Movimento histórico apaga a contribuição não branca para o desenvolvimento da Capital Iphan Na Cidade Alta, a Igreja Nossa Senhora do Rosário faz parte de um dos principais pontos turísticos do Centro de Vitória. O tombamento como patrimônio histórico preserva a identidade cultural da edificação, erguida ainda no Brasil escravocrata, mas não consegue dar nome às mãos pretas que a construíram. A falta do registro dos corpos escravizados que ergueram o monumento faz parte de um contexto de apagamento da contribuição não branca para o desenvolvimento de cidades brasileiras. O tema foi objeto da dissertação de mestrado do geógrafo Vanderson Moreira Silva Alves, que pesquisou a produção do espaço urbano de Vitória, entre o final do Século XIX e meados do Século XX. Doutorando em Geografia pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), ele explica que negros escravizados tiveram um papel fundamental no desenvolvimento da capital capixaba, do ponto de vista econômico, cultural e populacional. As condições demográficas mostram o espaço ocupado pela exploração da mão de obra escravizada em território capixaba. “Em termos populacionais, na época, os escravos representavam mais de 27% do total da população do Espírito Santo. A gente tem um quantitativo considerável de escravos dentro do Estado, que até então era província”, explica o professor, informando que, em Vitória, o quantitativo de escravizados era de um pouco mais de 22% em relação à população total da Capital. Apesar de serem destinados, em maior volume, ao trabalho rural e agrícola, aqueles escravizados que estavam dentro do perímetro urbano da cidade eram utilizados para ofícios como a construção civil e a carpintaria. Obras como a construção da Igreja Nossa Senhora do Rosário, reformas na capela de Santa Luzia e casas construídas na região do Parque Moscoso e Cidade Alta foram marcadas pelo suor preto. Iphan “Eles movimentavam essa economia da capital capixaba e as construções. Os reparos, melhoramentos, a maior parte era realizada por escravos (…) A gente tem a participação do escravo em construção de casas, lojas comerciais, abertura de vias, iluminação pública e saneamento básico, mas não o registro nominal deles”, explica o professor. Diferentemente de construtores europeus, como o italiano André Carloni, que até hoje são lembrados, a contribuição não branca para o desenvolvimento de Vitória foi apagada pelo racismo ao longo do tempo. “O escravo era considerado como um bem, né? Ele era contado nos inventários da época como um bem, então dificilmente a gente tem o registro nominal, dizendo: ‘fulano construiu essa casa”, ressalta Vanderson. Ele prossegue: “Muitas vezes acontece do serviço mais pesado, braçal, ser feito pelo escravo, e o construtor, o artista europeu, era quem levava o nome pelo fato de fazer a ornamentação final, o acabamento, o entalhe, o ornamento (…) Era muito mais status na época ter uma obra feita por um por um artista italiano, um construtor italiano ou um construtor europeu, do que apresentar como um trabalho de um escravo”, declara. Um Brasil apagado Longe de ser pontual, o contexto de Vitória faz parte de uma conjuntura racista, em que se tem uma tentativa de esquecimento do passado escravocrata nas cidades brasileiras. Nesse processo, leva-se também nomes fundamentais, como o do arquiteto escravizado Joaquim Pinto de Oliveira (1721-1811), mais conhecido como Tebas, de São Paulo. Apesar de ter renovado a arquitetura e as fachadas das igrejas paulistas no Século XVIII, a estrutura branca não permitiu que o nome dele fosse lembrado nos livros de história. Somente em 2018, Tebas foi homenageado pelo Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo, com base em documentos oficiais reunidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e depois em 2020, pela Prefeitura de São Paulo, que instalou um monumento com seu nome na Praça Clóvis Beviláqua, no Centro da cidade. Prefeitura de São Paulo “O escravo teve participação importante na construção da cidade, não só de Vitória, mas das maiores do Brasil. No Rio de Janeiro, São Paulo, ele foi amplamente utilizado para isso”, aponta Vanderson. Apesar das estratégias de apagamento dessa história que não foi protagonizada pelos brancos, resquícios do suor negro continuam presentes em pontos específicos como a Igreja Nossa Senhora do Rosário, a Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. “A cidade de Vitória foi crescendo dessa forma [utilizando a mão de obra escravizada] até chegarem os grandes projetos urbanísticos lá no final do Século XIX, depois da abolição da escravatura, que foram remodelando a cidade. Então, a gente teve muitas demolições e desconstruções para poder modernizar a Capital, e isso foi apagando esses resquícios, mas na parte turística, a Igreja Nossa Senhora do Rosário é a mais emblemática”.
Simples, se não complicassem
O que é ruim fenece, o que é bom prevalece, filosofou Confúcio O Z do Zorro é mais conhecido do que o emblema da Nike. Os Beatles disseram que são mais famosos que Jesus Cristo. São, mas serão? O tempo passa e os famosos vão sendo soterrados pela avalanche de novos famosos que nos assolam diariamente. Uns poucos persistem, nem sempre por serem os melhores, ou deram mais sorte. Van Gogh e Herman Melville jamais imaginariam que suas obras seriam conhecidas e glorificadas 200 anos depois de serem criadas. * Sonho dos desprezados: Nem minha mãe comprou meu livro, mas talvez daqui a duzentos ou mil anos, meu nome estará na boca do povo. O que é ruim fenece, o que é bom prevalece, filosofou Confúcio. O que é bom dura pouco pode ser entendido como um complemento de vaso ruim não quebra. O livro mais velho do mundo não é a Bíblia mas o I Ching, com mais de 5 mil anos: As leis naturais não são forças externas às coisas, mas representam a harmonia e o movimento inerente às próprias coisas. O I Ching é considerado o princípio da tecnologia moderna. * O tempo é relativo, disse o relojoeiro, e meu tempo está se esgotando. “Se nada nos salva da morte,, que pelo menos o amor nos salve da vida”, disse Pablo Neruda. Nas horas de folga, entre uma rima e um riso, Neruda filosofava: Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências. De pouco e nada resta o infinito, disse o mendigo olhando para o chapéu vazio de esmolas. Se chover, não resta nem mesmo o chapéu. *Competindo no pódio do mais antigo livro escrito do mundo, temos o Épico de Gilgamesh, narrando as aventuras do quinto rei de Uruk, na Mesopotâmia, hoje Iraque. Gilgamesh reinou por 126 anos, e feito a fórmula da água, era duas vezes deus para uma porção de homem. Que nem nós. Antigamente era demonstração de cultura ter um ‘livro de cabeceira’ que deveria ser o livro que mais se gostasse. Hoje o livro de cabeceira é o celular – tem todos os livros ao alcance da mão. É só não esquecer de carregar. E adeus, que as visitas chegaram para o almoço, e queimei o feijão.
A Sexta Região de Vila Velha?
Na zona rural do município, faltam políticas públicas e o avanço urbano e industrial pode representar transformações significativas Ainda é estrada de chão que pegamos enquanto a ES-388 começa as obras para ser asfaltada, demanda antiga de moradores da região. Além do piso de terra, as casas vão ficando mais distantes uma das outras, os quintais são verdes e animais fazem parte da paisagem. A placa enlameada de ônibus indica que ali passa o Transcol, mas outra placa sinaliza para onde vamos: Bar Caminho da Roça. Outras placas aguçam a curiosidade por meio de uma estratégia de marketing, com as palavras “Rico Caipira”. Saímos da Grande Terra Vermelha rumo à Zona Rural de Vila Velha. Vitor Taveira Segundo o último Censo, de 2010, o município tem cerca de 415 mil habitantes, o que o fazia o mais populoso do Espírito Santo. A estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2021 aponta mais de 500 mil moradores. Apenas 0,5% das pessoas moram, porém, na zona rural, que corresponde a 53% da área total de Vila Velha, de acordo com a prefeitura. Fazem parte desta área comunidades como Xuri, Jaguaruçu, Tanque, Atlântico II, Mata da Barra, Córrego do Sete, Camboapina, Jabaeté e Retiro do Congo. A divisão do município inclui cinco regiões administrativas, aglutinando os diversos bairros adensados, além da zona rural. “Estamos próximos da Região 5, da Grande Terra Vermelha, que é muito vulnerável socialmente e precisa de recursos. Mas isso não justifica que nunca haja recursos para a zona rural, que é esquecida, tratada com desdém”, reclama Antônio Rocha, o Toninho do Xuri, uma das lideranças das comunidades na região do município, sobre uma questão que atravessa as diversas gestões municipais em Vila Velha. “Você sabe que o negócio de político é voto…”, questiona sobre a pouca atenção a uma parte significativa do território que abriga uma população pequena. Anos atrás, um movimento chegou a ser criado reivindicando que a parte rural fosse considerada como a Região 6, na esperança de que isso pudesse ajudar a colocar mais atenção, mas o processo não foi adiante. “É preciso pensar nas necessidades do rural, um projeto para o rural. Eles acabam sempre vindo com pacotes de projetos pensados para o urbano e jogam para a zona rural. Mas a realidade aqui é outra”, analisa Toninho. Toninho do Xuri, uma das lideranças comunitárias, e sua horta. Foto: Vitor Taveira No caso de sua região, um decreto de 1986 do então prefeito Vasco Alves determinou que a área do então fracassado Loteamento Parque das Quintas da Vale Branca fosse desapropriada para formar o Xuri, cujo nome indígena se refere às siriemas, aves muito comuns no local, sendo que uma inclusive passa despreocupada pelo quintal de Toninho enquanto conversamos. Mas hoje, quando pronunciado o nome da região, muitos lembram de imediato do complexo penitenciário existente nas proximidades e não pela zona rural em si, onde os projetos de agroturismo ainda não são muito conhecidos. “Passar férias no Xuri é uma expressão mais lembrada por seu caráter metafórico usado pelo apresentador de TV e deputado federal Amaro Neto [Republicanos] para se referir aos que são enviado para lá para cumprir pena, lembra o morador local, cuja pequena chácara está a quatro quilômetros do centro do presídio, que fica às margens da BR-101. O decreto de Vasquinho, como era conhecido o ex-prefeito, afirmava também a intenção de criar um plano agrícola e uma escola de aprendizado agrícola para os moradores da zona rural, o que nunca saiu totalmente do papel. A escola existente, a Unidade Municipal de Ensino Fundamental (Umef) Reverendo Waldomiro Martins Ferreira, funciona em período integral e também desenvolve atividades como uma horta escolar. Mas Toninho, que é graduado em Educação do Campo pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), defende que seja adotada esta metodologia de ensino na escola, focada nas particularidades da zona rural. “Hoje é uma escola no campo. Mas ainda não é uma Escola do Campo”. Ele também reivindica a Educação de Jovens e Adultos (EJA), para a qual enxerga a necessidade de garantir-se o transporte escolar para os estudantes das diversas comunidades do entorno, dispersas entre si, que cursariam as aulas no período noturno. Além desta questão escolar, o transporte público é outro tema importante, já que embora atendida pelos sistema municipal e metropolitano, são poucos os ônibus e com horários, sobretudo à noite, reduzindo especialmente as condições de lazer para os jovens, que são cada vez menos na zona rural, onde o morador também reclama de falta de políticas para agricultura e manutenção da população no campo. A escola em período integral que atende a zona rural de Vila Velha. Foto: Facebook Uma proposta protocolada por Toninho na prefeitura pede que a área atrás da escola, que hoje possui um campo de futebol, possa ser reformada para abrigar quadras de vôlei e futebol de praia, pista de atletismo, campo de bocha e área de convivência, algo que falta para fortalecer as relações e encontros entre os moradores e as opções de lazer. Ao lado da escola está a sede da Associação de Moradores e Agricultores do Xuri, onde uma vez por semana há atendimento médico, já que a unidade de saúde mais próxima fica há 20 minutos de carro dali, em Terra Vermelha. Toninho do Xuri também aponta a necessidade de obras para melhoria da casa que abriga a associação, o que aponta que por lei poderia ser feito pela prefeitura, reforçando o fato do local ser utilizado para atendimento público de saúde. Membro do Conselho Municipal de Saúde, o líder comunitário aponta que há alguns avanços por vir, como a promessa de que o médico passe a ser acompanhado por uma enfermeira, que também traria os remédios necessários para serem distribuídos à população local. A situação da zona rural de Vila Velha não parece ser muito diferente da de outros grandes municípios como Serra e Cariacica, onde além da pouca atenção do poder público, há forte pressão da indústria e do mercado imobiliário para ocupar e transformar esses espaços, que além de preservarem um modo de vida e
Jovens vencem êxodo rural e voltam para a roça em Feliz Lembrança
Comunidade no Caparaó iniciou movimento há 15 anos e hoje comemora nova terra adquirida para expandir agrofloresta Protagonizando um caso raro de blindagem contra o devastador êxodo rural, a comunidade de Feliz Lembrança, em Alegre, no Caparaó Capixaba, tem conseguido não apenas manter os jovens no campo, mas também atrair de volta pra “roça” os que se viram obrigados a deixar a terra da família em busca de melhores oportunidades de crescimento na cidade. O movimento teve início há cerca de 15 anos a partir da mobilização da juventude local. Primeiramente por meio da igreja e, em seguida, da Associação de Moradores e Produtores de Feliz Lembrança (Amfra), que foi reativada com objetivo de trazer benefícios que atraíssem os jovens para o empreendedorismo e a diversificação da produção agrícola. Josiane Abreu Machado é uma dessas lideranças. Como outras jovens mulheres, focou sua atenção na estruturação da agroindústria e investiu na cozinha industrial a partir de cursos feitos no Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Na época, estava grávida do primeiro filho. Divulgação Pães e biscoitos para coffe break foram a primeira investida, mas logo viu que não tinha como competir com padarias maiores, já estabelecidas, e hoje o grupo se dedica à produção de mandioca chips, a partir da raiz produzida na comunidade. A intenção é ampliar o portfólio, a partir de outros alimentos agroecológicos abundantes no local. Na roça, o trabalho é compartilhado com o esposo e é acompanhado de perto pelas filhas. Produzem mandioca, palmito, café. “No meio da lavoura tem banana, cítricos, manga. Assim a gente tem renda semanal e mensal. Não dá pra contar só com café, uma vez por ano”, descreve, acrescentando árvores de lei também, “não só as que dão renda”, como ipês, pois a beleza também alimenta e enriquece o espírito. “Eu gosto muito da área rural, é um prazer pra mim mexer com a terra. Primeiro é a paz interior, e daí vem o sustento que a gente precisa”. Divulgação No começo, lembra Josiane, os jovens foram agregando lentamente outras culturas em meio ao cafezal dos pais. Amoras, coco, ameixa… “Eu, meu esposo e meu irmão também trabalhamos com mel e meu irmão, com geleias”. A diversificação os levou à feira. Primeiro, na feira agroecológica do campus da Universidade Federal do Espírito Santo (Caufes). Venenos agrícolas, conta, ela mesma nunca mexeu. Tem essa alegria. “Já tinha na minha cabeça que não era bom. Eu conversava com meu esposo e ele resolveu parar, passou a usar roçadeira”, conta. A troca foi acontecendo em cascata entre as famílias, chegando a um método de mutirões. “Aqui a gente troca serviço, dá uma mão para quem precisa, e depois a pessoa vem e devolve quando a gente precisa. Faz mutirão para uma pessoa e depois vem o mutirão para gente”, descreve. Os agrotóxicos são um tema constante na comunidade e na família de Josiane. “Perdi um tio porque mexia muito com veneno, deu câncer. A maior parte da comunidade já se libertou dos venenos, mas dois tios de Josiane ainda insistem. “Eles falam que eu ‘tô’ doida, mas tenho paciência para conversar. Eles falam que o roundup de hoje é diferente de ontem…umas coisas assim. Mas tem que continuar conversando, mostrando as estatísticas, os dados”, explana. Ministra da palavra na igreja católica local, Josiane reforça o discurso crístico de que é preciso “ter um corpo saudável em um espírito saudável” e que “Deus criou o mundo pra gente cuidar dele, da terra, da natureza, pra que sirvam pra outras gerações. Se usar veneno, veneno, veneno… a natureza vai acabar, ela está gritando por socorro. É nosso papel cuidar com amor, com zelo, com carinho”, ensina. Toda essa movimentação em torno da agroecologia e da diversificação da produção agrícola, há 15 anos, foi responsável por abrir os horizontes da juventude de Feliz Lembrança, permitindo que toda uma geração fosse beneficiada com a redução drástica do êxodo rural. Divulgação Entre os rapazes, as primeiras ações foram no sentido de agregar valor aos produtos in natura. O palmito, por exemplo, que era comercializado em forma de peça bruta, passou a ser limpo e cortado. Atenção também sobre as frutas e lavouras brancas. Assim, logo conseguiram se mobilizar para acessar as políticas públicas de comercialização, a partir de 2007, como os programas de Aquisição de Alimentos e Alimentação Escolar (PAA e Pnae). E assim foram gerando mais empregos e renda. “Deu uma freada no êxodo. Começou a gerar oportunidade nas comunidades”, lembra Fábio de Souza Silva, outro dos pioneiros e hoje presidente da Associação dos Agricultores e Agricultoras Familiares e Feirantes de Alegre (AAFFA). A prosperidade o animou. Casou-se em meio à efervescência do movimento juvenil que revitalizava a comunidade e teve dois filhos, que seguem seus passos. “A gente morava numa terra que era nua, pasto, e hoje está toda formada de café, frutas, agroindústria de mel”, relata, com satisfação. Outros equipamentos também foram sendo incorporados, como a chamada “sala de conhecimento”, com laboratório de informática, onde os moradores podem se conectar à internet e fazer serviços digitais, que, antes da revolução jovem, era distantes da realidade local. Divulgação Há cerca de quatro anos, uma nova guinada: a mobilização de esforços dos jovens e seus pais para a compra de uma área há muito sonhada por toda a comunidade, localizada ao redor do vale onde ela se instalou. Um grande pasto degradado e improdutivo, mas cujo proprietário se recusava a vender. Depois de muita negociação, finalmente o negócio foi fechado e o pagamento concluído em janeiro deste ano. Os novos 144 hectares abriram mais uma janela de crescimento, atraindo de volta alguns dos jovens que, mesmo com os primeiros movimentos de transformação socioeconômica, tiveram que deixara roça e tentar a vida na cidade. Às 55 famílias que resistiram, outras 30 se juntaram. Divulgação A felicidade é imensa. Ver o retorno da “autoestima da pessoa rural”, do “orgulho de trabalhar na roça, de andar de cabeça erguida”, ter “consciência crítica”. “Com essa terra nova, acredito que a geração de renda e emprego que vai
Insegurança alimentar é realidade para 88% dos usuários dos Cras de Vitória
Pesquisa com Centros de Referência em Assistência Social busca subsidiar políticas públicas de combate à fome Andar pelas ruas de Vitória é ter a percepção de que na frente dos supermercados, nos semáforos e outros lugares aumentou o número de pessoas pedindo ajuda para matar a fome. Essa realidade, tão visível aos olhos, está sendo evidenciada também por meio da pesquisa Segurança Alimentar e Nutricional: um Diagnóstico Situacional em Meio à Pandemia de Coronavírus na Cidade de Vitória/ES. O estudo mostra que a maioria dos usuários dos Centros de Referência em Assistência Social (Cras) de Vitória entrevistados até o momento estão em situação de insegurança alimentar. Ao todo, foram entrevistadas 351 famílias. Dessas, 11,6% estão em segurança alimentar; 29,8% em insegurança alimentar leve; 27,5% moderada; e 31% grave, totalizando 88% em situação de insegurança alimentar. Até o momento, os pesquisadores entrevistaram moradores dos bairros Santo Antônio, Goiabeiras, Santa Marta, Itararé, Romão, Maria Ortiz e Forte São João. A pesquisa é realizada pelo curso de Nutrição do Centro Universitário Salesiano (Unisales), com apoio da Gerência de Segurança Alimentar e Nutricional da Prefeitura de Vitória. O levantamento é coordenado pela professora e integrante do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, Alessandra Rodrigues Garcia. De acordo com ela, a ideia surgiu no início da pandemia da Covid-19, considerando que a crise certamente iria resultar no agravamento dos casos de insegurança alimentar. Grupo de pesquisadores. Foto: Divulgação Alessandra explica que a insegurança alimentar pode se manifestar de diversas formas. Algumas delas são o medo que a pessoa tem de vir a passar fome, a fome já concretizada, a ausência de alimento em qualidade e quantidade suficientes, e ter como opção somente a aquisição de alimentos que não fazem parte da cultura de quem está consumindo. “Não se trata somente de ter ou não ter comida. Quando a pessoa está com preocupação de que a comida acabe e ela fique sem, está em risco iminente de passar fome”, afirma. Tipos de alimentos consumidos A pesquisa também levantou dados sobre o consumo alimentar, referindo-se ao consumo igual ou superior a cinco vezes por semana de produtos como frutas, tubérculos, massas, doces, industrializados, cereais, carne, leite, ovo, queijo e hortaliças. Os cereais são os alimentos mais consumidos habitualmente, com o índice de 72%. O campeão na lista dos não consumidos, com 70%, é o queijo. Já 66% das pessoas afirmaram que não costumam consumir tubérculos, maior índice entre os alimentos cujo consumo é classificado como não habitual. A pesquisa também mostra que frutas, massas, carnes e hortaliças não têm feito parte do cardápio das famílias, com índices de consumo não habitual de, respectivamente, 61%, 60%, 60% e 62,29%. Hortaliças estão entre os alimentos que não fazem parte do cardápio. Foto: Agência Senado Mulher é a primeira a passar fome Alessandra ponta que é perceptível que, em casos de insegurança alimentar, a mulher é a primeira a passar fome. “A primeira a ficar sem comer é a mulher. Depois, os outros adultos, os maiores de 18 anos, posteriormente, as crianças”, diz. A pesquisadora acredita que isso se deve ao fato de que a mulher se sente responsável pelo bem-estar da família. “Ela minimiza a dor quando é para ela. Tenta não atingir o outro, segurar o peso”, esclarece. Foto: Divulgação A professora relata que, durante as entrevistas, quando as mulheres narram que tiveram que reduzir a comida das crianças, mostram “uma dor imensa”. “É como se elas tivessem vendo o filho ser espancado”, diz. Segundo Alessandra, algumas relataram estratégias de sobrevivência, como o caso de uma que afirmou ir até a Central de Abastecimento do Espírito Santo (Ceasa) nos horários em que é de costume ser feito o descarte dos alimentos que não podem ser vendidos, para levá-los para casa e, assim, ter comida em casa durante a semana inteira. Caminhos Alessandra afirma que o intuito é fazer com que a pesquisa possa servir de subsídio para que a prefeitura possa formular políticas públicas de combate à fome. Ela defende que a gestão municipal deve dar prosseguimento ao estudo, que será feito pela Unisales até o final deste ano. O prosseguimento, afirma, é, inclusive, uma forma de ver se as políticas públicas a serem elaboradas estão surtindo efeito. Um dos caminhos que podem ser seguidos para combater a insegurança alimentar é a criação de restaurantes populares, acredita a pesquisadora. Antigo restaurante popular de Vitória. Foto: Fiscaliza Vitória Alessandra também destaca a importância do incentivo à agricultura familiar. “Restaurante popular seria uma via, mas precisamos também valorizar a agricultura familiar. Vivemos em um estado rico em recursos naturais. Vitória não tem áreas rurais, mas em localidades próximas, como Serra, Cariacica, Viana e na região serrana, tem agricultores familiares, que precisam ter seus trabalhos fortalecidos para garantir à população alimentos a preços acessíveis. Os trabalhadores rurais querem trabalhar e tem gente querendo comprar seu próprio alimento”, defende. A professora lamenta que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tenha vetado integralmente o Projeto de Lei (PL) nº 823/2021, nessa sexta-feira (17). A proposta garantiria socorro financeiro aos agricultores familiares afetados pela pandemia da Covid-19. A atitude foi considerada uma demonstração da falta de interesse do presidente “em apoiar o combate à fome em um país onde cerca de 116 milhões de pessoas estão em situação de vulnerabilidade social nos mais diversos níveis”, conforme criticou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Iúna e Irupi, Jasseir Alves Fernandes. Foto: Rede Bem Viver Alessandra destaca outras ações do governo Bolsonaro que estão na contramão do combate à fome, como a extinção do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Ela salienta que hoje o Brasil voltou ao mapa da fome, de onde tinha saído, de acordo com a professora, devido a ações como o Programa Fome Zero, implantado durante o primeiro mandato do então presidente Lula (PT). “A fome não havia sido totalmente eliminada, apenas um percentual pequeno da população convivia com ela, mas grande parte da população já não passava mais fome”, ressalta. Solidariedade Diante da ausência de políticas públicas de combate à fome, a sociedade civil tem se organizado para sanar a necessidade de alimento das pessoas em vulnerabilidade social.
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O Duende é um clássico do cinema trash norte-americano Clássico do cinema trash norte-americano, O Duende foi um dos primeiros trabalhos de Jennifer Aniston e é um terror-comédia tosco, mas bem melhor do que aparenta. O’Grady, um Irlandês radicado nos EUA, anuncia à mulher que acaba voltar rico da Europa, porque conseguiu roubar um saco de moedas de ouro de um duende durante estadia na Irlanda. A senhora O’Grady pensou que o marido estava apenas fantasiando. Ele não percebeu que o duende estava escondido numa das malas, e a desavisada esposa, ao escutar vozes infantis vindas do porão, resolveu averiguar. Ao abrir a mala, o duende liberta-se e a fanfarrice macabra começa. Ele ameaça o senhor O’Grady, que se recusa a devolver o tesouro roubado e usa um trevo de quatro folhas para anular os poderes mágicos do duende. Com uma arma de fogo e um trevo, O’Grady aprisiona-o numa caixa por dez anos. O duende usa o que resta dos poderes para deixar O’Grady inválido, impedindo que ele consiga mandá-lo de volta para Irlanda e mantendo-se vivo ainda que com pouca força. Depois de muito tempo abandonada, a velha casa é alugada por Tory e seu pai em viagem de férias pela Carolina do Norte. O pai quis economizar comprando a espelunca por uma barganha. A patricinha Tory só não abandonou a casa porque não aguentou a provocação de um crush, o pintor de paredes Nathan, que duvidou da capacidade dela em viver numa casa velha e abandonada. Ozzy, um dos colegas de Nathan, desce até o porão para buscar ferramentas e é ludibriado da mesma forma que a senhora O’Grady. Ele deixa o trevo de quatro folhas que mantinha o duende preso cair acidentalmente. Agora liberto, o duende transforma a vida dos novos moradores em um inferno. Eles receiam chamar a polícia, porque ninguém acredita em seres sobrenaturais. A única tentativa foi ignorada pela delegacia e somente o senhor O’Grady, hoje traumatizado e definhando em um hospital, sabe como destruir o duende. O manhunting depois que o duende recupera os poderes é ridículo e engraçado. Ele é interpretado pelo ator anão Warwick Davis, vestido com uma fantasia de látex, em cenas memoráveis dirigindo cortadores de grama, bicicletas de rodinha e carrinhos de criança. Aqueles que não têm paciência para terror sugestivo, com poucos jump-scaries, e que os monstros, fantasmas, serial killers e vilões só aparecem de vez em quando de forma sorrateira vão adorar este filme, porque nele não existe nenhum pudor em expor o nada convincente trabalho de maquiagem.
MC Bola de Fogo afirma ter fechado clínica por conflito com PDM de Anchieta
Informação consta em ofício respondido ao presidente do Conselho Nacional de Direitos Humanos, Yuri Costa Divulgação/Uema O Centro de Reabilitação Bola de Fogo encerrou suas atividades em Anchieta, no sul do Espírito Santo, após transferência de todos os seus 35 pacientes, seja para outras clínicas, seja para seus familiares. A informação consta em ofício enviado pelo proprietário do empreendimento, Bruno Oliveira de Lucena, conhecido como MC Bola de Fogo, ao presidente do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), Yuri Costa. “Convocamos nossa equipe e imediatamente entramos em contato com familiares responsáveis pelos pacientes para transferência dos mesmos para outras instituições ou retorno para suas residências. Assim feito, nas datas de 13 e 14 de agosto, conforme especificado, encerramos todas as nossas atividades e entrega do local”, afirma Bola de Fogo. No anexo do documento, são listados os seguintes locais como responsáveis por receber os ex-pacientes: Clínica Blessed House, em Nova Guarapari; Redenção Comunidade Terapêutica, em Itaoca/Itapemirim; Centro de Reabilitação Restituir, em Meaípe/Guarapari; e Rede Abraço, para a qual não há endereço especificado, tendo a transferência sida feita através do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Anchieta. O ofício explica que o motivo do fechamento da clínica foi a incompatibilidade com o Plano Diretor Municipal (PDM) de Anchieta. “A prefeitura de Anchieta nos informou na data de 12 de agosto que não poderíamos permanecer mais no local por não poder naquela região de acordo com a PDM permanecer um Centro Terapêutico, sendo assim, decidimos encerrar nossas atividades”. Bola de Fogo salientou que o Centro é inscrito no CNES nº 9830944 e trabalha “com internação involuntária conforme Lei nº 13.840 de 5 de junho de 2019, aquela que se dá sem o consentimento do depoente, a pedido de familiar ou do responsável legal, precedida de declaração escrita da pessoa solicitante de que optou por esse regime de tratamento” e que “possuíamos em nossa instituição uma equipe multidisciplinar composta por psiquiatra, psicóloga, nutricionista, enfermeira, técnicas de enfermagem, terapeuta, coordenadores e monitores, devidamente treinados e capacitados”. O MC afirma ainda a “indignação e revolta” da equipe com “falsas denúncias” feitas contra a clínica e que, após esses acontecimentos, “temos recebido inúmeros vídeos com relatos de pacientes que estavam conosco nos apoiando, pois eles mesmos sabem o quanto estamos sendo injustiçados por tanta calúnia e difamação”. O ofício informa ainda o histórico da Clínica desde a primeira interdição sofrida, no dia 13 de junho, ainda em no município vizinho de Guarapari, por ação da vigilância sanitária, que verificou a falta do Habite-se. “Devido ao curto prazo [para regularização do Habite-se], locamos uma pousada na cidade de Anchieta para acolher todos os internos, pousada esta que obtém toda a documentação e estrutura necessária para acolhimento de todos os pacientes”. Ele conta que, após assinar o contrato de locação, enviou toda a documentação para alteração de endereço junto à prefeitura de Anchieta, recebendo solicitação de reunião com “o órgão responsável [pelo] PDM” para o dia 10 de agosto. Nesse ínterim, no entanto, relata o documento, no dia 27 de julho, a clínica recebeu uma vistoria da “vigilância sanitária; a fiscalização de obras, postura, transporte; CAPS; guarda municipal; polícia civil e polícia militar do município de Anchieta, devido a denúncias de vizinhos, conforme relatado por representantes destes órgãos”. Na ocasião, conta, os órgãos “pediram a retirada da equipe multidisciplinar proibindo a presença dos mesmos e verificaram todos os documentos e prontuários dos pacientes (inclusive tiraram fotos) e os pacientes que se encontravam na instituição”, emitindo, em seguida, notificações para regularização do estabelecimento. Exatamente no dia 10 de agosto, quando seria feita a reunião com a Prefeitura, sobre o PDM, Bola de Fogo conta que houve uma nova vistoria do Caps e da Guarda Municipal, desta vez acompanhada da Rede Abraço. Os agentes destas instituições, afirma, “reuniram todos os pacientes e perguntaram aos mesmos quem gostaria de ir para uma outra instituição”. Dos 35 internos, somente quatro “se prontificaram a irem para uma comunidade terapêutica, onde os mesmos poderiam sair da instituição na hora que quisessem”. Na ação, os órgãos apresentaram ainda “um ofício do promotor de justiça Robson Sartório Cavalini, onde o mesmo solicitou a remoção ou retorno familiar dos pacientes”. No prosseguimento do relato, o MC afirma ainda que o Caps e a Rede Abraço entraram em contato com os familiares dos pacientes “relatando, violência física e psicológica, alimentação inadequada, etc.”. As acusações, afirma, são infundadas, pois “a maioria dos familiares estiveram em seguida na instituição e constataram que não havia nada do que foi dito a eles”. Denúncia de fuga e cárcere privado O ofício de Bola de Fogo foi em resposta a um questionamento feito pelo CNDH – Ofício n° 1984/2021/CNDH/SNPG/MMFDH, de 27 de agosto – onde o presidente do Conselho, Yuri Costa, classificando como “urgente” a demanda, “manifesta preocupação e solicita informações no que tange ao respeito dos direitos humanos diante de denúncia sobre a retirada clandestina, suposto crime de cárcere privado e tortura de 28 homens com deficiência intelectual e dependência química na ‘Clínica de Reabilitação do Bola de Fogo’ (Anchieta/ES)”. A mesma urgente manifestação de preocupação e solicitação de informações foi encaminhada, dois dias antes, em 25 de agosto – Ofício n° 1969/2021/CNDH/SNPG/MMFDH – à procuradora-geral de Justiça do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), Luciana Gomes Ferreira de Andrade. À procuradora e ao MC, o presidente do CNDH estabelece o prazo de dez dias corridos para que “sejam informadas as providências adotadas para garantia da integridade física e da dignidade humana de tais pessoas com deficiência intelectual e psicossocial”. À procuradora, é requerido ainda incluir “informações sobre a adoção de medidas visando a sua localização e a devida assistência nos serviços que compõe a Rede de Atenção Psicossocial e a rede socioassistencial do Espírito Santo”. O CNDH afirma que as solicitações constam em procedimento instaurado – processo SEI nº 00135.219312/2021-01 – para averiguar a denúncia de que “a equipe da Clínica de Reabilitação do Bola de Fogo haveria ‘fugido’ e levado 28 homens com deficiência intelectual e dependência química abrigados
Deputados avaliam nesta segunda-feira situação financeira do Estado
Secretário Marcelo Altoé chega à Assembleia Legislativa com dados positivos sobre as finanças estaduais Secom/Gov ES ESO secretário estadual da Fazenda, Marcelo Altoé, irá à Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa, nesta segunda-feira (20), para prestar contas, pela primeira vez. Ele substituiu Rogélio Pegoretti, que, no início do mês de agosto, pediu demissão por motivos pessoais. A avaliação da Assembleia Legislativa, em cumprimento a determinação da Lei de Responsabilidade Fiscal, parte de dados favoráveis à gestão Renato Casagrande (PSB), principalmente a elevação da arrecadação, mesmo na crise provocada pela pandemia da Covid 19. Altoé vai falar sobre o cumprimento das metas fiscais referentes aos dois primeiros quadrimestres do ano (janeiro a agosto), com dados que colocam o Espírito Santo como único a conseguir nota A pelo décimo ano consecutivo na avaliação da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), do Ministério da Economia. A metodologia considera os indicadores de endividamento, poupança corrente e liquidez. Além disso, o governo mantém o grupo governista coeso, reduzindo a oposição aos parlamentares “independentes”, como Sergio Majeski (PSB), Vandinho Leite (PSDB), Carlos Von (Avante), Capitão Assumção (Patri) e Torino Marques (PSL), que fazem pronunciamentos alinhados com estratégias montadas pelo bolsonarismo, repercutindo no Estado ações da gestão presidencial. O primeiro indicador considerado para conceder a nota A pela Secretaria do Tesouro, endividamento, é calculado pela relação entre a dívida consolidada e a receita corrente líquida. Poupança corrente, o segundo, é definido pela relação entre a despesa corrente líquida e a receita corrente ajustada. Já o terceiro, liquidez, é calculado pela relação entre as obrigações financeiras e a disponibilidade de caixa bruta. Em todos os três indicadores, o Espírito Santo recebeu a nota máxima. RecordesO Espírito Santo vem batendo recordes de receita ano após ano, segundo o Sindicato do Pessoal do Grupo de Tributação, Arrecadação e Fiscalização do Espírito Santo (Sindifiscal-ES). A arrecadação bruta de Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no Espírito Santo acumulou um crescimento de 20,34% no primeiro quadrimestre de 2021 em relação ao mesmo período do ano passado. De janeiro a abril de 2020 foram arrecadados R$ 3,8 bilhões, de acordo com dados do Fisco obtidos pelo Sindifiscal. Especificamente no mês de abril, o Espírito Santo arrecadou R$ 1,16 bilhão em ICMS. Mais do que em 2020, quando arrecadou R$ 874,96 milhões e mais do que em abril de 2019, quando foram arrecadados R$ 917,30 milhões. Os motivos da elevação, segundo auditores fiscais, são decorrentes, principalmente, do crescimento de algumas atividades econômicas nesse período. Esse é o caso do comércio atacadista, indústria do petróleo, transportes, Simples Nacional, rochas ornamentais e agropecuária, que apresentaram as maiores variações.
Usuários são contra transferência do CAPS IJ de Itapuã para Jabaeté
Em abaixo-assinado, usuários pedem permanência do CAPS IJ na região e manutenção de outro em Jabaeté Usuários do Centro de Atendimento Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPS IJ) de Itapuã, em Vila Velha, organizam um abaixo-assinado online contra a transferência desse serviço para o bairro Jabaeté, onde está sendo construído um equipamento do tipo, em fase final de obra. Um dos motivos, segundo a contadora e mãe de um usuário, Lucineia Turrini, é o fato de que a mudança irá impedir o acesso de muitas pessoas ao espaço devido às dificuldades de mobilidade urbana. O CAPS IJ acolhe crianças e adolescentes com comprometimento psíquicos, como autismo, psicoses, entre outros. Os usuários afirmam na petição que o novo endereço é de difícil acesso, pois há poucas linhas de ônibus disponíveis até o bairro Jabaeté. Outro problema, apontam, é o fato de a localização ser distante da Rodosol, rodovia que possui maior trânsito de ônibus. “Observamos que existe melhor infraestrutura de transporte público para as regiões periféricas se deslocarem para centros urbanos, porém, a infraestrutura de mobilidade entre bairros periféricos é precária e/ou inexistente”, diz a petição. Lucineia destaca, por exemplo, que em bairros mais próximos a Jabaeté, como Morada da Barra, os moradores, com a transferência do CAPS IJ, terão que ir ao Terminal de Itaparica ou ao de Vila Velha para acessar o equipamento, enquanto que, para ir até Itapoã, é necessário somente um ônibus. Essa situação, de acordo com a petição, implica em dificuldades como “mais conduções para os familiares que precisam acompanhar as crianças que já apresentam maior dificuldade de condução e o cuidado destas em transporte coletivos”. Além disso, destacam os usuários, “muitos pacientes fazem tratamento em vários locais, sendo que um lugar de difícil acesso só vai aumentar as dificuldades de nossas famílias. Não é apenas uma dificuldade de acesso ou distâncias. Existe um custo social, um custo humano. A saúde mental dessas famílias será mais abalada. Aumentará o desgaste dos envolvidos (usuários e família)”. Para os usuários, o equipamento localizado em Itapuã possui estrutura inadequada, como pequeno espaço; atendimento sem privacidade devido à falta de isolamento acústico, “o que justifica sua mudança sim, porém, para a mesma região 1, mais acessível para todos os bairros da cidade e para os pacientes e familiares que já fazem acompanhamento neste serviço”. Portanto, defendem os usuários, o CAPS IJ deve permanecer na região 1, além de ser implantado um em Jabaeté, já que, conforme afirmam, o tamanho da população justifica a implantação e manutenção de dois equipamentos desse tipo no município. No texto do abaixo assinado os usuários afirmam ter esperado três anos para que o CAPS IJ atingisse um quadro completo de profissionais. “Tememos que em um bairro de difícil acesso, exista mais dificuldade na contratação de uma equipe e maior rotatividade de profissionais, considerando a importância do vínculo formado entre paciente e profissionais no acompanhamento em saúde”.
Academia Espírito-Santense de Letras comemora 100 anos
Na coluna: primeiro Festival de Circo Capixaba, Semana da Juventude, festival multicultural em Cariacica, lançamentos musicais LITERATURA AEL comemora centenário na próxima segunda-feira Depois de uma série de ações de forma remota, a Academia Espírito-Santense de Letras (AEL) comemora os 100 anos de sua fundação com uma celebração na segunda-feira (20), às 19h no Salão São Tiago, localizado no Palácio Anchieta, sede do governo do Estado. O evento contará com a apresentação do Quinteto de Cordas da Orquestra Sinfônica do Espírito Santo (Oses) e a entrega da Comenda Kosciuzko Barbosa Leão para dez acadêmicos, em reconhecimento aos méritos. A Academia Espírito-santense de Letras tem como finalidade incentivar a cultura, promover a criação de associações culturais, divulgar e incentivar a leitura e a criação de bibliotecas, promover concursos literários, manter o intercâmbio com outras associações, participar de projetos que visam à integração cultural e realizar pesquisas com vista ao desenvolvimento literário do Espírito Santo. A atual presidência é ocupada por Ester Abreu. A história da entidade centenária você encontra aqui. Sede da Academia Espírito-Santense de Letras na Cidade Alta, Centro de Vitória. Foto: Divulgação Mar Céu lança novo livro Divulgação O escritor Mar Céu lançou recentemente seu terceiro livro, “Carrego a chuva em meus olhos”. O poeta é também um importante agitador da cena literária sobretudo nas periferias do Espírito Santo, sendo um dos fundadores dos coletivos Poesia Inútil e Literatura Marginales. A nova obra foi editada pelo Selin Trovoar, editora independente de São Paulo. A capa é da artista Kika Carvalho, que registra com seus traços o próprio autor. Está na promoção e com frete grátis no site. O lançamento da obra ocorreu no último dia 14 no Thelema, espaço colaborativo comercial e cultural no Centro de Vitória, que vem se consolidando cada vez mais como um importante ponto de encontro de artistas e fazedores de cultura do Espírito Santo. EVENTOS Vem aí o primeiro Festival de Circo Capixaba No próximo final de semana, entre 24 e 26 de setembro, acontece o 1° Festival de Circo Capixaba, reunindo três espetáculos em Cariacica. O evento terá presença do humorista ex-trapalhão Dedé Santana e do Palhaço Bananinha, que estarão na estreia do festival. O local será uma tenda na Avenida Mário Gurgel, 2502, em Alto Lage, seguindo os protocolos sanitários vigentes. Os ingressos são gratuitos mas precisam ser reservados por aqui. Chamusquim Cultural terá ampla programação em Cariacica Localizado em Oriente, bairro de Cariacica, o Chamusquim Restaurante Cultura Bar, um dos points do underground capixaba, recebe nos meses de setembro e outubro uma programação especial, com diversas atividades a cada semana. O evento chamado Chamusquim Cultural reúne atividades variadas como oficinas, teatro, cineclube, shows, sarau e entrevistas com artistas locais. Confira a programação completa abaixo. Seu navegador não oferece suporte ao visualizador de PDF Baixe o arquivo PDF aqui Semana da Juventude da Serra com programação cultural Realizada de 18 a 25 de setembro, a Semana da Juventude da Serra terá uma ampla programação de sábado a sábado. A abertura é com luau na praia em Manguinhos com seis artistas serranos convidados. Durante a semana haverá grafitti, sarau, rodas de conversa, apresentações musicais, oficinas, cineclube e uma mostra cultural de encerramento no Parque da Cidade, onde acontecem diversas apresentações artísticas. A programação completa está disponível aqui. MÚSICA Letícia Chaves lança videoclipe em homenagem a orixá Flora Fioro Artista que promete ter destaque na cena capixaba pós-pandêmica, Letícia Chaves lança seu primeiro single na próxima quinta-feira (23) nas diversas plataformas digitais. Remetendo à ancestralidade negra, Tempo de Nanã já chega também com um videoclipe gravado no deck do bairro Maria Ortiz, em Vitória, que vai ao ar na sexta-feira (24), às 21h, no canal no YouTube. O clipe tem direção de arte de Flora Fiorio e participação da dançarina Ângela Diniz, do Coletivo Performance Itinerante, interpretando Nanã. Novo EP de Célio Paula Divulgação Quem também traz novidades musicais é Célio Paula, músico, compositor e maestro da Orquestra Pop&Jazz do Ifes. O EP Manga Doce traz duas canções, Aprumar e Sai de Reto Olho Gordo, já disponíveis para ouvir no Spotify. A obra conta com participação de outros artistas da música como Thiago Perovano, ex-Pó de Ser Emoriô, o sambista Fábio Pinel e o violonista Cecitônio Coelho. Sambinha de qualidade! Encontro de gigantes do rádio Tarcísio Faustini e Francisco Velasco. Foto: Iago Amaral Torezani Dois radialistas capixabas apaixonados pela música popular brasileira se unirão no próximo dia 25 de setembro para um programa inédito. Tarcísio Faustini, que comanda há 28 anos o programa “Domingo Brasil” na Rádio Universitária, e Francisco Velasco, há mais de uma década com o “Ensaio Geral”, na Rádio Espírito Santo, se unem no projeto “Fina Sintonia”, um programa conjunto que será transmitido de forma simultânea nas duas rádios, de 9h ao meio-dia. O programa que celebra a carreira dos dois radialistas contará com a mediação do jornalista e pesquisador musical José Roberto Santos Neves. Sintonize! POLÍTICA CULTURAL Secult retoma Gabinete Itinerante A Secretaria de Cultura do Espírito Santo (Secult) realizará a terceira edição de seu Gabinete Itinerante, em que uma equipe percorre os diferentes territórios capixabas. Desta vez, o motivo é o recém lançado Programa Coinvestimento da Cultura – Fundo a Fundo. A intenção é orientar os municípios sobre como aderir ao programa, que tem cadastro aberto até 30 de novembro. Entre as necessidades estão a instituição de um fundo e um conselho municipais de cultura, a elaboração de um plano de ação e a disponibilização de recursos municipais, que serão multiplicados em até quatro vezes com investimentos do Fundo Estadual de Cultura (Funcultura). O Gabinete Itinerante começa em Viana no próximo dia 21 e termina em Colatina no dia 8 de outubro, passando também por São Mateus, Nova Venécia, Cachoeiro de Itapemirim, Guaçuí e Santa Teresa. Mais informações aqui. Associação pede Rua de Lazer em Baixo Guandu A Associação Cultural Cadoz, do município de Baixo Guandu, lançou uma petição online no qual apresenta uma demanda à prefeitura municipal: a criação de uma Rua do Lazer, iniciativa que tem