Prefeito de Cariacica formalizou seu nome na disputa, com o apoio de Renato Casagrande O apoio do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) em Cariacica ao prefeito, Euclério Sampaio (MDB), foi reafirmado nesta segunda-feira (22) pelo presidente municipal da legenda, Nelson Baby, um dia depois da convenção partidária, com a participação de 15 legendas, que formalizou o nome do prefeito à reeleição. A decisão ainda passa por conversas entre os integrantes das nacionais da Federação Brasil da Esperança, que o PCdoB integra, juntamente com o PV e o PT. A saída do PCdoB da aliança coloca em situação desconfortável a pré-candidatura da professora Célia Tavares, do PT, agravada com o fato de o PV, outro partido federado, insistir em lançar o ex-vereador Heliomar Costa Novais como candidato. A questão é o tema de conversas que irão ocorrer até o próximo domingo (4), quando o PT realizará a convenção para homologar o nome que disputará a majoritária. “O nome de Célia foi homologado pela Comissão Executiva Nacional, em 27 de maio”, explica o presidente municipal do PT, Luiz Gaurink, ressaltando que o impasse deve ser discutido levando em conta regras da Justiça Eleitoral que normalizam as federações partidárias. Para o vereador Nelson Baby, o motivo de o PCdoB se afastar é justamente porque a candidatura de Célia foi decidida na cúpula, sem considerar os outros integrantes da federação. “Tivemos apenas uma reunião”, afirma, e enfatiza que “a o atual prefeito mantém Cariacica com o apoio do governador Renato Casagrande, como acontece em Vitória”. Esse apoio foi visto em vídeo exibido na convenção organizada por Euclério, em que Casagrande destaca a “parceria com a atual gestão de Cariacica e diz ter a certeza que a população está acolhendo e irá continuar acolhendo o que a gente fez nesses últimos meses, uma transformação efetiva, mostrando como é forte a parceria, o trabalho junto”. Na convenção, Euclério Sampaio anunciou a ex-secretária municipal de Governo e Recursos Humanos Shymenne Benevicto de Castro (PSB) como candidata a vice-prefeita e disse que “vai manter Cariacica no caminho da união, do desenvolvimento econômico, da atração de investimentos e das obras que mudam a vida da população para melhor”. E lembrou: “Extremismo não leva ninguém a lugar nenhum”. Estiveram presentes representantes do PSB, PSD, Republicanos, União Brasil, Democracia Cristã, Agir, Podemos, PP, PMB, PDT, PRD, PSDB, Novo e Cidadania. Com exceção do Novo, todos os diretórios fizeram suas convenções no mesmo espaço.
Camila Valadão diz que há espaço para duas candidaturas de esquerda
Deputada declarou, ao lado vice Macaciel, que “conhece as belezas, as contradições e os problemas de Vitória” Redes Sociais “Eu sinto que a nossa próxima vinda aqui será como prefeita”, disse a deputada Camila Valadão ao discursar na convenção do Psol/Rede Sustentabilidade nesse domingo (21), na Câmara de Vitória, realizada para formalizar sua candidatura à prefeitura nas eleições de 6 de outubro. Sem citar nomes, ela afirmou que há espaço para duas candidaturas de esquerda, em referência a Joao Coser, pré-candidato do PT, e atacou a gestão do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), que só “dialoga com os lobistas”. Antes da convenção, tanto Camila quanto João Coser confirmaram conversas sobre aliança, mas as candidaturas foram mantidas, de ambos os lados, como forma de garantir uma frente mais ampla para barrar a reeleição do atual prefeito. Essas duas candidaturas têm ainda uma corrente contrária representada pele ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), que intensifica a movimentação depois da convenção do seu partido, nesse sábado (20), com uma baixa: a do deputado Gandini (PSD). A convenção partidária do Psol que consolidou Camila Valadão como candidata à Prefeitura de Vitória, com o administrador Macaciel Breda, da Rede, como seu vice, contou com a participação da deputada federal Sâmia Bonfim (Psol/SP); da presidente nacional do Psol, Paula Coradi; do porta-voz nacional da Rede, Wesley Diógenes; e representantes estaduais e municipais dos partidos. Sâmia Bonfim apontou a importância da candidatura e destacou que “não é apenas para constar, mas veio para ganhar”. A deputada destacou que “é a materialização de um projeto que temos para o Brasil inteiro”. Sâmia acredita que Camila irá para o segundo turno e “disputar para ganhar”. Camila destacou que está “preparada para fazer o sol brilhar para todas as pessoas da nossa cidade. A novidade dessa eleição e o futuro da nossa Vitória começam a ser decididos neste espaço no dia de hoje! E nós conhecemos bem essa cidade, suas belezas, contradições, problemas e potências. É exatamente por isso que estou certa que Vitória precisa de mudança”. Destacou que “os maiores investimentos da cidade são feitos em frente aos condomínios dos mais ricos, enquanto nas escolas, auxiliares de educação infantil recebem menos do que um salário mínimo para cuidar dos nossos filhos. E por trás disso, um projeto autoritário, que dialoga com os lobistas. Mas não fala com as mães, com as professoras, com os idosos, com os artistas”. O vice da chapa, Macaciel Breda, ressaltou que a disputa à prefeitura será desafiadora, mas que está animado para o processo. “Já tivemos outras oportunidades de eleger uma mulher, mas dessa vez, nós vamos! Tudo que conquistou até aqui, Camila trilhou com muita luta, correria, e está preparada!”, exaltou. “Vamos enfrentar o bolsonarismo em dose dupla, um delegado e um capitão. Temos a missão de conquistar os corações das pessoas para esse projeto,” destacou a presidente nacional do Psol, Paula Coradi, em seu discurso. A convenção também marcou o início oficial das campanhas dos 15 candidatos pelo Psol e Rede à Câmara de Vitória. Futuro de Arnaldinho e ausência de Gandini, as surpresas das convenções – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/politica/futuro-de-arnaldinho-e-ausencia-de-gandini-as-surpresas-das-convencoes
Vereador propõe novas mudanças na reforma da Previdência em Vitória
André Moreira quer que déficit atuarial seja considerado nos descontos de aposentados e pensionistas O vereador André Moreira (Psol) protocolou, nesta segunda-feira (22), dois projetos de lei (PLs) relacionados à reforma da Previdência, aprovada em janeiro de 2021 e revogada em setembro passado, após quase três anos de mobilizações. O PL 131/2024 busca condicionar o pagamento dos adicionais aos 14% para quem recebe acima do teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou seja, 7,7 mil, à existência de déficit atuarial na Previdência Municipal. O PL 132/2024, busca atrelar o pagamento dos 14% a este mesmo déficit. André explica que para quem recebe acima do teto do INSS, há dois adicionais, dependendo da faixa salarial. Um é de 2,5%, pagos por quem ganha acima do teto do INSS, mas abaixo do dobro desse valor. Somados aos 14% impostos pela reforma da Previdência, totalizam 16,5%. O outro é de 5%, que somados aos 14%, totalizam 19%, previstos para quem recebe acima do dobro do teto. Caso o PL seja aprovado, os adicionais só serão implementados caso haja comprovação de déficit atuarial. No caso de quem ganha entre cinco salários mínimos e o teto do INSS, a ideia, portanto, é extinguir a cobrança dos 14% caso não haja déficit atuarial. Até 2021, aposentados e pensionistas eram isentos de qualquer taxa previdenciária em Vitória, o que mudou com a reforma da Previdência. Contudo, a Câmara de Vitória aprovou por unanimidade, em setembro de 2023, projeto da gestão de Lorenzo Pazolini (Republicanos) que alterou o desconto de 14% nos subsídios dos aposentados, passando a incidir somente sobre quem recebe acima de cinco salários mínimos. Na justificativa do PL 131/2024, o vereador afirma que o último projeto aprovado “não alcançou todo o pleito da categoria, restringindo a cobrança dos 14% aos aposentados que ganham entre cinco salários mínimos e o teto do Regime Geral da Previdência Social [R$ 7.786,02 – valor de 2024], independentemente da existência do déficit atuarial. Após isso, a luta não cessou e houve tentativas de negociações, porém, na semana do dia 20 de maio de 2024, foi afirmado à categoria que a situação não mudaria”. O vereador destaca que, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), “deve haver a comprovada existência de déficit atuarial pela administração na cobrança de aposentados cujos proventos são abaixo do teto do Regime Geral da Previdência Social”. O texto diz, ainda, que é “importante perceber também que não houve a comprovação do déficit atuarial pela Prefeitura Municipal de Vitória, tanto na tramitação do PL nº. 202/20235, que levou à Lei nº. 9.965/2023, e do PL 02/2021, que levou à Lei nº. 9.720/2021, que instituíram a cobrança abaixo do teto do Regime Geral da Previdência Social [inicialmente a partir do salário mínimo e depois a partir de cinco salários mínimos]. Por isso, é necessária a modificação da legislação, a fim de condicionar a cobrança à comprovação do déficit atuarial, para que haja constitucionalidade material”. Na justificativa do PL 132/2024, o vereador reforça que não há déficit atuarial nem antes nem depois da Lei nº 9.720/2021, que estabeleceu os adicionais. De acordo com ele, isso foi comprovado por meio de relatórios disponibilizados pelo Instituto de Previdência e Aposentadoria do Município de Vitória (Impav), “o que faz ser injustificada a cobranças dos adicionais observados”. Desconto de 14% dos aposentados só para quem ganha acima de cinco salários – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/politica/desconto-de-14-dos-aposentados-so-para-quem-ganha-acima-de-cinco-salarios Audiência vai discutir devolução dos 14% descontados dos aposentados em Vitória Vereador André Moreira também quer debater fim do desconto para quem ganha acima de cinco salários https://www.seculodiario.com.br/politica/audiencia-ira-discutir-devolucao-dos-14-descontados-dos-aposentados-em-vitoria
Pazolini garante que projeto do ‘Tancredinho’ será apresentado nesta quarta
Audiência foi convocada pela associação de moradores, que desconhece obra anunciada pelo prefeito A Prefeitura de Vitória vai apresentar o projeto da obra do “Tancredinho” nesta quarta-feira (24), durante audiência pública que será realizada às 19h, na praça Regina Frigeri Furno, em Jardim da Penha. O compromisso foi assumido pelo prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) nessa sexta-feira (19), em reunião com a Associação de Moradores de Jardim da Penha (Amjap). O gestor, no entanto, não informou quem vai apresentar o projeto, mas a entidade deseja que seja o secretário de Obras, Gustavo Perin. A audiência estava marcada para a última quarta-feira (17), mas a gestão municipal solicitou adiamento para que antes pudesse discutir o tema com a Amjap, culminando na reunião com o prefeito. O coordenador-geral da Amjap, Angelo Del Caro, relata que, na conversa, destacou não ser contra nem a favor da obra, querendo conhecer o projeto para poder se posicionar. A entidade também se queixou da dificuldade de diálogo com a gestão, mas conforme afirma Angelo, o prefeito não reconheceu que há essa barreira. O coordenador-geral da Amjap acredita que a decisão do prefeito de receber a comunidade foi porque há muitas pessoas que trabalham na administração municipal, como secretários e subsecretários, que moram em Jardim da Penha. Como o assunto tem sido muito debatido entre os moradores, é possível que essas pessoas tenham tomado a iniciativa de levar a demanda ao prefeito. Somando-se a isso, acrescenta, a comunidade oficiou a prefeitura solicitando a apresentação do projeto. Também foram convidados para a audiência pública representantes do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Espírito Santo (CAU/ES); do Ministério Público do Espírito Santo (MPES); da associação dos expositores que trabalham na praça Regina Frigeri Furno; dos projetos sociais realizados no local e das escolas da região, que, segundo Angelo, costumam utilizar a praça para algumas de suas atividades. A obra trata-se de uma quadra coberta, a qual o prefeito descreve como uma miniatura do ginásio de esportes popularmente conhecido como Tancredão, localizado no bairro Mário Cypreste, em Vitória. A reclamação da comunidade é de que a obra foi pensada sem diálogo com os moradores, que souberam da iniciativa somente por meio da imprensa. Angelo informa que a prefeitura contatou a Aassociação somente para convidar para o lançamento do edital de licitação da obra, em 6 de julho. A Amjap realizou audiência pública sobre o tema no dia 19 de junho, também na praça, para a qual a prefeitura foi convidada, mas não compareceu. O edital para a obra, que custará R$ 3,9 milhões, também não foi apresentado à comunidade, que, por meio da Amjap, já procurou o documento, mas não encontrou. Na praça há feira de artesanato semanalmente e feira gastronômica todos os dias, ambas com muitos trabalhadores que têm nessa atividade sua única fonte de renda. Também funcionam diversos projetos, como os de patinação artística, escolinha de futsal, ginástica para a terceira idade, atletismo e skate. Diante disso, relata Angelo, os moradores querem saber onde esses trabalhadores ficarão durante os 540 dias previstos para a conclusão da obra, bem como onde os projetos irão acontecer. Moradores de Jardim da Penha querem conhecer projeto do ‘Tancredinho’ Prefeitura anunciou, sem nenhum diálogo, construção de quadra coberta em praça https://www.seculodiario.com.br/cidades/moradores-de-jardim-da-penha-querem-conhecer-projeto-do-tancredinho
Fórum realiza II Marcha das Mulheres Negras no próximo sábado
“Contra o Feminicídio e pelo Bem Viver” é o tema da mobilização, que percorrerá ruas do Centro de Vitória O Fórum Estadual de Mulheres Negras realiza, neste sábado (27), a II Marcha das Mulheres Negras, cuja concentração será às 8h, na Praça Costa Pereira, Centro de Vitória. De lá, os manifestantes seguirão rumo ao Museu Capixaba do Negro (Mucane), na mesma localidade. Este ano, o tema será “Contra o Feminicídio e pelo Bem Viver” e abordará pautas como a necessidade de políticas públicas com recorte racial e de gênero, defesa do aborto legal, combate à intolerância religiosa e fim do extermínio da juventude negra. A integrante do Fórum, Marilene Aparecida Pereira, explica que o trajeto escolhido é devido ao movimento intenso de pessoas, possibilitando um trabalho de panfletagem e sensibilização com a população. Além disso, destaca, o Mucane é um espaço de referência para a população negra. No que diz respeito às pautas, a ativista aponta que o recorte racial e de gênero nas políticas públicas, com foco nas mulheres negras, é necessário para combater as desigualdades. Ela exemplifica com o fato de que esse grupo é o que mais sofre com vários tipos de violência, como a feminicídio e as violência doméstica e obstétrica, portanto, as políticas que buscam eliminar esse tipo de problema devem levar essa realidade em consideração. A defesa do aborto legal ganhou mais força este ano diante da apresentação, na Câmara dos Deputados, do Projeto de Lei (PL) 1904/2024, de autoria do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL/RJ), que equipara aborto a homicídio quando realizado após 22 semanas de gestação, inclusive nos casos de gravidez resultante de estupro. A proposta altera o Código Penal, que hoje não pune o aborto em caso de estupro e não prevê restrição de tempo para o procedimento nesse caso. O código também não pune o aborto quando não há outro meio de salvar a vida da gestante. Defender o fim da intolerância religiosa, afirma Marilene, se faz cada vez mais necessário diante dos inúmeros casos de ataques a religiões de matriz africana no Espírito Santo. Em um dos casos, em maio deste ano, o terreiro de umbanda Aprendizes do Amor, em Santa Paula, Vila Velha, foi incendiado. Outro episódio recente foi em outubro último, quando a casa de Candomblé Ilê Asé Oni Odé Babá Layó, em Itapoera da Barra, Vila Velha, durante um ritual, foi alvo de três bombas jogadas por um vizinho, que confessou o crime. O extermínio da juventude negra, ressalta a integrante do fórum, afeta as mulheres negras, que sofrem a perda de seus filhos para a violência, muitas vezes cometida pelo próprio Estado. Marilene informa que a ideia é, a partir do ano que vem, fazer a Marcha nas comunidades populares, as quais chama de territórios. Assim, possivelmente, a terceira edição será em São Pedro. A proposta é uma forma de os debates chegaram até as periferias, locais de população majoritariamente negra. Para isso, será um ano de preparação nas próprias comunidades. “Normalmente, as reuniões são no Centro, em algum sindicato que nos cede o auditório. Para o ano que vem, vamos fazer com a condição que tiver no território”, pontua. Vizinhos jogam bomba em casa de Candomblé de Vila Velha durante cerimônia Ogã Natalício Prates de Morais Júnior relata que a cerimônia foi interrompida e as pessoas foram embora com medo https://www.seculodiario.com.br/direitos/vizinhos-jogam-bomba-em-casa-de-candomble-de-vila-velha-durante-cerimonia Mulheres realizarão protestos até o PL do aborto ser arquivado definitivamente Após atos em todo o Brasil, proposta perdeu força no Congresso. OAB critica teor https://www.seculodiario.com.br/direitos/mulheres-afirmam-protestar-ate-o-pl-do-aborto-ser-arquivado-definitivamente Mulheres negras entregam manifesto com reivindicações ao Governo do Estado Documento, direcionado também a Lorenzo Pazolini e à sociedade, reforçou pedido de exoneração do secretário de Segurança https://www.seculodiario.com.br/direitos/mulheres-negras-entregam-manifesto-com-reivindicacoes-ao-governo-do-estado
O enterro do General
O gongo gongava, impiedoso Ary Barroso e esposa com Walt Disney e esposa, 1942 (Wikipedia) O mendigo da praça de há muito havia perdido o nome de batismo e cartório, e todos o chamavam de General, porque nunca tirava um velho e desbotado casaco de policial. Vivendo de esmolas e dormindo sempre no mesmo banco da mesma praça, ali mantinha também seus pertences: uma sacola plástica estufada sabe-se lá com quê. Não tinha emprego e não fazia biscates, não pagava impostos nem esmolava, não votava no da direita ou da esquerda, não tomava banho nem roncava, mas também não incomodava ninguém. Comia se lhe dessem o que comer, nunca pedia. * Sua única função era ajudar os carros a estacionar nas apertadas vagas em volta da praça, mesmo se não fosse preciso. Pode dar uma lavadinha aí, General? Não Sinhô. Mesmo assim, a gorjeta pingava entre os homens de boa vontade, que os outros xingavam. As mulheres já carregavam na bolsa alguma sobra do lanche de ontem, uma banana madura demais, os restos do que comeram na lanchonete ali perto, ajudando a alimentar a figura – nunca davam dinheiro. Ele não pedia e nem agradecia. * Não que fosse ingrato ou mal-educado, apenas era o General, e não devia favor a ninguém. Mas sabia cantar, e quando passava alguma garota bonita abria a voz – Meu coração, não sei porque…, A deusa da minha rua… Tu és, divina e graciosa estátua majestosa… O repertório do Orlando Silva era vasto, o General cantava todas. O povo ria, aplaudia, mas as garotas evitavam passar no local, quando possível, irritadas com a homenagem. Muitas davam grandes voltas por ruas paralelas para não se expor ao ridículo com a homenagem do General. * Era fã incondicional do Orlando Silva, o cantor das multidões, e do Ary Barroso, compositor e flamenguista convicto. Quem ainda se lembra? Os dois eram grandes, juntos eram um fenômeno. O Ary tinha um programa na Rádio Tupi, A Hora do Calouro, onde a tônica não era a música, mas seu lendário mau-humor. O calouro se aproximava, já tremendo. Vai cantar o quê? Rosa. De quem? De quem o quê? O autor, meu amigo, a pessoa que compôs essa obra prima. Sei não senhor. O apresentador já bufava. Tá bom, vai em frente. Tu és, divina e graciosa ‘istauta’ majestosa… *O gongo gongava, impiedoso. Vai cantar essa ‘istauta’ na casa da senhora vossa mãe! Entra o próximo incauto. Vai cantar o quê? Aquele sambinha… Tem nome seu ‘sambinha’? Aquarela do Brasil. O gongo soava antes mesmo do sujeito cantar a primeira nota. Vai cantar seu ‘sambinha’ lá na… A produção cortava o resto. Assistindo o programa no rádio chiando do bar da esquina, ao som das garrafas de cerveja batendo no mármore das mesas, o General ria de chorar. Era seu momento de glória, e nunca faltava quem lhe desse um resto de cerveja, não muito gelada, mas ainda espumante. * Quanto ao Ari, o humor só era pior quando o Flamengo perdia. Hoje tenho minhas dúvidas se todos aqueles calouros que faziam papel de tolos no programa não eram humoristas anônimos, pagos para levar broncas do apresentador. Apesar do gongo, era difícil conseguir uma vaga, e dali surgiram grandes nomes, como Ângela Maria, Elizeth Cardoso, e tantos outros. Conheci o filho da Dalva de Oliveira, que contava histórias (alegres) sobre os famosos pais. Quando ele se retirava, as pessoas cochichavam, Quem era o pai dele, mesmo? Ninguém perguntava quem era a mãe. Grande Dalva, mas a Ave Maria no Morro, do Herivelto Martins, ainda hoje é cantada e celebrada em vários idiomas. * O tempo passa e esses personagens já partiram desta para a melhor. Famosos em seu tempo, mas que poucos lembram, porque a avalanche de informações, imagens e eventos com que a TV e a Internet nos assolam constantemente não deixam tempo nem lugar para o passado. Vale a pena ver de novo? A praça também não se lembra do General, e os motoristas têm que pagar aos flanelinhas para estacionar. Quem se lembra dele são algumas velhinhas que ainda passam por ali, ouvindo saudosas a antiga homenagem – Tu és, divina e graciosa… Não é que o General cantava bem?
Desfiadeiras de siri: tradição e ameaças na Ilha das Caieiras
Uma das mestras do ofício, Tatiana Valeska pede olhar do poder público à prática e aponta impactos de obras A TV Século foi à Ilha das Caieiras, em Vitória (ES), e conversou com Tatiana Valeska, desfiadeira de siri, uma prática tradicional da região. Ela falou sobre a tradição, que a ajudou a sustentar seus filhos; sobre ameaças do presente, como as obras realizadas no bairro há cerca de um ano pela Prefeitura de Vitória; e do futuro, relacionado com a possibilidade de continuidade da prática nas próximas gerações. —- * Inscreva-se no canal do Século Diário no YouTube e ative o sininho para acompanhar as novidades.
Associação vai se reunir com o Ministério Público para tratar do Mergulhão
Obra foi tema de audiência pública realizada na Praça Nilze Mendes pelo mandato do vereador André Moreira Está marcada para o dia 12 de agosto, uma reunião entre a Associação Comunitária de Jardim Camburi (ACJAC) e o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), para tratar da obra do Mergulhão de Jardim Camburi, em Vitória. A intermediação do MPES foi uma solicitação da entidade, por meio de um ofício em que cobra conhecer o projeto, uma vez que a gestão de Lorenzo Pazolini (Republicanos) não dialogou com a comunidade, deixando muitas dúvidas nos moradores. O presidente da ACJAC, Bruno Malias, destaca que a comunidade tem preocupação com o futuro do bairro. “Qual Jardim Camburi que a gente quer para o futuro? Essa discussão passa muito pelo presente. A gente está vivendo esse momento do Mergulhão, tem um bairro que continua crescendo, é o maior bairro do Espírito Santo. Fico muito preocupado para onde a gente está indo, quais são os caminhos”, ressalta. PMV Bruno informa que há uma estação de tratamento da Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) na avenida Norte Sul que sairá dali para Carapina, na Serra. A proposta dos moradores de Jardim Camburi, afirma, é de que no lugar da estação seja feito um parque linear, além de defenderem a criação de ciclovias. “Ninguém aqui é contra o desenvolvimento, o crescimento, mas queremos crescimento sustentável”, salienta. A preocupação com o futuro foi um alerta dado durante a audiência pública realizada pelo mandato do vereador André Moreira (Psol) nessa quinta-feira (18), da qual participaram também os vereadores Karla Coser (PT) e Vinícius Simões (PSB), além da deputada estadual Camila Valadão (Psol). Representantes das secretarias municipais de Obras e de Trânsito foram convidados para que pudessem apresentar o projeto à comunidade, mas não compareceram. Divulgação Durante a audiência, uma técnica convidada pelo mandato de André Moreira levou a reflexão sobre o tipo de trânsito que se quer na região: de passagem, com tráfego intenso, como tudo indica que será o Mergulhão, ou ordenado, com possibilidade de uso de ciclovia e construção de áreas verdes? Isso porque uma das preocupações da comunidade é o fato de o Mergulhão parecer ser um indutor de trânsito para a Avenida Dante Michelini, com possibilidade de piora no tráfego, com mais circulação de carros. A ordem de serviço do Mergulhão foi assinada no dia 2 de julho, na Praça da Bocha. A obra custará até R$ 92,2 milhões, com duração de 30 meses, executada pela empresa Zurich Airport Brasil. A Prefeitura de Vitória alega que a iniciativa vai eliminar a retenção de veículos no cruzamento da rodovia Norte-Sul com a avenida Dante Michelini. Durante a assinatura da ordem de serviço, ao contrário do que esperavam os moradores, não houve apresentação do projeto nem a escuta da comunidade. Na ocasião, a ACJAC apontou que os espaços de fala foram para o prefeito Lorenzo Pazolini; o secretário municipal de Obras, Gustavo Perin, e algumas pessoas apontadas pela gestão como lideranças comunitárias, mas nenhuma delas integrante da entidade, que não teve espaço para manifestação. “A assinatura da ordem de serviço foi um monólogo da prefeitura, não houve debate público”, constatou o presidente da associação, Bruno Malias, na ocasião. A comunidade esperava a apresentação do projeto, com “dados, motivações, evidências, obras que complementam a do Mergulhão”, acrescentou. “A gente não conseguiu se aprofundar, debater, pois a prefeitura não nos deu essa oportunidade”, queixou-se. Bruno questionou: “Por que não apresentam? Por que não trazem as informações? Precisamos da apresentação e do debate público, para termos clareza do que vai acontecer”, reiterou. Vereador de Vitória convoca audiência pública sobre o Mergulhão André Moreira convidou secretarias municipais após negativas de diálogo com a comunidade https://www.seculodiario.com.br/cidades/vereador-convoca-para-audiencia-publica-sobre-o-mergulhao Associação aciona MPES por audiência pública sobre Mergulhão de Camburi Moradores afirmam desconhecer projeto que impacta o bairro, pois prefeitura não o apresentou https://www.seculodiario.com.br/cidades/associacao-cobra-audiencia-publica-sobre-o-mergulhao-de-camburi ‘Assinatura da ordem de serviço do Mergulhão foi monólogo da prefeitura’ Ao contrário do que queria a comunidade, apresentação do projeto não foi feita e moradores não puderam falar https://www.seculodiario.com.br/cidades/assinatura-de-ordem-de-servico-do-mergulhao-foi-monologo-da-prefeitura
Futuro de Arnaldinho e ausência de Gandini, as surpresas das convenções
PSD, partido do deputado Fabrício Gandini, ficou de fora dos apoios a Luiz Paulo em Vitória A abertura do calendário das convenções partidárias para as eleições de 6 de outubro na Grande Vitória, neste sábado (20) e que vai até 5 de agosto, quando serão oficializados os nomes dos candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador, registrou algumas surpresas, duas das quais chamaram mais a atenção do mercado político. Após a definição dos nomes, os partidos têm até 15 de agosto para registrar as candidaturas na Justiça Eleitoral. Uma das surpresas foi a ausência do deputado Fabrício Gandini (PSD) no evento do ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas, em Vitória; a segunda, a declaração do prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (Podemos), que, se reeleito, não disputará o governo do Estado em 2026. Com essa afirmação, ele reforça a aliança e se junta aos projetos do governador Renato Casagrande (PSB), assumindo o compromisso de cumprir o novo mandato até o fim. Redes Sociais Gandini era integrante do grupo que foi formado há dois meses, como uma frente de terceira via para enfrentar o atual prefeito, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e teve o nome rejeitado para entrar na disputa. A ausência do deputado no evento engrossa os comentários de que o PSD estaria se deslocando para aliança com o atual prefeito, como passou a se movimentar o presidente estadual da legenda, Renzo Vasconcelos. No painel em cima do palco apareciam as logomarcas do PSDB, Cidadania, PSB, União Brasil e PMB, partidos que apoiam Luiz Paulo. O tucano confirmou, na vaga de vice, o advogado Victor Ricciardi, presidente municipal do União Brasil. Em Vila Velha, ao contrário do que se esperava, o nome do vice não foi anunciado. A torcida levou até faixa paras defender a indicação do presidente da Câmara de Vereadores, Bruno Lorenzutti (MDB), que disputa com Cael Linhalis, do PSB, partido do governador Renato Casagrande, que não encontra acolhida na base da legenda no município. Arnaldinho tem apoio de 10 partidos, presentes à convenção, além do Podemos: PSD, Republicanos, União Brasil, MDB, PDT, PRD, DC, Agir, PMB, Novo. Redes Sociais Neste domingo (21), o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), pré-candidato à reeleição, promove a convenção reunindo 15 partidos: PSB, PP, Republicanos, Podemos, União Brasil, PDT, PSD, PSDB/Cidadania, Novo, PMB, Agir, PRD e Solidariedade. Ele também deverá confirmar como vice a ex-secretária de Governo e Recursos Humanos Shymenne Benevicto de Castro (PSB). No mesmo dia, em Vitória, a deputada estadual Camila Valadão realiza convenção para formalizar sua candidatura à Prefeitura de Vitória pelo Psol, federado com a Rede de Sustentabilidade, que indicou Macaciel Breda na vice, conhecido aliado de Renato Casagrande.
Vice-prefeito e ex-prefeito deverão se enfrentar nas eleições em Irupi
Paulino Coveiro e Lelei Storck são os únicos pré-candidatos da disputa majoritária na cidade do Caparaó Redes Sociais Em Irupi, município de 13,7 mil habitantes da região do Caparaó capixaba, a disputa majoritária deverá ficar polarizada em apenas dois concorrentes. O atual vice-prefeito, Paulino Lourenço, o Paulino Coveiro, (MDB) e o ex-prefeito Gerselei Storck – mais conhecido como Lelei Storck (PRD) – são os pré-candidatos a prefeito colocados, até o momento. Paulino, como diz o nome de urna que costuma adotar, exerce a profissão de coveiro. Ele foi vice-prefeito nos dois mandatos do atual chefe do Poder Executivo, Edmilson Meireles (MDB) – que assumiu em 2019, após a cassação da chapa de Carlos Henrique Emerick Storck (sobrinho de Lelei), e foi reeleito em 2020. Para compor a chapa, Paulino terá ao seu lado o jovem Abercílio Machado (Podemos), que foi chefe de gabinete de Edmilson. A convenção do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) para referendar a candidatura do vice-prefeito está marcada para acontecer no próximo dia 2 de agosto, a partir das 19h, no Cerimonial Thomaz. Outros partidos da coligação incluem o União Brasil e o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Servidor público, Lelei também foi vice-prefeito, de 2001 a 2004, e prefeito em dois mandatos, entre 2005 e 2012. Em 2016, ele foi condenado por improbidade administrativa, devido à contratação irregular de servidores temporários entre os anos de 2005 e 2011. Por conta disso, pairam dúvidas no mercado político local sobre a real possibilidade de Lelei se candidatar neste ano. Mas, de acordo com decisão proferida no último dia 18 de março pelo juiz Marcelo Mattar Coutinho, da 19ª Zona Eleitoral de Muniz Freire, o ex-prefeito já está liberado para se candidatar novamente. Na hipótese de não conseguir se candidatar, Lelei provavelmente apoiaria uma candidatura de Elidea (PP), pré-candidata a vice-prefeita em sua chapa. Enfermeira e empresária, Elidea foi secretária de Saúde nas gestões de seu colega de chapa. Na última eleição, ela se candidatou a prefeita pelo Podemos e ficou em segundo lugar. De qualquer forma, a própria Elidea, ao ser questionada por Século Diário, reafirmou que a confiança no registro da candidatura de Lelei é total e não há um segundo cenário a ser trabalhado.