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Jantar sem frescura

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As variedades dessa simples mistura de água e trigo são infindáveis Já se diz que a pressa é inimiga da perfeição, mas quem tem tempo para perfeição na hora da refeição? Que não falte ou não se exagere no sal, e tudo mais se perdoa. Para os não-vacinados, os cautelosos ainda em loquidal, ou os sem-tempo para temperos e refogados, vão aqui algumas dicas de pratos saborosos e saudáveis, mesmo se houver algum descuido na hora da pimenta. Ou se esqueceu de lavar a salada. Hora de mostrar seu amor à pátria: alface verde com pimentão amarelo com molho blue cheese. * Da nossa herança árabe temos o ramistirrini – Homus tahine, para os sofisticados. É um prato saudável e versátil, tipo bolsa preta: vai bem com tudo. Feito com uma pasta de grão de bico, demora a cozinhar. Quando a panela de pressão começa a apitar seu tempo de almoço já se esgotou. O chamado tahine é semente de gergelim que virou pó ou óleo. Dá o sabor característico do prato, mas aqui por onde ando não sabem disto. Para dar mais sabor, exageram no alho. Melhor comprar em lata, sucesso garantido. * Na cozinha moderna o fator tempo é essencial para o sucesso de qualquer evento. Nisso os italianos são imbatíveis: macarrão, macarronada, pasta, espaguete, penne, cabelo de anjo… as variedades dessa simples mistura de água e trigo são infindáveis. Mudando o formato muda o sabor, a massa é sempre a mesma. O cozinheiro loquidal perde apenas alguns minutos para preparar uma refeição saudável e versátil. Esquece aquela obsessão da sua nona por descascar o tomate, ralar o queijo na hora, não quebrar o fio – que já vem quebrado – essas coisas. * Nossa herança italiana nos legou o macarrão, bom, bonito, barato: basta cozinhar (espere a água ferver, uma colherinha de óleo pra não grudar), escorrer e saborear. O pacote diz 15 minutos? Exagero! Quem sabe dos seus compromissos é você – o tempo de cozimento combina com o seu tempo. Os chineses juram que inventaram o macarrão, portanto, o miojo é uma boa opção. Jogue fora o tempero, use apenas os fiozinhos cacheadinhos, tão bonitinhos. Tempere com goiabada, ou geleia de morango, ou creme de milho, ou ervilhas na lata – antes tem que abrir e escorrer a água. Ou não, toma mais tempo. Surpreenda os amigos: com passas ao rum vira prato gourmet. * Como vemos, tempo na cozinha é desperdício. Rapidez na hora de matar o que está te matando. Mas isso de hora certa para uma alimentação rica em ‘inas’ (vitaminas, proteínas, cafeína, queijo de minas, cloroquina, etc.) também já passou de moda. Saboreie seu macarrão no café da manhã, quanto mais calorias melhor. No almoço, café para tirar o sono – pão com queijo e presunto, ou pipoca com alho e pimenta, ou biscoito maria com pudim quatro leites. No recreio, chocolate meio amargo com arroz e pepino. * O jantar deveria merecer atenção especial, mas perdeu a vez: hora de assistir aquele novo seriado que todo mundo está assistindo. Ou a novela, para os patriotas. Portanto, jantar sem frescura: pede uma pizza. Tira o molho de tomate e põe geleia de morango com creme de amendoim. Fica muito bonita.

08/08/2021 / 0 Comments
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Contarato fica entre PT e PDT para disputar o governo do ES em 2022

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Senador não crê em golpe de Bolsonaro e aponta presidente como o responsável pela crise política e sanitária Pedro França/Ag.Senado O senador Fabiano Contarato (de saída da Rede) não acredita que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) consiga apoio das Forças Armadas para se manter no poder e o responsabilizou pela crise política e sanitária que o País atravessa, com mais de 550 mil mortes causadas pela Covid-19. Em entrevista exclusiva a Século Diário, ele confirmou a pretensão de concorrer ao governo do Estado em 2022, oscilando entre o PT e o PDT, siglas partidárias com as quais se alinha ideologicamente, sem descartar, no entanto, o PSB, comandado no Espírito Santo pelo governador Renato Casagrande, candidato à reeleição. Veja os principais trechos da entrevista: Como fica a filiação partidária e a candidatura ao governo do Estado, já que está de saída da Rede? É PT ou PDT? Olha, fui eleito para um mandato de oito anos e meu objetivo é fazer um bom mandato. Primeiro, minha saída da Rede é uma situação pragmática, não tem nenhuma conotação pessoal, porque você pode exercitar muito mais um mandato efetivo e proativo quando se está em partidos fortes. A Rede não conseguiu atingir a cláusula de barreira [restrições à atuação parlamentar de integrante de um partido que não alcança um percentual de votos]. Ora, isso limita minha atuação. Veja, eu não faço parte da CPI [da Covid-19] por uma razão simples: o partido só tem uma vaga de titular e nada mais justo do que o senador Randolfe Rodrigues [AP], que iniciou a coleta de assinaturas, e outra vaga de suplente, que ficou com o senador Alexandre Vieira [SE], que entrou no Supremo para determinar que o presidente do Senado instalasse a Comissão Parlamentar de Inquérito. Eu queria muito estar na comissão, mas isso só é possível quando eles me oportunizam participar. No depoimento da Dr. Maira e do ex-chanceler Ernesto Araújo, eu queria estar lá, mas não tive oportunidade. Só estou dando exemplo. Estando na Rede, não tenho acesso a esses espaços. Sou membro da Comissão de Constituição e Justiça, mas foi com muita dificuldade que consegui. Minha saída da Rede não é nada contra A ou B. Não cometeria um ato de violência indo para partidos com os quais não me identifico. O “centrão”, por exemplo, com todo o respeito, não me identifico com partidos de direita. Agora eu me identifico com PCdoB, PSB, PDT, PT, Psol. Ir para o Psol ou PCdoB, é trocar seis por meio dúzia, então restam PSB, PT e PDT, com os quais eu tenho afinidade ideológica. As conversas estão adiantadas com qual destes partidos? Eu vejo assim: se tiver um movimento para a construção de um projeto de governo de Estado e nesse partido, numa escolha colegiada, meu nome se adequar em uma candidatura ao governo, eu não me furtaria, até mesmo o PSB. Eu iria para o PSB se fosse para esse tipo e construção, mas acho que é natural, é democrático e justo, que o atual governador Renato Casagrande parta para a reeleição. O PT e o PDT teriam essa possibilidade e é essa minha posição para me filiar em uma dessas siglas partidárias, de forma difusa. Agora não é questão fechada, sine qua non, que para ir para esses partidos seja candidato, não existe esse pré-requisito, e por isso que não descarto de ir para o PSB. Para qualquer partido que eu for, primeiro temos que discutir projeto de governo, para depois ver as pessoas. O partido tem interesse em lançar candidato ao governo, ao Senado? A deputada Gleisi Hoffmann, presidente do PT, virá ao Estado este mês, para definir nomes e projetos para 2022. Está previsto alguma conversa entre vocês? Até agora não me demandaram. Só tive conversa com a presidente Gleisi Hoffmann em Brasília, lá atrás, junto com o presidente Lula. Foi justamente quando foi feito o convite para que eu ingressasse no PT. Como o senhor avalia esse cenário de crise, de ameaça de golpe, da implantação de uma ditadura por parte do presidente da República? Vivemos dois momentos muito delicados que o Brasil está passando. Uma crise sanitária em que já passamos de 550 mil pessoas que perderam vida e 20 milhões contaminados, na qual o presidente da República tem o protagonismo nesse agravamento. E isso não é porque eu sou do partido Rede, não, pois contra fatos não há argumentos. A CPI, por exemplo, já provou que o presidente difundiu a chamada imunidade de rebanho. Isso é crime de epidemia, qualificado, com pena de até 30 anos. É crime hediondo. Foi comprovado também o tratamento precoce, o Mandeta [Luiz Henrique] e o Teich [Nelson], ex-ministros da Saúde, faladam à CPI que não tinham autonomia e que havia um gabinete paralelo. Olha, eu sou professor de Direito e, dentro da estrutura organizacional do Estado não existe gabinete paralelo, isso é crime de usurpação de função pública. O governo demorou em atender Manaus, então ele prevaricou ali também. Recusou 101 ofertas da Pfizer. Ele está contribuindo para o agravamento da vida humana. No outro contrato, da Covaxin, há inúmeras irregularidades, inclusive uma empresa que não estava no contrato para receber pagamento, em paraíso fiscal, com denúncia de corrupção passiva, o que é um crime formal, então são várias procedimentos. O presidente participa de aglomerações, e isso é um crime também de infração sanitária previsto no Código Penal, quando ele não utiliza máscara, contrário ao distanciamento social. Portanto, essa é uma crise que tem a digital do presidente da República e de funcionários do alto escalão. De outro lado, temos uma crise política. Desde o início do mandato, o presidente da República, sistematicamente, tem praticando crimes políticos previstos na Constituição Federal, especialmente no artigo 85, em que ele atenta contra qualquer dos poderes constituídos em Estado democrático de Direito. Atentar contra os poderes, seja o Judiciário ou o Legislativo, está praticando crime de responsabilidade. Então veja, o presidente já atacou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), ele participa de movimentos antidemocráticos para fechar o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF); ele elogia a ditadura e ovaciona torturador; recusa a participação da

08/08/2021 / 4 Comments
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Himaba renova quadro de pessoal com salários e insalubridade menores

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Instituto Acqua demitiu dezenas de funcionários nos últimos dias. Sindsaúde questiona critérios e valores A gestão hospitalar por Organização Social de Saúde (OSS) volta a produzir situação de desrespeito a regras trabalhistas no Espírito Santo. Desta vez, o motivo é o pagamento de salários baixos aos técnicos de enfermagem do Hospital Estadual Infantil e Maternidade Dr. Alzir Bernardino Alves (Himaba), em Vila Velha. Administrado desde abril pelo Instituto Acqua, o hospital teve quase a totalidade de seus funcionários não efetivos demitidos durante o mês de julho. As novas contratações, segundo apurou o Sindicato dos Trabalhadores da Saúde no Estado do Espírito Santo (Sindsaúde/ES), estão sendo feitas mediante salários ainda mais baixos que os até então praticados, e sem o pagamento dos 40% de insalubridade, percentual que foi estabelecido em âmbito estadual para todos os servidores da saúde que atuam na linha de frente do combate da pandemia de Covid-19. “Foram muitas demissões, de pessoas que o hospital diz não ter interesse em renovar os contratos. Queremos entender por que os salários estão tão baixos e não estão sendo pagos os 40%. Também vamos questionar se quando contrataram esses funcionários demitidos, não foi verificada capacitação deles para o trabalho. Qual critérios eles utilizam para definir se o profissional é ou não capacitado? Por que é muito estranha essa demissão em massa sob essa alegação”, expõe a presidente do Sindsaúde, Geiza Pinheiro. Uma das técnicas de enfermagem demitidas no final de julho, que pediu anonimato, disse que trabalhava no Himaba há quatro anos e passou por várias OSSs e pela gestão da Sesa, feita durante quase dois meses, após intervenção no contrato da OSS anterior, o Instituto Gnosis. “Uma bagunça, uma ‘trocação’ de empresa… Tirei férias uma vez só nesses quatro anos, com o IGH. Quando me demitiram, agora, eu ainda nem tinha assinado contrato com o Acqua!”, conta. Apesar da demissão repentina, ela conta que sentiu alívio ao ser mandada embora. “Dei graças a Deus, porque meu período era da noite e não me pagaram adicional noturno. Meu primeiro pagamento eu só fui receber no dia 16 ou 17 do mês seguinte. Falei que não contassem comigo no plantão. Como é que vou trabalhar sem receber o mês anterior? E quando fui receber minha rescisão agora, só tinha o adicional noturno de julho”, relata. Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) transmitiu informação da direção do Himaba, que afirmou estar “adequando o quadro de funcionários, contratando profissionais capacitados e que passam por constantes treinamentos, visando a melhor prestação dos serviços” e que o monitoramento da gestão, pelo Estado, é feito por meio de relatórios trimestrais e semestrais, que ainda não foram finalizados. Sindsaúde pede audiência com secretário de Saúde sobre abusos contra servidores Há denúncias de assédios, demissões, salários baixos e negação de insalubridade no Himaba, HEUE, Central e Jayme https://www.seculodiario.com.br/saude/sindsaude-pede-audiencia-com-secretario-de-saude-sobre-abusos-contra-servidores Com equipe reduzida, setor de Nutrição do Himaba pede socorro Funcionários denunciam que falta de profissionais tem provocado contaminações na alimentação dos bebês https://www.seculodiario.com.br/saude/com-equipe-reduzida-setor-de-nutricao-do-himaba-pede-socorro ‘A reforma administrativa já acontece quietinha no Estado há anos’ Profissionais evidenciam precarização do trabalho em audiência de prestação de contas da Saúde na Assembleia https://www.seculodiario.com.br/saude/a-reforma-administrativa-ja-esta-acontecendo-quietinha-no-es-ha-anos

08/08/2021 / 2 Comments
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Mapa das Defensorias Públicas aponta déficit no Estado

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DPES precisa de mais 163 defensores para alcançar um a cada 10 mil habitantes de baixa renda O 2º Mapa das Defensorias Públicas Estaduais e Distrital no Brasil, realizado pela Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (Anadep) em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), aponta que o Espírito Santo tem 136 defensores públicos em atuação, sendo necessários mais 163 para alcançar um a cada 10 mil habitantes de baixa renda. A pesquisa levanta dados como número de defensores, comarcas, estimativa de público-alvo e déficit da categoria. O levantamento mostra que, no Estado, existem 22 mil pessoas de baixa renda para cada defensor. Embora existam 136 defensores atuando, a pesquisa considera que são 154 cargos providos, ou seja, preenchidos por meio de realização de concurso público de provas e títulos. Portanto, 18 defensores não estão em atuação devido a licenças. Quanto às comarcas, o Mapa evidencia que em 25 delas existe ao menos um defensor público. Em três, é realizado atendimento itinerante ou por acumulação. Na maioria, ou seja, 41, simplesmente não há defensor. A integrante da comissão de aprovados do curso da DPES, cujo resultado foi divulgado em 2017, Luisa de Almeida, informa que a validade do certame se encerrou em dezembro de 2019, mas há uma ação na Justiça para suspender a validade. Entretanto, ainda não tem ainda sentença nem em primeira instância.  Luisa defende que os aprovados sejam convocados, pois o déficit de defensores acarreta sobrecarga de trabalho, além de a população mais vulnerável ficar prejudicada, dependendo de advogados dativos, que são aqueles nomeados pelo Tribunal de Justiça em casos em que não tem defensor e a pessoa não tem condições de pagar um profissional. A nomeação de advogado dativo, segundo Luisa, onera os cofres públicos. “Em alguns casos, gasta-se mais com o dativo do que com um mês de pagamento de um defensor”, ressalta. Luisa destaca também que existe uma Ação Civil Pública (ACP) no Ministério Público do Estado (MPES) que exige mais investimento na DPES. Na ACP, o governo é compelido “a aplicar em favor da Defensoria Pública, em especial para a ampliação do número de defensores públicos, os recursos financeiros que são despendidos no pagamento de advogados dativos na forma do decreto estadual 2821-R/2011, bem como a obrigar o Estado a aumentar o orçamento da Defensoria Pública, de modo que a referida instituição tenha investimentos financeiros necessários ao seu funcionamento eficiente, promovendo-se, desse modo, o seu fortalecimento como órgão de assistência jurídica gratuita aos necessitados”. Os aprovados no último concurso divulgaram, em 2019, início da gestão atual, uma carta aberta direcionada ao governador Renato Casagrande (PSB). No documento, pedem que se sensibilize com a causa e priorize o interesse de 80% da população capixaba que depende da Defensoria Pública para fazer valer seus direitos, realizando as nomeações. “A relevância da instituição na garantia de cidadania aos menos favorecidos é inegável. É a Defensoria quem dá voz às minorias, oferecendo-lhes consciência de direitos e expectativa de concretização. Por isso, uma Defensoria fortalecida significa desenvolvimento social e econômico para o Estado”, relataram.

08/08/2021 / 1 Comment
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Pixador capixaba integra exposição no Museu da Língua Portuguesa

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Na coluna: nossas artistas na Pinacoteca, Teatro Carmélia um ano depois de protestos, mestres de congo homenageiam Dona Astrogilda Fechado desde o final de 2015 devido ao grande incêndio, o Museu da Língua Portuguesa reabriu as portas em São Paulo. E logo nesse retorno do espaço, tem trabalho de um grafiteiro capixaba figurando na exposição temporária Língua Solta, que traz alguns exemplos do pixo brasileiro. Trata-se de Ronaldo Gentil, que tem sua simpática tag espalhada por vários locais do Espírito Santo e para além dele. Ao todo são 180 peças na exposição, que fica em cartaz até 3 de outubro, mostrando como o pixo também usa a palavra e a língua portuguesa. Ainda muito criminalizado por ser ilegal e transgressor, o pixo, que muitos artistas consideram também como graffiti, vai ganhando espaço e reconhecimento como arte João Wainer Praticamente em frente ao Museu, está a Pinacoteca, que também traz a arte de capixabas. As artistas Kika Carvalho e Castiel Vitorino fazem parte da exposição Enciclopédia Negra, que reúne 36 artistas contemporâneos convidados a produzir retratos dos biografados na publicação de mesmo nome da exposição, que reúne 550 personalidades negras brasileiras.   Vídeo registra trabalho de grafiteiro PMV Outro grande artista do graffiti capixaba, Starley divulgou nas redes um belo vídeo que registra reflexões e processo de produção de suas novas obras que ilustram os muros do pátio interno do Museu Capixaba do Negro (Mucane), no Parque Moscoso, Vitória. O nome da série é “Iconegrafia”, e ele retratou em pintura realista dois cidadãos “comuns” da região, os comerciantes Dona Juliana e Pintado, que trabalham na Vila Rubim. O vídeo produzido pela Karatapa Films ficou maravilhoso. Confira aqui. POLÍTICA CULTURAL   Um ano depois de protestos, Carmélia ainda aguarda trâmites Nesta semana completou-se um ano do ato que aconteceu em frente ao Centro Cultural Carmélia M. de Souza, em Vitória, em protesto contra a possibilidade de que o espaço fosse usado como galpão para estocagem de café. Foi uma das primeiras manifestações políticas presenciais no Estado durante a pandemia de Covid-19. A pressão surtiu efeito, sendo que a prefeitura decretou o tombamento provisório do imóvel dias depois e o governo federal, proprietário do espaço, recuou da ideia de uso como armazém e acordou a cessão da edificação para usos culturais pelo governo estadual, cujo processo de trâmite está em fase final, segundo a Secretaria de Estado da Cultura (Secult). O local, que hoje é usado em parte como sede da TV Educativa (TVE), estava cedido à Prefeitura Municipal de Vitória, que não o utilizava. O que vem por aí? O Carmélia foi um dos mais importantes espaços culturais entre os anos 1980 e 1990 no Espírito Santo. A Secult informou que assim que sejam terminados os trâmites para cessão, ainda sem data prevista, serão feitas obras no telhado e no forro e limpeza do local. Em seguida, será transferido para o local a Rádio Espírito Santo para o mesmo prédio em que hoje funciona a TVE. A Secretaria pretende reformar o Teatro Carmélia, localizado dentro do complexo e que também marcou época na cena cultural capixaba, para usá-lo para espetáculos e eventos culturais, assim como para transmissões ao vivo pela equipe de comunicação oficial do governo. TERRITÓRIOS E CULTURA POPULAR   Mestres de congo se encontram em homenagem a Dona Astrogilda Gabriel Lordello No dia 21 de agosto, véspera do Dia do Folclore, diversos mestres de bandas de congo do Espírito Santo se reúnem em Vila do Riacho, Aracruz, norte do Estado. O encontro, que está sendo organizado pela Comissão Espírito-Santense de Folclore, foi um pedido do Mestre Antônio feito no velório de Dona Astrogilda, a Rainha do Congo, falecida no dia 19 de julho. Antônio quer apresentar o novo capitão da banda de congo da vila aos demais mestres e prestar uma homenagem a Dona Astrogilda, um grande ícone não só da cultura local mas de todo congo capixaba. Arquivos históricos do folclore digitalizados  E falando em cultura popular, estão sendo disponibilizados valiosos arquivos históricos em áudios registrados pelo pesquisador e folclorista Guilherme Santos Neves, falecido em 1989. São gravações colhidas por ele entre as décadas de 1950 e 1980, que estavam sob guarda da família e agora compõem o projeto Registros Sonoros do Folclore no Espírito Santo. Além de ser disponibilizado para o público por meio do site e Instagram do projeto, o material digitalizado também será entregue aos grupos folclóricos identificados no registros sonoros. O projeto é realizado pelo Instituto Goia com produção da Pique-Bandeira Filmes e financiamento pela Lei Aldir Blanc. Projeto Língua Viva traz arte e cultura do povo Guarani Depois da primeira fase em que abordou a cultura e arte do povo Tupinikim e da língua Tupi, o Projeto Língua Viva começa ainda em agosto um novo momento, em que divulga uma série de conteúdos multimídia em torno das produções do povo Guarani, outra etnia que vive no Espírito Santo. Além de apresentar trabalhos de fotografia, cinema indígena e mídias digitais, o projeto também terá oficinas gratuitas, lives e outras atividades em torno da língua e da cultura dos Guarani. Saiba mais aqui. ESPAÇOS E ATIVIDADES CULTURAIS Galeria de artes abre as portas na periferia de São Mateus Divulgação “A Margem” é o nome da galeria de artes inaugurada neste sábado (7) em São Mateus, no norte do Espírito Santo. O local foi criado pela Belas Artes Projetos Culturais no bairro Cricaré, na periferia do município, para dar visibilidade aos artistas locais e da região, com exposição de obras e visitas guiadas agendadas. O local tem como artistas residentes a fotógrafa Raphaiane Costa e o cinegrafista Alif Ferreira, além de estar aberta para receber trabalhos de outros artistas.  Novo ateliê será inaugurado na Serra com apresentações culturais Bairro mais populoso da Serra, Feu Rosa, na periferia do município, também ganhará um espaço cultural. Trata-se do Ateliê Maloka em Desencanto, comandada pelo artista Rodrigo Borges, que será inaugurado no dia 14 de agosto. Na ocasião haverá lançamento de zine e atração musical, que será também transmitida pela página

07/08/2021 / 0 Comments
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Santuário enclausurado?

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Em Presidente Kennedy, grande porto se instalará no entorno de igreja que recebe uma das maiores romarias do Espírito Santo A cada 5 de agosto comemora-se o dia de Nossa Senhora das Neves. Em Presidente Kennedy, extremo sul do litoral capixaba, uma multidão de até 50 mil pessoas costuma se mobilizar anualmente para agradecer e cumprir promessas em romaria até o Santuário das Neves, igreja construída em 1648 que é patrimônio cultural do Estado desde 2009. Depois das romarias de Nossa Senhora da Penha, a padroeira do Estado, é a maior mobilização religiosa que ocorre no Espírito Santo. Por conta da pandemia do coronavírus, a celebração foi virtual no ano passado e em 2021 aconteceu de forma híbrida, com transmissão pela internet e entrada limitada na igreja. Neste formato, o número de participantes presenciais ainda foi muito reduzido este ano, porém, durante toda manhã, centenas de fiéis chegavam de carro, bicicleta, a cavalo ou a pé, vindos principalmente do sul capixaba e do norte do Rio de Janeiro, favorecidos pela proximidade da igreja de cerca de 10 quilômetros da divisa entre os estados, separados pelo rio Itabapoana. Igreja de Nossa Senhoras das Neves no amanhecer de 5 de agosto. Foto: Vitor Taveira As celebrações que costumam ocorrer no 5 de agosto foram resumidas a apenas uma missa, com início às 6h. Dada a lotação limitada, algumas dezenas de cadeiras foram colocadas do lado de fora para quem não pôde entrar. A missa local costuma ser bastante musical. Do lado de dentro, o canto conforta quem encontrou na religião um refúgio para a alma. Do lado de fora, o canto é dos pássaros, que ainda encontram na ampla restinga que rodeia o templo um refúgio de vida, alguns deles pousando no telhado antes de retomar o voo. Não por acaso, a igreja foi erguida ali. Ela fazia parte da Fazenda Muribeca, construída por jesuítas, que ajudava a abastecer de alimentos outros locais de atuação dos religiosos, como o antigo Colégio São Tiago, hoje Palácio Anchieta, atual sede do governo do Espírito Santo, no Centro de Vitória. Além da localização entre Reritiba (hoje Anchieta), uma das maiores aldeias jesuíticas do Espírito Santo, e São Pedro do Cabo Frio, também importante centro do norte fluminense, a região era estratégica por ser de difícil acesso, cercada por rios, lagoas e tabuleiros, o que permitia maior proteção contra ataques de indígenas, além de possuir recursos naturais favoráveis para obtenção de madeira e criação de gado. Segundo Carlos Roberto Pires, antropólogo, arqueólogo e professor do Instituto Federal do Estado (Ifes), podem ter morado na Fazenda Muribeca cerca de mil pessoas, antes do local entrar em decadência após a expulsão dos jesuítas do Brasil no século XVIII. No vídeo Entre lendas e tesouros, os restos da Fazenda Muribeca: um estudo de caso em Arqueologia Histórica, o professor conta um pouco sobre a história do local e os indícios arqueológicos ainda remanescentes, como de construções antigas e sambaquis feitos com conchas do mar deixados por povos ancestrais. Porto Central se prepara para instalação Um pequeno muro marca a entrada da área da Igreja da Neves, onde jovens borrifam álcool nas mão de cada um que adentra o recinto que dá acesso ao templo e uma construção anexa onde estão a sacristia, sala de promessas, loja de artigos religiosos e banheiros. Do lado de fora, frente a este muro, um cartaz indica que há questões ainda invisíveis que rondam o santuário: “Nem a fé tem paz! O Porto Central defaz”. Trata-se de uma manifestação da Campanha Nem Um Poço a Mais, que alerta sobre os impactos negativos da expansão petroleira, que traz como consequência também a expansão portuária. Durante a manhã de festa, os ativistas exibiram cartazes, distribuíram panfletos e realizaram performances para denunciar os problemas que podem ser ocasionados pela instalação do grande porto. O empreendimento, que ocupará cerca de 2 mil hectares, ainda terá uma área de quase 7 mil hectares para implantação de um distrito industrial. O projeto de construção do Porto Central é desenvolvido pela TPK Logística, empresa criada em 2011 por empresários capixabas, tendo apoio da Van Oord e do Porto de Rotterdam, ambos da Holanda. A Igreja de Nossa Senhora da Neves, hoje isolada, ficaria praticamente cercada por empreendimentos industriais e portuários. Os impactos da construção do porto foi tema inclusive da missa celebrada por Dom Luiz Fernando Lisboa, bispo de Cachoeiro de Itapemirim. Na parte final (veja no vídeo a partir de 1h15), ele convidou Cora Augusta Duarte Aguieiras, arquiteta que integra a Comissão de Bens Culturais da Diocese, para falar sobre as questões ainda em diálogo entre a igreja e os empreendedores. O pequeno ponto rodeado de verde ao centro da imagem seria a Igreja de Nossa Senhora das Neves após a implantação do Porto Central. Imagem: Divulgação/ Porto Central Vista completa do projeto do porto em Presidente Kennedy. Foto: Divulgação “Hoje estamos passando por essa situação de estarmos enclausurados em uma área pertencente ao Porto Central. E vem a implantação de um projeto extremamente impactante não só para o patrimônio histórico como para o patrimônio natural. Então a preocupação é muito grande em relação à salvaguarda”, disse Cora à reportagem. Entre as necessidades apontadas por ela para proteção do local, está a realização de uma macrodrenagem extremamente eficiente para evitar inundações, já que as obras elevarão partes do terreno acima do nível da igreja, em área alagadiça nas cheias do Rio Itabapoana, onde os jesuítas inclusive construíram diversos canais para evitar os alagamentos. Também pede uma ampla área não edificada e um cinturão verde no entorno da região, para proteger o local o máximo possível dos empreendimentos. A própria estrada por onde chegam os romeiros deve ser eliminada e substituída por outro acesso. O dia de Nossa Senhora das Neves também marcou uma visita de vistoria de equipe do Conselho Estadual de Cultura (CEC) ao local, que percorreu o entorno e pediu esclarecimentos a representantes do empreendimento. Impactos muito além do santuário Presidente Kennedy, com população de pouco mais de 10 mil habitantes, é curiosamente o município com

07/08/2021 / 2 Comments
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Sindipol contesta carga horária de disciplina de Armamento, Munição e Tiro

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Carga horária recomendada de curso é de 110h, mas passou para 40h no curso para escrivão  O Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol/ES) contesta a redução da carga horária da disciplina de Armamento, Munição e Tiro, ministrada no curso de formação da Academia de Polícia Civil (Acadepol) para os aprovados no concurso de 2018. O diretor da entidade, Rodrigo Bonomo, afirma que a diretriz da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) recomenda que a carga horária seja de 110h, mas no curso para escrivão foi reduzida para 40h. Rodrigo explica que a Acadepol oferece o curso, e o Sindipol/ES a infraestrutura do sindicato. Na primeira turma para escrivão, que tinha 20 alunos, foi estabelecido que a carga horária seria de 80h, mas no decorrer foi reduzida para 40h. O diretor da entidade relata que, posteriormente, foram abertas mais três turmas simultâneas para escrivão, também com a mesma carga horária. “Por que 40 horas se a recomendação nacional é de 110h e inicialmente foi estabelecido 80h?”, questiona. De acordo com Rodrigo, no curso de investigador, que começou nesta semana, a carga horária é de 80h. Ele acredita que essa mudança seja fruto da mobilização da categoria, já que o Sindipol/ES questionou a redução de carga horária por meio de ofício enviado ao governador Renato Casagrande (PSB); ao delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda; ao delegado diretor da Acadepol, Joel Lyrio Júnior; ao secretário estadual de Segurança Pública, Alexandre Ramalho; à secretária estadual de Direitos Humanos, Nara Borgo; ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES); à Defensoria Pública do Estado (DPES); e à Senasp. No documento, o sindicato destaca que o objetivo da Senasp ao estabelecer a carga horária de 110h “é criar condições mínimas de formação para que o profissional da área de segurança pública possa minimamente ter conhecimentos para caracterizar os diversos tipos e funcionamento de armas, equipamentos e munições utilizados na corporação; desenvolver e exercitar habilidades para montar, desmontar, manejar e utilizar o armamento convencional disponibilizado pela força policial e também fortalecer atitudes para priorizar a preservação da vida atuando de forma segura e de acordo com os princípios legais”. Ainda segundo o ofício, “saber manusear arma de fogo é imprescindível para o aluno do curso de formação da Polícia Civil para garantir sua própria integridade física; bem como, a de terceiros”. Rodrigo alerta que uma má formação expõe tanto o policial quanto a sociedade. “A pessoa entra em exercício com uma semana de formação e, se não buscar por meios próprios, dificilmente terá reciclagem”, aponta. O próprio Rodrigo relata que depois que terminou a Acadepol foi fazer curso de reciclagem somente seis anos depois, mas porque reivindicou, por não se sentir seguro. De acordo com ele, o Sindipol/ES defende que todo ano deve haver reciclagem. No ofício, o sindicato solicita “que sejam tomadas as medidas necessárias para a imediata ampliação da carga horária para o fim de adequá-la aos parâmetros sugeridos através de estudos promovidos pela Senasp, sob pena, conforme os argumentos acima apresentados, de colocar em risco não apenas a vida do policial que estará com a sua formação comprometida, mas de toda a sociedade”. Cerca de 400 pessoas foram chamadas para a Acadepol e outras 350 aguardam ser convocadas. O certame de 2018 contou com 78 mil inscritos. O cargo de investigador registrou a maior procura, com 33,3 mil inscritos, seguido do cargo de auxiliar de perícia médico legal, que registrou 24,04 mil. Aprovados em concurso apontam déficit de pessoas com deficiência no quadro da PC Grupo, que reivindica convocação pelo governo, diz que lei estadual estabelece reserva de 15% dos cargos  https://www.seculodiario.com.br/seguranca/aprovados-em-concurso-apontam-deficit-de-pessoas-com-deficiencia-no-quadro-da-policia-civil

07/08/2021 / 0 Comments
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Vivo deixa 30 mil sem sinal em Barra de São Francisco e prefeitura aciona jurídico

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O prefeito, Enivaldo dos Anjos, aponta negligência da empresa diante da recorrência do problema na região O prefeito de Barra de São Francisco, no noroeste do Estado, Enivaldo dos Anjos (PSD), acionou a assessoria jurídica do município para denunciar a operadora Vivo junto à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) devido aos recorrentes problemas de falta de sinal de telefonia celular e a falta de resposta por parte da empresa.  Somente nesta sexta-feira (6), pelo menos 30 mil clientes da Vivo ficaram sem o serviço na cidade. “Vamos avaliar o melhor caminho e talvez seja uma ação indenizatória coletiva, sem prejuízo de medidas administrativas”, disse Enivaldo, citando possibilidade de sanções e multas contra o que ele considera descaso da operadora em relação ao município.   “O apagão foi geral. Hoje [sábado, 7], o sinal voltou muito precário. Estamos decepcionados e tenho tido notícias de que outras cidades do interior estão com problema parecido. Ou seja, é negligência”, afirmou. Principal operadora da cidade, em número de clientes, a Vivo tem deixado os usuários sem sinal por várias horas, às vezes um dia inteiro.As constantes falhas estão levando comerciantes, empresários e moradores da cidade ao desespero.  “Eu deixei de receber vários pagamentos porque não tenho sinal na maquininha, dependo da Vivo e essa não é a primeira vez que fico na mão. Resta saber quem vai pagar meu prejuízo”, lamenta um dono de comércio no centro da cidade. Um cliente da operadora na capital de Minas Gerais, em visita à família, em Barra de São Francisco, também ficou em dificuldade. “Não consigo sinal para fazer contato com meus parentes em Belo Horizonte nem resolver questões da minha família aqui”, relatou.

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‘ECO 101 economiza em asfalto e toda sociedade paga a conta ambiental e climática’

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Cientistas criticam parlamentares e ANTT por aceitarem permanência da BR 101 dentro da Rebio de Sooretama “A concessionária está contabilizando apenas o gasto com a obra, com asfalto. Mas quem vai pagar o ônus ambiental e climático?” O questionamento é do professor da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) Luiz Fernando Magnago, doutor em Ecologia e pesquisador dedicado há mais de uma década à Reserva Biológica (Rebio) de Sooretama e demais remanescentes florestais preservados em seu entorno, no norte do Espírito Santo. Leonardo Merçon/Instituto Últimos Refúgios “Os serviços ecossistêmicos que a Reserva oferece beneficiam toda a população, mas o cálculo [do valor monetário desses serviços] sequer foi feito, o Ibama [Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis, responsável pelo licenciamento ambiental da duplicação] não pediu isso no licenciamento”, aponta o especialista, ao repercutir as declarações públicas feitas nesta sexta-feira (6) pelos deputados federais Ted Conti (PSB) e Da Vitória (Cidadania) a respeito do licenciamento ambiental da duplicação do trecho norte da BR 101, sob concessão da ECO 101. Presidente da Comissão Externa de Fiscalização do Contrato da BR 101/ES na Câmara dos Deputados, Ted Conti relatou decisão que teria sido tomada durante reunião realizada com a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), o Ibama e o ministro de Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas. “A boa notícia é que o trecho de 25 km que compreende a Reserva de Sooretama vai ficar fora do contrato de duplicação. Nós vamos duplicar da Serra até Sooretama e, após Sooretama, até o município de Mucuri, na Bahia”, disse, informando ainda que o Ibama aguarda estudos mais detalhados sobre outras áreas de preservação na região e que, “após esse estudo nós conseguiremos a licença prévia e logo em seguida a licença de instalação”. Coordenador da bancada capixaba na Câmara, Da Vitória seguiu a mesma linha, afirmando, pouco depois, que “não há mais motivo para a Eco 101 não iniciar imediatamente a duplicação do trecho Norte da BR-101”, alegando que o órgão licenciador “acatou a proposta da bancada federal em liberar a duplicação de todo o trecho na região norte do Espírito Santo, separando a Reserva de Sooretama”. “Defesa rasa” Também pesquisador experiente da biodiversidade da região, o professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Aureo Banhos, doutor em Genética, Conservação e Biologia Evolutiva, lamenta “a defesa rasa” dos parlamentares, resultado, acredita, de “falta de conhecimento de causa” e ausência de escuta a “quem entende e faz a gestão há décadas a duras penas daquele território”.  Leonardo Merçon/Instituto Últimos Refúgios Os convites feitos para visitar a região e ver de perto o problema ambiental causado pela presença ilegal da rodovia dentro da Reserva e sua área de amortecimento, conta o cientista, foram feitos, mas todos ignorados. “O procurador da República no município na época [em 2015 e 206] foi e entendeu a questão. A população de Linhares já se manifestou formalmente a favor do desvio [na audiência pública do Ibama em 2019]. Mas os parlamentares continuaram ignorando esses fatos”, reivindica. Fragilização contínua da floresta Em coro com o colega cientista, Luiz Fernando Magnago lembra que “a conta ambiental e climática” da degradação das áreas protegidas pela presença da rodovia vai continuar sendo paga pela sociedade. A não duplicação dos 25 km que atravessam a Rebio e sua zona de amortecimento, explica, traz apenas o benefício de evitar o desmatamento de uma faixa de floresta em cada lado da rodovia, bem como a criação de uma nova área sob o chamado “efeito de borda”. O ecólogo estima que 50,9 mil toneladas de carbono serão mantidas na floresta com a não duplicação. A floresta da Rebio Sooretama estoca, em média, 170 toneladas de carbono por hectare e as áreas sob efeito de borda, 66% desse valor, segundo ele pôde medir em sua pesquisa de doutorado. “Há áreas que estocam até 400 toneladas, outras 120”, complementa. Considerando o desmate de 20 metros de floresta de cada lado da pista para a duplicação, ao longo de 25 km, 36,4 mil toneladas de carbono seriam imediatamente liberadas da vegetação cortada. Em curto prazo, a esse valor se somaria o carbono liberado a partir do efeito de borda sobre a área da floresta que, até então interiorana, passaria a ser estar exposta às perturbações da rodovia limítrofe. A faixa de borda se forma em cerca de 50 metros de cada lado da pista. Considerando toda a extensão cortada pela rodovia, seriam 250 hectares de floresta impactados. Originalmente estocando 42,5 mil toneladas de carbono, a área perderia 34% desse montante, ou seja, 14,5 mil toneladas. As maiores perdas de carbono, explica, acontecem nos primeiros sete a oito anos do efeito de borda e afetam primeiramente as árvores maiores e mais densas. “Quando forma uma borda, essas árvores mais duras morrem primeiro. Ocorre uma substituição, de uma floresta de árvores altas e de madeira dura, por uma floresta de árvores baixas e de madeira mole”. Reprodução Parques do Brasil Os impactos da presença da rodovia, no entanto, não se limitam às áreas de borda, e minam pouco a pouco a resiliência da floresta, com a entrada de espécies invasoras ao ambiente e de caçadores, além de outras ameaças. É muito visível, conta Luiz Fernando, a perda de espécies animais de maior porte. A redução das populações de antas e queixadas, por exemplo, que são grandes dispersores de sementes grandes, reduz a capacidade de regeneração das árvores grandes e, consequentemente, consiste em outro vetor de perda da capacidade de estocar carbono dentro da floresta, que se torna cada vez menos biodiversidade, menos potente e mais vulnerável. Má gestão Dados científicos como esses, reforça Aureo Banhos, ainda não entraram na análise do Ibama e precisam ser considerados para que seja tomada a decisão certa. “Importante que os parlamentares, através de suas assessorias, mergulhem no entendimento do estudo de impacto ambiental e considerem também as manifestações da sociedade através das audiências públicas que foram formalmente realizadas pelo Ibama, bem como também considerem as manifestações que estão sendo feitas tecnicamente pelos gestores, ambientalistas e pesquisadores que atuam nesse

07/08/2021 / 0 Comments
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‘A vida já é uma luta’

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Projeto Desvios Cotidianos, de Lucas Bonini, ouve as histórias do boxeador Touro Moreno Pai de dois medalhistas olímpicos, o boxeador Touro Moreno escreveu a própria história em ringues pelo Brasil. Aos 83 anos, ele é o entrevistado da segunda edição do projeto Desvios Cotidianos, de Lucas Bonini. Os causos e memórias do Aribiri – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/cultura/os-causos-e-memorias-de-aribiri

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