Apesar da grande mobilização, os servidores ainda não foram recebidos pelo prefeito Pazolini Aposentados e servidores da ativa do município de Vitória promovem nesta quarta-feira (30) mais um protesto contra os descontos previdenciários que começaram a ser feitos na folha de pagamento do último mês de maio, quando começaram a vigorar as regras da reforma da Previdência aprovada em janeiro. Esta será a quarta manifestação dos servidores, que insistem em abrir diálogo com a prefeitura para debater a questão. Nas anteriores, os servidores não foram recebidos pelo prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos). Conseguiram um rápida conversa com o secretário da Fazenda, Aridelmo Teixeira, que não prosperou por conta da recusa da participação coletiva dos representantes das várias categorias de servidores. Os manifestantes irão vestidos nesta quarta com uma camisa com os dizeres “Pazolini prejudica aposentados” e “Aposentados revoltados com a PMV”, referência direta à postura do prefeito, que, segundo Júlio Peixoto, presidente da Associação de Aposentados e Pensionistas da Prefeitura de Vitória, articulou para a aprovação da matéria e nega diálogo com a categoria. Os servidores e aposentados, por meio de suas entidades representativas, vêm tentando apresentar argumentos contrários aos descontos de forma linear na folha de pagamento, no montante de 14%, cujo impacto provoca prejuízo à categoria, especialmente aos que recebem salários mais baixos. A falta de diálogo ocorre desde a aprovação do projeto de lei, apresentado no dia 4 de janeiro, na primeira sessão da Câmara de Vereadores da atual legislatura. A aprovação recebeu apenas três votos contrários, das vereadoras Karla Coser e Camila Valadão (Psol) e do vereador Aloísio Varejão (PSB). A Associação dos Aposentados impetrou mandado de segurança na 4ª Vara da Fazenda Pública Estadual e Municipal, pedindo a suspensão dos descontos. Júlio Peixoto afirma que os descontos atuais não se justificam, porque o suposto déficit é provocado pela falta de capitalização do fundo de reserva do Instituto de Aposentadoria da Prefeitura de Vitória (IPAMV), conforme estabelece a Lei 4.399/97, desobedecida pelo município desde 1997. “A dívida é da prefeitura e não pode ser cobrada dos servidores”, explica. Diálogo isolado com Aridelmo sobre Previdência gera novo protesto de servidores de Vitória – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/politica/dialogo-isolado-com-aridelmo-geranovo-protesto-de-servidores-de-vitoria Sem diálogo, Sindiupes vai à Justiça para mudar regras da Previdência em Vitória – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/politica/sindiupes-aciona-a-justica-contra-novasregras-da-previdencia-em-vitoria
Caos tecnológico
Problemas no agendamento da vacina Covid-19 na Serra precisam ser resolvidos por Sérgio Vidigal “para ontem” Agência Câmara Os problemas no agendamento da vacina contra a Covid-19 na Serra, alvos de críticas da população, foram levados ao plenário da Assembleia Legislativa nesta segunda-feira (28) pelo deputado do município, Vandinho Leite (PSDB). É que a prefeitura foi a primeira a anunciar, nas redes sociais, que iniciaria a imunização da faixa etária acima de 35 anos. A notícia parecia ótima, mas…o site simplesmente não funciona! As dificuldades já tinham sido registradas antes e na última quarta-feira, no agendamento de acima de 40 anos, mas ficaram ainda piores nesse domingo (27), o que se repetiu na noite desta segunda-feira (28). Em diferentes navegadores de internet, além da mensagem “server too busy”, que aparece constantemente, e “página não encontrada”, capixabas que conseguiam avançar no processo, depois de muita espera, também não localizavam o público-alvo nem o local anunciado para o mutirão desta quarta e quinta-feira (30 e 1), o Pavilhão de Carapina. Isso entrando no horário em ponto: 18h! Vandinho Leite criticou que a situação é resultado da falta de gestão e de conhecimento na área tecnológica, além de apontar que o sistema da prefeitura é “precário, ultrapassado, incapaz de suportar o agendamento de vacinas”. A essa altura da pandemia, e com a imunização em massa essencial para melhorar a situação da pandemia no Estado, é realmente inadmissível que o único instrumento que garanta isso se consolide como esse “caos tecnológico”. O prefeito Sérgio Vidigal (PDT) precisa resolver isso “para ontem”. ‘Mico’A situação, ressaltou Vandinho ainda antes do agendamento desta segunda, é “extremamente preocupante” e se reflete no índice de vacinação na Serra. “O prefeito pagou mico”, concluiu o deputado, em referência ao vídeo gravado por Vidigal nesse sábado (26) anunciando a vacinação do novo grupo e a realização do mutirão. MartírioNesse domingo, o problema começou antes mesmo de ter início o agendamento, marcado até então para as 14h. O site saiu do ar e a prefeitura precisou adiar, para 18h. Na hora, um verdadeiro martírio coletivo. Alguns navegadores agendaram, muitos outros não. Mas o processo, no geral, é extremamente lento e com falhas. 1h15 na lutaNesta segunda, a prefeitura de Serra justificou que o pico de acessos atingiu 7 milhões nesse domingo e que as 5 mil vagas para vacinação contra a Covid-19 foram preenchidas até 19h15. E também que o “site não caiu”. Vamos lá… Na mesma …não cair tecnicamente, mas receber infinitas mensagens de erros, no final das contas, convenhamos…não muda nada! E outra: não tem justificativa para não ter um sistema e capacidades compatíveis com a situação atual. Os agendamentos tiveram início em janeiro, deu tempo de corrigir e se aperfeiçoar. Na mesma IIUma solução da prefeitura foi, então, ampliar os dias de agendamento por semana, às segundas, quartas e sextas, às 18h. Pelos relatos dessa segunda, porém, a “saga continua”. DiferençasNos outros municípios da Grande Vitória, as vacinas acabam rápido, mas os sistemas funcionam. Inclusive há o indicativo em números das vagas ainda existentes, para informar à população. Ocorrem erros também? Sim! Mas as pessoas conseguem “navegar”, avançar etapas, não “empaca”. Uma hora tentando agendar vacina, como tem acontecido na Serra, é, sem dúvida, surreal. Agora imagina…Se já está difícil para quem tem acesso à internet e familiaridade com tecnologia e computador, imagina para grande parte da população… BombaComo esperado, a bomba política lançada na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 do Senado na última sexta-feira (25), de indícios de corrupção na compra da vacina Covaxin, repercute em todo o País e, obviamente, o Espírito Santo não fica de fora. Bomba IINa manhã desta segunda-feira (28), o assunto rendeu debate acalorado na Câmara de Vitória, levado pela vereadora Karla Coser (PT), o que gerou reações de bolsonaristas e até prisão por desacato de Thor do Império, que estava na galeria do legislativo. Ele é conhecido no Estado como puxador de escola de samba e pela condenação de 25 anos, em 1993, por assassinar o diretor do Clube Náutico do Brasil, José Carlos Preciosa. Bomba IIIÀ tarde, outra ação, dessa vez no âmbito jurídico e nacional. O senador Fabiano Contarato (Rede) assina, junto com o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e Jorge Kajuru (Podemos-GO), uma notícia-crime contra o presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), pelo crime de prevaricação no caso Covaxin. Efeito dos depoimentos dos irmãos Miranda – o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda e o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF). Promete! Nas redes“Boas notícias merecem ser compartilhadas. O ES atingiu a marca de 3° lugar entre os estados que mais vacinam com a segunda dose. Também já aplicamos a primeira dose para mais de 48% da população. Em breve estaremos juntos de novo, e esse tempo será apenas uma lembrança”. Vice-governadora Jacqueline Moraes, do PSB. FALE COM A COLUNA:
Movimento sociais inauguram Cozinha Solidária em Vitória
Cerca de 200 marmitas foram distribuídas no bairro de Itararé, em ação que busca fortalecer o combate à fome “Vacina no braço, comida no prato”. O lema que tem virado reivindicação de muitos movimentos sociais diante da atual situação do Brasil, onde a fome cresce e as vacinas contra a Covid-19 chegam em velocidade muito lenta para imunizar a população, foi também levantado no inauguração da primeira Cozinha Comunitária em Vitória, que aconteceu no último sábado (26) no bairro de Itararé, no Território do Bem. Confira a reportagem que mostra o primeiro dia da Cozinha Solidária, que terá atuação semanal.
‘Agosto e setembro serão de transição para abertura de mais atividades’
Na área da Educação, o secretário de Saúde destacou a possibilidade de obrigatoriedade das aulas presenciais Os meses de agosto e setembro serão de transição para abertura de atividades econômicas e sociais no Espírito Santo, como informou o secretário de Saúde, Nésio Fernandes, em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (28). Entre as atividades que poderão ser retomadas “de maneira mais robusta”, estão as das áreas da educação e saúde. Na educação, ele destaca a possibilidade de obrigatoriedade das aulas presenciais. “Ter fechado as escolas foi uma das maiores violências da pandemia”, diz. Na saúde, ele destaca a retomada das cirurgias eletivas e da atenção primária. O secretário de Saúde alerta, no entanto, que não está descartada a possibilidade de ocorrer uma quarta onda de expansão da Covid-19 no Espírito Santo. Dois fatores sinalizam para isso. Um deles referente à variante brasileira do coronavírus, a P1, que afeta mais os jovens, levando esse grupo em maior proporção à internação e óbitos. Entretanto, a P1 não assumiu, até o momento, predominância na transmissão comunitária no Estado. Nésio destaca, também, a possibilidade de surgimento de novas variantes. Nesse aspecto, porém, com o avanço da imunização, acredita-se que elas terão dificuldade de predominância. O secretário também fez uma breve retrospectiva da pandemia no Espírito Santo, apontando que foram registradas três fases de expansão da doença, cada uma com características específicas. O Estado, recorda, foi um dos primeiros a ter transmissão comunitária. A primeira começou em abril de 2020, em um período em que ainda não havia cobertura vacinal, principalmente nas zonas urbanas, primeiramente na Grande Vitória, tendo sua fase de aceleração entre a segunda quinzena de abril e a segunda de maio. A próxima onda começou em setembro do ano passado, um momento em que também não havia cobertura vacinal. Essa, afirma Nésio, foi caracterizada também pela ampliação de testagem, atingindo, inclusive, pessoas sem comorbidades e que não faziam parte de nenhum grupo prioritário. Ele recorda que municípios com menos de 15, 20 mil habitantes, tiveram expansão da doença na segunda onda, ao contrário da primeira. Já a terceira fase, no início de 2021, já contava com o começo da cobertura vacinal.
Espírito Santo deve receber mais de um milhão de doses de vacina em julho
Expectativa da Secretaria de Saúde é de que, até setembro, pessoas a partir de 18 anos já tenham recebido a D1 A expectativa para o mês de julho é de que o Espírito Santo receba mais de um milhão de doses de vacina contra a Covid-19. A informação, segundo o secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes, foi obtida em reunião com o Ministério da Saúde na última quarta-feira (24). O anúncio foi feito em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (28), da qual também participou o subsecretário de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin. Ainda de acordo com Nésio, julho será um mês de alerta, com poucas e pequenas flexibilidades, uma vez que menos de 50% da população está vacinada. A cobertura vacinal no Estado, até o momento, ultrapassou os 40%. Além disso, a perspectiva é de que em setembro pessoas com mais de 18 anos já tenham sido imunizadas pelo menos com a primeira dose. Há, ainda, a possibilidade de vacinação para adolescentes entre 12 e 17 anos em dezembro. O secretário chamou atenção para o fato de que os municípios devem abrir agendamento para novas faixas etárias somente quando atingir pelo menos 90% de cada público. Ele alerta que as gestões municipais não podem competir para ver quem atende primeiro uma nova faixa etária, pois isso prejudica o processo de imunização. “Se abre agendamento para 35 anos sem atingir 90% do público de 40, o de 40 vai ter dificuldade de acessar a vacina”, aponta. Quanto ao “turismo de vacina”, ou seja, o fato de pessoas de outros estados chegarem ao Espírito Santo para vacinar, o secretário afirmou que estão sendo estudadas formas de evitar que isso aconteça, para que os capixabas não tenham o acesso à imunização dificultado. Algumas das possibilidades são exigir título de eleitor na hora de vacinar e impedir o acesso de IPs de outros estados. O secretário também falou sobre o projeto “Viana Vacinada”, por meio do qual os moradores desse município, com idade entre 18 e 49 anos, que não estão nos grupos prioritários e não foram vacinados, podem participar. O estudo é desenvolvido pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O objetivo é medir a eficácia da meia dose da vacina AstraZeneca (Oxford/Fiocruz). Nésio informou que a segunda dose, aplicada por meio do projeto, está prevista para 12 de agosto. De acordo com ele, Viana será o primeiro município capixaba com cobertura vacinal em duas doses e um dos primeiros do Brasil.
Os avanços necessários na política capixaba para pessoas LGBTQIA+
Mobilizadores sociais e políticos apontam as reivindicações da comunidade no Espírito Santo O dia 28 de junho, data em que é celebrado o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, também é dia de luta. No Espírito Santo, representantes da comunidade apontam a necessidade de políticas públicas de Saúde, de dados sobre a violência sofrida todos os dias, e de um legislativo comprometido com a causa. O presidente do Grupo Orgulho, Liberdade e Dignidade (Associação Gold), Diego Herzog Peruch, acredita que o caminho para uma verdadeira representação política ainda é longo. “Geralmente, é mais comum vermos nas casas legislativas ataques à pauta LGBTQIA+ e não projetos que auxiliem na promoção da cidadania”, ressalta. Para ele, nomes como os das vereadoras Karla Coser (PT) e Camila Valadão (Psol), na Câmara de Vitória, da deputada estadual Iriny Lopes (PT), na Assembleia Legislativa, e do deputado federal Helder Salomão (PT), na Câmara dos Deputados, têm contribuído com a pauta, mas é preciso prosseguir. Na última semana, o vereador Gilvan da Federal (Patri) tentou intimidar uma professora de Vitória por ter abordado a questão LGBTQIA+ em sala de aula. Nesta segunda-feira (28), Dia do Orgulho, ele compartilhou um vídeo nas redes sociais, em que o pastor Silas Malafaia reclama de não poder falar nada contra o “homossexualismo”. O termo é criticado pela comunidade LGBTQIA+ por associar a orientação sexual a uma doença. “O principal ponto em que precisamos avançar é eleger pessoas comprometidas com a pauta LGBTQIA+ e dos Direitos Humanos em geral, além de diminuir a presença de partidos de extrema direita que não sabem dialogar e conviver com as diferenças”, destaca. A presidente do Conselho Estadual LGBT+, Marina Francisqueto Bernabé, acredita que o Espírito Santo ainda é muito incipiente na elaboração de políticas públicas para a comunidade. Segundo ela, apesar de alguns avanços, como a criação do conselho estadual e de uma gerência estadual de políticas LGBT, o Estado precisa avançar em pautas como a redução dos índices de LGBTfobia, reconhecimento público do nome social de pessoas trans em qualquer local, além da promoção da inserção e a garantia dessas pessoas no mercado de trabalho. “A gente está falando de combate à violência, de exercício da cidadania; de redução dos índices de evasão escolar; e de práticas de promoção à saúde, saúde integral, saúde mental”, aponta. O coordenador de formação do Fórum Estadual LGBT, João Lucas Côrtes de Sousa, também destaca a necessidade da construção de dados e informações públicas sobre a população LGBT no Espírito Santo. “Como está a implementação da Saúde Integral da População LGBT pelo Estado e pelos municípios? Como está a discussão sobre direitos e diversidade nas escolas? Na política de assistência social?”, questiona. Para João, tanto no Espírito Santo quanto no contexto nacional, há uma invisibilidade em torno da pauta e, quando há discussão, ela acontece de forma distorcida. “Tanto que foi necessário o STF [Supremo Tribunal Federal] falar sobre a LGBTfobia. O STF só se manifestou por ausência do legislativo”, exemplifica. Pautas no Congresso Essa necessidade de atuação maior do poder legislativo também foi ressaltada pelo senador Fabiano Contarato (Rede). Nesta segunda-feira (28), ele apresentou três projetos de lei voltados para a população LGBTQIA+. Um deles, tem o objetivo de impedir a discriminação com base na orientação sexual de doadores de sangue homens que mantêm relações sexuais com outros homens. A matéria também inclui punições específicas para pessoas que tentem impedir a doação de sangue dessas pessoas. “O direito a realizar a doação de sangue precisou, frente à omissão do Congresso Nacional, ser garantido por decisão do Supremo Tribunal Federal, que pode ser revertida conforme a Corte mude seus membros. É necessário que o Senado Federal assuma seu papel constitucional no combate ao preconceito contra a comunidade LGBTQIA+”, declarou Contarato. Outro projeto altera o Código Penal Militar para remover termos e expressões discriminatórias, enquanto uma terceira proposta muda o Estatuto de Defesa do Torcedor para punir condutas homofóbicas e transfóbicas em eventos esportivos, como mensagens ofensivas e cânticos discriminatórios. “A homofobia e a transfobia seguem como um grave problema no mundo dos esportes, especialmente no futebol, e faltam iniciativas públicas para enfrentá-lo”, disse. Projetos na Câmara de Vitória A vereadora Karla Coser também protocolou dois projetos de lei voltados para a população LGBTQIA+ nesta segunda-feira (28). Um deles, propõe a criação de um dossiê da população LGBT no município de Vitória, com a elaboração de estatísticas periódicas sobre vítimas de violência. O intuito também é auxiliar na definição das prioridades e focos de atuação para atender a comunidade, de acordo com as diferentes situações de regiões da cidade. “A utilização de dados confiáveis é o que torna possível a elaboração de políticas públicas efetivas. A Saúde já cumpre um relevante papel de analisar dados de violência contra pessoas LGBT, mas entendo que a publicidade dos mesmos deve ser ampliada e compartilhada com os demais setores”, explicou. O outro projeto prevê a reserva de vagas de emprego, estágio e trainee para pessoas autodeclaradas LGBTQIA+ em empresas que usufruem de incentivos fiscais municipais, que participam de licitações, que mantêm contrato ou convênio com o poder público municipal. “Quando a gente fala de direitos sociais, às vezes não toca tanto as pessoas, mas quando a gente fala de direito econômico, toca. Quando a gente fala de garantia de direitos, para além da vivência digna das pessoas, fala de dinheiro, de PIB [Produto Interno Bruto]. Está tudo conectado. A garantia de direitos das pessoas LGBTs tem impacto direto no PIB de cada país”, declarou. A vereadora ressaltou a importância da data para a reafirmação dos direitos dessa comunidade. “Eu sei que um monte de gente nesse dia fala assim: ‘Ah então nós vamos criar o dia do orgulho hétero’, mas isso é de um cinismo gigantesco. Eu sou uma mulher hétero e nunca precisei de um dia específico para me orgulhar disso. Sabe por quê? Porque eu não tenho medo de ser espancada quando saio de casa. Porque eu não tenho medo de andar de mãos dadas com o meu namorado. Porque meus
Audiência pública debate processo de privatização dos Correios
Antônio Braga, presidente do Sintect/ES, defende que é preciso mostrar os prejuízos para a sociedade A privatização dos Correios e seus impactos serão temas de audiência pública nesta terça-feira (29). A iniciativa é fruto de solicitação do Sindicato dos Trabalhadores em Empresa de Correios, Prestação de Serviços Postais, Telégrafos, Encomendas e Similares do Espírito (Sintect/ES). “As pessoas precisam saber das consequências”, defende Antônio José Alves Braga, presidente da entidade. Entre os resultados negativos, ele aponta o aumento do valor dos serviços e o que ele chama de “apagão postal”. O pedido de audiência, segundo Antônio, foi feito diante da importância que os Correios, como empresa pública, têm para a sociedade. O debate será realizado pelos mandatos do deputado federal Helder Salomão (PT) e da deputada estadual Iriny Lopes, ambos do PT. A transmissão será às 19h, por meio de live no Facebook dos parlamentares. O “apagão postal”, explica o sindicalista, está no fato de que, caso seja privatizado, os Correios não terão mais obrigatoriedade de estar em todos municípios do Brasil. “As empresas privadas não vão querer atuar em locais que não geram lucro”, afirma. Outro ponto importante da audiência, como informa Antônio, será a possibilidade de a sociedade ouvir o lado dos trabalhadores. Ele afirma que, muitas vezes, diante da insatisfação das pessoas com os serviços dos Correios, o trabalhador é acusado de preguiçoso. Entretanto, explica, os funcionários sofrem uma série de restrições ao seu trabalho, que impactam na qualidade do serviço e tem como objetivo convencer a população de que os Correios precisam ser entregues à iniciativa privada. Uma dessas restrições é que os carteiros não podem passar todos os dias na mesma rua. Ele aponta, ainda, a falta de funcionários. De acordo com Antônio, antes um trabalhador era responsável por fazer as entregas somente em um bairro. Atualmente, chegam a atuar em cinco, seis comunidades. Trata-se, afirma, do reflexo da falta de concurso público. O último, recorda o presidente do Sintect/ES, foi em 2011. Em abril deste ano, a Câmara aprovou a urgência do projeto de privatização dos Correios. A previsão é de que ele seja votado em julho. ‘Aprovação de urgência em votação para privatização dos Correios é absurda’ Sindicato da categoria no Estado ressalta que as urgências do povo são vacina, comida, kit intubação e remédios https://www.seculodiario.com.br/politica/aprovacao-de-urgencia-em-votacao-para-privatizacao-dos-correios-e-absurda ‘Quebra de monopólio dos Correios precariza serviços e é excludente’ Antônio Braga, presidente do Sintect-ES, afirma que o monopólio está sendo boicotado pela empresa https://www.seculodiario.com.br/sindicato/quebra-de-monopolio-dos-correios-precariza-servicos-e-e-excludente-diz-sindicato
Visitas ilustres
Só sonhos, nada de sono Morava eu no décimo andar, mais dois de garagem, vista para lugar nenhum. Depois de uma noite insone e mal dormida – não me lembro qual desses – ouço uma voz clamando: Wanda Sily! Devo estar sonhando, pensei, mas o estranho chamado de repetia, cada vez mais alto. Corri à janela e lá embaixo distingo a ilustre figura de Hermoge, o lendário folclorista. * Aqui em cima, aceno. Ele de lá: Precisamos conversar. Eu de cima: Pode subir, décimo andar, vou abrir o portão. Ele: Não entro em elevador. Eu: Então suba a escada, vem tomar um cafezinho. Ele: Não subo 200 degraus de escada. Os vizinhos já estavam espiando nas janelas, curiosos com aquela gritaria às sete da matina. Depois de uma noite inquieta e indormida. * Desci, curiosa a saber o que tinha ele a falar comigo. Conhecia Hermógenes, como todo mundo no ES, mas sem nenhuma interação social ou literária. Folclore era assunto para a mana Adelzira Madeira. A que veio ele? Uma entrevista para o novo livro que estava finalizando? Um convite para sua famosa bacalhoada sem retirar o sal? Três dias de molho tira o sabor do bacalhau. * Encontro o ilustre personagem na entrada, nervoso porque demorei a descer. Grande prazer em conhecê-lo, informo. É mesmo? Se espanta. Tô precisado do telefone do Rogério Medeiros. Foi-se nas brumas da manhã, nunca mais o vi, nunca me citou em nenhuma de suas pesquisas. No entanto, nessa manhã gloriosa, fui pesquisada. Meu avô que dizia, Me acontece cada uma! * Um dia, janeiro ou dezembro, não me lembro, o telefone toca. Quem tinha telefone grudado na parede estava acostumado com esse fato – ele toca. Se cobrador ou vendedor, nunca se sabe. Dessa vez, porém, pressenti algo no ar além da poluição habitual. A voz de Carmélia Alves soou como música aos meus ouvidos – Wanda Sily? Falei aqui com as companheiras, você é a melhor cronista do ES. Eu? Quem são as companheiras? Ela: Queria te conhecer, posso ir aí? Deslumbrada, dei meu endereço. E esperei… acho que uns dez anos. Ainda hoje me pergunto a razão daquele telefonema. Kafka explica: Só sonhos, nada de sono. * Anos depois, outro telefonema, ainda no fixo, e a voz de Bernadette Lyra me vem pelos fios da Telest, Wanda Sily? Queria te conhecer… Recito o endereço, ponho um disco na vitrola, sacrifico um limão, faço uma limonada. E esperei… Anos depois, ou talvez dias depois, tenho o prazer de conhecer a ilustre escritora, e ouso perguntar: Você disse que iria… Riu, Fui, mas no meio do caminho encontrei alguém mais interessante. Pensei que ia dizer uma pedra. * Se o sono não vem, a melatonina resolve. Ou uma taça de vinho. Mas se não dormir, talvez você se inspire para escrever algo grandioso. Depois de uma noite insone e mal dormida, no dia 3 de julho o mundo homenageia Franz Kafka. Que preferia não dormir, “Talvez eu tema que a alma, que me deixa no sono, não seja capaz de retornar”. Se essa insônia crônica motivou ‘A metamorfose’, melhor não dormir.
Denúncia de corrupção na compra de vacina antecipa ato ‘Fora Bolsonaro’
Várias cruzes foram fincadas na praia de Camburi exigindo a saída de Bolsonaro e Mourão Zanete Dadalto A areia da praia de Camburi, em Vitória, ganhou neste domingo (27) mais um atrativo: várias cruzes e faixas com “Fora Bolsonaro e Mourão”, primeira manifestação no Espírito Santo depois de revelados fortes indícios de corrupção do governo federal na compra de vacina indiana Covaxin, envolvendo diretamente o presidente da República. Zanete Dadalto No próximo sábado (3), a campanha #ForaBolsonaro realizará a terceira manifestação no Espírito Santo, no mesmo formato das duas anteriores, ocorrida nos dias 29 de maio e 19 de junho, mantendo outra no dia 24 de julho, que será realizada em todo o país. Zanete Dadalto As faixas na praia de Camburi neste domingo, além de fora Bolsonaro e Mourão, exibem posicionamento da classe trabalhadora contra a reforma administrativa, em defesa do Serviço Único de Saúde (SUS), do uso de máscara e da vacina no combate pandemia da Covid-19. Zanete Dadalto Haverá ainda na próxima quarta-feira (30), às 17h, um ato em Brasília em apoio ao superpedido de impeachment contra Jair Bolsonaro, um texto que reúne mais de 100 pedidos de impeachment e deverá incluir a nova denúncia de corrupção. A CPI já prepara uma denúncia contra o presidente da República para apresentar conjuntamente ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) indicando crime de prevaricação. Zanete Dadalto As denúncias da suposta corrupção vieram à tona na CPI da Covid, em andamento no Senado federal, por meio dos depoimentos do servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda e de seu irmão, o deputado federal Luis Claudio Miranda (DEM-DF). Na sexta-feira (25), eles expuseram em detalhes suspeitas em torno do contrato do governo federal para a compra da vacina Covaxin, a mais cara entre as contratadas pelo Brasil. Os atos do último dia 19 reuniram cerca de 750 mil pessoas em mais de 400 cidades brasileiras, de acordo com organizadores dos protestos. A quantidade seria 25% maior do que a registrada no dia 29 de maio. A próxima reunião será a 5ª Plenária Nacional das Lutas Populares que será realizada no ambiente virtual, no dia 1º de julho, às 18 horas. Lidia Moraes
Planos Plurianuais abrem perspectiva de orçamentos dignos para a agroecologia urbana
Com carta aberta, Rede Capixaba mobiliza poderes municipais e estaduais para a pauta, ainda mais urgente na pandemia Divulgação O prazer de colher no próprio quintal, varanda ou parapeito da janela uma erva para chá ou tempero é talvez a experiência individual mais sutil relacionada ao novo conceito de agroecologia urbana que se expande pelos quatro cantos do mundo neste terceiro milênio. Lance a primeira semente quem nunca experimentou ou já desejou experimentar esse prazer; quem nunca sonhou em transformar o terreno baldio da sua rua numa horta comunitária; quem nunca se viu perplexo com a falta de iniciativas como essa em sua cidade, por mais óbvio que seja reduzir a fome e melhorar a qualidade dos alimentos que chegam às populações urbanas por meio dessas pequenas hortas compartilhadas. Movidas por esse desejo, sonho ou certeza, um número cada vez maior de pessoas, coletivos e entidades se unem pra ampliar a experiência agroecológica nas cidades do Espírito Santo e, por meio da Ruca- Rede Urbana Capixaba de Agroecologia, articulam órgãos e conselhos municipais e estaduais, para transformar a demanda em políticas públicas efetivas. Em 2021, uma nova janela importante se abre com a elaboração dos Planos Plurianuais (PPAs). De olho nela, a Ruca lançou a carta “Alimentar as Pessoas, Transformar as Cidades, Cultivar o Futuro”, com a qual tem intensificado o diálogo em busca de inserir a agroecologia urbana entre as metas e diretrizes das cidades para os próximos quatro anos. “Pretendemos fazer audiências públicas nas Câmaras e na Assembleia Legislativa, onde essa carta vai servir de suporte, um instrumento pra gente conseguir mais recursos orçamentários pra desenvolver ações de agroecologia e agricultura urbana”, explica a técnica em Agroecologia e mestra em Urbanismo Nathalia Messina, integrante da Ruca. “Não tem que haver espaço pra ideologias polarizadas. Não faz sentido polarizar quando há pessoas com fome”, pontua o analista judiciário Fernando Colombi, também integrante da Ruca. “Que essa pauta entre no planejamento dos municípios com a garantia de orçamento que ela merece”, exorta Nathalia. E essa inserção nas políticas públicas, destaca a Rede Capixaba, “deve vir acompanhadas das diversas políticas para saúde e segurança e soberania alimentar, que vão desde a implantação ao desenvolvimento de bancos de alimentos, cozinhas comunitárias, agroindústrias comunitárias, restaurantes populares, hortas medicinais, Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), promoção de feiras orgânicas e agroecológicas, compras públicas de alimentos da agricultura familiar, entre outras”. São ações que contribuem diretamente com doze dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável pela Organização das Nações Unidas (ONU), entre eles: Fome Zero e agricultura sustentável; Saúde e bem estar; Redução das Desigualdades; Cidades e Comunidades Sustentáveis; Consumo e produção responsáveis; Ação contra a mudança global do clima. Objetivos e ações que se tornaram ainda mais urgentes diante da pandemia de Covid-19, que fez aumentar a fome e a desigualdade social, tragédias que são “fruto da crise econômica aliada ao desmonte das políticas de SAN (Segurança Alimentar e Nutricional) no plano federal e à falta de ações dos gestores estaduais e municipais”, sublinha a Carta. “À irresponsabilidade dos governantes, a sociedade civil responde se organizando nos diversos territórios buscando amenizar a situação, de forma valente, mas insuficiente para enfrentar o problema sem políticas estruturantes”, entoam. O esperado apoio estatal tem se mostrado de fato relevante em cidades de grande porte, como São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Florianópolis, e de médio porte, como Maringá/PR e Sete Lagoas/MG. Articulações municipais e estaduais O Espírito Santo desponta no cenário nacional com vários projetos comunitários potentes, que “têm ajudado a transformar a realidade nas cidades, fertilizando-as com saúde, cuidado e afetos”. Mas as políticas públicas, ressalvam, “ainda são poucas e isoladas, mantidas graças às lutas de servidores(as) comprometidos(as) mas sem um apoio substancial das gestões de alto escalão”. A Rede mapeou que em municípios como Vitória, Serra, Vila Velha, Cariacica e Guarapari, existem leis municipais relacionadas com hortas urbanas comunitárias, “porém, não passam de letra morta, por falta de responsabilidade do poder executivo e/ou por terem sido leis formuladas em gabinetes sem participação da sociedade civil organizada e descolada das realidades dos territórios”. Na capital, a Ruca tem feito reuniões com secretarias relacionadas com saúde, assistência social e desenvolvimento, especialmente com o Programa de Fitoterapia e Hortas Urbanas Comunitárias, além do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Comsea) e alguns vereadores. Na Serra, onde o prefeito Sergio Vidigal assinou a carta de compromisso que a Ruca entre os candidatos às eleições, e em Águia Branca, no noroeste do Estado, a intenção é trabalhar fortemente para incidir sobre as políticas públicas municipais de forma integrada com a Articulação Capixaba de Agroecologia (ACA), por meio da campanha iniciada em 2020 pela Articulação Nacional de Agroecologia (ANA). Em âmbito estadual, articulações já foram feitas com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e a Secretaria de Estado da Agricultura (Seag), além do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e a Comissão Estadual de Produção Orgânica (CPOrg). O trabalho de mobilização e incidência nas políticas públicas está aberto a todos os que se sintam tocados pela causa da agroecologia urbana, seja pelo viés alimentar, ambiental, social ou cultural. Aos buscadores de soluções coletivas, Nathalia ressalta que a Ruca estende os braços para somar forças e aprendizados. “É no coletivo que os indivíduos encontram a força necessária pra fazer com que suas reivindicações aconteçam, agindo de forma estratégica e em rede. Estamos todos aprendendo”, conclama.