Manifestação é resposta à notificação da prefeitura para retirada de faixas contra Bolsonaro de fachada de prédio Movimentos sociais do Estado realizam, neste sábado (31), um “faixaço” em protesto à notificação da Prefeitura Municipal de Vitória (PMV), que determinou que faixas escrito “Fora, Bolsonaro!”, colocadas na fachada do antigo Hotel Imperial, no Centro de Vitória, fossem retiradas, sob multa de R$ 92 mil à proprietária do imóvel, no caso de descumprimento. A manifestação será na Praça Costa Pereira, em frente ao prédio, a partir das 10h. Foto: Divulgação Além de faixas na Praça Costa Pereira, os manifestantes também as colocarão nas janelas do antigo Hotel Imperial, conhecido popularmente como “Triplex do Lula”. Sandra Oliveira, integrante do AfroKizomba, um dos movimentos que estão na organização do protesto, explica que “a ideia é denunciar a perseguição política que o prédio sofre há tempos, por ser espaço de manifestações políticas e culturais”. “Se reclamarem de uma faixa, colocaremos 10. Se reclamarem de 10, colocaremos 100”, diz Sandra. De acordo com ela, o argumento da gestão de Lorenzo Pazolini (Republicanos) para a notificação foi a “necessidade de preservação do patrimônio histórico”, mas os movimentos sociais contestam. Sandra explica que o antigo Hotel Imperial ainda não é tombado. Destaca, ainda, que não existe uma política de preservação dos prédios históricos do bairro. Atentado à liberdade de expressão A atitude da gestão municipal, para o integrante do conselho gestor do “Triplex”, Perly Cipriano, é um atentado à liberdade de expressão. “É uma visão autoritária, que não leva em consideração que por toda a cidade existem faixas de tudo quanto é tipo, mas notificam somente a gente, como forma de silenciar os movimentos sociais”, ressalta. Segundo Perly, o prédio tornou-se um ponto de encontro da esquerda e espaço para realização de atividades culturais. Ele destaca que “a perseguição passa de prefeito para prefeito”, recordando que, em 2019, a gestão do então prefeito, Luciano Rezende (Cidadania), impediu a realização do Festival Lula Livre na Praça Costa Pereira. Festival Lula Livre. Foto: Divulgação Na ocasião, lembra Perly, “foi enviado ofício em tempo hábil para a prefeitura”, mas, ainda assim, no dia do evento, não foi autorizada a montagem do palco e os banheiros químicos foram apreendidos. A solução, relata, foi realizar as apresentações musicais na sacada do antigo Hotel Imperial, que daí em diante virou palco de atividades como cine clubes e clube do vinil. A ideia, como aponta Perly, é estruturar o espaço e denominá-lo de Melpômene Vermelho, em homenagem ao extinto teatro Melpômene, localizado no Centro de Vitória e demolido em 1925. “Queremos fazer dele um centro cultural e de articulação dos movimentos sociais. Vai valorizar o Centro de Vitória, dar espaço e voz para os movimentos”, afirma. Um dos projetos a serem desenvolvidos no prédio é o de uma biblioteca comunitária. Prefeitura ordena retirada de faixas ‘Fora, Bolsonaro’ de fachada do ‘Triplex’ Perly Cipriano afirma que atitude da gestão de Lorenzo Pazolini https://www.seculodiario.com.br/politica/prefeitura-de-vitoria-ordena-retirada-de-faixas-fora-bolsonaro-de-fachada-do-triplex
’A esperança em Bolsonaro morreu’, diz porta-voz dos caminhoneiros autônomos
Cláudio Oliveira critica a política de preços da Petrobras e aponta falhas na greve dos caminhoneiros Leonardo Sá Dois dias depois do anúncio de uma greve que prometia paralisar o país, que foi desarticulada ainda no nascedouro nessa quarta-feira (28), o diretor do Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC), Cláudio da Costa Oliveira, um dos porta-vozes dos caminhoneiros autônomos, afirmou nesta quinta-feira que a categoria não irá apoiar a campanha do presidente Jair Bolsonaro à reeleição e enfatizou: “A esperança morreu, pois o governo quer mesmo acabar com o caminhoneiro”. Uma das mais fortes bases de apoio de Jair Bolsonaro, os caminhoneiros não acreditam mais que o governo vá fazer alguma coisa para equilibrar os preços dos combustíveis, do gás de cozinha e da tabela de frete, segundo Cláudio, também engenheiro aposentado da Petrobras e crítico da política de preços praticada pelo governo, que reside em Guarapari. Para ele, essa situação vem desde o governo Dilma, com o leilão do poço de Libras na bacia de Santos, agravada com a manutenção da política de preços de paridade internacional, que faz com que os preços praticados pela Petrobras dependam dos preços do óleo, dos derivados e da taxa de câmbio. “Os caminhoneiros não vão apoiar Bolsonaro nem vão apoiar o PT”, afirma, apontando a tendência para as eleições de 2022. Questionado sobre o que mudou desde a greve deflagrada em 2018, que ajudou a eleição de Bolsonaro, ele explica que, naquela época, houve o apoio dos empresários de transporte, que hoje furaram a greve. Admite que há um sentimento de perda na categoria, que não espera mais nada do atual governo. “A decepção é total, agora acabou, o caminhoneiro não vai mais apoiar Bolsonaro; não acredita que ela vá fazer coisa nenhuma”, comenta. Ele afirma que “tem gente que se diz representante do caminhoneiro que está lá para bater palma para o governo, que está lá junto com o ministro Tarcísio [Gomes de Freitas, engenheiro militar e ministro de Infraestrutura] e eles ganham dinheiro com isso”. O caminhoneiro autônomo está cansado disso, afirma, apontando para o descaso dos responsáveis pela política de preços e os desdobramentos na sociedade. “O ministro sabe disso, eles sabem disso, e não estão nem aí, pois colocam o gás a R$ 100 reais. Quem bota o gás a R$ 100 é porque não respeita o povo, não quer saber. Que se dane o caminhoneiro também. Só que ele ficou muito tempo na esperança. Mudou o presidente da Petrobras e o que mudou? Mudou nada e agora estão vendendo tudo”. Refere-se ao desmonte da Petrobras para favorecer grandes corporações multinacionais, principalmente a Shell e a Esso. “Acabaram de vender a Gaspetro, para a Shell também, que está tomando conta de tudo. Esse ministro Tarcísio é garoto propaganda da Shell. Não tem ninguém para defender o Brasil”, desabafa. O engenheiro ressalta que a “Petrobras está enchendo o caixa porque não paga participação especial nem Imposto de Renda nenhum. A empresa alcançou um nível de produtividade que é o maior do mundo, mas passa tudo para seus acionistas e não para o povo brasileiro”. Cláudio citou como exemplo um poço de petróleo descoberto pela Petrobras na década de 70, que foi nacionalizado, e a retomada das refinarias da Petrobras na Bolívia no governo do então presidente Evo Morales. Opinião Em artigo publicado no jornal da Associação doe Engenheiros da Petrobras, Cláudio Oliveira afirma: “Ontem [27/7] a Petrobras anunciou a venda da Gaspetro para a Compass Gás e Energia S.A. Como a Compass pertence à Cosan, significa que quem realmente está comprando é a Royal Dutch Shell, que, ao que tudo indica, logo estará ocupando todos os espaços que um dia foram da Petróleo Brasileiro S.A. – Petrobras, em território nacional”. E destaca: “Os caminhoneiros autônomos foram um dos principais apoios recebidos por Jair Bolsonaro para sua eleição. Bolsonaro sabia disto e, durante a campanha, prometeu atender suas principais reivindicações. Disse também que a política de preços da Petrobras, Preço de Paridade de Importação- PPI, era um absurdo e seria modificada. Assumiu o poder e nada fez”.
Aprovados no concurso do magistério de Viana reivindicam convocação
Grupo denuncia que mesmo tendo grande número de DTs, o município não tem feito convocações Aprovados no concurso do magistério de Viana questionam o fato de o município ter um elevado número de professores em Designação Temporária (DTs), mas, apesar disso, não convocar os aprovados no certame, que foi realizado em 2019, regido pelo edital 001/2018. “Reivindicamos nosso direito. Se passamos, e a vaga existe, queremos ocupar a vaga”, aponta o grupo, que pretende criar uma comissão para fortalecer a reivindicação. Eles recordam que a inscrição do concurso, realizado pelo Consulpam Instituto, custou R$ 100,00. “Além de termos estudado muito, tivemos que pagar um valor alto para poder fazer a prova. No concurso da Serra, por exemplo, o valor foi R$ 70,00, em Vila Velha, R$ 45,00. O de Viana foi o mais alto. Nada mais justo do que sermos chamados. Até o momento, fizeram somente duas convocações”, destacam os aprovados. Ao todo, de acordo com o edital, foram abertas 126 vagas para ampla concorrência, nove para pessoas com deficiência e 31 para negros. A diretora do Sindicato dos Trabalhadores da Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes), Gleicy Blank, informa que, no último dia 22, a entidade se reuniu com o prefeito de Viana, Wanderson Bueno (Podemos), para tratar do assunto. Ela afirma que o sindicato reivindicou a convocação dos aprovados e obteve por parte do gestor a informação de que haverá convocação em agosto, mas não foi especificada a quantidade de trabalhadores. “As pessoas fizeram o concurso, têm o direito de serem chamadas e, também, de reivindicar isso”, defende. Gleicy acredita que a grande quantidade de DTs gera prejuízos para a educação municipal, pois proporciona troca constate de profissionais, “atrapalhando o andamento da escola e promovendo a descontinuidade do processo pedagógico”. Entretanto, está otimista quanto ao aumento de efetivos, já que “a gestão municipal tem se mostrado aberta ao diálogo”.
Cursinho popular abre inscrições para aulas gratuitas de reforço escolar
Alunos do 8º e 9º anos, além do primeiro do Ensino Médio, terão aulas virtuais de todas as disciplinas Alunos do oitavo e nono ano podem se inscrever nas aulas de reforço escolar oferecidas gratuitamente pelo cursinho popular Atitude, que prepara estudantes para o processo seletivo do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes). A iniciativa surgiu, segundo o coordenador do cursinho, Wesley Ribeiro Santos, diante da solicitação das famílias, preocupadas com a possibilidade de os estudantes não terem bagagem para passar na seleção para ingressar no Ensino Médio, considerando as dificuldades de aprendizagem na pandemia. Segundo Wesley, serão oferecidas aulas online de todas disciplinas. Ele destaca que alunos do primeiro ano do Ensino Médio também podem se inscrever, já que muitos estão preocupados com a defasagem do Ensino Fundamental II, podendo prejudicá-los ao longo do Ensino Médio. A proposta é que as aulas aconteçam em dias de semana e, eventualmente, aos sábados. Além das disciplinas, haverá aula de formação política e cidadã, abordando temáticas como machismo e homofobia. Para o diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes), Paulo Loureiro, o aprofundamento das desigualdades em processos seletivos para ingresso no curso superior e em cursos técnicos dos institutos federais serão uma realidade diante da necessidade de virtualização das aulas. De acordo com ele, isso é fruto da “exclusão gigantesca de muitos alunos das escolas públicas, que ficaram sem acesso à internet e a equipamentos”, destaca. O problema começou a ser sanado nas escolas estaduais somente este ano, segundo Paulo, quando a gestão estadual concedeu aos estudantes equipamentos e o valor de R$ 70,00 para custeio de internet. Na maioria dos municípios, a realidade, de acordo com o diretor do Sindiupes, é bem diferente. Poucas cidades, a exemplo de Cariacica, na Grande Vitória, aprovaram na Câmara uma lei que garante esses mesmos benefícios aos estudantes. Em Vila Velha, a lei está em tramitação, como aponta. Entretanto, a falta de acesso à internet e equipamentos não é o único problema. Paulo afirma que a falta de uma estrutura familiar também é um empecilho, uma vez que muitos pais não dispõem de tempo para impor aos filhos a disciplina necessária para as aulas online, sejam elas 100% a distância ou no sistema híbrido, que também exige a utilização de plataformas virtuais. Somado a isso, há o fato de que muitos pais não têm grau de instrução suficiente para auxiliar com mais profundidade os estudantes, que precisam cada vez mais do acompanhamento das famílias em suas tarefas diárias. Embora ainda não se tenha dados, Paulo relata que é perceptível no dia a dia da escola, que outro problema causado pela falta de políticas que proporcionem o acesso às aulas online é a evasão escolar. “Os professores têm feito uma busca ativa. Ligam para as famílias para saber porque os alunos não estão participando das aulas online e até vão para a casa dos estudantes”, relata. As inscrições para o reforço escolar devem ser feitas pelo WhatsApp, nos números (27) 99784-047 e (27) 99841-5614.
Golpe, eleições e nazifascismo
Em meio ao cenário conturbado, a pergunta: chegaremos a 2022 em terreno propício às eleições? A um ano e três meses das eleições gerais, marcadas para outubro de 2022, o cenário político já começa a ser mostrado, no âmbito federal e também estadual, apesar dos limites estabelecidos pelas normas eleitorais, o que não impede articulações um tanto sigilosas e balões de ensaio em torno de candidaturas. A tentativa de reeleição do governador Renato Casagrande (PSB) e a do presidente Jair Bolsonaro, sem partido, entram no rol das certezas, mas, entre uma conversa e outra, fica no ar a pergunta de como o país caminhará em meio à gestão desastrosa de Bolsonaro, a pandemia da Covid-19, os supostos casos de corrupção no Ministério da Saúde e a sempre presente ameaça de golpe patrocinada por generais que não querem largar o osso. Por aqui, as especulações indicam nomes de diferentes matizes políticos, desde o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (Republicanos), o ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos (Rede) e o ex-deputado federal Carlos Manato (sem partido), que se mantém como concorrente, mas corre o risco de derreter, como consequência da queda de popularidade do seu “mito” que ocupa a Presidência da República. Outros nomes entram na relação, como mera especulação ou parte de estratégia para não perder os holofotes da mídia. A relação inclui ainda o ex-governador Paulo Hartung, que cisca no cenário local depois que afundou a candidatura de Luciano Huck, onde ele tinha lugar de destaque. Nos bastidores, algumas vozes mais chegadas comentam que ele entraria na disputa ao Anchieta ou seria um dos nomes da chamada terceira via, a invenção da direita arrependida de ter ajudado a eleger Bolsonaro, até agora sem um nome definido para 2022 e só uma certeza: impedir o ex-presidente Lula de entrar na disputa. Nesse cenário conturbado, com a CPI da Covid no encalço de Bolsonaro, surge a pergunta: chegaremos em 2022 pisando em terreno propício às eleições? As respostas ficam no ar, ainda mais denso por conta de frequentes declarações golpistas vindas da área oficial do governo, que se mostra a cada dia como importante núcleo mundial da extrema direita, encarregado de manter acesa a chama do nazifascismo na América do Sul. Essa demonstração recebeu reforço na semana passada, quando Bolsonaro se reuniu com a deputada alemã de ultradireita Beatrix von Storch, neta de Lutz Graf Schwerin von Krosigk, ministro das Finanças de Adolf Hitler na Alemanha nazista, envolvida em incitação ao ódio contra muçulmanos. Dessa forma, ele traz ao público a sua ligação e de seus desastrados filhos ao movimento nazifascista mundial e desnuda a hipocrisia desse apego a Israel que encanta o público de igrejas evangélicas, uma das bases eleitorais mais robustas do atual governo. O encontro de Bolsonaro com a deputada da ultradireita europeia gerou comoção e repúdio de diversas entidades judaicas, por conta do assassinato em campos de concentração mantidos por Hitler na Segunda Guerra Mundial, de mais de seis milhões de judeus. Também serve para explicar a visão racista e cruel do presidente relacionada aos povos indígenas, aos pretos e homossexuais. Uma gestão que leva o país a atravessar uma das piores fases de sua história, iniciada no golpe de 2016 promovido para nos tomar o pré-sal, entregue às corporações transnacionais Esso, Shell e Chevron em operações finalizadas neste ano, sob a batuta de um presidente intolerante, racista, homofóbico, misógino, violento, genocida e incompetente, só para ficar em poucos adjetivos. Em meio a esse desastre, sopram ares de esperança gerados nas manifestações em defesa da democracia, para reforçar a urgência de apear Bolsonaro do poder, e que levaram às ruas o colorido do vermelho, símbolo das lutas populares, e do verde e amarelo da bandeira brasileira, cujas cores foram sequestradas pela direita desde o golpe que resultou na deposição da presidenta Dilma Rousseff.
Agricultores exigem respeito diante de postagem do governo federal
Foto com espingarda foi retirada das redes sociais da Secom após repúdio de homens e mulheres do campo “O símbolo do agricultor e da agricultora familiar é a enxada”. A frase sintetiza o sentimento de repúdio, manifestado nesta quarta-feira (28) por homens e mulheres do campo no Espírito Santo e no Brasil, diante de uma postagem da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República em alusão ao Dia do Agricultor, comemorado anualmente em 28 de julho. O motivo foi a publicação de uma foto com a silhueta de um homem com chapéu e espingarda apoiada no ombro, acompanhada dos dizeres referentes à data comemorativa e da logomarca da secretaria. Reprodução Em nota de repúdio, a Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag) exigiu “reconhecimento e respeito” por parte do governo federal. Ressaltando que representa “15 milhões de trabalhadores rurais, agricultores e agricultoras familiares que contribuem com a soberania e segurança alimentar e nutricional da população, produzindo 70% dos alimentos que chegam diariamente à mesa da população brasileira, saudáveis e produzidos de forma sustentável, com mais sabor, potencial nutritivo e preservando os hábitos alimentares locais, o meio ambiente e a cultura local”, a Contag afirma que “a melhor homenagem que os agricultores e agricultoras familiares esperam é reconhecimento ao seu importante papel na produção de alimentos e no desenvolvimento do País”. A Confederação acentua: “ao invés disso, recebemos do governo federal uma ‘homenagem’ totalmente desrespeitosa, com a imagem de uma pessoa no campo segurando uma espingarda. Exigimos respeito!”. A entidade reafirma seu repúdio e indignação, homenageando os trabalhadores e trabalhadoras do campo, que “trabalham debaixo de chuva e de sol, no frio e no calor, de domingo a domingo, com pandemia e sem pandemia, semeando, cultivando e colhendo com amor e dedicação os alimentos que geram vida, saúde, renda e desenvolvimento em todo o País”. No Espírito Santo, agricultoras de Santa Maria de Jetibá, na região serrana, concordaram com a posição da Confederação Nacional. “Arma não coloca alimentos na mesa dos brasileiros. O símbolo do agricultor é a enxada, para poder plantar e colher”, declarou Selene Hammner Tesch, liderança da agricultura orgânica capixaba. “Eu já li muito a Bíblia, fui orientadora na igreja, e não vi em nenhum lugar que a morte traz solução para alguém. Quem pensa diferente está na ilusão. Deus mostrará o caminho”, complementou. As espingardas, que eventualmente algumas famílias possuem, são usadas para abater animais, como porcos e bois, “não é pra atirar em ninguém”, afirma. A postagem da Secom, ratifica, “é um desrespeito”. Diretora do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e Agricultores Familiares de Santa Maria de Jetibá, a agricultora Lucineia Laurett faz coro com Selene. “Não tem como aceitar uma imagem dessa, porque os agricultores familiares, que produzem a comida de verdade pro Brasil, não utilizam de armas pra alimentar o Brasil; isso não é verídico”, assevera. No final da tarde, a Secom retirou a foto original do ar e a substituição pela imagem de um campo aparentemente de monocultivo, com a chamada “O governo federal trabalha para que os agricultores possam trabalhar em paz” e gráficos sobre invasões de terra, indicando redução drástica dos números durante a gestão de Jair Bolsonaro. Reprodução A troca de ‘homenagem” continuou distante da realidade do agricultor familiar, já que as ocupações (chamadas de invasão pelo governo federal) de terra, como reivindicação à reforma agrária contemplada na Constituição Federal, não atingem terras de agricultores familiares, e sim latifúndios improdutivos sob posse de empresários do agronegócio, que produz commodities com elevado uso de agrotóxicos, voltado para a exportação. “O novo post é de igual mau gosto, completamente descontextualizado e imbuído de preconceito, numa tentativa de criminalizar um movimento legítimo, além de ignorar tantos e tantos problemas que nossos agricultores enfrentam todos os dias. Infelizmente, a comemorar de fato, só a garra e a persistência dos nossos agricultores que tanto fazem, apesar de tantos pesares”, comentou o extensionista capixaba Luciano Fazolo.
Websérie indígena que será lançada no sábado apresenta cultura Guarani
São quatro episódios, todos com recursos de acessibilidade visual e auditiva No próximo sábado (31), às 19h, será lançada a websérie Reikwaapa-Saberes Guarani, uma produção audiovisual feita com moradores da aldeia Kwaagwy Porã, em Aracruz, norte do Estado. Serão quatro episódios em que, segundo Maynõ Guarani, os indígenas contam sua história, permitindo que os não índios possam conhecer sua filosofia de vida. O lançamento será às 19h, no canal Reikwaapa no YouTube. Todos episódios contam com recursos de acessibilidade visual e auditiva. Jéssica Fernandes A websérie foi produzida em três meses, durante a pandemia do coronavírus. O roteiro foi escrito por Marcelo Guarani e o documentarista Ricardo Sá, envolvendo crianças, jovens e adultos da aldeia na filmagem, direção e edição. Maynõ é o coordenador indígena. O primeiro, que será exibido durante o lançamento, se chama Tãgara, o nome de um pássaro, como conta Maynõ. Nesse episódio, é retratada a relação entre o povo Guarani e a natureza. No segundo, Txõdaro, que estará disponível em sete de agosto, é abordado a dança dos guerreiros, sua prática no dia a dia dos indígenas, relação com a disciplina, o reflexo e as habilidades. Petygwa Mirim, que, de acordo com Maynõ, é um cachimbo que espanta os maus espíritos e promove a cura, dá nome ao terceiro episódio, que será exibido em 14 de agosto. O último, intitulado Orema Roota, que será disponibilizado em 21 de agosto, retrata a busca pela terra sem males. Bastidores da filmagem de Orema Roota. Foto: Genilson Kwaray Maynõ acredita que a websérie pode contribuir para a quebra de estereótipos em relação aos indígenas. “Índios e não índios são muito próximos, mas conhecem muito pouco um ao outro. Na websérie poderão nos conhecer da forma como a gente é”, diz. O coordenador indígena do projeto afirma sofrer no dia a dia os reflexos desse estereótipo, inclusive, ouvindo que ele não é indígena, pois tem pele branca e cabelo cacheado. “Indígena não significa uma só cor, um só tipo de cabelo, uma só cultura. Indígena é diversidade, não é o que está no livro didático, com cabelo liso, tanga e lança. Tem pessoas que ainda hoje acham que comemos gente”, desabafa. Para Ricardo Sá, o projeto é o resultado de uma longa caminhada, já que a ideia nasceu em 2012. “Sinto que, a partir de agora, este grupo de realizadores e realizadoras indígenas poderá seguir seu caminho, descobrir seu estilo, como já demonstram alguns dos episódios da série fazer do audiovisual uma expressão da cultura guarani, mas também um meio de vida”, ressalta. O projeto é uma realização da Interferências Filmes e conta com recursos da Lei Aldir Blanc, via edital, com autoria e coordenação-geral do documentarista Ricardo Sá.
Servidores da Prefeitura de Vitória cobram fim dos descontos previdenciários
Manifestantes ocuparam parte da avenida Beira-Mar nesta quarta-feira e preparam novas ações na Justiça “Os pequeninos, funcionários, operários e todas as categorias estão há três meses com seus 14% retidos e muitos com fome e adoecendo”. O desabafo, da escritora Graça Andreata, também professora aposentada da Prefeitura de Vitória, vem a público nesta quarta-feira (28), quando servidores e aposentados do município promoveram mais um protesto exigindo o fim dos descontos previdenciários. Desde mês de maio, são colocados 14% a menos nos contracheques, atingindo principalmente quem ganha menos. Com faixas e cartazes, os servidores e aposentados ocuparam espaços em frente à Prefeitura de Vitória na manhã desta quarta, com a palavra de ordem “Oh, Pazolini, cadê você, nosso dinheiro você tem que devolver”. A manifestação obstruiu parte da avenida Beira-Mar, provocando embaraço no trânsito. Nesta sexta-feira (30), a comissão de servidores se reunirá para acertar outras ações judiciais com a mesma fundamentação da Associação dos Aposentados (Assim), que, em junho, impetrou Mandado de Segurança na 4ª Vara da Fazenda Pública pedindo a suspensão dos descontos. A Assim aponta que os descontos atuais não se justificam, porque o suposto déficit no Instituto de Aposentadoria da Prefeitura de Vitória (IPAMV) é provocado pela falta de capitalização do fundo de reserva, conforme estabelece a Lei 4.399/97, desobedecida pelo município desde 1997. “A dívida é da prefeitura e não pode ser cobrada dos servidores”, critica. A nova lei da Previdência foi aprovada em 4 de janeiro, na primeira sessão da Câmara de Vereadores, apesar de a quase totalidade dos parlamentares desconhecer o seu conteúdo. Além disso, os que foram reeleitos em 2018 já haviam rejeitado o mesmo projeto na gestão do então prefeito Luciano Rezende (Cidadania), entre eles o atual presidente da Câmara, Davi Esmael (PSD). Dos 15 vereadores, somente votaram contra as vereadoras Karla Coser (PT) e Camila Valadão (Psol) e o vereador Aloísio Varejão (PSB). Desabafo Em seu desabafo, a professora Graça Andreata, que não faz parte da comissão de negociação, afirma: “Hoje tem alguns vereadores arrependidos, pois votaram contra a própria mãe, que recebe aposentadoria da prefeitura”, afirma, sem especificar quem. Ela acrescenta que as “injustiças cometidas ali são fruto da sede de Justiça diferenciada na escala do quem pode mais chora menos”. Para a professora, há, de fato, alguns privilegiados, bem como outros que não prosperaram na carreira, mas por força de leis que os colocaram nessa situação. “Foram progressões de acordo com cada prefeito, ou perseguições de acordo com cada político perseguidor, seja de qual lado for”. No entanto, a maioria é de servidores e operários com baixos salários, nos quais o desconto de 14% provoca perdas significativas, esclarece. “Concursada, com uma só cadeira, injustiçada em todos os sentidos, peço ajuda para todos os funcionários e aposentados da Prefeitura de Vitória. Qual ajuda, não sei, pois todos que consulto dizem: qualquer advogado ganha essa causa e, enquanto isso, estamos passando necessidade. Se alguém puder ajudar… agradecemos. Peço em nome de todos, especialmente os mais necessitados. Queremos nosso dinheiro de volta”, reivindica. Servidores de Vitória formam comissão para tratar dos descontos da Previdência – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/politica/servidores-de-vitoria-formam-comissaopara-tratar-dos-descontos-da-previdencia
Assembleia definirá a realização de greve sanitária no Ifes
Sindicato de servidores questiona transição para ensino presencial sem vacinação de pelo menos 70% da população Os servidores do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) realizarão assembleia no próximo dia 10 de agosto, para discutir a possibilidade de realização de uma greve sanitária. A decisão foi tomada em assembleia realizada nessa terça-feira (27), diante do anúncio feito pela instituição de que, a partir do próximo mês, haverá uma transição das atividades pedagógicas não presenciais para um modelo chamado de “ensino flexível”. O Ifes divulgou no último dia 23 a Resolução do Conselho Superior nº 36/2021. O documento estabelece que, durante os meses de agosto e setembro, será iniciada a transição com a priorização de aulas de campo e de laboratório dos alunos finalistas. A partir de outubro, o retorno presencial dos demais estudantes será escalonado. Os campi vão definir a organização da transição e comunicar aos estudantes o passo a passo. O diretor do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) – Seção Sindical Ifes, Thalismar Gonçalves, afirma que desde o início deste ano, a entidade vem defendendo que o retorno será seguro somente com pelo menos 70% da população vacinada. “A vacina está avançando, os casos de contágio, internação e óbito diminuíram, mas mesmo assim as mortes continuam, além de temermos os impactos das novas variantes”, diz. Thalismar afirma que, caso a greve sanitária não seja aprovada, uma alternativa a ser discutida é a criação de uma comissão autônoma de segurança sanitária, que terá como função averiguar se os protocolos sanitários de fato estão sendo cumpridos. Outro ponto de pauta da assembleia do dia 10 de agosto é a exigência de testagem para a comunidade acadêmica. De acordo com o Ifes, a instituição de ensino conta com diretrizes e protocolos de biossegurança, como distanciamento, uso de máscaras e número de pessoas permitidas em cada ambiente, para o retorno gradual seguro às atividades presenciais. Além disso, estão mantidas as portarias que preveem que a presença de servidores e empregados públicos em cada ambiente de trabalho não deverá ultrapassar 30% do limite máximo de sua capacidade física, mantendo-se o distanciamento mínimo de um metro entre os agentes públicos, caso o município esteja classificado como de risco baixo no Mapa da Covid-19 do governo do Estado. O protocolo também prevê que devem ser priorizados para a execução de trabalho remoto aqueles que se autodeclararam como parte de grupo de risco ou responsáveis únicos por criança em idade escolar. Aulas na Ufes Já a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) retoma a discussão sobre o ensino híbrido esta semana. Uma reunião do Conselho Universitário, marcada para esta quinta-feira (29), vai avaliar a possibilidade de retorno de algumas atividades presenciais no próximo semestre letivo, previsto para iniciar no dia 3 de novembro. Ufes retoma debate sobre ensino híbrido nessa quinta-feira – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/educacao/ufes-retoma-debate-sobre-ensino-hibrido-nessa-quinta-feira
‘É uma luta para ser vencida’, convoca plenária sobre repactuação do CNJ
Observatório Rio Doce mobiliza atingidos do crime da Samarco/Vale-BHP para garantir participação no processo Leonardo Sá “O sistema judiciário está operando processos de injustiça. É confiável mais um pacto conduzido por aqueles que fazem outros pactos com as empresas? É confiável um processo de pactuação conduzido ou referendado pelo Conselho Nacional de Justiça [CNJ], que sequer ouve com dignidade as atingidas e os atingidos?”. São da arquiteta e comunicadora social Dulce Maria Pereira os questionamentos sobre a repactuação conduzida pelo CNJ em relação à governança do processo de reparação e compensação dos danos decorrentes do rompimento da barragem de Fundão, da Samarco/Vale-BHP, ocorrido em Mariana/MG em novembro de 2015. Professora e coordenadora do Laboratório de Educação Ambiental e Pesquisa da Universidade Federal de Ouro Preto (Lauepas /Ufop), Dulce foi uma das palestrantes da plenária virtual do Observatório Rio Doce, realizada nessa terça-feira (27) nas redes sociais da Justiça Global, sob o tema “Por uma Repactuação justa, com participação e respeito aos acordos assinados”, a primeira desde o lançamento do Observatório, em junho. Aos questionamentos, a própria pesquisadora afirmou categoricamente que “sem dúvida, não”: não é confiável, para os atingidos, a forma como a repactuação está sendo conduzida. Dulce destacou que “é pela vida que esse observatório se reúne” e para “garantir que a gente construa um coletivo com essa imensa diversidade, dos grupos humanos, de instituições, de interesses e de formas de ver o mundo, mas com um ideal comum”. O Observatório, salientou, “quer fazer frente ao processo criminoso de fragmentação que as corporações já estão operando e tentam avançar e ampliar nesse território sagrado, sob todos os pontos de vista: por sua natureza, por seus povos, por sua história, e que tem sido alvo e objeto de interesse e controle desde a Guerra dos Botocudos, lá no início do Império”. E para fazer frente a essa fragmentação, somente a união dos atingidos. “Com toda a dor que estamos vivendo, é preciso dizer que estamos colocando o dedo na história. É uma responsabilidade imensa. Mas é uma luta para ser vencida. Não estamos aqui para perder esse processo; estamos aqui realmente para mudar a história no que diz respeito à relação das empresas com as pessoas, com a vida e com os territórios”, conclamou. Ao longo da plenária, dezenas de atingidos no Espírito Santo e Minas Gerais relataram as lutas em seus territórios, sob mediação de militantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Moradora da zona rural do município mineiro de Governador Valadares, a maior cidade localizada ao longo dos mais de 600km destruídos pela lama de tóxico de rejeitos de mineração, Joelma Fernandes relatou que Valadares continua sendo abastecida com água do Rio Doce, o que é motivo de muitos problemas e preocupação por parte da população. “Fizeram escritórios da Renova para tudo que é lado em Valadares, mas fizeram só Dano Água. Mas Valadares não foi impactada só pelo dano água, não. Meu pai era pescador de tarrafa. Mas também tinha pescador que ia no final de tarde pescar, para ter pescado no final de semana”, disse Joelma, elencando um dos tantos grupos impactados. “Como é que vai fechar o cadastro de uma cidade que nem cadastro teve?”, questionou. A reparação, assinalou, “só vai funcionar a partir do momento em que o atingido estiver junto. Porque nós somos os pés molhados, nós que pisamos na lama, nós que temos que falar por nós”, reivindicou. Militante do MAB/ES, João Paulo Izoton conta que o Observatório encaminhará pedidos de audiências públicas nas quatro casas legislativas que atendem aos atingidos do Rio Doce: as assembleias do Espírito Santo e Minas Gerais, a Câmara e o Senado Federal, além de reunião com o presidente do CNJ, ministro Luiz Fux. O Observatório Rio Doce é uma iniciativa do Rede de Pesquisa Rio Doce, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Amigos da Terra, Justiça Global, Terra de Direitos, Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), Rede de Advogados e Advogadas Populares (Renap), Organização pelo Direito Humano à Alimentação e à Nutrição Adequadas (Fian Brasil) e o Lauepas/Ufop. ‘Sistema de INjustiça’ e minerosubserviência expandem o desastre – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/sistema-de-injustica-necroengenharia-e-minerosubserviencia-expandem-o-desastre Corte Inglesa reabre ação de R$ 35 bilhões em favor de 200 mil atingidos – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/corte-inglesa-reabre-acao-de-r-35-bi-em-favor-de-200-mil-atingidos ‘Quem tem condições financeiras, ainda compra água para beber e até tomar banho’ – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/quem-tem-condicoes-financeiras-continua-comprando-agua-pra-beber-e-ate-tomar-banho