Manifestação de interesse foi oficializada em visita de Casagrande ao Instituto Butantan, São Paulo O governador Renato Casagrande anunciou a possibilidade de aquisição de 4 milhões de doses da vacina Butanvac contra a Covid-19, desenvolvida pelo Instituto Butantan, em São Paulo. Em visita ao Instituto nesta sexta-feira (23), o Espírito Santo fez uma manifestação de interesse na compra dos imunizantes, que podem estar disponíveis a partir de setembro. A Butanvac, vacina produzida 100% no Brasil, está em fase de testes, salienta o governador. A possibilidade de aquisição não anula a busca por compra de vacinas com outros fornecedores, o que, recorda, já vem sendo feito. Casagrande informou que sua visita também teve como objetivo discutir sobre uma parceria entre o Butantan e o Laboratório Central (Lacen), por meio do intercâmbio de pesquisadores para possibilitar ações como desenvolvimento de medicamentos. No Instituto, a comitiva capixaba acompanhou o envase de doses da CoronaVac, que está sendo utilizada na imunização da população contra o novo Coronavírus. Além de Casagrande, estiveram presentes o secretário de Estado de Inovação e Desenvolvimento Econômico, Tyago Hoffmann; e o secretário especial de Governo do Estado de São Paulo, Antônio Imbassahy. Casagrande também falou sobre uma reunião ocorrida em Brasília nessa quinta-feira (22), com a embaixada americana. Um dos assuntos debatidos foi a vacinação, porém, os Estados Unidos fornecerão imunizantes para outros países somente quando sua população for totalmente imunizada. No encontro foram abordadas também futuras parcerias entre o Espírito Santo e os Estados Unidos em áreas como educação, logística e segurança pública, mas o governador não entrou em detalhes sobre o assunto. De acordo com o gestor, juntamente com outros 23 governadores, ele entregou uma carta de ações conjuntas no que diz respeito às mudanças climáticas.
‘É adequado e oportuno avançar a vacinação do grupo de 50 a 59 anos’
Proposta tem sido discutida em nível nacional, pois grupo etário concentra elevado número de pessoas com comorbidades Sesa Após a imunização da população idosa com 60 anos ou mais, o Brasil pode fazer a opção por vacinar as pessoas com idade entre 50 e 59 anos, ao invés de priorizar todo o grupo de pessoas com mais de 18 anos e com as comorbidades já estabelecidas no Plano Nacional de Imunização (PNI). A estratégia tem sido defendida pelo secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, conforme ele afirmou em entrevista coletiva nesta sexta-feira (23). “Nós temos avançado no debate dentro do Conass [Conselho Nacional de Secretários de Saúde] e já apresentamos à coordenação do PNI. Avançar com a vacinação do grupo de 50 a 59 anos é oportuno para o Brasil, vai acelerar a imunização da população”, declarou. São dois os principais motivos. O primeiro, é que esse grupo etário reúne um elevado número de pessoas com comorbidades associadas a maior risco de mortalidade, especialmente cardiopatias e doenças metabólicas. O segundo objetiva a simplificação e a agilização do processo de vacinação. “Na medida em que a gente cria muitos critérios, subgrupos e novas priorizações, a própria operacionalização da campanha passa a ser executada numa velocidade menor, o que dificulta a operacionalização”, explicou Nésio. O secretário afirma, no entanto, que a cobertura total do grupo de 50 a 59 anos deve se dar imediatamente após a imunização das pessoas, de qualquer idade, que sejam portadoras de determinadas comorbidades que oferecem mais perigo de agravamento do quadro de Covid-19. “Nós entendemos que algumas comorbidades devam estar na primeira linha de priorização da vacinação após ter completado a vacinação das pessoas com mais de 60 anos. As pessoas com doenças raras, por exemplo, com deficiências, principalmente com déficit intelectual, as pessoas com Síndrome de Down e também pessoas com obesidade mórbida devem estar na primeira linha de vacinação após a conclusão da vacinação dos idosos”, explanou. As formas de comprovação das comorbidades, informou o subsecretário de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin, Reblin, é discutida na câmara técnica responsável, que já elaborou uma síntese da documentação necessária a ser exigida para a vacinação prioritária. “Agora depende da pactuação entre a secretaria estadual e os municípios, através da CIB [Comissão Intergestores Bipartite], que representa os gestores municipais e os gestores estaduais, para finalizar esse roteiro daquilo que deverá servir de base para comprovar que a pessoa tem comorbidade”. Entre os documentos, elencou, estão: laudo do profissional de saúde que acompanha o tratamento do paciente, o prontuário da unidade de saúde onde ele faz o acompanhamento ou a receita dos medicamentos de uso controlado. A CIB, segundo Reblin, deve publicar no início da próxima semana a resolução que vai organizar a vacinação desse grupo. Prazo maior entre a D1 e a D2 Outra discussão nacional ocorre acerca do prazo entre a aplicação da primeira e a segunda dose da Coronavac, atualmente de 28 dias. “Considerando os estudos já divulgados e os conhecimentos já consolidados na imunologia, o Ministério da Saúde deve considerar ampliar o prazo entre a primeira e a segunda dose também no caso da Coronavac”, disse o secretário. O comitê técnico que assessora o Ministério da Saúde deve colocar em breve essa pauta em discussão junto ao Instituto Butantan, que produz a Coronavac no Brasil, e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Nós entendemos que seja adequada a ampliação segura de pelo menos 14 dias, caso os estudos e o comitê técnico consigam subsidiar essa decisão, o que permitirá que a gente alcance com segurança mais pessoas na primeira dose, e possamos garantir a D2 a toda a população, sem prejuízo da resposta imune alcançada com as duas doses da Coronavac”, argumentou Nésio Fernandes.
A Sangrenta História do Metal Satânico Underground – Parte VII
Toda a cena norueguesa é baseada no Euronymous e no testemunho dele em sua loja Em Lords Of Chaos, podemos ler: “Um sueco chamado Per Yngve Ohlin, codinome Dead, viria a se juntar ao Mayhem como seu novo vocalista, tendo sido anteriormente membro de uma banda de death metal com tema de terror, chamada Morbid. O Dead seria o primeiro membro notável da saga do black metal nórdico, ao dar um tiro em sua própria cabeça, em 1991, vivendo à altura do seu apelido ao mesmo tempo que morria com ele”. Ainda segue: “Na costa oeste da Noruega se encontra a antiga cidade de Bergen, famosa por sua atitude aristocrática de independência em relação às outras áreas do país – especialmente Oslo. Bergen era o lar de Kristian Vikernes (que posteriormente mudaria seu nome legalmente para Varg), um adolescente carismático com um entusiasmo explosivo por qualquer assunto que fosse sua fixação no momento”. O relato continua: “Tendo tocado guitarra por anos, ele se juntou à banda de death metal Old Funeral, mas rapidamente se cansou da superficialidade e dos shows juvenis da banda”. Ao tocar com o conjunto, Vikernes, aponta Lords Of Chaos, teve contato com muitos dos que mais tarde se tornariam importantes para o mundo do black metal. Ele conheceu os músicos que posteriormente formariam a banda Immortal, e também o lendário Euronymous. “Depois de sair do Old Funeral, Vikernes formou uma one-man band para poder ter controle total sobre sua obra. Originalmente chamada Uruk-hai, em uma referência à obra de J.R.R.Tolkien, ele posteriormente mudou o nome do projeto para Burzum, outro termo cunhado por Tolkien que significa ‘escuridão”. Segue Lords Of Chaos, “o Burzum não foi a única banda nova de black metal a surgir. Um conjunto de Oslo, Darkthrone, estava começando a chamar atenção e fez alguns shows nessa época. Alguns membros da banda ainda usavam roupas de ginástica, entregando as suas origens no death metal; outros começaram a usar trajes mais alinhados com a estética do black metal que começava a se desenvolver”. Outros conjuntos, prossegue, logo reivindicaram o título de black metal, incluindo o Immortal (que também surgiu do que sobrou do Old Funeral) e um jovem grupo do interior de Telemark, Emperor. “Essa última banda, junto de Vikernes, estava destinada a cumprir um papel importante no processo de trazer ao gênero a atenção não só de colecionadores de discos, mas também das delegacias de polícia”, completa. Euronymous abriu uma loja de discos que também virou gravadora, a Helvete, e que foi ponto de encontro das figuras mais importantes do cenário black metal que evoluiria naquela época. Metalion diz: “Esse foi o momento da criação de toda a cena do black metal norueguês – está tudo conectado àquela loja, à influência que o Euronymous tinha sobre os clientes mais jovens, e a como ele os convencia do que era real ou não nesse mundo”. Muitos dos caras do Immortal e do Darkthrone curtiam death metal normal e o Euronymous mostrou pra eles o que o black metal era de verdade, como as coisas deviam ser, e eles o seguiram. Olhando para o primeiro álbum do Darkthrone e comparando com o segundo, dá pra ver a influência do Euronymous no segundo, A Blaze in the Northern Sky. Esse foi o primeiro álbum de black metal norueguês depois do Deathcrush, que foi realmente uma influência grande para o resto da cena. Depois veio o Immortal, que era uma banda de death metal que virou black metal, também por influência do Euronymous. Mesmo que eles não admitam, é verdade. Mesma coisa com o Emperor – eles tinham uma banda chamada Thou Shalt Suffer, que era death metal, e virou Emperor, que era black metal. Toda a cena norueguesa é baseada no Euronymous e no testemunho dele em sua loja. Ele convenceu do que era certo e do que era errado. “Sempre dizia o que pensava; seguindo os próprios instintos sobre o que seria o black metal verdadeiro tipo usar corpse paint e spikes, idolatrar a morte e ser extremo. Era isso que ele falava pra todo mundo”. O livro Lords Of Chaos registra, neste trecho, o que gerou e desenvolveu o cenário black metal norueguês, e as sementes do mal que logo chocariam o mundo, numa versão diabólica do rock nunca antes vista. O black metal norueguês daquela geração noventista que surgia ultrapassou a barreira da teoria, como o perverso psicanalítico, e alguns membros do que viria a ser o inner circle foram às vias de fato para produzir a polêmica e o caos. Gustavo Bastos, filósofo e escritor.Blog: http://poesiaeconhecimento.blogspot.com A Sangrenta História do Metal Satânico Underground – parte VI https://www.seculodiario.com.br/cultura/a-sangrenta-historia-do-metal-satanico-underground-parte-vi Lords of Chaos – A sangrenta história do metal satânico underground – Parte V https://www.seculodiario.com.br/cultura/lords-of-chaos-a-sangrenta-historia-do-metal-satanico-underground-parte-v
Nove mil professores devem ser vacinados na próxima semana no Estado
Ritmo será menor em todos os grupos nas semanas seguintes, quando Butantan não prevê envio de doses Hélio Filho/Secom Nove mil professores devem receber a vacina contra a Covid-19 no Espírito Santo na próxima semana, segundo expectativa da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Em coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (23) pelo secretário Nésio Fernandes e o subsecretário de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin, os gestores explicaram que há uma primeira lista de cinco mil nomes e uma segunda, complementar, de mais quatro mil, que devem receber a primeira dose nesta última semana de abril. Nas três semanas seguintes, no entanto, a previsão é de redução da velocidade de imunização para todos os grupos em curso, devido ao atraso na produção por parte do Instituto Butantan, responsável pelo envio da Coronavac ao Ministério da Saúde. “Tivemos por parte do Butantan atraso na disponibilidade do IFA [Ingrediente Farmacêutico Ativo] e produção de doses, o que poderá acarretar, ao longo das próximas três semanas, uma suspensão de envio de doses do Butantan para aplicação da D1 e também D2”, alertou Reblin, lembrando que o envio de Coronavac já tem sofrendo redução desde a semana passada. “Nessa semana e na anterior, o Ministério reduziu a disponibilidade de Coronavc, o que vai reduzir a possibilidade de agendar a segunda dose, especialmente na semana que vem”. O assunto, informou, está sendo tratado pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o Ministério da Saúde e o próprio Butantan, para adotar medidas seguras que possam preservar a execução do Plano Nacional de Imunização (PNI). “Temos expectativa de que o Butantan retome a oferta de vacinas para D1 e D2 ao longo da primeira quinzena de maio”, afirmou Nésio Fernandes. Mérito do SUS Os professores da educação básica, nas redes públicas e privada, totalizam cerca de 42 mil pessoas, e serão imunizados com as doses dedicadas à reserva técnica do Estado – parte de 5% dos lotes enviados semanalmente pelo Ministério da Saúde, que, a princípio, são guardadas para repor casos de perdas. Graças ao bom desempenho do Estado na aplicação das doses recebidas, a antecipação da imunização dos professores será feita com essa reserva técnica, a exemplo do ocorre com os trabalhadores das forças de segurança. “O Espírito Santo apresenta grande desempenho na vacinação. Somos um dos estados que mais aplica as doses recebidas. Ao longo de três a quatro dias, as doses chegando, já temos uma quantidade muito grande de municípios que esgotam e paralisam suas atividades por conta da ampla capacidade de vacinação. Isso é obra e mérito dos trabalhadores do Sistema Único de Saúde [SUS], é obra da mobilização e coesão de gestores municipais, da gestão estadual, da coordenação do PNI no Ministério da Saúde”, expôs Nésio Fernandes. Por outro lado, destacou o secretário, é preocupante a lentidão com que o Plano Nacional de Imunização tem sido implementado. “Nos preocupa a ampliação da expectativa para setembro da vacinação dos grupos prioritários”, declarou, referindo-se à declaração do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, feita no início desta semana, de que a conclusão da imunização dos grupos prioritários no PNI, a princípio prevista para maio, deve ser retardada em quatro meses, acontecendo apenas em setembro. “O Brasil para o segundo semestre terá uma situação mais confortável de disponibilização de vacinas, no entanto, é preciso avançar ao máximo antes disso. Nós compreendemos que todos os estados brasileiros, o governo federal, toda a estrutura do Ministério das Relações Exteriores precisa estar dedicada a adquirir a maior quantidade possível de vacinas. As atividades econômicas são prejudicadas e correm o risco de nova interrupção ao longo do segundo quadrimestre, por conta do não alcance da imunidade coletiva protetora alcançada com a população da vacinação”, alertou o secretário estadual. Futura nova vacina Nésio Fernandes declarou ainda que o Espírito Santo está negociando uma parceria com o Butantan, para auxiliar no “desenvolvimento das diversas fases da vacina que o Butantan produz, assim como nos diversos outros braços de pesquisa utilizando a Coronavac”. A expectativa, ressaltou, é que o Espírito Santo seja um dos primeiros estados a adquirir a nova vacina em elaboração pelo Instituto. “Queremos estar na lista dos primeiros estados que farão a aquisição futura da vacina que o Butantan está desenvolvendo”, ressaltou.
Pacientes com maior risco de agravamento terão internação precoce em enfermaria
Curva de óbitos está em platô alto e deve cair em semanas. Cirurgias e consultas eletivas voltam em maio O Espírito Santo consolidou uma fase de recuperação e queda da curva de casos de Covid-19. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, e pelo subsecretário de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin, nesta sexta-feira (23). O pico de casos, nesta terceira fase de expansão da doença no Estado, foi registrado na Semana Epidemiológica nº 12 (de 21 a 27 de março). Em seguida, sete dias depois do início da quarentena, decretada no dia 18 de março, descreveu, “pudemos observar a formação de um pequeno platô, que durou pouco tempo, já passando a desenhar uma queda robusta da quantidade de casos novos diagnosticados”. A queda do número de casos é o primeiro indicador a apresentar alteração quando há uma mudança de comportamento da pandemia. O segundo, explicou, é a demanda por leitos nas unidades pré-hospitalares, que, no Espírito Santo, também vem caindo. “Já se observa uma queda mais robusta da procura de casos leves e moderados nos serviços de urgência e emergência em todas as regiões do Estado”, atualizou. O terceiro indicador a se alterar é o percentual de ocupação de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI). No Estado, essa taxa continua alta, próxima a 90%, e a expectativa da Sesa é que comece a diminuir em breve. A ocupação de leitos de enfermaria, ressaltou, “já é uma realidade”, havendo 300 leitos livres de enfermaria no momento. Internação precoce em enfermarias Por isso, anunciou o secretário, “devemos trabalhar, ao longo das próximas semanas, com uma internação precoce nos pacientes de risco a evoluir a um quadro mais crítico”. A estratégia foi adotada no ano passado, no interstício entre a primeira a segunda expansão, entre os meses de setembro, outubro e novembro, e deve ser implementada a partir do final de abril deste ano. Com a manutenção da elevada taxa de ocupação de UTI, “com pacientes complexos e com tempo médio de permanência alto”, o Estado mantém o trabalho de ampliação da rede hospitalar, dentro da política do programa Leitos para Todos, que já conseguiu disponibilizar mais de dois mil leitos exclusivos para Covid na rede pública capixaba. O último indicador a ser afetado por um novo comportamento da pandemia é o número de mortes. Segundo os gestores da Sesa, a curva de óbitos “começou a demonstrar alguns sinais de possível queda ao longo das próximas semanas”. “Observamos um platô na curva de óbitos. Ainda há um número muito grande de mortes, mas há uma semana percebemos um platô alto, o que significa que brevemente provavelmente iniciaremos uma queda do número de óbitos”, detalhou Reblin. “Nós aguardamos a consolidação dos dados para de fato confirmar essa expectativa ao longo do final do mês de abril, principalmente no início do mês de maio”, complementou Nésio Fernandes. Diante dessa expectativa, a Sesa decidiu retomar, no início de maio, as cirurgias eletivas não essenciais e as consultas ambulatoriais. Efeitos da quarentena Esses bons indicadores, salientaram Nésio e Reblin, são resultado da quarentena adotada pelo governo do Estado. “A decisão da quarentena foi feita num momento de chamamento da sociedade para um pacto pela vida, compreendendo todos os poderes e órgãos de Justiça. Hoje, todos aqueles que participaram do pacto são meritórios da conquista que a quarentena proporcionou ao nosso Estado. A quarentena e o pacto pela vida fizeram o Espírito Santo não viver cenas dantescas registradas em outros países e outros estados do Brasil. Nós conseguimos resistir graças à ampla coesão social e mobilização dos trabalhadores da saúde, aos quais faço meu grande reconhecimento nesse momento”, expôs o secretário. Essa coesão, ressaltou, precisa continuar nesta fase de recuperação e reabilitação das atividades econômicas e sociais. “Precisamos que a sociedade compreenda a importância do uso das máscaras mais filtrantes, do lavar das mãos, do distanciamento. Essa agenda de um novo normal precisa ser incorporada e naturalizada no cotidiano de todos, sob o risco de ter uma futura expansão da pandemia no Estado, com característica distinta das três expansões já ocorridas”. Próximas ondas Nésio Fernandes explicou que o Estado caminha para alcançar, antes do início do próximo inverno, a imunidade coletiva plena de toda a sua população idosa com mais de 60 anos de idade, o que vai permitir que esse grupo etário, numa futura expansão da curva de casos, não seja afetada com uma quantidade tão grande de óbitos e internações. Por outro lado, alertou, é possível que no futuro exista uma expansão da pandemia com predomínio de pessoas jovens e adultas. De fato, a mortalidade hospitalar entre idosos com mais de 80 anos alcançou essa semana uma queda de 46% em comparação a períodos anteriores da pandemia, como resultado da vacinação dessa população. O mesmo efeito, ressaltou Reblin, é observado entre os trabalhadores da saúde, com queda de internação e óbitos. “A vacina não evita que a pessoa se contamine, mas reduz as contaminações e, principalmente, as internações e óbitos”. Apesar do rejuvenescimento da população internada em hospital, a maioria dos pacientes em UTIs ainda é de pessoas idosas, com mais de 60 anos. “Aumentou a proporção de jovens, aumentou a mortalidade de jovens, no entanto eles não são a maioria dos internados, diferente de outros estados do Brasil onde a variante brasileira, a P1, comportou-se como variante predominante na transmissão comunitária”, comparou Nésio, referindo a estados como Amazonas, Rondônia, Paraná e Santa Catarina. Nésio disse, porém, que é possível que essa variante já esteja circulando no Espírito Santo e os estudos devem confirmar essa possibilidade. “Ao longo dos próximos meses, casos essas novas expressões também se comportem no Estado, podemos ter uma nova expansão da curva da casos com predomínio da população jovem e adulta, diferente do que ocorreu ao longo da primeira, segunda e terceira expansão”, alertou. Independentemente do perfil etário predominante, a orientação continua a mesma, reforçou o secretário: “mediante qualquer sintoma, procure o serviço de saúde para ser testado e avaliado por um profissional de saúde, pratique o isolamento domiciliar e teste seus contatos, para que a gente
Movimentos sociais protestam em frente à prefeitura de Cariacica
Ativistas apontam ineficácia das ações do poder público no município, que já ultrapassou mil mortes por Covid-19 A marca simbólica de mil mortes por Covid-19 levou diversos movimentos sociais atuantes em Cariacica a realizar uma manifestação em frente à prefeitura do município, que amanheceu nesta sexta-feira (23) com cartazes e cruzes fincadas nas suas proximidades como sinal de luto e homenagem às vidas perdidas. “São pessoas que em seus diferentes locais de moradia e trabalho colaboravam para erguer a nossa sociedade cariaciquense e capixaba, e eram amores das vidas de familiares e amigos”, manifestaram as 11 entidades assinantes em uma carta aberta. Os representantes do movimentos se posicionaram no início da manhã no jardim próximo ao Trevo de Alto Laje, em frente à prefeitura e em local de grande fluxo. Além de cartazes nas mãos, estenderam faixas, uma lembrando os mais de mil mortos e outra com os dizeres “Bolsonaro genocida”. Divulgação Antônio Barbosa, presidente do Psol em Cariacica, ressaltou que o ato denuncia tanto o governo federal como o municipal, que além de não possibilitar um auxílio emergencial para a população necessitada, ainda carece de maior ação para reverter o problema crônico da saúde no município. “É necessário mais investimentos em áreas como saúde e também assistência social e segurança alimentar”, apontou, dado o agravamento da situação de muitas famílias diante das crises sanitária e econômica em paralelo. “O problema se escancarou com a pandemia. Algumas políticas de assistência social foram desmontadas no município e deveriam ser reestruturadas. O banco de alimentos, por exemplo, tem uma distribuição mal organizada e atendimento muito ruim às famílias”, indica Antônio Barbosa. Além do Psol de Cariacica, apoiaram o ato a Federação das Associações de Moradores de Cariacica (Famoc), Sindicato dos Servidores Municipais de Cariacica (Sindismuc), Pastoral Operária de Cariacica, Fórum de Mulheres de Cariacica, Coletivo Educação pela Base, Centro de Estudos Bíblicos do ES (Cebi-ES), Sindicato dos Psicólogos do ES, Fórum de Direitos da Criança e do Adolescente do ES e Conselho Estadual de Direitos Humanos. Divulgação O grupo criticou a política de abertura do comércio e escolas que tem feito aumentar a contaminação, apontando como “demonstração de descaso com a vida”. Também acusou a gestão do prefeito Euclério Sampaio (DEM) de ineficácia no combate à pandemia. Cariacica foi o terceiro município do Estado a chegar a mais de mil mortes, depois de Serra e Vila Velha, embora tenha população menor do que estes municípios. Na Grande Vitória, tem a mais alta taxa de mortalidade por Covid-19, com 3,1%, a 12ª maior entre os 78 municípios capixabas. “Vidas cariaciquenses importam!” foi um dos lemas levantados pelo manifesto, que pede vacinação para todos e auxílio emergencial municipal, já anunciado em Vitória, Serra e Vila Velha.
Comissão da Câmara Federal propõe ajuda financeira às microempresas
Deputado Helder Salomão destaca a necessidade de o Estado acionar mecanismos de auxílio emergencial A facilitação de crédito com alterações no Programa Nacional de Apoio às Microempresas (Pronampe) e reedição do cartão do Banco de Desenvolvimento Econômico (BNDES) para os microempreendedores individuais (MEI) e micros e pequenas empresas, com operacionalização exclusiva para bancos oficiais, são as propostas que foram discutidas na audiência pública da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços (CDEICS), da Câmara Federal, nesta sexta-feira (23). As propostas serão apresentadas aos presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), respectivamente, pela frente parlamentar mista das micro e pequena empresas e lideranças partidárias, segundo decisão dos participantes da audiência, proposta pelo deputado federal do Estado, Helder Salomão (PT). O parlamentar entende que os pequenos negócios, bem como os empreendedores individuais, precisam de apoio financeiro do governo federal e de incentivos para não quebrarem e terem condições de manter os empregos durante a pandemia do coronavírus. No requerimento à Comissão de Desenvolvimento Econômico, o deputado aponta que a “crise econômica e social agravada pela pandemia do novo coronavírus descortinou a necessidade urgente de que o Estado brasileiro tenha mecanismos de proteção e auxílio aos pequenos negócios” e destaca que “os pequenos negócios sofreram sobremaneira com as medidas de contenção e disseminação do novo coronavírus, este que é o setor responsável pela maior geração de emprego e renda”. Levantamento realizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) revela que a situação financeira da maioria das empresas (73,4%) já não estava boa antes mesmo da crise gerada pela Covid-19. Quase a metade dos empresários (49%) respondeu que as finanças estavam razoáveis, enquanto 24,4% responderam que estavam ruins. Embora o custo com pessoal apareça entre os principais gastos da maioria das empresas (57,1%), apenas 18,1% delas precisaram fazer demissões para manter a saúde financeira dos negócios. Em média, elas demitiram três colaboradores após o início da crise.
‘A Fetaes deu voz ao machismo e votou pela invisibilidade das mulheres’
Agricultora Augusta Búffolo protesta contra a extinção da Secretaria de Mulheres da Federação O Conselho Deliberativo da Federação dos Trabalhadores, Agricultores e Agricultoras Familiares do Espírito Santo (Fetaes) pôs fim à Secretaria de Mulheres em reunião realizada nessa terça-feira (20). A medida, segundo a então titular da pasta, Augusta Búffolo, está entre as alterações feitas no estatuto da entidade. “A Fetaes deu voz ao machismo e votou pela invisibilidade das mulheres”, protesta. O argumento para a extinção da secretaria, relata, foi o fato de a paridade entre homens e mulheres ter sido aprovada no ano passado, passando a valer para a próxima gestão, que começa em 2022. Por isso, o Conselho Deliberativo decidiu que, para garanti-la, teria que reduzir o número de cargos de sete para seis, possibilitando, então, três homens e três mulheres na diretoria. Assim, foi extinta a secretaria. “A paridade é importante, é um avanço, mas ela por si só não resolve. Tem que dar visibilidade à luta das mulheres do campo, das águas e das florestas. Perdemos um espaço integrado à diretoria, um espaço que tem visibilidade, autonomia, que nos dá poder de voz e fala. Agora não teremos mais orçamento próprio para ações específicas. Seremos apêndice de outras secretarias”, afirma Augusta. Ela aponta que, por meio da secretaria, é possível, por exemplo, discutir processos formativos para que as agricultoras possam ocupar espaços de poder e decisão, como o movimento sindical e o legislativo. “Com a decisão do último dia 20, a luta das mulheres sai enfraquecida, mas a perda momentânea de uma conquista não nos calará. Continuamos na luta”, destaca Augusta. A agricultora recorda que a Fetaes é de 1968. Entretanto, somente em 1995 uma mulher ingressou na entidade, mas não como diretora, e sim, em uma coordenação vinculada à Secretaria de Formação. Em 1998 uma trabalhadora passou a compor a executiva, na Secretaria de Políticas Sociais. No ano de 2013 foi criada a Secretaria de Mulheres e da Terceira Idade. Quatro anos depois, em 2017, ela passou a ser somente Secretaria de Mulheres. Augusta atribui o ingresso tardio das trabalhadoras na estrutura da Fetaes ao fato de que somente em 1988, com a promulgação da Constituição Federal, as mulheres foram reconhecidas como trabalhadoras rurais. A partir daí, relata, passaram, por exemplo, a poder se sindicalizar e ter acesso a crédito rural. Porém, ainda hoje as mulheres passam pelo desafio de serem reconhecidas como pessoas que produzem. “A sociedade enxerga o trabalho da agricultora como uma ajuda ao do homem, mas a mulher trabalha, produz, contribui com a renda da família”, destaca. A Fetaes informa, em seu site institucional, que representa cerca de 500 mil trabalhadores e trabalhadoras rurais do Espírito Santo, organizada em 54 sindicatos filiados e 19 extensões de base.
‘Exigir essencialidade da aula presencial é projeto de morte’
Gilda Cardoso, doutora em Educação, explica o perigo do PL aprovado na Câmara e do apresentado no Estado, por Capitão Assumção “É um projeto de morte”, responde, taxativa, a doutora em Educação Gilda Cardoso, em relação ao Projeto de Lei nº 59/2021, de autoria do deputado estadual Capitão Assumção (Patri), que propõe estabelecer as aulas presenciais, em todos os níveis e redes de ensino do Espírito Santo, como atividade essencial, tornando obrigatório mantê-las funcionando mesmo em municípios em risco extremo e alto de contaminação por Covid-19, que é o caso de 69 das cidades capixabas na atual semana epidemiológica. Coordenadora do Laboratório de Gestão da Educação Básica do Espírito Santo, vinculado ao Centro de Educação da Universidade Federal do Espírito Santo (Lagebes/Ufes), Gilda alerta que tanto o PL de Assumção, que tramita na Assembleia Legislativa – atualmente devolvido à Procuradoria Geral – quanto o PL 5595/2020, de Paula Belmonte (Cidadania/DF), aprovado nessa terça-feira (20) na Câmara dos Deputados, são projetos “egoístas e pouco empáticos”, que trafegam na contramão do direito constitucional à vida e à saúde, e são levantados por “um grupo pequeno, mas barulhento”, que nunca defendeu as pautas verdadeiras da educação. “A educação não é uma atividade do mercado. A Constituição Federal abre a possibilidade da coexistência de instituições públicas e privadas, desde que as mesmas sejam autorizadas, reconhecidas e credenciadas pelo poder público”, enuncia, para contextualizar de forma abrangente e constitucional a verdadeira disputa que está por trás da defesa da essencialidade das aulas presenciais durante a pandemia de Covid-19. Na verdade, a motivação está explicitamente posta na justificativa do PL de Assumção, em que o deputado afirma que, “apesar das inúmeras evidências da importância do pleno funcionamento do setor educacional, ainda se observa a estagnação por parte do Poder Público Estadual em reconhecer tal atividade como sendo essencial, impondo o medo principalmente do setor privado, que depende da adesão de clientes (alunos) para a sua subsistência no mercado” e que, “nesse contexto, tal setor fica sempre à mercê de uma decisão autoritária e infundada que pode culminar no fechamento de tais estabelecimentos, gerando prejuízos inimagináveis não só ao gestor privado, mas também, e principalmente, ao discente”. Para a especialista, afirmar que “o setor privado fica sempre à mercê de uma decisão autoritária infundada” é uma grande irresponsabilidade. “Estamos vivendo uma pandemia e numa fase de risco extremo. O direito à vida, o direito de professores e alunos sobreviverem a uma pandemia é soberano ao interesse do mercado, do setor privado, ainda mais com esse percentual de alunos que é inexpressivo”, consigna, referindo-se ao percentual de menos de 20% das matrículas que estão vinculadas à rede privada de educação básica capixaba. Os parlamentares e os integrantes dos chamados “movimentos de pais pela educação”, que apoiam esses projetos de lei, expõe a coordenadora do Lagebes, “levam em conta o funcionamento da educação como se fosse um bar, uma loja de rua”, o que é inapropriado. “A educação é um direito social, como a saúde, e entre um e outro, prevalece o direito à vida e à saúde, segundo o texto da Constituição Federal”. Esses grupos, ressalta, “sempre desconsideraram a situação da Educação antes da pandemia e nunca colocaram a Educação como serviço essencial, principalmente para melhorar as condições de trabalho de infraestrutura e de salário de professor da educação pública”. A pauta que empenham, aponta, “quer impor a lógica do mercado sobre a educação pública”. Exclusão digital Um segundo pilar da justificativa de Assumção para aprovação da proposta remete ao “fato de muitos alunos não terem condições de sustentar minimamente o ensino à distância (EAD), seja por falta de condições financeiras e de equipamentos capazes de proporcionar a devida conexão para a participação nas aulas, seja pela precariedade ou inexistência de ensino remoto em muitos municípios capixabas. Tais fatos estão devastando a vida educacional dos alunos, atrasando a sua formação e reduzindo a convivência escolar, que é de fundamental importância na vida deste”, aponta. Nesse sentido, conclui o parlamentar, “o presente projeto de lei, fundamentado no bom senso e no equilíbrio, objetiva incluir as atividades escolares de qualquer natureza como sendo serviços essenciais, evitando o fechamento dos estabelecimentos de ensino em todos os níveis”. A menção ao grande contingente de alunos que atravessam as maiores dificuldades com o ensino remoto, devido à baixa inclusão digital da comunidade escolar, realidade negligenciada pelos sucessivos governos federal, estadual e municipais, apesar de legítima, salienta Gilda Cardoso, não se relaciona com o objetivo do projeto de lei, nem considera o contexto real e abrangente da educação pública. “As escolas não têm muitas vezes álcool em gel, ventilação, não têm sequer uma telha decente para cobrir a cabeça de professores e alunos”, elenca. “Eu fico me perguntando se esses movimentos pela essencialidade da educação estão de fato pela educação ou para fazer valer o dinheiro que estão gastando com a mensalidade. Ou, para ser mais explícita ainda, para não fechar suas empresas privadas que oferecem ensino particular”, provoca. Experiência europeia Outro argumento mal apresentado nos discursos dos apoiadores desses PLs, ressalta a cientista, é a de que devíamos repetir a experiência europeia, de manter as escolas abertas, como atividade essencial. “Para abrir escola, tem que fechar shopping, tem que fechar loja de rua, tem que fechar restaurante, só funcionando ônibus para o pessoal da saúde e da educação, e o resto fica fechado. Assim que foi feito na Alemanha. Mas quando a gente fala isso, o movimento de pais pela educação não apoia. Também não defende que professores e todo o pessoal que trabalha em escola sejam priorizados na vacinação”, contrapõe a educadora. Esses grupos, que ela percebe como pertencentes à “nova direita”, tampouco criticam o governo federal em relação à sua omissão em comprar vacinas no momento certo. “Não há nenhuma menção, nesses projetos de lei, à responsabilidade do governo federal por esse quadro grave que nós estamos passando”, critica. O momento, conclama Gilda, é de precaução, empatia e cuidado. “As pessoas que têm o mínimo de bom senso e sentimento de pertencimento a uma coletividade, uma mínima noção de cidadania, nesse momento que o
Educação é essencial
Essencial é identificar os interesses por traz desse discurso Vivemos num país em que a educação, como plataforma de campanha eleitoral, é o item comum a todas as candidaturas. O discurso é o mesmo e já vem pronto: “por uma educação de qualidade”. Ocorre que essa generalização não traz nenhuma proposta, discurso vazio, sem correspondência pragmática. Raramente um político se interessa pelo “problema” da educação, aliás, pouquíssimos têm a capacidade primária de definir esse conceito, afinal o dia a dia de seus interesses a muito desproblematizou esse “problema” e convive com “sua” existência numa rotina prazerosa, de se nomear preocupado com uma questão essencial a toda a sociedade, o que justifica sua utilidade na condição de representante com suas regalias e ótimos (para eles mesmos) salários. Utilizando aqui expressões de Dermeval Saviani extraídas do texto A Filosofia na formação do educador – que indico a leitura – vou esclarecer a “origem do problema”. O autor pressupõe os entendimentos de problema como questão, desconhecimento, mistério, obstáculo, dificuldade, dúvida, etc. e descarta todas essas visões com a proposta de recuperar a problematicidade do problema. Por fim, conclui que a problematicidade do problema ou a “sua essência” é a necessidade (Uma questão cuja resposta se desconhece e se necessita conhecer). Por favor degustem o texto do Saviani, facílimo de encontrar na internet, principalmente os senhores políticos representantes do povo, antes de se referirem à educação e seus “problemas”. Estabelecida essa premissa, vamos analisar o que leva nossos representantes na Câmara dos deputados, nesses momentos tão difíceis, a declarar a educação como serviço essencial. Se não viesse de um público que, como disse anteriormente, utiliza conceitos, na superficialidade do discurso, com seus objetivos obscurecidos por uma pseudo-concreticidade para impressionar a população, imersa na ingenuidade do senso comum, estaríamos felizes e esperançosos de finalmente o Estado enfrentar o “problema da educação”. Muito já falamos por aqui da educação como fundamental para a formação integral do ser humano, que chega a um mundo velho com a necessidade de conhecê-lo, principalmente para transformá-lo, como na visão de Hannah Arendt “A cada nascimento, um novo começo surge para o mundo, um novo mundo em potencial passa a existir”. Para que a educação cumpra seu papel “essencial”, junto a esses novos integrantes do mundo, o Estado precisa enfrentar os “problemas da educação”, suas necessidades, que não dependem de uma análise tão profunda, vez que transparecem em nossa rotina concreta, seja nas instalações escolares, na baixa valorização de seus profissionais, na falta de políticas públicas concretas e, eu diria principalmente, na mercantilização da atividade que deveria ser pública, mas que exatamente se justifica com a ineficiência do que é público. Esta mercantilização da atividade se torna valorizada no senso comum e oportunista das classes mais privilegiadas, que destacam seus descendentes, desde a infância, para se estabelecerem no mundo em posição privilegiada seccionando sua casta da população em geral. Sim, a educação é um serviço essencial, não para expor seus integrantes, profissionais e estudantes, à doença e morte frente a pandemia. Aliás, não podemos esquecer que a gravidade da pandemia em nosso país se dá, exatamente, por ter sido e continuar sendo negligenciada, por esses mesmos governantes que querem considerá-la essencial. Está claro que o interesse não é resolver seus problemas, mas retornar seu funcionamento precário e manipulado, para o atendimento aos interesses menores desses políticos, principalmente no maniqueísmo político/eleitoral que vivemos no Brasil, reafirmando seu descompromisso efetivo com a atividade educacional em si e com a formação da população em geral. Fiquemos com a visão de Hannah Arendt que para educar, antes de tudo, é preciso amar o mundo. Everaldo Barreto é professor de Filosofia