Thedorico Ferraço, a cada sessão da Assembleia Legislativa, sobe mais um tom contra o governo do Estado Leonardo Sá Os novos movimentos do presidente da Assembleia, Erick Musso (Republicanos), junto a setores do empresariado insatisfeitos com as medidas de restrições do governo Renato Casagrande, não são as únicas mudanças recentes registradas na área do legislativo. O tom em plenário de alguns deputados também subiu, com críticas constantes que agora ultrapassam o bloco bolsonarista formado por Capitão Assumção (Patri), Torino Marques (PSL) e Carlos Von (Avante), que já há algum tempo vinham fazendo discursos semelhantes no campo de oposição. A cada sessão ordinária, Theodorico Ferraço (DEM), que pelo contrário adotava postura moderada e por vezes apaziguadora no decorrer da pandemia da Covid-19, aumenta um grau no volume de seus posicionamentos. Resolveu entrar, recentemente, no caso do pen drive, falado à exaustão pelos mesmos atores, referente à licitação do Departamento de Trânsito do Estado (Detran) em investigação, e já em repetidas ocasiões disparou contra a gestão da pandemia, como nesta segunda-feira (26), ao puxar para o Estado termos como “genocídio” e “política descarada e barata”, referindo-se à situação de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), óbitos e falta de compra de vacinas. “É preciso parar com essa ‘palhaçada’ de tudo culpar o governo federal”, enfatizou, com mais embate: “está pensando que deputado é trouxa?”. A fala de Theodorico, que pediu a convocação do secretário de Saúde, Nésio Fernandes, repercutiu com o presidente da Comissão de Saúde, Dr. Hércules (MDB). Ele se dispôs a enviar um requerimento com os questionamentos, mas já direcionou a cobrança ao líder do Governo, Dary Pagung (PSB), ao vice-líder, Marcos Garcia (PV), e aos deputados da base: “tem que ter resposta”, reforçou. As recentes mexidas nas peças do tabuleiro político não deixam dúvidas de que a previsão é de mais focos de incêndio para apagar na Assembleia. Falta ainda escalar o bombeiro. No ringue IIOutra medida puxada por Theodorico nessa segunda foi a aprovação, na Comissão de Segurança, da realização de uma audiência pública no próximo dia 10, com o secretário Alexandre Ramalho. Motivo: a situação nos morros de Vitória, que têm registrado tiroteios e guerras de facção. ‘Novo tempo’Aliás, na mesma semana em que expôs articulações em áreas sensíveis ao governador, Erick Musso apareceu cheio de frases de efeito em suas redes sociais. “Um novo homem, para um novo tempo” é uma delas, estampada com foto pessoal. SinaisO presidente da Assembleia, depois do acirramento político com Casagrande, foi reeleito ao cargo em fevereiro passado após fechar aliança com ele e, até então, atuava alinhadíssimo em plenário. Na última semana, porém, dois movimentos chamaram a atenção: Erick não colocou em votação o projeto do governo de crédito financeiro aos professores para compra de computadores e pacote de internet, alegando “que os deputados podem melhorá-lo”, e passou a criticar as medidas de restrições. Uma vez líder…Por falar em incêndio, o deputado Freitas (PSB), que foi líder do governo na legislatura passada, não desapega da função. Depois que retornou à cadeira este ano como suplente, mantém a mesma postura, atuando em alguns casos até mais que Dary Pagung, com sucessivos discursos em defesa da gestão Casagrande. CampanhaO presidente da Câmara de Vitória, Davi Esmael (PSD), está em plena campanha pela reabertura das escolas, mesmo em cidades em risco alto e extremo para a Covid-19. Ele já puxou reuniões, participou de protestos, e comemorou a decisão de primeira instância que autorizava o retorno, logo derrubada pelo Tribunal de Justiça (TJES). Davi também negou, desde a última quarentena, passar as sessões para o modo virtual, como tem feito a Assembleia. Não largaO mandato acabou, mas o ex-prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede), definitivamente, não sai dele. Continua gravando vídeo de obra para publicar em suas redes sociais. Há poucos dias fez isso em relação ao Parque Caminho do Mar, em Bicanga, exaltando ser iniciativa de sua gestão, mas não entregue em tempo. Não larga IIAudifax, é bom lembrar, se movimenta com bastante antecedência para 2022. Nessa de ir marcando espaço nas redes, mantém ativa também sua disputa eterna com o atual prefeito, Sérgio Vidigal (PDT), que derrotou seu candidato à sucessão, o ex-vereador Fábio Duarte (Rede). DecisãoAssunto que sempre vem à tona, inclusive na última campanha em Vitória, a ação que tramitava na 5º Vara Federal Cível contra João Coser (PT), por suposta irregularidade na desapropriação de imóvel na Ilha do Príncipe para implantação de uma escola de tempo integral, teve decisão favorável ao ex-prefeito, divulgada por ele nas redes sociais. Decisão IICoser, como se sabe, disputou o segundo turno contra Lorenzo Pazolini (Republicanos), atual “comandante” da Capital. Agora, ele já se prepara para 2022, quando pretender ser deputado estadual. Mudanças, como dito aqui semana passada, só por interferência do ex-presidente Lula. Nas redes“Somente está faltando doses da Coronavac no Espírito Santo e a culpa é dos gestores municipais? Não. Está faltando em todo Brasil. Os gestores municipais capixabas estão executando a vacinação com grande desempenho e celeridade, faltam vacinas para completar o esquema”. Nésio Fernandes, secretário estadual de Saúde. 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Aulas presenciais podem retornar em maio, prevê secretário de Saúde
Informação é baseada na possibilidade de redução da Taxa de Transmissão e da ocupação de leitos de UTI Dados divulgados nesta segunda-feira (26) pelo secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes, mostram tendência de queda nos casos confirmados de Covid-19. A previsão é de que a Taxa de Transmissão (RT) desta e da próxima semana chegue a um ou até menos. Ao longo do mês de maio, a taxa de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pode ser inferior a 80%. Assim, as aulas presenciais podem retornar no próximo mês na maioria dos municípios, conforme projeta o gestor da pasta. De acordo com o secretário, se essas previsões de consolidarem, muitas cidades mudarão seu enquadramento dentro da Matriz de Risco, que estabelece risco, baixo, moderado, alto ou extremo. “As flexibilizações, as aberturas econômicas e sociais, não são aleatórias. São previstas, definidas, estabelecidas pela matriz com o risco de cada município. Ao alcançar taxa de ocupação inferior a 80%, o Espírito Santo apresentará majoritariamente risco baixo e moderado, podendo retornar as atividades educacionais”, disse. Diante disso, acredita Nésio, avançar na imunização dos profissionais da educação, tanto os docentes quanto os demais, foi um passo importante. “Esta semana inicia a massificação do processo de vacinação dos professores. Iremos disponibilizar 16 mil doses da AstraZeneca. Não serão utilizadas da Coronavac nem nos professores nem nos profissionais da segurança”, informou. De acordo com Nésio, a decisão foi tomada diante da escassez de imunizantes fabricados pelo Instituto Butantan, em São Paulo, para aplicação da segunda dose. A epidemiologista e professora do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Ethel Maciel, não concorda com os critérios adotados para um possível retorno das aulas presenciais. “Não se pode focar o controle da pandemia em leitos, mas no controle da infecção”, diz, apontando que não basta a Taxa de Transmissão (RT) estar abaixo de 1, pois o ideal é abaixo de 0,5. “A taxa reflete o que fizemos uma ou duas semanas atrás. De fato, a quarentena possibilitou sua queda, mas a queda deve ser consistente. Se ela se mantiver menor que 0,5 pelo menos duas semanas, pode-se dizer que reduziu de forma consistente. Caso contrário, vamos continuar nesse abre e fecha”, diz, referindo-se à abertura e fechamento das atividades comerciais e sociais. Ethel explica, ainda, que no caso dos trabalhadores da educação que tomaram vacina da AstraZeneca, o ideal é que eles retornem à sala de aula somente 21 dias após a aplicação da primeira dose. No caso da Coronavac, 15 dias depois da segunda. De acordo com a atual Matriz de Risco, válida a partir desta segunda-feira (26), 23 municípios estão em risco moderado para Covid-19, sendo autorizadas as aulas presenciais. Outros 50 estão em risco alto, incluindo a Grande Vitória, e cinco em risco extremo, o que impede a abertura de escolas. A questão é alvo de polêmicas, com repercussão inclusive na Justiça, que recentemente derrubou decisão que permitia aulas em todo o Espírito Santo, independentemente da classificação estipulada pelo governo do Estado. ‘Abrir escolas agora é transformá-las em abatedouros’, diz Contarato Aprovado na Câmara, PL que faz de aulas presenciais atividade essencial está no Senado. Rose reconhece perigo da proposta https://www.seculodiario.com.br/educacao/abrir-escolas-nesse-momento-e-transforma-las-em-abatedouros-repudia-contarato
‘O Espírito Santo se esforça para receber doses adicionais’
Falta de imunizantes da Coronavac pode acarretar em atraso de uma ou suas semanas na aplicação da segunda dose Diante da falta de imunizantes da Coronvac para aplicação da segunda dose em cidades capixabas, o secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes, afirmou nesta segunda-feira (26) que o Governo do Estado se esforça para receber doses adicionais da vacina. De acordo com ele, a gestão estadual contatou o Ministério da Saúde solicitando a resolução do problema. O secretário acredita que, caso as doses não cheguem nesta semana, devem ser enviadas no início de maio, podendo haver atraso de uma ou duas semanas na aplicação da segunda dose. “Não é possível afirmar que não há prejuízo da eficácia total, mas acreditamos que uma ou duas semanas não prejudiquem”, diz Nésio, que informa que a possível ampliação de prazo da Coronavac é discutida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A falta de imunizantes para a segunda dose, segundo ele, é porque nas duas últimas semanas a quantidade enviada pelo Ministério da Saúde foi reduzida. O secretário informa que a escassez ocorre em todo o Brasil. Ainda nesta segunda-feira, afirma, serão divulgados os municípios nos quais há falta de imunizantes para a segunda dose da Coronavac. Ele explicou também que, conforme o critério de distribuição adotado, as doses de AstraZeneca seriam destinadas aos municípios com mais de 100 mil habitantes, pois ter somente um tipo de vacina reduz a possibilidade de aplicação de imunizantes de laboratórios diferentes na primeira e na segunda dose. Já a vacina com administração mais curta, como a Coronavac, funciona em municípios menores. Entretanto, conforme afirma o secretário, esses critérios não puderam ser aplicados em sua totalidade diante do número reduzido de doses enviadas. “Regularizando os envios, com doses equivalentes, prosseguiremos nessas medidas”, informou. O subsecretário de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin, afirmou que, mesmo diante da falta de doses da Coronavac em alguns municípios, não é aconselhável se vacinar em outro. “O ideal é se vacinar na unidade de saúde de onde a pessoa mora. Buscar em outra cidade diminui o número de doses para quem mora lá”, explica. ‘Mesmo atrasado é preciso tomar a segunda dose’ A epidemiologista e professora do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Federal do Estado (Ufes), Ethel Maciel, afirma que as comprovações científicas apontam que o prazo para aplicação da segunda dose da Coronavac após a primeira é de 14 a 28 dias. “Saiu disso, está no campo da incerteza”, diz. Entretanto, informa, outras vacinas com a tecnologia de vírus inativado, que é a mesma da produzida pelo Butantan, não têm prejuízo na eficácia quando há atraso. Ela explica que a primeira dose apresenta o vírus ao sistema imunológico, que é ativado. A segunda também informa como o vírus é e faz a proteção durar mais tempo. “Mesmo com atraso, é importante tomar a segunda dose, que garante a eficácia completa da vacina e faz a imunidade durar mais tempo”, destaca. Ethel recorda que o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazzuello, ordenou que os imunizantes fossem aplicados em primeira dose, não podendo armazená-los para garantir a segunda. Entretanto, o país é dependente de insumos farmacêuticos da China para produção das vacinas. O atraso no envio desse material, explica a professora da Ufes, atrasou a produção dos imunizantes. “O Governo Federal disse que isso aconteceu por questões administrativas, e não diplomáticas, mas acredito que foram as duas coisas”, defende. A aplicação dos imunizantes em primeira dose, afirma Ethel, foi uma ordem “que veio de cima”. “O Governo Federal fez uma aposta. Tinha que ter pensado na garantia do esquema vacinal. Se tivesse certeza, poderia até fazer o que foi feito, mas não se não tinha o controle do fluxo para gastar a segunda dose na aplicação da primeira”, pontua.
Vacinação de pessoas com comorbidades pode começar nesta semana no ES
Informação será confirmada até quarta-feira, quando também está prevista a divulgação dos critérios de imunização O secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes, informou nesta segunda-feira (26) que há possibilidades de a vacinação das pessoas com comorbidades ter início ainda nesta semana. Isso pode acontecer, segundo ele, devido ao fato de que a imunização da população adulta com mais de 60 anos, por meio da primeira dose, pode ser 100% concretizada nos próximos dias em diversos municípios capixabas. A resolução que irá definir os procedimentos de vacinação após a população idosa será divulgada até esta quarta-feira (28). O subsecretário de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin, que também participou da coletiva de imprensa desta segunda, esclareceu informações divulgadas por veículos de imprensa nacionais de que nos municípios de Vila Velha e Serra, na Grande Vitória; e Linhares, no norte; foram aplicadas doses de vacinas vencidas. A informação, de acordo com Reblin, não procede. O que aconteceu, explica, é que houve erro no registro do lote, o que já está sendo corrigido. Quanto às informações de que cerca de 500 pessoas no Espírito Santo receberam vacinas de fabricantes diferentes na primeira e na segunda dose, Nésio Fernandes afirmou que isso é inaceitável, cabendo aos municípios apurar o ocorrido com processo administrativo. A apuração, defende, também dever ser feita junto aos conselhos profissionais. Reblin falou, ainda, que não há registro de reações à vacina no Espírito Santo, como a formação de trombose. “Existem registros leves, como dor no local onde a pessoa foi vacinada, febre, o que já é esperado quando a pessoa recebe a imunização”, diz. Testes de antígeno A partir desta segunda-feira, serão disponibilizados no Painel Covid o total de testes feitos em cada um dos municípios capixabas. “As pessoas poderão acompanhar a evolução da testagem e perceber a adesão do município ao teste básico de antígeno”, informa Nésio. Ventiladores Outro anúncio feito foi sobre a aquisição de 230 novos ventiladores, que, segundo o secretário, possibilitarão a abertura de mais 150 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na rede estatal, sendo os demais para reserva técnica e abertura de outros tipos de leitos, como os de enfermaria.
‘Greve dos peritos no Estado é inevitável’, pontua sindicato
Categoria, que está mobilizada desde 2020, afirma que diálogo com o governo estadual não avançou Os peritos do Estado não descartam a possibilidade de uma greve diante da falta de diálogo por parte da gestão de Renato Casagrande (PSB) com a categoria. Apesar das sucessivas tentativas, desde janeiro não há nenhuma conversa com os trabalhadores, como afirma o presidente do Sindicato dos Peritos Oficiais do Espírito Santo (Sindiperitos), Tadeu Nicoletti. “Não estamos em greve ainda em respeito à população devido à pandemia. Estamos tentando retomar o diálogo, esgotar todas as possibilidades, mas se continuar assim, a greve será inevitável”, pontua. Entre as reivindicações, estão reajuste salarial, garantia de autonomia da perícia, pagamento de insalubridade, informatização dos serviços e ampliação de vagas do último concurso público. O sindicato chegou a dialogar com o Governo do Estado sobre as demandas, mas a conversa foi paralisada em março de 2020, quando começou a pandemia da Covid-19, sendo retomada em dezembro, após a categoria entrar em estado de greve e realizar manifestações. Entretanto, o diálogo foi novamente paralisado em janeiro deste ano. Segundo Tadeu, os trabalhadores têm buscado, sem sucesso, conversar com o secretário de Gestão e Recursos Humanos, Marcelo Calmon, para dar andamento às atividades do Grupo de Trabalho formado na pasta, quando ainda era gerida por Lenise Loureiro, para encaminhar a pauta da categoria. O projeto de autonomia da perícia também foi entregue ao Tribunal de Justiça (TJES) e ao Ministério Púbico do Espírito Santo (MPES), mas, como afirma Tadeu, não houve respostas. “Não dá para continuar tendo o pior salário do país”, diz o presidente do sindicato, que afirma que Casagrande havia assumido o compromisso de valorização e autonomia da perícia durante as eleições 2018. “Tínhamos esperança de que diante do histórico dele no Senado, por exemplo, que acreditamos que foi de defesa dos direitos dos trabalhadores, e diante da visão que ele mostrava de valorização da perícia, inclusive assumindo compromisso durante as eleições de colocar isso em prática caso fosse eleito, nós teríamos possibilidade de diálogo com sua gestão”, desabafa Tadeu. Ele destaca que a categoria está “esgotada, descrente, desestimulada, estudando para cair fora”. Esta semana, relata Tadeu, um perito que ganhava R$ 5 mil no Espírito Santo foi embora para o Rio Grande do Sul, onde passa a ganhar R$ 16 mil. “Perdemos uma pessoa qualificada porque lá vai ganhar o triplo daqui e a perícia tem autonomia”, afirma. Para o presidente da entidade, é preciso que a gestão pública estadual entenda a importância da perícia para a segurança pública e o processo democrático. “Em 20 estados do Brasil a perícia tem autonomia, e o Espírito Santo fica aí ‘comendo mosca’. Perícia autônoma faz parte da democracia. No regime militar, muita gente sumiu e não houve investigação. Quando houve, aconteceu interferência no trabalho da perícia, com laudos que não retratavam a realidade. Perícia autônoma é vital para a investigação de um crime. A perícia não pode sofrer pressão, interferência”, defende. Sede da Perícia Outra reivindicação que motivou as manifestações de dezembro de 2020 foi a construção da sede da perícia, já que o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) disponibilizou, há cerca de 10 anos, uma verba de R$ 40 milhões para isso, mas o projeto ainda havia sido colocado em prática. A iniciativa possibilitaria, de acordo com Tadeu, a centralização dos departamentos em um único espaço, facilitando o acesso do cidadão. A reivindicação começou a sair do papel em oito de fevereiro, quando o governador assinou o contrato para elaboração do projeto do Centro Integrado da Perícia Técnica e Científica da Polícia Civil. O prédio, em uma área de 8.500 m², cedida pela Prefeitura de Vitória, abrigará todos setores e departamentos que compõem a Polícia Técnica e Científica, como identificação, criminalística e medicina legal. A previsão de entrega do projeto é de seis meses, passando a valer a partir da assinatura do contrato, enquanto a construção da sede integrada deverá ter início em 2022. Após manifestação, Governo do Estado marca reunião com peritos Peritos oficiais realizaram manifestação na manhã desta sexta-feira em frente ao DML https://www.seculodiario.com.br/seguranca/apos-manifestacao-da-categoria-governo-do-estado-marca-reuniao-com-peritos Governo do Estado retoma diálogo com peritos oficiais Será criado um Grupo de Trabalho na Secretaria de Gestão, para discutir política de valorização dos peritos https://www.seculodiario.com.br/seguranca/governo-do-estado-retoma-dialogo-com-peritos-oficiais
Arrancada eleitoral
Erick Musso e Lorenzo Pazolini, do Republicanos, intensificam articulações para a sucessão de 2022 O presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (Republicanos), acionou com mais força o motor da sucessão do governador Renato Casagrande (PSB) na última sexta-feira (23), ao encarnar a voz dos insatisfeitos, capitalizando politicamente o movimento de empresários ansiosos pelo retorno à normalidade do funcionamento do comércio e de outras atividades econômicas. Chamando para si os pleitos dos lojistas, donos de escolas particulares, sindicatos e federações, o deputado mexe no cenário político e aponta para alianças que remontam a 2016, época em que o então governador Paulo Hartung (sem partido) colocou o dedo em sua trajetória política, passando a exercer uma influência nunca desfeita. A reunião realizada por Musso com representantes do setor ultrapassa o campo meramente econômico e se coloca na base de uma estrutura político-partidária, com desdobramentos relevantes de imediato, um deles nesse sábado (24), protagonizado pelo prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, do Republicanos, também com estreitas ligações com o ex-governador. Basta ver a composição do seu secretariado, em que se sobressaem figuras do núcleo hartunguista, entre elas os secretários da Fazenda, Aridelmo Teixeira, e de Governo, Roberto Carneiro, presidente estadual do partido. É articulação eleitoral para 2022, em sentido oposto ao caminho trilhado por Casagrande, que deve tentar a reeleição, e governadores cujas gestões batem de frente com o negacionismo de Jair Bolsonaro (sem partido), uma das principais causas das quase 400 mil mortes da Covid-19 no País, e motivo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia a ser instalada no Senado, nesta terça-feira (27). Engrossam as fileiras do Republicanos, do empresário Edir Macedo, um dos 12 partidos de apoio ao governo federal, dois filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro e o vereador pelo Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro. Um cenário ainda não totalmente definido em nível nacional. Isso porque a direita liberal, incluindo partidos oportunistas, tem empecilhos de achar um candidato à Presidência da República para preencher uma terceira via com capacidade de romper a barreira de polarização representada pelas candidaturas do ex-presidente Lula e Jair Bolsonaro, no caso de o atual presidente completar o mandato. Nos estados, no entanto, as articulações começam a esboçar candidaturas ao governo e ao Senado e a definir nomes para concorrer às casas legislativas. Erick Musso, inicialmente apontado como postulante a uma vaga na Câmara Federal, pode ser direcionado a outro patamar, até mesmo o Palácio Anchieta. Ou então ceder lugar ao ex-governador Paulo Hartung. Sua movimentação junto a empresários do setor comercial, com a participação do prefeito da Capital e de vereadores aliados, tem o sentido de oposição ao posicionamento do governo do Estado, como pôde ser visto na fala de Pazolini, ao dar sustentação a Erick Musso: “Nós estamos ao lado do setor produtivo, nos manifestando, lutando, deixando claro que temos posição e lado”. Em decorrência desse posicionamento, o tabuleiro eleitoral começa a mostrar as pedras, algumas ainda encobertas, como o ex-governador, mas que, mais cedo do que se pensa, entrarão no jogo.
História de transexual proibida de frequentar igreja vai virar filme
Documentário ‘Toda noite estarei lá’ tem como protagonista Mel Rosário, que protesta do lado de fora de culto evangélico em Vitória Antes do culto, em frente a uma igreja evangélica no Centro de Vitória, Mel Rosário se posiciona com seu corpo e um cartaz de protesto, confeccionado com a própria letra. Dois seguranças vigiam a porta e controlam o acesso. Os fiéis vão entrando, mas ela está proibida. Transexual, a cabeleireira trava há anos uma batalha política e judicial para ter direito ao que vem sendo considerado “serviço essencial” mesmo em tempos de pandemia: o acesso à igreja e seus cultos. Essa história real será contada em Toda noite estarei lá, documentário de longa-metragem dirigido por Tati Franklin e Suellen Vasconcelos, que deve ser finalizado ainda em 2021. Mel Rosário protesta em frente à entrada da igreja da qual foi impedida de participar. Foto: Divulgação Mesmo tendo ganho na Justiça o direito de frequentar a Igreja no início de 2020, Mel voltou a ser proibida de frequentar os cultos, sob alegação de que por conta da pandemia só seria permitida a entrada de “membros”. “Mel não pode ser considerada ‘membro’ da igreja por ser uma mulher trans. Ela segue fazendo protestos em busca de justiça e os processos continuam tramitando”, explica Suellen. Foi acompanhando seu cotidiano e suas lutas diárias que as cineastas buscaram um retrato mais íntimo com a personagem, muitas vezes filmando apenas entras as três, a entrevistada e as profissionais dividindo as tarefas na captação de imagem e de áudio. A entrada da igreja e o salão de beleza onde Mel trabalha, ambos no Centro de Vitória, a casa em que vive com a mãe em Jardim América, Cariacica, e os fóruns de justiça pelos quais se trava a disputa judicial estão entre os locais das filmagens. Um caso emblemático que envolve muitos temas, como luta por direitos, diversidade sexual, intolerância religiosa e outros. “Nos interessa, enquanto realizadoras audiovisuais, contarmos histórias que questionem a realidade imposta que mata e oprime algumas vidas em detrimento de outras privilegiadas”, diz Tati Franklin. Ela aponta que o filme investe na autoficcionalização, na qual, entre o real e o imaginário, Mel interpreta a si mesma. “A proposta narrativa é que, apesar da violência que sofre diariamente contra sua existência, Mel possa viver no filme um sonho que ela não pode materializar na vida real. Assim ela pode contar a história que ela mesma deseja contar sobre si. É uma forma de recriar e projetar na tela os desejos para uma história de vida possível para aqueles que diariamente trocam sonhos por sobrevivência”. Na obra que deve ser finalizada em 2021, a cabeleireira fala também sobre seus sonhos. Foto: Divulgação As filmagens de Toda noite estarei lá ocorreram entre 2018 e 2020. Neste mês de abril, a obra foi a única brasileira selecionada para participar do laboratório online de montagem do importante festival suíço de documentários Visions du Réel, no qual recebeu consultorias de especialistas internacionais, com sugestões para construir o corte final. “É possível que o filme ainda passe por transformações até a última versão. As arestas estão sendo aparadas e acredito que boas mudanças vêm aí”, aponta Thiago Moulin, produtor do longa-metragem. Antes, o filme também passou pelo Brasil Cinemundi, encontro nacional importante no mercado cinematográfico. “Estamos na etapa de montagem do filme, talvez ainda voltaremos a gravar algumas coisas pontuais”, explica Suellen Vasconcelos. Ela entende que a boa recepção nesses espaços aponta a relevância do projeto e o interesse do mercado e da audiência no tema e na histórica que são retratados no filme capixaba. “É importante pensar o cinema como patrimônio e registro de um tempo-espaço, e precisamos pensar que estamos filmando o Brasil de 2021, palco de uma onda conservadora e reacionária que impacta vidas como a de Mel Rosário”, diz Suellen sobre o aspecto emblemático da obra. A relação de Mel Rosário com as câmeras começa quando Thiago Moulin a incluiu como uma das personagens do telefilme Impressões Urbanas, lançado em 2017 e que hoje faz parte da grade da TVE-ES. A força de Mel e sua história levou Thiago a conduzir uma produção exclusiva sobre ela, culminando no curta-metragem de mesmo nome, Toda noite estarei lá, exibido no Festival de Cinema de Vitória e Festival de Cinema de Brasília, tendo sua circulação precocemente interrompida diante da aprovação do projeto de longa-metragem, com recursos da Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e da Agência Nacional de Cinema (Ancine). Para o longa, Thiago convidou Tati Franklin, que acabava de lançar o curta-metragem Transvivo, que também aborda a questão da transexualidade, para dirigir a obra. Suellen Vasconcellos, que inicialmente atuou como assistente de direção, acabou assumindo a co-direção junto a Tati.
Jovens colocam ‘a cara na frente’ para quebrar paradigmas no Território do Bem
Fórum das Juventudes amplia atuação arrecadando doações para a população de rua Colocar “a cara na frente” para quebrar paradigmas e mostrar o poder de transformação da juventude. Essa tem sido a “pegada” do trabalho do Fórum das Juventudes do Território do Bem (FJTB) desde sua criação, em 2018. Com o acirramento da pandemia do coronavírus no início deste ano e a consequente suspensão do calendário de atividades previstas – como bate-papos, intercâmbios e formações – uma nova ação foi iniciada, para direcionar a força de atuação dos jovens da região, para além da juventude, por meio de uma parceria com a Pastoral do Povo da Rua, ligado ao Vicariato para Ação Social, Política e Ecumênica da Arquidiocese de Vitória. Por meio de seus coletivos de bairros, o Fórum cadastra famílias em situação de rua na região e aceita doações em dinheiro para a distribuição de cestas básicas, marmitas, lanches e kits de limpeza aos mais necessitados. Divulgação As doações podem ser feitas por depósito bancário, PicPay ou Pix (veja dados abaixo) e as entregas acontecem duas vezes por semana. “Nós recebemos as doações, fazemos as compras e entregamos para as famílias cadastradas a partir das indicações feitas pelos jovens de cada coletivo de bairro. Entregamos de acordo com as doações, mas nessas duas últimas semanas, as doações pararam”, conta Carlos Alberto Pereira, articulador e mobilizador do FJTB. O benefício gerado às famílias cadastradas retorna em satisfação e potência para cada jovem participante e para o Fórum como um tudo. “É uma oportunidade também de quebrar preconceitos e paradigmas referentes à credibilidade e potencial da juventude”, afirma Carlos. Sim, há preconceito contra o poder de transformação dos jovens, principalmente os moradores de comunidades periféricas, onde “a juventude é rotulada de irresponsável e baderneira”, lamenta o articulador. “Os coletivos e fóruns de comunidades periféricas têm vários rivais, entre eles o tráfico e o governo. Então lutar contra esses dois sistemas é complicado dentro de comunidades onde estão enraizados vários desses pensamentos preconceituosos contra os jovens”, expõe. E é preciso “um passo de cada vez” para quebrar esses paradigmas, ensina o mobilizador. “É realizando as nossas ações, colocando a cara na frente. Um jovem só consegue mudar outro jovem quando ele se coloca na frente, coloca a cara dele e fala: ‘tem dois lados da moeda, não tem só esse lado para você ir’. Nós acreditamos nessa transformação, de jovem para jovem”, reforça. Cada um dos integrantes do Fórum tem suas motivações e histórias pessoais de fé e transformação. No caso de Carlos, a energia propulsora vem de dentro da família. “Eu tenho 18 anos e tinha três irmãos no tráfico, e não queria isso nem pra mim nem para os meus amigos. O que me faz a cada dia perseverar nas ações é o poder da transformação. Eu acredito que através das nossas ações, como pessoa e grupo, como Fórum, nós conseguimos transformar vidas e decisões de muitos jovens do território”, conta. Divulgação Protagonismo O Fórum surgiu para aglutinar os coletivos dos bairros, seja integrando os que já existem, seja estimulando a criação de novos onde ainda não existem, para “construir um território de lazer, educação, saúde, entretenimento e qualidade de vida”, elenca Carlos. O objetivo é “colocar o jovem como protagonista da sua própria história”, salienta. “É o espaço para você se abrir, colocar suas angústias, contar suas experiências e vivências, e ser ouvido. O Fórum de Juventudes faz esse acolhimento, para o jovem se sentir importante para sua comunidade. Porque ele é importante”. O conceito de Juventudes, que nomeia o Fórum, visa destacar a diversidade existente no Território. “São várias juventudes, com sonhos diferentes, gostos diferentes, expectativas diferentes e realidades diferentes, apesar de morarem no mesmo bairro ou até na mesma rua”. O Território O Território do Bem é composto por nove bairros: (Bairro da Penha, Bonfim, Engenharia, São Benedito, Itararé, Jaburu, Floresta, Consolação e Gurigica). O Fórum é formado por uma junção de coletivos desses bairros que são: Bonde da Praça, Jovens do Bem, TecPerifa, Tour no Farol, Viella Films e WordDance), além moradores das comunidades. O intuito é unir os jovens para que o território se fortaleça cada vez mais, com debates e ações sociais importantes, buscando melhorias para todos os moradores, de modo especial, para as juventudes. Divulgação Para doar:Depósito em conta Nubank:Agência: 0001Conta: 5334330-3Banco: 260Chave PIX: marlyrodrigues@live.comPicpay: @fjtb.fjtb@carlos_silva
UTI
Um relato de quem foi e saiu de uma Unidade de Terapia Intensiva nessa pandemia Um relato de quem foi e saiu de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) nessa pandemia. Para chegar a esse ponto, passei por duas vezes em um Pronto Atendimento (PA). Da segunda vez, a situação tinha piorado e não deixaram mais sair. Na noite seguinte tive a informação de que tinha uma vaga em um dos melhore hospitais do Estado, o Vila Velha Hospital. Ali começava meu real contato com a Covid, e senti isso dentro de uma ambulância, cruzando a Terceira Ponte em silêncio, pois já era madrugada. Só as luzes ligadas. Eu que nunca tinha andado de ambulância ou entrado em um hospital por necessidade. Deixei pra trás pessoas acometidas da doença e esperando transferência. Deixei pra trás a maioria das enfermeiras e suas devoções, paciência e amor, deixei pra trás familiares transtornados, mas amparados por Deus. Parentes só ficam sabendo depois. Chegando ao hospital, fui carregado para um apartamento, isso depois de ter convivido com demais infectados numa enfermaria. Era o máximo, embora não sentisse isso. A Covid tira toda sua vontade e bloqueia sua visão de aquilatar o que é bom. Acamado, não dá vontade nem de falar ao celular ali na cabeceira. Chegou o médico e fez suas perguntas, enfiou ar no meu nariz e visou que possivelmente eu teria de ir para UTI, que era para aguardar. Me preocupei. Depois veio uma enfermeira velha, com uma máscara, daquelas que tem uma focinheira e dois tubos do lado, parecendo um ET. Com foi curta e grossa. “O Sr. sabe da gravidade desta doença, então faça todo o possível para seguir as normas para que a gente possa lhe atender bem”. E saiu. Passei o resto da noite, o dia seguinte e na noite seguinte aconteceu: UTI. Quando eles entram com uma cama, só avisam rispidamente, “Vamos para UTI Sr. Jose”. Apavora um pouco. São uns quatro, entre homens e mulheres. Pegam suas coisas, colocam no pé da cama, um tubo de oxigênio e você. Quis pegar o celular pra avisar em casa. Até então eles não sabiam que teria de ir para a UTI. Consegui avisar, mas não pude explicar. Estava entrando na UTI e lá não pode ter nada. No caminho pelos corredores dessas alas, pude ver o teto à medida que ia pelo caminho. Tive lucidez de lembrar de filmes assim. Para passar para a cama da UTI, que é preparada, eles se juntam. Eu lembro que disse: “Deixa que posso tentar”. Com alguns me amparando, deitei na cama. Em seguida entrou a turma da assistência de UTI para colocar eletrodos, aparelho DRT8 ou oxímetro, soro e demais remédios. Atrás da cama, numa prateleira, tem os aparelhos que medem tudo isso. O que controlava minha falta de ar tinha hora que ficava bipando incessantemente. Não se podia dormir. Todas envidraçadas as UTIs são monitoradas por enfermeiras médicos e assistentes. Eu via toda essa movimentação. Via enfermeiras bonitas, bondosas, atenciosas, ativas, preocupadas. Via médicos entrando e saindo de outras UTIs. Na porta da minha estava o aviso: Covid Suspeito. Quem fazia minhas necessidades era eu mesmo, mas com preparo da enfermeira Jéssica, uma alegre e brincalhona assistente. Nunca mais vou esquecer essa pessoa e tenho um compromisso de encontrá-la novamente e agradecer. Até banho ela me deu e banho na UTI é o maior barato. (Não é deboche e sim alívio no momento). O chato numa UTI é o incômodo de virar pra dormir. De repente o aviso na porta indicava: Covid Confirmado. Meu único medo era a intubação. E toda vez que um médico e uma médica chegavam no vidro e me olhava e também aos aparelhos, eu rezava. Foi na UTI que comecei a ingerir só líquido, mingau, sopa, suco. Ordem do médico superior. Dos sete dias que passei no hospital, emagreci oito quilos. Em uma manhã, quando menos esperava, entrou uma médica bondosa, educada e de repente disse uma das mais importantes palavras que já ouvi na vida. Ela disse: E aí, vamos tirar os aparelhos de respiração? Você não precisa mais”. Eu ainda disse: “Sério Dra.”? Ela Respondeu: “Sim, está tudo bem com o senhor, mas vai ficar essa noite em observação e amanhã vai para um quarto. Olhei para o canto do teto e consegui ver Jesus olhando pra mim. Na manhã seguinte, Jéssica já entrou me zoando. Estava feliz. Também estava ansiosa para me transferir. Levou até a cadeira de rodas. Quando foi meio-dia, saía eu da UTI. Entramos num quarto da ala nova, quarto de enfermaria para duas pessoas, mas não tinha ninguém. Entrei, tudo novo, mas não tinha TV!!! Reparei que havia um janelão e dava pra ver parte de Vila Velha. Ouvia também barulho do recolhimento do lixo hospitalar lá embaixo. Devia ser o terceiro ou quarto andar. Por incrível que pareça, foi a parte mais angustiante dos dias que passei no hospital. Eu me sentindo bem de respiração, mas ali, naquele quarto branco, sozinho, sem saber quando poderia ter alta. Mas a assistência continuava impecável: Remédios, medições, soros. Começa às 4h30 e a última era 23h30. Foram dois dias e duas noites. Às vezes rezava com fé, às vezes imaginava coisas. Comecei a levantar da cama e ir até o janelão. Mas voltava logo para deitar. Ou sentava na cama, que dava para ver o sol sumindo. Um dia recebi a visita de Monica. Deixaram-na entrar um pouco. Trouxe o carregador do celular. Aí comecei a mandar mensagem pra todo mundo. Me preocupava muito com a mais velha Ranuze, sofreu muito. Depois soube que algumas pessoas, entre parentes e conhecidos, se articularam muito enquanto eu estava por lá. Mas foi a mais nova, Zaira, que acertou tudo para eu ir para aquele hospital. Não tenho palavras para agradecer ao médico que interferiu e conseguiu o internamento tão rápido. Fora pessoas especiais de outros estados que se preocuparam e oraram. Enfim, na última tarde apareceu o médico, conversou, me ouviu
Requerimentos cobram votação de PL que institui piso nacional para a enfermagem
Proposta está parada no Senado e sofre investida de entidades e empresários da área de Saúde O senador Fabiano Contarato (Rede) encaminhou para o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM/MG), nessa sexta-feira (23), um requerimento no qual solicita que leve a plenário o Projeto de Lei 2564/2020, de sua autoria, que estabelece o piso salarial nacional da enfermagem e regulamenta a jornada de trabalho da categoria. A proposta do parlamentar contempla a criação de um piso salarial nacional de R$ 7,3 mil mensais para enfermeiros, de R$ 5,1 mil para técnicos de enfermagem, e de R$ 3,6 mil para auxiliares de enfermagem e parteiras. “Passou da hora de o Congresso Nacional dar uma condição digna para esses trabalhadores”, cobrou. O valor estabelecido pelo projeto, no caso dos enfermeiros, é para jornada de 30 horas semanais. Em caso de jornadas superiores, o piso salarial nacional terá a correspondência proporcional. “Reafirmo e me junto ao coro dos demais colegas senadores no sentido de ressaltar que trata-se de matéria de suma importância, no sentido de reconhecer o valor desses profissionais que arriscam suas vidas diariamente em favor da população, ainda mais neste momento de pandemia”, salienta o senador, reforçando que o texto teve prazo esgotado na Comissão de Assuntos Sociais. Contarato destaca que o artigo sete, inciso V, da Constituição Federal, determina que todo trabalhador tem direito a esse piso salarial proporcional à complexidade e extensão do seu trabalho. “Essa é uma luta desses profissionais há mais de duas décadas, sendo urgente a deliberação desse projeto”. O parlamentar salienta que 80% da categoria é formada por mulheres e 50% por pretos e pardos. “Esses profissionais estão pagando com a própria vida, somando mais de 700 mortos pela Covid-19, além mais de 53 mil contaminados, que estão, também, contaminando seus familiares: pais, filhos, esposas, maridos, avós. Aprovar um piso salarial digno para a enfermagem é fazer justiça! O salário médio de enfermeiros é inferior a dois salários mínimos. Eles merecem nosso reconhecimento e nada é mais justo do que começar pela remuneração. O momento é agora!”, defende. O parlamentar acrescenta: “Estamos avançando no convencimento dos senadores sobre a importância de aprovar esse projeto que já está tramitando, tem relatoria escolhida, e agora precisa ir ao plenário para votação”. Conselhos se mobilizam Conselhos regionais de enfermagem, entre eles o do Espírito Santo, se uniram ao Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) em um ofício também enviado para o presidente do Senado. No documento, as entidades pedem o apoio e o compromisso da Casa de Leis com a aprovação do Projeto de Lei 2564/2020. No ofício, as entidades apontam que a enfermagem brasileira reúne 2,4 milhões de profissionais, entre enfermeiros, técnicos e auxiliares. Os trabalhadores denunciam que na categoria há trabalhadores que chegam a receber menos de um salário mínimo por mês. Segundo o documento, por ser uma profissão majoritariamente feminina, a enfermagem conta com trabalhadoras sobrecarregadas pelo cuidado com as famílias, além de arcarem com a maior parte da assistência aos filhos menores e parentes idosos ou enfermos. Ainda segundo as entidades, cerca de 50% dos trabalhadores da enfermagem estão na linha de frente de combate à Covid-19. “É uma profissão com jornadas de trabalho de tempo integral, mas não recebe o reconhecimento da gestão quanto a salários e condições de trabalho. O multiemprego é uma realidade para os profissionais da enfermagem, em razão dos baixos salários”, diz o documento. O documento também aponta que a pesquisa Perfil da Enfermagem, realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pelo Cofen, revela que mais de 200 mil profissionais atuam em atividades fora da enfermagem e, até mesmo, fora da área da saúde, em momentos de folga dos plantões. Luta histórica A presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Espírito Santo (Coren/ES), Andressa Barcellos de Oliveira, relata que a luta pela jornada semanal e pelo piso nacional é antiga. Ela recorda que houve uma tentativa de regulamentação da jornada em 1955. Depois, no ano de 1995, um projeto de lei com esse propósito chegou a ser aprovado, mas foi vetado pelo então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. Em 2000, foi feita uma nova tentativa, que não foi votada. Doze anos depois, mais uma oportunidade foi perdida. Segundo Andressa, a proposta de regulamentação da jornada foi retirada de pauta por uma manobra do então ministro da Saúde, Alexandre Padilha; e do então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha; juntamente com empresários da área da saúde. O projeto do piso, de acordo com Andressa, é de 2009, mas não foi para votação. Em 2020, explica a presidente do Coren/ES, Fabiano Contarato uniu as duas demandas em um único projeto. “É uma iniciativa que dialoga com o momento em que vivemos, com a campanha de valorização da enfermagem feita no ano passado pela Organização Mundial da Saúde [OMS]”, diz. ‘Nada mais justo do que salário digno’ Andressa avalia que a enfermagem tem um papel fundamental na sociedade. “Está presente em todos municípios, tem a função de dar conforto, dignidade, segurança, e está nos hospitais públicos, privados e filantrópicos, com o papel social de garantir a saúde das pessoas”. A presidente do Coren/ES faz críticas ao fato de entidades empresariais da área da saúde serem contrárias ao projeto. “Os empresários da saúde enriqueceram muito durante a pandemia. Estão pensando no lucro em detrimento da vida das pessoas. Nada mais justo do que salário digno, jornada digna, ambiente de trabalho digno. Esta é a nossa oportunidade de fazer justiça para a enfermagem. A gente não quer enriquecer, quer sobreviver com dignidade através da profissão que escolhemos para exercer, sem ter que trabalhar em dois, três lugares”, desabafa. As entidades que se posicionaram contrárias ao projeto, solicitando, por meio de ofício ao presidente do Senado que não seja votado, são a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP), Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), Federação Brasileira de Hospitais (FBH), Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramg), Confederação Nacional de Cooperativas Médicas (Unimed), Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas (CMB) e Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde). Entre os argumentos das entidades