia afro no Espírito Santo. Foto: Redes Sociais. Um projeto de lei do senador Fabiano Contarato (PT) tenta combater a discriminação racial no acesso ao crédito. Em análise no Senado Federal, o PL 4.529/2021 quer mais transparência nos casos de pedidos de crédito negados, com a divulgação dos motivos para que a solicitação não tenha sido aprovada. Para empreendedoras como Winy Fabiano, de Vitória, a dificuldade de acesso a programas de crédito é mais uma barreira no caminho de pessoas pretas. “A maioria dos empreendedores tem capital de giro, nós empreendedores negros e afro empreendedores começamos do zero. Nós empreendemos por necessidade, nós empreendemos por sobrevivência. Hoje é até perigoso falar de empreendedorismo para a população negra porque a população negra não empreende, ela sobrevive. Depois de algum tempo que a gente começa a ver isso como um real negócio, mas de início é uma sobrevivência”, ressalta. Além de empreendedora, Winy é presidente do coletivo Mulheres Unidas do Caratoira (Muca). Ela conta que o cenário, que já era desafiador, se tornou ainda pior durante a pandemia. “A maioria dos empreendedores teve uma mudança brusca da renda mensal e para carta de crédito isso influencia muito” explica. A proposta do Senador Contarato tenta alterar dois artigos do Código de Defesa do Consumidor. Além de determinar mais transparência nos casos de crédito recusado, o texto acrescenta que, quando o acesso a informações for dificultado, ações cometidas em detrimento de pessoas negras devem ser incluídas como um agravante. “De acordo com o estudo ‘O Empreendedorismo Negro no Brasil 2019’, realizado pelo Pretahub, são relacionadas algumas dificuldades encontradas pelos empreendedores negros para acessar mercados de crédito. O medo de sofrer discriminação no momento da solicitação de crédito, por exemplo, é um deles. A pesquisa aponta também que a principal fonte de recursos de empreendedores negros para a abertura de um novo negócio ainda vem da poupança pessoal ou familiar, sendo que apenas um em cada cinco empreendedores pesquisados já tomou algum tipo de empréstimo”, diz um trecho do projeto de lei. Resultados do estudo “O Empreendedorismo Negro no Brasil 2019”, realizado pela PretaHub. Imagem: Reprodução. No caso da Winy, o que ajudou a manter o negócio foram iniciativas de financiamento coletivo. Ela é diretora-executiva da empresa Ubuntu Quitutes, referência em gastronomia afro no Espírito Santo. O empreendimento chegou a funcionar dentro do Museu Capixaba do Negro (Mucane), mas passou a atender em casa em razão da pandemia. “Eu consegui desafogar durante uns cinco meses no final do ano passado. Só que, agora, com o aumento novamente dos casos, eu realmente não sei mais da onde tirar dinheiro porque o financiamento a gente faz e eles dividem em várias vezes só que, principalmente no atual cenário, isso não é garantia de que a gente consiga pagar isso futuramente”, ressalta. Para a empreendedora capixaba, medidas que amenizem essa desigualdade de acesso ao crédito são urgentes e necessárias.”Já passou da hora das empresas de crédito terem ações voltadas para as nossas realidades”, aponta.

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