Já no comando de seu povo, o aspirante a ditador começou a enfrentar um vírus letal e nisso sentiu o perigo Em algum lugar da América latina, um aspirante a ditador, de origem militar e agora no posto de conde, governa seu Condato, ora brincando, ora realizando atos administrativos duvidosos. Outrora foi conduzido ao posto maior através do voto. Foi um fenômeno, já que os que nele votaram, a metade disse que era um mito na política e a outra metade alegava que não votaria no antecessor do posto. Alegava que roubava muito. Embora com larga experiência nas lides políticas, nosso herói nunca foi de aparecer ou fazer algum projeto político. Já mostrava seu egocentrismo, que era um perigo. Já no comando de seu povo, começou a enfrentar um vírus letal e nisso sentiu o perigo. Seu governo ia bem. Ao contrário do seu antecessor, o povo via que ele não roubava. Ele pensava: “Se meu reinado seguir o que as autoridades dizem a fazer, meu Condato irá à bancarrota econômica. O que serei eu sem a economia forte?”. Viu também que todos os Condatos do mundo passavam por tal perigo. Mas quis dar um tempo. Aí começou a morrer gente. Seu homem da saúde foi substituído, pois era contra o pensamento dele. Vieram outros e todos seguiam suas ordens. Apareceu um antídoto. Ele não quis adquirir para salvar seus súditos, começou a zombar desse antídoto. Até que chegou um ponto que resolveu, a muito custo, usar esse antídoto. Mas foi tarde demais. Morreu uma quantidade enorme de pessoas. Embora militar, seus pares das forças armadas não coadunavam com seus critérios. Quis fazer o que fazem os ditadores cruéis: usar o golpe. Mas não achou apoio. Ficou isolado com uma camisa de força constante. O vírus foi dominado e esse Condato nunca mais quis eleger qualquer mito para que cuidasse de suas terras e de seu povo. PARABÓLICAS Lembramos do início da Daniela Abreu na TV Gazeta. Passava pelo corredor e eu dizia: “Faça o jornal séria, não ria!”. Quando produzia os mega eventos por aqui, sempre víamos o nosso Fernando Palhares. Agora onde anda o produtor? Fez grandes showsRicardo Mignone, que iniciou sua carreira na TV Vitória, hoje está trabalhando em Marataízes. Ricardo teve também boa trajetória profissional em Brasília. Festa da Penha foi online pelo segundo ano seguido. A fé, quando profunda, aparece de qualquer jeito no coração de todos. ACESSE http://jrm50anos.blogspot.com.br/ ACESSE TRADUÇÃO JRM YOUTUBEAna Carolina – Nada por Mimhttps://www.youtube.com/watch?v=d-FxXqBvIKM MENSAGEM FINALAqueles que passam por nós não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós. Antoine de Saint-Exupéry
O Brasil de pé
O grito das ruas está acima de ideologias e traz de volta a necessidade do impeachment de Bolsonaro Maio de 2021 termina com a marca da esperança carimbada pelo vigor das manifestações de sábado, 29, por mais que a mídia corporativa tente esconder ou minimizar o seu impacto, como ocorreu com o vergonhoso noticiário da TV aberta e as manchetes ridículas dos jornalões Estadão e O Globo nessa fim se semana. Brigaram com a notícia, divulgada nos principais meios de comunicação do mundo. A realidade é que o povo tomou as ruas, fortaleceu a CPI da Covid-19 e, pelo elevado volume de participação, trouxe à tona uma realidade: o governo Bolsonaro começa a chegar ao fim. O Brasil se levantou acima de ideologias partidárias, crenças religiosas e preconceitos, e mostrou que uma barreira se ergue contra uma gestão pública de alto potencial de destruição que tomou o poder desde o golpe de 2016. Não fossem os oportunistas acomodados no Centrão e a sustentação do “Partido dos Militares”, nas palavras do coronel reformado Marcelo Pimentel, Bolsonaro há muito teria deixado a Presidência da República. Os milhares de brasileiros que foram às ruas decidiram encarar a ameaça de contaminação, mesmo com o cuidado do uso de máscaras, seguido em grande escala. O levante do povo considerou que o atual governo é uma ameaça muitas vezes maior, tamanho o nível de destruição que atinge a economia e outros setores essenciais ao país, principalmente a vida, com um saldo negativo de pobreza, fome, desemprego e meio milhão de mortes pela Covid-19. As manifestações conseguiram resgatar as ruas, elemento essencial em ações para a tomada do poder político e, desse modo, marcaram posição favorável ao andamento da CPI, que na terceira semana de funcionamento já reuniu provas incontestáveis quanto à irresponsabilidade do governo federal no trato com a pandemia. Entre elas a recusa proposital a propostas de compra de vacinas, 11 no total, e outras ações que resultaram em morte de pessoas que poderiam ser evitadas, algumas comparáveis a experiências conduzidas pelo médico nazista Josef Mengele, o “Anjo da Morte”, na Alemanha, como ocorreu em Manaus. Sem argumentação e acuado pelas comprovações reveladas pela CPI, Bolsonaro tenta minimizar o baque e apela ao deboche falando a seguidores, no cercadinho da saída do Palácio Alvorada. “Faltou erva”, disse, mantendo o clima de fake news, meio bastante utilizado desde a campanha eleitoral de 2018. Um discurso raso, próprio de quem está em maus lençóis, por conta do aumento da rejeição e a queda de sua popularidade junto ao eleitor. O povo nas ruas reforça o grito por impeachment já e isso apavora Bolsonaro. Com o espaço cada vez mais reduzido, resta-lhe continuar com as ridículas exibições de fins de semana em motos, lanchas, cavalos e motocicletas, indiferente ao sofrimento do povo, nas quais busca manter-se como mandatário maior da nação. Não é mais. Mantém-se no cargo, no entanto, seu poder de mando se esvai a cada dia, com a debandada de parte da elite que o elegeu e o despertamento coletivo.
A Sangrenta História do Metal Satânico Underground – Parte IX
Euronymous e sua loja eram o ponto de encontro físico da cena black metal norueguesa Após a morte de Dead, Euronymous continuou no seu esforço de assumir o controle do underground extremo norueguês e já havia restabelecido a sua gravadora sob o nome de Deathlike Silence Productions (DSP). Em seguida, Euronymous alugou um espaço em Oslo para uma loja de discos, e ali venderia também música menos extrema se fosse o caso, para pagar as contas, mas a identidade da loja seria de black metal, e a loja foi batizada de Helvete, palavra em norueguês que significa inferno. Em Lords Of Chaos, podemos ler: “Em meados de 1991, as bandas Darkthrone, Burzum, Immortal, Thorns, Enslaved, Arcturus e, posteriormente, Emperor estavam todas em contato com Oystein Aarseth, que tinha planos de lançar a maior parte delas via Deathlike Silence. O círculo interno de amigos e conhecidos casuais que constituíam essas bandas seria chamado por Aarseth de “O Círculo Negro Norueguês” (The Norwegian Black Circle, no original), quando perguntado pela imprensa sobre os incêndios em igrejas que começariam antes do final daquele ano. Ihsahn, o vocalista do Emperor, relembra a dinâmica que operava na época: “Não existe mais disciplina na cena, como no começo ao redor da loja – você meio que tinha que ser aceito. Você ia lá e se você fosse de confiança, se eles soubessem que você levava suas visões a sério, você era aceito. Existia muito respeito pela loja, e as pessoas iam lá usando corpse paint, o que em alguns casos era bem idiota porque estava de dia, e as pessoas estavam fazendo compras. Mas era uma atmosfera muito complexa e muito dura, você sentia isso quando você entrava lá – era uma coisa muito poderosa. A loja era um ambiente (…) As pessoas queriam ser aceitas, elas eram meio que humildes diante de Euronymous e dos caras mais antigos da cena”. Em relação ao que ocorreria em seguida, temos os primeiros indícios na DSP, aqui segue o relato em Lords Of Chaos, no que temos: “Uma das pessoas a chegar na cena tardiamente foi Varg Vikernes, também conhecido como Count Grishnackh, com sua one-man band Burzum, que vivia em Bergen, na costa oeste. Era uma viagem muito longa de seis ou sete horas de carro ou trem para chegar de lá até Oslo. Vikernes vinha para visitas extensas, ao longo das quais ele e Aarseth rapidamente se tornaram amigos. Os detalhes para que a DSP assinasse a banda de Varg foram acertados, e um álbum de lançamento já estava gravado. Aarseth estava extremamente empolgado com a sonoridade e com a apresentação do Burzum: a banda se encaixava perfeitamente na sua proposta de lançar apenas música ‘verdadeiramente do mal’. Com sua atmosfera depressiva e seus vocais agudos, gritados e dolorosamente roucos, o som do Burzum era bastante distinto de qualquer outra banda da cena. Aarseth também manteve contato com um crescente número de bandas de fora da Noruega, às quais ele encorajava e fazia planos de lançar seus álbun: Sigh, do Japão, Monumentum, da Itália, e a bizarra entidade sueca Abruptum.Apenas alguns desses planos se concretizariam antes da morte de Aarseth, principalmente porque ele nunca havia sido muito bom como empresário. Ele administrava seu selo com inépcia, e o capital para investir em novos lançamentos simplesmente não existia”. Portanto, refletindo sobre estas citações de Lords Of Chaos neste texto, podemos ver um engajamento que vinha de um único centro, Euronymous e sua loja eram o ponto de encontro físico da cena black metal norueguesa, o que fez com que esta rede de relações entre bandas fosse também fonte de um estreito relacionamento de convivência pessoal e formação de uma tribo. Por sua vez, a Deathlike Silence Productions, a sua gravadora, fazia com que Euronymous buscasse contato com bandas de fora do círculo estreito norueguês, e retratava um engajamento de alguém que também buscava se informar sobre os cenários de black metal de outros países, a sua pesquisa foi boa, mas Euronymous era um péssimo administrador, tanto de sua loja como de sua gravadora, e nunca teve uma condição financeira independente. A cena norueguesa, por fim, tinha em Euronymous a fonte agregadora e que dava diretrizes para a expansão desta, tendo sido ele o principal causador da mudança brusca de bandas que passaram do death metal ao black metal que usa corpse paint. Euronymous era a figura central, mas os eventos que viriam logo a seguir colocariam outros personagens em evidência, e a polêmica superaria a música, mas, por outro lado, a cena black metal norueguesa, a sua música, também sofreu influxo mundial destes escândalos infames. Gustavo Bastos, filósofo e escritor.Blog: http://poesiaeconhecimento.blogspot.com
Movimentos sociais impulsionam criação de Cozinha Solidária em Vitória
Iniciativas do tipo têm surgido por todo Brasil como estratégia de denúncia e combate à fome No dia 13 de março, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) inaugurou na periferia de São Paulo sua primeira Cozinha Solidária, oferecendo refeições gratuitas diante do aumento da fome no país. O projeto se espalhou por diversos estados e deve também chegar ao Espírito Santo em breve. Embora o MTST não tenha atuação no território capixaba, sua iniciativa serviu de inspiração para uma série de organizações ligadas à Frente Povo Sem Medo, do qual o movimento sem-teto também faz parte. O impulsionamento da iniciativa veio de grupos que compõem a frente, como as Brigadas Populares, Primavera Socialista, Resistência, Coletivo Agitação Antifascista, União da Juventude Comunista (UJC), além de outros apoiadores como a Pastoral do Povo da Rua e Rede Urbana Capixaba de Agroecologia (RUCA). “A proposta da Cozinha Solidária no Espírito Santo surge nesse momento em que a gente vive grande ampliação da desigualdade, com iniciativas de solidariedade por todo Brasil. Nesse momento em que o Estado não cumpre seu dever com auxílio emergencial adequado e vê pessoas entrando no mapa da fome e as campanhas de solidariedade tomando espaço no cenário da política”, diz Isabella Mamedi, das Brigadas Populares. Iniciativas do movimento sem-teto em outros estados inspirou grupos capixabas. Divulgação/ MTST De acordo com ela, o objetivo mais urgente é saciar a fome das pessoas, mas o projeto também quer provocar discussões sobre soberania e segurança alimentar, alimentação saudável, produção de distribuição de alimentos, cultura alimentar e especialmente sobre as causas do crescimento da fome no país. Assim como no projeto que vem sendo desenvolvido pelo MTST, a intenção é oferecer ao máximo alimentos saudáveis oriundos da agricultura familiar. No Espírito Santo, já foram iniciados diálogos com o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e CSA Sapê do Norte, que articula agricultores quilombolas. Local de instalação já foi definido O lugar escolhido para a criação da primeira Cozinha Solidária do Estado foi o bairro de Itararé, que faz parte do conjunto de bairro chamado como Território do Bem, em Vitória. A produção das refeições será feita em espaço cedido pela Paróquia Santa Teresa de Calcutá. Devido à situação de pandemia, as Cozinhas Solidárias têm realizado apenas a distribuição de marmitas, evitando o consumo no local para não causar aglomerações, o que deve ser mantido na iniciativa capixaba. A advogada Josi Santos, militante do Círculo Palmarino e integrante do Fórum de Juventude do Território do Bem, analisa que a pandemia de Covid-19 afetou drasticamente muitas famílias que vivem nos bairros do entorno onde será instalada a Cozinha Solidária. Muitos que viviam de trabalhos informais tiveram sua renda fortemente afetada, outros perderam empregos e alguns conseguiram criar pequenos empreendimentos. “Mas, a realidade da maioria das famílias do Território do Bem é de total abandono e descaso do poder público. Pude observar que muitas delas não tem o mínimo necessário para suprir a nutrição diária, falta realmente comida nos lares e isso é ignorado pelo poder público e muitas vezes por alguns moradores da comunidade”, relata Josi. Ao participar de ações de distribuição de alimentos às famílias em maior situação de vulnerabilidade, ela e outros ativistas perceberam a urgência de acesso a alimentos básicos para muitas delas, que só conseguem suprir a necessidade alimentar básica graças a doações, pois algumas têm o Bolsa Família como única renda atualmente. “Acredito que a instalação da cozinha solidária, além de ser um projeto inovador, vai minimizar um pouco do sofrimento dessas famílias, trazer um pouco de acolhimento e motivar os moradores, despertando o espírito colaborativo”, considera a advogada. Já com o local de atuação definido, tanto pela disponibilidade de espaço com cozinha como pela forte articulação do movimento comunitário da região, a articulação para criação da Cozinha Solidária no Território do Bem ainda está aberta para pessoas e entidades que queiram colaborar, que devem procurar alguma das organizações já envolvidas no projeto. Em breve, o movimento deve criar páginas nas redes sociais e iniciar uma campanha de doações para poder viabilizar a aquisição e compra de alimentos, já que as refeições serão distribuídas gratuitamente. Fome cresce no Brasil Depois de sair do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2014, a situação de insegurança alimentar vem se agravando no Brasil nos últimos anos. De acordo com a pesquisa Insegurança Alimentar e Covid-19 no Brasil, publicada em este ano pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, levantamentos anteriores mostraram que entre 2004 e 2013 houve progresso na garantia da segurança alimentar. A inversão dessa situação começou a ser notada a partir dos dados da Pesquisa de Orçamento Familiar de 2017-2018, com agravamento a partir da pandemia. O estudo, que teve como base uma amostra de 2180 domicílios urbanos e rurais em todas as regiões do país, apontou a partir de dados probabilísticos que de mais de 22 milhões de brasileiros, cerca de 116 milhões conviviam com alguma grau de insegurança alimentar, sendo que 43 milhões não tinham alimentos em quantidades suficientes e 19 milhões de brasileiros enfrentavam situação de fome. Isso representa 55,2% em situação de insegurança alimentar e 9% enfrentando a fome. “A política de segurança alimentar no Brasil foi desmontada. Se isso tivesse sido mantida, hoje haveria condição para distribuição de alimentos como complemento ao auxílio emergencial no país todo”, comentou ao Brasil de Fato o líder do MTST, Guilherme Boulos. “Essa não é a preocupação do governo Bolsonaro e da maior parte dos governos locais no Brasil. É o movimento social fazendo o que o governo não faz”, disse. No Espírito Santo não é diferente, considera Rosemberg Caitano, presidente do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). “A gente percebe pela própria situação nas ruas, pelos altos índices de desemprego. Foram montadas políticas erradas tanto no campo das políticas trabalhistas e de emprego, como nas políticas sociais e de combate à fome”, questiona. No âmbito estadual e dos municípios capixabas,
Agricultores de São Roque e Santa Teresa reivindicam inclusão na Sudene
Apartados das chuvas pelo paredão de montanhas, produtores do vale precisam de apoio para produzir e quitar dívidas AAFAT O semi-árido avança pelo Espírito Santo, estado que aumentou em 462% o desmatamento da Mata Atlântica no período entre 2019 e 2020, segundo monitoramento nacional feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Fundação SOS Mata Atlântica. Em justiça ao triste fenômeno, o Congresso Nacional aprovou, nesta quinta-feira (27), a inclusão de mais quatro municípios na área de abrangência da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene): Aracruz, Governador Lindenberg, Itaguaçu e Itarana, ao aprovar o Projeto de Lei Complementar (PLC) nº 148/2017, que agora segue para sanção do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). A proposta, no entanto, não contemplou ainda a região baixa dos municípios de Santa Teresa e São Roque do Canaã, na região serrana, onde a última seca se prolongou até 2019 e, até hoje, tem consequências devastadoras na vida dos agricultores familiares da região. Em novembro de 2019, Século Diário noticiou o racionamento de água que perdurava na região, onde os agricultores estimavam perdas de mais de 70%, em média. “É desesperador!”, exclamou, na época, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Roque do Canaã, Roberto Carlos Silvestre. “São Roque é o município que menos chove no Estado, precisava de políticas especiais. O Programa Reflorestar é muito burocrático, está deixando muito a desejar”, expôs. Três meses antes, o Ministério Público Estadual (MPES) recebia um apelo da Associação dos Agricultores Familiares do Assentamento Tomazini (AAFAT), para que encontrasse medidas de prorrogação do prazo para pagamento dos financiamentos feitos pelos assentados em instituições bancárias como Banco do Brasil, Bandes, Banestes e Sicoob. Passados quase dois anos, a região continua esquecida, sem resposta do MPES nem atenção dos governos ou do Congresso. “Só em 2020 que veio uma chuva boa, mas vai levar ainda uns três anos pra gente conseguir colher. Isso pra quem conseguir refazer as lavouras, porque endividado, ninguém consegue investir na nova plantação. A gente precisa de prazo para pagar as dívidas e também de financiamento pra recomeçar”, argumenta o presidente da AAFAT, Alberto Rodrigues dos Santos. O assentamento, conhecido como Vale da Esperança, tem 39 famílias cadastradas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), e quase o dobro disso vivendo na terra, após as ampliações naturais das famílias originárias. Na lavoura de pimenta de Alberto, das três mil plantas, menos de 300 sobreviveram à longa estiagem. O café conseguiu se sair melhor em função da boa adubação verde que ele conseguiu fazer. Mas vários produtores, conta, perderam tudo. “Até pé de coco morreu, coisa que eu nunca tinha visto antes na vida”, conta. De posse dos mapas e laudos do Instituto Capixaba de Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Beto explica: “Santa Teresa em geral é vista como município rico, eles olham a cidade e a área de sítios de lazer, mas não olham pro interior, pra área baixa, na divisa com São Roque. Aqui, as montanhas fazem uma barreira que não deixa a chuva chegar. Antigamente quando tinha mais floresta, pelo menos a umidade chegava, mas agora que está mais desmatado, nem isso”, descreve. A região compreendida entre Várgea Alegre, Santo Antônio do Canãa, Córrego Seco e São Roque do Canãa é uma das mais castigadas do Estado, relata. Ali, a barragem que leva agua para o município de São roque do Canãa é afluente do mesmo córrego que abastece as Barragem do Assentamento, e chegaram a um ponto de seca que os mais velhos nunca haviam visto. Entre 2015 e 2016, a floração do café indicava uma boa safra, mas a seca e as temperatura acima de 35° provocaram “abortamento dos frutos da pimenta do reino, [havendo] mais de 70% dos frutos e cachos que ficaram banguelos, ou seja, sem uniformidade de grãos. E em algumas propriedades há mortes de aproximadamente 70% das plantas”, explana a Associação no documento protocolado no MPES. “A proposta dos Banco e Pagar ou Pagar. Mesmo que tiver a prorrogação não tenho como quitar minhas obrigações e o pior que não tenho como fazer nada em relação as chuvas”, suplicou, no requerimento. A entrada na Sudene de novos municípios recebe muita resistência por parte dos que já estão lá, pois implica, a princípio, caso não haja ampliação do orçamento, em divisão dos recursos lá alocados. Segundo a senadora Rose de Freitas (MDB), que apoiou votou a favor do PLC 148/2017, eles são da ordem de R$ 24 bilhões no Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) e de quase R$ 825 milhões no Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE). O senador Fabiano Contarato (Rede), também a favor da proposta, ressaltou, em sua defesa do PLC, que as empresas que queiram investir em municípios abrangidos pela Sudene contam com incentivos fiscais que variam entre 30% e 75% sobre o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), além de descontos no PIS/PASEP e Cofins para aquisição de novas máquinas. No caso dos agricultores familiares, somente os residentes na área da Sudene têm conseguido algum tipo de socorro por parte das instituições bancárias.
Manifestantes saem às ruas no Estado contra Governo Bolsonaro
Assim como em várias regiões do País, protestos em Vitória e no interior cobraram vacinas, lockdown e auxílio emergencial MST-ES Contra a retirada de direitos, as privatizações e a reforma Administrativa. A favor da vacina para toda a população, do lockdown de 21 dias e do auxílio emergencial de R$ 600,00. Essas foram as principais bandeiras de luta apresentadas neste sábado (29) por milhares de pessoas que tomaram as ruas do País para exigir o “fora Bolsonaro”, incluindo a capital Vitória e municípios do interior do Espírito Santo. O Dia Nacional de Mobilização reuniu centrais sindicais, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e a Intersindical, além de partidos políticos, estudantes e professores universitários, entre outras entidades da sociedade civil. Em Vitória, a partir das 14 horas, os manifestantes começaram a chegar ao campus de Goiabeiras da Universidade Federal do Estado (Ufes), no espaço em frente ao teatro, onde foi definido o trajeto da carreata. Os manifestantes, em carros, motos, bicicletas e a pé, saíram pela Reta da Penha em direção à Reitoria do Instituto Federal de Educação (Ifes), na avenida Rio Branco, no bairro Santa Lúcia. Até pouco antes das 16 horas, os organizadores estimavam um cálculo aproximado de 800 carros e muita gente a pé, de moto e bicicletas. “O pessoal ainda está chegando”, ressaltou um participante, chamando a atenção para o cuidado em seguir as orientações médico-sanitárias de combate à Covid. O diferencial do uso de máscaras, do álcool em gel e a preocupação de manter o distanciamento individual, que marcaram as manifestações deste sábado, ocorrem em oposição às movimentações promovidas pelo presidente Jair Bolsonaro, que estimula a desobediência às recomendações médicas. Nas mensagens de chamamento ao ato e na concentração na Ufes, os organizadores insistiram na observância aos cuidados estabelecidos, a fim de evitar a infecção pelo vírus. Desta vez, o ato foi presencial, com manifestações de rua praticamente em todas as unidades da federação. No Espírito Santo, além da Grande Vitória, ocorreram manifestações em Alegre, Aracruz, Guarapari, Itapemirim e Marataízes. Para o ativista Rafael Primo, “a missão de combater um projeto de genocídio, nos impõe coragem e responsabilidade para encarar a difícil realidade de um país onde o governo executa um planejamento afinado de extermínio populacional através de uma crise sanitária e uma campanha de miséria e fome”. Ele acrescentou que “não é confortável se arriscar para tentar interromper um processo cruel e triste, mas é nesse momento que devemos tirar forças de onde parece que não temos, e promover o levante”. O advogado André Moreira, também manifestante, disse que participar da manifestação presencial, mesmo com todos os cuidados necessários, é como ir à guerra e pode acontecer que alguns sejam atingidos. “Quem vai à guerra está correndo risco, mas não podemos ser coniventes com o que está acontecendo no país, principalmente quando Bolsonaro começa a cair”, apontou. Também participaram do ato, como divulgados nas redes sociais, a deputada estadual Iriny Lopes (PT) e as vereadoras de Vitória, Karla Coser (PT) e Camila Valadão (Psol). Repercussão Os movimentos contrários à gestão Bolsonaro passaram a ser mais intensos a partir de abril deste ano, com o agravamento da pandemia da Covid-19 e o descaso com que o combate é tratado pelo governo, que defende o tratamento precoce com o uso da cloroquina. O atraso da vacinação é apontado como uma das causas do elevado número de mortes provocadas pela doença. Neste sábado, pelo menos 85 cidades brasileiras realizaram manifestações, que vão além da pandemia. As principais capitais registraram protestos e houve casos de agressões por parte da polícia em São Paulo e Recife, onde a vereadora Liana Cirne, do PT, foi derrubada por policiais. No exterior, várias cidades também registraram protestos contra o presidente.
CPI das Licenças completa vinte meses sem investigar poluidoras de Tubarão
Quantas toneladas de pó preto foram lançadas no período? Majeski aponta: outras CPIs já retornaram Leonardo Sá Já são vinte meses de estagnação nas investigações sobre os termos de compromisso e licenças ambientais que legitimam a perpetuação da escandalosa poluição do ar emitida pelas gigantes da Ponta de Tubarão, Vale e ArcelorMittal. Suspensa em setembro de 2019 pelo presidente Marcelo Santos (Podemos), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Licenças continua sem atividade, ao largo de outras que reiniciaram suas atividades durante a pandemia da Covid-19. A falta de justificativa permanece, tanto para a decisão de suspensão quanto para a negativa em retornar. Na semana em que o Espírito Santo se destacou como um dos estados que registrou maior aumento no tamanho da área desmatada de Mata Atlântica – 462% mais desmatamento entre 2019-2020 do que em 2018-2019 – o vice-presidente da CPI das Licenças, Sergio Majeski (PSB), reclama: mais um pedido de retomada das investigações continua sem reposta. “No dia 14 de maio formalizei um requerimento para a retomada das reuniões ordinárias da CPI das Licenças, paralisadas em setembro de 2019. Embora a pandemia tenha prejudicado os trabalhos no último ano, outras CPIs e comissões já retornaram às atividades em 2021, demonstrando que é possível também a volta da CPI das Licenças”, argumentou o parlamentar. O pedido, importante ressaltar, foi feito dois dias após a Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa receber a ArcelorMittal para a apresentação dos investimentos de controle ambiental feitos no âmbito do Termo de Compromisso Ambiental (TCA) firmado em 2018 com o governo do Estado e o Ministério Público Estadual (MPES). Na ocasião, a siderúrgica afirmou que 76% das metas previstas até setembro deste ano já estão cumpridas, “resultado de R$ 40 milhões em investimentos”. Uma semana depois, foi a vez da Vale se apresentar e exaltar suas ações, sem as necessárias contestações dos deputados estaduais. Nascida morta A CPI foi criada em fevereiro de 2019 para investigar denúncias de irregularidades relativas às licenças ambientais e aos TCAs que, supostamente, deveriam forçar uma redução na emissão de poluentes a partir do Complexo Industrial de Tubarão. Em abril, no entanto, Marcelo Santos incluiu duas pautas sem absolutamente nenhuma relação com o foco único dos trabalhos: “a forma como o Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) libera projetos a serem executados e também investigar irregularidades na emissão dos chamados Documentos de Origem Florestal (DOF) e a possível inexistência de regular fiscalização do órgão responsável por isso, o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf), segundo define correspondência oficial da Assembleia Legislativa. Mas desde a sua criação, a tentativa de sufocá-la na prática foi explícita, quando os parlamentares articularam para não permitir a participação mais ativa de Majeski, negando-lhe a presidência, como seria o natural, considerando o histórico da Assembleia Legislativa, que costuma delegar ao deputado proponente o cargo máximo ou, ao menos, a relatoria. “Me colocaram como vice, que não quer dizer nada, é praticamente como um membro comum da CPI”, criticou, na época, o deputado. Em seguida, prossegue, o presidente, Marcelo Santos inseriu o tema das licenças gerais, incluindo operações do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf). Algo completamente arbitrário, visto que o objetivo da Comissão é investigar a Vale e a ArcelorMittal. “Desde o começo a gente já sentia manobras no sentido de fugir do foco do que é realmente necessário”, afirma. ES estagnado no segundo ciclo de desenvolvimento E ao proteger as poluidoras, as elites políticas e econômicas que subjugam o Espírito Santo continuam a aprisionar o Estado num ainda eterno segundo ciclo de desenvolvimento. “São 50 anos de um modelo econômico baseado numa industrialização retardatária, com uma produção que depende muito de matéria-prima não renovável. Setenta por cento do nosso PIB [Produto Interno Bruto] vem da Petrobras, Vale, ArcelorMittal e Suzano [dona da antiga Aracruz Celulose e Fibria]. Com exceção da Suzano, todas as demais têm como matéria-prima insumos não-renováveis”, explanou, há um ano, o economista e professor aposentado da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Arlindo Villaschi. Aprisionam o Estado e se enredam numa trama em que elas próprias são subjugadas, como pondera o também professor da Ufes Ueber José de Oliveira, autor do livro o livro Elites Capixabas no Golpe de 64 – o Bipartidarismo e a convergência de agendas desenvolvimentistas (1964-1982). “As elites capixabas perderam parcialmente o controle da agenda político-econômica, hoje controlada pelas empresas vinculadas aos grandes projetos e capital estrangeiro”, expõe.
Artistas da Serra esperam pagamento da Lei Chico Prego desde 2016
Cinco anos após edital, prefeitura ainda não sabe se projetos serão contemplados com os valores atrasados Artistas da Serra, contemplados na Lei Chico Prego em 2016, ainda aguardam os valores do edital. A Lei Municipal nº 2.204/99, de incentivo a artistas locais, está paralisada desde então, em razão de irregularidades contábeis apontadas no projeto, da gestão passada de Audifax Barcelos (Rede). A Secretaria de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer da Serra (Setur) também não sabe se os artistas receberão os valores atrasados. Em reunião realizada com o Conselho Municipal de Cultura no último dia 18, representantes da pasta informaram que, de acordo com os documentos recuperados da administração anterior, os valores não foram repassados porque a lei foi considerada irregular pelo Tribunal de Contas (TCE) e precisava ser reformulada. Os artistas contemplados no edital não receberam os valores e nenhum outro foi aberto. A atual gestão, de Sérgio Vidigal (PDT)), informou, na reunião, que irá retomar o projeto, por isso entrará em contato com o Tribunal para entender quais mudanças precisam ser feitas na legislação, para que o problema de 2016 não se repita. Para os contemplados nesse edital, no entanto, a chance de receber os valores é quase nula. A presidente do Conselho Municipal de Cultura, Fernanda de Oliveira, considera a situação uma falta de respeito com os participantes. “Esse tempo todo o artista não está recebendo nenhum tipo de informação. Anos e anos na esperança. Alguns já tinham investido o valor que achavam que iam receber”, ressalta. Ela lembra que o problema prejudica a própria cidade, que deixa de receber o retorno em arte e cultura. “A Lei Chico Prego é uma importante ferramenta de fomento cultural e possibilita o desenvolvimento de projetos que valorizam a arte serrana”, pontua. Para os principais lesados, o problema também representa um dano moral. “Eu me sinto roubado. São diversas reuniões que não levam a nada”, diz um dos artistas contemplados no edital de 2016, que preferiu não se identificar. O candidato iria investir o valor em um projeto de capoeira. Durante a reunião, integrantes do conselho questionaram aos representantes da Setur se havia possibilidade de privilegiar os artistas de 2016 no novo edital que será aberto. Segundo a pasta, a alternativa não é possível. “Vai ser um pleito novo, um novo concurso, novas regras. Então é muito complicado já fazer um edital com pessoas com ponto à frente […] Nós só vamos colocar um edital no Diário Oficial se a gente tiver certeza de pagamento”, afirmou a diretora do departamento de Cultura, Evelyn Bergamin. O ex-secretário da pasta, Alessandre Motta, informou que os participantes do edital de 2015 também ficaram sem receber. “Alguns ainda não haviam trocado bônus com empresas da Serra para dedução de receita fiscal na prefeitura. Consequentemente, os projetos não obtiveram sucesso”, detalha. Isso porque a Lei Chico Prego era baseada em incentivos fiscais. Empresas destinavam parte dos Impostos Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) para os projetos culturais, como forma de incentivo à arte no município. Os artistas contemplados recebiam certificados e procuravam as empresas, para efetuar a troca pelo valor financiado. Os editais beneficiavam projetos nas áreas de literatura, música, dança, teatro, circo, ópera, cinema, fotografia, vídeo, artes plásticas, gráficas e filatélicas, folclore, capoeira, artesanato, além de oficinas de formação profissional e de plateia.
A hora e a vez do pepino
A lista do que não pode comer é maior que a lista de clientes da Amazon Isso é inaceitável! grita o especialista em dietas mirabolantes quando Euthenia chega para a primeira consulta. Como assim? pergunta assustada. Seu excesso de peso, minha senhora! Do jeito que está, vai ter um ataque cardíaco aqui na minha sala. Que exagero, doutor! Por causa desse excesso de peso estou aqui, portanto o senhor deveria me receber com fogos de artifício. * Do que sobreviveria um especialista em dietas milagrosas se ninguém gostasse dos excessos de açúcar e gordura que saturam os alimentos modernos? O doutor lhe passa as instruções: a lista do que não pode comer é maior que a lista de clientes da Amazon – seria bem mais simples fazer uma lista do que pode. Tudo isso, doutor? Se eu morrer de fome, o senhor perde a paciente. Ele informa que o excesso de peso mata mais que a fome, haja vista o número de pobres desnutridos no mundo. * Desnutrida estarei eu com essa dieta. Se for pra passar fome, não preciso pagar um especialista, posso fazer isso sozinha. Ele rebate com a prometida boa notícia: pepino à vontade! E ri como se receitasse sorvete de morango três vezes ao dia. E assim começa a via crucis – balancinha para pesar miligramas disso e daquilo, longas horas entre meia-refeição e quase nada na outra, amostras de carne, fiapos de frango ou peixe, meio copinho de legumes…Água à vontade, suco em conta-gotas. * Eutheria acha que Deus lhe deu o paladar errado – só gosta do que engorda, dá alergia ou entope as artérias. Tem gente que come mais e pior e esquece de morrer. Eutheria gosta de tudo que leva açúcar – e quase tudo que se come tem açúcar – mas a paixão maior é o sorvete de morango: potes e potes abarrotando o freezer. O que fazer? Jogar fora será um desperdício, deixar ficar será uma tentação. * A faxineira avisa que terminou a faxina, quer o dinheiro do dia e da passagem. Aceita pagamento em potes de sorvete de morango? Não senhora, mas posso levar assim mesmo. No ônibus? Vão derreter. A gente num liga de tomar sorvete derretido, não senhora. O freezer vazio parece uma foto do Polo Norte que tem na parede – só tem gelo. * Primeira semana e a balança finalmente oscila – meio quilo a menos. Aleluia! Eutheria vai ao supermercado reabastecer o estoque de pepino. Nas filas dos caixas todos os carrinhos têm imensos potes de sorvete de morango. Estão todos contra mim? Suspira. Em desespero, vendo o mundo com uma cor esverdeada, Eutheria dá meia volta – vai pegar um pote de sorvete de morango para temperar o pepino.
Guerra a governadores amplia a propagação da Covid-19
Na tentativa de conter a queda na popularidade, presidente promove aglomerações e aciona o STF contra medidas de restrição A menos de duas semanas de sua visita ao Espírito Santo, prevista para 11 de junho e ainda sem uma programação que a justifique, o presidente Jair Bolsonaro reforça o arsenal de guerra aos governadores e gera facilitação para a propagação do coronavírus, que neste final de semana se aproxima de meio milhão de mortes no Brasil. Com o discurso de que é preciso movimentar a economia, o governo federal ergue barreiras às reais causas da crise que provocam fome a mais de 14 milhões de brasileiros e desemprego, sem contar a perda de direitos e conquistas da classe trabalhadora. Em suas investidas para tentar conter a queda na popularidade, que já sinaliza uma derrota eleitoral em 2022, o presidente promove aglomerações, sem uso de máscara, ao mesmo tempo em que observa a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 revelar comprovações do descaso do governo federal no combate à enfermidade, inclusive a sabotagem à compra de vacinas e o uso da cloroquina no tratamento precoce. Essa constatação foi feita nesta semana pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), revelando que no primeiro trimestre de 2020 e de 2021, os desligamentos de postos de trabalho por morte cresceram 71%. Na área de atenção à saúde essas baixas triplicaram e, na educação, subiram 106,7%. Os dados refletem a realidade do trabalhador brasileiro no período da pandemia. O tema foi debatido nessa sexta-feira (28) em audiência pública virtual da Comissão de Cidadania da Assembleia LegislativaOs movimentos do presidente tornam o fosso de sua rejeição ainda mais fundo, como é mostrado em pesquisas e escancarado nas manifestações deste sábado (29) em várias cidade do país, inclusive Vitória. Nesse cenário Bolsonaro ingressou nessa sexta-feira (28) no Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Advocacia-Geral da União, com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra decretos dos governadores que impõem toque de recolher e a restrição de atividades comerciais em alguns municípios. Bolsonaro pede que os decretos tenham sua eficácia suspensa por medida liminar do relator, ministro Luís Roberto Barroso. A justificativa de reaquecer a economia não se sustenta, considerando que a desaceleração do setor vem antes da pandemia, como consequência direta de uma gestão ineficiente e ineficaz, cujos impactos na sociedade são devastadores. A repetição de frase de efeito – “quebrar a economia para atingir o governo” -, que seria o objetivo dos governadores, já não surte o desejo de bolsonaristas, como o deputado Torino Marques (PDSL), um dos mais aguerridos defensores do presidente na Assembleia, integrante de movimentos de reforço à reeleição, que passa, com força, nas pré-candidaturas nos estados. Fazem parte desse bloco a deputada federal federal Soraya Manato (PSL) e seu marido, o ex-deputado Carlos Manato (sem partido), os também deputados Evair de Melo (PP), Da Vitória (Cidadania) e Neucimar Fraga (PSD), todos integrantes da comissão que coordena a primeira visita presidencial ao Estado, apesar de Bolsonaro ter alcançado nas eleições de 2018 mais de 63% dos votos dos capixabas. Por fora, mas igualmente atuante, o ex-senador Magno Malta (PL), em busca da reabilitação eleitoral, considerada complicada por suas características oportunistas, colocando-se ao lado de quem está no poder. Assim foi com todos os ex-presidentes, desde Lula até o atual, passando por Dilma Rousseff e Michel Temer. Um grupo reduzido, que exclui outros aliados do presidente da bancada capixaba na Câmara, como Amaro Neto (Republicanos). Na realidade, cada um busca o que diz o ditado popular de “farinha pouca, meu pirão primeiro”, na tentativa de reeleição à Câmara Federal, ao Senado ou ao governo estadual, posição na qual se empenham para garantir o lugar de adversário de Renato Casagrande (PSB) Manato e Evair de Melo. Da Vitória entra na raia do Senado – ou da reeleição – e se esforça como pode: não conseguiu muita coisa. Até agora, trouxe ao Espírito Santo o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, que numa visita relâmpago, neste mês, nenhum dividendo gerou ao Estado. Resultada que deve ser idêntico à visita do presidente da República, em 11 de junho. Sem obra em andamento no Estado, como em grande parte do país, Bolsonaro deve inaugurar um conjunto de casas no norte do Estado do programa Minha Casa, Minha Vida, sobrevoar a Grande Vitória, e participar de um ato na Praça do Papa, promovendo mais uma aglomeração. Além da carreata que o espera, o presidente será recepcionado, também, por sete outdoors colocados em avenidas de Vitória com a frase “Fora Bolsonaro”, ampliando o eco de protesto que se espalha no país contra o desemprego e a perda de direitos e conquistas, como disse uma eleitora capixaba, perplexa com a situação do país : “Ninguém aguenta mais, o povo está morrendo de fome”.