Projeto “Viana Vacinada”, palestras em municípios e articulações políticas antecipam Gilson Daniel no jogo de 2022 Redes sociais Prefeito por dois mandatos em Viana, ex-presidente da Associação dos Municípios do Estado (Amunes), coordenador de equipes de transição após a disputa de 2020 e, há três meses, secretário de Governo de Renato Casagrande (PSB). Com aval e apoio da gestão estadual, Gilson Daniel (Podemos) começa com antecedência a erguer seu palanque para 2022, que, tudo indica, será a Câmara dos Deputados. Desde que foi nomeado na nova cadeira, em março, ele executa articulações com lideranças políticas e gestores, realiza palestras em municípios, participa de agendas oficiais na Grande Vitória e interior, e, agora, também “surfa” no projeto “Viana Vacinada”, que permite, em plena pandemia e escassez de doses, a imunização da população de 18 a 49 anos na cidade hoje administrada por seu “afilhado político”, Wanderson Bueno (Podemos). Apesar de fora do cargo de prefeito, o secretário de Governo faz do projeto também sua vitrine: apareceu em entrevistas na imprensa e, nas redes sociais, postou vídeos de todas as etapas e do Dia D, nesse domingo (13), ao lado de Casagrande, além de divulgar banner de “conseguimos” quando foi anunciada a campanha em Viana. As intensas movimentações já rendem, como registrado na semana passada na Assembleia Legislativa, discursos críticos referentes à troca no cargo, antes ocupado por Tyago Hoffmann, homem de confiança do governador. A substituição não agradou nem ao aliado Bruno Lamas (PSB), que na época “lamentou profundamente” a saída de um perfil técnico para entrar um político. Dessa vez foi Hudson Leal (Republicanos) que fez coro, citando a fábula do elefante e do escorpião, com um aviso a Casagrande: “Pode ter certeza, governador, que esta pessoa vai te trair. A história dele é de traição”. Apesar do pouco tempo de cadeira, para Hudson, “o secretário está sendo maior que o próprio governador”. 2022 promete! ‘Vergonha’O discurso do deputado do Republicanos foi feito há exatamente uma semana, quando quatro projetos de autoria dos deputados foram promulgados pela Assembleia, após perda de prazo do governo para encaminhar os vetos, o que foi apontado por Hudson como vergonha nacional”. “Ele [Gilson Daniel] está fazendo política, é candidato, mas não pode esquecer de seus afazeres”, reforçou em plenário. HolofoteSobre o “Viana Vacinada”, também sobrou crítica. Iniciativa da Secretaria de Saúde (Sesa) e do governador, Hudson perguntou: “e quem foi para a imprensa falar?”, referindo-se a Gilson. Para o deputado, “muitas coisas ainda vão acontecer no governo”. Lembrando…… que Gilson saiu da Amunes, mas nem tanto! A articulação para eleição do prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, Victor Coelho, do PSB de Casagrande, como seu sucessor, o manteve na cena e, obviamente, na mesa de negociação com os prefeitos capixabas. Tudo no mesmo pacote: candidatura própria e reeleição de Casagrande. SubstitutoO vereador de Vitória Armandinho Fontoura (Podemos) foi sorteado como membro suplente provisório da Corregedoria na Câmara. A medida foi necessária para substituição de Camila Valadão (Psol), autora de representação contra Gilvan da Federal (Patri) por quebra de decoro. ZeroRepresentação essa, aliás, que caminha para “pizza” após o relatório de Maurício Leite (Cidadania), que não viu problema algum nos ataques exaltados do colega contra Camila e pediu o arquivamento do processo. Violência política de gênero, para Maurício, é “apenas explicitar opinião política”. A propósito, se o desfecho for esse mesmo, vai surpreender um total de zero pessoas. De olho!Também serão responsáveis pela decisão Anderson Goggi (PTB), André Brandino (PSC) e Duda Brasil (PSL), os outros integrantes da Corregedoria que votarão o relatório, prevista para esta quarta-feira (16). O colegiado só foi instaurado recentemente, depois da repercussão negativa dos sucessivos episódios envolvendo Gilvan e as duas únicas vereadoras da Câmara, Camila e Karla Coser (PT). Cenário lamentávelPor falar em violência política de gênero, a Câmara dos Deputados realiza, também nesta quarta, às 13h, audiência pública para discutir ataques a vereadoras do PT em todo o País. Convoca o debate a bancada do partido, incluindo Helder Salomão. Por aqui, no mês passado, Karla Coser debateu a questão com a Nacional, para definir medidas jurídicas e políticas. Cenário lamentável IIOs problemas registrados em vários legislativos estaduais e municipais, potencializados desde as eleições de 2018, se referem a pedidos de cassação de mandato sem causa proferida, ofensas em plenário, agressões físicas e virtuais, injúrias, difamações, exploração da vida privada e até ameaças de morte. Principais vítimas: mulheres, mulheres negras e pessoas trans. Mudou A Fundação Ulysses Guimarães, do MDB, trocou de mãos no Estado. Assumiu Jeziel Buecker, no lugar de Chico Donato. O atual presidente afirma que o objetivo é trabalhar pelo fortalecimento da sigla para as eleições 2022, “com vistas a pacificar o diálogo partidário após as divergências internas no partido”. Difícil… Nas redes“Medidas restritivas do governo federal são inexistentes. Agora os governos estaduais ‘cansaram da pandemia’. Estamos com taxa de transmissão acima de 1 na maior parte dos estados, e está tudo normal. Todos de olho em 2022. Esquecerem que para isso precisamos sobreviver a 2021”. Ethel Maciel, epidemiologista e professora da Ufes FALE COM A COUNA:
Suzano ‘se desculpa’ por invadir território quilombola com maquinário de corte
Comunidade exige respeito à retomada quilombola. Empresa não garante evitar novos ataques, mas se diz ‘”aberta ao diálogo” Aquipoa “Desculpem-me, quilombolas, por invadir seu território numa sexta-feira à noite com dez máquinas de corte de eucalipto sem qualquer aviso prévio e destruir essa grande área nas margens do córrego Angelim, o único que ainda resiste após meio século de devastação ambiental e humana iniciada com a Aracruz Celulose e mantida por nós até hoje”. A anedota/paródia acima ironiza a posição manifestada pela Suzano Papel e Celulose, maior corporação multinacional produtora de celulose do mundo, durante reunião realizada nessa segunda-feira (14) na presença de membros da comunidade do Angelim II, das Defensorias Públicas Estadual e da União (DPES e DPU), Ministério Público Federal (MPF/ES), da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e do Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH). O pedido de aproximação dos órgãos de Justiça e universidade foi feito pela comunidade do Angelim II, uma das mais de 30 comunidades dentro do Território Quilombola Tradicional do Sapê do Norte, localizado entre os municípios de Conceição da Barra e São Mateus, no norte do Estado. O motivo foi o ataque sofrido pela comunidade com uma operação de corte de eucalipto iniciada na sexta-feira (11) à noite pela Suzano, de forma totalmente inesperada, levando medo e insegurança para os moradores, agressão semelhante à já noticiada em Século Diário há seis anos e tantos outros atos de violência já empenhados. Apenas no sábado pela manhã os populares conseguiram interromper a ação dos funcionários da Suzano e organizar sua proteção. “Foi de surpresa, numa sexta à noite. Tiraram as nossas placas e entraram com as máquinas derrubando tudo. Um absurdo! A gente entende que foi estratégico, porque no final de semana a comunidade não teria acesso fácil aos órgãos públicos. Mas nossa advogada conseguiu acionar os órgãos. Daí eles retiraram as máquinas e deixaram o eucalipto cortado lá. A Defensoria conseguiu mediar uma reunião às 16h, na margem do Rio Angelim”, relata Flávia dos Santos, agricultora e secretária da Associação Quilombola de Produtores Orgânicos do Angelim II (Aquipoa). Aquipoa As placas a que Flávia se refere foram instaladas a partir de dezembro passado, como medida de proteção ao seu território mediante invasão de várias pessoas alheias à luta quilombola, contra as quais a Suzano já solicitou reintegração de posse. Placas com nome da comunidade e das famílias que iniciaram os quilombos, com os números de leis e artigos que reconhecem o território quilombola. “Não tinha como não saber que não é território quilombola”, afirma Flávia, indignada com a alegação feita pelos representantes da Suzano, a gerente jurídica, Clara Muniz, e o advogado Wilson Muniz, de que a invasão das máquinas foi um equívoco, pois não sabiam se tratar de território quilombola, e de que os mapas não deixam clara a localização e outros argumentos do tipo. “Além das placas, eles conhecem o nosso trabalho, as plantações, o reflorestamento, a recuperação das nascentes. Tem os estudos da Ufes, o processo no Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária]. Além disso, cortaram os eucaliptos na margem do córrego Angelim! Na margem do Angelim!”, conta a líder quilombola, comovida pela falta de respeito da papeleira com o único corpo d’ água que ainda corre dentro da comunidade, porém totalmente poluído e sem qualquer condição de uso, seja para consumo humano, animal, ou mesmo para irrigação. Há anos, os moradores do Angelim II são abastecidos com carros-pipa enviados pela prefeitura municipal, recorrendo também a uma nascente localizada a cinco quilômetros de distância. Aquipoa Flávia conta ainda um acordo feito em janeiro deste ano com intermediação da Comissão Permanente de Conciliação e Acompanhamento de Conflitos Fundiários, vinculado à Secretaria de Estado de Direitos Humanos (SEDH), em que a empresa se comprometeu a não entrar no território quilombola sem permissão – compromisso descumprido violentamente nesse final de semana. ‘A terra é nossa’ “Ela não quer reconhecer a nossa retomada”, avalia Flávia, citando o movimento de Retomadas, iniciado em 2007 por diversas comunidades quilombolas, que decidiram demarcar e tomar posse do seu território, diante da morosidade dos órgãos federais em finalizar os processos de titularização. “Eles queriam só começar a fazer o aviso prévio e iniciar o processo de corte. E nós, como comunidade, falamos que não, que eles teriam sim que fazer todo o processo de aviso prévio e sinalização, mas que o corte só vai iniciar quando tivermos garantia que após o corte não irão mais plantar dentro do nosso território e que, durante o corte, não irá afetar nenhuma plantação, nenhum trabalho que a comunidade já fez dentro do território retomado”, relata Flávia. “Deixamos bem claro para Suzano que a terra é nossa, nós estamos com a retomada, e que a empresa antes de entrar no nosso território tinha, sim, que pedir licença porque nós estamos protegidos pela Convenção 169 da OIT [Organização Internacional do Trabalho]. Eles desconversaram e pediu pra gente fazer um mapa com ele. Nós negamos, porque já temos um mapa oficial feito pelo Incra”. Diante da negativa dos advogados da Suzano em se comprometer em respeitar as condições da comunidade, Flávia conta que a procuradora da República, Carolina Augusta da Rocha Rosado, posicionou firmemente que a comunidade tem a posse da terra e que, se a empresa não respeitar esse direito, o MPF irá judicializar a questão. “Foi quando eles deram uma acalmada e disseram que iriam participar da reunião do dia 23 [de junho] com o Incra”, conta, referindo-se a uma reunião em que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária irá apresentar novos mapas e dados sobre o processo de titularização das terras já reconhecidas pela Fundação Cultural Palmares como pertencente aos quilombolas. “Eles disseram que estão ‘à disposição’ e ‘abertos ao diálogo’”, reproduz Flávia. “Diálogo estranho esse deles, que só acontece para fazer acordo quando beneficia só a eles”, critica. Desertificação e resistência “A Comunidade Angelim II está morrendo de sede porque secaram todos os córregos”, brada Flávia, reverberando um processo de desertificação que atinge todo o Sapê do Norte e que só não
Paralisação: enfermagem cobra votação do piso salarial no Senado
Profissionais capixabas se somam a atos marcados para o próximo dia 30 em todo o Brasil Representantes sindicais da enfermagem manifestam insatisfação com o adiamento de mais uma discussão sobre o piso salarial no Senado. No Espírito Santo, a categoria já aderiu à mobilização nacional dos profissionais, com um indicativo de paralisação para o dia 30 de junho. A organização e o tempo de paralisação ainda não foram definidos nem informados. Há uma semana as entidades da enfermagem capixaba seguem o movimento nacional e estão em estado permanente de mobilização, definido em uma Assembleia Geral Virtual realizada no mesmo dia. “O momento é agora. Não vamos esperar ter uma nova pandemia, uma nova doença, para avaliarem a utilidade e a valorização da enfermagem de novo, porque nós também estamos morrendo”, declara a presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Espírito Santo (Sindienfermeiros-ES), Valeska Fernandes Morais. Os atos reivindicam a votação do Projeto de Lei 2564/2020, de autoria do senador Fabiano Contarato (Rede), que, mesmo após conseguir o apoio de 76 dos 81 senadores, ainda não foi colocado em votação no Senado. O presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM/MG), tinha uma reunião marcada com a categoria e com Contarato na última semana, mas o encontro foi adiado. “Estamos na expectativa de que ocorra na próxima semana e trabalhamos com a ampla adesão dos parlamentares. O piso salarial nacional dos profissionais da enfermagem é urgente. Não vamos descansar até sua aprovação”, disse Contarato nas redes sociais. O parlamentar ainda aguarda a definição da agenda por Pacheco. A presidente do Sindienfermeiros-ES conta que a entidade recebeu a notícia do adiamento com indignação. Para Valeska, o presidente do Senado se esquiva da discussão, uma pauta antiga da categoria. “É uma luta de mais de 20 anos. As histórias falam em mais de 65 anos de luta, que sempre um governo ou um político se interessa pela nossa causa, só que nunca avança”, aponta. Em razão da pandemia, a mobilização dos sindicatos estava sendo realizada apenas de maneira virtual. Representantes da categoria em todo o Brasil promoveram atos massivos nas redes sociais. “Uma mobilização que eu nunca vi em quase 20 anos de profissão, nunca vi a enfermagem tão mobilizada”, declara Valeska. Com a lentidão e os entraves para a votação do projeto, a categoria decidiu partir para atos presenciais. Nessa segunda-feira (14), sindicatos promoveram atos em Minas Gerais, onde mora o presidente do Senado. Valores mantidos Na assembleia do último dia 7 de junho, os enfermeiros capixabas também aprovaram os valores do piso nacional presentes no projeto de lei, sem nenhuma redução. “Dizem: ‘ah vamos reduzir o valor do piso para poder facilitar de passar’, mas quando era só a jornada de trinta horas, também não passou. Quanto mais os anos passam, maior é o sofrimento e maior é o nosso merecimento”, ressalta Valeska. O projeto que tramita no Senado propõe a criação de um piso de R$ 7,3 mil mensais para enfermeiros, de R$ 5,1 mil para técnicos de enfermagem, e de R$ 3,6 mil para auxiliares de enfermagem e parteiras. No caso dos enfermeiros, o valor estabelecido pelo projeto é para 30 horas semanais. Valeska lembra que o valor proposto no projeto foi devidamente calculado e outros profissionais da Saúde, como os médicos, já recebem valores maiores. “Quando você chega no posto de saúde, no hospital, quem é que vem te atender? A enfermagem. Na hora de ir embora, quem está lá de novo? Para te explicar, te orientar? É a enfermagem. Nós somos os primeiros a chegar e os últimos a sair”, ressalta. Projeto de Lei Desde que foi proposto por Contarato, o projeto que institui o piso salarial para a categoria tem passado por uma série de entraves por parte de representantes de empresários, entidades, planos de saúde e municípios, que reclamam o impacto financeiro. A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) chegou a encaminhar um ofício ao Senado solicitando a não votação do texto. O documento, assinado pela Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amunes), definia a decisão como “uma bomba fiscal para as combalidas administrações locais”. Em seguida, a CNM enviou um novo documento sugerindo que, caso o projeto fosse aprovado, as carreiras fossem federalizadas, transferindo a responsabilidade de pagamento do piso para a União. O texto, também assinado pela Amunes, afirma que a entidade não era contrária à valorização dos profissionais, mas mantinha o argumento de que os municípios não poderiam arcar com os custos. No dia 8 de junho, representantes da categoria fizeram o lançamento virtual do Manifesto pela Unidade das Entidades de Classe da Enfermagem na Luta pela Aprovação do Piso Salarial. De acordo com informações do Sindienfermeiros-ES, na última semana, o texto já contava com mais de 5 mil assinaturas, entre 20 entidades representativas da categoria e profissionais que aderiram à causa. Reunião com governo tentará mais uma vez viabilizar piso nacional da Enfermagem – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/politica/reuniao-com-governo-federal-tentara-mais-uma-vez-viabilizar-o-piso-nacional-da-enfermagem
Cariacica anuncia novo mutirão de vacinação para o próximo sábado
Prefeitura quer imunizar, no estádio Kleber Andrade, 8 mil pessoas da faixa etária acima de 45 anos A Prefeitura de Cariacica anunciou um novo mutirão de vacinação para o próximo sábado (19), no estádio Kleber Andrade, com a meta de contemplar 8 mil pessoas da faixa acima de 45 anos, sem comorbidades. A estratégia repete a realizada no último dia 12, quando o município conseguiu imunizar 5,4 mil pessoas em um único dia. O agendamento para o novo mutirão será aberto às 14 horas desta quarta-feira (16), pelo site vacina.cariacica.es.gov.br. A realização de mutirões nos finais de semana tem sido um pedido do governo do Estado, não só para acelerar a vacinação, mas também contemplar as pessoas que não conseguem agendar no horário de expediente. Segundo a prefeitura, também serão abertas mais vagas para vacinação em outros locais, para os seguintes públicos: primeira dose AstraZeneca para pessoas com comorbidades de 18 a 59 anos; e trabalhadores da Educação, de escolas públicas e particulares entre 18 e 59 anos, que atuam no ensino infantil, fundamental, médio, técnico e superior, residentes ou que atuam no município (é necessário comprovar o vínculo de emprego e levar comprovante de residência). Outro agendamento será para a segunda dose da AstraZeneca para idosos e trabalhadores da saúde. O quantitativo para estes públicos ainda será definido pela Secretaria Municipal de Saúde. Nesta semana, Cariacica, Vitória e Vila Velha iniciaram a vacinação de pessoas acima de 45 anos, sem comorbidades. Os primeiros agendamentos ocorreram no final de semana e nessa segunda-feira (14). O Estado aguarda a chegada de 59 mil doses ao Estado da vacina Janssen, de dose única, que serão direcionadas aos quatro maiores municípios da região metropolitana – Serra, Vila Velha, Cariacica e Vitória – segundo decisão da Comissão Intergestores Tripartite (CIB), que priorizou a capacidade logística mais rápida na região. As prefeituras terão que aplicar as doses em 48 horas. Também há previsão de chegada de aproximadamente 20 mil doses de Coronavac (2% de um lote nacional de um milhão de doses) e provavelmente mais 60 mil de um segundo lote nacional de três milhões de doses, o que será mais do que suficiente para atender aos 50 mil capixabas que ainda estão em atraso com a D2 do imunizante do Butantan. Ranking Sudeste O Espírito Santo apresenta a melhor cobertura vacinal entre os quatro estados da região Sudeste para a primeira dose contra a Covid-19 entre a população de 60 anos ou mais, com 98,01% de cobertura desde o início da campanha, em janeiro de 2021, como apontam dados da Rede Nacional de Dados em Saúde do Ministério da Saúde divulgados pelo governo. Segundo estimativas do Ministério, o Estado tem 592.792 pessoas acima dos 60 anos e já havia aplicado a primeira dose em 581.038 capixabas até essa segunda-feira (14). Os estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro apresentaram no mesmo período a cobertura de 90,4%, 87,6% e 86,6%, respectivamente. A expectativa é que, com os esquemas das segundas doses com a vacina Covishield (Oxford/Fiocruz) a serem completados em julho e com o retorno da produção da Coronavac (Sinovac/Butantan), o Estado poderá apresentar o percentual de cobertura acima dos 90% também para as segundas doses em pessoas acima dos 60 anos, que, atualmente, está em 58,2% — número superior aos demais estados do Sudeste. Além disso, a Secretaria da Saúde (Sesa), por meio do Programa Estadual de Imunizações, tem orientado semanalmente os municípios na realização da busca ativa da população que se encontra com a segunda dose em atraso, visando a garantir a complementação do esquema e atingir a excelência na cobertura vacinal.
Deputados rejeitam convocação de Nésio para explicar compra de álcool em gel
Plenário da Assembleia derrubou o requerimento de Theodorico e Sergio Majeski por 20 votos a seis Por 20 votos a seis, os deputados estaduais rejeitaram, nesta segunda-feira (14), a convocação do secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, para prestar esclarecimentos sobre a compra de álcool em gel da empresa Tatum Solutions, sem licitação, conforme requerimento apresentado pelos deputados Theodorico Ferraço (DEM) e Sergio Majeski (PSB). A votação ocorreu depois que o líder do governo, Dary Pagung (PSB), leu nota do governo do Estado negando qualquer irregularidade, principalmente relativa a sobrepreço do insumo, adquirido na fase inicial da pandemia da Covid-19. Antes da votação, o presidente da Assembleia, Erick Musso (Republicanos), anunciou a convocação do secretário de Planejamento, Álvaro Duboc, para prestar esclarecimento, considerando que sua pasta é responsável pelas compras governamentais. Musso foi alertado pelo deputado Freitas (PSB) de que a convocação de secretários de Estado terá que ser aprovada pelo Plenário da Casa, forçando uma análise pela Procuradoria da Assembleia no Regimento Interno antes de confirmar o ato convocatório. “O Governo do Espírito Santo informa que, por meio da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), encaminhou nessa quarta-feira (9) à Superintendência de Polícia Federal no Espírito Santo e ao Ministério Público Federal (MPF) nos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, a cópia integral do processo de aquisição de álcool em gel pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), que foi alvo de diligências no âmbito da “Operação Volátil”. Foi encaminhada também cópia do relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), no qual o órgão aponta que não encontrou indícios de sobrepreço na compra”, diz a nota do governo lida por Dary Pagung. Em outro trecho, afirma que todos os “insumos adquiridos foram integralmente entregues, não havendo qualquer questionamento quanto à sua qualidade. O momento era de desabastecimento no mercado e o Espírito Santo teve êxito em adquirir o volume máximo que cada um dos fornecedores poderia entregar. Em função disso, ocorreu o parcelamento de quantidade por fornecedores, dados estes que estão no processo de compra. O alerta quanto a possíveis irregularidades partiu da própria Sesa, em junho de 2020, sem, contudo, interromper a aquisição, dada sua importância para aquele momento crítico da pandemia, em que álcool e máscaras eram imprescindíveis para frear o avanço do vírus”. A votação do projeto gerou discursos favoráveis e contrários ao governo, neste caso, liderados pelo grupo de oposição, Torino Marques (PSL), Carlos Von (Avante) e Danilo Bahiense (sem partido), que juntos com os autores, Theodorico e Majeski, somam os votos favoráveis ao requerimento. Já contra a convocação, se manifestaram Adilson Espíndula (PTB), Alexandre Xambinho (PL), Bruno Lamas (PSB), Alexandre Quintino (PSL), Dary Pagung (PSB), Dr. Hércules (MDB), Emílio Mameri (PSDB), Rafael Favatto (Patri), Freitas (PSB), Gandini (Cidadania), José Esmeraldo (sem partido), Iriny Lopes (PT), Janete de Sá (PMN), Luciano Machado (PV), Marcelo Santos (Podemos), Marcos Garcia (PV), Marcos Madureira (Patri), Marcos Mansur (PSDB), Raquel Lessa (PMN) e Vandinho Leite (PSDB). Alguns justificaram o voto contrário ao requerimento no anúncio de convocação de Duboc e do comparecimento de Nésio Fernandes à Comissão de Saúde, no próximo dia 25. A denúncia sobre a compra de álcool em gel sem licitação foi efetuada em 2020 pela Frente Parlamentar de Fiscalização das Despesas para o Combate ao Coronavírus, que encaminhou ao Ministério Público de Contas (MPC) pedido de apuração no processo de aquisição emergencial do produto. Na época, Theodorico e Sergio Majeski colocaram em dúvida a capacidade técnica da empresa para assumir o contrato formalizado em 1º de abril, no valor total de R$ 6,3 milhões, para fornecimento de 400 mil frascos de 500 ml de álcool em gel 70%. No última dia 7, a Polícia Federal deflagrou a Operação Volátil, com o “objetivo de investigar uma organização criminosa que forneceu álcool em gel para a Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo (Sesa), em contratação com indícios de fraude e superfaturamento, envolvendo o uso de verba federal destinada ao combate da Covid-19”.
‘Dois senhores’
No mesmo dia da convenção do Patriota, possível sigla do presidente, mais abismos entre Favatto e os planos bolsonaristas no Estado Leonardo Sá No mesmo dia da convenção nacional do partido Patriota que tenta sanar as divergências internas para filiar o presidente Jair Bolsonaro, o que terá reflexo nas executivas estaduais, a Assembleia Legislativa registrou mais uma vez, nesta segunda-feira (14), o abismo existente entre o atual comandante da legenda no Estado, Rafael Favatto, e o deputados bolsonaristas, durante votação do requerimento para convocação do secretário de Saúde, Nésio Fernandes, no caso da compra de álcool em gel que é alvo de investigação da Polícia Federal (PF). Depois de uma nota lida em plenário por Dary Pagung (PSB), líder de Renato Casagrande, foi Favatto quem iniciou os discursos em defesa da gestão estadual, inclusive apontando “motivações políticas”. A postura segue na contramão das investidas e estratégia do grupo do presidente no Estado, com alcance nas eleições de 2022. Os mais incisivos na Assembleia, o Capitão Assumção, também filiado ao Patriota, e ainda Torino Marques (PSL), que atuam em sintonia com o grupo do ex-deputado federal Carlos Manato (sem partido), em campo há meses para pavimentar uma candidatura ao Palácio Anchieta. Desde que a filiação de Bolsonaro no Patriota ganhou fôlego, no final de maio, Favatto já apareceu negando a possibilidade de perder o posto e, na visita do presidente ao Estado, fez várias publicações o exaltando, além de integrar a comitiva oficial. Acontece que esse palanque, da oposição, se constrói dentro da imposição de desgaste e acusações a Casagrande e ao governo do Estado, que o próprio Favatto contesta. Confirmada a chegada de Bolsonaro à legenda, como conciliar as divergências e prioridades no Espírito Santo, incluindo ainda possíveis novas filiações? O presidente do Patriota capixaba, ao invés de ajudar, tem atrapalhado os planos bolsonaristas locais. Tratando-se do presidente e de Casagrande, e dos projetos políticos antagônicos que representam, impossível “servir a dois senhores”. PeçasO próprio Manato aguarda o sinal de Bolsonaro para decidir seu futuro partidário e Torino, do mesmo jeito, a autorização legal para deixar o PSL, que saiu das mãos bolsonaristas e passou a integrar a base de Casagrande. A deputada federal Soraya Manato também é do PSL, mas ainda não manifestou interesse em mudar. Campos opostosA diferenças entre Favatto e o próprio Assumção já foram analisadas aqui na coluna por diversas vezes, incluindo ainda o vereador de Vitória, Gilvan da Federal, que já fez até cobrança pública ao presidente estadual do Patriota para denunciar e se posicionar contrário a Casagrande. Há controvérsias…Nas redes sociais, Favatto postou fotos da visita de Bolsonaro com frases do tipo: “O ES te recebe de braços abertos”, “Nosso Estado ama você” e “Volta, presidente”. Lá é cáAo mesmo tempo, várias postagens ao lado de Casagrande em atos públicos. No plenário da Assembleia, porém, é onde as diferenças mais se acentuam, desde o ano passado. RachaA entrada do presidente no Patriota voltou à cena após filiação do seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (RJ), que deixou o Republicanos. A questão gerou conflito interno, sob acusação de golpe e irregularidades, o que tenta ser apaziguado agora, ainda sem êxito. Racha IIO impasse envolve ainda a manutenção do controle de alguns diretórios estaduais e municipais. O grupo de Bolsonaro quer formar palanques estaduais e bancadas da Câmara e do Senado com nomes alinhados às bandeiras do presidente. InsegurançaHoje, a chance de a filiação não vingar é exatamente a falta de consenso interno, para evitar insegurança partidária e culminar no mesmo cenário encontrado no PSL, que terminou em brigas e na saída do presidente do partido. No Espírito Santo, a legenda mudou completamente de lado e perfil. No caso do Patriora, veremos os desdobramentos! DiscursosAssim como Favatto e Dary Pagung, defenderam com ênfase o governo Casagrande nesta segunda-feira, no caso do álcool em gel, os deputados Luciano Machado (PV), Marcos Garcia (PV), Janete de Sá (PMN), Bruno Lamas (PSB) e Freitas (PSB). Discursos IIAo contrário, dispararam críticas, entre elas até sugestão de CPI, Torino Marques (PSL), Assumção (Patri), Carlos Von (Avante), Theodorico Ferraço (DEM) e Sergio Majeski (PSB). Nas redes“Dizer que a Reforma da Previdência combateu a máfia dos privilégios é um escárnio!”. Vereadora de Vitória Camila Valadão, do Psol, sobre declaração do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) em evento público. FALE COM A COLUNA: Patriotas destoantes No partido comandado por Rafael Favatto no Estado, as lideranças, definitivamente, não falam a mesma língua https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/patriotas-destoantes ‘Não dá liga’ À medida que a pandemia e seus contornos políticos avançam, se acentuam as diferenças gritantes entre Assumção e Favatto https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/nao-da-liga
Estado vai cuidar de grupos prioritários e deixar faixas etárias com municípios
Trabalhadores da limpeza e da indústria são grupos já definidos. Vacina Janssen irá para as quatro maiores cidades da GV Leonardo Sá Trabalhadores da limpeza pública e da indústria, caminhoneiros e população privada de liberdade serão os próximos grupos prioritários para vacinação contra a Covid-19 já aprovados no Espírito Santo, segundo anunciou o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (14), ao lado do subsecretário de Estado de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin. Esses e os próximos grupos que venham a ser definidos devem ter suas campanhas de imunização coordenadas diretamente pelo governo do Estado, com apoio de equipes parceiras. A proposta foi feita pela Sesa e está em análise, com definição prevista para os próximos dias. Com isso, explicou o secretário, os municípios poderão se dedicar a avançar com a aplicação da primeira e segunda doses – D1 e D2 – nas pessoas agendadas por faixas etárias e nas que pertencem aos grupos prioritários já estabelecidos no Plano Nacional de Imunização (PNI). “Acreditamos que até o início de julho, quando avançarmos sobre novos grupos prioritários, o governo possa colaborar com os municípios ativamente para acelerar a imunização no Estado”, disse Nésio Fernandes, reafirmando o pedido já feito aos municípios para que “avancem na vacinação em três turnos”, para facilitar o acesso da população trabalhadora que tem dificuldade de se dirigir às salas de vacinação em horário comercial. No momento, entre a população idosa, com mais de 60 anos, das 568 mil pessoas que receberam a primeira dose, apenas 328 mil receberam a segunda, o que significa que há 240 mil ainda com o esquema vacinal incompleto. Dessas, 50 mil aguardam a regularização da produção da Coronavac pelo Instituto Butantan, prometida inicialmente para a primeira quinzena de junho, mas com novo prazo adiado para até o final deste mês. Outra parte ainda não teve o prazo da segunda dose da AstraZeneca vencido, o que deve acontecer nas próximas duas semanas. Há ainda uma parte desse público idoso que está em atraso, mesmo com a vacina já disponível. Sobre essas pessoas, os gestores da Sesa reforçaram o pedido para que os tutores e responsáveis por esses idosos providenciem o agendamento e aplicação do imunizante. “Há uma responsabilidade inclusive legal dessas pessoas que têm a tutela de seus idosos”, salientou Reblin. O Estado aguarda a chegada de aproximadamente 20 mil doses de Coronavac pelos próximos dias (2% de um lote nacional de um milhão de doses) e provavelmente mais 60 mil de um segundo lote nacional de três milhões de doses, o que será mais do que suficiente para atender aos 50 mil capixabas que estão em atraso com a D2 do imunizante do Butantan. Janssen, Covaxin e Sputinik Sobre a vacina da Janssen, é aguardada a chegada de 59 mil doses ao Estado, que serão direcionadas aos quatro maiores municípios da região metropolitana – Serra, Vila Velha, Cariacica e Vitória – segundo decisão da Comissão Intergestores Tripartite (CIB), que priorizou a capacidade logística mais rápida na região. Os municípios pactuaram aplicar as doses em 48 horas. Sendo uma vacina de dose única, esse lote, mesmo pequeno, tem “eficácia capaz de contribuir com a ruptura da cadeia de transmissão do vírus”, acentuou o secretário Nésio. “Vamos receber as doses em data próxima ao vencimento. Mesmo com postergação do prazo de validade pela indústria, achamos oportuno aplicação de todas as doses da Janssen na Grande Vitória”. O Estado aguarda ainda a definição da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre adoção da Covaxin e da Sputinik V, para fazer uma projeção cronológica mais concreta de vacinação por grupos etários. ‘Viana Vacinada’ Os gestores da Sesa ainda destacaram a importância do Dia D de vacinação no município de Viana, realizado nesse domingo (13), dentro do projeto Viana Vacinada. “O dia 13 de junho foi um dia importante para a ciência capixaba”, declarou Nésio Fernandes. Das 35 mil pessoas com idades entre 18 e 49 anos, alvo da iniciativa, 15 mil agendaram sua imunização para o Dia D e 14 mil compareceram. As demais 21 mil têm mais seis dias para aderir e todos serão acompanhados pelo projeto durante os próximos 12 meses. O projeto aplica meia dose da AstraZeneca, para confirmar em campo a eficácia já demonstrada em estudos de fase 2 e 3 da própria fabricante. “Não temos dúvida de que a meia dose irá promover uma proteção imunológica na população alcançada pelo estudo. Acreditamos que será possível reduzir no mínimo em 60% a incidência de casos no município”, disse. Plataforma estadual Nésio e Reblin também anunciaram o andamento da implantação de uma plataforma estadual para registro das vacinas aplicadas no Estado, que irá substituir a plataforma nacional Localiza SUS, devido aos atrasos seguidamente ocorridos na informação dos dados cadastrados não só pelo Espírito Santo, mas por outras unidades da federação. Na próxima quarta-feira (16) será feita a gravação de vídeos, como parte de um treinamento que os municípios receberão para utilização da nova tecnologia. “Dez municípios estão sendo selecionados e participação de um dia de treinamento. A gravação audiovisual desse treinamento será disponibilizado aos demais municípios até o final da próxima semana”. A nova plataforma foi desenvolvida por estudantes e professores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e disponibilizada ao Espírito Santo. Entre suas funcionalidades, está a previsão de envio de mensagens de SMS às pessoas, sete dias antes de vencer o prazo de recebimento da segunda dose, na véspera do prazo final, e, caso a pessoa não respeite o prazo, receberá mensagens por mais três vezes, a cada três dias.
‘Novos casos se concentram nas pequenas localidades’, alerta Sesa
Número de casos cresce em 13 cidades e de óbitos em 10. Estado inicia testagem em aeroporto e terminais do Transcol Sesa Apesar da fase de estabilização da pandemia do coronavírus em âmbito estadual, a Secretaria da Saúde (Sesa) acende um alerta sobre o agravamento dos indicadores nos menores municípios e localidades do interior do Estado. Mais distantes das tecnologias de saúde, a situação é preocupante, afirmou o subsecretário de Estado de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin, durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (14) juntamente com o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes. “Uma questão importantíssima para essa doença é monitorar a saturação de oxigênio, o volume de oxigênio que chega em cada célula do seu corpo. Oxímetros foram entregues aos municípios, mas a população mais distante precisa de uma atenção muito grande para ser monitorada. O risco para quem está mais afastado é maior do que quem está nos grandes centros”, salientou Reblin. Segundo o secretário Nésio Fernandes, 13 municípios do interior apresentam aumento da média móvel de número de casos: Santa Teresa, Sooretama, Vila Valério, Iúna, Pancas, Alfredo Chaves, Águia Branca, Muqui, Governador Lindenberg, Itaguaçu, Santa Leopoldina, Bom Jesus do Norte e Água Doce do Norte. Com “discreto aumento da média móvel de 14 dias de óbitos”, estão: São Gabriel da Palha, Barra de São Francisco, Itapemirim, Jaguaré, Ibatiba, Pinheiros, Marechal Floriano, Ecoporanga, Guaçuí e Iúna. No restante dos municípios, o momento é de consolidação da estabilização das curvas de casos, internações e óbitos. Estabilização em números altos A estabilização registrada no Estado ocorre num momento de indicadores ainda muito elevados, conforme destacaram os gestores em relação às vítimas fatais da pandemia. “Dos mais de 11 mil mortos até o momento, oito mil são de pessoas idosas”, sublinhou Reblin, ao reafirmar a necessidade de atenção dos tutores de idosos em relação à aplicação da segunda dose dos imunizantes já disponíveis. Dos 568 mil idosos que já receberam a primeira dose, apenas 328 mil receberam a segunda. Mesmo com mais de 40% da população adulta alvo do Plano Nacional de Imunização (PNI) já alcançada com ao menos uma dose das vacinas, o Espírito Santo, que figura como o terceiro do País com maior percentual da população adulta imunizada, ainda não pode relaxar em relação às medidas sanitárias de proteção contra o novo coronavírus. “Enquanto não alcançarmos 70% a 80% da população vacinada, não podemos flexibilizar medidas como uso de máscara, distanciamento social, e o lavar contínuo das mãos”, acentuou Nésio Fernandes. Aglomerações proibidas O cenário preocupante, com ainda alto número de casos, óbitos e internados, ressalta a impossibilidade de ocorrerem quaisquer tipos de aglomerações. “Todas as aglomerações são indevidas em tempos de pandemia. Não é aceitável que seja feitas festas clandestinas, principalmente por uma população não alcançada pela vacinação e mais suscetível às novas variantes, e que não tem perspectiva de imunização nos próximos 60 a 90 dias”, asseverou Nésio Fernandes. “Toda e qualquer infração às orientações sanitárias poderá custar a vida de um ente querido e novas medidas de restrições sociais e econômicas, com um custo que não é do governo do Estado, mas sim das vidas de pessoas atingidas por essa imprudência”, apontou. “Que a população se mobilize para aderir às medidas de distanciamento social, que os estabelecimentos tenham disciplina para aderir aos protocolos. Evite esse comportamento e denuncie sempre que ocorrer”, pediu. As projeções para os próximos dois meses da pandemia no Estado serão elaboradas até a próxima semana. “A grande maioria dos estados vive situação crítica, com novo crescimento das curvas de casos internações e óbitos, incluindo Amazonas, na média móvel de óbitos de 14 dias”, acentuou o secretário. Apesar do cenário nacional, Nésio declarou ter “esperança de podermos viver no segundo semestre uma situação epidemiológica e espiritual diferente no nosso país. Com o avanço da vacinação, poderemos ter a garantia de menos vidas perdidas”, disse. Testagem em Aeroporto e terminais do Transcol Além da vacinação, a testagem é uma medida fundamental de controle da pandemia. Reafirmando a “ampla disponibilidade de testes pelo governo do Estado para ruptura da cadeia de transmissão”, Nésio e Reblin anunciaram a testagem em locais de grande fluxo de pessoas, iniciando no Aeroporto de Vitória nesta quinta-feira (17) e no terminal de ônibus de Jardim América na sexta (18), com previsão de mais três terminais na próxima semana. A intenção é abranger todos os terminais do Transcol dentro de 90 dias, quando será decidido se a medida terá continuidade. “O atendimento nesses pontos será por demanda espontânea. No aeroporto, será junto a passageiros vindos de outros países, assim como qualquer passageiro de voo doméstico que queira fazer o teste”, explicou Nésio. Estarão disponíveis nesses locais tanto os testes de antígeno quanto os de RT-PCR. Em paralelo, segue a política de testagem imediata nos serviços de atenção básica em saúde, de todas as pessoas sintomáticas suspeitas, bem como de todos os contatos diretos das sintomáticas positivas. “É uma regra de ouro para o controle da pandemia”, destacou Reblin. No início do mês, os gestores salientaram a “ociosidade na oferta de testes de antígeno e RT-PCR”, sendo ainda fundamental que os municípios implementam de fato essa política ampla de testagem. Essa grande oferta, ainda não plenamente utilizada, alegaram, pode fazer do Espírito Santo uma referência nacional em testagem e rastreamento. Painel Covid-19 O Painel Covid-19 confirmou, nesta segunda-feira (14), 30 novos óbitos e 1.309 casos da doença, totalizando, até o momento, 11.173 mortes e 499.839 infecções. A taxa de ocupação de Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) está em 78,28% dos 990 leitos efetivamente disponíveis exclusivamente para o tratamento dos pacientes com Covid-19, e em 70,58%, quando considerados também os 108 leitos em potencial para atendimento, o que totaliza 1.098 leitos.
Servidores de Guarapari cobram pagamento de auxílio para profissionais da Saúde
Benefício de três meses, que já é lei, deve ser direcionado a profissionais que atuam na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) O Sindicato dos Trabalhadores da Administração Direta e Indireta e do Poder Legislativo do Município de Guarapari (Sintrag) questiona a prefeitura sobre o cumprimento do pagamento do Auxílio Funcional Transitório para Enfrentamento e Combate à Covid-19 (Aftec -Covid-19) para os servidores da Unidade de Pronto Atendimento (UPA). O benefício foi aprovado por meio da Lei Nº. 4.530/2021 e leva em consideração riscos sofridos pelos profissionais durante a pandemia. Após divergências entre os textos do Executivo e Legislativo, porém, os valores ainda não foram pagos. A expectativa é de que o sindicato protocole um documento na prefeitura nesta terça-feira (15). O Sintrag chegou a convocar uma manifestação para esta segunda, cancelada após uma tentativa de acordo entre o município e os servidores. As divergências em relação ao auxílio se iniciaram após vereadores alterarem um trecho da matéria. Ao aprovar o PL nº 044/2021, a Câmara de Guarapari inseriu uma emenda que ampliava o benefício para profissionais que atuam nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), na sede da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e nos Programas Municipais de Saúde. A prefeitura vetou a emenda, sob justificativa de desacordo com a proposta inicial, mas o veto foi derrubado pela Câmara. Ao barrar a nova redação do projeto, o município também alegou que, além de ser ilegal – por alterar um texto de autoria do Executivo – a emenda “provoca aumento de despesa, a ser suportada pela prefeitura sem qualquer estudo de impacto financeiro por parte dos vereadores”. Para o sindicato, o pagamento do benefício para os servidores da unidade básica é fundamental, porque eles também estão na linha de frente do combate à pandemia. “O auxílio funcional é uma forma de reconhecer a importância desses profissionais, tendo em vista a exposição diária que eles sofrem frente a tal vírus e por vários meses ficaram com férias suspensas por conta da pandemia.”, declara o presidente do Sintrag, Thiago Magno. Apesar das divergências em relação à emenda, o sindicato salienta que isso não impede que a prefeitura cumpra o que já foi estabelecido em lei, pagando pelo menos os trabalhadores da UPA. Este também é o entendimento da Câmara de Guarapari que, no início deste mês, publicou uma nota reiterando a cobrança pelo cumprimento da lei. “Desde o último dia 12 de maio, quando a lei dispondo sobre este benefício (Lei nº 4.530/2021) foi publicada no Diário Oficial do Município, o Executivo já estava autorizado a efetuar o pagamento aos servidores da saúde lotados na UPA 24 horas. Ou seja, a emenda aditiva aprovada pela CMG – para contemplar os demais servidores da saúde, além daqueles que atuam na UPA – não impede que a prefeitura pague os servidores mencionados no texto original”, ressaltou. Esse será um dos apontamentos presentes no documento protocolado nessa terça-feira (15) pelo Sintrag. “Vamos questionar à prefeitura por que a lei não está sendo cumprida na íntegra, sendo que está em vigor”, explica Thiago Magno. O projeto O projeto de lei que cria o Auxílio Funcional Transitório para Enfrentamento e Combate à Covid-19 (Aftec -Covid-19) é de autoria do Executivo. Segundo o texto original, o benefício seria direcionado a profissionais de saúde efetivos, contratados e comissionados, que atuam na UPA de Guarapari. No caso dos profissionais da medicina, o auxílio seria repassado somente aos servidores de carreira. O auxílio seria pago por três meses, com valores que variam de R$ 800 a R$ 4 mil, dependendo da função do profissional da Saúde. O texto prevê que, para receber os valores, os servidores precisarão comprovar 100% de atividades presenciais na unidade. “Acho que é até tardio tal auxílio, tendo em vista que pandemia começou há mais de um ano”, ponta Thiago.
Professor usa a afetividade como política contra o autoritarismo
Nourival Júnior denomina o método como uma “pedagogia de resistência” à intolerância Um caminho para “uma pedagogia de resistência ao autoritarismo, ao racismo, ao fascismo e à intolerância” foi apontado nesta segunda-feira (14) em relato apresentado na Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, pelo professor de Geografia aposentado Nourival Cardozo Júnior, criador do projeto “Oficina do Afeto”. A metodologia, utilizada em escolas estaduais a partir do município da Serra, é baseada na abertura de diálogo com os alunos, com ênfase na necessidade de ouvi-los a respeito de problemas que extrapolam os ensinamentos em sala de aula. “Estou me propondo a fazer uma política que vai na contramão, por exemplo, do que a gente vê hoje na política nacional”, disse o professor ao defender uma “política contrária à beligerância verbal”, centrada na afetividade. “É a pedagogia da delicadeza como ato político, se contrapondo à política da indelicadeza, da arrogância e da intolerância, presente nas relações interpessoais, principalmente no mundo político”, enfatiza Nourival Júnior, que considera a “afetividade, também, como uma postura política”. O projeto “Oficina do Afeto” nasceu em 2006, época em que o professor foi ameaçado da morte por um aluno, na sala de aula, ocorrência que o impactou muito. Algum tempo depois, esse aluno, um adolescente, foi baleado e recebeu a vista do professor, ainda no hospital onde se encontrava internado. A partir do diálogo, o professor sentiu a necessidade de possibilitar aos alunos meios pelos quais eles pudessem relatar seus problemas e anseios, passando a ouvi-los e, desse modo, conhecer o universo existencial de cada um. Os alunos passaram a escrever cartas sobre a vida fora do período escolar. “Quando algum aluno me chamava, eu falava: ‘registra isso, escreve, põe para fora, me entrega, eu vou ler e depois a gente conversa’”, explica o professor, que ganhou o carinho, a admiração e o respeito de turmas inteiras com o registro de alterações de comportamento não apenas em sala de aula, mas junto à família e no convívio social. Nourival Júnior fez o relato a convite do deputado Bruno Lamas (PSB), presidente da Comissão de Educação, que tem como membros efetivos os também deputados Alexandre Quintino (PSL), Dary Pagung (PSB), Renzo Vasconcelos (PP) e Sergio Majeski (PSB). O professor lecionou durante anos na Escola Estadual Maria Penedo, em Valparaíso, na Serra. Atualmente, mantém um site – www.oficinadeafeto.com – e, quando convidado, dá palestras sobre o tema, que sempre o emociona, por ser um fator importante para promover mudanças na sociedade. “No início de 2006, retornei à sala de aula, exatamente para a mesma escola onde, há 28 anos, me descobri educador. Foi um reencontro marcante. A realidade já não era a mesma de anos atrás. Agressões, intolerância, violência e até rebeliões, isso mesmo, rebeliões de alunos, fizeram-me duvidar se aquele era mesmo o espaço do saber e do prazer, do ensinar e do aprender”, relata Nourival. Para ele, “só havia uma saída: a oficina. Não uma oficina de veículos ou objetos, mas de gente, uma Oficina de Afeto. Com ela, eu e os alunos viajamos em nosso mundo interior, o território das emoções, verbalizamos nossos sentimentos e os registramos, com o objetivo de resgatar a autoestima e liberar o desejo de aprender”.