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Arquitetos lançam campanha pelo fim da obra do Cais das Artes e abertura ao público

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Um ato foi realizado nesta segunda-feira na obra do espaço cultural, na Enseada do Suá, em Vitória O Instituto de Arquitetos do Brasil, Departamento Espírito Santo (IAB-ES), lançou nesta segunda-feira (25), uma campanha pelo fim da obra do Cais das Artes, na Enseada do Suá, em Vitória, e sua abertura ao público. O lançamento foi marcado por um ato na obra do espaço cultural, com colagem de adesivos com o mote da campanha, que é “Tudo isso era para acontecer aqui”, referindo-se às diversas manifestações artísticas. Foto: Angela Gomes A vice-presidente do Instituto, Daniela Caser, informa que serão lançados vídeos nas redes sociais com artistas capixabas reivindicando o término da obra. O dia 25 foi escolhido para realização do ato por ser o aniversário de 54 anos do Instituto e o aniversário natalício do arquiteto capixaba Paulo Mendes da Rocha, que projetou o Cais das Artes.  O projeto foi anunciado há 13 anos pelo então governador Paulo Hartung. As obras começaram em 2010, mas estão paralisadas desde 2015. Para Daniela, o local é “de suma importância, um marco arquitetônico, a primeira obra de Paulo Mendes da Rocha no Espírito Santo”. Daniela recorda que o arquiteto capixaba alcançou renome nacional, tendo sido responsável, por exemplo, pelo projeto da reforma da Pinacoteca de São Paulo. Paulo Mendes da Rocha, arquiteto que projetou o Cais das Artes. Foto: Leonardo Sá Nesta segunda-feira, o Instituto também lançou um manifesto em que os profissionais afirmam considerar urgente a retomada e finalização da obra.  “O IAB-ES, que comemora hoje, 25 de outubro, 54 anos de vida, reivindica dos órgãos governamentais competentes uma resposta quanto à continuidade das obras do Cais das Artes, uma resposta quanto ao funcionamento desses processos de requalificação urbana e de proteção dos nossos bens construídos para proteção da paisagem e da segurança das pessoas”, aponta a nota. O Instituto prossegue afirmando sua crença no fato de que “arquitetura e urbanismo quando projetados para a transformação da paisagem das áreas urbanas e quando complementada com o uso e permanência das pessoas nesses locais, transformam essas paisagens para melhor, sendo elas limpas, que tragam dignidade e que respeitem o verde, a natureza, e o entorno”.  Também é destacado que a paralisação da obra do Cais das Artes faz com que o local fique isolado, fechado, com alto custo e em deterioração, produzindo “uma paisagem violenta e opressora para as pessoas, que percebem que o poder público e as entidades privadas não têm condições e atitudes para que a cidade que eles investem, ou que eles trabalham seja melhor. Esta situação traz uma sensação de desordem, de desigualdade, criando ferramentas para que esse medo piore cada vez mais”. Foto: Leonardo Sá O Instituto defende ainda que a abertura do Cais das Artes possibilitaria maior circulação no entorno do espaço, que, à noite, fica deserto. “Com um espaço como esse, funcionando de noite, para eventos culturais, a situação se transforma radicalmente”, dizem os arquitetos.  Não é a primeira vez que os profissionais reivindicam a continuidade da obra. Em outubro de 2020, eles se manifestaram por meio de uma carta aberta na qual apontam que paralisações de obras desse porte ocasionam problemas urbanos relacionados com a paisagem do local e questões socioambientais. Histórico Em 2012, a Santa Bárbara, construtora responsável pela obra do Cais das Artes, faliu, ocasionando o rompimento do contrato da prestação de serviços. Um ano depois, foi contratado o Consórcio Andrade Valladares – Topus, que retomou as obras. Entretanto, elas pararam várias vezes no ano seguinte, sendo encerradas definitivamente no mês de junho. Ainda em 2015, foi anunciada a contratação de uma nova empresa para execução do projeto, cuja previsão de término era 2018. Foi também em 2015 que a Justiça estadual barrou a retomada as obras do Cais das Artes. A decisão judicial condicionou o reinício da construção à conclusão de uma perícia solicitada pelo consórcio Andrade Valladares – Topus, que alegou prejuízos decorrentes da paralisação das obras, além de serviços realizados que não teriam sido pagos pelo Estado. Em 2016 foi feita uma licitação de contratação de consultoria de engenharia para avaliação da obra, além de um balanço do que precisaria ser feito, necessitando de investimento de cerca de R$ 100 milhões a mais no orçamento. No ano de 2018, a empresa Planesp Engenharia ganhou licitação para gerenciar a obra, que, segundo a gestão de Paulo Hartung, seriam retomadas naquele mesmo ano. Até então, o gasto com o projeto havia sido de mais de R$ 129 milhões, com a previsão de chegada de um valor total de R$ 229 milhões no final. Ainda em 2018, último ano do terceiro mandato de Hartung, o governo lançou o edital de contratação da empresa que terminaria a obra, mas o cancelou. Já na gestão de Renato Casagrande (PSB), em 2019, o Instituto de Obras Públicas do Estado do Espírito Santo (Iopes) iniciou um processo de levantamento para ver o saldo da obra e retomar sua execução com a empresa Andrade Valladares – Topus.

25/10/2021 / 1 Comment
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Websérie capixaba repensa relação da humanidade com a natureza

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Com quatro episódios e gravada em Alegre e Cachoeiro, “Natureza Despertada” é exibida no Youtube Divulgação Com gravações em Alegre e Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Estado, a websérie documental Natureza Despertada é exibida durante este mês no YouTube. O projeto reúne histórias de amor de pessoas com a terra, refletindo sobre a relação dos seres humanos com a natureza. Os próximos episódios serão lançados nesta terça (26) e quinta-feira (28). Os dois primeiros episódios foram lançados nos dias 19 e 21 de outubro. Os relatos mostram a possibilidade de uma vida espiritual intermediada pelas formas do silêncio e pela conexão com os quatro elementos: terra, água, fogo e ar. O projeto também mostra as possibilidades da ancestralidade e sabedoria dos chás; de uma engenharia rústica, sustentável, que retém a água da chuva e irriga a terra; e da poesia, que exercita o pensamento crítico trazendo plantas, animais e rios para a linguagem do discurso poético. “A ideia era se distanciar do estereótipo de ‘povo simples do interior’ e buscar as particularidades de cada personagem, o que acreditamos ser possível principalmente quando nos aproximamos e compartilhamos de sua realidade. A websérie propõe ampliar o alcance de suas raízes e refletir o conhecimento dessas personagens a partir de sua relação peculiar com a natureza”, conta Djanira Bravo, pesquisadora e roteirista do projeto. A websérie é da De Repente o Rio, produtora localizada nas cidades de Cachoeiro de Itapemirim e Alegre. A direção de Natureza Despertada conta com Andrade Ribeiro que, desde os 17 anos atua no audiovisual. A websérie é a sua primeira experiência em direção e veio ao encontro de um ambiente familiar a Andrade. Divulgação “Nasci e cresci no interior de Mimoso do Sul, desde cedo aprendi a vida no campo trabalhando com minha família no manejo da terra, onde convivi com os prazeres e as dificuldades do trabalho rural. O audiovisual acabou me levando para a cidade, e por onde passei fazendo gravações diversas sempre me encontrei com as pessoas do campo. Sempre me encantei e vi com bons olhos seus cenários e suas histórias. Essa intimidade na produção dos episódios da websérie me fez voltar ao passado e ali buscar retratar a essência da vida no interior”, declara. Ele ressalta que “essas histórias têm como protagonistas pessoas que optam por apenas sobreviver com o que produzem, que se preocupam em ajudar o próximo de alguma forma com os seus próprios cultivos e aprendizados. Dentre as pessoas que conhecemos durante as gravações, algumas haviam saído do interior e agora estão retornando às suas raízes e origens, outras nunca abandonaram a terra”. A equipe técnica conta também com a musicista Alessandra Biato, integrando a equipe de som, e Diego Zon, realizador do curta-metragem ‘Das águas que passam’, que teve estreia mundial na competitiva do Festival de Berlim – Berlinale, participando neste projeto como produtor executivo e montador de alguns episódios. O projeto conta com o apoio da Secretaria da Cultura (Secult-ES), por intermédio da Lei Federal Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério de Turismo, do governo federal.

25/10/2021 / 0 Comments
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Comunidade quilombola faz retomada para impedir novo avanço do monocultivo

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Com plantação de alimentos e árvores nativas, Angelim 1 exige do Estado proteção ao seu território tradicional A comunidade quilombola do Angelim 1 abriu uma nova retomada nesse sábado (23) para impedir que a Suzano Papel e Celulose (ex-Fibria e ex-Aracruz Celulose) expanda os monocultivos de eucalipto em áreas já demarcadas como Território Quilombola Tradicional do Sapê do Norte. Moradores do Angelim 1 se revezam desde então, plantando alimentos e árvores nativas, de forma a iniciar a recuperação do solo degradado por décadas de deserto verde. A ideia é priorizar a recuperação de nascentes e lagoas que foram destruídas pelo uso inadequado dos recursos hídricos pela multinacional. Atividades com crianças também estão sendo iniciadas, de forma a revitalizar o local com a cultura quilombola, a quem ele pertence. Divulgação A retomada contou com apoio presencial da Comissão Quilombola do Sapê do Norte e do Movimento Nacional de Direitos Humanos no Espírito Santo (MNDH/ES) e, remotamente, da Defensoria Pública do Espírito Santo (DPES), que prestaram assistência à comunidade na ação reivindicatória, após quase um ano acompanhando as tentativas de negociação transcorridas por meio da mesa de conflitos fundiários no Sapê do Norte, instalada no âmbito da Comissão Permanente de Conciliação e Acompanhamento dos Conflitos Fundiários (Portaria Nº 037-R da Secretaria de Estado de Direitos Humanos – SEDH). “Foram várias reuniões em um ano, mas sem nenhum avanço concreto“, relata Josilene Santos, advogada da Comissão Quilombola. O avanço prometido, explica, é o recuo da empresa em relação às áreas já demarcadas como quilombolas no Sapê, para que as comunidades possam fazer seus plantios de alimentos, floresta e água e construir casas para as famílias que, nos últimos 15 anos, naturalmente cresceram. Uma década e meia, ressalta, em que os processos administrativos da titulação do território quilombola se encontram praticamente parados no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A advogada quilombola conta que “a Suzano tentou desarticular a mesa, propondo uma espécie de governança em que ela negociaria diretamente com as comunidades e, depois, os encaminhamentos passariam por uma análise jurídica para serem homologados”. Obviamente que nenhuma comunidade aceitou esse afastamento das instituições do Executivo e Judiciário, mas, na prática, esses órgãos continuam atuando muito pouco. Recentemente, a papeleira se comprometeu, conforme consta em ata de reunião da mesa, a não mais plantar eucaliptos no território quilombola certificado, mas em função da paralisia do Estado, acabou encontrando brecha para descumprir o acordo e iniciar novos plantios, havendo inclusive episódio de violência contra a comunidade do Angelim 2, numa ação de colheita de eucaliptos iniciada numa sexta-feira à noite. Diante dos novos desrespeitos e violências, a retomada foi a única ação vista como possível para garantir a integridade não só do território, mas da própria dignidade e vida dos moradores do Angelim 1. Divulgação No dia da retomada, sábado, a Comissão Quilombola e o MNDH conversaram com os policiais militares que foram enviados para lá e conseguiram reduzir a truculência da ação policial, ao explicarem o contexto de luta legítima. “Eles queriam conduzir algumas lideranças para a delegacia, mas não permitimos. Na conversa, expliquei que as pessoas iriam permanecer no local até a Suzano retomar a mesa de diálogo e cumprir o acordo de não plantar mais nas áreas já demarcadas da comunidade. Eles registaram um termo circunstanciado, um boletim de ocorrência, e foram embora”, relata. A presença da Comissão e do MNDH, salienta, foi fundamental pra neutralizar o comportamento padrão da Polícia, de “tratar quilombolas como criminosos”. Quem está irregular, afirma, é a Suzano e não as comunidades. “A Polícia, nesses casos, ainda tem a tendência de defender o patrimônio da empresa, que são os eucaliptos, e não a vida das pessoas”, lamenta. “A nossa missão é garantir a vida e a dignidade daqueles que estão em luta por seu território, porque estão na luta por direito, não estão ali fazendo nada aleatório, não são criminosos, sabem o que estão fazendo e que a terra é deles. A empresa também sabe, mas a primeira coisa que ela faz quando as comunidades retomam a sua terra, é chamar a polícia para defender o patrimônio”, reforça a coordenadora estadual do MNDH/ES, Galdene dos Santos, presente no dia da retomada. Mas, graças ao acompanhamento atual do movimento, que representa várias entidades e organizações da sociedade civil, e da Comissão Quilombola, “a comunidade nesse momento se sente mais protegida”. No entanto, até que o Estado assuma seu papel nesse contexto, “precisamos continuar a proteção dos quilombolas como defensores de direitos humanos. Eles defendem a terra, e terra é vida”. ‘Todo capixaba minimamente informado sabe diferenciar deserto verde de floresta’ Coordenador da Fase, Marcelo Calazans situa o ES na luta latino-americana e mundial contra monocultivos de árvores https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/todo-capixaba-minimamente-informado-sabe-diferenciar-deserto-verde-de-floresta As contradições de Torino em defesa de grileiros do território quilombola Ignorando dados oficiais, deputado diz que índios e quilombolas https://www.seculodiario.com.br/politica/as-contradicoes-de-torino-marques-em-defesa-de-grileiros-do-territorio-quilombola

25/10/2021 / 0 Comments
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Como e quando você quiser

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Fisgar o Marcello Mastroianni só mesmo com a intervenção de uma daquelas deusas do Olimpo Acredite quem quiser, houve um tempo sem internet, sem telefone que fala de qualquer lugar, sem fio e sem fita. Filme que você assiste como e quando quiser, sem rebobinar. A lista de super maravilhas é longa, e nem tem tanto tempo assim que invadiram nossas vidas. Parece filme de ficção científica, ou o futuro chegou e a gente nem percebeu. Sem essas coisinhas sem as quais os mais jovens não viveriam, a moda eram os chamados ditos populares – todo mundo sabia, conhecia, repetia. * Para toda e qualquer ocasião, em boa ou má situação, o ditado poderia não resolver, mas consolava. Ou esticava o assunto. Quem ri por último ri melhor, alegria de pobre dura pouco, os últimos serão os primeiros. Hoje servem apenas para desafio mental: Quem ri por último não entendeu a piada, alegria de pobre não existe, os últimos serão os derradeiros. As mentiras mais repetidas na internet: Dinheiro não traz felicidade, Só bebo socialmente, Pago assim que…Jamais esquecerei…Prazer em te conhecer, Liguei mas não atendeu… * Tem gente que vive no passado – o celular só serve pra controlar a vida da gente, TV a cabo provoca briga entre as crianças, Internet tá cheia de hackers e pedófilos. Ana Amália deveria ligar para a prima avisando que não ia emprestar o dinheiro solicitado. Não ligou, mas tentou remediar, Liguei várias vezes, ninguém atendeu. Se ligasse as chamadas estariam aqui no meu celular. Como assim? Liguei do fixo, não tenho celular. Se emprestasse o valor solicitado, a prima não pagaria e elas seriam inimigas para sempre. Hoje são inimigas para sempre, mas Aninha não perdeu dinheiro na transação. Quando a acusam, informa: Quem dá aos pobres acaba pobre também. * Quem tem boca vai a Roma. O sonho de Laura Lentil era conhecer a Cidade Eterna. Trabalhou horas extras, fez economias e passou apertos, juntando os centavos até se aposentar e poder realizar o grande sonho de sua vida. Na idade da aposentadoria o sonho seria realizado pela metade: ir a Roma, sim, mas fisgar o Marcello Mastroianni só mesmo com a intervenção de uma daquelas deusas do Olimpo – que ela supunha ficar ali pertinho da Via Ápia. * Existe estraga-prazeres pior do que dentista? Laura vai ao gabinete dentário do Dr. Jerola e ele nem pergunta se ela está preparada para as más notícias, vai logo avisando – Vamos ter que arrancar tudo… aconselho um implante. Quanto vai ficar isso, doutor? Coincidentemente…Laura passou noites insones, decidindo – Vou a Roma sem dentes ou mantenho os dentes e perco Roma? Por isso que ela sempre repete, Quem tem boca vai ao dentista. Se sobrar alguma coisa, dá pra ir comer um bife acebolado na Churrascaria Romana, ali na esquina. * O Dr. Jerola estava de namoro firme com Anabella, já pensando em casamento e muitos filhos com dentes perfeitos. Eis que aparece o Helder Horrendo, e os planos do dentista descem pelo sugador do consultório. Mas nada como um dia depois do outro, e como quem tem boca vai ao dentista, o Horrendo acaba na cadeira do Jerola, que manipula um motor como ninguém. Maltratou o quanto pôde, arrancou dentes sadios, e mandou o cliente de volta pros braços da Anabella com as crateras abertas. Não recuperou a amada, mas explicou, O importante não é vencer, mas fazer o outro perder.

24/10/2021 / 0 Comments
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Casais de amigos denunciam agressão da Polícia Militar em Cariacica

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Relatos apontam para ameaças e agressão verbal e física por parte dos policiais, em frente a uma casa de shows O que seria uma noite de diversão terminou em agressão para três casais que foram a um show na Matrix Music Hall, no bairro Rio Branco, em Cariacica, na noite dessa sexta-feira (22). Eles relatam que, ao descer dos carros, um dos rapazes foi abordado por policiais militares, que começaram a revistá-lo, mas sem nem ao menos dizer o motivo. “Já iniciaram com agressão verbal, chamaram de vagabundo, disseram ‘filho da puta’, coloca a mão na cabeça”, dizem os agredidos, que não quiseram se identificar por medo de represálias. Eles relatam que, logo em seguida, um outro rapaz também foi revistado. Ao chamá-lo para a revista, um policial teria dito “vem, negão ‘filho da puta! Coloca a mão na cabeça”, e chutado suas pernas. A reação do rapaz, afirmam, foi dizer “não precisa disso, nós somos trabalhadores”, obtendo como resposta um “cala a boca”, um aperto no pescoço e um soco no estômago, o que motivou sua esposa a filmar a agressão com o celular. As vítimas contam que, ao perceber que estavam sendo filmados, os policiais teriam pedido para ela parar, dizendo “vai pra lá, piranha! Vai pra lá, vagabunda!”, além de ameaçar dar um soco. Em seguida, um dos policiais não somente jogou spray de pimenta como também bateu nela com o próprio spray. As vítimas recordam ainda que outro rapaz, que também filmava a agressão, saiu em defesa da moça questionando “vai esculachar com a menina? Vai bater em mulher?”. O questionamento fez com que um dos policiais fosse na direção dele, que correu, fazendo com que o policial desse um tiro em sua direção, que não o acertou. A esposa do rapaz que fugiu também estava filmando a abordagem e correu da polícia após ter recebido ordem para que apagasse as filmagens. Eles relatam que, depois disso, os PMs teriam se dirigido ao primeiro rapaz abordado naquela noite e questionado “quem era a piranha loura de óculos?”, referindo-se à moça que havia fugido com as filmagens. A mando dos policiais, o rapaz foi procurar o casal que havia fugido para recuperar as imagens, mas não os encontrou. “Ele retornou com muito medo de que fizessem algo e, para tentar evitar isso, disse que havia câmeras na rua, e apontou para uma câmera em uma casa. Aí ameaçaram a gente dizendo que se usássemos as filmagens para alguma coisa iriam nos pegar até mesmo dentro de nossas casas”, afirmam, destacando que agora o medo se tornou algo que faz parte de seus cotidianos. “Em vez de ter medo de bandido, a gente tem que ter medo da polícia? Estamos assustados, amedrontados. Tiraram inclusive foto nossa e das placas dos carros”, diz uma das vítimas. ‘É uma questão de estereótipo’ O advogado dos três casais, Adiellyson Santana, afirma não ter dúvidas de que o ocorrido “é uma questão de estereótipo”. “Era um show de funk. É um local, um evento, que no senso comum é visto como algo errado, e tratam as pessoas que frequentam como bandidos”, ressalta. Ele aponta que trata-se, inclusive, de preconceito de classe social, uma vez que as pessoas abordadas não têm poder aquisitivo. “Se fosse um baile funk no Triângulo [Praia do Canto, Vitória], não teria acontecido isso”, denuncia. Adiellyson informa que será feita uma representação na Corregedoria da PM reivindicando que o governador Renato Casagrande (PSB); o secretário estadual de Segurança Pública, Alexandre Ramalho; e o comandante geral da PM, Coronel Douglas Caus, se manifestem. Também será ajuizada uma ação cível por dano moral, além de uma representação na esfera criminal por abuso de autoridade e agressão. Casos recentes Em 27 de setembro, o produtor cultural, escritor e ativista Stel Miranda teve sua casa invadida pela PM, em São Pedro, Vitória. Ele relata que estava trabalhando quando começou a receber mensagens e telefonemas avisando que a polícia tinha ido até sua residência, sem mandado, averiguar uma denúncia de tráfico de drogas. Para entrar, aponta, os policiais arrombaram o cadeado do portão. Stel afirma que o cachorro começou a latir, o que fez com que seu padrasto fosse até o quintal, onde se deparou com vários policiais que chegaram em três viaturas, sendo duas de missão especial. “Meu padrasto e meus vizinhos contaram que eles me procuraram pelo meu nome social, pelo ‘Stel cabeludinho fotógrafo”, diz o produtor cultural, cujo nome de registro é Huedson Miranda. Ao serem questionados por seu padrasto sobre como entraram, os policiais disseram que o portão estava aberto. “Isso a gente sabe que é uma impossibilidade”, destaca Stel. A primeira casa onde a PM entrou foi a de sua mãe, depois a dele, que mora em cima. Apesar de ter averiguado tudo e ver que não mexeram em nada, Stel afirma ter medo “de terem plantado algo”. Ele acredita que o ocorrido é uma perseguição pelo fato de ser ativista cultural, uma vez que “a classe artística e os fazedores de cultura têm sofrido muitas perseguições”. Em 25 de setembro, em Guarapari, uma mulher foi agredida por policiais quando davam apoio a uma ocorrência do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Eles desferiram socos, joelhadas e tapas na vítima e a jogaram no chão, prosseguindo com a violência. O ocorrido foi filmado e o vídeo ganhou repercussão nas redes sociais, fazendo com que autoridades como o governador Renato Casagrande se pronunciassem, além de ter motivado uma  manifestação do Coletivo Feminista Mulheres que Lutam em frente ao 10º Batalhão da Polícia Militar (PM), no bairro Aeroporto, no município. Números Levantamento feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), publicado no Anuário 2021, aponta um elevado índice de mortes decorrentes de intervenções da Polícia Militar (PM) no Espírito Santo. Segundo a pesquisa, em 2019 foram 35 óbitos causados por ações de policiais em serviço. No ano de 2020, o número aumentou para 39. Dados de falecimentos decorrentes de intervenções da PM fora de serviço também são apontados. Em 2019 foram cinco e, no ano seguinte, seis. No que

24/10/2021 / 0 Comments
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‘O que precisa é profissionalizar a gestão estatal e não privatizar’

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Na esteira das “inconsistências e incorreções” apontadas pelo TCU, Suport-ES busca apoio de municípios e governo do Estado Leonardo Sá “O que precisa é profissionalizar a gestão governamental e indicar pessoas técnicas para assumir os cargos de gestão”, afirma o presidente do Sindicato Unificado da Orla Portuária (Suport-ES), Marildo Capanema, ao responder sobre os caminhos que devem ser adotados para a melhoria da gestão dos portos brasileiros e da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa) em especial. Caminhos que, ratifica, não passam pela privatização da autoridade portuária, manobra que não ocorre em nenhum lugar do mundo. O posicionamento sindical é reafirmado às vésperas do retorno, pelo Tribunal de Contas da União (TCU), da análise do projeto de privatização da Codesa, suspensa por dez dias desde o último dia 14, quando o órgão de controle identificou “inconsistências e incorreções” na documentação enviada pelo governo federal. “Ver o TCU se colocando contrário é muito positivo para nós. Os trabalhadores e os operadores portuários de pequeno porte, que não são detentores de berços em portos, denunciam a inconstitucionalidade da proposta. Essa posição do TCU mostra, de alguma forma, que a gente está no caminho certo”, avalia Marildo. Para os trabalhadores, um ponto fundamental de oposição à proposta federal é a “privatização da autoridade portuária”, contra a qual “os trabalhadores são totalmente contrários”, principalmente, ressalta Marildo, “da forma como tem sido feita, sem discutir com os trabalhadores e os operadores portuários de menor porte”. O projeto, aponta, “vai levar à morte os trabalhadores, da Codesa e avulsos, e os pequenos operadores”. A entidade enxerga a geração de uma “concorrência desleal”, em que o porto privatizado elevará o valor das tarifas, causando evasão de cargas e consequente queda de arrecadação de impostos, demissões de trabalhadores e prejuízos em cascata para a economia do Estado e dos municípios e a sociedade em geral. “Estamos tentando de toda maneira que [o projeto de privatização] seja discutido com os trabalhadores, com o segmento empresarial e com a comunidade local, para que todos tenham conhecimento sobre os prejuízos que podem ocorrer”. Nesse sentido, o Suport tem realizado atos públicos e busca o diálogo com lideranças políticas. Até o momento, conta Marildo, o sindicato já se reuniu com o vice-prefeito de Vila Velha, Victor Linhalis (Solidariedade) – que disse vir do porto cerca de metade do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) arrecadado no município – e com as prefeituras de Cariacica e Aracruz, além da deputada estadual Iriny Lopes (PT). A próxima agenda marcada é na prefeitura da Serra. O gargalo, aponta, continua sendo o prefeito da Capital, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e o governador Renato Casagrande (PSB), que não abriram agenda com o sindicato sobre o assunto. O Suport também participa da batalha judicial para a suspensão da privatização, que é encaminhada pela Federação Nacional dos Portuários, Federação Nacional dos Estivadores e a Federação Nacional dos Trabalhadores Avulsos. Teste para o porto de Santo Segundo noticiado pelo jornal Valor Econômico, a suspensão de dez dias na análise do projeto pelo TCU se deu principalmente devido às “inconsistências e incorreções” relativas à versão final da avaliação econômico-financeira elaborada do Consórcio Portos B, que sofreu alteração de aproximadamente um terço de seu valor original, passando de R$ 719,5 milhões para R$ 471,6 milhões. A Codesa é a primeira estatal do setor a ser alvo de um plano de privatização pelo Ministério da Infraestrutura, que prevê realizá-lo no primeiro semestre de 2022. “Uma espécie de teste para a transferência à iniciativa privada da autoridade portuária de Santos (SPA)”, destacou o jornal. ‘Em nenhum lugar do mundo, a autoridade portuária é entregue à inciativa privada’ Suport-ES e outras entidades portuárias trabalham para impedir desestatização https://www.seculodiario.com.br/economia/em-nenhum-lugar-do-mundo-a-autoridade-portuaria-e-entregue-a-inciativa-privada

24/10/2021 / 0 Comments
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Dia da Favela será realizado pela primeira vez em Vila Velha

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Comemorada em todo o Brasil, a data destaca as potências dentro das comunidades PMVV A Central Única das Favelas do Espírito Santo (Cufa-ES) realiza, no próximo dia 4 de novembro, o Dia da Favela, pela primeira vez no município de Vila Velha. Comemorado em todo o Brasil, a segunda edição do evento capixaba será realizada na quadra da escola de samba São Torquato, às 9h, destacando a resistência e potência existente nas comunidades brasileiras. “A intenção é trazer um momento de reflexão sobre o que é a favela e estar nessas condições, a série de vulnerabilidades que existe nesses territórios, a desigualdade social, e o abandono do poder público, mas não só isso. É também para comemorar os talentos e potências que nós temos nesses territórios, artistas, fazedores de cultura, esportistas”, explica o coordenador da Cufa-ES, Gabriel Costa. Essa será a segunda vez que o Dia da Favela é realizado no Espírito Santo. Em maio deste ano, o de Vila Velha sancionou a Lei Nº 6.444/2021, instituindo a data, que agora faz parte do calendário oficial de eventos da cidade. “Serão realizados eventos esportivos e culturais, bem como palestras, audiências públicas e reuniões visando a discussão de assuntos que visem o acesso desses territórios às políticas públicas em todos os seus setores”, diz a lei. Antes da promulgação da legislação, o Dia da Favela tinha sido comemorado no Espírito Santo em 2019, na Serra. Em 2020, a programação não foi realizada em razão da pandemia do coronavírus. Este ano, serão doze horas de programação, contando com oficinas de grafite, pipa, dança, customização e culinária. O evento também contará com apresentações culturais como capoeira, hip hop, slam e batalhas de rima. “O nosso objetivo é mostrar que favela não é só carência, ela é potência. Existem, sim, as vulnerabilidades. Nós precisamos, sobretudo nesse momento, buscar políticas públicas sociais também para mudar essas realidades de vulnerabilidade, porém, também comemorar essas qualidades e a potência que nós temos nesse espaço”, ressalta Gabriel. Os artistas que desejam se apresentar no dia, devem se inscrever acessando o link: https://bityli.com/gzugyB. Já para participar das oficinas e palestras, é preciso se inscrever por meio do link: https://bityli.com/CKyGJV.Resistência na pandemiaA Central Única das Favelas está presente em 5 mil favelas no Brasil, promovendo ações nas áreas da educação, lazer, esportes, cultura e cidadania. Durante a pandemia, a organização fundada há 20 anos, iniciou a campanha “Tem Gente com Fome”, juntamente com as entidades Gerando Falcões e Frente Nacional Antirracista, com o objetivo de combater o cenário de fome agravado pela pandemia da Covid-19. No Espírito Santo, 215 mil famílias foram atendidas em 2020 por meio do projeto “Mães de Favela”. Até abril de 2021, mais de 20 mil lares já tinham sido alcançados pelas lideranças da Cufa-ES que estão distribuídas pelo Estado. Só na Grande Vitória, são 22 bases de atendimento. Atividades – Roda de Capoerira – Grupo Beribazu – Sarau “Batalha de Slam” – Batalha de Rap – Apresentações musicais (período da noite). Confirmados: Lucy Lima, Veny King, Lis Felix, L3nda, Dasilva, Tião Câncio & Rony, Escola de Samba São Torquato – Apresentação da bateria da escola de samba. – Exposição de livros no espaço “Favela Literária” (durante todo o evento). Escritores e escritoras confirmadas: Dasilva – Exposição P.A.N.Cs Nutrição – estande com equipe dando orientações de consumo Plantas Alimentares Não Convencionais. A equipe levará o material exposto (plantas não alimentícias, bolo, suco, folders informativos para distribuição). – Unisales – equipe aferindo pressão e passando orientações sobre controle de pressão alta. – Exposição de artesanato. – Exposição “Fotografia das Favelas do Espírito Santo”. – Workshop “Cabelos Afro e Consciência” – Oficina de penteados afros – Palestra sobre empreendedorismo Sebrae – Oficinas de artesanato – pintura em tecido, Pipa, Grafite, Percussão e Capoterapia. Cufa-ES participa de campanha nacional de combate à fome na pandemia – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/direitos/cufa-es-apoia-campanha-nacional-de-combate-a-fome-durante-a-pandemia

24/10/2021 / 0 Comments
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​Denúncia do MPF traz à tona assassinato de capixaba na Guerrilha do Araguaia

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Arildo Valadão, cujo corpo não foi encontrado, foi dacapitado ainda com vida, segundo a denúncia do MPF Reprodução Nove anos depois de iniciadas as investigações da Força-Tarefa Araguaia, volta à tona o assassinato do estudante capixaba Arildo Aírton Valadão, ocorrido no Pará, durante a repressão que ficou conhecida como massacre à Guerrilha do Araguaia, em um dos períodos mais sangrentos da ditadura militar instalada no país em 1964. Ari, como era conhecido, foi decapitado ainda com vida, segundo denúncia do Ministério Público Federal (MPF), encaminhada neste mês ao Judiciário, como parte da sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) contra o Estado brasileiro. Além de Arildo Valadão, que era de Muniz Freire, no sul do Espírito Santo, estão desaparecidos desde o período ditatorial os corpos dos capixabas Orlando Bonfim Júnior e Maurílio Patrício (Manoel), de Santa Teresa (região serrana); Marcos José de Lima (Zezinho) e João Gualberto Calatrone (Zebão), de Nova Venécia (noroeste), e Lincoln Bicalho Roque, de São José do Calçado (sul). Na contramão do que ocorre na maioria dos países, o Brasil não pune os envolvidos em assassinatos e torturadores. A anistia recíproca considera como se houvesse dois lados na ditadura e, devido às próprias condições do conflito, excessos teriam sido cometidos por ambas as partes. O ex-preso político Francisco Celso Calmon, ex-coordenador da Rede Brasil Memória, Verdade Justiça e do Fórum Memória e Verdade no Estado, afirma que “o Brasil é o país da impunidade, da falta de memória e das mentiras institucionais”, e isso decorre especialmente da ditadura militar e da mídia coorporativa, sempre comprometida com os golpes ocorridos no País. Reprodução YouTube/Ales Dez denúncias foram impetradas pelo Ministério Público Federal (MPF) no último dia nove, que provocaram reações de entidades de direitos humanos. A Associação Advogados e Advogadas pela Democracia, Justiça e Cidadania (ADJC), coordenada pelo deputado federal Aldo Arantes (PCdoB), divulgou nota, no último dia 18, afirmando que “espera que seja feita Justiça às vítimas daquele período sangrento de repressão patrocinada pelo Estado brasileiro”. “Neste momento, em que se multiplicam os ataques da extrema-direita contra o Estado Democrático de Direito, as instituições e a Constituição, capitaneados pelo próprio atual ocupante da Presidência da República, esta tarefa se reveste ainda de maior importância jurídico-política e de uma atualidade premente”, diz a nota. E ressalta: “O ex-capitão que governa o nosso país tem declarado, em várias ocasiões, o seu apoio à ditadura militar e a seus torturadores e assassinos, chegando a afirmar, em entrevista, que era necessário fazer ‘o trabalho que o regime militar não fez, matando uns 30 mil’, e ele próprio tem sido denunciado por crimes contra a Humanidade, em especial pelo crime de genocídio contra os povos indígenas”. Decapitação Uma das denúncias, de 2019, cita o coronel José Brant Teixeira, o “Doutor César”, apontado pelos camponeses como torturador e mandante de um crime marcado pela barbárie: a decapitação do estudante de física Arildo Valadão, emboscado num local conhecido como Grota do Pau Preto, em São Geraldo do Araguaia, no dia 24 de novembro de 1973. Ari levou um tiro no peito e teve a cabeça cortada ainda em vida, conforme relato de um dos três guias que, coagidos por Brant, executaram o crime e depois andaram quatro dias pela mata para entregar a cabeça do guerrilheiro. “O corpo de Arildo Valadão foi abandonado na mata e a cabeça da vítima foi decepada e entregue ao mandante, José Brant Teixeira, então comandante da base militar instalada no município de Xambioá/TO”, escrevem os procuradores na denúncia. Brant esteve várias vezes na região, a última em julho de 1974, quando teria feito questão de acompanhar de perto a execução da geóloga Dinalva Conceição Teixeira, a Dina, guerrilheira que virou uma lenda na região, presa duas semanas antes numa emboscada organizada por Curió, segundo matéria publicada no site do PCdoB. “O Ministério Público Federal resgatou a pauta mais incômoda para as Forças Armadas e o governo do presidente Jair Bolsonaro: a acusação de que, longe da versão de uma guerra na selva difundida pelos militares, o que ocorreu na Amazônia entre outubro de 1973 e final de 1974, na operação conhecida como Marajoara, foram assassinatos a sangue frio, com a ocultação e destruição planejadas dos corpos de oponentes”, aponta a informe do partido com base da peça dos procuradores federais. O relato ressalta que oito oficiais e um médico foram identificados e responsabilizados pela execução e ocultação dos corpos de 17 guerrilheiros do PCdoB. As investigações também confirmam que, entre os 68 desaparecidos, 41 foram executados, 32 deles depois de passarem por prisões nas bases militares no circuito da guerrilha. 

23/10/2021 / 1 Comment
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Agricultores reclamam de multas aplicadas com base em lei adormecida há 20 anos

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Sindicato propõe ao governo campanha de divulgação da lei antes de iniciar cobrança das punições Há três semanas, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais e Agricultores Familiares de Santa Maria de Jetibá recebe relatos a respeito da cobrança de uma multa prevista em uma lei estadual adormecida há vinte anos. Publicada em dezembro de 2001, a Lei nº 7.000 estabelece multa de 300 VRTEs [Valor de Referência ao Tesouro Estadual] – que, em 2021, está em R$ 3,6459 – em casos de “faltas relativas à inscrição e às alterações cadastrais”, entre elas, “deixar de comunicar ao Fisco, no prazo previsto na legislação, mudança do estabelecimento para outro endereço ou qualquer alteração cadastral ou contratual”. No município da região serrana que se destaca na produção de olerícolas e produtos orgânicos da agricultura familiar, os principais prejudicados são os agricultores com contratos de comodato, arrendamento ou “meia”, explica o presidente do Sindicato Rural, Egnaldo Andreatta. “Principalmente os filhos de agricultores que não têm a terra, mas que trabalham com contrato de comodato com os pais ou sogros”, conta. Esses contratos, ressalta, são muito comuns entre os pomeranos, que têm a cultura de “reforma agrária automática”, em que os mais velhos cedem um pedaço da terra dos ancestrais para os mais novos que ficam adultos e formam suas próprias famílias, e são feitos geralmente por um período de quatro a seis anos. Quando vencem, geralmente os agricultores não se dão conta e só buscam a renovação e registro na Coletoria municipal quando precisam apresentá-lo para algum financiamento ou benefício previdenciário. “O produtor de café, por exemplo, costuma guiar [emitir guias de nota fiscal] uma vez por ano, quando faz a venda do café. Mas o bloco de notas tem que ser carimbado no NAC [Núcleo de Atendimento ao Contribuinte] a cada seis meses. Se quando ele vai carimbar o contrato venceu, ele já é multado imediatamente, sem nenhum aviso prévio”, narra. O que mais tem surpreendido e até revoltado os agricultores é que a multa prevista na Lei 7.000/2001 nunca havia sido implementada até então. “É mais uma conta que chega para os agricultores familiares, depois de vinte anos”, protesta. O incômodo, relata, é sentido até mesmo pelos servidores do Núcleo de Atendimento ao Contribuinte (NAC) do município, que não concordam com a repentina cobrança. “Mas eles não podem deixar de multar, é ordem superior”. O sindicato propõe que o governo do Estado realize uma campanha de divulgação da implementação da lei, conscientizando os agricultores sobre a necessidade de observar a data de vencimento de seus contratos. Campanha que pode ser feita com a ajuda das entidades da sociedade civil, como os próprios sindicatos rurais. “Seria o correto e justo”, pontua.

23/10/2021 / 0 Comments
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‘É preciso criar mais teatros e manter os que já existem de portas abertas’

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Produtora Cultural Elenice Moreira também aponta a manutenção e construção de praças como importantes para o teatro de rua Aquela velha ideia de que no Brasil as pessoas não gostam de teatro não é verídica, segundo Elenice Moreira, presidente da Associação Cultural Ambiental Uma Floresta. “O público ama o artista, gosta de arte. Podendo alcançá-lo, vai ao teatro”, diz. Para possibilitar esse alcance, além de mais teatros, é preciso que, nos locais onde eles já existem, haja investimento em infraestrutura e recursos humanos para se manterem abertos ao público. No Espírito Santo, afirma Elenice, alguns teatros ficam um tempo fechados, mas depois voltam a funcionar, enquanto os que estavam funcionando muitas vezes fecham, havendo, portanto, um certo rodízio. Alguns exemplos são o teatro de Viana, que reabriu recentemente, e o do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), campus Vitória, que permanece fechado por não haver funcionários aos finais de semana. “Temos 78 municípios, quantos têm teatro? Quantos funcionam? Precisa ter mais teatros, colocar os que já existem para funcionar, disponibilizar técnicos. É um direito da população e dever do governo. É importante também a colaboração da iniciativa privada”, defende. Elenice destaca que a crença no fato de que “o artista vai onde o público está” procede, principalmente no que se refere às comunidades populares. “É mais fácil o artista ir para o bairro do que todo um bairro ir para o teatro, mas a gente também tem que buscar fazer com que as pessoas entendam que elas também podem ir ao teatro”, aponta, destacando que peças teatrais não se restringem a espaços fechados, uma vez que é preciso investimento no teatro de rua. Uma das formas de fazer esse investimento, sugere Elenice, é a construção e manutenção de praças. Ela ressalta também a necessidade de terrenos para incentivar a cultura do circo. “Os artistas circenses precisam de espaços que tenham, por exemplo, água e esgoto para montar o circo”, salienta. Para Elenice, os benefícios da arte são inúmeros. “Quando você vai ao teatro, conhece a arquitetura do espaço, a história. Assistir um espetáculo é dar um passeio, se divertir, ajuda a saúde física e mental, cura as feridas”, exalta. Festival de Teatro A Associação Cultural Ambiental Uma Floresta realiza neste ano a 17ª edição do Festival Nacional de Teatro Cidade de Vitória (Fenatevi), entre os dias cinco e 12 de novembro. A programação conta com 33 espetáculos teatrais do Espírito Santo, do Brasil e de outros países; quatro oficinas; três mesas de debate; dois lançamentos de livro; um workshop e um Cine em Cena. Todas atividades são gratuitas. “Entre os nossos objetivos estão a formação de público, intercâmbio entre grupos de teatro de vários estados e países, além da formação de novos artistas e daqueles que já atuam na área”, explica Elenice. Este ano, o evento será em formato híbrido, com atrações online, transmitidas pelo YouTube e pelo Facebook, e presenciais, que acontecerão na Praça Costa Pereira e no Palácio da Cultura Sônia Cabral, ambos no Centro de Vitória. Nas atividades presenciais em espaços fechados, serão adotados os protocolos sanitários de prevenção à Covid-19. Será necessária a utilização de máscaras e haverá disponibilização de álcool em gel. Também será respeitada a quantidade de pessoas estabelecida pelas normas técnicas da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa). Ao retirar o ingresso, cuja distribuição será feita uma hora antes das apresentações, é preciso apresentar, pelo menos, o comprovante de vacinação da primeira dose. “Acreditamos na ciência e que devemos zelar uns pelos outros. Se a pessoa não quer vacinar, não quer viver coletivamente com a maioria vacinada”, destaca Elenice. Na Praça Costa Pereira, como é local aberto, não será preciso ingresso, mas é necessário que os espectadores compareçam de máscara e utilizem álcool em gel. As peças, segundo Elenice, são voltadas para crianças e adultos. As oficinas serão as de Iniciação ao Teatro de Bonecos, Direção; Teatro Digital – Presença Remota e Virtualização; e Construção de Pequenos Monólogos A Partir das Memórias. Também haverá o lançamento dos livros Entre Ervas e Unção, de Elis Gonçalves; e Corpos Estético-Políticos: Teatro do Oprimido, Direitos Humanos e Ancestralidades, de Willian Berger. Também fazem parte da programação o workshop “Uma Conversa Interativa Sobre o Ofício do Ator, a Profissão, Interpretação, Política e Cultura”; e a mesa “Teatro da Fronteira Norte do México: Políticas de Dor”. O homenageado desta edição será o ator e produtor cultural Cezar Baptista, falecido em julho deste ano. A programação completa, links para inscrições nas oficinas e mais informações possam ser acessadas aqui. O Fenatevi – 17ª edição é realizado pela Associação Cultural, Circense e Ambiental Uma Floresta, com produção da Ratimbum Produções de Artes e apoio da Secretaria Estadual de Cultura (Secult).

23/10/2021 / 0 Comments
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