Profissional atendeu moradora em unidade de Jardim América, mas ele morreu e não foi substituído A rede municipal de saúde de Cariacica não conta com cardiologistas para atender a população. É o que denuncia a dona de casa Vera Lúcia Pertuliano do Rosário Campos. Ela relata que, em agosto de 2020, se consultou com um médico dessa área na Unidade Básica de Saúde (UBS) de Jardim América. Entretanto, não pôde dar prosseguimento ao tratamento, pois um mês depois, o profissional, que segundo Vera era o único dessa especialidade na cidade, morreu de Covid-19. A dona de casa recorda que, ao se consultar, foi diagnosticado que ela tem inchaço no coração, sendo necessário realizar um cateterismo para verificar quais artérias estão entupidas, mas, diante do falecimento do médico, o tratamento parou por aí. Hoje, afirma, convive com as consequências do problema de saúde, entre elas, dores, taquicardia e fadiga. “Não somente eu, muitas outras pessoas também devem precisar de tratamento e não conseguem”, desabafa. Conforme relata Vera, o cardiologista com o qual se consultou em Jardim América fazia um rodízio em várias unidades de saúde do município diante da carência de profissionais. A dona de casa acredita que profissionais de outras especialidades vivem a mesma situação. De acordo com ela, na unidade de saúde de Vila Graúna, onde mora, nem sequer tem atendimento de especialidades, o que obriga os moradores a se deslocar para outras comunidades. O presidente da Federação das Associações de Moradores de Cariacica (Famoc), Dauri Correa da Silva, explica que a falta de especialidades médicas é uma realidade e o município oferece profissionais de sua rede para esses atendimentos, o que acredita ser insuficiente. Destaca também que esse tipo de atendimento é responsabilidade da gestão estadual. Dauri defende que o município deve buscar soluções para problema, mas acredita que sem a participação do governo do Estado, não é possível resolver a questão. Ele recorda que a gestão de Euclério Sampaio (DEM) buscou como alternativa a publicação do Edital de Chamamento Público para contratação de prestadores de serviços em consultas médicas especializadas. Entretanto, o movimento popular faz críticas ao fato de a iniciativa buscar propiciar consultas, mas não garantir, por exemplo, investimento em equipamentos. “Aí a pessoa se consulta, mas com a falta de equipamentos, não consegue fazer exames, por exemplo, e não completa o ciclo”, lamenta. Em nota, a Prefeitura de Cariacica informou que o edital foi publicado em abril passado. Ainda segundo a Prefeitura, “foram credenciadas cerca de 33 mil consultas médicas especializadas para serem oferecidas aos munícipes por meio do credenciamento de prestadores de serviço”. O objetivo, segundo a gestão de Euclério Sampaio, é zerar as filas de espera existentes. Ainda de acordo com a gestão municipal, “o agendamento das consultas começou em 24 de junho e até agora já foram marcadas 1.450. Até o final do ano, está previsto um total de 15.000 consultas agendadas. O restante das consultas será oferecido em 2022”. As agendas, segundo a gestão municipal, são abertas mensalmente, e entre as especialidades atendidas até então estão cardiologia, dermatologia, endocrinologia, gastroenterologia, mastologia, neurologia (para crianças e adultos), oftalmologia, ortopedia, psiquiatra (para crianças e adultos) e proctologia.
’A população segue priorizando o carro’, afirma urbanista sobre projeto da Rio Branco
Audiência pública confirmou projeto da prefeitura de implantar ciclovia no canteiro central A Prefeitura de Vitória definiu o projeto a ser utilizado para construção da ciclovia na Avenida Rio Branco. Em audiência pública realizada nessa quinta-feira (29), foi decidido que a ciclovia será implantada no canteiro central, enquanto o estacionamento ficará na lateral direita da via. Priscila Ceolin, arquiteta urbanista e integrante do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Espírito Santo (CAU/ES), que participou do debate, sentiu falta de um espaço de fala para os ciclistas. “A ciclovia não atende só o morador, mas a cidade como um todo. Também é necessário dar ouvido àquele que vai usar a via não só para lazer, mas para transporte”, aponta. O encontro foi realizado pela Comissão de Mobilidade Urbana da Câmara de Vitória, presidida pelo vereador Armandinho Fontoura (Podemos) e foi realizada na escola Irmã Maria Horta, na Praia do Canto. De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento da Cidade e Habitação (Sedec), quatro árvores serão retiradas para dar mais espaço à ciclovia e substituídas por outras 40 ao redor do bairro. “Elas não serão removidas. Serão substituídas por outras mais adequadas”, disse o secretário Marcelo de Oliveira. O projeto aprovado também mantém as vagas de estacionamento locais, mesmo com cicloativistas defendendo a necessidade de diminuição do número para um espaço mais amplo na ciclovia. A decisão dialoga com o desejo da associação de moradores da região, que sempre defendeu a manutenção das vagas. “A população segue sempre priorizando o carro, mesmo que isso acabe colocando os ciclistas em risco. Infelizmente, as pessoas não estão prontas para ouvir soluções urbanísticas que realmente tirem o carro do centro”, ressalta Priscila. Para ela, o espaço estreito para os ciclistas pode ser um problema, levando em consideração a velocidade da avenida. “O ciclista vai ter que passar em trechos muito estreitos e se trata de uma rua de tráfego muito rápido, que conecta bairros centrais da Capital. Uma solução agora pode ser a diminuição do limite de velocidade da avenida Rio Branco”, ressalta. No projeto apresentado nessa quinta-feira, a prefeitura corrigiu alguns erros apontados em versões anteriores. O planejamento divulgado em fevereiro contava com pontos considerados graves, como a localização do estacionamento ao lado da ciclovia. “A pessoa do carro que parasse no estacionamento, teria que sair em cima e, praticamente, abrir a porta dentro da ciclovia. Uma série de problemas, situações e erros graves que poderiam resultar até em mortes”, disse o integrante do coletivo de cicloativistas Pedalamente, Hudson Ribeiro, em entrevista recente ao Século Diário. Na ocasião, o cicloativista já reiterava que, mesmo com a reparação desses erros, problemas estruturais permaneceriam na proposta. “O principal objetivo se mantém, que é o que gera todos esses erros: privilegiar unicamente o carro […] Acredito que o grande problema desse projeto é justamente esse, não privilegiar as pessoas”, destaca. Com a aprovação em audiência pública, o projeto agora será finalizado pela Secretaria de Desenvolvimento da Cidade e Habitação (Sedec). A previsão é que as obras sejam licitadas ainda este ano. Histórico A primeira versão do projeto de ciclovia para a Avenida Rio Branco surgiu em 2015, apresentada pela gestão de Luciano Rezende (Cidadania), mas a implementação foi adiada após críticas de moradores e comerciantes da Praia do Canto, que eram contra a redução do número de vagas de estacionamento Em 2020, as obras foram realizadas apenas em um trecho que contempla o bairro Santa Lúcia, onde o assunto não gerou tanta discussão. Na Praia do Canto, um grupo de moradores apresentou uma proposta sugerindo que a ciclovia fosse construída no canteiro central da avenida. No início, o projeto foi considerado tecnicamente inviável pela prefeitura. Apesar disso, em fevereiro deste ano, já no mandato de Lorenzo Pazolini (Republicanos), a gestão municipal apresentou um novo texto, que apontava para a manutenção do número de vagas de estacionamento e a construção da ciclovia no canteiro central da pista.
Arnaldinho terá que cortar das redes sociais peças de promoção pessoal
Publicações da campanha de vacinação geraram denúncias na Ouvidoria do MPES e do Observatório de Mídia da Ufes O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (Podemos), terá que remover, cancelar ou adequar a divulgação e publicidade de atos, programas, obras e serviços das redes sociais da gestão municipal e do prefeito que caracterizem promoção pessoal. A determinação é do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e foi adotada pela 3ª Promotoria de Justiça Cível. A decisão informa prazo de até 30 dias corridos para cumprimento, a contar do dia 22 deste mês, data em que a prefeitura foi notificada. As redes sociais são o Instagram, Facebook e Twitter. O caso, de acordo com o Ministério Público, “independentemente de ocorrer lesão ao erário, configura ato de improbidade administrativa, que viola os princípios da administração pública”. Deverão ser excluídos nomes, mensagens, símbolos, slogans, vídeos, fotos e outras imagens, em especial as que vinculem eventos e realizações da gestão municipal ao nome do prefeito, secretários e outros agentes públicos. A medida vale ainda para publicações futuras e para outros perfis e domínios eventualmente existentes e não informados na notificação. O Ministério Público requer, também, que o município divulgue adequadamente a notificação, para conhecimento de todos os interessados. Dessa forma, deverá ser afixada em local de fácil acesso ao público, além da publicação integral na página institucional da prefeitura, na rede mundial de computadores, no Portal da Transparência e em todas as redes sociais administradas pela gestão municipal. A notificação aponta que, no Instagram oficial da prefeitura, a indicação do endereço do Instagram pessoal do prefeito (@arnaldinhoborgo), com o objetivo de fazer o direcionamento imediato de todos que consultem a rede social oficial da prefeitura, facilita o acesso à ampla publicidade oficial, com promoção pessoal existente no perfil do prefeito. Esse direcionamento, diz a decisão, não existe no perfil oficial de outras prefeituras nem do governo do Estado.O MPES ressalta que o art. 37, § 1º, da Constituição da República estabelece que “a publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos”. Assim, o MPES salienta que é “absolutamente vedada a veiculação de informações que tenham por objetivo o proveito individual do gestor público”. Foi fixado prazo máximo de até 30 dias corridos para que a prefeitura encaminhe resposta ao Ministério Público quanto ao atendimento ou não da recomendação, com prova da divulgação, sob pena de serem implementadas as medidas judiciais cabíveis ao caso, como aponta o MPES. Denúncias O MPES afirma que recebeu reclamações, por meio da Ouvidoria, noticiando a publicidade pessoal em Vila Velha. O Observatório de Mídia da Universidade Federal do Estado (Ufes) também já tinha acionado o Ministério Público Federal (MPF), mas o procurador Andre Carlos de Amorim Pimentel encaminhou a notícia de fato ao MP Estadual, a quem disse caber a atribuição de investigar a irregularidade e possível improbidade administrativa. Os pesquisadores da Mídia da Ufes apontam violação à Constituição, devido ao uso de técnicas nas redes que objetivam promoção pessoal em ações da administração pública, o que tem ocorrido, principalmente, na divulgação da campanha de vacinação contra a Covid-19 em Vila Velha. Liminar A denúncia do Observatório gerou representação do Ministério Público de Contas (MPC), que também pediu ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) a concessão de medida liminar para determinar ao prefeito que retire imediatamente de suas redes sociais todas as publicações que associem as ações e programas realizados pelo município de Vila Velha à sua imagem e logomarca pessoal, bem como se abstenha de utilizar seu perfil pessoal para este fim. O relator do caso, conselheiro Sérgio Aboudib, determinou a notificação do prefeito para que se manifeste sobre as irregularidades apontadas no prazo de cinco dias, conforme decisão publicada no Diário Oficial de Contas dessa quarta-feira (28).
Cidadania e boa política
Defender seus interesses é legítimo, e cada cidadão precisa se reconhecer no seu grupo Nossa participação determina as ações políticas na sociedade, pois somos seres humanos, portanto sociáveis, precisamos dos grupos para sobreviver, daí a importância das instituições e grupos organizados para facilitar o nosso bem viver. Cada grupo de pessoas, seja família, igreja, escola, trabalho e etc., tem seus interesses específicos, e cada indivíduo do grupo deve defendê-lo na busca de uma vida de bem-estar para todos. Em primeira e última instância, a política é a defesa de interesses. Primeiro de viver, depois das condições de vida: alimentar, trabalhar, estudar, ter saúde, lazer, cultura, paz e alegria, enfim, nosso objetivo deve ser o de discutir o poder na sociedade, conduzir a economia, a forma de produzir a riqueza e a melhor forma de distribuir a riqueza produzida por todos. Das cavernas até os dias de hoje, experimentamos diversas formas de exercício do poder, desde impérios autoritários até as repúblicas democráticas. Em todas as formas de exercício do poder, sempre há tensões entre os diversos interesses existentes na sociedade. Nessas disputas, cada cidadão tem o dever de se reconhecer como sendo parte dessa sociedade, com seus legítimos interesses, e tomar posição para defendê-los, pois em todas as sociedades, o poder não lhe é entregue de mão beijada, o poder precisa ser conquistado e defendido. O poder pode ser definido como habilidades e meios para defender seus interesses, mesmo havendo resistência de alguma parte da sociedade. O poder é exercido, pelo Estado, inclusive com uso da força armada, pelos setores econômicos e pela sociedade organizada em suas instituições. O poder sempre parte de um grupo, num certo comando, com seus interesses, buscando convencer a todos de sua legitimidade e que assim ficará melhor para toda a sociedade. O exercício do poder simbólico, um poder invisível, é realizado com a cumplicidade daqueles que não serão beneficiados, mas que se submetem a quem está exercendo este poder e sofrem suas consequências. A busca do poder é constante na sociedade, onde indivíduos de todos os grupos utilizam de suas habilidades e meios para convencer pessoas, para que abram mão de seus interesses e contribuam para que outros consigam atingir suas metas e objetivos. Defender seus interesses é legítimo, e cada cidadão precisa se reconhecer no seu grupo, identificar-se com quem tem os mesmos interesses que os seus, e participar de suas instituições com seus iguais, pois na sociedade, e, portanto na política, não há espaço vazio. Ou você ocupa seu lugar e defende sua vida, suas condições de bem viver, ou outro alguém vai lá, ocupa o espaço e defende os interesses que melhor lhe convier.
Enivaldo lança movimento de apoio à reeleição de Renato Casagrande
Prefeito de Barra de São Francisco mantém a aliança desde a frustrada tentativa de reeleição em 2014 O governador Renato Casagrande (PSB) ganhou um reforço para seu projeto de reeleição. O prefeito de Barra de São Francisco (noroeste do Estado), Enivaldo dos Anjos (PSD), anunciou na noite dessa quinta-feira (29) que vai coordenar um movimento político na região em apoio à campanha de 2022. A pouco mais de um ano da disputa, Casagrande vem cumprindo agenda no interior do Estado, já com vistas à campanha eleitoral. Ex-líder do governo na Assembleia Legislativa, em 2019, o prefeito tomou a decisão depois de participar de audiência com Casagrande, no Palácio Anchieta, na quarta-feira. O prefeito apoia Casagrande desde 2014, quando ele foi derrotado, e também em 2018, na vitoriosa campanha de retorno ao Palácio Anchieta. Em 2014, o governador Renato Casagrande, como candidato, venceu a disputa em apenas sete municípios: em três da Grande Vitória, em Castelo, onde nasceu, e na região noroeste, em Alto Rio Novo, Barra de São Francisco e Ecoporanga. Já em 2018, teve uma grande vantagem de votos na região noroeste, onde venceu em todos os municípios. Em Barra de São Francisco, o governador alcançou 72% dos votos. “Esse movimento é de grupo e não pessoal. O governador tem apoiado muito a nossa região e vamos trabalhar juntos para que isso se amplie ainda mais. Vamos começar reunindo vereadores e lideranças do noroeste, em Barra de São Francisco, para lançarmos um manifesto conjunto de apoio, mas também para discutir participação no governo e garantir aporte de recursos públicos na nossa região”, disse Enivaldo. Para ele, “o governador Renato Casagrande, além de prestigiar o interior do Estado, demonstra competência o não apenas do ponto de vista financeiro, com equilíbrio fiscal e administrativo, sem deixar de investir em obras. E durante a pandemia demonstrou sua liderança, conduzindo a política no Estado com equilíbrio e bom senso, mantendo o controle da situação e ainda criando reserva para apoiar a retomada econômica”. E acrescentou: “Hoje, o Espírito Santo tem um fundo de R$ 250 milhões para emprestar a custo baixíssimo para os pequenos empreendedores, enquanto São Paulo, com aquele tamanho todo, só disponibilizou R$ 100 milhões. Isso é resultado de capacidade de gestão e condução política”, defendeu.
Casa abandonada no Centro de Vitória vai virar espaço de produtos da reforma agrária
Espaço da Casa Verde será utilizado pelo MST para vendas e realização de atividades culturais Ainda neste ano, uma casa histórica abandonada no Centro de Vitória ganhará vida com a inauguração do Espaço de Comercialização de Produtos da Reforma Agrária, uma iniciativa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A Casa Verde, como é popularmente conhecida, fica na rua Dionísio Rosendo, perto da Catedral Metropolitana, e passa por uma série de reformas, preservando seu aspecto histórico. A diretora do MST e representante do Estado no movimento nacional, Eliandra Rosa Fernandes, afirma que não se trata de um Armazém do Campo, empreendimento que já existe em outros estados, como Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, mas que, futuramente, pode vir a ser. “O Armazém do Campo tem uma complexidade maior, precisa de um capital grande para investimento”, explica. Eliandra ressalta ainda que no Armazém a amplitude é maior, pois produtos de vários estados são comercializados para clientes de todo o Brasil. O Espaço de Comercialização que será inaugurado no Centro não comercializará para clientes de outras unidades federativas e, embora esteja prevista a venda de produtos de cooperativas do sul do País, o foco principal serão os produtos fabricados nos assentamentos e acampamentos capixabas. Na Capital, as pessoas terão acesso a produtos alimentícios de todo o Estado. Do norte do Espírito Santo, mais precisamente de municípios como Pedro Canário, Conceição da Barra, Pinheiros e Montanha, ela destaca, por exemplo, farinha de mandioca, polvilho, pães e biscoitos. Do sul, melado de cana, açúcar mascavo e macarrão caseiro. Das cooperativas do sul do Brasil, suco de uva e arroz orgânicos. Foto: MST Tanto o suco quanto o arroz orgânicos do sul do Brasil já são comercializados por meio das cestas que o MST entrega na Grande Vitória quinzenalmente, por meio de delivery durante a pandemia do coronavírus, que contém também produtos dos agricultores capixabas. Segundo Eliandra, essa iniciativa permitiu maior acesso dos produtos da reforma agrária na região metropolitana, inclusive em meio à classe média. A diretora estadual do MST recorda que, antes, o Movimento realizava a Feira da Reforma Agrária anualmente, na Praça Costa Pereira, no Centro, e muitos questionavam como adquirir os produtos no decorrer do ano. “Como ofertar nossos produtos na Grande Vitória sempre foi um gargalo, agora, o Espaço de Comercialização vem agregar à oferta na Capital. Ter um espaço desse sempre foi o nosso sonho”, diz Eliandra. De acordo com ela, a inauguração na Casa Verde permitirá o acesso a uma diversidade de produtos que não é possível garantir por meio das entregas quinzenais. “Não se trata somente de geração de renda para os agricultores. A venda dos produtos dialoga com a luta pela terra, pela reforma agrária popular, pela preservação ambiental, plantio de árvores, agroecologia”, enumera. O Espaço também estará aberto aos movimentos sociais e culturais, com a realização de atividades como saraus de poesia e rodas de conversa. “Vai ampliar a relação campo e cidade, na perspectiva de um projeto popular no Espírito Santo”, comemora. Mais prédios abertos ao público Outros prédios históricos do Centro que estavam com suas portas fechadas estão sendo colocados a serviço da população. O prédio do antigo Hotel Majestic é um deles. A Associação Alef Bet já iniciou a reforma do espaço, onde serão realizadas diversas atividades culturais e oficinas para geração de emprego e renda. A entidade, que não tem fins lucrativos, recebeu o imóvel por meio de uma concessão do Estado, através da chamada pública nº 02/2019. “Estamos muito felizes de fazer parte desta entrega para a cidade de Vitória”, diz a gerente de projetos da associação, Vanessa Abreu de Souza. Prédio do antigo Hotel Majestic. Foto: Alef Bet A Alef Bet, informa Vanessa, é de identidade judaica. Funciona provisoriamente em uma sinagoga do Centro e foi criada em 2016. Entre as atividades desenvolvidas pela associação está o Chai Vida, iniciado durante a pandemia da Covid-19. Por meio desse projeto, são distribuídas refeições de segunda a quinta para idosos em vulnerabilidade social cadastrados na entidade. Esse público também participa de rodas de conversas todas as terças e de oficinas de inclusão digital às quintas. O projeto de distribuição de refeições será um dos primeiros a ser colocado em prática no antigo Majestic, que se chamará Casa Ayalon, palavra que em hebraico significa “abrigar a muitos”. A comida será preparada na Cozinha Escola, que funcionará no primeiro andar, espaço que está sendo reformado pela Fundação Banco do Brasil e pela Alef Bet. Ambos também são responsáveis pelos projetos arquitetônicos. As reformas dos outros três andares dependem do fechamento de novas parcerias por parte da associação. Projeção da Casa Ayalon. Imagem: Alef Bet Na Cozinha Escola, cuja previsão é de funcionar já este ano, serão realizadas ainda oficinas de culinária. No segundo andar, a associação tem como plano realizar as oficinas socioprodutivas, que já oferece, como as de artesanato, crochê e cachos afro. No terceiro, o objetivo é fazer um núcleo artístico e pedagógico, com espaços como biblioteca e sala de informática. O último andar será destinado para as oficinas de música, que são ofertadas para crianças e adolescentes. “Será um prédio multifuncional, com muitas oficinas e projetos”, diz Vanessa. Ela explica que uma das missões da Alef Bet é a tsedaka, que em hebraico significa justiça social. “Por meio desse trabalho, queremos transformar vidas, tanto as de quem se voluntaria nos projetos, de quem oferece, quanto as de quem recebe”, ressalta. Melpômene Vermelho De Hotel imperial para “Triplex do Lula” e, futuramente, Melpômene Vermelho. O prédio que fica em frente à Praça Costa Pereira e ficou abandonado durante muitos anos, tornou-se ponto de encontro da esquerda e espaço para realização de atividades culturais. No local já aconteceram iniciativas como cine clubes e clube do vinil. Foto: Divulgação A ideia, como aponta o integrante do conselho gestor do espaço, Perly Cipriano, é estruturar o prédio e denominá-lo de Melpômene Vermelho, em homenagem ao extinto teatro Melpômene, localizado no Centro de Vitória e demolido em 1925. “Queremos fazer dele um centro cultural e de articulação dos movimentos sociais.
Estudo internacional investiga morte de manguezal no Piraquê-Mirim
Área atingida em 2016 por evento climático causa perda de US$ 792 mil/ano, sem contar o carbono não sequestrado Por que o manguezal do Piraquê-Mirim, em Aracruz, norte do Estado, ainda não se recuperou da mortalidade ocorrida em junho de 2016? Quantos serviços ecossistêmicos são perdidos desde então? Quanto carbono deixa de ser sequestrado da atmosfera enquanto o manguezal definha? Como recuperá-lo? PELD-HCES O mistério e o desafio intrigam pesquisadores de instituições capixabas, brasileiras e estrangeiras, que investigam as causas e impactos da morte de aproximadamente 500 hectares de vegetação – quase um terço de sua área total, de 1,7 mil hectares –, ocorrida após uma chuva de granizo em junho de 2016, no auge da maior seca que abateu o Espírito Santo desde 1950. Na época, o desastre atingiu os manguezais dos rios Piraquê-Açú e Piraquê-Mirim – protegidos pela Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Municipal dos Rios Piraquê-Açu e Piraquê-Mirim –, sendo que o primeiro está se recuperando, mas o segundo continua em acelerada degradação. Os dois rios se juntam na altura da Terra Indígena Tupinikim e Guarani, para formar o Rio Piraquê, que percorre mais quatro quilômetro até desaguar na praia de Santa Cruz, imprimindo uma das paisagens naturais mais belas do litoral norte capixaba, berçário de grande biodiversidade, que se destaca no contexto de todo o Atlântico Sul. Por que um manguezal se recupera e o outro não? Como reverter esse processo? São perguntas ainda sem resposta. O que os pesquisadores já descobriram é que os manguezais do Piraquê estão entre os maiores do Brasil em sequestro de carbono; que nos primeiros dois anos após o desastre, mais de 20% do carbono estocado no local foram perdidos; e que as perdas em serviços ecossistêmicos, decorrentes da morte prolongada, estão em US$ 792 mil anuais, sem contar os prejuízos com o carbono não sequestrado da atmosfera. Os resultados obtidos até o momento foram divulgados em um artigo científico publicado no Journal of Environmental Management com o título “Perdas de carbono do ecossistema após mortalidade de manguezais induzida pelo clima no Brasil”, nessa terça-feira (27), na semana em que se comemora o Dia Mundial dos Manguezais, 26 de julho. O estudo é fruto da Rede Peld-Hcess – Pesquisa Ecológica de Longa Duração-Habitats Costeiros do Espírito Santo, integrada pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Universidade Federal Fluminense (UFF), Southern Cross University da Austrália, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/Usp) e Oregon State University dos Estados Unidos. Os recursos são do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Espírito Santo (Fapes) e da National Geographic Society. PELD-HCES Campeão em estocagem de carbono Um dos autores do artigo, o biólogo Luiz Eduardo Gomes é doutorando em Ciências Biológicas na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), sob orientação do professor-doutor Ângelo Bernardino. Ele explica que a estimativa do prejuízo financeiro considerou apenas os recursos ecossistêmicos relacionados às populações locais, especialmente as aldeias indígenas de Santa Cruz, entre eles: recursos pesqueiros, regulação climática, matéria-prima para artesanato e artefatos manuais e berçário da fauna aquática. Agora, conta, o grupo se dedica a estudar com mais profundidade as perdas em estoque de carbono. “Queremos entender o processo de perda desse carbono estocado, quanto está sendo perdido e quanto está sendo recuperado ao longo dos anos”. Foto: PELD-HCES Luiz explica que o manguezal é a floresta que mais estoca carbono. “Toda árvore estoca carbono devido à fotossíntese, onde absorve gás carbônico e libera oxigênio. No manguezal também, mas a chave do ouro do manguezal está no solo, que estoca entre 70% e 90% do carbono, incluindo o que vem pelos rios e pelo mar. Esse carbono fica enterrado no solo e preso na estrutura da floresta. Se compararmos duas áreas de mesmo tamanho, o manguezal consegue estucar duas vezes mais carbono do que a Amazônia. E, se comparado com biomas mais secos, como Caatinga ou Cerrado, a capacidade é dez vezes maior”. Bandeira de conservação e recuperação O serviço ambiental de sequestro de carbono, expõe o cientista, pode servir como uma bandeira, um atrativo para estimular a recuperação do manguezal e, consequentemente, restaurar todos os demais importantes serviços ambientais que ele realiza, bem como os aspectos culturais e estilos de vida das populações humanas que convivem com esse ecossistema. Ao mesmo tempo, a continuação das pesquisas pode abrir caminhos para encontrar as causas do problema e as possibilidades de restauração. “Já sabemos que os primeiros 30 centímetros do solo são os mais fragilizados. Continuando os estudos, vamos poder entender outros processos, até ter dados mais robustos, aplicáveis na recuperação do manguezal”. Luiz conta que o grupo fez algumas pequenas experimentações de reflorestamento da área afetada, buscando entender o que acontece na área, mas, sem verba específica para a ação, não obteve sucesso. O fato da morte ter sido provocada por um evento climático raro – chuva de granizo sobre manguezal e durante um período longo de seca –, salienta, é a principal fonte de dificuldade para entender o processo de restaurar o ambiente. “Além do nosso, há somente um outro estudo sobre morte de manguezal por seca, feito na Austrália”. Preconceito A escassez de estudos científicos reflete uma discriminação intensa que esse ecossistema ainda sofre. A tragédia ocorrida em Santa Cruz, afirma Luiz, certamente acontece em todos os continentes, sem quaisquer estudos sobre suas causas, consequências e soluções possíveis. “Ainda é uma floresta negligenciada. O manguezal sofre preconceito por causa do cheiro, da lama. É impactado historicamente por esgoto e construções urbanas irregulares. Passa por todos esses problemas, mas é fundamental para a nossa vida e para a biodiversidade. Um quinto da economia nacional vem do mar e mais de 70% da vida no mar interage com o manguezal”, elenca, destacando ainda os serviços de proteção da linha de maré. “Áreas costeiras sem manguezais sofrem erosão muito maior”, acrescenta. Business da conservação No Brasil, apesar de toda a degradação, ainda há cerca de 940 mil hectares de manguezais ao longo da costa. O potencial de geração de renda a partir da proteção e recuperação, portanto, é gigantesco. Por enquanto,
Feira com sabor de saúde e dignidade para o campo e a cidade
Na Praça do Papa, Sabores da Terra aproxima consumidores e agricultores familiares. Entrada é gratuita, até domingo Inaugurada nessa quinta-feira (29), a Feira Sabores da Terra 2021 segue até domingo na Praça do Papa, em Vitória, apresentando uma diversidade incrível de produtos da agricultura familiar, bem como da Economia Solidária e do artesanato capixaba. Renata Belmiro A entrada é gratuita e os cuidados com distanciamento social, controle de entrada e saída de pessoas, ventilação e higienização com água e sabão e com álcool 70% buscam garantir, nos 3,5 mil metros quadrados do evento, um ambiente seguro para a aproximação entre as famílias consumidoras e as famílias agricultoras, que produzem saúde, vida, cultura e dignidade no campo e na cidade. A Federação dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares do Espírito Santo (Fetaes) destaca a importância do evento, que este ano conta com 232 famílias e mais de 600 agricultores participantes. Queijos, vinhos, cafés, biscoitos, pães, flores, artesanatos…”Todas as delícias que a agricultura familiar produz estão de alguma forma expostas na Feira Sabores da Terra”, celebra o presidente da Fetaes, Julio Cezar Mendel. Renata Belmiro Julio ressalta que, para além da comercialização dos produtos, a Feira promove a troca de informações, saberes e desejos entre produtores e consumidores, essencial para fortalecer a venda direta e as feiras regulares que acontecem semanalmente nos bairros, o que é fundamental para fortalecer a relação campo-cidade e uma maior justiça social e econômica para todos. “A grande diferença do supermercado para uma feira é que no supermercado você só conhece a origem do produto pelo rótulo, enquanto aqui você conhece diretamente o produtor. E o agricultor familiar não produz só alimentos, ele também gera empregos e renda. Hoje, apesar de ocupar um terço da área agricultável do Estado, a agricultura familiar responde por 80% da mão de obra empregada. Ou seja, produz muito com pouca terra. Isso nos leva a afirmar que a distribuição de terra no país ainda é muito injusta. Quem produz muito tem pouca terra e quem produz pouco são os maiores detentores de terra”, expõe o presidente da Fetaes. Débora Pedroza O fortalecimento da agricultura familiar, ressalta, é benéfico para toda a sociedade. “A gente sabe que quem produz alimento de qualidade, saudável, é a agricultura familiar. Quem produz com muito agrotóxico, não consome os seus próprios produtos! Na hora de se alimentar, procura o alimento orgânico, o alimento da agricultura familiar”, compara. E esse fortalecimento, salienta, passa também por políticas públicas relacionadas à assistência técnica gratuita para todos, principalmente especializada em Agroecologia, além de crédito facilitado e programas de aquisição de alimentos por parte dos governos, como alimentação escolar (PNAE), PAA e CDA. “O governo do Estado anunciou recentemente essa compra de R$ 35 milhões e, com certeza, isso fortalece a agricultura familiar, além de movimentar a economia dos municípios, mas obviamente nossa luta é para que se amplie os valores desses programas e a oferta de assistência técnica. Tudo o que você potencializa na agricultura familiar, significa desenvolvimento pra todo o Estado”, avalia. Renata Belmiro Organização A Feira Sabores da Terra é organizada por Ademir Dadalto e conta com apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Agência de Desenvolvimento de Micro e Pequenas Empresas do Espírito Santo (Aderes) e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Serviço O evento tem entrada gratuita e acontece até domingo (1), com os seguintes horários: sexta-feira até às 22h; sábado de 10h às 22h; e domingo de 10h às 18h.
Venda de sentença: juízes interferem em investigação e têm prisão decretada
Carlos Alexandre Gutmann e Alexandre Farina são acusados, também, de destruição de provas. Eles ficarão presos no Quartel da PM Redes sociais/Ales Quinze dias depois de serem afastados das funções, os juízes acusados de venda de sentença, Alexandre Farina Lopes e Carlos Alexandre Gutmann, tiveram as prisões preventivas decretadas no final da tarde desta quinta-feira (29) pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES). Em votação por unanimidade, os desembargadores aprovaram o voto da relatora, Elisabeth Lordes, após pedido do Ministério Público Estadual (MPES). A mesma decisão atinge Davi Gama e o empresário Eudes Cecato, envolvidos nas investigações da Operação Alma Viva. O plenário da Corte decidiu que os magistrados ficarão presos em sala especial no Quartel da Polícia Militar, em Maruípe, Vitória. Já Davi Gama e Eudes Cecato serão encaminhados para o sistema prisional. O advogado de defesa de Alexandre Farina, Rafael Lima, pediu que o juiz ficasse em prisão domiciliar, justificando essa medida por ele ter sido submetido a uma cirurgia recentemente. O pleito, porém, foi negado. Os mandados de prisão seriam expedidos de imediato, já estando tudo preparado para o seu cumprimento, segundo a procuradora-geral de Justiça, Luciana Andrade, que apresentou provas de interferência dos acusados nas investigações, que envolvem seis pessoas, inclusive o ex-policial civil Hilário Fiorot Frasson, preso acusado de ser o mandante do assassinato de sua ex-esposa, a médica Milena Gotardi, em 2017, mesma época em que ocorreram os fatos narrados no processo. Na sustentação oral que fez ao pedir a prisão preventiva, a procuradora-geral de Justiça apontou crimes de corrupção ativa e passiva praticados pelos dois magistrados em conluio com os demais denunciados. “Ficou constatada a interferência dos investigados na produção da prova, notadamente em razão de ligações telefônicas realizadas após o protocolo dos pedidos ministeriais e no próprio dia do deferimento das medidas, assim como a interferência junto a testemunhas”, evidenciou Luciana Andrade. Segundo a procuradora, apesar das determinações de afastamento dos juízes dos cargos que ocupavam, de manter uma distância de pelo menos 500 metros do Fórum da Serra, comarca em que atuam, e de não ter contato com assessores e demais servidores do Judiciário, Gutmann e Farina “mantiveram um cenário de contínua interferência na produção de provas pelos investigados”; “Farina e Eudes Cecato se encontraram em São Paulo”; “houve uma intensa comunicação telefônica entre Davi Ferreira e o magistrado Gutmann; e foi registrado “histórico de busca na internet para informações a respeito de transferência e como apagar dados de aparelhos celulares”. A desembargadora Elisabeth Lordes reforçou os fatos que comprovam a destruição de provas pelos acusados, troca de aparelhos celulares e outras comprovações da materialidade dos crimes. Os magistrados teriam participado de um esquema de venda de sentenças, no qual são citados também o empresário Valmir Pandolfi e os advogados Luiz Alberto Lima, Marcus Modenesi Vicente e Alecio Jocimar Favaro. As negociações teriam ocorrido ao longo do mês de fevereiro de 2017, e a sentença foi proferida no dia 3 de março seguinte. As investigações do Ministério Público indicam que Alexandre Farina negociou o recebimento de dinheiro com a intermediação de Hilário e de Davi Gama, que, à época, era funcionário da Associação dos Magistrados do Espírito Santo (Amages). Mantinham entendimento com o empresário Eudes Cecato e com os advogados citados no caso. O grupo é investigado pelas supostas práticas dos crimes previstos nos artigos 317 – crime de corrupção passiva, praticado por servidor público -; 333 – oferecer vantagem indevida a um funcionário público, em troca de algum tipo de favor ou beneficio -; e 357- exploração de prestígio, crime contra a administração da justiça praticado por ato de pedir ou receber, dinheiro ou qualquer outro tipo de beneficio, sob o argumento de exercer influência sobre servidores e autoridades do poder judiciário. Todas constantes do Código Penal Brasileiro. O processo que resultou no afastamento dos dois juízes foi deflagrado, no âmbito do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), em 2 de junho deste ano, por determinação da corregedora nacional de Justiça, Maria Thereza de Assis Moura, após o órgão capixaba ter arquivado o caso. Investigação a juízes afastados envolve outras figuras de destaque no Estado – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/justica/investigacao-a-juizes-afastados-envolveoutras-figuras-de-destaque-no-estado Juiz afastado já foi inocentado de acusações em outro escândalo – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/justica/juiz-afastado-ja-foi-inocentado-deacusacoes-em-outro-escandalo OAB diz que acompanha envolvimento de advogados no caso de juízes afastados – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/justica/oab-diz-que-acompanha-envolvimento-deadvogados-no-caso-de-juizes-afastados
’Sola de sapato’
Assim como outras peças da disputa de 2022, Casagrande aperta o passo e amplia visitas a municípios capixabas Rodrigo Araújo/Secom Com as peças da disputa de 2022 já em campo na Grande Vitória e interior do Espírito Santo, para marcar território eleitoral, o governador Renato Casagrande (PSB) também aperta cada vez mais o passo do seu projeto de reeleição, em agendas oficiais e inaugurações de obras. O ritmo é intenso e envolve desde anúncios de pacotes vultosos de investimentos, como feito nesta semana nas áreas de agricultura, esportes e projetos estratégicos, a eventos de inauguração de quadras poliesportivas, centros de referência, escolas, rodovias e fábricas – etc., etc. e etc. -, sempre acompanhado de parlamentares que também já estão em movimentação para garantir suas cadeiras no próximo ano. Em poucos dias, sem contar a região metropolitana, Casagrande marcou presença em Rio Novo do Sul, Santa Teresa, Marechal Floriano, Pedro Canário, Pinheiros, Boa Esperança…Nos finais de semana a lista aumenta, a agenda também. Além de obras, algumas esperadas há muitos anos, as visitas têm os tradicionais apertos de mão e conversas com lideranças e moradores. Depois de virar vidraça de alguns setores, incluindo parte do empresariado, em decorrência das medidas restritivas adotadas na pandemia do coronavírus, o governador já entrou na fase de reduzir possíveis danos políticos, com a exposição de ações de sua gestão, numa pauta positiva. Dono da cadeira e da máquina, é o alvo a ser batido, em uma eleição ainda sob efeito “pandêmico”, cenário ainda não testado num pleito majoritário. Daqui até 2022, mais do que nunca, é muita estratégia e sola de sapato! TabuleiroMovimentos no interior do Estado, como já dito aqui na coluna, também são feitos pelas lideranças que, por enquanto, têm se mostrado mais ao eleitorado: o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (Republicanos), o ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos (Rede), e o ex-deputado federal Carlos Manato (sem partido). ‘Tá que tá’No caso de Erick, o deputado criou um projeto de diálogo com vereadores, lideranças, empresários, igreja…e têm circulado pelo Estado, divulgando os slogans “um novo tempo” e “o ES pode mais”. Diz ele que passará pelos 78 municípios capixabas. Só o começoJá Audifax pegou recentemente a estrada, com o mesmo objetivo. Esta semana o foco foi Cachoeiro de Itapemirim, sul do Estado, com programação extensa. Já passou por outras cidades e, sem dúvida, não para mais. OposiçãoA propósito, no município administrado pelo aliado de Casagrande, Victor Coelho (PSB), reeleito em 2020, quem apareceu ao lado de Audifax foi o candidato da oposição, Diego Libardi (DEM). Apadrinhado do deputado estadual Theodorico Ferraço (DEM), ele foi o principal adversário de Victor, mas não obteve êxito na empreitada. O prefeito foi reeleito com mais de 50% dos votos. Não mudouO terceiro nome, Manato, que concorreu em 2018 contra Casagrande, na condição de candidato do presidente Jair Bolsonaro, faz a jogada de reunir os insatisfeitos e a oposição contra o governador. Usa, para isso, as redes sociais, agendas ao lado da mulher, a deputada federal Soraya Manato (PSL), e reuniões com integrantes da ala bolsonarista capixaba. A estratégia de Manato, ao contrário dos demais, é a mesma tem tempo. VitrineVoltando aos eventos de Casagrande, desde que o mundo é mundo, a Secretaria de Esportes entra forte no circuito das inaugurações, tanto que já fez vários quadros políticos e também serviu de trampolim para veteranos conhecidos do mercado. O nome da vez é Júnior Abreu, filiado ao PDT, mas considerado quadro técnico. Lá na frente, quem sabe? A conferir! PagouA concessão pelo governo de Alagoas da recomposição inflacionária de 4,75% aos servidores públicos é mais um reforço na cobrança feita no Estado a Casagrande. O índice considera o acumulado do ano passado e expõe interpretação diferente da feita por aqui em relação à lei federal de socorro aos municípios. Não pagouA informação é do Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos do Espírito Santo (Sindipúblicos), que na última semana protocolou mais um ofício à gestão estadual, para que seja feita a revisão, que destaca ser uma garantia constitucional. O total das perdas salarias, só no atual governo de Casagrande, soma 12,85%, das 50,88% acumuladas desde 2013. Nas redes“É prataaaaaa! Rebeca Andrade, mulher jovem, negra e periférica conquistou a primeira medalha olímpica da ginástica feminina para o Brasil. Ela brilhou com seu “Baile de favela” e emocionou o país. Obrigada, Rebeca!”. Vereadora de Vitória Camila Valadão, do Psol. FALE COM A COLUNA: Audifax na estrada Sem mandato e cotado para a disputa de 2022, Audifax sai das redes sociais e começa a rodar o Estado https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/audifax-na-estrada As andanças de Erick Presidente da Assembleia amplia movimentações no Estado e indica voos mais altos para 2022 https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/as-andancas-de-erick Nas internas Embora com movimentos públicos discretos, Guerino Zanon também coloca gás nas amarrações para o governo em 2022 https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/nas-internas-1-1