Pesquisa realizada pela Ufes aponta que partículas poluentes aumentam o desenvolvimento de problemas respiratórios Elias Costa Souza A utilização errada da biomassa como fonte de energia doméstica pode ser um agravante em casos de contaminação pela Covid-19. Essa é a conclusão de uma pesquisa realizada na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Ao mesmo tempo, o agravamento da pobreza faz com que equipamentos como o fogão a lenha voltem a ser utilizados por famílias em situação de vulnerabilidade, um efeito dominó durante uma pandemia que segue impactando os mais pobres. Só em território capixaba, são mais de 157 mil pessoas abaixo da linha da pobreza, de acordo com dados do Instituto Jones dos Santos Neves. Com o gás de cozinha chegando a custar até R$ 100 em Vitória, o fogão a lenha, muitas vezes, é a única alternativa. Foi nesse cenário que os pesquisadores descobriram problemas que também podem afetar a saúde dessas pessoas. A pesquisa revelou que o uso incorreto dos equipamentos de combustão e a inalação de partículas poluentes fazem com que essas famílias estejam mais suscetíveis a infecções respiratórias agudas, acúmulo de muco, doenças pulmonares obstrutivas, dentre outras complicações. “Geralmente, quem utiliza esses sistemas são pessoas mais vulneráveis. Então essa combustão é feita em ambientes pequenos, nos mesmos espaços em que elas se alimentam ou dormem. Elas ficam o tempo todo expostas à fumaça, o que compromete o sistema respiratório”, declara o coordenador da pesquisa, professor Ananias Dias Júnior, do Departamento de Ciências Florestais e da Madeira da Ufes. Elias Costa Souza Durante a pandemia, isso também significa estar mais sujeito a complicações no quadro da Covid-19. “São pessoas que têm mais riscos de vir a óbito”, aponta o professor. O pesquisador explica que o principal problema está nos equipamentos utilizados dentro das casas. “Esses sistemas de combustão são considerados aparatos de convívio social que menos evoluíram desde quando foram criados. Pouco foi feito em termos de melhor eficiência de combustão”, destaca. Com a dispersão incorreta dos gases, as consequências também podem atingir quem já se curou da Covid-19. Isso porque, o estudo identificou que as sequelas da doença também podem ser agravadas em pessoas que estão nesses ambientes. Apesar do problema ter se intensificado durante a pandemia, muitas famílias possuem gerações inteiras expostas aos poluentes resultantes da combustão inadequada. “Estudos mostram pessoas da zona rural com problema respiratório crônico sem nunca terem fumado”, pontua o professor. Ananias lembra que as doenças não estão relacionadas à utilização da biomassa, mas aos equipamentos de combustão. Segundo ele, o uso da madeira, resíduos vegetais e biomassa animal carece de métodos que diminuam esse impacto para a saúde humana. O professor também coordena o Laboratório de Energia da Biomassa (LEB) da Ufes e já trabalha com pesquisas para aplicar a madeira e o carvão vegetal sob ação do calor, diminuindo os efeitos do uso de carbono sobre as mudanças climáticas. Os estudos também tentam oferecer produtos que gerem energia por meio de processos viáveis do ponto de vista econômico e social. “Dois terços da população mundial já utilizam a biomassa para cozinhar, aquecer ou iluminar. É preciso ter um olhar mais atento aos combustíveis renováveis, só que primeiro é preciso aperfeiçoar esses sistemas de combustão”, destaca. A pesquisa que observou as possibilidades de agravamento de doenças respiratórias ainda está em andamento. A próxima etapa pretende cruzar os dados da utilização desses equipamentos alternativos de combustão com a contaminação da Covid-19 no Estado. “Nós vamos fazer o zoneamento das áreas do Espírito Santo que mais utilizam biomassa, com os casos de Covid e as classes sociais dessas pessoas”, adianta. A pesquisa conta com estudantes de doutorado e mestrado do Programa de Pós-graduação em Ciências Florestais da Ufes, estudantes de doutorado do Programa de Pós-graduação em Recursos Florestais da Universidade de São Paulo (USP), além de alunos de graduação em Engenharia Florestal e Engenharia Industrial Madeireira da Ufes.
‘Prefiro meu filho perdendo o ano do que a vida’, afirmam mães e pais de estudantes
Famílias declaram apoio à campanha de desobediência civil da Assopaes contra retorno presencial obrigatório “Prefiro meu filho perdendo o ano do que a vida”. “O governo vai garantir que ele não vai pegar a doença e que, se pegar, não vai ficar grave?” “Eu imaginava que estava tudo estruturado para o meu filho voltar”. “Eu não consigo entender que ter UTI disponível para minha filha vai garantir a vida dela”. Declarações como essas correm entre mães e pais de estudantes capixabas em todas as redes – estadual, municipais e privada – insatisfeitos com a obrigatoriedade de retorno às aulas presenciais determinada pelo governo do Estado no último dia 21 e, em cascata, começando a ser estabelecidas também em alguns municípios. A indignação tem unido as famílias no apoio à campanha de desobediência civil que será lançada na próxima semana pela Associação dos Pais de Alunos do Espírito Santo (Assopaes), em paralelo a uma ação judicial contra a portaria que retirou das famílias o direito de escolher entre o ensino híbrido e o exclusivamente remoto. A opção, que até então era praticada em todo o Estado, continua valendo para as demais unidades da federação, já que o Espírito Santo correu sozinho na decisão da obrigatoriedade. “A adesão das famílias à desobediência civil está em ritmo muito maior que no ano passado, com a recente arbitrariedade do governo. A mobilização já alcança os pais na maioria dos municípios”, avalia o secretário-geral da Assopaes, Aguiberto Oliveira de Lima. “Defendo o pátrio poder da família. Se meu filho pode ficar em casa, porque eu vou mandá-lo para escola? Os gráficos da doença diminuíram, mas a pandemia existe! E a vacina não alcançou número suficiente de pessoas. Defender a escolha da família é muito importante nesse momento para garantir a saúde tanto de quem precisa ficar em casa, como de quem precisa ir pra escola, seja por necessidade de alimentação, do trabalho dos pais, violência doméstica…Quanto menos pessoas nas escolas, menos circulação do vírus, menos contaminações, o que evita o fechamento 100%, que é preocupante para quem precisa ir pra escola”, argumenta Carol Mansur, mãe de um aluno de sete anos da rede privada de Vitória. ‘Mães são leoas’ Ela conta que ter encontrado a campanha da Assopaes aliviou um pouco o “desespero” que se instalou desde que a escola lhe avisou, numa sexta-feira à noite, que o retorno às aulas presenciais seria obrigatório. “Já chamei várias outras mães para se associarem. Uma mãe determinada é uma leoa. Várias mães são uma manada de leoas!”, convoca. Carol expõe preocupação especial com as novas variantes do coronavírus, que trazem nova imprevisibilidade, especialmente no Brasil, onde a vacinação caminha muito lentamente. “Até o final do ano, o governo deveria estabelecer como período de experiência, para ver como o vírus vai se comportar. Os gráficos diminuíram porque as pessoas começaram a se vacinar. E mesmo assim não é garantia de imunização. A variante Delta já chegou no Estado. Não é hora de estabelecer obrigatoriedade, é hora de flexibilizar, para planejar o ano que vem”, orienta. “Eu prefiro que meu filho perca o ano letivo do que a vida. Eu super entendo que as crianças precisam de socialização, que precisam do contato com o professor. Mas eu prefiro agora continuar confinada com meu filho, meu marido e minha mãe, do que ficar de joelhos pedindo pela vida de alguém ou em porta de cemitério. O governo vai garantir que meu filho não vai pegar a doença e que se pegar não vai morrer?”, desafia. A rejeição à obrigatoriedade também vem de famílias que já haviam optado pelo ensino híbrido, como a de Mariana Saturnino de Paula, cujo filho estuda na rede municipal da Serra. “A gente tem o temor da contaminação. Ele estava no sistema híbrido, com todos os cuidados, mas agora, sendo obrigatório, muitos pais vão acabar enviando seus filhos, o que vai aumentar o número de alunos nas salas, aumentando também o risco de contaminação”, descreve. Equipe insuficiente Sendo autista, o filho de Mariana contava com um estagiário que lhe assistia nas aulas presenciais, mas a chegada de mais crianças com essa necessidade vai encontrar uma escola com número insuficiente de estagiários. “Semana passada a escola mandou uma convocação informando que não tinha estagiário para acompanhar as crianças com necessidades especiais. São somente dois por turno! A escola não disse que não era para não levar as crianças, mas colocou para nós essa realidade”, relata. A informação, conta, lhe pegou de surpresa. “Até então, eu imaginava que estava tudo estruturado para o meu filho voltar”. Mariana conta que entende a situação delicada da escola. “A escola se viu travada, não tinha mais como agir. Fez vários ofícios pedindo esses profissionais, mas não teve retorno. Isso causou preocupação aos pais. A escola tem 17 alunos da educação especial para esse sistema híbrido. Não dá conta, mesmo na perspectiva do estímulo à autonomia da criança. Há situações que uma estagiária consiga cuidar de duas, mas tem criança que precisa de um estagiário exclusivo, para se locomover, para se higienizar depois do banheiro. Estamos nesse impasse, de mãos atadas”, lamenta. Por esses e tantos outros motivos, Mariana afirma que não é o momento de obrigar o retorno presencial. “Há uma pressão de todos os lados para que haja um retorno, mas não é seguro agora. Nem toda população foi vacinada e há casos de Covid entre crianças também”. ‘Só volta vacinada’ Posicionamento semelhante é de Antelmo da Silva Junior, pai de uma estudante do Ensino Médio da rede estadual de Vitória. “O Mapa de Risco estando verde, significa que tem UTI para você, se você precisar. Mas essa vai ser a nossa medida? Se tem UTI ou não? Eu não consigo entender que ter UTI disponível para minha filha vai garantir a vida dela”, critica. Os menores de 18 anos sem comorbidade continuam sem previsão de vacinação no Brasil, ressalta Antelmo. Voltando às aulas presenciais, descreve, “terão que enfrentar transporte coletivo, terminais de ônibus, filas, uma série de situações onde estarão expostos. O ensino remoto é muito difícil, tem muitas deficiências na
Skatistas reivindicam plano de desenvolvimento do esporte na Serra
Sucesso nas Olimpíadas colocou skate em evidência, mas praticantes ainda lutam por políticas públicas e melhores estruturas Com sua estreia nas Olimpíadas, o skate ganhou grande destaque na última semana, tanto a nível internacional como no Brasil, já que o país saiu do evento com duas medalhas de prata, para Kelvin Hoefler e Rayssa Leal, a Fadinha, que se tornou sensação por ser a mais jovem medalhista brasileira da história, aos 13 anos. No mesmo dia em que o esporte debutava nos Jogos Olímpicos e os atletas competiam no Japão, do outro lado do mundo, no município capixaba da Serra, skatistas se reuniam para propor um plano municipal para fomentar a prática na cidade. No bairro Serra Dourada, um dos berços do esporte no Espírito Santo, um grupo elaborou um esboço para um Plano de Fomento e Desenvolvimento do Skate na Serra. Divulgação/Tiago 8 O grupo, que envolve skatistas de diversos bairros, a Associação dos Skatistas da Serra e Associação Capixaba de Skate, fez um levantamento das pistas existentes no município, apontando o retrocessos na gestão do ex-prefeito Audifax Barcelos (Rede), quando foram destruídas oito pistas, nos bairros Jardim Bela Vista, Jardim Tropical, José de Anchieta, Laranjeiras, Pitanga, Jacaraípe, Valparaíso, Vista da Serra 1, e construída apenas uma nova pista, em Jardim Carapina, além de uma pista construída pela Vale em Bicanga. Atualmente contam-se 22 pistas, o que torna um dos municípios com maior número de espaços para prática. Porém, a avaliação dos skatistas considera apenas a pista de Bicanga como excelente, enquanto quatro foram classificadas como boas (Serra Dourada 2 e 3, Manguinhos e Porto Canoa). A maioria das pistas, 17, foi considerada em condições de ruins a péssimas. Além de solicitarem reformas em diversas pistas, a proposta do plano é a criação de novos projetos de pistas para o Parque da Cidade e os bairros Jacaraípe, Planalto Serrano e Serra Sede. Outro ponto é a defesa da participação da Associação de Skatistas da Serra nas decisões que envolvem o esporte na cidade. Isso inclui os processos de criação e reforma de pistas, em que pedem que além de serem consultados, se possam contratar empresas especializadas para construções do tipo, como é o caso que aconteceu no Atlântica Parque, em Vitória. Divulgação Mas a plataforma reivindicativa não se resume aos locais para prática do esporte. Também pede-se a criação de um programa de incentivo a Escolinhas de Skate, que contribuam para a formação de jovens, e também a elaboração de um calendário de eventos no município. As propostas foram apresentadas a Thiago Carreiro, vice-prefeito e secretário de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer, que se comprometeu a analisar e complementar o plano de propostas. “Uma aspecto importante da prática do skate é a coletividade. Tanto que nas Olimpíadas, que é um evento de caráter competitivo, muitos estranhavam o fato de que os atletas aplaudiam os adversários, se cumprimentavam. Então por um lado tem esse aspecto de coletividade e, por outro, a necessidade de determinação, de tentar várias vezes até acertar as manobras. Quem pratica entende as dificuldades”, diz Sebastião Câncio, um dos skatistas envolvidos nos debates na Serra, que destaca o skate como uma representação esportiva da cultura urbana, com grande proximidade com o movimento hip hop e outros.
Grito dos Excluídos prepara retorno às ruas de Vitória em setembro
Concentração será no Centro de Vitória, de onde os manifestantes seguirão para a Câmara de Vereadores A 27ª edição do Grito dos Excluídos, em sete de setembro, será marcada pelo retorno dos manifestantes às ruas de Vitória. A concentração será na Praça Getúlio Vargas, no Centro de Vitória, às 8h30, de onde os participantes seguirão rumo à Câmara de Vitória. Devido à pandemia da Covid-19, a edição de 2020 foi virtual, com transmissão de uma celebração inter-religiosa no Convento da Penha, em Vila Velha, pelas redes sociais. “Estamos entrando no processo de ir para as ruas, botar a cara nas ruas, fazer o nosso grito ecoar, pois online ele não ecoa”, ressalta o coordenador do Grito dos Excluídos e integrante do Fórum Igrejas e Sociedade em Ação, Giovanni Lívio. Ao chegar na Casa de Leis, os participantes irão se manifestar contra as ofensas proferidas pelo vereador Gilvan da Federal (Patri) contra a memória do ativista Lula Rocha na sessão de 19 de junho, na qual foi debatida e rejeitada a Comenda Lula Rocha, proposta pela vereadora Camila Valadão (Psol). Segundo Giovanni Lívio, a manifestação também será contra a omissão da Câmara diante do ocorrido. Ele recorda que Lula Rocha foi coordenador do Grito dos Excluídos. Giovanni informa que o lema do Grito deste ano é “Vida em Primeiro Lugar”, e o lema, “Na luta por participação popular, saúde, comida, moradia, trabalho e renda já!”. A manifestação será estruturada em sete eixos: terra, território e trabalho: a esperança está na organização popular; juventude: protagonismo juvenil e participação popular; vacina já, para todos e todas; soberania e princípio democrático; militarização: racismo e preconceito; e esperançar: nós podemos reinventar o mundo. O coordenador do Grito dos Excluídos acredita que o lema e o tema deste ano dialogam com a realidade do Espírito Santo, marcada pela crise de moradia, aumento da população de rua, extermínio da juventude negra, desemprego e outras mazelas. Ele salienta também o aumento da fome entre os capixabas. “A gente vê a fome todo dia na porta dos supermercados e padarias”, denuncia, referindo-se ao aumento de pedintes em frente a esse tipo de estabelecimento. Giovanni acredita que faltam políticas públicas para sanar esses problemas. Para ele, a famosa frase de Dom João Batista da Motta e Albuquerque, “só o povo salva o povo”, proferida diante das ações solidárias da sociedade civil em auxílio às vítimas das enchentes de 1979, no norte do Espírito Santo, continua muito atual. Ele cita como exemplo a campanha Paz e Pão, realizada pela Arquidiocese de Vitória, de doação de alimentos e dinheiro para compra de cestas básicas para famílias em vulnerabilidade social. Ele relata que é perceptível que, nas paróquias localizadas em comunidades populares, o fluxo de doações é mais contínuo. “A solidariedade cotidiana é a do pobre, é pobre ajudando pobre. Quem vive a fome se dispõe mais a ajudar do que quem imagina como ela possa ser”, diz. Outro aspecto da realidade capixaba e que dialoga com o lema do Grito dos Excluídos 2021 é a precarização da saúde. “Há fila de espera para cirurgias eletivas e dificuldade de agendamento de consultas com determinadas especialidades médicas”, alerta. Nesse último caso, um dos exemplos é sobre os pacientes com HIV, que têm encontrado mais dificuldade para agendar consulta com infectologista. Giovanni diz que relatos de pessoas próximas e de agentes da Pastoral da Aids da Arquidiocese de Vitória mostram que há casos em que o paciente, ao tentar agendar consulta, conseguiu data somente para nove meses depois. Os debates sobre a organização do Grito dos Excluídos prosseguem. No próximo dia sete de agosto, será realizada a segunda plenária, às 14h, na quadra do Colégio Agostiniano, no Parque Moscoso, em Vitória. O local, como aponta Giovanni, possibilita espaçamento entre as pessoas, além da prática de outras regras sanitárias, cuja execução são essenciais em meio à pandemia da Covid-19. “Convocamos todos movimentos para participar. Não podemos nos calar, temos que ir para a rua denunciar o governo Bolsonaro e sua política de morte”, convoca.
A felicidade mudou para a Finlândia
Buffett: a sociedade tem uso para meu dinheiro, eu não tenho Rindo de felicidade, o psicólogo americano Edward Diener levou anos pesquisando este bem volátil e imaterial, incolor, inodoro, sem peso, sem agressão ao meio ambiente, sem ocupar lugar no espaço: a felicidade. Apesar de ser um artigo essencial ao bem estar da comunidade, ela não pesa no bolso nem flutua nas bolsas de valores. No entanto, é almejada e perseguida por todos – ricos pobres, velhos, moços. Se houvesse uma lei garantindo que a troca é irreversível, qualquer ser humano trocaria tudo que possui pela felicidade absoluta. Carlos Drummond de Andrade: Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade. * O bilionário Warren Buffett doou metade de sua fortuna, calculada em 8 bilhões de dólares, para instituições de caridade – deixando “apenas” a metade para os herdeiros. Talvez isso lhe traga aborrecimentos – e se os herdeiros não gostaram do generoso ato? Mas por certo ele vai dormir melhor. O que se pode comprar com 8 bi que não se compra com 1 bi? Também Bill Gates, mesmo sem Melinda, não tem feito outra coisa: trocar dinheiro vivo por felicidade. Aqui agora, ou na outra vida. Buffett: A sociedade tem uso para meu dinheiro, eu não tenho. * Diener pesquisou com voluntários durante décadas, e concluiu que dinheiro traz felicidade, sim, mas somente até determinado nível de renda. Certa vez ouvi uma entrevista de um famoso cantor sertanejo no Brasil dizendo a mesma coisa. Ninguém pode ser feliz passando fome, mas comer demais engorda. O currículo da felicidade inclui boa saúde, e mesmo se o mal é incurável, ter dinheiro melhora muito o sofrimento. Mas não há dinheiro que compre o remédio que não existe. Tom Jobim: A felicidade é uma pluma que o vento vai levando devagar… * Os governos também influenciam esse delicado pêndulo. Em tempos de pandemia, o Brasil ficou no 41º lugar na avaliação dos ânimos em plena pandemia. Como assim? Não éramos o povo mais animado do mundo? A medalha de ouro foi para a Finlândia. Nosso maior trunfo, o calor humano, congelou com o necessário distanciamento humano. Na Finlândia o sol não se põe no verão, ocorrendo a “noite sem noite” de maio a junho. No inverno, tem o “dia sem dia”, escuridão total de dezembro a janeiro no norte do país. Madre Teresa: Espalhe amor onde quer que você vá. Não deixe ninguém vir até você sem sair mais feliz. *Depois de lidas, as páginas do jornal Mainichi, no Japão, podem ser plantadas – o papel é 100% sustentável: uma mistura de papel reciclado, água, sementes de flores e ervas. Chico Buarque: Do lado de lá tanta fartura…
Sugestões Netflix
Confira: Estômago; Whisky; O Cidadão Ilustre; Tribunal; e O Violinista ESTÔMAGO Comédia nacional sobre Raimundo Nonato, um nordestino ingênuo em busca de uma vida melhor na cidade grande. Ele começa trabalhando num boteco pé sujo, mas seu chefe percebe rapidamente que Raimundo tem talento para cozinhar coxinhas. O estabelecimento, que estava às moscas, passa a receber clientes e chama a atenção de Giovanni, dono de um restaurante italiano. Raimundo é convidado para ser assistente de cozinheiro. A história é contada em flashbacks e só descobrimos no final porque Raimundo não deu certo na cidade grande. WHISKY Clássico do cinema latino-americano, Whisky conta a história do judeu Jacobo, um uruguaio avarento e solteiro que descobre por telefone que seu irmão que está morando no Brasil chegará para visitá-lo. Jacobo precisa mostrar que sua vida não é tão ruim quanto parece e justificar o fato de nunca ter se casado. Ele convence Maria, uma de suas funcionárias na fábrica de meias, a fingir ser sua esposa até que o irmão volte para casa. O CIDADÃO ILUSTRE Filme vencedor de vários prêmios. Daniel, o vencedor do prêmio Nobel de Literatura, recebe um convite para voltar a sua cidade natal, onde vai ser condecorado cidadão ilustre. O momento é especial, porque Daniel vai rever a cidade onde estão ambientados todos os seus livros. Chegando lá, o escritor encontra uma realidade provinciana e ignorante, que é ao mesmo tempo repugnante para si e inspiração para seus livros, que recebem elogios da crítica europeia. TRIBUNAL Filme indiano que ganhou muitos prêmios fora do país, parece-se mais com produções europeias voltadas ao público internacional. O cadáver de um trabalhador é encontrado em um esgoto de Bombai. Um ativista pelos direitos dos Dalit é acusado de incitar o suicídio, com suas performances musicais. No decorrer do julgamento, a vida pessoal dos advogados, promotores e juízes é escrutinada e também o corrupto e injusto sistema penal da Índia. O VIOLINISTA Filme curtinho, quase um média-metragem. Um violista profissional encontra um estranho no meio de uma estação de trem. O homem surge do nada fazendo perguntas e convence-lhe a continuar a conversa dentro do vagão. A viagem transcorre com os dois discutindo os mais variados assuntos, música, arte, criatividade, até o trem parar em frente a um edifício abandonado, onde o homem estranho mostra-lhe uma fita cassete que vai mudar sua percepção sobre a música. É interessante notar que este filme passa longe dos exóticos musicais de Bollywood, mesmo as locações não remetem a lugar nenhum específico, podendo ser tanto uma cidade da Índia quanto a periferia de qualquer cidade subdesenvolvida.
Os causos e memórias do Aribiri
Vídeo de Lucas Bonini retrata feira livre que carrega histórias de gerações inteiras em Vila Velha Domingo é dia de feira. Em Aribiri, Vila Velha, as frutas, legumes, carnes e até equipamentos usados já fazem parte da paisagem da Grande Vitória e da memória afetiva de quem um dia passou por lá. Desvios Cotidianos, projeto de Lucas Bonini, mostra a rotina de um espaço que une, em um só lugar, trabalho, riso e poesia.
Exposição ocupa a misteriosa Ilha da Pólvora em Vitória
Na coluna: conselhos de cultura se renovam, César MC prepara álbum, Concurso Haydeé Nicolussi, Hub Criativo no Ifes “Não sair até o rojão estourar” é o provocativo nome da exposição coletiva que ocupa a Ilha da Pólvora, localizada entre Vitória e Cariacica, no local que guarda ruínas de um antigo hospital para tratamento de pacientes de hanseríase e tuberculose em isolamento. A exposição vai de 31 de julho a 7 de agosto, entre 11h e 16h. Expõem os artistas Bruno Zorzal, Bárbara Bragato, Elisabete Finger, Fredone Fone, Luisa Lemgruber, Marcus Vinícius, Natan Dias, Raquel Garbelotti, Rubiane Maia e Thais Graciotti. Para ir, é preciso se inscrever previamente por formulário online, de forma gratuita. Sairão barcos nos horários determinados do pier do Clube de Pesca, no Bairro Mário Cypreste. LANÇAMENTOS Documentário mostra riqueza e destruição dos manguezais Na semana em que se celebra o Dia do Manguezal, o documentarista capixaba Ricardo Sá lançou o curta-metragem Povos do Manguezal do Brasil, no qual registra uma série de belas imagens desse ecossistema fundamental para a reprodução da vida de várias espécies e também fonte de sustento para muitas famílias. Porém, também recolhe depoimentos de pescadores e catadores de mariscos que têm visto os manguezais que marcaram a vida de gerações serem destruídos e poluídos por grandes empreendimentos industriais e extrativistas no Espírito Santo, Bahia e Pernambuco. César MC lança nova música Fenômeno do rap nacional, o capixaba César MC voltou a lançar um clipe. Em poucos dias, “Eu preciso voltar com a folhinha”, lançado pela Pineapple Storm Records, ultrapassou a marca de 1 milhão de visualizações no YouTube. Na canção, o artista nascido no Morro do Quadro, em Vitória, lembra o início de sua trajetória. “Às vezes precisamos voltar ao passado, pra jamais esquecer o porquê estamos aqui”, refletiu o cantor em suas redes. A canção é o primeiro single que fará parte do álbum de estreia de César MC. POLÍTICA CULTURAL Conselhos municipais de cultura se renovam No dia 11 de agosto acontece a posse da nova gestão do Conselho Municipal de Política Cultural de Vitória, que será no prédio da Fafi, sendo metade do colegiado formado por representantes do poder público e outra metade pela sociedade civil. À frente, muitos desafios, como a destinação das sobras dos recursos federais da Lei Aldir Blanc, a morosidade da Lei Rubem Braga e o cumprimento do Plano Municipal de Cultura, que vence em 2024, último ano da gestão de Lorenzo Pazolini (Republicanos). Na Serra, as inscrições para participar da nova gestão do conselho municipal foram prorrogadas até seis de agosto. As inscrições são gratuitas e poderão ser realizadas na Setur e na Biblioteca e Centro Cultural Carlos Correia de Loyola, em Valparaiso. Os documentos necessários estão disponíveis aqui. O mandato tem duração de dois anos. Viana lança edital escolha do hino municipal Na esteira da comemoração dos 159 anos de emancipação do município, a prefeitura de Viana lançou um edital para escolha de seu hino oficial. Depois de passar por um júri técnico formado por especialistas em História, Música e Literatura, as três composições finalistas passarão por votação pública pela internet para que seja escolhido o vencedor, que será considerado como Hino Oficial do Município de Viana, além de receber um prêmio de R$ 10 mil. O mesmo município está realizando também o Concurso de Fotografias Afetivas “Viana, a cidade é você!”. Com inscrições online, o certame tem objetivo de selecionar fotos que retratem a beleza e o cotidiano do município. O prêmio será uma câmera digital Nikon Dslr D3500. Informações sobre os dois concursos podem ser encontradas aqui. OPORTUNIDADES Concurso cultural seleciona músicas e textos literários O Partido Comunista Brasileiro no Espírito Santo (PCB-ES) e o Coletivo Vianinha lançaram o 1° Concurso Cultural Haydée Nicolussi, que vai premiar músicas e textos literários. As inscrições ficam abertas até 29 de agosto e o edital está disponível aqui. As obras devem ajudar a “desvelar as contradições e desigualdades da realidade contemporânea”. Nascida em Alfredo Chaves, a homenageada Haydeé Nicolussi foi escritora, museóloga, servidora pública e militante comunista. Ifes cadastra coletivos para Hub Criativo O Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) de Viana está cadastrando agentes culturais coletivos para participarem de atividades de seu projeto “Hub Criativo Virtual”, que busca facilitar a construção de redes de colaboração entre coletivos para produção de conteúdos e oferta de capacitações. As inscrições vão até dia 5 de agosto por meio de um formulário online e estão abertas tanto para pessoas físicas como jurídicas. O Hub Criativo Virtual é fruto de uma parceria entre o Ifes, a Secretaria da Cultura (Secult), a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e o Centro Estadual de Educação Técnica (CEET) Vasco Coutinho.
Governadores apresentam projetos sobre mudanças climáticas aos EUA
Propostas compõem a Coalização de Governadores pelo Clima, que tem articulação de Renato Casagrande O governador Renato Casagrande (PSB) participou, na tarde desta sexta-feira (30), de uma videoconferência realizada com John Kerry, secretário especial dos Estados Unidos para o Clima, além de outros seis governadores. O objetivo foi apresentar o e-book “Portfólio de Projetos Brasileiros sobre Mudanças Climáticas”, com informações detalhadas sobre os dez projetos brasileiros voltados para todas as regiões do país, para angariar fundos para a implementação das propostas. Rodrigo Araújo/Governo ES A reunião faz parte da Coalizão Governadores pelo Clima que, em abril último, enviou uma carta ao presidente Joe Biden, com vistas a fortalecer a agenda ambiental. A intenção é criar um “Consórcio de Mudanças Climáticas” para administrar o fundo, que poderá receber investimentos de países e entidades que lutam pela preservação do meio ambiente. O encontro faz parte de um ciclo de reuniões que serão realizadas com outros países, como a China, a União Europeia e outras organizações internacionais, como o R20, liderado pelo ex-governador da California, Arnold Schwarzenegger. Atual articulador da Coalização, Casagrande ressaltou, em pronunciamento após a reunião, sua antiga militância na área ambiental e climática e formação como engenheiro florestal. “Nós não podemos substituir o governo federal, que tem um papel protagonista nesse tema, mas os governadores também podem e devem ter um papel, assim como os prefeitos e a sociedade”. As ações que os estados desejam implementar estão voltadas a temáticas como redução de emissões de carbono, sequestro de carbono, reflorestamento, gestão integrada de bacias hidrográficas, bioeconomia, energia renovável e obras de contenção. “Precisamos estancar a elevação da temperatura. O que se deseja desse acordo internacional é que a temperatura média do planeta não cresça mais que 1,5ºC, que já causa muitos problemas. Nós já crescemos 1,2ºC, desde o final do século XIX. Quanto maior esse crescimento, mais problemas acontecem”, explicou. O caminho, reafirmou, é transformar hábitos. “Temos que mudar muito nossa forma de consumir, nossas fontes de energia, temos que reflorestar, preservar as florestas…independentemente da posição política, de esquerda, direita ou de centro. Precisamos preservar o equilíbrio do planeta”, conclamou. Governança O governador capixaba citou a posição manifestada por John Kerry em relação à participação do governo federal brasileiro em reuniões anteriores. O secretário dos Estados Unidos, relatou Casagrande, afirmou que espera projetos concretos que mostrem a viabilidade do Brasil alcançar a meta de carbono zero até 2050, conforme se comprometeu o presidente Jair Bolsonaro há alguns meses em reunião da Cúpula do Clima. “Compromissos são bons, mas eles [Biden e Kerry] querem ver projetos sendo construído para alcançá-los”. Países da Europa, como Noruega e Alemanha, complementou Casagrande, também já demonstraram preocupação com a falta de ações concretas por parte do Brasil para sanar problemas ambientais relacionados aos incêndios e desmatamentos ocorridos em 2020 e 2021, na Amazônia e no Pantanal. Por isso, afirmou, a Coalizão de Governadores é muito bem recebida por esses países, como uma alternativa para fazer com que o país atinja as metas e compromissos internacionais relacionados às mudanças climáticas. “Estamos propondo um modelo de governança que será constituído por uma assembleia geral e um fundo com recursos internos e externos. Um país de dimensão continental exige governança inovadora, com fundo único. Os governadores poderão cumprir um papel importante, assim como os governadores americanos cumpriram há alguns anos”. Também participaram da reunião os governadores de São Paulo, João Doria (PSDB), representante do Sudeste; do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), da região Sul; do Pará, Helder Barbalho (MDB), do norte; do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), do Centro-Oeste; do Piauí, Wellington Dias (PT), pelo Nordeste; e do Maranhão, Flávio Dino (PSB), pelo Consórcio da Amazônia.
‘A pandemia não acabou’, adverte Casagrande ao apresentar Mapa de Risco
Espírito Santo tem 73 municípios em risco baixo e taxa de transmissão abaixo de 0,6 A pandemia não acabou e a variante Delta é motivo de grande preocupação. O alerta foi ressaltado pelo governador Renato Casagrande em pronunciamento nesta sexta-feira (30), ao apresentar o 66º Mapa de Risco Covid-19, que terá vigência entre a próxima segunda-feira (2) e o domingo seguinte (8). Dos 78 municípios capixabas, 73 estão classificados em risco baixo e apenas cinco em risco moderado, não havendo municípios em risco alto (veja relação completa abaixo). “Estamos com a menor taxa de transmissão (Rt) desde início da pandemia, abaixo de 0,6”, destacou Casagrande, ressaltando que o indicador está melhor na Grande Vitória que no interior, onde o Rt está apenas um pouco abaixo de 1. A positividade – percentual de testes positivos em relação ao total realizado diariamente – também está caindo, salientou, devido ao aumento do número de exames realizados. Outro indicador de redução da gravidade da pandemia é a taxa de óbitos, hoje entre 9% e 10% e ainda reduzindo, bem como a taxa de ocupação de leitos hospitalares. “O que não quer dizer que a pandemia tenha acabado. A variante Delta está no Estado e é motivo de muita preocupação. Ainda perdemos quase dez pessoas por dia!”, destacou. Diante do quadro atual, o governador voltou a pedir que a população colabore. Mais de 20% da população capixaba já está totalmente imunizada, mas é preciso avançar. “Quando chegar a sua hora de ser imunizado, se vacine! Nosso comportamento individual salva vidas”. Classificação dos municípios Risco baixo: Afonso Cláudio, Água Doce do Norte, Águia Branca, Alegre, Alfredo Chaves, Anchieta, Apiacá, Aracruz, Atílio Vivácqua, Baixo Guandu, Barra de São Francisco, Boa Esperança, Bom Jesus do Norte, Brejetuba, Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Colatina, Conceição da Barra, Conceição do Castelo, Divino de São Lourenço, Domingos Martins, Dores do Rio Preto, Ecoporanga, Fundão, Guaçuí, Guarapari, Ibatiba, Ibitirama, Iconha, Irupi, Itaguaçu, Itapemirim, Itarana, Iúna, Jaguaré, Jerônimo Monteiro, João Neiva, Laranja da Terra, Linhares, Mantenópolis, Marataízes, Marechal Floriano, Marilândia, Mimoso do Sul, Montanha, Mucurici, Muniz Freire, Muqui, Nova Venécia, Pancas, Pedro Canário, Pinheiros, Piúma, Ponto Belo, Presidente Kennedy, Rio Bananal, Santa Leopoldina, Santa Maria de Jetibá, São Domingos do Norte, São Gabriel da Palha, São José do Calçado, São Mateus, São Roque do Canaã, Serra, Sooretama, Vargem Alta, Venda Nova do Imigrante, Viana, Vila Pavão, Vila Valério, Vila Velha e Vitória. Risco moderado: Alto Rio Novo, Governador Lindenberg, Ibiraçu, Rio Novo do Sul e Santa Teresa. Painel Covid-19 O Painel Covid-19 desta sexta-feira somou um total de 11,8 mil óbitos e 542,6 mil testes positivos para a doença, além de 520,2 mil pessoas curadas. Dos 685 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) efetivamente dedicados com exclusividade aos pacientes com Covid-19; a taxa de ocupação é de 46,28% e, quando considerados os 1.098 leitos potencialmente disponíveis, de 30,93%.